Sinopse: Como vocalista do Stage Dive, Sasuke estava habituado a ter o que quiser, quando quiser, seja bebida alcoólica, drogas ou mulheres. No entanto, quando um desastre nas relações públicas serve como um despertar para sua vida e o leva para uma clínica de reabilitação, ele conhece Sakura, sua nova assistente em tempo integral para mantê-lo longe de problemas. Sakura não está disposta a aceitar merda do sexy roqueiro e está determinada a manter seu relacionamento completamente profissional, apesar da forte química entre eles. Mas quando Sasuke vai longe demais, Sakura vai embora, e ele percebe que pode ter perdido a melhor coisa que já aconteceu com ele.


Na noite seguinte, a atitude de Sasuke não tinha melhorado.

Sua resistência ao muito alto magro e educado Kabuto Yakushi era clara como o dia em sua linguagem corporal. Se ele girasse mais em sua cadeira, suas costas estariam doendo completamente.

— Kabuto estava envolvido no aconselhamento de casais, Sasuke. Isso não é interessante? — Eu disse, meu maxilar estava doendo de tanto apertar.

Uma dor de cabeça de tensão estava lenta, mas constantemente se formando atrás dos meus olhos.

— Sasuke?

O idiota nem sequer olhou para cima de seu celular. Era como tentar lidar com uma criança, uma muito irritadiça. Infelizmente, ele sentou-se em frente à sala, fora do alcance para chutar. Eu odiaria ter que bater na cabeça dele com um travesseiro na frente de Kabuto. Talvez pudesse ser deixado como minha opção final.

— Sasuke?

Ele olhou para mim debaixo de sua franja escura.

— O quê?

A campainha tocou. Sorte para ele, na verdade.

— Deixe-me apenas atender enquanto vocês dois conversam. — Eu dei ao idiota ignorante um olhar significativo.

Ele apenas piscou. Antes que eu pudesse alcançar a porta, Naruto e Shikamaru entraram rapidamente.

— Sakuraa, oláááá. — Naruto apertou minha mão tão energicamente que eu temia que meu ombro fosse deslocar. — Parecendo astuta e durona em sua roupa de negócios. Eu receberia ordens de você se meu coração e alma não se pronunciassem.

— Obrigada. — Eu tinha comprado o terninho azul marinho em uma tentativa de passar uma impressão certa para Kabuto.

Sasuke tinha acabado de dar à minha roupa nova um olhar estranho e me disse que seios duplos não combinavam com uma garota com tais ativos. Eu estive mexendo nervosamente nos botões do blazer desde então.

— Estamos na sala de estar? — Shikamaru perguntou, já fazendo o seu caminho para dentro do referido local.

— Espere, estamos...

— Oi. — Itachi, Konan, e Hinata o seguiam de perto.

Konan e Hinata estavam arrumadas, a primeira em jeans e um top justo, a segunda em um vestido de malha verde quente. Seus estilos eram incríveis, porém não respondia a nenhuma das perguntas que derramavam em minha cabeça.

— Hey. — Konan disse, beijando minha bochecha, enquanto Itachi me deu a elevação rockstar de queixo.

— Eu estou realmente ansiosa para essa noite. — Hinata disse.

— Ótimo. — Eu sorri.

Ela parou e me estudou.

— Merda, você não tem ideia do que está acontecendo, não é, Konan?

— O que está acontecendo? — Konan virou sobre as suas botas legais.

— Sakura não sabe nada sobre isso.

O rosto dela caiu.

— O quê?

— Não.

— Merda.

— Sim.

— Por favor. — Eu disse, ficando um pouco desesperada. — O que está acontecendo? Por que vocês estão todos aqui?

— Sasuke nos convidou para jantar. — Konan disse.

— Ele fez isso?

E através da porta marcharam o que eu só podia adivinhar sendo um pequeno exército de mordomos e um chef. Logo, muitos ternos pretos com um alto chapéu branco inchado na cabeça.

— Nós vamos nos preparar. — O mais velho dos mordomos disse ao entrar.

— Certo. — Eu murmurei, voltando para Hinata e Konan. — Ele me superou.

— Às vezes... — Konan disse, colocando um braço em volta do meu pescoço. — Você apenas tem que seguir o exemplo de Sasuke.

— Você está louca? Ele vai me levar direto para o inferno.

— Talvez. Mas ele gosta de você, então suponho que ele vai trazê-la de volta sã e salva.

Apertei os olhos para a mulher louca.

— Estamos entrevistando meu substituto. Agora mesmo.

O rosto dela caiu, mais uma vez.

— Precisamos entrar lá. — Hinata disse.

— Então, Kabuto. Kabuto é o seu nome, não é? — Naruto projetou sua voz tão bem.

Isso positivamente ecoou pelos corredores de mármore do mini palácio de Sasuke. Todas as três corremos para a sala de estar. O baterista sentou ao lado do pobre inocente Kabuto. Seus braços musculosos estavam estendidos ao longo das costas do sofá de dois lugares.

— Sim, Sr. Uzumaki. É. — O bastante pronunciado pomo de Adão de Kabuto balançava.

Oh Deus o ajudasse, eles iam comê-lo vivo. Eu nivelei um olhar mortal a Sasuke, um desperdício de esforço fútil já que ele não percebeu.

— Kabuto, você se considera um homem de rock 'n' roll? — Naruto perguntou.

Meu coração parou quando Kabuto visivelmente pausou.

— Ah, na verdade, eu prefiro música clássica.

Shikamaru deixou escapar uma risada. Ele estava fora da minha lista de cartões de Natal.

— Ah sim, ele vai se encaixar grandemente. Boa pedida, Sakura.

— Ele está aqui para discutir se tornar companheiro de sobriedade de Sasuke. — Eu disse. — Que tipo de música ele ouve é irrelevante.

— Claro, claro. — Naruto disse, suavemente. — Só por curiosidade.

Konan tinha empoleirado no braço da cadeira de Itachi, enquanto Hinata sentou imprensada entre Shikamaru e Sasuke no sofá ao lado de Kabuto e Naruto. Tínhamos uma casa cheia.

Com todos os assentos tomados, optei por ficar em pé.

— Agora, Sasuke gosta de passar seu tempo livre malhando. — Naruto disse. — Como você se sente sobre correr e levantar peso, Kabuto?

Pela aparência dele, eu duvidava que Kabuto levantasse algo mais pesado do que um livro.

— Naruto, isso é o suficiente. — Eu intercedi, alguém tinha que fazer.

— Agora você está correndo com ele, Sakura. Ele está acostumado a ter companhia. Você negaria isso a ele? Todos nós só queremos o que é melhor para Sas, não é?

