Legendas.
'…' – pensamento.
"…" – fala.
££££££ – sonho.

AMO–TE FINALMENTE
– CAPÍTULO OITO –
– Fim e Recomeço –

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"Sakura Kinomoto,…" – retirou do bolso uma caixa de veludo branca e se ajoelhou perante ela, abrindo a caixa – "Você aceitaria passar o resto de sua vida ao meu lado,… sendo minha esposa?".

"Não faça isso!… Devolve minha boneca!… Mamãe!…" – uma menina, de cabelos castanhos escuros, na altura da orelha e olhos verdes entrou na sala fazendo bico de choro, com o irmão, de cabelos caramelo e olhos também verdes correndo atrás dela, ambos tinham quatro anos. O menino rapidamente a segurou pelo braço e apontando para o interior da sala, ergueu um dedo em frente ao rosto.

"Shhh… mamãe está meditando…" – sussurrou puxando–a para fora da sala.

"Estava meditando… você quer dizer!" – as crianças pararam antes de chegar à porta e se voltaram para a mulher em posição de Lótus no centro do salão. Ela abriu os olhos encarando–os enquanto relaxava. Levantou graciosamente e começou a andar em direção aos dois. Quando ficou na frente deles se abaixou ficando de sua altura – "Chên… quantas vezes vou precisar pedir que não incomode sua irmã?…" – passou a mão na cabeça do rapaz, bagunçando ainda mais os fios rebeldes que ele havia herdado do pai.

"Desculpe, Mamãe!" – ele abaixa a cabeça.

"Pedir desculpas não adianta… não quero que a fique importunando…" – sorriu para o filho – "Sabe que não estou brigando com você não é mesmo?" – ele balançou a cabeça. Ela olhou para a menina – "Ótimo!… E você tem que aprender a resolver esses desentendimentos sozinha T'ai… Da próxima vez que Chên pegar sua boneca… pegue outra e o force o brincar com você…" – a menina riu da careta que o irmão fez.

"Mamãe… eu já cheguei!" – ouve–se a voz de uma garota e alguns passos apressados. A mulher se levanta e olha para a porta onde uma garota de 10 anos aparece olhando para dentro da sala.

"Como foram as aulas hoje Hana?" – perguntou enquanto a menina entrava na sala sorrindo. Ela tinha os olhos cor de chocolate e os cabelos negros arrumados em um rabo de cavalo, mas ainda era a que mais se parecia com Sakura. Estava sempre sorrindo e era bastante desastrada, mas excelente nos esportes.

"Ocorreu tudo bem…" – jogou a mochila sobre o sofá da sala e sentou olhando para os irmãos – "Tivemos a primeira cota de provas hoje!… Fizemos testes de matemática, música e educação física!…" – cruzou os braços ainda olhando para os caçulas – "Vocês não deveriam estar se arrumando para irmos jantar fora?…" – perguntou vendo que os dois se entreolharam e sorriram.

"Não vamos mais jantar fora, filha!" – disse virando–se para os gêmeos – "Mas isso não significa que não precisam se arrumar… nós vamos receber visitas, por isso, quero os dois prontos antes do seu pai chegar!" – bateu as mãos e viu os dois saírem correndo numa aposta para ver quem terminava de se arrumar primeiro. Sorriu e voltou a olhar sua primogênita – "Você parece meio incomodada com alguma coisa…" – comentou.

"Entrou um aluno novo na sala,… ele veio da Inglaterra é um rapaz bem legal, mas um pouco esquisito também,… ficou o tempo todo me olhando como quem quisesse dizer alguma coisa…".

"Como assim esquisito?" – olhou séria para a menina sentando na sua frente.

"Não sei dizer,… mas no final da aula ele veio se despedir de mim… e disse que nos veríamos em breve!" – levou a mão até a cabeça meio constrangida – "e eu não entendi o que ele quis dizer!".

"Bem… veremos isso com calma depois… agora vá se arrumar também!" – Hana consentiu com a cabeça e se levantou. Deu um beijo no rosto da mãe e foi até a porta.

"Além disso,… quem vem jantar conosco hoje?" – perguntou sem olhar para trás.

"Dois amigos meus e de seu pai da época da escola e o filho deles…" – sorriu vendo a menina passar pela porta – 'Esquisito…' – pensou na descrição que a filha havia feito do aluno inglês – "poderia ser…" – murmurou levantando–se e indo para o jardim apreciar o pôr–do–sol.

