Capítulo 5 – No Cinema (Parte 2)

Kasumi faz uma expressão de quem vai aprontar e começa a se aproximar de Karin, que dá um passo para trás assustada e não percebe que há uma plaquinha avisando que o chão está molhado.

E Karin escorrega e cai de pernas abertas pagando o maior mico, quebra o salto de uma das sandálias. Sasuke e eu junto com todos os que estão no local começamos a rir, e alguns começam a vaiar, Karin fica completamente vermelha de raiva e vergonha.

— Isso não vai ficar assim! — Se levanta em um pulo e sai resmungando e mancando para fora do cinema.

Todos nós a ignoramos e começamos a entrar em nossas respectivas salas, o filme logo irá começar.

— Vamos tentar pegar as cadeiras do meio, Sasuke-kun, assim vamos ter uma boa visão da tela. — falo completamente animada.

— Acho uma boa ideia, vamos!

Eu o sigo para a entrada da Sala 6. Estou ansiosa pelo o que essa noite pode nos reservar.

...

Estamos saindo da sala em que assistimos ao filme. Estou completamente feliz por termos assistido em paz e sossego sem ninguém desagradável para nos atrapalhar.

— Nossa! Esse filme foi perfeito! — comento enquanto estamos caminhando para a saída.

— É verdade! Superou minhas expectativas. — Sasuke me responde bastante empolgado.

— Só não acredito ainda que aquilo aconteceu com o Han Solo, quase chorei — falo lembrando da cena.

— É! Eu também não esperava por isso. — ele hesita um pouco, respira fundo. — Espero que esteja se divertindo, Sakura.

— Ahn, claro que sim, Sasuke-kun! Estou me divertindo muito! — respondo um pouco surpresa com a mudança repentina de assunto.

Sasuke então fica calado, e o silêncio se instala entre nós. Caminhamos para fora do prédio do cinema, e mais uma vez ele muda o clima ao falar.

— Sabe, a noite está realmente bonita hoje. — fala observando o céu estrelado. — Você gostaria de vir comigo a um parque aqui perto? Você deve saber qual é. É o parque de diversões de Konoha.

— Sei sim, fui para lá com a Ino e as outras meninas duas semanas após conhecê-las. Mas eu pensei que ele só era aberto nos fins de semanas e eventos especiais. — questiono um pouco confusa.

— Você está certa! Mas não é bem os brinquedos e demais coisas do parque de diversões em si que quero te mostrar. É algo que fica próximo àquele território. — nesse momento ele me olha intensamente e me encara por alguns segundos que mais parecem minutos.

Continuo calada, sem entender muito bem aonde ele quer chegar, ele desvia o olhar para o céu. Sinto que preciso dizer algo e então me pronuncio.

— Algum lugar especial?

— Sim! É um lugar que sempre visito quando quero pensar, refletir ou simplesmente quando quero ficar sozinho. Mas se você não quiser ou não puder ir, tudo bem, eu...

— Quero sim! Adoraria ir visitar esse lugar Sasuke-kun. — o interrompo, antes que ele realmente acredite que eu não quero ir ou algo do tipo.

Ele me olha novamente e me parece que algo nele se acende, como se ele estivesse agora muito feliz com minha resposta ao seu convite.

— Ótimo! Então vamos nos apressar um pouco. Afinal em breve serão 23hs.

— Certo!

Começamos a caminhar em passos rápidos em direção ao carro, logo entramos e nos aconchegamos dentro do mesmo, e partimos para o parque.

...

Sasuke estaciona o carro numa esquina próxima ao parque e descemos. Apressamos-nos para irmos para lá despercebidos, pois sabemos que o que vamos fazer não é permitido. Sinto meu coração palpitar por fazer algo proibido, por embarcar numa pequena aventura com o cara mais importante para mim. Vejo algumas placas com avisos dentre eles estão "Entrada proibida" ou "Entrada permitida apenas para funcionários".

Ele pula um pequeno muro e em seguida me ajuda a pular também. E nesse momento penso "Que bom que estou usando um short por baixo da saia, isso acaba de me salvar." O lugar está muito escuro, só não está mais por uns dois postes acesos próximos ao local, e pela luz da lua. Até porque nossos olhos estão começando a se adaptar com a pouca iluminação também.

— Vem, é por aqui. — diz Sasuke puxando uma de minhas mãos e tirando-me de minha distração.

Fico calada e apenas o sigo, passamos próximo de alguns brinquedos, e continuamos seguindo pela mesma direção, logo estamos passando por algumas árvores e arbustos e tudo começa a ficar mais e mais escuro. Agora temos apenas a luz da lua para nos guiar.

— Chegamos! — ouço Sasuke falar um pouco ofegante. E em seguida percebo o lugar; ele é realmente lindo, uma paisagem de tirar o fôlego, não imaginava que havia um lugar assim por trás do parque.

Um lindo e largo lago, cheio de árvores a sua volta, como se o escondesse, o protegesse para que o mesmo não fosse descoberto, como se a natureza quisesse guardar aquele ambiente apenas para ela. Analiso todo o lugar e fico encantada, noto que no lado esquerdo há uma árvore enorme e bem convidativa, com um espaço plano e cheio de grama abaixo dela. Imagino que aquele seria um lugar perfeito para um piquenique, acredito que essa árvore proporcione uma boa sombra.

— Era desse lugar que eu estava falando! Venho aqui desde que o descobri quando me chateei com meu pai e saí de casa correndo quando era pequeno. Nunca falei dele para ninguém. — hesita um pouco. — Até agora, é claro.