O homem em questão tinha uma mão cobrindo a boca, seu rosto meio virado para longe de mim. Tão fodidamente contente que ele achou graça.

— Ele ainda corre sozinho também. — Eu levantei, as mãos nos quadris.

— Talvez. Kabuto, Sakura também gasta todo o seu tempo livre com Sasuke, assistindo TV ou geralmente só relaxando com ele. Isso seria um problema?

O homem me deu um olhar preocupado.

— Ser um companheiro de sobriedade é um grande compromisso, é claro. Mas... Ela não tem uma vida própria, afinal?

— Claro que eu tenho a minha própria vida. — Eu disse com uma voz ligeiramente elevada.

— Sasuke é a vida dela, Kabuto. Esse homem é tudo para ela. — Naruto cruzou as pernas e relaxou contra o sofá. — Você está disposto a fazer tanto? — Kabuto empalideceu. — Sakura também vem trabalhando com Sas em quebrar seus limites em relação a contato físico. Uma espécie de terapia de abraço digamos assim. Eu acredito que seu próximo passo nesse processo delicado será dormir com ele todas as noites com práticas avançadas de afago. Isso será um problema para você?

Kabuto olhou em volta, confuso.

— Certo. — Bati minhas palmas juntas, chamando a atenção da sala. — Sasuke, vamos conversar na cozinha. Agora.

Ele levantou lentamente de sua cadeira, com o rosto calmo como poderia ser. Virei-me para o baterista.

— Naruto, você diz uma palavra e eu atiro em você.

Ele recuou, horrorizado.

— Ameaças de violência não são necessárias. Kabuto, rápido, lhe aconselhe, ela está perdendo o controle!

Nesse ponto, graças a Deus, Hinata entrou em cena e salvou o dia. Ela fez isso se sentando com as pernas mais afastadas. Foi realmente incrível, quase como se Naruto tivesse algum tipo de percepção extra-sensorial quando se tratava da garota e seu sexo. Seu olhar saltou para a abertura cada vez maior entre seus joelhos e tudo desapareceu. A sombra sob a saia parecia chamá-lo em algum nível superior místico. Ou ao nível da virilha, difícil dizer qual exatamente.

— O que eu estava dizendo? — Naruto murmurou, inclinando-se, tentando ter uma visão melhor da saia de Hinata.

— Nada importante. — Shikamaru disse, jogando em seu telefone.

— Algo sobre como Kabuto parecia ótimo para o trabalho. — Konan colocou um braço em volta do pescoço de Itachi. — Não que alguma de nós queira perder a Sakura.

— Certo, certo. — Naruto se inclinou um pouco mais.

Não havia espaço no sofá de dois lugares onde Kabuto e Naruto estavam sentados. E assim, quando Naruto finalmente desviou longe o suficiente em sua tentativa de ver entre as coxas de Hinata, ele caiu para fora do sofá.

Itahci riu enquanto Konan sorriu. O grande Shikamaru nem percebeu, de tão distraído que estava com as suas mensagens de texto. Essas pessoas, eu os amava tanto quanto me eles deixavam doida pra caralho.

Hinata apenas sorriu.

— Oops! Você está bem, querido?

— Tudo bem. — O homem se endireitou, ainda sentado no chão. — Mas eu preciso te dizer uma coisa no banheiro.

— Você precisa?

— Sim. Agora mesmo.

— Alguma coisa boa? — Ela perguntou, com um certo brilho lascivo em seus olhos.

— Sim, alguma coisa boa. É uma demonstração, coisa desse tipo, eu acho que você vai realmente gostar disso.

— Ok.

Naruto ficou em pé, com as mãos no ar.

— Viva! Rápido, vamos. Depressa, mulher, não há tempo a perder.

Com muitas risadinhas, Naruto arrastou Hinata da sala. Ah, o amor jovem, e todos os sentimentos.

— Depois de você. — Sasuke disse, de pé ao meu lado estando todo calmo.

Isso imediatamente trouxe a minha raiva de volta para frente.

— Na verdade, vamos fazer isso no escritório. — Eu disse. — Eu esqueci que a sua equipe para o jantar estão ocupando a cozinha.

— Claro, Sakura.

Eu deveria saber que ele iria planejar algo. Para alguém tão resistente à ideia da minha substituição, ele tinha aceitado o compromisso numa boa. Uma camisa preta de botões de manga comprida, calças pretas e sapatos brilhantes adornavam sua bela essência. Seu cabelo estava cuidadosamente penteado para trás.

Normalmente, ele ficava em casa com jeans e camiseta. Todos os sinais estavam lá. Mas eu ainda poderia salvar essa maldita situação, logo depois que rasgasse um renovado Sasuke.

Só que era tarde demais.

Kabuto se levantou, com movimentos bruscos.

— Eu acho que é melhor eu ir. Você obviamente tem convidados para entreter.

Eu dei um passo para frente.

— O quê? Não. Kabuto...

— É uma pena. — Sasuke respondeu. — Prazer em conhecê-lo Kabuto. Vejo você por aí.

— Quieto. — Virei-me para o conselheiro, com as mãos estendidas. — Por favor, Kabuto. Apenas... Se você pudesse me dar um minuto para falar com o meu chefe. Eles não são geralmente assim.

— Não minta para o homem. — Sasuke disse. — Isso é exatamente o que eu e meus amigos somos todo o maldito tempo.

Eu rosnei.

— Estou no caminho para jogá-lo no fundo do poço.

— A honestidade é a melhor política.

— Você é um idiota.

— Linguagem, Sakura. — Ele resmungou. — Cuidado com a porra da linguagem.

Kabuto pigarreou, ajeitando a gravata já insuportavelmente reta.

— Sr. Uchiha, receio que terei que retirar o meu interesse no cargo. E Sakura, você parece ser uma garota legal, mas essa relação que você tem com seu chefe não é saudável.

— Hey. — Sasuke disse, olhando para baixo de seu nariz para o homem. — Você não sabe nada sobre isso.

— Acredite em mim, Kabuto, eu sei. — O homem obviamente conhecia um acidente de trem quando via um.

Com um último aceno de cabeça, ele saiu, levando com ele a minha última esperança de uma saída fácil. Isso sempre foi um sonho realmente, eu deveria saber melhor. Nada sobre Sasuke era fácil. Falando nisso, eu aproveitei a oportunidade para bater nele no braço com a palma da minha mão.

— O que foi isso? — Ele reclamou, esfregando o braço como se tivesse realmente o machucado.

— Nem comece comigo.

