Sinopse: (SASUSAKU) (Universo Alternativo) Sakura encontra um misterioso homem chamado Sasuke que diz ser o carteiro do céu: O responsável por recolher as cartas enviadas por pessoas que ainda não superaram a perda de um ente querido e entregá-las aos falecidos de quem sentem falta. Ela deposita uma carta para alguém que a deixou para trás com o coração partido e é repreendida pelo carteiro pelo conteúdo inapropriado presente em sua carta. Sasuke pede sua ajuda para facilitar o seu trabalho como carteiro e eles passam a trabalhar juntos. Seu dever é ler as cartas e detectar se há alguma inapropriada para ser entregue ao céu.

NOTAS DA AUTORA:

* Essa fanfiction foi inspirada e adaptada do filme Heaven's Postman. E é um presente para minha amiga e irmã May Tavares a quem prometi uma fanfic de presente há muito tempo e ainda não havia cumprido. Aqui está seu presente atrasado, mas espero realmente que você goste.

* História sem fins lucrativos. Feita de fã para fã.

* Naruto e seus personagens não me pertencem. São de autoria e criatividade de Masashi Kishimoto. Bem como o enredo do fime Heaven's Postman que foi adaptado e teve cenas alteradas e outras que não existiam foram incluídas para a criação dessa fanfiction.

Espero que vocês curtam essa história.

Boa Leitura!

Letters to Heaven

Capítulo 1: O Carteiro do Céu.

A caminho da velha caixa de correio vermelha perdida em meio à grama verde de um belo campo, estou eu indo depositar ali a minha carta. A carta que contém todas as minhas palavras não ditas. Tudo que eu queria dizer para aquela pessoa, mas não pude... Porque já era tarde. Aquela pessoa não pode mais ser encontrada, ela me deixou para trás. E eu jamais serei capaz de vê-la novamente. A dor, a frustração, todo o sentimento e a verdade descoberta. Tenho toda essa bagagem dentro de mim e a depositei em cada palavra escrita nessa carta.

Após deixar a carta ali, encaro a caixa de correio e concluo que, depois de tudo, eu realmente desejaria que essa carta fosse entregue a ele. Mas, infelizmente, eu sei que o que acabei de fazer faz parte de uma ilusão criada por um conto de fadas. Estou aqui apenas para aliviar um pouco esse sentimento que me deixa inquieta e infeliz. Eu apenas quis vir... Eu apenas quis fazer isso. Mas, uma pessoa que não faz mais parte dessa vida não pode receber e ler cartas.

Sinto um nó na garganta. Ela está tão seca que pego minha garrafa de água para aliviar a "sede", mas ela já se encontra vazia. E somente nesse momento, noto que eu não estou mais sozinha, há mais alguém aqui. O homem me oferece sua garrafa que ainda carrega um pouco de água. Sem hesitar eu a aceito, agradeço e viro-a de maneira que eu tome todo seu conteúdo. De alguma forma me sinto aliviada agora.

− É perigoso tomar água de um estranho. – O homem se pronuncia pela primeira vez.

− Você é perigoso? – Agora que parei para pensar, por que eu aceitei água de um desconhecido como se isso fosse tão natural? E enquanto reflito sobre isso, ele se aproxima do correio como se tivesse algo para fazer ali. Mas, se ele vai deixar uma carta para uma pessoa querida que já se foi, por que ele não está com uma em mãos?

− Não estou dizendo que sou perigoso.

− Mas, você acabou de... – Ele parece estar abrindo a caixa. O que ele pensa que está fazendo? − Espera, quem é você?

− Carteiro do céu. – Acho que eu não ouvi direito.

− O quê? – Questiono. Ele para o que estava fazendo, põe seus braços sobre a caixa, encosta sua cabeça neles e me encara.

− Um carteiro que entrega cartas aos céus. – Ele me responde da forma mais natural possível e com uma calma transmitida por todo seu corpo.

Depois de sua resposta eu começo a rir. Ele está brincando comigo? Será que pensa que acreditarei nisso só porque estou aqui depositando uma carta para uma pessoa falecida?

− Ah, o do conto de fadas?

− Não de conto de fadas... Eu entrego a carta que você manda para o céu. – Afinal, quem é esse homem? Ele pensa mesmo que essa resposta pode ser aceita. Espera, ele tem uma chave e a está usando para abrir a caixa de correio. O que ele vai fazer?

