Disclaimmer: Os Personagens de Naruto Pertencem ao Mestre Masashi Kishimoto, mas se eu pudesse só quereria um Gaara para mim.

CAPÍTULO 6: NOTÍCIAS AGRIDOCES

Faziam dois dias que Gaara cavalgava de volta para Suna e sentia-se cansado e dolorido, tanto da batalha quanto da longa viagem que estava fazendo. O que era pra ser uma viagem rápida se prolongou por dois meses, pois seus homens estavam sendo massacrados com a liderança de Minato. Devido as últimas atitudes desleixadas de Gaara, Temari estava indo para Suna quase como uma escolta armada do irmão, que estava agindo feito louco para voltar para Suna há semanas. A loira não sabia, mas Gaara havia recebido uma carta de Baki, seu conselho, criticando a ausência do rei em Suna. Ele estava enfurecido por estar longe de seu domínio e de sua casa, mas o que mais havia chamado a atenção foi uma frase em específico de seu conselheiro " A rainha Ino que outrora passava seus dias lutando com os guerreiros, atendendo o povo e cavalgando pela cidade vem passando seus dias em seus aposentos com Kankurou. Os dois estão ficando muito próximos". O final daquela frase o deixara profundamente irritado. Ela não deveria estar passando seus dias com Kankurou, o que porra era aquilo?

Ele estava longe de casa a muito tempo e estava voltando com o bichinho do ciúme consumindo suas entranhas. Porém, ele tinha plena convicção que parte dessa aproximação afetiva dos dois era culpa dele, pois havia deixado Ino abandonada por muito tempo em uma ala do castelo enquanto ele se distraia seja com Matsuri seja com suas obrigações de chefe de Estado. Ele sabia que deveria ter dado mais atenção para a sua esposa e quando havia se comprometido com essa missão foi obrigado pela diplomacia a ir para Konoha, lutar uma guerra que em partes não era sua. Entretanto, confiava que seu irmão e Ino não o trairiam, era até bobo achar isso.

Gaara havia experimentado prazer e ternura em suas últimas noites com Ino. Ele sentia a ausência do corpo quente da loira e, depois de passar tanto tempo em um ambiente recheado de cheiro de sangue e corpos em decomposição, ele sofria lentamente pela falta do cheiro adocicado que sua esposa emanava. Em seu íntimo ele percebeu um certo amargor ao lembrar da carta, pois não queria admitir para si mesmo que estava com ciúmes dela, mesmo ela sendo a sua esposa e ele sendo um homem liberal de Suna; mas ela era SUA e ele não aceitaria que ela abrisse aquelas pernas brancas torneadas para o seu irmão. Ele trincou os dentes fazendo uma leve careta, pensando: "Estou criando coisas na minha cabeça. Maldição"

X.X

Os últimos dias estavam sendo particularmente quentes e toda folga que Ino tinha ia para as piscinas internas com suas damas de companhia, e às vezes Kankurou se juntava à elas, por puro interesse em Tenten. Em determinados momentos Ino sentia falta do frio de Konoha, da risada de Naruto, sentia saudade de Sakura. A carta que havia escrito solicitando à Minato e aos Uchiha que entregasse Sakura para ser sua dama não havia tido retorno, talvez não fosse do interesse dos Uchiha ou talvez esse silêncio fosse a recusa de seu pedido.

Várias vezes escreveu cartas para Sakura e as jogou fora, pois nenhuma daquelas palavras, que seriam claramente lidas por outras pessoas, iriam descrever com fidelidade a ausência de Sakura na vida de Ino. Somente uma vez havia mandado uma carta breve à dama da casa Haruno, relatando a saudade que sentia, mas não obteve nenhuma resposta da jovem de cabelos róseos. Talvez ela estivesse ocupada como senhora Uchiha ou depois do acesso de raiva dela em Suna, já não se importasse mais com Ino.

A loira suspirou aproveitando da água, colocando a mão no abdome. Ela não estava sofrendo tanto em Suna como pensava que sofreria. Mesmo com a ausência de Gaara no seu cotidiano a loira havia desenvolvido uma rotina: Dia sim, dia não ela colocava roupas simples e andava pela cidade conversando com o povo na companhia de Kankurou e alguns guardas; ela ficava ouvindo a população na sala do trono todas as manhãs e se esforçava ao máximo para atender as demandas de todos, quando tinha dificuldade com algo Baki ou Kankurou a auxiliavam; no final da tarde ela treinava a sua esgrima com os guerreiros de Suna. Porém nos últimos dias ela havia parado de sair, se sentia cansada e enjoada.

Ela sentia falta de Gaara.

Ino sentia falta da educação polida do ruivo e como ele ficava irritado sempre que ela ao ganhar galinhas de algum morador colocava-as no trono em seu lugar ou quando ela tentava demonstrar afeto e ele se esquivava. Porém, mais fortemente ela sentia falta do Gaara que ela havia convivido pouco antes dele ir para o campo de batalha novamente. Aquele Gaara ela queria para sempre ao seu lado e suas necessidades românticas estavam aflorando novamente diante da sua atual condição.

Na ausência de Gaara ela aprendeu a apreciar mais a companhia de Kankurou, achando no belo moreno Sabaku um amigo leal e se sentia feliz e satisfeita dele estar engatando em um romance com sua leal amiga Tenten. Eles pensavam que ela não notava as mãos se entrelaçando e as ausências de Tenten que sempre a faziam voltar radiante.

Esse dia em particular Ino estava pensativa. Não havia demorado muito para que ela se sentisse enjoada e sua 'flor vermelha' não mais viesse. Ela nem lembrava a última vez que ela havia vindo na verdade. Konan chamou o médico do reino, por pensar se tratar de alguma doença específica de Suna, mas estes confirmaram outra coisa, a rainha consorte estava grávida, mas o reino ainda não sabia, pois o rei não estava lá.

Ino se preocupava com Matsuri, a antiga amante do rei que havia sumido depois da viagem do monarca, o que levou Ino a crer que ela havia ido na comitiva. Poucas semanas depois de Gaara longe do reino a rainha foi informada que Matsuri estava na areia vermelha com seu noivo Sasori. Porém, essa informação deixou Ino mais preocupada ainda, fazendo seus guardas dobrarem a vigília em suas portas e janelas. Ela precisava chegar em Matsuri antes de Matsuri chegar nela, isso era o que Ino sabia.

- Vossa graça, a comitiva do rei está voltando para Suna, dizem que ele chega em poucas horas. - Uma criada entrou no recinto informando Ino e tirando a jovem rainha de seus pensamentos.

