Sinopse: Como vocalista do Stage Dive, Sasuke estava habituado a ter o que quiser, quando quiser, seja bebida alcoólica, drogas ou mulheres. No entanto, quando um desastre nas relações públicas serve como um despertar para sua vida e o leva para uma clínica de reabilitação, ele conhece Sakura, sua nova assistente em tempo integral para mantê-lo longe de problemas. Sakura não está disposta a aceitar merda do sexy roqueiro e está determinada a manter seu relacionamento completamente profissional, apesar da forte química entre eles. Mas quando Sasuke vai longe demais, Sakuravai embora, e ele percebe que pode ter perdido a melhor coisa que já aconteceu com ele.


Sasuke estava perdendo o controle.

A porta do quarto do hotel estremeceu com algo quebrando ruidosamente contra o outro lado. No interior, vozes estavam se erguendo, mas as palavras eram indistintas. Talvez eu devesse ficar no corredor por um tempo. Era tentador. Tudo isso era culpa minha, droga. Eu deveria ter ido embora há semanas. O fato era que, apesar do ótimo dinheiro, eu e este trabalho não estávamos engrenando. Toda vez que abria a minha boca para dizer a ele que eu ia desistir, as palavras desapareciam.

Eu não podia explicar.

— Hey. — Konan andou em minha direção vestindo um vestido preto simples, entrelaçando os dedos nervosamente. Seu cabelo azul tinha sido puxado em um coque elegante.

— Oi.

— Itachi está conversando com ele.

— Certo. — Eu provavelmente deveria ter usado um vestido também, embora não tradicional. A última coisa que eu queria era constranger publicamente Sasuke em um dia como hoje. Era novembro em Idaho, mas poderia rachar a bunda de frio. Para uma nativa de climas mais quentes, eles não faziam meias grossas o suficiente para combater este tipo de clima.

A banda e sua comitiva estiveram em Coeur d'Alene por pouco mais de uma semana e o humor de Sasuke estava hostil desde a nossa chegada. Pior do que o normal. A mãe de Naruto havia falecido há quatro dias, perdendo a batalha contra o câncer. Pelo que percebi, Kushina tinha sido como uma mãe substituta para os irmãos Uchiha. Sua própria, aparentemente, tinha sido pouco mais do que uma bandida de oxigênio, abandonando-os muito cedo. Eu só vi Kushina algumas vezes. Ninguém poderia contestar que ela tinha sido uma bela alma.

Mais gritos abafados. Outra batida.

— Acho que eu não deveria ter saído para o café da manhã. — O café, torradas, e muito xarope de bordo, era mais do que uma mulher precisava, e se agitavam no meu estômago. O bem estar da alimentação era uma merda. — Pensei em vê-lo depois da academia.

— Você não pode vê-lo o tempo todo.

— Eu sou paga para tentar. — Eu dei de ombros. — Deus me ajude.

— E se o fizesse, ele ia demiti-la por estar controlando-o. Assim como ele fez com todos os outros. Dar algum espaço para ele respirar, é uma coisa boa. — Konan vacilou, mais um grande estrondo veio de dentro do quarto condenado. — Normalmente.

— Hum.

Sasuke não despediu todos os cinco de meus antecessores, alguns ele gentilmente persuadiu a desistir. Ou pelo menos, é assim que ele descreveu. Mas não me incomodei em corrigi-la.

— Itachi irá acalmá-lo... — Konan disse, com sua voz absoluta.

Era doce o jeito como ela adorava o marido. Eu não conseguia me lembrar da última vez em que tive tanta fé em um namorado. Itachi e Konan tinham se casado em uma noite de bebedeira em Las Vegas há seis meses. Isso foi notícia em toda a mídia. Aparentemente, era uma grande história. Uma da qual eu não tinha conseguido ouvir tudo ainda. Konan me convidou para sair com ela e seus amigos algumas vezes, mas eu sempre inventava desculpas. Não que não apreciei o gesto, apenas não parecia bom comigo trabalhando para seu cunhado.

De qualquer forma, lidar com Sasuke era o meu trabalho. Eu dei a Konan um pequeno sorriso de desculpas e deslizei a chave do quarto na fechadura. Hora de vestir o chapéu de dura assessora, que de acordo com o meu ex, Deus o abençoe, definitivamente combina comigo.

