NOTAS DA AUTORA:

Aqui vai mais um capítulopara vocês. A missão da Sakura acaba de começar!

Boa Leitura!

Letters to Heaven

Capítulo 2: Ajudando os Remetentes.

Já trabalhando com Sasuke, estamos na cafeteria onde ele me levou em nosso segundo encontro e eu estou fazendo o que ele pediu. Ajudando-o a ler as cartas e detectar alguma inapropriada para ser entregue ao céu – Como a minha foi, por exemplo. E como sou emotiva, choro com quase todas as que leio.

– Por que você está chorando?

– É a carta de uma irmã que perdeu seu irmão e toda vez que chove, ela teme que seu irmãozinho esteja se sentindo sozinho no céu. – Sasuke toma a carta das minhas mãos.

– Não chore. Você não deveria chorar. Temos que retirar as cartas que não podem ser entregues e entregar o restante. – Como ele pode ser tão frio? Como agir dessa forma após ler tantas cartas tristes? Como não se emocionar com os sentimentos dos outros?

– Aliás, por que somos "anjos"? Você disse que esse era um trabalho sagrado. Por quê? Por que essa cafeteria em uma cidade ocupada?

– Ok, da próxima vez eu vou te levar a uma cafeteria de nível bem alto. – Ele para de falar repentinamente e começa a rir. – Mas, não é como se fossemos a um encontro ou qualquer coisa assim. – Fico boquiaberta e rio sem graça.

– Nem mesmo pense em gostar de mim. Você nem é humano, fantasma.

– Eu disse que não sou um fantasma. E eu tenho um nome! – Ele se exalta um pouco e eu fico quieta. – De qualquer forma, essa é a sua primeira missão. – Sasuke estende uma carta para mim.

A carta fala sobre um homem idoso que perdeu sua amada esposa e não consegue mais encontrar uma razão para continuar vivendo. E o que mais o amargura é que, depois da morte dela, enquanto arrumava seus pertences, ele encontrou uma carta de amor de um homem de quem ele jamais havia ouvido falar. Se pergunta o porquê dela ter guardado aquela carta e se ela havia entregado seu coração a esse homem também. E acima de tudo, será que o filho deles não era seu filho, mas sim, de outro homem? A dúvida e a saudade o assola.

– Mas, eu não entendi o que posso fazer com relação a esse senhor.

– Você deve encontrar uma maneira de fazê-lo acreditar que é mesmo o pai do filho da sua esposa.

– Mas, como que irei fazer isso? E se ele não for o pai?

– Se essa for a resposta, ninguém ficará feliz. Por esse motivo, você deve provar que ele é o pai.

– Mas isso será uma farsa! – Não estou entendendo bem aonde ele quer chegar.

– Isso também faz parte do nosso trabalho: aliviar a dor e dar felicidade aos corações dos remetentes dessas cartas. Fazemos o que for possível para ajudá-los.

Olhando bem fundo em seus olhos, eu consigo entender agora o nosso trabalho. E creio que é um dos mais nobres. Irei encontrar uma maneira de ajudá-los. A começar por esse senhor... Acho que sei o que posso fazer.

Há alguns dias eu passei por um prédio com um aviso sobre uma vaga de emprego e fui me informar. Não fiquei com o trabalho, mas consegui informações sobre o que é feito ali. E creio que, agora os serviços daquele homem me serão bastante uteis. Aquele homem com quem falei trabalha com todos os tipos de falsificações. Ele dá provisão de sons de diversos ambientes para serem usados em gravações ou telefonemas. Ou seja, ele oferece tudo o que for necessário para mentir para alguém... Com boas ou más finalidades. Com toda certeza, ele deve também, falsificar documentos.

– Se for necessário, você deverá falsificar um exame de DNA. – O encaro. – Você deve fazer com que pareça que foi o filho quem solicitou o exame. E pouco antes de o pai voltar para casa, você deve colocar o exame na caixa de correio, ele irá verifica-la, e quando o fizer, encontrará o exame. Então, imaginará que seu filho também leu as cartas e imaginou se seria mesmo o seu filho. Com curiosidade ele irá abrir o envelope e ficará aliviado ao descobrir que é mesmo o pai dele.

– Mas, e se ele perguntar ao filho "Então, você também desconfiava..."?