- Vamos garotas, precisam me ajudar a colocar algo mais bonito para receber o rei. - Ino sorria.

A jovem rainha de Suna estava ao lado de Kankurou e dos conselheiros aguardando pela comitiva no pátio interno da frente do palácio, ela podia ouvir os aplausos acalorados se aproximando e sentia-se feliz em ver seu marido depois de tanto tempo. Alguns guardas portando o estandarte de Suna entraram e Gaara e Temari entraram em seguida, em seus cavalos majestosos. Os irmãos da areia, Temari estava com marcas vermelhas em seu rosto, como garras; Gaara parecia um deus da morte com marcas pretas ao redor dos olhos e linhas vermelhas descendo em suas bochechas até o pescoço alvo.

O coração de Ino martelava descompassado em ver que Gaara havia voltado são e salvo, mas o semblante dele parecia rígido como se estivesse sido esculpido em pedra e isso a deixou receosa.

Gaara desceu de seu cavalo, assim como Temari, e visualizou Ino em toda a sua glória loira com seu vestido dourado, com flores ornamentando seu busto proeminente carregando em sua cabeça a coroa típica das rainhas de Suna, uma jóia de ouro ornamentada com rubis em formato de gotas de diversos tamanhos, a coroa vermelha de Suna. O ruivo ignorou todas as pessoas ao seu redor, seus conselheiros e seus irmãos; ele se dirigiu rígido para a loira, puxando-a com violência para dar-lhe um beijo. A loira não se importava de estar com seu rosto pintado com as cores de Gaara, apenas sentia-se feliz por ele ainda a desejar, por não ter seguido para sua amante. Ino se sentia segura de estar novamente nos braços de Gaara.

- Eu disse que voltaria para você. - Gaara disse ao ouvido de Ino, sugando o máximo que podia do cheiro dos cabelos sedosos dela.

- Vossa graça… - Baki se aproximou do casal.

- Não tenho o direito de ver a minha esposa primeiro? - Gaara perguntou friamente interrompendo seu conselheiro enquanto apertava a fina cintura de Ino contra si mesmo, possessivo.

Ino colocou as mãos nos braços dele, afastando-o delicadamente.

- Está tudo bem! O conselho precisa da sua presença. - Ino sorria, com seu rosto agora com manchas negras - Estarei aqui para você.

- Você tem sorte Baki. - Gaara disse friamente, dando mais um beijo breve em Ino e seguindo com seus conselheiros.

Ino observou o ruivo ir embora sentindo seu coração disparado. Deu ordens para as criadas servirem um grande e delicioso banquete aos soldados e que preparassem algo suculento para o rei, nos aposentos dele.

Depois de sua reunião com o conselho e após ouvir todas as novidades Gaara sentia em seu peito a urgência em falar em particular com Ino, com sua Ino.

- A rainha está nos aposentos dela? - Gaara perguntou para Anya, a chefe da criadagem, que o aguardava.

- Rainha Ino solicitou que seu jantar fosse servido em seus aposentos, pois não se sente bem e deixou tudo preparado para vossa graça.

- Senhora Anya, tomarei um banho em meus aposentos e comerei, mas peço que avise a rainha que irei aos seus aposentos logo após as minhas refeições.

- Sim, vossa graça. - Anya saiu pelos corredores.

Gaara demorou mais do que queria para se livrar de toda a sujeira, que foi substituída por cansaço da viagem e da batalha que havia sobrevivido. Ao adentrar nos aposentos da rainha a sala comum estava à meia luz e Ino, que o aguardava recostada no umbral da porta trajando uma camisola semi-transparente, virou-se de frente com os cabelos loiros trançados e pendendo em um de seus ombros. Gaara sorriu pela primeira vez em semanas, observando os contornos sedutores de Ino, os quadris, seus seios… Ele se sentia aliviado de poder ver Ino novamente, não havia dito que a amava, nem nada do tipo, mas só de vê-la sentia seu coração arder no peito.

Gaara não se contentou de apenas ficar olhando para a loira, marchou para ela, puxando-a para si, a fim de selar seus lábios nos dela. A surpresa de Ino se desvaneceu ao sentir a língua masculina dançando com a sua. As mãos dele segurando-a firmemente contra si.

- Senti sua falta, rainha de Suna - A voz rouca de Gaara chegou aos ouvidos da loira que sentiu seu corpo quente apesar do arrepio de excitação.

- Espero que não tenha se deitado com muitas mulheres em meu país. - Ino o provocou.

- Jamais, pois nenhuma era você - Gaara dizia no ouvido da loira enquanto a abraçava, desmanchando os fios trançados para cheirar livremente os fios dourados de sua esposa.

- Então confessa que não se deitou com outras? - Ino sentia o ciúme despontando dentro de si.

- Ino, temos coisas mais importantes para fazer agora. - O ruivo disse impaciente levando-a para a cama.

A loira o observava após fazerem amor, sentindo ainda os espasmos do ato fugaz. Gaara beijou o ombro a loira passeando com as mãos pela cintura e barriga da jovem, deixando-a novamente arrepiada ao toque masculino.

- O que há? - Gaara perguntou por fim.

- Como estão todos em Konoha? - Ino tentava sondar se tudo que havia ouvido de Neji era verdade.

- Não tão bem. Minato está doente e a que parece o que aquele imbecil disse é verdade, a Senhora Hinata não se encontrava bem, mas já está se recuperando, assim como o seu bebê, Boruto. - Gaara a respondeu, demonstrando irritação à menção de Neji.

- Espero que Hinata e o bebê fiquem bem. Espero de verdade. - Ino confessou. Ela não queria mais voltar para Konoha, não definitivamente.

- Tenho notícias da senhora Uchiha. Ela descobriu estar grávida assim que voltou de Suna. Sua amada terá um herdeiro para os Uchiha. - Gaara deu a novidade para Ino com um pouco de inveja, não sabendo ao certo se era do carinho de Ino por Sakura ou da perspectiva de um herdeiro.

Ino sorriu ao ouvir aquilo. Saber que tanto ela quanto sua querida Sakura estavam se garantindo em seus casamentos era bom. Ela a queria feliz, mesmo que a distância. Um bebê para os Uchiha, único motivo para ela não responder suas demandas e cartas. Ino entendia tudo agora.

- Estou carregando um filho seu. - Ino disse devagar como se fosse uma confissão - Estou grávida.

O rosto de Gaara se iluminou e ele que estava ainda com a mão na barriga da loira sorriu olhando para o local onde mais abaixo estava sendo gerado seu futuro filho ou filha.

- Teremos um herdeiro? - Gaara perguntou sem acreditar ainda.

