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POV de Vampira

Acordei zonza, sentindo a boca seca. Logo reconheci onde estava. Lab Med no Instituto Xavier. A luz estava forte e eu pisquei os olhos várias vezes até me acostumar a claridade. Já estava ficando familiarizada com esse lugar. O cheiro forte de álcool e éter irritando meu nariz. O barulho desse maldito monitor e o frio. Acredito que doutor Mccoy não se importe com o frio, com o corpo todo coberto de pelos do jeito é. Eu estou vestindo uma dessas camisolas hospitalares, azul pálida. Estou coberta apenas com um lençol branco fino. Sinto minhas mãos e pés gelados e então percebo que estou sem minhas luvas. Eu olho novamente para minhas mãos e minhas unhas estão pintadas... Eu nunca pinto minhas unhas... Não há sentido em pintar as unhas, se você vai passar todo o tempo com luvas. Algo chamou minha atenção e quando olhei para o lado vi Gambit dormindo em uma poltrona encostada na parede. Ele parece estar muito desconfortável. Eu tentei levantar e senti uma dor aguda nas costelas. Meu gemido o acordou "Cherie! Merci, Dieu!"

Gambit estava diferente. Se possível, mais bonito do que da última vez que o vi... No... No baile de formatura, foi isso. No baile de formatura ontem à noite. Nós dançamos nos jardins da mansão e... Eu acordei aqui. Sou eu ou Gambit está emocionado por me ver acordada. Ele pode estar se sentindo culpado por eu estar aqui?

Ele levanta, meio cambaleando, mas rapidamente vem em minha direção e me abraça. Eu solto outro gemido abafado. "Desole Cherie! Como vous está se sentindo?" Antes que eu pudesse afastá-lo, ele da um beijo terno na minha testa. Levou apenas alguns segundos para meus poderes trabalharem, ele cai desmaiado.

Sinto uma dor muito forte na cabeça, os pensamentos de Gambit começam a flutuar na minha mente. Eu aperto o lençol com o qual me cobria. Minhas mãos que antes estavam frias de repente parecem estar queimando e percebo uma luz magenta envolvendo todo o lençol. São os malditos poderes desse rato do pântano arrogante. Quem disse que ele poderia me tocar? Eu me afasto do lençol antes eu ele exploda, e aparentemente me afastei mais do que eu planejava porque eu estava flutuando, muito acima da cama. Quase bati a cabeça no teto. Isso eu não entendi, esse não era um dos poderes de Gambit, era? A explosão enfim chamou a atenção do Doutor Mccoy, que entrou no quarto. Ele não pareceu surpreso a me ver voando.

Não sei por que, mas eu vôo para fora do Lab Med antes que o grande médico azul pudesse dizer qualquer coisa.

Quando chego ao elevador, estou respirando pesadamente. As memórias de Gambit não fazem sentido pra mim. Deslizo pela parede, até estar deitada com o rosto virado para o chão, as lágrimas quentes rolando pelas bochechas, não faz sentido, não pode ser verdade.

"Cherie, acalme-se. Apenas volte para Remy, e nós vamos descobrir o que aconteceu!"

"Não, isso não é possível!"

"Vampira acalme-se!" As portas se abriram e o Professor sai do elevador acompanhado por Scott. Quando ele estende a mão para me ajudar eu recuo e grito para ele se afastar. Não preciso absorver mais ninguém, minha mente já está uma bagunça do jeito que esta.

"Professor, como?"

"Por favor, Vampira. Volte para o quarto."

"Eu, nada faz sentido professor!" minha respiração ainda é pesada e eu levo as mãos novamente às costelas do lado esquerdo.

"Eu prometo que farei tudo que estiver ao me alcance para ajudar você."

Eu me levanto e volto caminhando lentamente para o quarto. Doutor Mccoy está verificando os danos que a explosão causou aos equipamentos. Gambit não está mais aqui. "Ele está bem" professor fala. "Ele acordará em breve."

"É verdade Professor? Sobre Gambit e eu?

"Sim Vampira! Temos que descobrir porque você não se lembra!"

Eu só me pergunto por que me casei com ele...

Cinco dias antes

Mansão LeBeau, Nova Orleans, Luisiana.

Rémy entra no quarto de casal a procura de sua esposa. Ela está sentada na cama anotando alguma coisa enquanto fala ao telefone. "Eu entro em contato, ok. Bye!"