Aos poucos, com calma, abri a porta. A um metro do meu rosto um copo se chocou contra a parede, com a revolta estourando dentro de mim. Eu me joguei no chão, meu coração estava a mil dentro do meu peito.

— Sakura! — Sasuke gritou. — Sai daqui!

Deus amaldiçoe os filhos da puta dos astros do rock. Sério.

Sorte que eu usava calças. Joelhos queimados de tapete não teria sido bom. Além disso, no minuto em que voltarmos para Portland, eu estaria finalmente desistindo ou exigindo periculosidade, ou ambos. De jeito nenhum estava ganhando o suficiente para isso.

— Jogue mais alguma coisa Sasuke, e vou enfiar meu salto de oito centímetros na sua bunda, e você vai precisar de uma equipe cirúrgica para extraí-lo. — Eu olhei para ele por trás da minha franja escura. — Entendeu?

Ele fez uma careta.

Eu zombei.

O mesmo rabugento de sempre.

— Você está bem? — Itachi Uchiha atravessou a suíte de luxo, contornando uma mesa lateral quebrada e uma lâmpada esmagada. Ele me ofereceu sua mão, ajudando-me a levantar. Ambos os irmãos Uchiha tinham aparência, dinheiro, fama e talento. Apenas um deles tinha boas maneiras, no entanto. Independentemente de etiqueta, meu olhar ficou colado no homem furioso, do outro lado do quarto.

— Tudo bem. Obrigada. — Arrumei meus óculos distorcidos.

— Eu não acho que ele esteja fazendo nada de errado... — Itachi disse em voz baixa. — Apenas tendo um dia ruim, sabe?

Deus, eu esperava que Sasuke não tivesse tomado nada. Pelo bem de ambos.

— É um momento difícil para todos, Sakura.

— Sim. Eu sei.

Em frente de nós, Sasuke andava para trás e para frente, com as mãos fechadas em punhos. Normalmente, o homem era um príncipe em seu cavalo, juntos um show de perfeição. Cabelo penteado para trás e designer de tudo. Como um colírio para os olhos. Seu status de Deus do Rock era ideal. Eu estava segura em fantasiar e saciar minha libido, permanecendo bem abaixo de sua percepção.

Infelizmente, o meu desejo sexual não morreu quando optei em não ter homem nenhum. Como a vida seria muito mais simples se tivesse.

Hoje, no entanto, Sasuke parecia mais humano, apenas metade vestido, com seu cabelo escuro caindo sobre parte do seu rosto e barba combinando alinhando sua mandíbula. Seu controle impenetrável não estava à prova. O estado dele e do quarto eram chocantes. Nada parecia ter sido deixado ileso. Devo ter parecido como um desses palhaços nas feiras, onde você arremessa uma bola em sua boca para ganhar um prêmio. Minha cabeça girava para um lado e outro, tentando absorver tudo.

— Que bagunça. — Eu murmurei.

— Quer que eu chame Juugo? — Itachi, referindo-se ao chefe de segurança da banda.

— Não, eu dou um jeito nisso. Obrigada.

Ele estreitou os olhos.

— Eu não posso imaginá-la fazendo qualquer coisa, mas... Ele está muito tenso. Tem certeza?

— Absolutamente. Nos encontraremos lá em baixo. — Confiança era tudo. Eu segurei a porta aberta e ele saiu, me dando um olhar preocupado o tempo todo. Meu sorriso falso, aparentemente, tinha falhado.

— Acho que vou ficar por aqui... — Ele disse. — Apenas no caso.

— Você me contratou para lidar com ele. Não se preocupe. Nós vamos ficar bem... — Eu disse, fechando a porta na cara de um Itachi e Konan carrancudos.

Sasuke continuou andando, ignorando a minha presença. Tomei uma respiração profunda, e depois outra. Agradável e lenta. Fria e calma. Todas as conversas estimulantes habituais giraram ao redor e dentro da minha cabeça. Você não precisa ser perfeita para fazer um trabalho, você só precisava ser motivada. Eu precisava de uma grande energia para esse homem, o seu bem-estar era o meu trabalho, a minha prioridade. Gostaria de fazer o meu melhor por ele. Vidro rangia sob meus calcanhares enquanto eu cuidadosamente fazia meu caminho pelo quarto, em torno do sofá derrubado e sobre a lâmpada quebrada. Eu não queria adivinhar qual seria a multa para toda essa destruição. A segurança deveria ter vindo até aqui. Outros hóspedes devem ter ouvido o barulho e reclamado, com certeza. Talvez cinco mil por noite compre algum isolamento acústico excepcional.