Piscou os olhos verdes vendo o jardim banhado pelos últimos raios do sol. Encostou–se ao tronco da Cerejeira que ali havia e ficou observando os pássaros brincando na fonte um pouco mais a frente. Em pouco tempo estava longe, no passado.

**FLASHBACK**

"Você aceitaria passar o resto de sua vida ao meu lado,… sendo minha esposa?" – ela não desviou o olhar dos orbes chocolate nem sequer uma vez, parecia em transe. Suspirou sonhadoramente e sorriu.

"O resto desta e de quantas outras vidas eu tiver…" – respondeu enfim sem conseguir conter as lágrimas de felicidade que brotavam de seus olhos. Shaoran a havia proposto em casamento no dia anterior, mas ela não conseguia segurar toda a felicidade que sentia. Ele se ergueu e colocou a aliança no seu anelar direito. Ela o abraçou carinhosamente e sentiu que ele envolvia sua cintura.

"Eu te amo Sakura…" – sussurrou ao ouvido dela – "Não importa o que aconteça a partir de agora…" – ela ergueu a cabeça para que seus olhos se encontrassem – "eu prometo que vou te amar por todas as minhas vidas futuras…" – sem se importar com todos os convidados que os observavam, beijaram–se carinhosamente, selando aquela promessa.

**FIM DO FLASHBACK**

"Mamãe…" – Hana tocou o ombro da mulher parada sob a cerejeira, que tinha em seus olhos um ar perdido.

"O que foi minha querida?" – perguntou sorrindo para a menina que mantinha o semblante preocupado.

"Sui I está lhe procurando para confirmar o cardápio de hoje!" – disse calmamente.

"Hum,… você pode ver isso para mim, não pode?" – a menina balançou a cabeça e seus cabelos tomaram um ar um pouco rebelde. Sakura sorriu e passou a mão no cabelo dela que, agora soltos, batiam no meio das costas. O fio que havia se levantado voltou para o seu lugar. A menina prestou reverência e voltou para o interior da casa.

Sakura suspirou pesadamente. Muita coisa aconteceu desde que decidiu se casar com Shaoran. E sua vida não foi um mar de rosas.

O primeiro de seus problemas foi a antipatia que os anciões adquiriram por ela. Uma antipatia que perdurou durante anos. E em alguns momentos retorna para atormentá–la. Sempre diziam que era indigna para estar naquela posição, que era indigna de possuir as cartas. Ainda a atormentavam por causa das Cartas. Ela sorriu melancólica – 'E eles nunca mudam o disco…' – pensou lembrando que as reclamações que faziam eram sempre as mesmas.

Começou a caminhar para o interior da casa. Tinha que se arrumar também. Passou pelo quarto de Chên e T'ai e deu uma espiada para ver o que eles estavam aprontando, mas chegava aquela hora eles já estavam cansados para brincar fazendo bagunça. Foi para o próprio quarto.

Ao entrar viu sobre a cabeceira um porta–retrato onde dois jovens sorriam como se nada mais existisse no mundo além deles. Lembrou–se do dia do casamento, de como se sentia ansiosa, nervosa. Era incrível como sempre pensava que o pior poderia acabar ocorrendo. Passara o dia com o pai, relembrando da infância e adolescência e naquele dia Fujitaka lhe falou algo que ela adotou como uma doutrina no casamento.

'Não apenas de carícias e beijos se faz um relacionamento…' – pensou enquanto tomava um banho – 'O diálogo é a chave para a confiança. Quando se mantém um diálogo sincero e aberto entre duas pessoas é criada uma tipo de cumplicidade,… e essa cumplicidade é o fator mais importante em um casamento…' – estava arrumando o cabelo depois de ter se vestido – "Nunca deixe de dividir nada. Nada. Sorrisos, lágrimas, problemas, soluções, idéias, suas mágoas, frustrações. Momentos bons e ruins devem ser compartilhados, porque é isso que define um casamento, é se doar e receber o outro… Mas é claro que não deve deixar o amor de lado,…" – citou a frase como quem cita a passagem de uma peça de teatro e sorriu.