Sua carranca aumentou.

— Nós vamos conversar no escritório?

— Não, por que se preocupar? Você já conseguiu que ele corresse. — Eu disse, cruzando os braços sob meus seios. — Bom trabalho, Sasuke.

— Você disse que eu tinha que conhecê-lo. Eu o conheci.

— Você recebe ordens dela agora? — Shikamaru perguntou, deixando seu telefone pela primeira vez. — Quando isso começou?

Sasuke nem sequer poupou-lhe um olhar.

— Cale-se, Shikamaru.

— Sim, você o conheceu... — Eu disse. — E então você o aterrorizou. Você provavelmente só tirou dez anos fora de sua vida.

— Não fui eu. Foi o Naruto. Porra, ninguém pode controlá-lo.

Cutuquei-o no peito.

— Você soltou o Mal sobre o pobre homem desavisado. Foi cruel, Sasuke.

— Essas pessoas são a minha família, Sakura. Por que tenho que escondê-los e agir como se tivesse vergonha deles? O cara era um idiota julgador com um pau no cú. Ele teria durado dois segundos comigo. Nunca teria funcionado.

— Isso não é verdade. Você tinha sua opinião formada antes mesmo que ele entrasse.

Ele estalou sua mandíbula.

— Olha, apenas o deixe ir, Sakura. Todo mundo está aqui. Podemos jantar agora?

— Eu tenho um encontro com Gaara. Aproveite o seu jantar.

— O quê? Você não me contou sobre isso.

— Você sabia que eu ia sair com ele novamente.

Pequenas linhas apareceram ao lado de seus lábios e a história que isso dizia não foi de alegria.

— Mas hoje não. Organizei isso.

— Sim, nas minhas costas. Sinto muito, eu não posso fazer isso.

Seu queixo se levantou e por um momento ele não disse nada, apenas me olhava.

— Você não parece arrependida.

— É? Bem, eu acho que eu estou brava com você agora. — Eu disse, meu sangue ainda correndo por mim. — E é meio difícil se preocupar com seus sentimentos quando você dá tão pouca atenção aos meus.

— Isso não é justo. — Ele cuspiu.

— Ah, sério?

— Você sabe que eu estou tentando.

— Hoje não, você não estava. — Eu disse. — Hoje você apenas fez seja lá que inferno você queria e foda-se o que importa para mim.

Alguém fez um barulho realmente assustado, girei sobre os meus calcanhares e fiquei boquiaberta. Eu tinha esquecido completamente sobre os outros. Esqueci totalmente o nosso público de três pessoas, apenas sentados nos bastidores, vendo o drama.

Itachi parecia em estado de choque, com a boca escancarada. Konan estava ocupada esfregando o ombro dele, oferecendo conforto. Enquanto isso, os olhos do baixista estavam arregalados e brancos como luas.

— Huh. — Shikamaru disse.

Pelo corredor, Naruto e Hinata saíram do banheiro do piso térreo, ambos rindo. Eles ainda estavam arrumando suas roupas. Isso fez uma distração perfeitamente cronometrada, se eu pudesse fazer uma corrida até a porta.

— Isso foi rápido. — Sasuke disse com a voz cortante.

— Mas foi significativo. — Naruto gritou. — Cale a boca, Sasucakes. O que você sabe sobre as relações íntimas significativas?

— Parece que Sas agora sabe mais sobre elas do que imaginávamos. — Itachi deu a seu irmão um olhar especulativo.

Sasuke rangeu os dentes.

— Porra, Ita. Ela trabalha para mim. Fim da história.

Isso não me magoou. Isso não poderia. Até o meu coração idiota tinha que aceitar a verdade eventualmente. Essa dura realidade tinha sido enfiada na minha cara tantas vezes que eu tinha formado horríveis cicatrizes onde as feridas estavam.

— Ah, entendo. — Naruto disse, ainda abotoando a calça jeans. — Interessante. Eu vou dizer o que eu disse para Killer no treinamento de filhotes hoje, quando ele tentou montar uma poodle toy que tinha acabado de conhecer. "Se ela significa algo para você, você tem que cortejá-la, filho. Você não pode simplesmente tentar colocar nela".

— Pelo amor de Deus. — Sasuke esfregou o rosto com as mãos.

Teria sido divertido se não fosse sobre mim.

— E nessa nota, eu estou fora daqui. — Eu disse, acenando e caminhando para trás.

Meu quadril, é claro bateu na quina da mesa ao lado, uma saída rápida ou suave nunca aconteceria.

— Merda, ai. Tenham uma boa noite.

— Você está bem? Sakura, vamos lá. Ignore-o. — Ele engoliu em seco. — Não se preocupe com esse cara conselheiro.

— Kabuto. O nome dele era Kabuto.

— Eu organizei o jantar para tentar me desculpar com você sobre a porta.

Encolhi os ombros.

— Não era necessário. Eu já tinha perdoado você por isso. Por que você não tenta se desculpar por sabotar o encontro com Kabuto em vez disso? — Seus lábios se apertaram. — Certo. Bem, por que não convida Ino, Sasuke? Tenho certeza que ela ficaria encantada em receber um convite. Vou me encontrar com Gaara na cidade, então tenho que ir. Boa noite. — Corri escada abaixo.

Certo então, eu só tinha que ficar longe dele o mais rápido possível. Uma pena que perderia uma noite com Konan e os caras.

Apesar da loucura, eles estavam cada vez mais próximos como uma família.

O bar estilo motoqueiro estava quente e lotado e eu definitivamente não estava me divertindo. Se mais uma pessoa agradável, legal, interessante vestida de couro acidentalmente batesse em mim, eu daria um soco na cara dela. Essa era, aparentemente, a galera de Gaara. Ele parecia conhecer todos aqui. Com certeza, nenhum motoqueiro que se preze pisaria dentro desse lugar. Você não tem que ser uma especialista em cultura MC para saber que o lugar era uma fraude. Eu tinha mais chance de tropeçar em um mocassim de couro legítimo do que numa bota de motoqueiro ao vivo e a cores. Aposto que eles estavam se divertindo na festa de jantar de Sasuke. Talvez eu não devesse ter tentado forçar Kabuto. Merda, eu já não tinha uma maldita ideia do que é certo ou errado para fazer sobre o deus Sasuke Uchiha.

Se algum vez eu tive.