Sasuke me deu um olhar sombrio quando me aproximei. Suas pupilas pareciam bem, do tamanho normal. Ele bateu com sua bunda em uma cadeira da sala de jantar, apresentando irritabilidade e agressividade, mas excelente coordenação. Talvez ele não tivesse tomado nada.

— O que está acontecendo? — Eu perguntei, parando em frente a ele.

Não havia sinais de sangue, e apesar dos nós dos dedos estarem arranhados e rosa, olhei afetuosamente. Afastando as pernas, ele apoiou os cotovelos nos joelhos e baixou a cabeça.

— Saia, Sakura. Quero ficar sozinho.

— Eu não acho que seja uma boa ideia.

Ele resmungou.

— Não é um pouco clichê, destruir seu quarto de hotel?

— Foda-se.

Eu suspirei.

Tudo bem, então confrontar ele provavelmente não era uma boa ideia. Empurrei meus óculos mais acima na ponta do meu nariz, me dando a chance de pensar. Hora de tentar algo novo. O homem só estava com uma calça de terno preta, sem camisa, sem sapatos. E o seu agradável peito e ombros cobertos com tatuagens descobertos, ele não poderia ir assim a um funeral. Especialmente neste clima.

— Sasuke, vamos embora logo. Você precisa ficar pronto. Você não quer se atrasar, não é? Isso seria desrespeitoso.

Nenhuma resposta.

— Sasuke?

— Eu odeio quando você usa essa voz... — Ele disse, ainda olhando para o chão.

— Que voz?

— Quando você tenta me acalmar e parece minha terapeuta. Você não é, assim, pare com essa merda.

Não havendo resposta certa, eu mantive minha boca fechada.

Veias se destacaram ao lado de seu pescoço e um brilho de suor delineava a musculatura das costas. Apesar da raiva, no entanto, sua pose era de um derrotado. O homem poderia ser mais do que um ocasional idiota arrogante, mas Sasuke Uchiha era forte e orgulhoso. Nos dois meses desde que me tornei sua babá, tinha visto ele em todos os tipos de estados de espírito, a maior parte deles ruim. Nunca, porém, eu tinha o visto abatido. Doeu. E a dor era tão indesejável quanto surpreendente.

— Eu preciso de alguma coisa... — Ele disse com voz gutural.

— Não!

— Sakura... Merda. Eu não posso...

— Você pode.

— Só me dê alguma coisa... — Ele retrucou.

— Eu não vou fazer isso, Sasuke.

Ele ficou de pé, com o rosto tenso em fúria. Cada instinto de sobrevivência em mim gritou para recuar, para correr e se esconder. Meu pai sempre disse que eu era muito teimosa para o meu próprio bem. Mesmo nos meus saltos, Sasuke se elevou sobre mim, e o novo passatempo favorito do homem era corrida e erguer pesos. A adrenalina subia pelo meu sistema, mas Sasuke não me machucaria.

Pelo menos, tinha certeza de que ele não faria isso.

— Uma maldita bebida. — Ele rugiu.

— Hey.

— Você não tem uma maldita ideia de como é isso. Eu só preciso de uma porra de uma bebida para me aguentar. Então vou parar novamente. Eu prometo.

— Não.

— Pegue o telefone e peça.

— Você quebrou o telefone.

— Então, pegue a sua bunda e vá até o térreo e me traga alguma coisa para beber.

Eu balancei minha cabeça.

— Você trabalha para mim! Eu pago seu salário. Você responde a mim. — Ele apontou o próprio peito com um dedo para enfatizar o ponto. — Lembra?

— Sim. Mas eu não vou pegar uma bebida. Faça todas as ameaças que quiser. — Minha voz vacilou, mas eu não recuei. — Isso nunca vai acontecer. Nunca.

Ele resmungou.

— Sasuke, você precisa se acalmar agora.

Sua mandíbula se apertou e suas narinas se alargaram.

— Eu não quero trazer mais ninguém para isso. Mas estou chegando a este ponto. Então, por favor, acalme-se.