Enxugou uma lágrima que escorreu pelo seu rosto. Sentia falta do pai. Já faz algum tempo que ele partiu. Mas ele deve estar feliz ao lado de sua mãe. Sakura agradeceu aos pais por estarem sempre protegendo a ela, Shaoran e seus filhos em uma oração que fazia todos os dias e ouviu as crianças correndo pelo corredor. Abriu a porta e os dois pararam de correr no mesmo instante.

"Estão prontos?" – os dois balançaram a cabeça confirmando – "Então desçam,… vamos esperar pelo papai na sala…" – eles andavam em ziguezague pelo corredor e quando chegaram as escadas, desciam cada degrau cantarolando uma música.

Sakura os via descer com um sorriso no rosto. Sempre se lembrava dela e Touya quando os via interagir. Touya e Yukito voltaram para Tomoeda após a morte de Fujitaka, não iriam vender a casa, então era necessário que alguém cuidasse dela, morasse nela. Kero ficou morando alguns meses com os dois, mas a implicância entre os dois guardiões se tornou insuportável para Touya que via Yukito perder características de sua personalidade para dar lugar às de Yue. Depois disso Kero foi morar com Tomoyo e Eriol, que se mudaram para a Inglaterra para abrir uma filial das Empresas Daidouji. Tomoyo ligou logo após ter se mudado contando uma maravilhosa notícia. Ela estava grávida. Shaoran e Sakura foram visitá–la quando o bebê nasceu, Sakura estava grávida de seis meses de Hana na época.

Agora os negócios da empresa na Inglaterra estavam andando muito bem, após alguns problemas iniciais, principalmente com a adaptação do sistema de produção. Eles abriram algumas filiais pela Europa e para expandir o negócios estavam abrindo uma filial em Hong Kong, através de uma parceria com as Empresas Li. Tomoyo havia dito, pelo telefone mais cedo, que tinha uma novidade para contar e Sakura aguardava ansiosa pelo momento em que a prima chegaria, pois desde o aniversário de um ano de Hana que não se viam.

"Mamãe,… o papai vai demorar?" – Chên perguntou esfregando os olhos de sono.

"Não meu bem!… Ele já está vindo!" – olhou para o relógio e respirou fundo – "Mas acho melhor você e T'ai jantarem!" – os pegou pela mão e levou até a sala de jantar onde Sui I arrumava a mesa ao lado de Hana, que ajudava a decidir a decoração.

"O que acha mamãe?" – perguntou vendo Sakura entrar.

"Muito bom Florzinha!" – sorriu e olhou para a governanta – "Sui I, poderia servir o jantar desses dois?… Eles já estão ficando com sono e assim podem brincar um pouco mais antes de Shaoran chegar!".

"Sim, Sra. Li!" – a governanta saiu da sala, após prestar reverência, para retornar alguns minutos mais tarde com a comida – "Aqui está Senhores!" – ela disse sorrindo enquanto os servia – "Se comerem tudo direitinho, além de crescer e ficar fortes e bonitos como os pais de vocês, vão ganhar sobremesa!" – piscou para eles que agradeceram pela refeição antes de iniciar a ceia.

"Posso esperar pelo papai no jardim?" – Hana pediu sussurrando.

"Claro!…" – sorriu voltando a observar os gêmeos que se comportavam como gente grande na mesa, conversando aos sussurros de forma séria. A cena era motivo de graça entre os adultos.

De alguma forma aquela cena sempre a fazia lembrar–se de Yamazaki, pelo fato dele continuar a agir como uma criança. No último verão, quando foi visitar Touya em Tomoeda, ela encontrou Chiharu e Yamazaki, estavam vendendo a casa e iriam se mudar para Hokkaido. Ele tentou convencê–la de que as violetas eram flores trazidas de Marte e que as margaridas vieram do centro da Terra. Naoko é que gostaria de ter escutado aquela estória maluca. Ela se tornou uma escritora muito famosa de ficção científica, e junto a Masayuki forma o 'Casal 20' da literatura japonesa. Rika se casou com Professor Terada pouco antes de Sakura e Shaoran, eles se mudaram para a Itália e na última carta que a Sra. Terada enviou contava sobre o nascimento de seu segundo filho, que estava bem, apesar de algumas complicações no final da gravidez.