Desde o primeiro dia eu estive fora, em águas rasas infestadas de tubarões. Eu me perguntava se ele tinha ligado para Ino e a convidado como sugeri. Ciúme deslizou pela minha espinha. Namorar era a coisa certa para Sasuke. Minha incapacidade de encontrar a paz interior e harmonia sobre isso era o meu maldito problema. Hora de superar isso, baby. Gaara estava a poucos metros de mim, em uma conversa profunda com um cara sobre os valores de diferentes mesas de som. Ninguém poderia culpá-lo. Hoje à noite, eu estava oficialmente eleita a pior companhia do mundo. Eu brincava com o canudo no meu gim-tônica, empurrando a fatia de limão primeiro para a esquerda, depois para a direita. Arriba! Abajo! Al centro! A dentro!

Eu gostaria de tomar um gole de verdade, isso seria errado. Como se eu estivesse traindo alguém, estúpido, mas é verdade. Stage Dive soou no sistema de som e tudo que eu podia fazer para não gritar.

Mais uma prova de minha situação. Meu mundo inteiro era Sasuke Uchiha e era a minha maldita culpa. Por anos fiquei me remoendo sobre a traição da minha encantadora irmã e seu maravilhoso noivo. Era hora de começar a fazer planos novamente. Se eu pudesse descobrir o que eu queria. Talvez eu devesse falar com Tsunade novamente, perguntar sobre como ela como começou na fotografia. Alguma coisa sobre ver o mundo através da lente me atraia. Entediada, peguei meu celular e comecei a tirar algumas fotos. Os dreds balançando de um dos bartenders do sexo masculino enquanto agitava um cocktail. Uma multidão de mãos dos clientes habituais, atingindo todo o bar, chamando o serviço. Uma foto parcial de um casal, as duas mulheres aproximando-se, de mãos dadas. Isso era divertido. Minha noite tinha sido salva.

Eu alinhava a vista de algumas das garrafas atrás do bar. A TV de tela plana ao lado delas chamou minha atenção e eu abaixei minha câmera. Na tela estava um rosto, um estranhamente familiar. A medula em meus ossos se transformou em gelo.

— Oh, não.

Estava mais limpa, mas ainda era definitivamente ela, a mãe de Sasuke e Itachi. Sua pele doente normalmente pálida tinha sido coberta por uma maquiagem berrante. O visual dela era laranja com uns borrados rosa coral ao invés de lábios. Ainda muito magra com todos os tipos de merdas desagradáveis brilhando em seus olhos negros, a cadela. Em seguida uma série de fotos de Sasuke apareceu, ele andando para a reabilitação e outra dele, obviamente, chapado de alguma coisa. Em seguida, havia da própria cobra, sentada em um sofá, derramando seu coração para a câmera se o olhar orvalhado nos olhos dela era qualquer indicação. O texto corria ao longo da parte inferior da tela. Eu não podia ouvir nada sobre a música.

— Eu sou sem-teto. Estou na rua enquanto eles vivem em mansões. Eles viraram as costas para mim, porque eles têm dinheiro e fama. Eles têm vergonha do lar amoroso simples de onde vieram. É como uma traição. Meu coração está partido, eu não sei mais o que dizer.

Uma lágrima grande e gorda correu pelo seu rosto, deixando uma listra em sua maquiagem. A entrevistadora loira igualmente arrumada esticou, apertando-lhe a mão, oferecendo conforto. Meu estômago revirou enjoado.

— Merda. — Eu murmurei.

— Sakura? — Gaara agarrou no meu braço. — O que está errado?

— Eu tenho que ir. Me desculpe, eu tenho que ir. — Eu o afastei, nem mesmo olhando para trás.

Ele gritou alguma coisa, mas eu não abrandei. Tchau-tchau bar de motoqueiros. Os saltos não poderiam me levar para casa rápido o suficiente, então eles tinham que ir também. Eu pulei, arrancando o primeiro depois o outro, jogando os dois. O frio intenso do concreto picava as solas dos meus pés, sujeira e areia aderindo a minha pele. Tudo o que importava era chegar em casa.

Sasuke. Por favor, deixe ele ficar bem. Ele não levaria isso muito bem, a sua própria maldita mãe traindo-o. A mulher era maldade pura. Meu coração batia forte e suor escorria na minha testa. As pessoas ficaram fora do meu caminho, o que era uma coisa boa.

— Onde estão as malditas chaves? — Eu enfureci, buscando através da minha bolsa, esquecendo completamente que a Mercedes abriria apenas porque elas estavam perto.

Malditamente obrigada pela tecnologia. Atirei-me para dentro do carro, batendo a porta atrás de mim. O motor ligou e eu estava longe, correndo através do tráfego noturno. Alguém entrou no meu caminho e eu o infernizei com a buzina. O cara me deu o dedo médio, como se eu me importasse. Mas se um policial me visse dirigindo dessa forma eu estava perdida. Pareceu levar uma eternidade para chegar em casa e quando eu cheguei, todas as luzes da casa estavam em chamas como um farol sinistro estaria na névoa. Um filme de terror não poderia ter feito melhor. Eu parei na garagem, com os pneus cantando. Um dos mordomos olhou para cima de onde estava arrumando o material na parte traseira de uma van branca, com o rosto assustado.

Dentro da casa eu corri.

— Sasuke!

O rosto de Konan apareceu no topo da escada.

— Aqui em cima, Sakura.

Eu poderia ter perdido um pulmão ou dois em algum lugar ao longo do caminho, porque tudo o que eu podia fazer era ofegar. Eu tinha chegado lá, no entanto, e isso é tudo o que importava. Todo mundo estava vadiando fora da porta do quarto de Sasuke, incluindo Ino.

Ela tinha sido convidada antes ou depois que decidi não participar? Não importava. Tensão e dor marcavam o rosto de Itachi.

— Sakura, hey. Ele está se recusando a falar com qualquer um, trancou-se. Ela fez um trabalho de destruição realmente bom, foi atrás dele com o pior.

— Eu posso imaginar. — Dado que ela concentrou seu ataque sobre ele em Idaho, fazia sentido.

— Vocês podem nos dar um minuto? — Muitos olhares preocupados.

Naruto e Shikamaru ambos protelaram para Itachi, esperando que ele falasse.

— Por favor. — Eu disse.

Finalmente, Itachi assentiu e lentamente, o grupo desceu as escadas, Hinata empurrando Ino junto. Não importa quantas vezes Ino olhou para trás, eu não olharia em seus olhos. Um apocalipse de cada vez e tudo isso. Esperei o último deles sair com o mármore congelante aos meus pés. Então eu bati na porta.

