Todas as meninas que deixaram reviews (Lidiane, Paula, Fran, Daniele, Pri, Mamma Corleone), muito obrigada pelo incentivo sempre. Espero que gostem do último capítulo. Bjo pra todas. =D

Capítulo 5:

Danielle ordenou que Roxton amarrasse as mãos e os pés de Marguerite e retirasse a arma da cintura dela. Ela estava assentada cercada por uns montes de folhas que queimavam pouco a pouco. Tudo preparado pelo caçador, que cumpria ordens.

O calor do fogo estava já em níveis insuportáveis e as chamas se aproximavam cada vez mais. Danielle gargalhava vendo o medo nos olhos da herdeira e percebendo que ela já respirava com dificuldade e tossia muito devido a fumaça.

John Roxton parecia não achar graça alguma na cena. Ele sabia que não podia deixar aquela mulher morrer de uma maneira tão cruel. Não se conheciam, mas ele sentia doer a alma com o sofrimento dela.

O Lorde toma uma decisão, se aproxima de Danielle e se ajoelha a sua frente: – Minha senhora, não deixe que ela queime até a morte. É cruel demais! Peço para que, por favor, tire a mulher dali!

– O que? Então você acha cruel demais, John? – os olhos da feiticeira voodoo se estreitaram com a raiva provocada pelo apelo do homem – Entre lá e tire ela se quiser! Mas não será o fim do castigo que ela sofrerá.

Havia uma ínfima brecha por entre as chamas. É por ela que o caçador consegue adentrar o círculo; toma Marguerite em seus braços e sai protegendo-a com seu próprio corpo. Ele deita a mulher no chão e afaga o topo da cabeça dela numa tentativa de acalmar seus acessos de tosse. A desconhecida provocava seus extintos de proteção, embora ele se sentisse profundamente ligado a Danielle.

– Que lindo, John... Realmente comovente. Você já se esqueceu a quem você obedece? A quem você serve? – Danielle vinha se aproximando.

– Não, senhora. Mas é que eu pensei que...

– "Pensei" em nada! Deixe que EU pense por nós dois! Você deve se preocupar apenas em me satisfazer. – puxando o homem com uma das mãos em seu rosto – Ela vai pagar por sua desobediência agora, meu amor... Cada falta sua fará com que ela pague de alguma maneira. E adivinha quem vai aplicar os castigos? – ela o beija ardentemente sabendo que Marguerite os observava e sabendo também o efeito que isso provocaria nela – Pegue. Coloque-a de costas, rasgue a blusa dela e bata.

John olhou para a mão de Danielle e viu que ela lhe entregava um chicote (o mesmo que a mulher usava para açoitar os trogloditas que ela considerasse incompetentes).

– Não, John. Por favor, não faça isso... Você tem que se lembrar. Lembre-se de mim, de tudo que passamos juntos... – Marguerite sussurrava chorando ao ver seu amado pegar o chicote.

O homem começou a fazer exatamente como lhe foi ordenado. Dentro de si o Lorde vivia um dilema: as vezes sentia vontade de tomar aquela estranha em seus braços e correr com ela dali para mantê-la segura; em seguida sentia prazer em cumprir as ordens de sua senhora e também gostava de como os beijos ardentes que ela lhe dava o excitavam. Por fim, açoitou Marguerite algumas vezes até que a feiticeira mandou que ele parasse. "Vamos testar qual o limite que ela suporta", era o que Danielle dizia com um sorriso maléfico olhando Marguerite sangrar e silenciosamente chorar.

A herdeira foi posta tentando se equilibrar apenas pelo pé machucado apoiado numa única estaca afiada fincada no chão e uma corda amarrada numa árvore foi passada em volta de seu pescoço. Seu pé sangrava lentamente conforme a estaca perfurava a pele. A dor era excruciante e ela praticamente já não tinha mais forças; mas ela não podia desistir ou então seria enforcada.

– Isso, John, é pra você ver o que acontece quando me desobedecem. DE JOELHOS!