– Ele não irá perguntar! Irá fingir que jamais soube de algo. Estamos contando com esse ponto de vista. Ele irá fechar o envelope e coloca-lo novamente na caixa de correio. Fingirá que nada aconteceu.

Eu passei a observar a casa desse senhor até descobrir que ele mora com seu filho e nora. Um dia enquanto ela voltava para casa eu resolvo para-la no caminho e digo que quero conversar sobre o seu sogro. Ela parece curiosa e um tanto preocupada. Mas aceita e segue para um lugar reservado próximo ao parque.

Dou-lhe explicações sobre as preocupações que cercam o seu sogro, e ela concorda que desde a morte de sua sogra, ele jamais voltou a ser o mesmo. E que ela já havia questionado mentalmente se o seu amado e lindo marido realmente era filho de seu sogro. Em seguida, ela me explica suas razões. Mostrando-me uma foto de seu marido, ela diz que ele é realmente muito bonito, mas que seus sogros não eram assim. Então, como poderiam ter um filho tão bonito e diferente de ambos?

– Você acha que seu marido já chegou a desconfiar de algo?

– Claro que não! Para ele a mãe é uma santa e jamais trairia seu pai.

– Você acha que se eles não forem uma família de verdade, ficarão felizes ao saber? – Ela nega movendo a cabeça. – Então, devemos fazer um exame de DNA para que o seu sogro descubra que seu marido é mesmo o filho dele.

– Você está louca? E se eles não forem mesmo pai e filho. O que faremos? – Sorrio e falo sobre o plano de forma mais detalhada.

– Isso é impossível! Porque iremos providenciar um exame de DNA falsificado. – Sigo explicando cada detalhe e ela decide ajudar com qualquer informação que venha a ser útil e necessária. Como os nomes completos de seu sogro e marido, por exemplo.

O dia finalmente chega, e junto com a minha ajudante do caso, eu coloco no correio o exame pouco antes do horário em que seu sogro costuma voltar para casa e corremos para nos esconder onde possamos observar o momento em que ele lerá o exame. O senhor aproxima-se do portão e decide verificar o correio. Põe a mão como se procurasse algo, e depois de alguns segundos, retira um pequeno pote de iogurte, e o bebe ali mesmo. Após isso, ele simplesmente ignora as cartas, papéis e O ENVELOPE. Ele apenas entra em sua residência. Parece que esse plano será mais difícil de ser bem sucedido do que imaginávamos. Desço rapidamente e completamente desanimada para recuperar o exame antes que a pessoa errada o encontre.

Depois de contar ao Sasuke o ocorrido, ele desenvolve rapidamente outro plano e logo o põe em prática. Decide ele mesmo vestir-se de carteiro e entregar o exame ao senhor num momento propício. E dessa vez, ele consegue. Felizmente, tudo ocorreu exatamente como o Sasuke previu o senhor movido por curiosidade, utiliza o vapor de uma chaleira para abrir cuidadosamente o envelope, e ao ler o resultado, não segurou dentro de si o alívio e alegria que o percorreu. Foi possível confirmar que o plano foi realizado com sucesso, porque o observamos sorrir enquanto nos encontramos escondidas atrás da janela mais próxima da sala.

− Não se esqueça de ao entrar em sua casa, pegar esse envelope sem que o seu sogro e marido te vejam, e destruí-lo para que o nosso plano vá por água abaixo. – Sussurro abaixada atrás da janela, e ela faz sinal de que entendeu. Sorrimos em cumplicidade e satisfeitas com o resultado.

Durante vários dias nós dois lemos centenas de cartas e fizemos com que o possível ou até mesmo o impossível pudesse se realizar. Tudo em prol de ajudar essas pessoas inconformadas com as suas perdas. Eu realmente estou habituada a esse trabalho e também a companhia do Sasuke. Ele me deu a oportunidade de esquecer um pouco a minha dor e focar no sofrimento e alegria dos outros. Até mesmo a sua companhia me faz sentir mais viva e confiante.

Em mais um dia de trabalho, a caminho da velha caixa de correio no campo, no meio de minha caminhada, sou interrompida por Sasuke, que me pede para esperar. Não podemos nos aproximar do correio agora, há pessoas prestes a utilizá-lo.

– Ei, alguém está indo em direção ao correio. Esconda-se!

– Onde? Não há como se esconder aqui!

– Então... – Ele faz uma pequena pausa enquanto procura algo em sua bolsa e retira de lá uma pequena bola – Vamos fingir que somos um casal e que estamos brincando por aí.