— Porra! — A guerra que ele travava para se controlar mostrava em seu rosto perfeito. Com as mãos nos quadris, ele olhou para mim. Por um longo momento ele não disse nada, sua dura respiração era o único som no quarto. — Por favor, Sakura.

— Não. — Merda, eu não parecia convincente. Eu enrolei minhas mãos contra o meu estômago, convocando um pouco de força. — NÃO.

— Por favor! — Ele suplicou de novo, seus olhos eram aros vermelhos. — Ninguém precisa saber. Será apenas entre eu e você. Eu preciso de algo para tomar e aliviar a tensão. Kushina era... Ela era importante para mim.

— Eu sei e sinto muito que você a perdeu. Mas beber não vai ajudar... — Eu disse, lutando para me lembrar de todas as sábias palavras que li na internet. Mas meu sangue batia rápido, tornando impossível pensar direito. Eu não poderia estar com medo dele, mas eu estava apavorada por ele. Ele não poderia falhar. Eu não iria deixá-lo. — Beber é uma solução temporária que só vai dificultar as coisas à longo prazo. Você sabe disso. Você consegue fazer isso hoje. Você consegue.

— Nós estamos indo colocá-la embaixo da terra. — Sua voz falhou e ele caiu de volta na cadeira. — Ela nos alimentou, Sakura. Quando não havia nada em casa, ela sentava eu e Itachi na sua mesa e ela nos alimentava. Tratou-nos como se fossemos dela.

— Oh, Sasuke...

— Eu-eu não posso fazer isso.

Aparentemente, nem eu poderia. E para provar isso, eu fiquei ali totalmente inútil, com meu coração partido por ele. Eu me perguntava o que tinha acontecido com ele, para ele ser tão duro. É claro que tinha. Mas nunca imaginei nada como isto.

— Sinto muito... — Eu disse, e as palavras não eram suficientes.

A verdade era que Sasuke precisava de um terapeuta, um conselheiro ou alguém. Qualquer um menos eu, porque eu não tinha a menor ideia de como lidar com isso. O homem estava quebrando diante dos meus olhos e vê-lo desmoronar era uma tortura. Eu tinha sido tão cuidadosa nos últimos anos, tentando cuidar de mim mesma. Agora, de repente, a dor dele era como se fosse minha, rasgando meu interior, me deixando em carne viva. A sala ficava desfocada na minha frente.

O que diabos eu ainda estava fazendo aqui?

Quando assumi o trabalho, minhas instruções tinham sido assustadoramente simples: Fique colada ao seu lado e nunca, sob pena de morte, demissão, e tudo aquilo que seus advogados poderiam pensar para jogar em mim, deixá-lo consumir uma gota de álcool ou um grama de drogas. Nem uma única pílula poderia ser permitida. Tendo em conta que ele estava limpo por vontade própria durante quase meio ano, não parecia uma tarefa tão difícil.

Até agora.

— Vou tentar encontrar sua camisa... — Eu disse, piscando como louca, fazendo o meu melhor para me recompor. Qualificada ou não, eu era tudo que ele tinha. — Preciso te ajudar a se arrumar e então nós vamos.

Ele não disse nada.

— Nós vamos passar por isso, Sasuke. Nós vamos passar por hoje, então as coisas serão melhores. — As palavras tinham um sabor azedo. Eu esperava que não fossem mentiras.

Ainda nada.

— Ok?

— Por que eu disse que falaria no funeral? Que merda eu estava pensando? — Ele fez uma careta. — Os caras deviam saber que isso não daria certo, não deveriam me colocar nessa posição. Não estou em condição de fazer malditamente nada. Mas Itachi me falou "você precisa dizer algumas palavras, eu vou ler um pouco de poesia. Vai ficar tudo bem". Que besteira.

— Você pode fazer isso.

— Eu não posso. — Ele esfregou o rosto com as mãos. — Senão vou estragar o funeral da melhor pessoa que já conheci, então preciso de uma bebida. Uma bebida, então eu vou parar de novo.

— Não. — Eu enfrentei-o. — Eles pediram-lhe para falar, porque, provavelmente odeiam admitir isso, mas eles sabiam que você faria melhor. Você é o vocalista. Você não precisa de uma bebida. Brilhar sob os holofotes é o que você faz. É quem você é.