- Ou herdeira. - Ino sorriu.

O ruivo a abraçou, beijando-a com entusiasmo.

- Precisamos contar ao reino! - Gaara sorria bobamente, pois ele teria seu herdeiro.

- Os médicos confirmaram algumas semanas depois que você foi para Konoha, mas estávamos o esperando para dizer. Fiz até Baki prometer não contar.

"Então era um truque para me afetar…" Gaara pensou.

- E sua amizade com Kankurou, como está? - Gaara perguntou, ciumento.

- Bem. Ele tem sido muito bom para mim na sua ausência. Sinto muito inclusive. Por minha causa… meus enjôos e mals estares sinto que atrapalhei o namoro dele e de Tenten.

- Tenten? Sua dama? - o ruivo estava confuso.

- Sim, seu irmão pediu para cortejá-la um pouco após chegarmos aqui, pensei que sabia. Inclusive acho que Kankurou estava esperando a sua volta para pedir permissão para o casamento. - Ino falava enquanto brincava com uma mecha de cabelo dele.

- Pensei… Eu… - Ino conseguia perceber que ele havia ficado sem jeito.

- Pensou que ele passava os dias aqui se divertindo comigo na cama e que seu herdeiro era na verdade filho dele? - Ino disse, por fim, o que ele estava gaguejando - Já disse Gaara… Não tenho interesses aqui além de você.

Gaara ficou sobre a loira, com um sorriso discreto.

- Devo aproveitar então, que os interesses da rainha estão em mim o quanto eu puder, pois logo me deixará por nosso bebê.

Ino riu, empurrando-o de volta para a cama e se aninhando no peito dele confortavelmente a ponto de se sentir sonolenta. Aquele momento de alta intimidade entre eles era algo novo que estava deixando os dois satisfeitos.

X.X

Tenten estava no pátio treinando com Kankurou em um dos pátios laterais. Ele adorava treinar com a morena, pois que ferocidade que ela demonstrava em cada golpe era totalmente similar à doçura dos gestos dela quando estavam a sós em seus momentos de casal.

- Agora que Gaara voltou irei oficializar nosso relacionamento. Pedirei aos monarcas a benção para o nosso casamento. - Kankurou falava feliz enquanto eles tomavam água ao final do treinamento.

- Estou nervosa com isso. Se Gaara não aprovar…- A morena estava receosa.

- Ino já deve ter convencido ele, já que estão matando a saudade um do outro desde ontem a noite.

Tenten ficou corada com a menção capciosa ao romance carnal, pois era algo que seu relacionamento ainda não havia alcançado para que Tenten não perdesse sua nobreza, conforme as regras de Konoha.

- Teremos compromissos com as crianças do orfanato hoje. Espero que Ino esteja disposta. - Ela tentou mudar um pouco o assunto.

- Espero que você esteja disposta minha amada, pois pretendo ter muitos filhos com você e viver ao seu lado o infinito número de estrelas que existem no céu.

Tenten sentia seu rosto quente de vergonha sempre que Kankurou falava coisas absurdamente românticas para ela.

- Kankurou… Você é tão fofo sendo romântico. - Os olhos de Tenten brilhavam.

Kankurou deu um beijo breve e casto na mão da jovem. Se afastando dela em seguida.

X.X

A família Sabaku estava reunida novamente, era o que pensava Temari sempre que se encontrava com seus irmãos e até já contabilizava Ino como sendo uma Sabaku completa por estar fazendo tanto bem ao reino de domínio de sua família, assim como a perspectiva de um bebê que ela agora carregava em seu ventre, conforme foi informado ao reino no dia anterior.

Kankurou limpou a garganta e pediu a atenção dos demais na sala do trono.

- Vossa graça, peço vossa benção para me casar com a senhorita Mitsashi Tenten, dama de companhia da rainha Ino.

Gaara olhou para Ino que apenas sorriu dando de ombros.

- Se a rainha permitir não tenho motivos para negar seu pedido Kankurou. - Gaara respondeu satisfeito de ver seu irmão radiante apesar de nervoso com aquela situação.

- Vossa senhoria tem toda a minha benção. Desejo felicidades ao casal, marcamos o casamento para o mais breve possível.

- Sim, vossa graça. - Kankurou agradeceu feliz.

Temari abraçou o irmão mais velho assim que ele terminou sua demanda aos monarcas.

- Meu irmão vai se casar! - Temari exclamou o deixando constrangido. - Gaara demonstrando sentimentos, você amando alguém. Realmente sinto que não preciso mais lidar com vocês. Estão todos formando famílias.

- Você nunca foi obrigada a cuidar de mim e de Gaara, mas agradeço o cuidado se é o que quer ouvir. - Kankurou fez uma careta e saiu da sala, indo comemorar com Tenten fora da sala do trono.

- Abusado. - Temari riu ao reclamar baixinho para si mesma.

Temari observava Gaara e Ino em seus tronos. Ele a olhava com profunda dedicação e mesmo involuntariamente ele demonstrava o seu carinho: Colocando a mão sobre a da loira. Cochichando algo e fazendo-a sorrir. Ela via como ele tratava Matsuri e não tinha nem a metade do brilho nos olhos que existia com os olhares que ele dava para Ino. A amante era apenas a amante, e ela percebia que por Ino ele tinha sentimentos diferentes, ousava dizer até que profundos.

Temari estava orgulhosa.

A estadia da senhora Nara em Suna já tinha se prolongado por mais de dois meses e ela se preocupava com suas próprias demandas e com seu filho sozinho aos cuidados da criadagem em Konoha. Ela sabia que Shikamaru era um pai excelente, mas sentia falta de seu próprio cuidado com seu rebento. Sua comitiva de viagem de volta para Konoha estava se organizando para partir, mas ela queria falar com Ino, não conseguia ver a rainha por muito tempo a sós, pois ela sempre estava com algum compromisso real ou passando mal devido aos primeiros meses de gravidez.

Temari foi anunciada nos aposentos da rainha, que estava bordando com suas damas na sala de estar. Ino pediu para as damas saírem do aposento, pois sabia que Temari gostava de privacidade.

- Senhora Nara. - Ino a saudou oferecendo a poltrona para Temari sentar

- Fico contente que você esteja adaptada em Suna, espero inclusive que sua gravidez seja tranquila e seu filho seja abençoado.

- Obrigada Temari. - Ino agradeceu com sinceridade.

- Se precisar de ajuda não hesite em pedir. Virei correndo com Shikadai. - Temari sorria.

- Eu agradeço, mas acho que já a tiramos o suficiente das suas obrigações em Konoha.