− Ei! Com licença, espere um minuto. – Ele não só abriu a caixa como está recolhendo todas as cartas que ali estão e as transferindo para a sua bolsa. − O que você pensa que está fazendo?

− Ali. – Ele responde simplesmente.

− O quê?

− Leia a hora ali. – Ele aponta para o outro lado do velho correio e eu corro para verificar. Em seguida, olho espantada para meu relógio. Está na hora exata! O encaro boquiaberta e corro até ele.

− Eu sabia! Carteiro do Céu!

− Foi o que eu te disse antes. – Me responde enquanto está indo embora. Mas, eu o puxo pela alça da sua bolsa e ele para.

− Esses dias tem sido falado na internet sobre um carteiro bonito que aparece e diz que ele entrega cartas aos céus... – Eu o encaro da cabeça aos pés. Ele é extremamente bonito. É jovem, parece ter por volta de 22 anos. É alto, corpo esbelto, olhos negros e cabelos tão negros quanto seus olhos, com um corte estiloso. Mas, há algo estranho... Se ele é quem diz ser, por que se parece tanto com um humano? Como posso vê-lo? – Você tem pernas... Então, você não é um fantasma?

− Um anjo? – Me responde com outra pergunta. – Não consegui me segurar depois do que acabo de ouvir. Ele passou dos limites agora. – Ei!... Pare de me zoar! – Ele parece se irritar.

− Então, voe. – Eu sugiro ainda sorrindo. – Voe daqui até ali. – Sugiro enquanto aponto para as direções. – Ele me olha meio inquieto. Certamente não esperava por essa. Ele pensou que me enganaria assim tão facilmente?

− Agora?

− Agora! – Desafio.

− Certo! Mas, você deve fechar seus olhos e esperar que eu conte até três para poder abri-los.

− Estou fechando. – Respondo.

− Não espie!

− Certo.

− Um... Dois... Três! – Ouço barulhos na grama e abro meus olhos rapidamente. Ele não voou, está fugindo.

− Ei!... – Corro atrás dele. Não deixarei que consiga se safar assim. − Volte aqui!... Ei! – Continuo correndo desesperada atrás dele. – Pare aí! – Ele corre bem a minha frente com uma grande vantagem da trapaça que fez enquanto eu estava ainda de olhos fechados. Esse homem desconhecido continua a correr bem mais rápido do que eu, e já estou começando a perder o fôlego. Ele conseguiu escapar... E eu tropeço e caio em meio àquele campo esverdeado. Não irei mais alcançá-lo, pois ele já conseguiu deixar esse lugar.

Já é um novo dia e resolvo voltar àquele campo, não para deixar uma nova carta, mas, para tentar encontrá-lo novamente. Talvez, ele apareça de novo quando for a hora. Estou realmente curiosa sobre aquele homem misterioso. Ao chegar me sento no chão e espero, e como eu imaginava, ele voltou no mesmo horário.

− Você voltou! – Falo ao me levantar.

− E você também. O que facilitou meu trabalho de te procurar. Precisamos conversar!

− O quê? E por que me procuraria? Sobre o quê você quer conversar? – Estou confusa. Ele também esperava me encontrar aqui? Se eu o peguei em flagra ontem, por que ele retornou sabendo que dessa vez não escaparia de mim?

Ele ignorou minhas perguntas e foi recolher novamente as cartas deixadas no velho correio vermelho.

− Ei, eu estou falando com você! – Ele permanece calado até terminar de guardar cuidadosamente todas as cartas e me encara.

− Não vamos conversar aqui. Vem! Vamos para algum outro lugar.

− E por que eu seguiria um estranho?

− Você tomou água de um estranho ontem. Além disso, já nos encontramos antes e sei que você também quer conversar. Se não fosse assim, não estaria aqui a me esperar.

Ele tem razão. Eu realmente quero conversar, mas é para esclarecer o que aconteceu ontem e até mesmo hoje. O porquê de ele fazer esse trabalho e se referir a si mesmo como carteiro do céu. E agora tenho ainda mais curiosidade pelo fato de ele querer conversar comigo sobre algo. Então, eu o sigo até uma cafeteria local e curiosamente, não sinto medo de fazê-lo. Chegando lá, pedimos por café e ele inicia o diálogo.