O caçador cai de joelhos diante de Danielle e ela o acerta com um chute na barriga e um soco no rosto. Ele geme de dor, mas é logo posto de pé pela mulher. As mãos dela se enrolam no pescoço dele e ela dá pequenos beijos por todo o rosto do homem.

– Meu amor, você não pode se comportar desse seu jeito super protetor com qualquer uma por aí. Você sabe que quando estou com ciúmes sou ainda pior... Use toda a proteção que você pode dar apenas comigo e com nosso herdeiro que virá. – Um sorriso brinca nos lábios da feiticeira enquanto ela olha para Marguerite e beija ardentemente o Lorde mais uma vez.

Marguerite mal pôde acreditar no havia acabado de escutar. Devia estar delirando. Agora como mataria Danielle sabendo que ela carrega um ser inocente dentro de si? Um filho de John. E então ela teria que entregar o homem de sua vida para a outra. Aquele homem que tinha feito sua vida valer a pena novamente estaria perdido para sempre. O pensamento de ser abandonada novamente, de se ver sozinha, lhe doía a alma. Ao mesmo tempo a herdeira tinha raiva de si mesma, por ter se deixado chegar ao ponto de depender de um homem para se sentir protegida. A dor em sua alma pesava em cima de sua dor física. Seria o limite do que ela poderia suportar? Sentiu seu corpo relaxar, porém não sentiu se enforcar. Depois, a escuridão foi inevitável.

Roxton ainda estava envolvido nos braços de Danielle quando, lançando um olhar rápido para mulher desconhecida, percebeu o quão fraca ela estava e que estava prestes a se entregar. Quando os olhos dela se fecharam, ele já havia se libertado das mãos da feiticeira e corrido para a Marguerite, amparando sua queda. Ele tirou a corda do pescoço dela, amparou-a desacordada em seus braços e desamarrou os braços da mulher para que ela se recuperasse melhor.

– COMO SE ATREVE?! – Danielle ficava ainda mais irada com a nova demonstração de proteção do casal que ela jamais queria ver unido novamente – SOLTE ESSA MULHER A-GO-RA!

– Desculpe, minha senhora. Eu não entendo o que está acontecendo comigo. – ele responde com o olhar baixo em sinal de submissão e deixando Marguerite deitada no chão ao seu lado.

– "Não entendo o que está acontecendo"... Ora, não há nada para entender. Acontece, meu caro John, que ela pagará mais uma vez pela sua desobediência. Eu quero que pegue um pouco de água na cabana e jogue na cara dessa intrometida para acordá-la; assim ela poderá sentir a dor de ser açoitada novamente por você. E eu quero AGORA!

O homem prontamente obedece: atira água várias vezes no rosto de Marguerite até que ela começa a despertar lentamente. Porém, mal tem tempo de tomar consciência de sua situação e Danielle já ordena que Roxton recomece uma nova sessão de açoites. A herdeira fecha os olhos e se concentra em sua própria respiração numa tentativa de suportar a dor. Ela parecia tão fraca, nem fazia esforço para se defender, que Danielle pensou que finalmente faltaria pouco para que Marguerite desistisse de tentar sobreviver. A morena sente um rosto encostar-se ao seu e escuta uma voz feminina quase sussurrar em seu ouvido: "Morra, sua vadia. Eu sabia que se dissesse que estou grávida seria o mais duro dos golpes contra você. E agora que acabou eu já posso dizer que é mentira. É men-ti-ra. Está escutando? Eu venci".

Marguerite ouve cada palavra que a feiticeira diz, porém não esboça qualquer reação. "Mentira não é? Você não tem ideia do que eu sou capaz de agüentar...". Enquanto Danielle se levanta e se enrosca novamente em John, murmurando frases quentes e promessas para o futuro do casal, a herdeira se lembra que não estava totalmente desarmada, embora estivesse sem sua pistola. Ela leva a mão esquerda vagarosamente em direção a cintura de sua calça tateando até alcançar o cabo de uma das facas que Verônica lhe emprestou. Agora era só fingir inconsciência e esperar o momento certo. Aqueles poucos minutos em que estava totalmente quieta lhe serviram para conseguir reunir um mínimo de forças em meio a todo cansaço que pesava em seu corpo.