Ele me deu um longo olhar. Tão longo que ficou cada vez mais difícil encontrar seus olhos.

—Você consegue fazer isso, Sasuke. Eu sei que sim. Não há uma única dúvida dentro de mim.

Nada. Ele nem sequer piscou, apenas ficou olhando para mim. O olhar não era cruel, não tenho certeza do que era, além de muita coisa. Esfreguei minhas mãos úmidas contra minha calça.

— Tudo bem... — Eu disse, precisando escapar. — Eu vou pegar suas roupas.

Braços fortes de repente estavam em volta de mim, me puxando. Eu tropecei para frente, apenas para ser parada pelo rosto quente pressionado em meu estômago. Seu aperto era brutalmente forte, como se eu fosse lutar para rejeitá-lo. Mas eu só fiquei atordoada. Todo o seu corpo tremia, seus tremores passavam por mim, sacudindo meus ossos. Ele não fez nenhum som, no entanto. Algo umedeceu a frente da minha camisa, tornando-a pegajosa.

Poderia ter sido suor. Eu tive a pior sensação de que não era.

— Hey. — Nenhum dos dois últimos meses tinha me preparado para isso. Ele nunca precisou de mim para nada. Se qualquer coisa, eu o incomodava. Nós entrávamos em confronto. Ele me interrompia. Eu fazia uma piada. A forma de funcionamento foi muito bem estabelecida.

O homem agarrado a mim era um estranho.

Minhas mãos pairavam sobre seus ombros nus, e o pânico borbulhava em mim. Eu definitivamente não estava autorizada a tocá-lo. Nem um pouco. O contrato de trabalho de cento e doze páginas tinha sido muito específico sobre o assunto. Antes disso, eu havia saído do seu caminho para evitar todo e qualquer contato, mas agora seus braços estavam apertados, e os dedos me prendendo. Tenho certeza que ouvi minha caixa torácica ranger. Porra, ele era forte. Ainda bem que eu era resistente, caso contrário, ele poderia me espremer até sufocar.

— Sasuke, eu não consigo respirar... — Eu ofeguei.

O aperto diminuiu um pouco e fiquei ali ofegante, com meus pulmões fazendo hora extra. Os braços grossos permaneceram em mim. Claramente, eu não ia a lugar nenhum.

— Talvez eu devesse ir buscar o Juugo... — Eu disse em um golpe de gênio, assim que recuperei a minha respiração.

O chefe de segurança dele parecia mais um bandido de terno. Mas aposto que ele dava ótimos abraços.

— Não.

Merda.

— Ou Itachi. Quer que o seu irmão volte?

Seu rosto moveu de encontro a mim, movendo-se primeiro à esquerda e depois à direita. Outro não.

— Você não pode dizer a eles.

— Eu não vou. Eu prometo.

Silêncio tocou em meus ouvidos.

— Eu só preciso de um minuto... — Ele disse.

Eu fiquei rígida em seus braços, inútil, um manequim teria sido mais eficaz. Merda, eu tinha que fazer algo. Lentamente, muito lentamente, minhas mãos desceram. A imperiosa necessidade de confortá-lo de longe superou qualquer ameaça de processo. Calor beijou as palmas das minhas mãos. Ele parecia febril, a transpiração descendo os contornos rígidos de seus ombros e a coluna grossa de seu pescoço. Minhas mãos deslizavam sobre ele, fazendo o meu melhor para acalmar.

Foi perturbadoramente agradável, ser necessária para ele, estar tão perto dele.

— Está tudo bem. — Meus dedos se enfiavam em seu espesso cabelo escuro. Tão suave. Não é à toa que não queriam que eu o tocasse, agora que comecei, não conseguia parar. Eu deveria estar com vergonha de mim mesma, sentindo o pobre homem em seu atual estado. Mas foi ele a iniciar o contato. Ele agarrou-me em busca de conforto e, aparentemente, quando ele veio a mim, eu tinha uma quantidade assustadora para doar.

— O que eu vou dizer? — Ele perguntou com a voz abafada contra mim. — Como posso fazer a porra de um discurso?

— Você diz o que ela significava para você. Eles vão entender.

Ele bufou.

— Não, sério. Basta falar com o coração.