- Tenha cuidado Ino, pois Matsuri está quieta demais.

- Eu sei… Estou ficando cada vez mais fraca e em poucos meses ficarei pesada e não conseguirei realmente me defender sozinha, mas conto com os guardas e com Tenten para me defender. - Ino compreendia onde Temari queria chegar com aquele assunto.

- A rosa de Konoha não pode ser subjugada.

- Não serei. - Ino garantiu.

Temari se levantou e abraçou brevemente Ino, voltando em seguida para sua poltrona novamente.

- Ino, cuide de Gaara. Ele mudou muito e percebo que foi por sua causa. Fico feliz por isso inclusive. Faziam anos que eu não via mio gemello tão relaxado e até mesmo feliz. Você deu à ele motivações para voltar para casa e ser a melhor versão dele mesmo.

- Estamos tentando ser o melhor pra Suna, um dia de cada vez. - Ino sorriu.

- Volto para Konoha sabendo que estou deixando meu irmão com a melhor das mulheres desse mundo. - Temari se levantou para sair e lembrou de algo - Ah, obrigada pelo que fez por Kankurou também, sempre pensei que ele seria um solteiro convicto, um bon vivant para toda a vida.

- Quanto a isso o mérito é todo de Tenten, ela que soube desvendá-lo. - Ino riu e Temari deu de ombros.

As duas se despediram e Temari seguiu, sabendo que estava voltando para seu filho com tranquilidade.

X.X

Gaara estava observando Ino dormir, a barriga proeminente de sete meses da loira já o deixava animado para ver seu futuro filho. Ele podia ver as breves movimentações do bebê e como estas deixavam Ino incomodada. O ruivo colocou uma de suas mãos no abdômen da esposa.

- Deixe sua mãe dormir monstrinho. - Ele sussurrou e Ino se remexeu.

Os problemas de sono de Gaara voltaram por temor da loira sofrer em sua gravidez e mesmo os médicos dizendo que ela estava plena e saudável ele se preocupava. Mesmo Ino dizendo que estava bem, ele temia por ela e pelo bebê.

- Não vai acontecer nada de errado com ela Gaara, é o primeiro de seus filhos, não se preocupe tanto. - Baki o aconselhava em vão.

Os primeiros raios de sol surgiam no horizonte e Gaara havia caído no sono abraçando a barriga de Ino. Isso era uma rotina atualmente. A loira acordava com os chutes do bebê querendo se 'desabraçar' do casulo protetor de Gaara.

- Gaara… Você deveria tentar dormir direito. - Kankurou o alertava após as reuniões do conselho, por ver o irmão a cada dia mais irritado pela privação do sono.

- Eu te dei uma missão: Achar Matsuri. Enquanto ela estiver nas sombras não posso dormir, ela tentará matar meu filho. - Gaara exclamou olhando irritado para o irmão.

- Já tentamos, parece que ela saiu do país do vento. Ela sumiu Gaara. - Kankurou não gostava de falhar em sua missões, mas Matsuri era difícil de ser localizada.

- Minha família não está segura desse jeito.

- Ino está no palácio, protegida, não se preocupe tanto assim. - Kankurou tentava o acalmar.

- Preciso proteger Ino e o bebê. - Gaara finalizou.

As trombetas de visitantes foram tocadas e os irmãos Sabaku se entreolharam. Nenhuma carta havia sido mandada, logo deveria ser um mensageiro. Ino estava na sala do trono em seu vestido de seda cor de mostarda e sua coroa vermelha. Gaara se sentou no trono ao lado do dela, passando a mão brevemente sobre a barriga da esposa.

Quando as portas da sala do trono se abriram, os membros da corte entraram e os visitantes também. Surpreendendo os monarcas ali estavam os lordes das casas Nara e Akimichi de Konoha.

- Vossa graça, desejamos saúde plena para vós e vosso futuro herdeiro. - Chouji sorria ao falar com sua velha companheira de guerra.

Ino apenas assentiu, grata.

- Vossa graça, a maternidade lhe cai bem. Permanece radiante em seu estado delicado. - shikamaru elogiou a jovem rainha.

Gaara estava irritado com aquela visita.

- Creio que os senhores não viajaram tantas milhas apenas para cumprimentar a gravidez de minha consorte. A que devemos a honra?

Shikamaru se adiantou em responder.

- De fato vossa graça. Temos um assunto importante para tratar com os dois monarcas sobre algo importante para a rainha. - ele tirou da casaca uma carta selada com o símbolo da folha e estendeu a mão se ajoelhando.

Ino olhou alarmada para Gaara, que se levantou para pegar o envelope. O ruivo quebrou o selo e leu o conteúdo da carta rapidamente e acenou para a sala privativa.

- Vamos para a sala privativa do conselho.

Os quatro seguiram com os guardas para a sala afastada. Ao chegarem lá, Ino se acomodou em uma das cadeiras e Gaara dispensou os guardas do interior da sala.

- Ino, é para você. - Gaara entregou a carta para a loira. - Minato está morrendo.

O coração de Ino acelerou ao ouvir aquela frase e pode constatar na carta que Minato estava a chamando, pois ele estava falecendo.

- Meu pai... - A frase morreu na boca da jovem que estava se sentindo nauseada. O bebê estava se remexendo devido a agitação da mãe.

- Quando fui para Konoha ele já não estava bem. Fui auxílio de Naruto e não de seu pai. - Ino olhava confusa para Gaara - Não pensei que o estado dele fosse realmente fatal.

O ruivo estava de joelhos na frente de Ino que estava tentando se manter sã diante da situação.

- Viemos para escoltá-la até Konoha vossa graça. - Chouji informou.

- Se o rei permitir a vossa viagem, vossa graça. - Shikamaru completou.

Gaara ficou agitado de súbito.

- Ela não irá. Está quase a ponto de ter o bebê, não é sensato ela ir. - Gaara exclamou.

- Eu irei. - Ino falou e todos a olharam como se ela nunca tivesse proferido uma palavra em toda a sua vida - por favor Gaara, preciso ir, meu pai está morrendo.

- Ino, viajar nessa condição pode ser danoso para você e o bebê. - Gaara protestou.

- Shikamaru é o marido de sua irmã, sei que ele cuidará para que nada me aconteça. Assim como, espero na volta poder contar com Suna para me manter segura.

- Se é o que você quer, não posso pedir que fique ou impedir que vá. - Ele assentiu a contragosto.

- Precisamos partir o mais rápido possível vossa graça. - Shikamaru não conseguia esconder o medo de chegar com Ino em Konoha e o rei já ter falecido.