O momento certo viria...

Danielle se inclina novamente para a herdeira quase encostando seu rosto no dela; se a mulher pudesse ouvir alguma coisa, então que fosse humilhada em seus últimos momentos de vida. "De que adianta essa beleza toda se vai usá-la para possuir o homem que quer, Marguerite? Me diga. Três anos se fazendo de coitadinha, de rejeitada, para no fim das contas entregar seu homem...". A feiticeira não teve chance de terminar. Antes que tomasse qualquer atitude, sentiu os dedos de Marguerite cravarem em seu pescoço. Se deparou com os enormes olhos verdes faiscando em pura raiva penetrando os seus.

– Mande o seu capacho se afastar. Mande que ele não interfira nessa nossa conversa entre mulheres. Agora.

Com o fio de voz que sobrava a Danielle ela ordenou que John se afastasse e que não tentasse interferir. Tão logo ela terminou a última frase e sentiu sua perna falhar com a dor da faca que a outra cravou bem em sua coxa. Marguerite se aproveitou disso e, usando sua última reserva de forças, levou a feiticeira ao chão e sentou-se em cima dela mantendo a ponta da faca no pescoço da feiticeira e prendendo as pernas dela entre as suas.

– Agora a conversa é entre mulheres. – Marguerite mantinha-se com muito custo movida a raiva e adrenalina – Eu não faço questão de ser nenhuma dama, mas você não passa de uma vadia filha da puta que depende de artimanhas para confundir os homens que deseja. Todas as vezes que o John tentou chegar mais perto de mim e eu neguei, ele o fez porque me queria de verdade.

– Você não vai sair viva daqui, Marguerite. Eu vou fazer John matar você. – Danielle se debatia tentando se livrar da herdeira. Só o que conseguia era fazer a ponta da faca entrar em seu pescoço.

– HAHAHAHAHAHA! É sério que você ainda conta com isso? Vem me torturando por um bom tempo e eu ainda estou viva. Você não me conhece, vadia. Não faz ideia de tudo que eu já enfrentei durante toda a minha vida, todas as torturas que já suportei. Achou mesmo que Marguerite Krux morreria após uma sessão de torturas amadoras vindas de uma prostituta qualquer no meio da selva? HAHAHAHAHA! Você me enoja. De todas as mortes que eu carrego a sua eu o farei com o maior prazer do mundo. Você - vai - morrer, Danielle. EU vou matar você.

Marguerite estava transformada pela ira. Os olhos vidrados no rosto de Danielle, um sorriso diabólico percorrendo seus lábios; ela estava se deliciando com o medo estampado nas feições da adversária.

– Por onde eu acabo com você? Vamos ver... Talvez aqui? – Com a ponta da faca, Marguerite desenha um X cortando a pele do peito da feiticeira – Ou quem sabe aqui? – desenha mais um X, agora na testa da outra.

Danielle gritava de dor, estava aterrorizada. E isso fazia Marguerite se deliciar.

– JOHN!

Era o grito de salvação de Danielle. Até o momento o caçador se mantinha a alguns passos das duas mulheres, obediente a última ordem de sua senhora. Ao ouvir seu nome ele entendeu o que deveria fazer e começou a se aproximar. Porém, Marguerite também entendeu o que deveria fazer: ela segurou a faca firmemente e mergulhou o objeto lentamente pelo pescoço da feiticeira.

– Agora você vai sentir muita dor até morrer e não vai conseguir gritar. Vai sentir o ar lhe falta e a sua morte será bem lenta. – cochichou a herdeira no ouvido de Danielle.