Ele deu um suspiro trêmulo, descansando sua testa contra mim.

— Para completar, ela ligou.

— Ela? — Eu dei um olhar afiado no topo de sua cabeça. Droga, ele parecia bem. Certamente não é um delírio.

— Quem te ligou?

— Minha mãe.

— Oh. — Isso não poderia ser uma boa notícia. Melhor do que ele imaginando telefonemas da recém falecida, mas ainda assim. — O que ela quer?

— A mesma porra que ela sempre quer. Dinheiro. — Sua voz era áspera e baixa. Tão baixa que tive que me esforçar para ouvi-lo. — A avisei para ficar longe.

— Ela está na cidade?

Um aceno de cabeça.

— Ameaçou fazer um escândalo no funeral. Disse-lhe que ela seria presa se fizesse isso.

Inferno, a mulher parecia um pesadelo.

— Itachi não sabe... — Ele disse. — E é assim que vai continuar.

— Tudo bem. — Eu não sabia se era sensato, mas não era escolha minha para tomar. — Eu não vou contar a ele.

Com seus ombros engatados sob minhas mãos, seu sofrimento nos rodeando como um escudo impenetrável, nada mais existia.

— Você vai ficar bem. — Baixei a cabeça e me curvei, protegendo-o com o meu corpo. Meu coração doía e o distanciamento emocional era um sonho. A compulsão para consolá-lo era muito forte. Ele era, geralmente, um homem tão enlouquecedor, tão impensado e rude. A raiva, no entanto, fez o meu trabalho mais fácil. Quando ele se comportava como um idiota eu conseguia ficar indiferente na maior parte do tempo. Esses novos sentimentos perigosos me atravessando, no entanto, era suave e sentimental, quente e dolorido. De jeito nenhum eu poderia dar ao luxo de me importar tanto.

Merda. O que diabos estava acontecendo comigo?

Ele agarrou meus quadris arredondados e virou o rosto para mim, desprotegido, pela primeira vez. Todas as suas arestas afiadas habituais foram entorpecidas pela dor e era algo que só fez sua beleza ficar mais evidente. Lambi meus lábios repentinamente secos. Dedos tensos se apertavam contra mim e sua testa enrugou quando ele fez uma careta para a mancha úmida na parte da frente da minha blusa.

— Sinto muito por isso.

— Não tem problema.

Ele se afastou e minhas pernas balançaram, fracas com a perda.

A intimidade acabou e o constrangimento correu como um maremoto. Eu quase podia sentir suas paredes batendo de volta no lugar. As minhas eram mais lentas, mais fracas, malditas sejam. Alguém, em algum lugar ao longo do caminho, havia trocado a minha de titânio para papel alumínio, deixando-me totalmente aberta e exposta. Era tudo culpa dele. Por um momento, ele realmente desceu do seu auto imposto pedestal. Ele tinha sido verdadeiro comigo, me mostrou os seus medos, e eu, meio que resmunguei alguma merda vagamente reconfortante. Honestamente, eu não conseguia nem me lembrar do que mais. Não é de se admirar que ele tenha se fechado para mim novamente.

Além disso, estávamos estranhamente próximos, posicionados como estávamos. Havia poucos centímetros entre nós. Sasuke me deu um breve olhar envergonhado para reforçar o fato, no caso de não ter notado. Obviamente ele se arrependeu disso. Quero dizer, ele chorou na pessoa que ele contratou, pelo amor de Deus.

— Eu vou pegar suas roupas... — Eu disse, agarrando a primeira ideia útil que entrou na minha cabeça.

Às cegas, me deparei com o quarto. Pensamentos e sentimentos estavam correndo através de mim, tudo isso como um borrão. Eu precisava ligar para a minha mãe. Até onde eu sei, não havia histórico de doenças cardíacas na família. A leucemia levou o tio Han. Minha avó morreu devido á fumar um maço de cigarros por dia. Eu acho que a tia-avó Mei pegou alguma infecção por fungos estranhos nos pulmões, mas não falavam sobre isso. Mamãe sabe ao certo. O que quer que meu coração esteja fazendo, não podia ser bom. Eu tinha apenas vinte e cinco anos, jovem demais para morrer. Provavelmente a idade certa para se tornar uma hipocondríaca completa, no entanto.