— Esse lugar é incrível! Nunca imaginei que houvesse um lugar assim por aqui.

— Vejo que você gostou. — comenta sorrindo singelamente.

— Sim! Eu amei. — respondo ainda maravilhada com o lugar e focando o meu olhar nele em seguida.

— É aqui que sempre fico sentado pensando ou lendo. — fala enquanto se encaminha para a árvore que eu havia notado antes.

O sigo mais uma vez e ficamos debaixo da árvore observando o lago com o reflexo da lua sobre si. Estamos um pouco próximos um do outro, próximos demais na verdade, e eu resolvo falar algo.

— Eu amo lugares assim, amo ter algum contato com a natureza, gosto de observar o céu, as estrelas, de ouvir o barulhinho da chuva. Gosto de num dia chuvoso me agasalhar, fazer um bom chocolate quente e ir para a janela do meu quarto observar a chuva.

— Também gosto de coisas desse tipo. — ele sorri, mas um sorriso diferente, algo mais real, como se ele estivesse se sentindo livre, feliz. Fico encantada em vê-lo assim — Acho que realmente temos muito em comum.

De repente ele olha nos meus olhos de uma forma tão profunda que me deixa desarmada e com o coração acelerado.

— Sakura, eu... — ouvimos um som bastante incômodo para o momento, trata-se do meu celular tocando. Mas que droga! Penso, e rapidamente o clima em que estávamos há segundos atrás se desfaz e ambos ficamos sem jeito. Retiro o celular da bolsa e vejo que é minha mãe que está ligando, olho para minha companhia um pouco sem graça e digo:

— É a minha mãe, preciso atender. — ele apena faz que sim com a cabeça. — Desculpa! — atendo o celular um pouco desanimada.

Oi, mãe.

Sakura, onde você está? Você já está em casa?

Ainda não, mas vou chegar em breve. O que houve? Aconteceu algo?

Não? Então volte para casa o quanto antes! Soube que acabaram de avisar no rádio que um temporal bastante forte está vindo para Konoha, e que todos devem tomar cuidado e irem para suas casas ou para abrigos seguros, além disso, eu não vou poder ir para casa hoje lhe fazer companhia querida, eles precisam de mim no hospital esta noite. Sinto muito! Mas, amanhã estarei de folga e vamos poder passar o dia juntas.

Sério? Está bem, estou indo. E quanto ao plantão tudo bem, eu entendo, mãe.

Obrigada, querida! Preciso desligar agora. Beijo, te amo!

Também te amo, mãe.

Volto meu olhar para o Sasuke e o informo da situação, ele se surpreende tanto quanto eu, já que o clima aqui parece tão bom, está quente e o céu está limpo.

— Então, precisamos ir! Vamos voltar rápido para o carro. — diz passando por mim, indo em direção ao lugar de onde viemos para chegar ao lago.

— Okay!

Depois de sairmos do parque, vamos até o carro correndo e entramos, para logo que colocarmos os cintos ele dar a partida. Ficamos em silêncio durante uns dois minutos. Até que de repente, avistamos a garota de antes, a tal Kasumi caminhando solitariamente na rua, olhamos para o céu e notamos que nuvens já estão se formando. Entreolhamos-nos e só com o olhar concordamos em algo. Ele estaciona o carro próximo da garota e abre as janelas.

— Ei! Kasumi! — aceno para ela. Ela nos olha alarmada por debaixo do capuz e, assim que nos reconhece, sua expressão se torna mais relaxada e ela vem em nossa direção a passos apressados.

— Quer uma carona para casa? Parece que um temporal está chegando. — ele oferece a carona simpaticamente.

Ela parece hesitar um pouco, ficar sem graça, talvez porque não tem nenhuma proximidade conosco.

— Vem! Pode ser perigoso você ficar por aí, se não me engano você mora uns dois quarteirões antes da minha casa não é? Podemos te deixar lá. — tento convencê-la.

— Está bem! — ela finalmente entra no carro. — Valeu! Ah, moro um quarteirão antes. — comenta falando muito baixo. Ela parece bem tímida, nem parece a garota que arrasou com a Karin horas atrás. Poucos minutos depois a garota se pronuncia.

— É aqui que eu desço. — Sasuke estaciona o carro. — Valeu mesmo pela carona!

— Por nada! Não foi nada demais. — responde Sasuke.

— Tchau! Nos vemos na escola. — eu me despeço. Ela me olha e assente com a cabeça, desce do carro e vai embora.

Sasuke dá partida no carro e vamos em direção à minha casa. Chegando à minha casa, ele estaciona. E mais uma vez o silêncio se instala entre nós, até que ouvimos um trovão e percebemos que o céu que já está cheio de nuvens, e sendo iluminado por alguns relâmpagos.

— Bem, você está entregue! — comenta olhando para o volante. — Espero que tenha se divertido.

— Sim, eu amei. Essa noite foi realmente ótima! — o respondo sorrindo e com as mãos suando. — Muito obrigada, Sasuke-kun.

— Não precisa agradecer! Você sempre é uma boa companhia. — comenta ele agora me olhando, até que ele olha novamente para o volante. — Agora eu preciso ir, nos falamos depois. Boa noite, Sakura!

— Okay! Boa noite, Sasuke-kun. Até logo! — saio do carro ainda nervosa e apresso os passos para entrar em casa, porque agora os pingos já estão caindo. Ouço o barulho do motor do carro, me viro e o vejo indo embora acelerando.

"Espero que ele chegue em casa antes que a chuva fique mais forte." Penso e logo abro minha bolsa procurando a chave, ao encontrá-la, viro-me novamente, destranco a porta e entro.