Se arrastando para fora do corpo da adversária, Marguerite procura Roxton com o olhar. O Lorde desmaia e seu corpo fica trêmulo no chão; é o efeito do feitiço abandonando o corpo dele como resultado da morte lenta de Danielle. E está acabado. Tentando um último sopro de forças, a herdeira se arrasta até onde sua pistola havia sido deixada e atira duas vezes para o alto. Então se deixa cair sucumbindo a exaustão e a dor, mas tentando manter a consciência até o fim.

Cerca de dez minutos se passaram até que Verônica, Malone e Challenger chegaram ao local de onde partiram os tiros. A imagem que encontraram era desoladora: o corpo de Danielle jazia em um canto, já sem vida; John Roxton estava aparentemente sem nenhum ferimento sério, mas ainda inconsciente; já Marguerite estava consciente, mas tinha ferimentos profundos nos pulsos (ocasionados pelas cordas), um hematoma vermelho em volta do pescoço (por conta do quase enforcamento), tinha a blusa rasgada, estava deitada de bruços e ao longo das suas costas e braços viam-se profundos e enormes ferimentos – além de outros vários hematomas, cortes e arranhões pelo corpo.

Verônica foi a primeira a reagir. Correu ao encontro de Marguerite e se ajoelhou ao lado dela.

– Você está bem? – perguntou com voz tensa.

– Ajude o John, Verônica. Por favor, veja como ele está. Eu matei a vagabunda. – a voz fraca da morena assustou a jovem.

Challenger e Malone, que chegavam perto das duas mulheres e ouviram o pedido da herdeira, correram até o caçador e começaram a tentar acordá-lo.

– Roxton! Roxton, acorde! Vamos, homem, reaja! Roxton! – Challenger tocava o peito e o rosto do outro com cuidado, pois não sabia se ele teria algum ferimento interno.

Lentamente o caçador começou a despertar. Ele abriu os olhos e tentou entender porque Challenger e Malone estavam ao seu lado com expressões preocupadas em seus rostos. Então tudo veio em sua memória. Ele se lembrava de cada momento.

– Marguerite. Onde está Marguerite?

– Está bem ali, Roxton. Você se lembra do que houve aqui? – Malone apontou para a direção de onde Marguerite estava assistindo, aliviada, com Verônica ao caçador acordar livre do feitiço.

Roxton lança um olhar na direção da herdeira e não acredita no que vê. O corpo dela muito machucado, quase imóvel pela fraqueza. Quando seus olhos se encontram ele desaba em lágrimas.

– Não. Não pode ser. Eu não posso ter... NÃO!

– Acalme-se, John! O que você está dizendo? – Challenger tentava chamar a atenção do caçador que começava a chorar copiosamente nem mesmo se importando que os outros vissem.

– Fui eu, Challenger, EU! A culpa é minha! Como eu pude... Como eu fui capaz? – Roxton se agarrava na camisa do cientista.

Sem entender nada – nenhum dos outros três entendia – Malone tentou acalmar o amigo: – Não, Roxton, não foi culpa sua. Tente se acalmar porque precisamos agora voltar para casa, examiná-lo e cuidar dos ferimentos de Marguerite. Vai ficar tudo bem, Roxton.

– Nada vai ficar bem, Malone. – responde se levantando e indo em direção a selva, como o rosto banhado em lágrimas.

– Aonde você vai, Roxton? Você não pode sair antes de o examinarmos. – Verônica grita para o caçador.

– Você não está preocupado com Marguerite? Não quer carregá-la para a casa? – Malone acrescenta.

Roxton para abruptamente e respondeu em tom seco sem se virar: – Você pode cuidar disso, Malone. Eu não sirvo para cuidar de ninguém.

Os outros olharam assustados para a herdeira como que esperando uma explicação.

– Foi ele quem me amarrou e provocou vários desses ferimentos profundos no meu corpo. Me açoitando. A mando de Danielle, é claro. – os outros três estavam boquiabertos – Verônica, por favor, vá atrás dele. A culpa o está consumindo e eu tenho medo do que ele possa fazer.