Quanto às outras meninas, Oda se tornou Embaixadora do Japão e já morou em Barcelona, no Vaticano, Cidade do México, Berlim, Brasília e agora está em Moscou, se casou, mas não tem filhos, pois seu trabalho não permitiria passar tempo com a criança.

Akane decidiu assumir o namoro com Murakami pouco antes de terminarem a faculdade. Ainda não se casaram, mas estão morando juntos há quase seis anos. Ele se tornou um agrônomo de renome dentro do Japão e ela é uma geóloga muito requisitada. Sakura ficou sabendo há pouco tempo que Akane está fazendo tratamento para poder engravidar e que ela e Murakami estavam pensando em adotar uma criança.

Amateratsu se tornou professora de línguas estrangeiras e leciona Inglês na Toudai. Casou–se com Yoshio Shiratori, que depois de terminar com Takane se tornou um dos melhores musicistas de Tomoeda, sendo convidado a lecionar Musica na Toudai onde reencontrou Amateratsu.

Takane não chegou a terminar a faculdade, ficou um tempo fora de Tomoeda, tentou virar artista, mas a única coisa que conseguiu foi um filho, assumido por Hidemitsu depois dele ter saído de uma clínica para recuperação de dependentes químicos. A brilhante carreira como advogado que ele sempre almejou se tornou impossível depois disso. Mudou o curso para Construção Civil, tendo garantia de emprego em uma empreiteira da família de Takane. Há alguns anos já que não se tem notícias dele.

A porta da frente se abre e vozes são ouvidas em uma conversa animada.

"Sakura,… crianças… já cheguei!" – Chên e T'ai saem correndo da sala, onde comiam sobremesa, indo para o corredor e Hana, tendo sentido a presença do pai, voltava do jardim. Sakura apareceu no corredor e viu Shaoran com os dois caçulas no colo – "Nossa,… vocês estão pesados, já jantaram?" – eles balançaram a cabeça e T'ai pediu para ir ao chão. Shaoran fez o que ela pediu e depois limpou o rosto de Chên que estava todo sujo de Mousse de Chocolate – "O que é isso?" – perguntou fazendo cócegas nele.

"Pára… papai…" – ele dizia rindo muito.

"Está bem!…" – ele colocou o menino no chão e olhou para a esposa. O tempo havia sido generoso com Sakura. Apesar dos 15 anos que eles estavam casados e dos três filhos ela continuava linda e esbelta – "Desculpe o atraso,… eu e Eriol quisemos deixar tudo pronto hoje para não ficarmos falando sobre negócios durante o jantar!" – ela sorriu e foi caminhando até ele.

"Tudo bem!" – pegou a pasta e o casaco dele e guardou no armário ao lado de onde ele estava parado.

"Onde está minha recepção?" – sussurrou puxando–a pelo braço e depositando as mãos em sua cintura. Ela sorriu de puro divertimento, depois ergueu a mão tirando a franja dele do rosto. Ele tocou delicadamente os lábios dela.

"Senti sua falta…" – murmurou antes de se separarem.

"Eu também…" – o abraçou e ficou escutando o coração dele bater no mesmo ritmo que o seu.

"Ai que lindo…" – se separaram e olharam para a porta ficando envergonhados ao ver que Tomoyo estava filmando tudo.

"Eles não mudam mesmo!" – Eriol sorriu passando o braço pelo ombro de Tomoyo.

"Não somos os únicos a não ter mudado, Eriol!" – Shaoran rebateu.

"Tem razão, caro descendente…" – sorriu, fazendo Shaoran balançar a cabeça.

Eles olharam para o lado e viram Sakura e Tomoyo abraçadas e quase chorando, tentando contar todas as novidades dos últimos anos naqueles primeiros segundos do reencontro. Sakura se afastou da prima e olhou para um rapaz de dez anos que olhava para algo além do corredor, com um sorriso tão misterioso quanto o de Eriol. Ele tinha os cabelos negros acinzentados, olhos azuis meia–noite e a pele alva.

"Esse é o Hitoshi?" – Sakura se aproximou. Ele olhou para a mulher de olhos verdes e sorriu.

"Boa noite, Sra. Li!" – prestou reverência à mulher que lhe segurou ambos os braços.

"Olha só para ele… da última vez que o vimos ele era desse tamanho!…" – juntou os braços mostrando que ele cabia no colo.