− Muitas cartas vieram. Cartas aos pais das crianças; um marido que deixou sua mulher; uma carta para um amigo morto; uma mãe que perdeu sua filha ou um amor que perdeu seu amante. Porque as pessoas que são deixadas para trás acreditam que tem um céu. – Eu o observo calada enquanto tento entender aonde ele quer chegar com toda essa conversa. – Mas, uma das cartas é realmente perversa. Se essa pessoa fosse normal, ela não escreveria isso. – Eu continuo em silêncio. – "Você é tão mau, como pode ir sem mim?" – Estou reconhecendo o que ele está dizendo. – "Pessoas como você deveriam morrer." – São trechos da minha carta. Começo a olhar desconfiada para todas as direções. E ele continua a falar enquanto me encara diretamente. Com um lápis em mãos, eu começo a rabiscar em uma folha de papel para não encará-lo de volta.

− Ela desbocadamente enviou palavras abusivas aos céus. O que você acha que devo fazer com ela? – Sorrio sem graça e seguro minha xícara de café em mãos.

– Ela tem a mente limitada! – Respondo e tomo um gole.

– Você enviou essa carta. – Deixo a xícara sobre a mesa e desato em risos como se fossem de descrença.

– Quem disse isso? – Volto a rabiscar no papel.

– Hoje você tem da mesma folha da carta. Desenhada com cerejas vermelhas. – Eu paro de desenhar instantaneamente. – Por causa da sua mente rude e maliciosa. Eu, um fantasma, tenho de realmente descer para falar com você sobre aquela carta. – O encaro irritada.

– Você acha que sou tão problemática que um fantasma deveria falar comigo? Para falar a verdade, eu queria colocar uma bomba dentro da carta. Eu queria mandar uma bomba para o céu! Para que quando ele abrisse a carta, Boom! Ele seria rasgado em milhares de pedaços. – Ele continua a me olhar na maior calma do mundo e fala:

– Mas ele já morreu. – Parece que fui golpeada no estômago com essa verdade que às vezes finjo esquecer. Enquanto isso, a garçonete se aproxima e preenche novamente nossas xícaras, e eu a paro pedindo para esperar antes de sair. Ela parece confusa.

– Ali, aquela xícara de café... Está flutuando?

– O quê? – Ela fica ainda mais confusa.

– Para você, parece que sou uma mulher louca falando sozinha e pedindo dois cafés?

– Como?

– Tem uma pessoa ali? – Aponto para a cadeira a minha frente onde ele se encontra sentado.

– Sim, tem! – Me responde como se estivesse falando com uma criança. Eu o encaro me sentindo enganada, me levanto e falo aos ouvidos da moça:

– A pessoa ali... Ele diz que é um anjo ou um fantasma. O que você acha que devo fazer? – Enquanto isso, ele permanece calado e observa toda a cena.

– Ele deve ser louco! Só não fale com ele e o deixe sozinho. – A garçonete me responde com um sorriso gentil e sai com uma expressão de que eu que sou a louca aqui. Desato a rir e me sento novamente.

– Sabe, eu ouvi tudo aquilo!

– Então, o que exatamente você é?... Ah, já sei! Para fazer as pessoas acreditarem que você é um carteiro do céu, você anda daqui para lá na caixa de correio, certo?

– Não, é um trabalho de meio período.

– Trabalho de meio período?

– Por exemplo, entregar cartas no céu. – Ele responde com toda convicção. E eu ponho minhas mãos na cabeça enquanto encaro meus rabiscos.

– Você por acaso é louco?

– Não. Só estou ajudando as pessoas que perderam seus entes queridos, talvez?

– Então, como funciona? Me dê mais detalhes. – O cobro. Ele faz um gesto com a mão pedindo que eu me aproxime mais para que ele possa cochichar, quando o faço ele se pronuncia:

– Não há mais porque é um segredo. – Retorno ao meu lugar sentindo que estou enlouquecendo junto com ele por estar aqui o ouvindo. – Ao menos que você vá ajudar, pensarei em te contar.

– O quê?

– Se você pode, vamos fazer isso juntos. – Sorrio como se estivesse fazendo parte daquilo e então, fico séria.

– Não! – Saio dali e o deixo para trás. Vou para casa me achando uma idiota por cair numa conversa como aquela. Por me deixar levar por um cara como ele.

À noite, tento dormir. Mas, por algum motivo só consigo pensar nesse homem e em tudo o que ele me disse. Será que ele me dizia a verdade? Não parecia ser brincadeira.

– No que você está pensando, Sakura? Está ficando louca como ele?