– O quê?

– Vamos fingir! – Ainda o encaro parada no mesmo lugar – Não temos tempo a perder. Eles estão vindo. Se prepare! – Antes mesmo que eu pudesse me preparar para pegar a bola, ele a lança com força excessiva e a faz voar longe, bem acima de mim. Com cara de desgosto o fuzilo com os olhos.

– Sério? Você realmente tinha que ter jogado tão longe? – Ele simplesmente faz sinal para que eu vá procurar pela bola, e é o faço. Passo pelas pessoas a quem estamos tentando enganar e tento encontrar a pequena bola verde em meio àquele campo de mesma cor. Uma tarefa nada fácil. Até que de forma distraída resolvo espiar as pessoas que foram ate a caixa do correio. Após essa ação, eu paraliso. Tudo ao meu redor some, há apenas a mulher que agora passa por mim, a criança que ela segura pela mão e eu. Enquanto os observo indo embora, ainda permaneço completamente imobilizada.

– O que foi? O que há de errado?

– Eu a conheço. – Respondo depois de alguns segundos, enquanto ainda mantenho meus olhos vidrados naquelas pessoas. – Ela é a namorada do meu falecido ex-namorado. – Suspiro e bagunço meus cabelos. Sasuke me fita confuso e volta seu olhar à mulher e de novo para mim.

– Quê? Mas, e a criança?

– Deve ser o filho deles. – Meus olhos ameaçam derramar algumas lágrimas.

– Então, isso quer dizer que ela não é a namorada... Ela é a esposa dele! – Uma revolta e dor se remoem dentro de mim. Ouvir aquele fato já conhecido me causa inquietação e procuro extravasar socando-lhe a barriga.

– Ei, por que fez isso? – Bater-lhe não me aliviou. Meus olhos seguem novamente o rastro deles.

Deito-me no chão e encaro o céu, completamente absorta em pensamentos e muda. Me concentrando em não derramar sequer uma lágrima. Eu preciso ser forte! Sasuke provavelmente quer me dar um pouco de privacidade e espaço, porque me ignora e segue em busca das cartas e as lê. Até que eu mesma resolvo quebrar o silêncio:

– Céu... Ele está mesmo lá?

– Não estaria em algum lugar? – Sento-me frustrada.

– Eu não gosto! Só porque ele está morto não quer dizer nada. Mesmo um mentiroso estando morto, ele ainda é um mentiroso. E se eu não posso perdoar, quer dizer que não posso perdoar! – Cesso por alguns segundos e continuo. – E amar é amar... – Eu pensei que estivesse melhorando, esquecendo, me curando de todo esse sofrimento, mas tudo o que senti, ainda conserva-se aqui dentro de mim.

– Diga! – O fito. – Diga isso a ele. Não em uma carta, mas agora. – Ele finalmente dirige seus olhos a mim rapidamente e aponta para o céu. – Sigo seu conselho e fito o céu.

– Seu idiota! – Dessa vez não mais consigo reter as lágrimas e grito aos céus. – Por que você morreu? Por que você não me disse que era casado? – Com isso, todas as lágrimas que venho guardando há dias deixam meus olhos de forma desesperada. Ponho para fora toda a minha dor e ressentimento. A me ver nesse estado, Sasuke vira de costas e observa o horizonte.

– O que você está fazendo? – Pergunto ao vê-lo sentado de costas.

– Você está chorando.

– Eu sei disso. Afinal, sou eu quem está chorando.

– Você está bem com isso? Mesmo eu te olhando enquanto chora?

– Eu não gosto, mas tudo bem porque é você. – Suspiro, ele me olha e ficamos em silêncio por um breve momento. – Me sinto melhor agora. Parece que estou olhando para o mar e gritando "Seu idiota!" igual a um personagem de filme. – Sorrio. Me sinto realmente mais leve. Desde o momento que conheci Sasuke, eu venho me sentindo melhor, me divertido e sorrido novamente. Tudo porque estou em sua companhia. Parece que ele está sendo um tipo de terapia para mim.

– Sakura, agora... – Ele me olha e hesita enquanto seco minhas lágrimas com a sensação de que tirei de mim o que mais me perturbava. – Agora, eu quero te beijar.