"Sakura,…" – Shaoran a chamou olhando para os gêmeos sendo filmados pela 'Tia Tomoyo' – "Onde está Hana?".

"Estou aqui!" – entrou no corredor envergonhada.

"Onde estava minha filha?" – perguntou preocupado.

"Eu… eu…" – não sabia o que dizer, como falar que estava se escondendo de uma par de olhos azuis meia–noite? Sentiu–se grata, mesmo que por um segundo, quando Tomoyo a abraçou da mesma forma que suas tias faziam toda vez que a viam.

"Mamãe!" – Hitoshi chamou atenção de Tomoyo percebendo que as bochechas róseas da bela garota estavam ficando púrpuras de tanto serem apertadas.

"Ah… desculpe!" – soltou a menina e a puxou até ficar frente a frente com o filho – "Deixe–me filmá–los um pouco!" – pegou a câmera e iria começar a gravar se Sakura não intervisse.

"Deixe isso para mais tarde Tomoyo!" – puxou–a pela mão até a sala de jantar – "Vamos jantar que já está pronto!… Venha Hana, Hitoshi, venha também!" – sorriu ao ver a filha ficar vermelha.

Durante o jantar, Tomoyo percebeu uma constante troca de olhares entre Hana e Hitoshi; Shaoran também percebeu isso e não gostou muito.

Eriol olhou para Sakura que sorria com o constrangimento da filha diante do jovem inglês – 'Parece que ela mudou mais do que aparenta…' – pensou retomando em seguida uma conversa com Shaoran.

Na hora da sobremesa se reuniram na sala e os menores começaram a fazer manha de sono. Sakura foi levá–los ao quarto para que dormissem.

"São cheios de energia!" – Eriol comentou vendo Sakura sair da sala com os gêmeos.

"São sim,… eu não sei como Sakura agüenta isso durante o dia todo!" – olhou para Tomoyo que conversava com Hana e Hitoshi – "Tomoyo está com uma aura diferente…" – sussurrou e Eriol apenas confirmou com a cabeça.

Após alguns minutos Sakura voltou para a sala, sentando–se ao lado de Shaoran.

"Finalmente dormiram,…" – sorriu para a filha – "Hana, querida, por que não leva Hitoshi para conhecer o jardim?…" – a menina concordou com a cabeça e se levantou.

"Gostaria de ir lá fora um pouco, Hiiragizawa?" – perguntou corada.

"Claro que sim,…" – olhou para ela e sorriu – "e você pode me chamar de Hitoshi!" – ela sorriu timidamente.

"Então acho que pode me chamar de Hana!" – ele consentiu.

"Vamos para o jardim então, querida Hana?" – estendeu o braço convidando–a para sair. Ela aceitou ficando vermelha e foram saindo.

Sakura, Tomoyo e Eriol sorriam diante do diálogo e Shaoran parecia querer 'mastigar' o menino com os olhos.

"Mas é idêntico ao pai… não é mesmo?" – cruzou os braços ficando emburrado no sofá enquanto os dois jovens se dirigiam para o exterior da casa.

"O que quer dizer com isso, meu caro?" – se fez de desentendido e viu Shaoran se levantar e ir espiar os dois pela janela.

"Então Tomoyo,… qual era aquela boa nova que você disse querer contar mais cedo?" – comentou com a prima após Shaoran ter–se sentado novamente.

"Ah… sim!…" – Eriol segurou a mão da esposa com um sorriso – "Nós decidimos que estava na hora de Hitoshi ter um irmãozinho!".

"Isso é maravilhoso!" – Sakura abraçou a prima e houve grande comoção na sala em comemoração a nova vida que estava a caminho.

Hana observava as estrelas, sentada em um banco com Hitoshi ao seu lado. Abaixou a cabeça e fitou o jovem inglês, ficando vermelha ao vê–lo encarando–a.

"Então foi por causa disso que você disse 'Até mais!' quando as aulas acabaram,… por causa do jantar!" – desviou o olhar para fitar a cerejeira do jardim.

"Exatamente!…" – olhou para a mesma direção que a menina – "Diga–me Hana,… que tipo de flor é você?" – ela o fitou curiosa – "Sua mãe é uma Flor de Cerejeira,… mas e você?" – olhou para ela encarando os belos olhos chocolate.