Peguei uma camisa e gravata no seu closet gigante no quarto principal. O meu quarto, do outro lado da suíte, não era ruim. Este quarto, no entanto, menosprezava o Hotel Ritz. Lençóis, cobertores e travesseiros estavam espalhados sobre a cama gigantesca. Não que houvesse tido qualquer sexo louco no local, porque tanto quanto eu poderia dizer, o homem era assexuado, evitava, ou ambos. Ainda assim, ele obviamente não tinha dormido bem. Eu podia imaginar seu grande corpo forte e resistente se virando na cama. Completamente sozinho com todas as suas más recordações. E eu estava no quarto em frente ao dele, também sozinha e não dormia muito bem. Algumas noites meu cérebro simplesmente não se calava ou desligava e na noite passada tinha sido definitivamente uma dessas.

Eu fiquei congelada, hipnotizada pelo emaranhado de lençóis e cobertores.

Mais uma vez, meu coração fez algo estranho. Algo totalmente fora de contexto. O que aconteceu entre as minhas pernas era melhor ignorar. Estou certa de que alguma coisa no contrato de trabalho proibia toda e qualquer umidade da minha parte, especialmente se diz respeito a um Sasuke Uchiha.

— Hey... — Ele disse, aparecendo ao meu lado, assustando a merda fora de mim.

— Oi. — Hesitei, um pouco sem fôlego novamente por algum motivo. Talvez devesse verificar os meus pulmões também, só para ter certeza. — Você precisa de uma limpeza rápida. Venha.

Ele seguiu atrás de mim como uma criança obediente. As luzes do banheiro eram tremendamente brilhantes depois de todo o tumulto emocional, deslumbrando-me. Ok, o que vem depois? Garrafas e tubos estavam espalhados sobre o balcão. O meu cérebro ainda estava com dificuldades e não ofereceu nada.

— Temos que nos apressar... — Eu murmurei, mais para mim mesma.

Eu coloquei a camisa e gravata em cima do balcão, peguei uma toalha de rosto e molhei. Se eu não tivesse feito minha maquiagem, eu teria espirrado água fria no meu rosto, me acordando de toda essa estranheza. Enquanto isso, Sasuke olhava para longe, sua mente, obviamente, longe mais uma vez. Quando levantei o pano ele não reagiu em tudo. Esqueça isso, nós não temos tempo, eu farei o trabalho sozinha. O pano úmido frio fez contato e ele recuou com as narinas dilatadas.

— Fique quieto. — Eu disse, e embarquei pela primeira vez em limpar alguém. Basicamente, eu o limpei como uma louca. Eu até lavei atrás das orelhas com muito fervor.

— Cristo. — Ele murmurou, abaixando-se para tentar escapar de mim.

— Fique quieto.

Em seguida veio o pescoço, depois os ombros. Molhei o pano novamente e mudei para o seu peito e costas, apressando ao longo do processo. Era melhor não pensar, apenas vê-lo como Sasuke, como meu chefe. Melhor ainda, o corpo sob minhas mãos era de pedra, não real, de modo algum, apesar do arrepio em erupção por causa dele. Desejos básicos não importavam quando um trabalho estava em jogo, hormônios e emoções poderiam ficar em segundo plano. Eu poderia fazer isso.

— Ok. Camisa. — Peguei o algodão rico e grosso e segurei aberta para ele. Ele enfiou os braços, com a pele lisa roçando as costas dos meus dedos fazendo arrepios correrem até meu braço. Eu me atrapalhei para fechar os botões. — Precisamos de abotoaduras. E eu não sei como fazer o nó da gravata.

— Eu vou fazer isso.

— Tudo bem. — Eu passei para ele a tira de pura seda preta. Tudo bem, eu só precisava de um pouco de ar, quanto mais frio, melhor.

Sasuke deu um passo em minha volta, caminhando de volta para o quarto. Do alto do seu armário ele recolheu um par de abotoaduras de prata para as mangas de sua camisa. Na verdade, eram provavelmente de platina, conhecendo-o. Eu podia ver as tatuagens espreitando para fora, sob os punhos da camisa e acima do colarinho de seu pescoço. Não poderia haver disfarce para ele como algo que não seja o astro do rock que ele era. Ele não tinha sido feito para se ocultar, o homem era muito bonito para isso.