— Sasuke? — Nenhuma resposta. — Sasuke, sou eu. Abra a porta, por favor. — Eu bati de novo, em seguida, tentei girar a maçaneta. Ela estava trancada, claro. — Sasuke. — Nada. Eu coloquei minhas mãos espalmadas sobre a madeira lisa em súplica. — Eu sei que você está chateado e você quer ficar sozinho, mas eu não vou embora até nós conversamos. Você precisa me deixar entrar, eu tenho que ver que você está bem. Por favor, abra a porta. — O silêncio encheu a sala. — Sasuke? — Nada. — De uma forma ou de outra eu vou entrar. — Eu descansei minha testa contra a porta, com a frustração roendo minhas entranhas.Não houve explosões ou acidentes, pelo menos, apenas uma espécie de silêncio assustador. Pensar onde sua cabeça poderia estar me aterrorizava. Eu odiava me sentir impotente. Seu chilique da outra noite quando eu o tinha trancado para fora fazia todo o sentido agora. Cara, nós éramos confusos. Apenas sua assistente minha bunda. — Sasuke Uchiha, abra essa maldita porta. — Eu bati minha mão contra a porta, esperando e esperando, embora eu realmente não esperava que ele respondesse. O idiota teimoso. — Tudo bem. Não diga que eu não avisei. — Se ele podia fazer isso, eu também podia. — Você não está me mantendo fora.

E realmente, o quão difícil pode ser quebrar uma porta? As pessoas faziam isso o tempo todo nos filmes. Eu corri ultimamente e estava em melhor forma do que antes, apesar do suor atualmente cobrindo as minhas costas. Às vezes, uma garota só tinha que fazer o que uma garota tinha que fazer. E eu tinha que chegar a Sasuke. Ele não tinha aberto a porta para a sua família, assim fazê-los ajudar não parecia certo.

Primeiro, eu ia tentar por minha conta. Pelo que eu sabia, ele poderia estar chorando novamente e se eu deixar Itachi e companhia vê-lo naquela condição não seria bom. O homem tinha o seu orgulho. Eu dei alguns passos para trás, angulando o meu braço, e bati na filha da puta. Dei tudo o que tinha.

Bam!

E puta merda.

AI!

A porta sacudiu e meu braço ardeu do ombro ao cotovelo. Meu senso de humor ficou homicida, fazendo com que eu me encolhesse. Tudo bem, então isso era mais difícil do que parecia. Hora de tentar outra coisa. Eu levantei minha perna e apoiei-me, respirando fundo. Não havia espaço para o medo. Sim, eu poderia e gostaria de fazer isso porque eu era mulher, então ouça-me rugir. Em vez disso, eu uivei. Meu pé bateu na porta e dor reverberou na minha perna, onda após onda interminável.

— Filho da puta! — Minha bunda bateu no chão (o que também prejudicou) e lágrimas encheram meus olhos. — Ow.

A porta abriu.

— Sakura?

— Hey. — Preocupação com os olhos lacrimejantes, a visão de Sasuke nadou à minha frente. — Oi.

— Que porra é essa que você fez?

— Eu estava tentando arrombar sua porta. Não deu certo. — Minha voz não era alta, era patética e lamuriosa.

Eu não choraminguei. Em vez disso, eu segurava meu tornozelo dolorido apertado com as duas mãos, falando uma tempestade de palavrões no interior.

— Eu acho que torci.

Muitos passos subiram as escadas.

— Ela está bem? — Isso soou como Shikamaru.

— Pegue um pouco de gelo. — Sasuke pediu, ajoelhando ao meu lado. — Sakura, o que diabos você pensou que estava fazendo? Você não é forte o suficiente para chutar portas, pelo amor de Deus.

— Bem, eu não sabia. — Eu solucei, piscando loucamente, tentando conter o fluxo embaraçoso de lágrimas escorrendo pelo meu rosto, rios das bastardas.

Felizmente, Sasuke ficou entre eu e todos os outros. Às vezes se esconder realmente era a melhor resposta se você espera ter alguma dignidade na manhã seguinte.

— Deixe-me ver. — Ele levantou minhas mãos, sentindo cautelosamente o meu tornozelo. — Mexa os dedos dos pés. — Eu fiz isso. — Então provavelmente não quebrou.

— Não.

Com os dedos suaves, ele limpou a sola do meu pé.

— Por que os seus pés estão sujos?

— Notícias sobre a entrevista apareceram em uma TV no bar. Alguma vez você já tentou correr com saltos?

— Tudo bem, acalme-se. — Sem aviso, ele passou o braço por baixo dos meus joelhos. O outro foi por trás das minhas costas e depois eu fui levantada.

Uau, o homem era forte. Não ouvi joelhos rangendo ou quaisquer queixas de dor lombar. Todo o levantamento de peso que ele fazia devia estar valendo a pena. Ele me levou e me colocou em sua cama enquanto eu pisquei as lágrimas dos meus olhos. Meu tornozelo aparentemente tinha sido substituído por uma confusão latejante quente.

Eu nunca tinha estado no quarto de Sasuke antes. Ele tinha uma cama muito grande coberta por lençóis pretos super macios - algodão egípcio seria o meu palpite. As paredes eram pintadas de um cinza suave e alguns móveis de madeira escura estavam cuidadosamente organizados. Não admira que ele ficou horrorizado com a vívida aparência do meu quarto. À exceção da lâmpada esmagada no chão, no canto, o lugar estava impecável. Ele me viu olhar para a lâmpada quebrada e não disse nada. As sombras em seus olhos eram uma coisa horrível de se ver. Maldita mulher do inferno por magoá-lo dessa maneira. Ela não tinha feito bastante dano quando eles eram pequenos?

— Eu sempre achei que você teria espelhos no teto. — Eu disse, inclinando a cabeça para trás, tentando tirar sua mente fora do drama.

— Eu vou dar um jeito nisso. — Ele se sentou no colchão extremamente grande ao meu lado, colocando meu pé em seu colo. — O que diabos estava passando por sua cabeça lá fora, hein?

— Reciprocidade. Você destrói quartos de hotel e outras coisas chutando, agora eu bato em portas. Temos algo em comum, sabe? Isso ia ser um belo momento, criar laços verdadeiros.

— Sakura. — Ele rosnou.

— Eu tinha que chegar até você. — Era a verdade simples sem adornos. Não queria dizer que eu precisava estar olhando para ele quando disse isso, no entanto. Muito lentamente, eu flexionei o meu tornozelo, virando-o de um lado para o outro. Doía, mas não ia morrer ou desmaiar. Agora parecia uma forma leve de tortura.— Merda, ai.

— Ita, chame um médico. — Ele gritou para o corredor. — Eu preciso dele aqui agora.

— Vou chamar. — Ele disse.