Hana sentiu seu rosto se tornar púrpura e queria desviar o olhar, mas não conseguia deixar de mergulhar naqueles dois orbes azuis. Havia se sentido assim o dia todo, percebendo que o rapaz a acompanhava com o olhar onde quer que fosse na escola.

"Eu não sei,…" – ainda encarava–o – "que tipo de flor você acha que eu sou?" – ele sorriu e se levantou ficando de costas para ela.

"Acho que és como a Íris…" – voltou–se para encará–la – "bela, delicada, sensível…" – sorriu ao ver que apesar de estar vermelha continuava encarando–o – "eu gosto muito de Íris,… sabe!" – voltou a sentar–se ao lado de Hana, que se mantinha olhando para frente.

Ficaram em silêncio e ela sorria sonhadoramente. O sono foi se apoderando aos poucos do corpo dela, que devagar repousou a cabeça no ombro do Hitoshi, adormecendo.

Ele passou o braço pelas costas dela, pegando–a no colo e seguiu para o interior da mansão. Shaoran quando viu a filha sendo carregada pelo rapaz, foi pegá–la para a levar ao quarto.

Hitoshi sorriu quando antes de entregá–la ao Sr. Li ouviu–a murmurar – "Uma Íris…".

"Acho que devemos ir…" – Tomoyo se levantou seguida por Eriol.

"As crianças já dormiram… vocês também devem estar querendo descansar…" – Eriol completou chamando o filho com a mão.

"Que pena que já vão…" – Shaoran disse da porta – "Até amanhã, então, Eriol!… Tomoyo e Hitoshi… espero que venham nos visitar logo!" – saiu carregando a primogênita.

Sakura acompanhou os três até a porta.

"Vocês devem estar com bastante trabalho com a mudança,… mas assim que terminarem tudo vamos combinar um outro jantar!…" – sorriu segurando a mão de Tomoyo.

"Claro… embora eu não ache que vai demorar tanto tempo assim!…" – sorriu para Eriol – "O que você acha que Nakuru, Suppi e Kero ficaram fazendo em casa?" – Sakura riu.

"E quando o meu guardião vai dar o ar de sua graça?" – perguntou cruzando os braços – "Ou será que os doces da Sra. Hiiragizawa tem tanto poder sobre aquele Glutão?" – todos riram do comentário.

"Ele vai vir morar com vocês assim que terminar de ajudar com a mudança!" – Eriol tinha um sorriso maroto no rosto.

"Eriol Hiiragizawa… o que você está pensando em fazer?" – Tomoyo ralhou reparando o sorriso dele – "Espero que não vá combinar com Kero fazer Suppi comer doces novamente… nossa casa quase implodiu a última vez que seu guardião…" – Eriol a calou com um beijo rápido.

"Não adianta vir com chantagem…" – ela sorriu acenando para Sakura se afastando – "Não vai me convencer!".

"No final mamãe sempre acaba participando das traquinagens de meu pai!" – Hitoshi sorriu e prestou reverência – "Boa noite Tia Sakura e até amanhã!" – se virou e seguiu até o carro onde seus pais já o esperavam.

Sakura fechou a porta e foi até as escadas.

"Deseja mais alguma coisa Sra. Li?" – Sui I perguntou entrando no corredor.

"Não,… obrigada!" – a governanta se virou e foi terminar seus afazeres, enquanto Sakura seguia para seu quarto.

Shaoran estava sentado na beirada de sua cama com a foto do dia de seu casamento nas mãos quando Sakura entrou. Parou na porta e ficou observando–o colocar o porta–retratos em seu lugar, se levantar e caminhar até ela.

Ficaram em silêncio apenas encarando–se, Sakura sorriu ao sentir Shaoran passar a mão em seus cabelos, suspirou se aproximando. Repousou a cabeça no peito do esposo quando ele a abraçou.

"Como foi seu dia?" – perguntou suavemente afastando–a de si para mergulhar em seus olhos.

"Não aconteceu nada demais… as crianças brincaram o tempo todo…" – foram andando abraçados até chegarem a cama – "Hana teve a primeira cota de provas hoje… fico feliz por saber que ela herdou sua facilidade com números…" – ele colocou um dedo sobre os lábios dela e balançou a cabeça.