- Partiremos após a refeição. - Ino anunciou.

Os arranjos para a viagem foram feitos e Gaara estava de semblante fechado por ter que ver sua esposa partir para uma viagem de risco levando em seu ventre, seu filho. As damas de Ino estavam indo com ela, para dar todo o suporte necessário em caso de emergência.

- Se algo acontecer com você Ino…

- Nada vai acontecer, deixe de ser bobo. - A loira sorria. - Em quatro dias estaremos de volta.

Gaara beijou a barriga da esposa.

- Se comporte monstrinho. - Ino sempre ria com ele chamando o bebê de monstrinho. E segurando o rosto da loira ele pediu - Fique bem e volte pra mim, rosa de Konoha.

- Voltarei, monstro da areia. - Ela garantiu. Queria poder abraçá-lo, mas estavam em público e ela sabia que não deveria, não partindo dela.

A escolta de Konoha seguiu com a carruagem da rainha e suas damas estrada a fora, rumo à Konoha. Ao entrarem na estrada Ino suspirou alto, pondo as mãos na barriga em um carinho ao seu bebê.

- Ele está ficando agitado. - Ino falava com dor.

- Provavelmente pelo balanço da carruagem Ino. Deseja se deitar? - Konan perguntou preocupada.

A jovem de cabelos azulados sabia que Ino estava sentindo dores nas últimas semanas, mas não falava para o rei, pois ele ficava mais neurótico conforme os meses se passavam. As damas sabiam, pois ficavam com ela a maior parte do dia e Konan conseguia ver que Ino estava fingindo normalidade.

- Sim, para ver se o monstrinho se aquieta um pouco. - A jovem agradeceu a solidariedade de suas damas.

A viagem até Konoha foi tranquila apesar dos protestos do bebê de Ino, ao cruzarem pelas florestas o clima foi ficando mais ameno e como Ino já estava há quase três anos em Suna começou a sentir dificuldades com a temperatura do país do Fogo. Ao adentrar em na cidade fortificada a jovem rainha de Suna já estava trajando um casaco pesado sobre seu vestido de seda. Ela não tinha roupas pesadas para o clima de Konoha, pois ela nem deveria sair de Suna. Porém, a situação que a levava até seu reino natal não era das mais divertidas.

A comitiva entrou pelo portão de caça, pois nem a população, nem a corte deveriam saber que Ino estava no reino, geraria comoção. Ao sair da carruagem Ino pode ver Naruto, Hinata e Kushina à sua espera.

- A rosa de Konoha… Ou ela já é um cacto de Suna? - Naruto gracejou ao ver a irmã descendo da carruagem - Uma honra tê-la em nosso lar, vossa graça.

- Sou uma melancia de Suna no momento. - Ino fez uma mesura - Sou grata de poder estar aqui, vossa graça.

- Ora, parem os dois. Parecem bobos da corte. - Kushina grunhiu ao olhar para os jovens travessos.

- Vossa graça. - Ino fez uma breve mesura à ruiva.

- Vossa graça é bem vinda, mas não deve ser vista pela população, nem pela corte. Assim como chegou deve partir, brevemente. - Kushina permaneceu rígida.

As palavras de Kushina surpreenderam Naruto, as damas de Ino, e os lordes da comitiva, mas não Ino. Para a loira a indiferença de Kushina não lhe era incomum.

- Preciso apenas lavar o rosto e comer algo quente. Atender ao pedido do rei e voltar para meu reino. Não pretendo ficar aqui mais do que o necessário. Não precisa se preocupar comigo. - Ino retrucou no mesmo tom de sua mãe.

- Não estou preocupada. Tenha seu tempo, mas não esqueça que ele é breve. - Kushina rebateu indo embora para o centro do castelo sem olhar para trás.

Naruto e Hinata estavam constrangidos com a cena que havia se passado. O bebê se revirou empurrando as costelas de Ino, que mordeu os lábios para não escapar um grito de dor, assim como tocou em sua barriga pensando em frases amistosas.

- Ino? - Tenten segurou no braço da loira.

- Eu estou bem. Vamos logo fazer o que devemos fazer. - Ino respirou fundo ao responder. - Lorde Nara, alimente os cavalos e instrua os cavaleiros para nossa volta à Suna amanhã.

Shikamaru obedeceu fielmente sua amiga de infância e susserana.

- Ele também é inquieto? - Hinata perguntou indo ao encontro de Ino e tocando na barriga dela.

Ino acenou que sim com a cabeça enquanto sorria.

- Faça movimentos circulares e cante para ele. Seu filho tem o seu espírito de guerreiro ao que parece. Não esperaria menos de você. - Hinata falava enquanto acariciava a barriga da loira pelo tecido fazendo o bebê se acalmar.

- Obrigada Hinata. - Ino estava com os olhos mareados. - Espero que sua saúde esteja recomposta minha amiga.

Tenten puxou levemente Ino que se recompôs e seguiu com suas damas para um recinto preparado para recebê-las. Ino estava enjoada diante do tratamento hostil que havia recebido de Kushina e sabia que deveria ir embora o mais rápido possível.

X.X

Matsuri estava comendo uma fruta, não se importando com o suco escorrendo por seu queixo e caindo em seu decote, enquanto era observada pelos olhos de águia de seu mais novo parceiro de negócios.

- Então a putana está em Konoha? Significa que vai me ajudar então?

- Sim e não. Você me dá Ino e segue para consolar seu rei do deserto da grande traição de sua consorte. Isso dependerá mais dos seus talentos do que dos meus. - Ele respondeu tomando um gole de seu vinho.

- Meus mercenários irão aguardar no deserto para pegar a princesinha e jogar para você, mas… e o bebê?

- Infelizmente um mal necessário para que eu consiga o que eu quero. - O jovem deu de ombros

- Uma pena que você a quer viva. Eu ia adorar matá-la lentamente e ao bebê.

O jovem se levantou fazendo seus cabelos voarem livremente graças ao vento. Ele fitou Matsuri com seus olhos cinzentos e frios.

- Psicopata. - ele disse

- Pervertido - Ela retrucou rindo.

- Não a machuque ou nosso trato será finalizado.

- Não se preocupe Neji… vai ter a sua escrava ainda essa semana.

Matsuri ria alto, incomodando Neji. Os planos dele não eram sobre Ino como mulher, nunca foram e sim sobre Ino como detentora de um título que ele queria tomar para si e com Minato quase morto ele poderia colocar seus planos em prática.

X.X

Após se alimentar e descansar um pouco foi levada até os aposentos do rei. Kushina não estava no recinto quando Ino entrou e viu seu pai deitado entre os lençóis, pálido.