— Você precisa de alguma coisa? — Eu perguntei, seguindo-o como um cachorrinho perdido. Meus dedos esticados e tensos enquanto minhas mãos pendiam flácidas ao meu lado. De jeito nenhum ele precisava saber que me fazia tremer.

— Eu estou bem. — Meias e sapatos esperavam no final da cama. Sentou-se, se ocupando. O terno pendurado no encosto de uma cadeira, e um longo casaco de lã preto dobrado em cima dele. Estávamos bem, tudo definido.

— Você tem o seu discurso? — Perguntei.

A carranca aumentou.

— Sim. Está no meu bolso.

— Ótimo. Eu só preciso pegar minha bolsa e jaqueta.

Seu queixo estremeceu e seu olhar deslizou por cima de mim.

— Você está bonita, por sinal.

— Ah, muito obrigada.

— Só afirmando um fato. Você parece bem. — Ele se virou.

Eu, no entanto, não me mexi. No começo eu estava atordoada com o elogio, mas, em seguida, por alguma razão, deixar Sasuke sozinho não parecia certo. A situação era embaraçosa. E se ele ficar chateado de novo e eu não estiver aqui para acalmá-lo? Sua sobriedade era muito importante para o risco.

Lábios finos estudavam a mancha lentamente secando na frente da minha blusa.

— Você definitivamente não vai contar a ninguém?

— Não. Nunca.

O ar assobiou entre seus dentes e sua expressão se acalmou.

— Ok... Eu balancei a cabeça, dando-lhe um pequeno sorriso.

— Escute, Lena?

— Hum?

Ele se virou.

— Não há nada aqui, sem pílulas ou álcool. Eu não tenho usado. Eu vou fazer um teste de saliva se precisar dele, e você pode procurar no quarto...

— Não, eu sei... — Eu disse, perplexa. — Se tivesse, você não pediria para eu conseguir algo e nós teríamos uma conversa completamente diferente. Ou você estaria de volta na reabilitação e eu estaria fora do trabalho.

— É verdade.

Nenhum de nós disse nada por um momento. Cruzei os braços sobre o peito, com o meu rosto tenso.

— Você pode me deixar sozinho... — Ele disse. — Está tudo bem, vai buscar as suas coisas. Faça o que for, para que possamos sair.

— Certo! — Um desses sorrisos pouco envergonhado falsamente assustado saiu de mim. Merda. Eu tinha esquecido completamente. — Sim, tudo bem. Vou pegar minhas coisas.

— Ótimo. — Ele passou a mão pelo cabelo do mesmo jeito que vinha fazendo, talvez uma dúzia de vezes por dia, desde que eu tinha vindo trabalhar para ele. Não era nada novo. Imediatamente, porém, meu coração fez aquela coisa de apertar e saltar novamente.

Não. NÃO.

Não poderia estar conectada a ele, eu me recusava a acreditar.

— Você vai? — Seu rosto distorceu com aborrecimento e agradeço a Deus por isso. Sua irritação aberta me aliviou sem fim, estávamos de volta ao normal.

— Sim, Sasuke. Vou.

— Agora?

— Agora. — Eu saí, batendo a porta do quarto, fechando atrás de mim.

Eu não tenho sentimentos por Sasuke Uchiha. Que pensamento ridículo. Ele era um ex viciado. E enquanto admirava e respeitava-o por assumir o comando da sua vida e lutar essa batalha, eu não tinha necessidade de me envolver com alguém que mal tinha ficado sóbrio por meio ano. Além disso, Sasuke não era um cara particularmente agradável a maior parte do tempo. A falta geral de interesse e consideração para com todos os outros que habitam o planeta era a sua definição.

Mas o pior de tudo, o homem era o meu chefe.

Eu não tinha sentimentos por ele. Eu não poderia, de jeito nenhum. Eu tive uma queda por idiotas criminosos instáveis no passado, mas eu tinha acabado com isso. Especialmente a parte dos idiotas instáveis. De jeito nenhum tinha sentimentos por ele. Eu realmente tinha crescido como pessoa e toda essa merda, né?

Eu caí contra a parede mais próxima.

— Porra.

Eu tomei uma respiração profunda, com foco no funeral.

As coisas iriam melhorar.


Aproveitando que eu estou me sentindo particularmente hoje, lá vai mais um capítulo!

Holly