"Não perguntei como foi o dia deles… fico decepcionado por não fazer falta para você… já que você faz tanta para mim!" – a beijou, derrubando–a na cama.

"Achei que não precisava dizer que você me faz falta a cada segundo…" – disse, ofegante quando se separaram.

"Da mesma forma… que eu não preciso dizer… que te amo mais que tudo nesse mundo?…" – ele perguntou com pausas para beijar o pescoço e os ombros dela enquanto desabotoava a camisa.

"Ah, Shaoran…" – ela suspirava enquanto se ocupava em tirar a camisa dele também.

"Se você soubesse o quanto te ouvir me chamando assim mexe comigo…" – Shaoran capturou novamente os lábios dela num beijo envolvente.

Trocaram de posição, agora, enquanto emendavam um beijo noutro, Shaoran acariciava todas as curvas do corpo de Sakura enquanto a mesma se ocupava com o que restava da roupa dele.

"Shaoran… te amo com toda a minha alma… te amo mais que tudo… não sei o que faria sem você…" – disse, sendo interrompida por beijos enquanto falava.

"Essa fala é minha…" – foi a única coisa que ele disse antes de trocar novamente de posição e não dar mais tempo para ela dizer uma só palavra.

Estavam abraçados após terem se amado, apenas escutando as batidas do coração um do outro.

"É incrível como Eriol e Tomoyo continuam os mesmos, apesar dos anos, não é?" – Sakura comentou suspirando.

"É sim,… mas temos que admitir que também não mudamos muito!" – beijou–lhe a fronte.

"Hitoshi é um amor…" – sorriu ficando apoiada sobre os cotovelos na cama, olhando para ele – "lembra em muito Eriol quando o conhecemos…".

"É… até demais…" – olhou para o teto e Sakura apenas riu.

"E essa sua reação não me parece muito diferente da que teve com Eriol naquela época também…" – ele a olhou de forma curiosa – "eu podia não perceber seus ataques de ciúme, naquela época,… mas as coisas foram fazendo sentido com o tempo…".

"O que nós vamos fazer se eles acabarem se apaixonando?…" – sentou na cama, Sakura fez o mesmo ficando de joelhos na sua frente.

"Se tiver que ser… não importa o que você faça… não vai mudar o destino deles e…" – pega o rosto dele entre suas mãos – "acho que ainda é cedo para sabermos como essa história vai terminar, mas seja qual for a decisão que Hana tomar,… temos que apoiá–la…" – sorriu – "ou vai querer dar uma de Touya e ficar agredindo Hitoshi?".

"É claro que não vou agir como seu irmão, Sakura!" – ele fez uma careta se deitando – "É só que eu acho que ainda não me acostumei com o fato que Hana está crescendo!" – sorriu.

"Eu sei o que você quer dizer,…" – o beijou carinhosamente, deitando sobre o peito dele – "parece que ainda ontem ela era apenas um bebê, não é mesmo?".

"É sim!" – a abraçou mais forte – "O tempo passa rápido,… e eu estava pensando… desde a morte de minha mãe que não temos um tempo para nós dois e com o nascimento de Chên e T'ai,… não temos tido férias, não é mesmo?".

"Uhum!…" – ela ergueu a cabeça para fitá–lo.

"Que tal se levássemos os pequenos para visitar o Tio Touya em Tomoeda,… Hana pode ficar aqui em Hong Kong com Tomoyo,… já que ela tem o curso de verão e nós dois vamos fazer uma pequena viagem…".

"Acho que Touya não vai ficar muito feliz,… mas Yuki não vai se negar a cuidar deles por uma semana!" – ele sorriu e a beijou.

"Para onde você quer ir dessa vez?" – perguntou ainda sorrindo.

"Você pode escolher…" – sorriu beijando–o e passando os braços em volta do seu pescoço – "qualquer lugar é o paraíso quando estou com você!" – beijaram-se ternamente continuando abraçados até adormecerem.

Back At One

Brian McKnight

It's undeniable

É inegável

That we should be together

Que deveríamos ficar juntos.

It's unbelievable

É inacreditável

How I used to say that I'd fall never

Como eu costumava dizer que nunca seria conquistado.

The basis is need to know

O fundamento é necessário conhecer

If you don't know just how I feel

Se você não sabe exatamente como estou me sentindo.