- Ino… Como é reconfortante poder olhar para você novamente. - Minato sorriu para a jovem que estava se sentindo em uma cadeira acolchoada, próxima à ele.

- Sinto muito por você estar desse jeito, pensei que ainda o veria ensinar meus filhos a caçar em Konoha. - A jovem não conseguiu esconder suas lágrimas.

- Sinto por isso também, mas não a chamei aqui para isso Ino… - Ele falava com dificuldades - Preciso que me perdoe.

- Perdoar? - Ino ficou surpresa

- Roubei seu direito de nascimento - ele tossiu - Seu direito de ser rainha de Konoha.

- Naruto tem esse direito, ele é o filho homem. Nada meu foi roubado… Sou rainha de Suna.

- Preciso te falar... - Ele teve mais um acesso de tosse

- Se acalme pai. Não há nada a ser perdoado. Você tem que descansar

- Não… Sou… Seu Pai.

Aquela confissão. Aquela frase. Aquela única frase que assombrou Ino a vida inteira. Ela estava ouvindo ou era um delírio de Minato?

- O quê? - Ino perguntou

- Konoha estava em guerra, meu primo Inoichi era o rei, mas os lordes não gostavam como ele reinava e quiseram ele fora do trono. Os Yamanaka reinavam e foram dizimados. - Ele falava com breves pausas para retomar o ar.

- Você está delirando, se enganando, isso aconteceu há mais tempo…

- Não aconteceu. Fizemos um pacto de silêncio e ensinamos a nova geração que foi assim… Você nasceu na mansão Yamanaka. Foi onde sua mãe morreu de parto. Eu a trouxe para o castelo. Kushina… Ela não queria você viva. Naruto nasceu um dia após você vir para cá. Nós…

- Vocês mentiram para mim. - Ino concluiu, abalada.

- Mentimos para todos. Estávamos em guerra. O nascimento de vocês selou a paz da morte de Inoichi, os gêmeos abençoados de Konoha.

Ino se levantou e andou pelo quarto esperando o acesso de tosse de Minato diminuir.

- Não posso crer nisso. Não é real.

- Você é… Ino da casa Yamanaka, rainha por direito de Konoha. Você foi roubada por mim. Seus direitos passados à Naruto, meu único filho.

- Minha vida inteira… Por isso vocês não gostam de mim? Claro...

- Eu a amo como minha própria carne, mas Kushina não. Eu a mandei para longe para protegê-la da fúria de Kushina. A propriedade dos Yamanaka e a subordinação dos Akimichi e Nara, tudo é seu por isso, como reparação por meus pecados. Me perdoe Ino.

Ino voltou para perto de Minato e segurou as mãos dele, ela estava tremendo ao segurar as mãos frias dele, mas sabia o que deveria fazer.

- Não tem o que ser perdoado, mas se precisa ouvir, eu o perdôo. Eu o amo como se fosse meu próprio pai e entendo suas razões. Não guarde mágoas para a outra vida. Sou sua filha e o amo.

Minato chorava ao ouvir Ino e fechou os olhos tossindo entre soluços.

- Você tem que descansar agora. Voltarei para Suna amanhã, mas quero que saiba que meu lugar é lá, sou feliz sendo princesa dos Namikaze e rainha de Suna; meu filho será herdeiro do país do vento pelos Sabaku. Essa é a minha vida e minha história. - Ino sorria entre as lágrimas.

Ino se despediu de Minato e saiu do quarto cambaleando. Ela estava muito abalada com o que havia ouvido. Ela sentia-se fraca, o corredor havia sido esvaziado para a visita especial dela ao rei. A loira podia ouvir seu coração acelerado e o bebê ficando a cada momento mais inquieto. Ao virar no corredor teve que se apoiar nas paredes, ela sentiu o líquido viscoso escorrendo por suas pernas.

- Não, por favor não. - Ela já estava chorando e caindo devagar no chão.

Por algum milagre, Naruto havia sentido que deveria ir ver como estava a conversa entre Ino e seu pai. Ao entrar na galeria do corredor visualizou Ino sentada no chão e correu até ela.

- O que há? - foi então que ele viu sangue.

- Sakura… Sakura… Sakura…- Ino balbuciava o nome de sua eterna salvadora

- Você precisa de um médico Ino. - Naruto quase caiu ao colocá-la em seus braços e andou o mais rápido que pôde até o local onde ela estava hospedada.

Ao entrar no quarto de visitas, Konan e Tenten apesar de assustadas fizeram de tudo para auxiliar o jovem príncipe que estava quase cedendo ao peso da irmã. "vou chamar um médico" ele gritou saindo do quarto.

- Coloque as almofadas embaixo dela para deixar o quadril mais elevado - Konan ordenava.

- Ele não pode vir ainda, não aqui. Não aqui. - Ino falava chorando.

Diante do que havia ouvido ela estava com medo de ter seu filho morto, de ser assassinada. Ela estava em pânico. Estava em um lugar que era perigoso para ela agora.

- Ele não vai nascer agora. Foi o estresse Ino. - Konan tentava acalmar a jovem.

Sakura invadiu o quarto juntamente com o médico da família Hyuga, subordinado à Hinata. Não demorou para Sakura dar ordens para trazerem água e toalhas.

- Quem a colocou com o quadril para cima? - Sakura perguntou, feroz.

- Fui eu. - Konan respondeu segura.

- Fez um bom trabalho. O bebê vai ficar onde ele deve estar dessa forma. Você agiu rápido e certo. - Sakura a tranquilizou e foi para a cabeça de Ino - Não chore, ele vai ficar bem.

Ino queria falar vários impropérios para a rosada, mas a preocupação com seu bebê a impedia de pensar corretamente. O médico deu um calmante para Ino e garantiu que o bebê não iria nascer ainda.

- Mas vossa graça deve evitar situações de estresse, caso contrário o bebê nascerá antes do tempo. - O médico falava calmamente.

- Voltarei amanhã para Suna, onde ela ficará mais confortável. - Tenten informou.

- Não deveria viajar com ela nessas condições. - O médico falou seguro.

- Já está tudo acertado. - Tenten protestou

- Não se preocupe Yujin, vou com ela até Suna e garantirei que o bebê nasça no tempo certo, sou a nova dama de companhia da rainha Ino. - Sakura o assegurou.

- Está bem senhora Sakura. - Yujin tinha medo de confrontar Sakura.

- Você? - Ino estava ficando sonolenta

- Descanse Ino. - Foi a última frase que a loira ouviu antes de tudo escurecer.