– Eu vou. Sabe, Marguerite, eu cada vez me surpreendo mais com o tamanho da sua força para agüentar todo tipo de coisa. – respondeu a loira com um pequeno sorriso. Ela trocou um olhar com os dois homens como que buscando um sinal de que eles precisassem de sua ajuda na volta para a casa da árvore, não encontrando partiu atrás de Roxton.

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Devido a fraqueza de Marguerite e a possibilidade de os ferimentos em suas costas inflamarem, o grupo fez apenas pequenas paradas para descanso e conseguir água e logo continuou o caminho para a casa da árvore. Seguiram, felizmente, sem maiores problemas.

Horas depois eles chegaram e começaram a cuidar da mulher. Challenger constatou que o pé dela estava realmente quebrado e tratou de imobilizá-lo e enfaixá-lo. O cientista limpou e tampou os demais ferimentos e enfaixou seus pulsos.

Malone se encarregou de preparar um chá que ajudaria a diminuir as dores da herdeira e a ajudaria a dormir.

Logo a morena já estava devidamente cuidada e não demorou a dormir como as dores diminuíram e cedendo ao cansaço extremo.

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Verônica caminhou por algum tempo seguindo a trilha que Roxton deixou. Encontrou o homem sentado na beira de um lago, cabeça baixa, chorando. Ela se aproximou, se sentou e o abraçou. A intensidade do abraço do caçador assustou a loira; mostrava exatamente o tamanho do desespero que ele sentia. Quando finalmente o choro do homem parecia diminuir, ela tentou conversar.

– Tudo vai ficar bem, John...

– Eu não tenho tanta certeza, Verônica. Você devia ter visto como ela teve medo de mim.

– Mas você não estava em seu juízo perfeito. E Marguerite sabe disso. Foi ela quem pediu para que eu viesse atrás de você. Para não deixá-lo fazer nenhuma besteira. Ela continua se preocupando com você.

– Eu prometi a ela que se me deixasse me aproximar eu seria diferente dos outros homens que a maltrataram durante toda a vida dela. E no fim das contas o que eu fui, Verônica? Exatamente como eles. Eu feri Marguerite fisicamente e os sentimentos dela. Fui eu quem bateu nela, quem a manteve amarrada. Eu... Eu fiz... Eu fiz sexo com aquela mulher e Marguerite presenciou tudo. – o Lorde cai em novo acesso de choro.

Verônica preferiu não dizer mais nada; Roxton não precisava ouvir nada. Tudo o que ele precisava naquele momento era de conforto e apoio. O resto só uma conversa com Marguerite poderia talvez se resolver.

Já era noite quando os dois voltaram para a casa da árvore. Challenger e Malone os aguardavam, mas o caçador não quis conversar com ninguém; apenas tomou um banho e foi para o seu quarto.

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Durante os três dias seguintes em que Marguerite se recuperava sem poder sair de seu quarto, apenas Verônica, Challenger ou Malone se revezavam para levar comida, chá ou para fazer-lhe companhia. Por mais que a herdeira perguntasse por Roxton ele se recusava a ir vê-la. Os outros já não sabiam mais o que responder a cada vez que a morena chamava por ele.

O caçador aproveitava os momentos em que Marguerite dormia para ir até a porta do quarto dela e passar um tempo olhando de longe. Ele obrigava-se a fazer um esforço enorme para não entrar e segurá-la em seus braços, afagar os longos cabelos negros dela e dizer o quanto ele sentia profundamente por tudo que ela havia sido obrigada a passar por culpa dele. No entanto, ele não confiava mais em si mesmo para cuidar da mulher que amava. Prometeu protegê-la e falhou. E mais: ele mesmo a havia machucado.

Antes que ela acordasse Roxton já havia sumido.