Then let me show you now that I'm for real

Então me deixe te mostrar agora que eu sou real,

If all things in time

Se todas as coisas chegarem a tempo,

Time will reveal

O tempo mostrará,

Yeah...

Sim...

One. You're like a dream come true,

Um. Você é como um sonho realizado.

Two. Just wanna be with you

Dois. Apenas quero estar com você,

Three. Girl its plain to see

Três. Garota, é simples de ver

That you're the only one for me

Que você é a única para mim.

And four. Repeat steps one through three

E quatro. Repito os passos de um a três.

Five. Make you fall in love with me

Cinco. Faço você se apaixonar por mim.

If ever I believe my work is done

Se alguma hora eu acreditar que meu trabalho está acabado,

Then I'll start back at one... Yeah

Então eu começarei de volta em um... Sim.

So incredible

Tão incrível

The way things work themselves out

O jeito que as coisas se resolvem por si mesmas.

And all emotional

E totalmente emocionante

Once you know that its all about babe

Uma vez que você saiba do que se trata, babe.

And undesirable

E indesejável

For us to be apart

Que nós fiquemos separados.

I never would have made it very far

Eu nunca teria conseguido chegar tão longe,

'Cause you know you got the keys to my heart

Pois você sabe que possui as chaves pro meu coração,

'Cause...

Pois...

One. You're like a dream come true,

Um. Você é como um sonho realizado.

Two. Just wanna be with you

Dois. Apenas quero estar com você,

Three. Girl its plain to see

Três. Garota, é simples de ver

That you're the only one for me

Que você é a única para mim.

And four. Repeat steps one through three

E quatro. Repito os passos de um a três.

Five. Make you fall in love with me

Cinco. Faço você se apaixonar por mim.

If ever I believe my work is done

Se alguma hora eu acreditar que meu trabalho está acabado,

Then I'll start back at one... Yeah

Então eu começarei de volta em um... Sim.

Say farewell to the dark of night

Digo "adeus" à escuridão da noite,

I see the coming of the sun

Eu vejo a chegada do sol.

I feel like a little child

Eu me sinto como uma criancinha

Whose life has just begun

Cuja vida apenas começou.

You came and breathed new life

Você veio e inspirou nova vida

Into this lonely heart of mine

Dentro deste meu coração solitário.

You threw out the life line

Você jogou a corda salva-vidas

Just in the nick of time...

Exatamente "na hora H".

One. You're like a dream come true,

Um. Você é como um sonho realizado.

Two. Just wanna be with you

Dois. Apenas quero estar com você,

Three. Girl its plain to see

Três. Garota, é simples de ver

That you're the only one for me

Que você é a única para mim.

And four. Repeat steps one through three

E quatro. Repito os passos de um a três.

Five. Make you fall in love with me

Cinco. Faço você se apaixonar por mim.

If ever I believe my work is done

Se alguma hora eu acreditar que meu trabalho está acabado,

Then I'll start back at one... Yeah

Então eu começarei de volta em um... Sim.

******************FIM******************

N/A – Estou aqui muito emocionada finalizando esse fanfic… com a música Back at One… o motivo de eu ter escolhido essa é música é simples… ela é linda e fala tudo o que eu queria dizer no encerramento do fanfic… e depois eu estava ouvindo ele enquanto escrevia esse capítulo… nada mais justo…

Como esse é o último capítulo, eu gostaria de saber a opinião de todos,… não é proibido sonhar, pois sei que nem todos vão colocar seus comentários, mesmo assim foram quase dois meses de trabalho e muita coisa aconteceu nesse meio tempo… mas eu acho que valeu a pena!… Conheci algumas pessoas muito legais por causa desse fic e agradeço de coração a força que elas me deram para que eu continuasse escrevendo…

Agradeço a Cherry Tsuki, Gil, Felipe, Sé, Ary, Andréa Meiouh, Ciça-chan, Danizinha, MeRRy_Anne, Morgana, Akane-san, DianaLua, Rô e a Miaka Yuuki, aquela que jogava açúcar em mim todas as vezes que eu empacava… vários trechos do fic tem uma mãozinha da Miaka… talvez por isso tenha ficado bom!…

Um Grande Abraço e um Beijo para todos que acompanharam essa aventura,… mesmo que em silêncio…

Espero que acompanhem meus trabalhos futuros…

Yoruki.