Oh, ótimo. Todo mundo estava presente para me ver no meu momento de triunfo. Eu deslizei um dedo de cada lado sob os meus óculos para enxugar quaisquer últimos vestígios de lágrimas. Duas noites seguidas que eu tinha sido reduzida a esse estado. Quando a minha vida tinha ficado tão louca? Dei de ombros tirando meu casaco, ficando confortável.

— Aqui. — Shikamaru entrou correndo, entregando a Sasuke uma bolsa de gelo em um pano de prato.

Ele segurou-a contra o meu heroico ferimento de guerra, o frio me arrepiou. Embora, francamente, agora que eu podia ver claramente, Sasuke não parecia estar tão impressionado com a minha coragem e determinação. O cabelo escuro caiu em torno de seu rosto enquanto ele franzia a testa para o meu pé. Havia umas boas cinco ou seis rugas na testa, uma massa crítica de vincos. O homem estava seriamente infeliz.

Até agora, todo mundo tinha perambulado para dentro, atraídos pelo drama. Ino não parecia particularmente encantada com os acontecimentos em ambos. Embora encantada não se encaixava. Uma mistura de perplexidade e consternação poderia descrever melhor a sua expressão.

— Você precisa de alguma coisa? — Shikamaru perguntou, pairando a poucos metros de suas costas.

— Não. — Sasuke disse, olhando para a francesinha dos dedos dos meus pés, cortesia da esteticista que ele tinha pago. — Vamos apenas esperar o doutor.

Itachi passou o braço em volta do pescoço do Konan.

— Tudo bem, vamos estar nas escadas até que ele chegue. Grite se você precisar de alguma coisa.

Sasuke assentiu, ainda segurando a bolsa de gelo sobre meu tornozelo. Sua outra mão firmemente apoiava o lado de baixo do meu pé. Como se eu fosse tentar fugir se me tocasse, eu tinha ido longe demais para tal sabedoria. Pessoas se arrastaram para fora.

— Sasuke? — A voz de Ino tinha um ligeiro tremor nela.

— Falo com você mais tarde, Ino.

Suas mãos se moviam inquietas em seus lados.

— É provavelmente melhor eu voltar para LA. Tenho conexões para começar em poucos dias.

— Certo.

— Ok. — Ino colou um sorriso bonito. Marca completa dela, a mulher era um inferno de uma atriz, afinal. — Tchau.

— Sim. — Ele nem sequer olhou para ela, o babaca. Era muito tentador chutá-lo com o meu pé bom, fazê-lo ser educado, pelo menos. Mas isso não resolveria nada, isso também seria extremamente hipócrita da minha parte.

Apesar de saber que Sasuke deveria namorar, vê-lo com outra mulher doía muito além do atual latejar do meu pé. Era só que a dor nos olhos dela era uma que eu conhecia muito bem, eu não podia deixar de relacionar. Eu e essa dor, nós éramos melhores amigas em vários níveis.

Sasuke Uchiha era um inferno no coração de uma garota (e, ocasionalmente, nos tornozelos também).

Ino saiu. Por alguns minutos ficamos em silêncio, meu pé lentamente congelando descansando em cima de sua coxa.

— Sasuke?

— Hmm?

— Você vai me dizer o que aconteceu?

Seus dedos ficaram tensos em volta do meu calcanhar.

— Estávamos sentados durante o jantar e de repente os celulares de todo mundo começaram a enlouquecer. Aparentemente, ela só teve quinze mil por isso, ela deveria ter pedido mais. Orochimaru tem advogados nisso, mas... Eu disse a ele para deixá-la.

— Por quê? — Eu ofeguei.

— As coisas que ela disse, é tudo verdade. Não é como se ela assinou uma renúncia quando ela deu à luz, sabe. Acho que ela tem direito a sua fatia do bolo.

— Uma ova. Ela não tem direito a absolutamente nada.

Um fantasma de um sorriso apareceu em seus lábios. Eu poderia apenas vê-lo através da bagunça de seu cabelo. Quando eu o tinha deixado, estava cuidadosamente penteado para trás. Agora, seus dedos tinham obviamente encenado algum tipo de revolta. A necessidade de estender a mão e deslizar os fios para trás de sua orelha para que eu pudesse vê-lo era enorme.

— Você viu isso? — Ele perguntou. — O que ela disse?

— Só a parte em que ela estava dizendo que ela era sem-teto enquanto vocês dois vivem em mansões.

— Bem, você perdeu a melhor parte. — Seu queixo quase tocou seu peito. — Que eu costumo gritar todos os tipos de merda pra ela, atirar coisas. Que apenas uma vez por acaso bati nela, no entanto.

Minha garganta apertou ao ponto de dor.

— Por que você bateu nela, Sasuke?

— Eu cheguei em casa e ela estava limpando o lugar, pronta para finalmente ir embora. — Ele disse. — Eu tinha catorze anos. Ita estava ocupado na casa do Naruto, graças a Deus. Uma de suas amigas maconheiras estava com um carro carregado no quintal com tudo o que tinha de valor. Não que houvesse muito, a TV, micro-ondas, merdas assim. Ela veio andando para fora da casa carregando o violão de Itachi. Ele trabalhou pra caramba cortando grama durante todo o verão para pagar por aquela coisa. Era apenas um barato de uma casa de penhores, nada realmente. Mas ele queria um por tanto tempo, pensava que era a merda. — Eu aposto que ele pensava. — Eu disse a ela para retroceder, disse a ela que isso partiria o coração do Itachi, mas ela não se importou. Disse que ele era mimado, que seria bom ele endurecer um pouco. Como se qualquer um de nós fôssemos mimados vivendo naquela casa com ela, com buracos em nossas roupas, era um milagre a gente comer. — Um lado de sua boca repuxou para cima, mas isso não era um sorriso. — Ela foi sarcástica comigo, me disse para sair do caminho. Ela estava usando um anel. — Ele apontou para uma pequena cicatriz em formato de estrela na parte de cima do seu lábio, meio escondida pela barba incipiente. — Está vendo?

— Eu vejo.

— Eu dei um tapa nela, peguei o violão de suas mãos. Eu não era tão grande, no entanto, não tive o meu surto de crescimento até que tinha quinze anos, mas era grande o suficiente. — Ele olhou para a palma de sua mão. — Seu rosto estava vermelho brilhante. Ela parecia horrível, mas ela não fez nada. Apenas ficou olhando para o violão, atordoada que o peguei e ela não. Em seguida, sua amiga chegou, arrastou-a para dentro do carro e elas foram embora. Só assim, a mamãe era uma memó , ela voltou eventualmente... Infelizmente. — Ele olhou para mim, com o rosto pálido. — Tudo o que ela disse, é tudo verdade. Ninguém precisa fazer merda nenhuma a meu respeito.

