Logo chegou o dia. O dia do meu encontro com JAMES POTTER! Não que eu esteja surtando, porque eu não surto. Quer dizer, às vezes eu tenho uns "ataques" nervosos, mas não chegam a ser surtos. Eu acho.

Acordei cedo nessa manhã e resolvi chamar as meninas para casa para me ajudarem a me aprontar. Tenho TANTA coisa para fazer antes desse encontro.

Assim que elas chegaram em casa, (depois de logicamente termos atualizado Dora dos acontecimentos do dia anterior), elas resolveram começar o processo "ficar linda para sair com James Potter". Desde que tínhamos 13 anos, temos esse processo. Quer dizer, não com James, porque eu nem o conhecia nessa época, mas o que eu quero dizer é que desde essa idade, sempre que uma de nós tem um encontro, vamos a casa da dita cuja e a ajudamos a se preparar.

Eu sempre (não estou exagerando, é SEMPRE mesmo) sou a que ajudo. Eu nunca tive um encontro. Eu sei, é triste. Mas eu só tenho 17 anos, ok? Não é como se eu tivesse 25...aí sim seria bem triste. ENFIM...

Lá pelas cinco e meia da tarde eu fiquei oficialmente pronta. Dora, por ser a única que tem carro entre nós, me levou ao shopping e depois ela e Lene foram para a casa de Lene. Na verdade, tínhamos marcado uma noite do pijama semana passada para nós três, mas...elas entenderam. E remarcamos para o próximo sábado.

Assim que cheguei, fui direto a praça de alimentação. Sou gorda sim, algum problema?

O avistei sentado em uma das mesas, e acenei. Ele logo me viu e veio até mim:

-Hey, ruiva. Tá bonita.

-Oi Potter. Obrigada –eu sei que ele pediu para chamá-lo pelo nome, porém queria que ele me corrigisse. Sou louca, sim.

-Me chame de James, Lily.

-Desculpe, esqueci. –ai que cara de pau você é, Lily. Aceita um óleo de peroba? –Que filme você quer ver?

-Annabelle 2.

-Você está louco? Eu que não vejo esse filme. Sou medrosa mesmo, antes que você faça algum comentário engraçadinho.

-Calma aí, Lily. Não precisa ficar nervosa. Só dei uma sugestão, se você quiser outro filme, é só dizer. –eu não fiquei nervosa, só fiquei...bem, nervosa.

-Eu quero ver A Bela e a Fera.

-Bela e a Fera? Não, escolhe outro. De jeito nenhum que eu vou deixar alguém me ver entrando pra ver esse filme de menininha.

-É um clássico, seu sem infância. E iremos ver esse filme e ponto. –antes que desse tempo dele contestar, fui direto ao elevador, e já o chamei.

Quando James me alcançou (sim, eu saí correndo), o elevador já havia chegado, e umas 15 pessoas saiam dele. Logo após, o elevador ficou deserto e entramos. Ele esperou até as portas estarem fechadas para iniciar a discussão:

-Eu sou um cavalheiro, sim, mas me pedir pra assistir A Bela e a Fera é demais até para você, Lily Evans.

-Até para mim? O que você quer dizer com isso, Potter?

-Nada não, Evans. Agora... –a fala dele foi interrompida por um barulho alto e pela de repente falta de luz do elevador.

-O que houve? –fiz a pergunta mais óbvia do mundo, mas não fui respondida.

James ligou a lanterna do celular e nós dois sentamos no chão, ele tranquilo, e eu, uma pilha de nervos.

-Como você consegue se manter tão calmo em uma situação dessas?

-Não tem motivo para ficar nervoso, afinal. Eu e você não somos claustrofóbicos, e esse elevador ter parado me leva a conclusão que eu não terei que ver A Bela e a Fera, e isso é um alívio.

-Não sei porquê me chamou para sair, então. Você nem aceita minha sugestão de filme –falei ácida.

-Como se você pudesse dizer algo sobre isso. Você foi bem aberta as sugestões também.

-Eu não chamei ninguém para sair.

-Mas concordou em vir. Estamos quites. E tecnicamente, eu não te chamei para sair. Você trouxe meu caderno?

-As meninas não deixaram. Elas disseram que é pra eu ter um motivo para falar com você segunda. Como se eu quisesse ter que falar contigo segunda.

-Não estou entendendo o motivo de tanto rancor. É só um filme.

-Se é só um filme, porque não podemos ver o que eu quero?

-Porque eu queria que você visse aquele comigo, para ficar com medo e ter desculpa de me abraçar.

-Como é? –eu não acreditava em meus ouvidos.

-Posso não parecer, mas eu ainda sou um tanto romântico. Sabe, queria que hoje fosse especial. Planejava te "proteger" durante o filme, tomarmos um milk-shake depois, e eu te levaria para casa. Com direito a um beijo na testa.

-Desculpe estragar seus planos, mas ainda estamos presos em um elevador, queridinho. –disse amarga. Ora, eu realmente queria que aquilo que ele havia planejado desse certo.

-Você é tão seca, grossa, impaciente. Eu não sei porquê eu tô gostando disso. Juro que não.

-Gostando? –ele deu um sorriso de lado e segurou minha mão.

-Se não conseguirmos sair daqui a tempo para ver o filme, podemos tentar de novo? Sábado que vêm?

-Sábado que vêm as meninas irão dormir em casa.

-Certo, então, eu chamo o Sirius e o Remus e saímos nós três. Ainda vai dar tempo de vocês terem a festa do pijama de vocês.

-Mas...

-Por favor, vai. Marcamos em um parque de diversões, às duas. Vai dar certo.

-Se todos concordarem, por mim tudo bem.

-Ótimo, porque eles já concordaram –o interroguei com o olhar –na verdade, essa ideia eu tive hoje cedo. Se tudo desse certo entre nós, poderíamos sair todos juntos no sábado que vêm. E todo mundo gosta de parques de diversões.

-Sim, mas...todos já sabem? Até elas? –ele assentiu –e elas concordaram e não me disseram nada? –ele anuiu novamente –traíras –ele riu e ficamos conversando.

Demorou muito para nos tirarem de lá, e quando saímos, só tinha uma sessão, que é do filme que ele queria ver. Apesar de estar morrendo de medo, eu fui mesmo assim...

Quer dizer, ele foi um amor comigo no elevador. E eu podia fazer esse pequeno esforço por ele, né? Conversamos tanto que acho que temos a ficha da vida inteira um do outro. E foi tão bom...não teve aquilo de o assunto morrer, foi só fluindo.

No final, o encontro saiu como ele planejou. Com direito a beijo na testa. Foi o melhor encontro de todos, como se eu tivesse com o que comparar, mas...vocês entenderam.