Sem músicas por hoje?

- Aiiii! Maldita dor de cabeça gritou Frankie ao acordar com o telefone tocando...

Ele sabia que a dor não era apenas por causa da bebedeira na noite anterior.

No segundo toque ele resolveu atender, sabia perfeitamente quem era e o que a voz queria do outro lado da linha.

- Hey Frankie, como vai? Perguntou Bob Gaudio tentando inutilmente parecer cordial e tranquilo.

- Escuta aqui... Eu sei o que você quer e a resposta é NÃO! Eu não vou gravar mais uma baladinha de amor. Respondeu Frankie em um tom não muito amigável.

You're home again, I'm glad you kept the key

Been waiting here, it seemed a million years to me

But hush now I know you're all cried out

It's all right inside, I've had no doubt

About your love for me

- Vamos ao que interessa... Eu escrevi a canção, o que custa você dar uma olhada?

- Ok... Grunhiu um Frankie tonto do outro lado da linha.

- Ótimo! No local de sempre, o horário você já sabe. Finalizou o amigo.

Produtores... Todos uns chatos! Pensou Frankie enquanto se encaminhava ao banheiro da suíte para a habitual chuveirada "curadora de ressaca".

Ele sabia que o seu amigo e parceiro de todas as horas estava tentando mais uma ajudar, mas o fato é que apesar de ter um timbre de voz raro, Frankie Valli não conseguia manter em harmonia a vida pessoal e profissional: quando estava em turnê, em estúdio, a vida pessoal desmoronava... O contrário também era válido. Há dois meses perdia sua filha mais nova, Francine, e há menos de um ano, Celia, sua enteada. Como esperar que ele estivesse disposto a gravar?

Chegando ao restaurante Frankie se jogou na poltrona... Bob não demorou a aparecer.

- Você pirou?! Um frio de rachar lá fora e você está usando esta regatinha?

- Ok 'mamãe', esqueci o casaquinho... Disse Frankie em tom debochado.

- Olha aqui!... Quando se deu conta Bob estava praticamente jogado sobre a mesa com o com o dedo indicador em riste a dois centímetros do nariz de Frankie.

- Olha aqui você! Disse o outro esticando o indicador da mão oposta ao nariz do amigo.

- Ta bom, desculpa... Disse Bob abaixando o dedo e cruzando os braços sobre a mesa.

Neste momento Frankie apenas abaixou a cabeça sobre os braços já cruzados.

- Olha aqui... Continuou Bob em um tom mais sereno, eu sei que a vida não tem sido muito grata com você, mas quem sempre diz que apesar dos problemas é preciso continuar lutando, senhor Francesco Stephen Castelluccio... "capisce"? ele sabia que o amigo falava sério, apesar do tom paternal em sua voz, o chamara pelo nome completo.

- Me passa o envelope... Quem sabe um dia eu o abra. Falou Frankie levantando a cabeça, forçando um sorriso.

I can see behind the tears

I'm certain of the way we feel

And given time the hurt will heal

- Sem compromisso, retrucou Bob. Piscando maliciosamente para o amigo e deixando o local em seguida.


Mais tarde Frankie abriu o envelope e começou a analisar a letra e a música, depois de uma rápida leitura resolveu ligar para Bob. Uma voz de sono respondeu do outro lado da linha.

- Frankie?!

- A letra está boa, mas troca o "think" por "guess", assim posso entrar cantando com mais vigor na segunda estrofe. No mais, acho que posso gravar a canção.

- Sempre querendo "usar" a voz que tem, brincou Bob, desligando o telefone.

I need you, I think I always will

From time to time you play around

But I love you still

You tried them all, at ev'rybody's beck and call

Maybe you resist them all

When I tell you how I missed you

Ao desligar o telefone Frankie sorriu também, fez mais uma leitura da letra, em seguida pegou no sono com o papel na mão e não, por acaso aquela noite, sonhou com Francine.

Fallen angel, I'll forgive you anything

You can't help the things you do


N/A: Essa é a minha primeira fic espero que gostem. Comentários e críticas são sempre bem-vindos.