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No primeiro dia em que Marguerite pôde voltar a sair de seu quarto contou com a ajuda de Malone para se locomover. As feridas causadas pelo chicote começavam a diminuir. O que não melhorava em nada era sua relação com o caçador. A herdeira tentou algum diálogo com ele (os outros ajudavam mantendo certa distância para que os dois não ficassem constrangidos), mas o homem lhe respondia com respostas curtas e sempre arrumava um jeito de sair de perto.

No meio da madrugada Roxton não conseguia dormir; resolveu se levantar, preparar um chá e tomar um ar na varanda. Desde que Danielle reapareceu as noites haviam se tornado muito difíceis. Sentado na varanda e perdido em maus pensamentos, Roxton foi trazido de volta a realidade por um barulho vindo do quarto de Marguerite. Um pouco receoso, ele se aproximou da porta e, apesar de estar um pouco escuro, ele a viu encolhida na cama chorando.

– Marguerite – chamou sem aproximar – está com algum tipo de dor?

A mulher seca as lágrimas que escorriam e olha em direção a porta.

– Ah, Roxton. Não, não sinto nenhuma dor. Física, pelo menos. – a última frase não passa de um sussurro.

– Bom, eu estou na varanda. Se precisar é só chamar. - o Lorde vai se retirando.

– John – a herdeira o chama e ele reaparecesse na porta – Você pode ficar aqui um pouco? Por favor?

– Eu não acho que devo, Marguerite.

– Por favor, John. Você tem me evitado todos esses dias, não entrou em meu quarto em nenhum momento para ver como eu estava.

– Eu sabia que estavam cuidando muito bem de você.

– Pare com isso, Roxton! O que é que está acontecendo com você? Fale comigo!

O caçador resolve se aproximar e se sentar na cama ao lado da herdeira. Só então ela percebe o olhar do homem: marcado por uma tristeza e culpa profundas.

– Roxton, você não pode se culpar por nada. Você tentou me manter distante para que nada de mal me acontecesse, mas foi minha escolha entrar lá e matar aquela vagabunda para salvar você. Se você não estivesse lá eu teria morrido queimada! Ou enforcada! Você não sabia quem eu era, mas mesmo assim nossa ligação foi forte o suficiente para permitir que você me salvasse da morte por duas vezes.

– Em todas as vezes que você se manteve arredia nas minhas investidas eu lhe pedia para confiar em mim porque eu seria diferente de todos os outros homens que você já teve.

– Mas você é!

– Não, eu não sou! Eu açoitei você, te amarrei e te traí com aquela vagabunda. Eu fiz você sofrer. Jamais poderei esquecer seu olhar de medo. Medo, Marguerite, medo de mim! A pessoa que queria proteger você!

– Então é isso? Você nunca mais vai conseguir se aproximar de mim? É assim que termina, John? – a herdeira fazia de tudo para conter as lágrimas.

– Eu te amo, Marguerite. Eu te amo muito e você sabe disso. Mas eu não posso ficar ao seu lado neste momento. Eu não confio em mim mesmo para cuidar de você. Preciso de um tempo. – o caçador encontra os olhos da herdeira na esperança de que ela entendesse seus motivos.

– Eu entendo – respondeu a morena com voz quase inaudível – Só te peço, John, para que não se afaste totalmente de mim. Não me ignore, por favor. Eu não suportaria.

Os dois se olham por um tempo e, sentindo todo o amor em seus corações, o inevitável acontece. Um beijo profundo, mas terno. Como se aquela fosse a última vez que se beijariam. Eles se separam, se olham novamente como que buscando gravar cada detalhe das feições do outro. Então John sai do quarto para que a mulher não o visse ceder às lágrimas. Marguerite também chora sozinha em sua cama rezando em silêncio para que um dia eles possam se acertar. No fundo ela já o havia perdoado por tudo aquilo que ele ainda se culpava.

E viveram feli... oops! Digo, THE END.

E aí, curtiram? Quem sabe eu não resolvo contar depois como aconteceu a reconciliação... Mas me digam aí o que acharam deste final. Bjoo!