Sakura e Konan limparam com panos úmidos o sangue das pernas de Ino e trocaram suas roupas sujas por um belo vestido azul marinho de brocado que Sakura havia trazido da mansão Uchiha e que outrora pertencera à Konan em sua gravidez.

Ino acordou quando estava anoitecendo e vou Sakura bordando em uma poltrona próxima à ela.

- Meu bebê…- Ino disse assustada.

- O seu bebê está bem e dentro do seu ventre, vossa graça. - Sakura a informou.

- Você é minha dama então.

- Minato guardou o segredo para 'me dar de presente' para você nesse momento complicado, além do fato de eu ter passado meu tempo lidando com minha própria filha.

Ino se acomodou na cama e suspirou alto. O seu lar sempre a surpreendia, seja negativa ou positivamente.

- Partiremos nas primeiras horas da manhã. - A loira informou Sakura

- Estou ciente e com tudo pronto vossa graça.

- Não me chame assim, sou Ino para as minhas damas, nada mudou no nosso ambiente privado.

- Estou apenas tirando sarro de ti. Sempre foi muito fácil. - Sakura ria.

- E sua filha? - Ino ficou preocupada de repente.

- Com os Uchiha, claro. - Sakura ficava triste, mas uma prioridade de cada vez.

- Sinto muito. - Ino falou sincera.

- Está tudo bem. Ela irá me visitar sempre que possível. - Sakura garantiu.

- Ainda me sinto sonolenta. - A loira se aninhou nas cobertas.

- Descanse Ino. Descanse. - Sakura falou melodiosamente.

Na manhã seguinte a comitiva de Ino seguia para o portão de caça quando os sinos começaram a soar. O rei Minato estava morto. A rainha de Suna fez uma oração silenciosa enquanto suas damas entravam na carruagem. A loira viu o rastro ruivo se aproximando e permaneceu parada.

- Você não deve mais voltar aqui. Nunca mais. Agora começa o reinado de Naruto. - Kushina exclamou se aproximando de Ino, com um casaco sobre sua camisola e claramente de olhos inchados de chorar.

- Meu reino é em Suna, vim para atender o último desejo de meu pai. - Ino respondeu.

Kushina se aproximou segurando o braço de Ino e falando somente para ela ouvir.

- O que ele te falou é um segredo! Está me ouvindo? Se você começar a desejar o reino do meu filho irei esmagá-la com minhas próprias mãos.

Ino a empurrou com violência, não se importava com os outros olhando.

- Não se preocupe Kushina. - Ino disse enojada- Vida longa ao rei Naruto, que seu reinado seja próspero - a jovem continuou falando ao se afastar para entrar da carruagem e olhou para o cocheiro - Vamos embora. Nossa presença não é mais bem vinda nesse reino.

Nenhuma lágrima foi derramada por Ino diante da confirmação da morte de Minato, mas ela se sentia triste por não poder estar na nomeação de Naruto e provavelmente somente Gaara viria para a coroação dele. Mesmo agora sabendo que ele não era seu irmão de verdade, ela o amava profundamente e queria que ele estivesse bem com a atual reviravolta em sua vida.

O bebê estava calmo na viagem de volta e Ino estava absorta em pensamentos a ponto de não notar que estava sendo observada por Sakura.

- Kushina a ameaçou? - a jovem quebrou o silêncio.

- Sempre. - Ino riu fracamente.

- Não entendo como pode ela ser sua mãe e a tratar tão mal. Vaca. - Tenten exclamou furiosa.

- Sempre foi assim. A predileção ao filho homem apenas. - Ino tentou amainar a situação.

- Pensei que ela seria menos hostil com você agora que está em Suna.

- Sou uma ameaça para eles só por estar viva. Eles roubaram o meu trono em Konoha. - Não era mentira se Ino parasse para pensar.

- Mas você já é rainha em Suna, desde criança seria assim. - Sakura ressaltou esse ponto importante - Sendo assim, pra que ser hostil?

- Não sei… O importante é que estamos indo para Suna e vou poder descansar até o bebê nascer. - Ino estava ficando chateada com aquele assunto.

A jovem rainha se acomodou na janela e fechou os olhos, estava cansada daquilo. O questionamento de Sakura era plausível, mas será se ela tinha medo que os Sabaku a usassem para invadir Konoha? Será se Gaara sabia que ela era uma Yamanaka? Ela estava ficando ansiosa com tantas dúvidas.

As carruagens haviam passado pela fronteira. Três no total com vários guardas. Ino estava em uma só com suas damas e as outras eram distração, os vilarejos passavam com rapidez, pois o comboio não pretendia parar devido a condição delicada da rainha.

Eles passaram a noite inteira cruzando o deserto e pouco antes do amanhecer estavam se aproximando da cidade Estado quando vários cavaleiros encapuzados começaram a seguir a comitiva. Ino foi despertada com os sons de luta entre os guardas e sua carruagem parando lentamente.

- Protejam o ninho! - ela ouvia o codinome que haviam lhe dado.

Todas as damas já estavam despertas e olhando pelas brechas da janela os cultos lutando.

- Um ataque. - Ino exclamou

- Sim, mas não contavam que suas damas seriam guerreiras. - Sakura disse tirando sua adaga da bota.

- Não sou uma guerreira - Konan se adiantou em dizer tremendo ao ataque.

- Hoje você é e tudo ficará bem,pois protegeremos Ino - Tenten assegurou.

- Me dêem uma adaga. - Ino pediu.

- Não. Essa é a minha vez de protegê-la, vossa graça. - Sakura sorriu pegando mais duas adagas das dobras de seu vestido. - Precisamos tirá-la daqui.

As jovens saíram da carruagem com Sakura à frente, Konan e Ino no meio e Tenten atrás.

- Ali! Konan apontou aos cavaleiros de Suna que atacavam os mercenários.

As jovens começaram a correr, defendendo-se dos ataques conforme avançam até os cavalos. O objetivo dos assaltantes era Ino, pois iam com todas as forças para onde ela estava.

- Me deixe me defender. - Ino pediu, mesmo sentindo um pouco de dor com o bebê inquieto.

- Devemos fugir Ino. Não é hora pra lutar. - Konan dizia nervosa.

A loira via Sakura e Tenten, ambas com espadas, afastando os meliantes de perto da rainha. Ela que sempre havia defendido todas nas batalhas, agora era a protegida e sentia dor, muita dor. Quando estavam perto da carruagem Ino vislumbrou o brilho, flechas. Algumas subiram perto de sua cabeça, errando por pouco.

- Arqueiros! - Ino gritou para suas damas.

- Subam nos cavalos! - Sakura gritou.