— Alguma vez você contou a Itachi sobre isso?

— Não, só o teria perturbado. Ele ainda pensa que ela ficará sóbria um dia, colocar a merda para trás e ser uma mãe de verdade. Ele era um sonhador, mesmo naquela época.

— Depois de tudo o que ela fez? — Ele não respondeu. — Você o protegeu durante anos, não foi?

— Alguém tinha que fazer. Eu dizia a ele para se esconder assim que ela começava, não queria que ele visse. Ele tinha que ter ouvido, porém, porque às vezes ela gritava. Mamãe foi uma bêbada agressiva. Normalmente drogada ela ficava na dela, deixando-nos em paz, mas coloque uma garrafa de bourbon dentro dela, e toda a maldita vizinhança sabia sobre isso. — Ele agarrou a parte de trás do seu pescoço, com o rosto triste. — Ela me batia por toda parte. Não poderia deixa-la fazer isso com Itachi. Ele sempre foi o mais sensível. Não é grande coisa. Além disso, ela começava a tropeçar engraçado pra caralho.

— Por que o pai de vocês não fazia nada sobre isso?

— Ela era melhor quando ele estava em casa, na maior parte. Mas ele fingia que não estava acontecendo. Não era como se os sinais não estivessem todos lá, a nossa lata de lixo transbordava com garrafas, nenhuma comida na geladeira porque ela gastava todo o dinheiro em bebida e merdas. — Ele se virou para mim. — Ele a amava, Sakura. Amava tanto que ele a escolheu. Isso é o que o amor faz, ele destrói você.

— Nem sempre. Olhe para Itachi e Konan.

Ele inalou.

— Eles estão felizes agora. Mas um dia, um deles vai ser igual o pai do Naruto, como o meu pai tem sido desde que ela o deixou.

— Por isso, é preferível viver sua vida sozinho e infeliz?

— Melhor do que acabar quebrado. Melhor do que quebrar alguém. — Eu não sabia o que dizer. — As primeiras pílulas que tomei, foram roubadas do esconderijo da minha mãe. Foi o meu grande foda-se para ela. — Seu riso era amargo. — Se me contassem que eu ficaria como ela o tempo todo... Eu percebi que poderia muito bem viver de acordo. Olhe o quão bem isso saiu. Eu sou igual a ela, Sakura.

— Não, você não é. Você está limpo agora, você venceu.

— Fiz muita merda no passado. — Por um momento os seus olhos se fecharam. Então ele voltou a estudar o meu pé, remanejou a bolsa de gelo fria e úmida. — Todas as coisas que ela me disse... Ela tinha razão. Eu nunca vou ficar limpo, não realmente. Serei sempre um viciado no coração.

— Sasuke, isso simplesmente não é verdade. Você sabe que não é. Você fez o trabalho, você ficou limpo. — Eu sabia um pouco sobre as pessoas dizendo coisas, ferindo-o com palavras. As cicatrizes demoravam um longo, longo tempo. Seus lábios estavam finos e brancos. — Alguma vez você já contou a alguém?

Uma pequena agitação nítida de cabeça.

— Não.

— Pode confiar em mim, sabe? Eu não vou julgar você ou pensar menos de você, isso nunca vai acontecer.

— Não faça promessas que não possa cumprir.

Eu levantei minha cabeça.

— Você acabou de me chamar de mentirosa? — Ele empurrou seu cabelo para trás (finalmente), os olhos cautelosos apareceram. O homem não estava com pressa de falar, porque ele me deixou esperando um bom tempo. — Bem? — Eu solicitei.

— Essa é uma daquelas armadilhas que as mulheres usam. Não importa o que eu diga você vai mastigar minha bunda.

— Eu só estou pedindo um pouco de fé de você. — Eu olhava para ele tão atentamente como ele olhava para mim. — O que quer que aquela mulher disse para você é besteira total e completa, Sasuke. Você sabe disso. Então, por que você ainda deixa vivo dentro de você?

Ele gentilmente esfregou a palma da mão contra a sola do meu pé.

— Quebre muito alguma coisa e não há nenhum motivo em tentar consertá-lo.

— Isso é o que você diz a si mesmo?

— Essa é a verdade.

— Hey, não. Não é. — Eu estendi a mão, agarrando seu braço. Através do tecido fino de sua camisa seus músculos estavam tensos, e sua pele quente. Por mais de vinte anos, ele estava carregando por aí toda essa dor e raiva, auto aversão. As duas pessoas responsáveis por amar e cuidar dele quando ele era pequeno e indefeso haviam falhado miseravelmente. Não é de se admirar que ele estava tão na defensiva, ele tinha sido ensinado a esperar o ataque, não confiar em ninguém. — Você é uma boa pessoa, Sasuke. Você é um homem bom.

— Sakura. — Ele olhou para minha mão.

— Ela não sabe quem você é hoje. Eu sei. Então, em quem é que você vai acreditar?

Sua boca se abriu e eu esperei um pouco mais. Sim, ele estava falando comigo, mas eu precisava de mais, eu precisava estar com ele. A dor que ele carregava tinha que acabar. Poucos mereciam a liberdade de seu passado, tanto quanto Sasuke merecia. Ele tinha trabalhado tão duro, transformado toda a sua vida. Sua mandíbula moveu e talvez, apenas talvez, dessa vez... Alguém bateu na porta, a mesma que eu tão absolutamente não tinha conseguido quebrar. É claro que eles fizeram, foda-se o universo e tudo o que implicava. Embora, honestamente, quais eram as chances de que Sasuke alguma vez daria esse passo final e confiaria em mim?

Improvável.

Não, eu não podia me dar ao luxo de pensar assim. Eu tinha que chegar até ele.

Uma mulher de meia-idade elegante com cabelo escuro curto entrou, com uma bolsa na mão. Itachi seguiu atrás dela, seu olhar mudando entre eu e seu irmão com curiosidade aberta.

— Essa é a Shizune. Ela está aqui para ver o pé de Sakura.

— Isso foi rápido. — A médica. Porcaria.

Meu tornozelo estúpido tinha arruinado tudo. Eu realmente precisava não tentar atacar o castelo, batendo nas portas inocentes, no futuro. Mas se não tivesse, se eu tivesse ficado contente em sentar do lado de fora, bloqueada, Sasuke não teria me contado nada. Tenho certeza que uma certa distância tinha sido coberta. Exatamente o que isso queria dizer, eu não tinha certeza.