Vampira desliga o telefone e vai direto para o laptop, parecendo não notá-lo. Se há algo que Remy LeBeau não suporta, é ser ignorado, principalmente por sua cherie. Ele se aproxima e lhe dá um beijo. E outro, e outro. Dieu, ele nunca se cansaria de beijá-la. Ela sorri, mas se desvencilha dele. "Estou ocupada agora, Cher". Ele ainda a beijou novamente. "Eu vou ficar fora por alguns dias Cherie, e já estou com saudades." "Você vai passar muito tempo fora?" Ela perguntou sem tirar os olhos do papel e da tela do laptop, conferindo as coordenadas. "Non, três ou quatro dias. Assuntos da aliança. Até que enfim alguma ação." Ele foi até o banheiro. "Eu também estou doida por alguma ação." "Eu não posso levá-la comigo Cherie"

"Eu não estou falando sobre ir com você, docinho."

Ele sai do banheiro sem camisa, nitidamente querendo provocá-la. "Quem era ao telefone Marie?"

"Hum! Scott!" Ele esperou que ela continuasse...

"Ele me contatou para checar uma atividade mutante, como é aqui no Sul..."

"Oui? Sozinha?" Ela respirou fundo, sabendo aonde isso iria.

"Oui Remy. Devo voltar antes de você, coisa de um dia ou dois." Ela fechou o laptop e pegou o papel com as anotações.

"Que tipo de missão é essa Marie?" Agora ele estava andando atrás dela pelo quarto, enquanto ela verificava alguns itens para colocar em uma mochila pequena.

"Apenas uma verificação de algumas atividades mutantes." Ela repete lentamente.

"Essa é toda a informação que vous tem? Vous deveria ir sozinha a algo tão obscuro?"

"Não é algo obscuro Rémy, é apenas uma verificação. Se algo der errado eu chamo a equipe. Não há necessidade de um grupo de mutantes para descobrir o que está acontecendo em Madison, Mississipi"

"E se você não tiver tempo pra isso?"

"Rémy, por favor. Nós ainda somos X-Men, eu só farei uma verificação. Não é como se eu fosse indefesa." " Eu não acho certo que vous vá sozinha Marie. Vous tem estado..."

"Eu estou bem. Pode acreditar em mim." Remy olha pra ela sério.

"E se você não quiser que eu vá sozinha é simples, venha comigo."

"Eu não posso, eu acabei de dizer que tenho um trabalho!" "Sozinho?" "Não é a mesma coisa..." "Claro que não, de nós dois eu sou a invulnerável, lembra? Ela sorri, mas ele não retribui o sorriso.

"Não vai se despedir de mim? Marie pergunta, aproximando-se de Gambit, jogando os braços em torno de seu pescoço. "Ei docinho, eu volto logo. Faça o mesmo ok? Volte pra mim em uma peça!" Eles se beijam. Ele tenta mais uma vez. "Cherie!"

Vampira pega a mochila e o telefone e sai, soprando-lhe um beijo quando chegou à porta.

"Merde, merde, merde!"

Remy retorna a mansão três dias depois. A missão fora bem sucedida, mas o aperto que ele sentia no peito só passaria quando estivesse nos braços de Marie. Algo dizia que ela precisava dele. Ele tentava afastar esse pensamento. "A femme sabe cuidar de si mesma Gambit." "Ela já salvou sua vida e de seu pere uma vez." Ele riu com a lembrança. Não ajudava que ele não conseguia contato com qualquer um dos telefones da mansão ou da Guild. "investe-se uma fortuna em uma linha de segurança segura e essa baise não funciona quando mais precisa! Merde!"

Assim que entrou pela porta da mansão LeBeau, Rémy foi recebido por Mercy. "Rémy, cher Jean Luc quer falar com vous. Ele está no escritório." "Mercy, diga que não posso falar com ele agora, oui? Ele subiu as escadas e foi até o quarto. Que estava vazio. Olhou no banheiro e quando saiu Mercy estava esperando por ele no corredor. "Onde está Marie?" "Rémy." "Dieu, Mercy!"Remy levanta a voz "Eu vou falar com Jean Luc depois, me diga onde está Marie" " Mercy suspira"Em Nova York. Henri está lá também. Mas ninguém nos diz o que aconteceu."

Gambit chega à Nova York em um vôo exclusivo da Aliança. Ele entra na Mansão, dispensando qualquer tipo de formalidade e ignorando seu irmão Henri, que aguardava no corredor em frente ao quarto, entra no quarto de Marie. Gambit não diz uma palavra, quase em choque por ela parecer tão pálida e indefesa deitada naquela cama. Tinha apenas algumas marcas aparentes de que estivera em uma boa luta, o que queria dizer muito, uma vez que sua pele era invulnerável a quase tudo e ela tinha uma super força. "Meu caro, pode parecer difícil acreditar, mas agora ela está apenas dormindo."

"O que aconteceu Hank? Quem fez isso com ela? Há quanto tempo ela está aqui?