O encaro sem saber realmente o que pensar, agir ou falar. Não era algo que eu esperasse ouvir dele, e muito menos agora. Assim como também não esperava sentir os batimentos do meu coração acelerarem de forma tão forte e descontrolada, e sentir minhas mãos tremerem um pouco. Não imaginava que viria a sentir esse tipo de sentimento tão cedo, depois de tudo que passei. Ainda mais agora, que há pouco ainda sofria. O vento ficou um pouco mais forte, balançando nossos cabelos, enquanto ainda encarávamos um ao outro fixamente num silêncio absoluto.

– Esquece. – Ele sorri timidamente virando o rosto, passa a mão na nuca e encara o chão. Não sei bem como explicar. Mas, ao ouvir o que ele disse, senti uma sensação de perda e algo me doeu.

– Você é bom em dizer isso. – Falo ainda estática. – Você é bom em dizer qualquer coisa. Eu também, eu acho que posso fazer isso algumas vezes. – Ele continua de cabeça baixa e em silêncio. E eu sinto que devo fazer algo, mas por ele não apresentar nenhuma mudança de comportamento e nem mesmo sequer voltou a me olhar, eu começo a me sentir uma boba e sorrio para descontrair. – Talvez seja melhor esquecer não é?

– Vamos esquecer sobre isso. – Ele acena com a cabeça, ainda sem olhar em meus olhos. – Isso me deixa inquieta e nervosa, me levanto bruscamente.

– Você deseja isso, não é? – Ele também se levanta.

– Não é você que deseja isso? – Ele finalmente me olha.

– Eu não gosto mais da ideia após você falar isso. – Algo me incomoda por ele ter me descoberto assim. O que está realmente acontecendo comigo? Eu agora desejo por isso. Mas por quê?

– Oh, sério?

– Sim! – O clima se torna um pouco estranho e pesado. O silêncio que segue se torna constrangedor e incômodo. Eu devia ter mesmo ficado calada.

– Sabe, eu quero ouvir mais disso. – Ele me surpreende ao quebrar o silêncio de forma confusa.

– Do quê?

– De agora em diante, eu quero ouvir suas histórias no futuro. – Desvio imediatamente o meu olhar. Quando pensei que eu não iria mais me surpreender com esse homem depois de tudo que vi e ouvi hoje, ele supera as minhas expectativas. Suspiro com um misto de alívio, emoção e inquietação.

– Você está chorando?

– Ninguém nunca ouve o que eu digo. – hesito. – Mesmo ele, o que morreu. Nem ao menos me ouvia. Ele só... Ele só pensou que eu era negligente, eu acho. Eu já sabia disso desde o começo. – Sorrio sem nem expressar algo de verdade. Apenas a dor me alfinetou ao lembrar o passado. – As intenções dele nunca foram sobre os meus sentimentos. – Sasuke permanece em silêncio. – Até mesmo quando eu chorava, ele nunca estava ao meu lado. – Falo pausadamente, como se para relembrar a mim mesma sobre o quanto fui idiota e fácil de enganar. – Nem sequer uma vez, ele esteve do meu lado.

– Você sabe... Então, que tal ficar ao meu lado? – Meus olhos encontram os dele espontaneamente. Mais uma vez, Sasuke me deixa sem palavras. Como se toda vez que eu estivesse prestes a afundar num buraco, ele me puxasse antes que eu pudesse fechar os olhos e me entregar à sorte. O mesmo aconteceu no primeiro dia em que o encontrei.

Sasuke me observa com extrema atenção, recheada com carinho e cuidado em seus olhos. Se aproxima calmamente, põe sua mão em minha nuca, diminui a distância entre nossos lábios, e encosta os seus gentilmente nos meus. Não se trata de um beijo sagaz, quente e urgente. Mas, um beijo carinhoso, lento e profundo. Seus lábios me fizeram sentir que sou especial para ele. Posso sentir uma onda que fez meu coração pular e esquecer-se de tudo ao redor. Somos só ele e eu. O que sinto é a mais pura sinceridade e carinho, tudo diferente de qualquer outra sensação que já tive.

NOTAS FINAIS: Olá! Estou de volta, sei que demorei, MAS VOLTEEEIII~

Então, espero que estejam gostando. Finalmente um beijo 3 Esse capítulo veio com fortes emoções, eim?!

Tenho um aviso para vocês!

O de que essa fanfic está na reta final. Sim, ela será curtinha. Estejam preparados...

Obrigada a todos por lerem e apoiarem Letters to Heaven.