Sasuke levantou a minha perna de seu colo, saindo debaixo dela.

— Ela tentou chutar a porta.

Os olhos da Dra. Shizune cortaram para mim. Dei de ombros.

— Eu tinha algo que eu precisava dizer a ele. Ele não quis abri-la.

Ela virou instantaneamente seu olhar julgador para Sasuke. Vitória para a irmandade!

— Não foi minha culpa. — Ele disse, fazendo beicinho.

— Eu já fui chamada para muitas desavenças de amantes ao longo dos anos, mas essa é nova. — A doutora disse.

— Oh, nós não estamos envolvidos. — Eu disse.

A boa doutora bufou e ficou ocupada sentindo o meu pé. Sempre assim não muito cuidadosa, ela torceu e virou-o, de um lado para o outro. Eu uivava e estremecia quando necessário. Finalmente, ela pronunciou o veredicto de uma torção no tornozelo. Recusei quaisquer medicamentos para a dor, não querendo eles em casa. Então, sem receita, ibuprofeno foi diagnosticado para parar o inchaço e uma bota muito na moda estaria chegando. Pelo menos isso me tiraria das corridas. Viva a fresta de esperança sobre essa nuvem cinza.

Ela informou a Sasuke que a fatura seria enviada a ele e saiu.

— Você vai ter que me levar para cima e para baixo nas escadas. — Eu disse, tentando manter o sorriso do meu rosto. — Você basicamente vai ser meu escravo.

Sasuke suspirou, entregando-me um copo de água para que pudesse tomar duas das pílulas do tamanho de cavalos. Pelo menos parecia ter tirado a sua mente fora de sua mãe. Eu teria preferido um método não envolvendo sofrer danos corporais, mas lá vai.

— Eu provavelmente vou precisar de um sino que possa tocar quando eu precisar de você. — Eu disse.

— Eu acho que não.

— Você me quer gritando pela casa?

— Visto que você já faz isso, não será uma grande mudança. — Ele disse. — Acho que você não vai embora tão cedo. E você fez tudo isso para você mesma.

Eu dei a ele um olhar sujo. Itachi entrou e limpou a garganta.

— Hey. Vocês dois estão, obviamente, bem por enquanto, por isso vamos embora.

— Certo. — Sasuke disse. — Desculpe o jantar...

— Sas. — Seu irmão repreendeu, agarrando seu ombro, em seguida, puxando-o para um daqueles abraços batendo nas costas.

Depois de um momento, Sasuke bateu-lhe com firmeza, em retorno. Um importante passo em frente, francamente. Eu não pude deixar de sorrir com aprovação.

Os dois irmãos falaram em vozes abafadas por um momento e eu fiz o meu melhor para não ouvir. Então Itachi se aproximou, colocando a mão sobre a minha cabeça numa bênção ou algo assim.

— Pega leve, Sakura.

— Vou pegar.

Seu sorriso era grande.

— Cuide dele.

— É para isso que estou aqui.

— Vou dizer aos outros para atualizar você mais tarde. Boa noite.

Eu tenho a nítida impressão de que Sasuke e eu estávamos sendo deixados sozinhos por razões que levam ao romance, pelo caçula do clã Uchiha, pelo menos. Seus amigos e familiares, possivelmente tinham ideias sobre nós. Oh bem. A horda Stage Dive poderia pensar o que quisessem dessa situação de Sasuke e a minha relação muito complicada. Estava além do meu controle.

Do outro lado do quarto, Sasuke encostou-se à parede, olhando para mim com os olhos encapuzados.

— Como Gaara ficou com você correndo dele?

— Eu não sei, provavelmente não muito bem. — Para ser honesta, nem pensei nele, mas as chances eram, que Gaara e eu estávamos terminados.

Deitei-me contra a cama de Sasuke, com meu pé apoiado em travesseiros.

— É mais confortável do que a minha cama.

— É?

— Eu só vou tirar uma soneca aqui por um tempo. — Feridos eram autorizados a ter o que quiserem. Todo mundo sabia disso. — Me acorde quando a bota chegar, escravo. — Ele não disse nada, apenas viu como me senti confortável em sua cama. — Esse colchão é maior do que alguns pequenos países europeus. — Eu arrastei o meu casaco para fora debaixo de mim em um delicado processo, que envolvia muitos movimentos. Minha camisa subiu e eu puxei-a de volta para baixo sobre minha barriga. — Diga alguma coisa, você está me fazendo sentir estranha.

— Por que você se sentiria estranha, Sakura? Só porque você está rolando na minha cama?

— Você pode sentar de novo e conversar comigo. — Eu dei um tapinha no colchão ao meu lado em uma forma amistosa e convidativa.

— Nós já conversamos o suficiente por uma noite.

Mas ele fez o movimento para desligar a luz, deixando só o brilho da luminária de cabeceira. Então deu a volta para o outro lado da cama e sentou. Ele tirou os sapatos e, Deus me ajude, deitou-se de costas. As mãos estavam cruzadas sobre o estômago liso, e ele olhou para o teto, dando-lhe sua carranca habitual de descontentamento.

Sasuke estava na cama comigo. Juro para vocês, minhas entranhas realmente tremeram. Isso era melhor do que o meu aniversário e o Natal em um só, com dores no tornozelo ou não. O homem mais bonito que eu já conheci deitado perto o suficiente para quase tocar. Ele era inteiramente lindo. Ridiculamente assim. Seu rosto de perfil, as curvas de seus lábios e a linha perfeita de seu nariz. Eu não tinha palavras para descrevê-lo. Eu não tinha nada. Meu coração batia em dobro, mas eu poderia ignorá-lo.

— Você está bem? — Perguntei com a voz pouco mais que um sussurro.

— Melhor do que você.

Ele disse que tinha falado o suficiente. Então, na minha infinita sabedoria, eu realmente o deixaria em paz.

— Você realmente precisa de espelhos no teto. — Eu disse.

Ele cortou seus olhos para o lado e me deu um olhar impaciente.

— De onde diabos você vem com essas ideias? — Eu ri. — Chega. — Ele estendeu a mão, desligando a luminária de cabeceira. — Feche os olhos e vá dormir. Esse foi um dia malditamente longo.

— E quanto a bota?

— Vou levantar quando a bota chegar.

— Certo.

Nós não conversamos por um tempo. Então, do nada, surgiu um murmurado:

— Obrigado por ter vindo para casa.

Eu procurei por sua mão livre, agarrando uma vez que a encontrei. Seus dedos envolveram ao redor dos meus.

Sorri na escuridão.

— Quando precisar.