Viro para o outro lado da cama e fecho os olhos, mas ainda não consigo dormir. Mas, e se eu aceitasse ajudá-lo? Eu poderia tirar minhas dúvidas e saber mais sobre ele... Teria certeza se o que ele diz é verdade ou se tudo é somente uma farsa. Amanhã voltarei àquele campo e o encontrarei novamente.

– Irei fazer isso! – E ao chegar a alguma conclusão, eu finalmente vou adormecendo.

No dia seguinte, estou me aproximando do correio novamente. E percebo que aquele homem já está aqui de novo fazendo seu trabalho.

– Oi! – Cumprimento-o.

– Oi... Veio mandar aquelas cartas perversas novamente?

– Não! Eu não mando mais essas. Você vai colocá-las no lixo mesmo.

– Então, o quê? Ah, decidiu aceitar minha proposta e me ajudar? – Me encara com um meio sorriso e eu rio nervosa e me viro. Nunca consigo admitir algo logo de primeira.

– De jeito nenhum!

– "Eu não posso te perdoar... Eu realmente, realmente não posso te perdoar. Você me disse que gostava de mim. Era uma mentira? Enquanto batia em seu rosto, você disse que gostava muito de mim... Você poderia jogar fora a sua alma em um buraco negro. Então, foi tudo aquilo uma mentira?".

– Você está escrevendo um poema ou está escrevendo a letra para uma música?

– Você já esqueceu o que escreveu na carta?

– Ei! Isso é traição. – Avanço para cima dele e quase cometo agressão, mas paro ao ouvi-lo falar.

– Já que você está me ameaçando, vou escrever sua carta na internet.

– Não!... Como um homem pode ser tão desonesto?

– Que desonesto? – Ele se cala de repente e se abaixa para pegar algo enrolado logo abaixo do correio. Ao desenrolar ele encontra uma marmita e uma carta. – Wow! É uma merendeira. Ela fez sushi e rolinhos de ovos.

– Para algum namorado? – Me abaixo também e fico ao seu lado.

– Uma mãe que perdeu sua filha de cinco anos, Hana. – Ele responde já segurando a carta aberta. Ela fez isso para a filha dela. – Ele começa a ler a carta em voz alta e começo a chorar. Fala de uma mãe que amava cozinhar para sua amada filha, mas ainda não era uma profissional enquanto sua filhinha estava viva. Mas, que agora consegue cozinhar muito bem e por isso quis que sua filha provasse da sua comida.

– Você está chorando?... Você está! – Ele tenta ver meu rosto e eu o desvio para outra direção. – Mas eu sou um carteiro do céu, não um entregador de delivery do céu. – Ele abre a marmita e começa a se preparar para comer.

– Você vai comer?

– Será um desperdício se ficar ruim. Se apodrecer, me sentirei mal. – Eu observo aquela comida que parece estar tão gostosa. Realmente seria uma pena se ela estragasse. – Você quer um pouco?

– Quero. – Ele leva os hashis1com a comida até a minha boca. E eu choro ainda mais. A comida está deliciosa, e aposto que a menina iria amar comê-la.

– Está bom? – Aceno com a cabeça positivamente. – Hana! – Ele grita em direção ao céu.

– O que você está fazendo tão de repente? – Me assusto com o grito.

– Hana, a comida que sua mãe fez está realmente deliciosa!

Depois de comermos, ele coloca a marmita infantil no lugar em que ela estava quando ele a encontrou e depositou algumas pequenas flores sobre ela.

– O que você está fazendo? – Questiono confusa.

– Uma resposta da Hana de que ela comeu bem.

– Mas isso é uma mentira!

– É mentira, mas não é mentira... Se ela estivesse viva, ela teria comido bem. – Isso é verdade. Tenho certeza que a pequena criança iria se deleitar com a comida da sua mãe. Observo a pequena marmita e arrumo as flores acima dela. – Você quer o trabalho? – Fico em silêncio por um tempo e sorrio. Levanto-me da grama e falo.

– Sou Sakura Haruno. Prazer em te conhecer. – Ele me observa e se levanta também.

– Sou Sasuke Uchiha. É um prazer te conhecer. – Ficamos nos encarando por um tempo. Sinto-me bem perto dele. E acho que essa parceria pode ser uma boa experiência.

Glossário:

Hashis: Aqueles palitinhos japoneses usados nas refeições.

NOTAS FINAIS: Espero que estejam gostando da história. Eu inicialmente pensei em fazer uma oneshot. Mas, algumas pessoas não gostam de capítulos muito longos. Então, vou dividir a história em até no máximo cinco capítulos. Até a próxima!