Alguns poucos guardas se amontoaram perto de Ino e auxiliaram a rainha a subir no cavalo com sua dama Konan levando o puro sangue à galope para a Cidade. Sakura e Tenten subiram em outros dois cavalos para manter a guarda de Ino.

- Bater em retirada! - O tenente gritou para todos os cavaleiros.

Para Ino tudo após isso foi um borrão, sentia novamente que estava suja, provavelmente agora ela não teria como escapar do parto, seu filho estava irritado de viver fora da ação. Quando ela menos esperou um mascarado surgiu à sua frente e apontou o arco e flechas para ela, mas a dor aguda não veio e ela estava sendo coberta de Sangue. KONAN! O corpo da jovem de cabelos azuis começou a amolecer, mesmo ela tocando o cavalo ainda ao reino.

- Konan! - Ino gritou abraçando a jovem a sua frente e sentindo a flecha atravessando seu abdomên.

Konan tossiu e colocou a mão sobre a de Ino de forma protetora. Elas não estavam mais prestando atenção quando Sakura jogou uma adaga na cabeça do atacante de Konan, matando-o.

- Konan…. - Ino balbuciava

- Precisamos salvar você e o bebê Ino. - Konan falou baixinho, quase sem forças.

Os cavalos avançaram pela cidade com os guardas à frente pedindo passagem para a Rainha Ino tentava se manter firme apesar da dor excruciante que sentia, por seu bebê e por Konan. Sua bolsa havia estourado pouco após elas fugirem e Sakura precisava de um lugar no mínimo organizado para trazer o bebê ao mundo.

Elas entraram no castelo e Sakura pediu para que eles a levassem para o aposento ao qual a rainha deveria dar a luz. Assim como pediu para atenderem Konan. A movimentação com a chegada abrupta da comitiva assustou toda a criadagem do castelo. Gaara e Kankurou estavam na reunião com o conselho quando o guarda bateu na porta, assustado e nervoso de interromper a reunião.

- O que há? - Gaara perguntou irritado com a interrupção.

- Vossa graça, a rainha está de volta - O guarda estava nervoso.

- Algo a mais?- Baki perguntou achando imbecil esse motivo.

- Ela foi atacada na estrada, o bebê está vindo. - O guarda permanecia nervoso.

- O quê? - Gaara se levantou - Leve-me até ela agora

Todos os membros do conselho ficaram alarmados

- Gaara… - Kankurou chamou correndo atrás do irmão.

Gaara estava com o coração martelando enquanto corria pelos corredores pedindo à todos os deuses que Ino estivesse bem. Que o bebê estivesse bem. Tenten estava andando de um lado ao outro na porta do quarto quando viu Gaara e Kankurou vindo correndo até onde Ino estava

- Ela está aí? - Gaara perguntou com seus olhos faiscando e Tenten sabia que nada nem ninguém deveria ficar entre ele e Ino.

- Sim vossa graça, mas… - Gaara não havia parado pra ouvir, já havia invadido o recinto.

Kankurou abraçou Tenten que tremia.

- Você está bem?

- Com medo por Ino. - Tenten relaxou a ponto de se deixar chorar no ombro de seu noivo.

Gaara invadiu o quarto e viu Ino suando e gritando de dor.

- Ino… - Ele estava pasmo ao vê-la coberta de sangue - O sangue…

- É de Konan. - Ele reconheceu a voz de Sakura que estava lavando suas mãos com as criadas.

Gaara sentou-se ao lado de Ino que o viu e não conseguiu parar de chorar tamanho seu sofrimento, mas só de saber que ela já estava em Suna e com Gaara ela se sentia em paz.

- Ino, preciso que você empurre… O bebê precisa sair, empurre. - Sakura pedia e Ino obedecia

- Gaara, melhor você ir, partos são demorados e difíceis. - Kankurou falou ao irmão. - Ficarei aguardando com você lá fora.

- Ficarei aqui. - Gaara disse ao irmão.

- Vossa Graça, estaremos ao lado dela, pode ir se precisar. - Tenten disse sorrindo.

Gaara acenou positivamente e saiu do lado de Ino para a sala de estar da rainha onde ficou ouvindo, sentindo-se impotente, aos gritos de dor de Ino. Foram horas assim, horas em que eles pensavam que tudo tinha acabado, mas os gritos recomeçavam.

Sei que está doendo Ino, mas você precisa empurrar, ele já está perto.

Ino gritou ao empurrar e sentir que seu corpo estava sendo partido ao meio e acabou, com um choro fraco. Ino estava lavada em suor quando ouviu Sakura a chamando alegre, a voz melodiosa da jovem senhora Uchiha lhe parecia distante.

- Seu filho Ino, um menino. - Sakura entregou o bebê para a loira que sorria boba.

Gaara invadiu o quarto vendo sua esposa com seu filho nos braços. Ele sorriu ao ver que tudo tinha dado certo. O monarca se acomodou ao lado e Ino, abraçando-a e ouvindo os choramingos do bebê, que estava sujo de fluidos ainda.

- Shinki. - Ino disse.

Sakura não pode ver a alegria da jovem família que se formava, pois havia percebido que Ino estava sangrando e dessa vez era ela mesmo, não sangue de Konan.

- Tirem o bebê daqui, o lavem - A Uchiha solicitou para as criadas que a auxiliava sem demonstrar o temor.

Sakura estava tentando parar o sangramento, mas ele não tinha fim. Suas toalhas estavam se encharcando.

- Ino… Ino… - Gaara chamava a loira que já havia desfalecido em seus braços, ficando pálida.

- Ela está perdendo muito sangue. Estou tentando estancar. - Sakura trabalhava freneticamente.

- Você disse que… você.. - Gaara trincou os dentes e abraçou a loira que estava amolecida - Ino! Não me deixe por favor. - Ele se aproximou do ouvido dela, confessando - Eu te amo, não faça isso comigo.

- Tirem- o daqui! - Sakura pediu e Kankurou e Tenten o retiraram do quarto sob protestos.

- Não morra Ino, não morra! - Sakura pedia.

O sangramento estava parando aos poucos, mas a jovem rainha estava ficando roxa. Sakura pulou na cama sobre a loira e colocou a cabeça sobre o peito dela para ouvir o coração. Nenhum som.

- NÃO! - Sakura gritou colocando as mãos sobre o peito da jovem iniciando massagem cardíaca.

Ao fundo se ouviam os choros de protesto e fome do bebê Shinki, já banhado, nos braços de Gaara, ao longe e os minutos pareciam horas para Sakura tentando salvar a vida de sua amada Ino.


N/A: Pray for Ino.