APUROS EM HONG KONG

– CAPÍTULO QUATORZE –

Após terem se trocado Shaoran e Sakura se dirigiam para o salão. Sakura passou o braço pelo do noivo e apoiou a cabeça em seu ombro enquanto andavam.

"Está tudo bem, minha Flor?…" – parou de andar e se voltou para fitá-la. Ela sorriu e balançou afirmativamente a cabeça – "o que foi que houve?".

"Apenas estava pensando em como nada teria sentido em minha vida sem você!" – ele passou a mão pelos cabelos dela e não pôde evitar que um pequeno sorriso substituísse a expressão preocupada de seu rosto.

"Então você deve imaginar como eu me sinto!" – encarou as duas esmeraldas cintilantes da garota aproximando lentamente seu rosto do dela – "Eu não sabia o que era 'vida' antes de te conhecer…" – deixou os cabelos e levou gentilmente a mão ao rosto dela contornando cada detalhe – "e nem sequer imaginava o que era felicidade antes de tê-la em meus braços naquela torre há seis anos atrás…" – ela fechou os olhos e suspirou, esperando que ele tomasse seus lábios em uma carícia gentil, que não tardou em vir. Separaram-se já sem fôlego.

"É melhor irmos para o salão!" – anunciou conservando ainda o sorriso nos lábios.

"Tem razão…" – respiraram pesadamente – "vamos minha adorada dama?" – estendeu o braço curvando-se levemente, em um ato de galanteio. Ela sorriu e aceitou o convite.

Entraram no salão como se nada tivesse acontecido, sem se importar com os diversos pares de olhos que foram voltados para si, caminharam até onde estavam Touya e Fujitaka, sentindo o ar de apreensão que envolvia o ambiente se desfazer a cada passo que davam.

"Tudo bem com você minha filha?…" – a garota sorriu e confirmou com a cabeça.

"Onde está Yukito?…" – Touya perguntou, fazendo-a piscar confusa.

"Ele já deveria estar aqui,…" – disse olhando todo o salão – "Faz tempo que o trouxeram para dentro com os outros…".

"Como assim 'trouxeram'?… Ele está bem?" – interrompeu-a.

"Ele está bem sim Touya,… só que Yue, Ruby Moon, Kerberus e Spinel Sun desmaiaram durante a batalha,…" – o rapaz arregalou os olhos, assustado com o ocorrido e com a calma que a irmã falava – "Mas creio que estejam ajudando Eriol agora,… pois há algum tempo senti que haviam recuperado a consciência!" – mal terminou de falar e Yukito e Nakuru entraram no salão comendo algum aperitivo e rindo muito.

"Vamos falar com Yamazaki e as meninas?…" – Shaoran chamou-a.

"Claro!" – sorriu para o pai e saiu acompanhando o noivo.

"O que foi que aconteceu agora pouco?" – Naoko inquiriu – "Várias pessoas saíram do salão como quem estivesse indo para a guerra!".

"Não foi nada demais!" – Sakura sorriu.

"Apenas uma reunião de última hora…" – ergueu os ombros – "…sempre acontece!".

"Com licença, Li…" – Yamazaki o chamou – "Eu queria falar com você um instante!" – os dois se afastaram um pouco das meninas.

"Assim que Takashi erguer o indicador ele vai ver…" – Chiharu ameaçou e todos riram.

"Está tudo bem com você Rika?…" – Sakura perguntou para a amiga que estava sentada. Terada estava conversando com Sonomi e Masaki.

"Sim,… não se preocupe!…" – olhou curiosa para a amiga – "Por que você trocou de roupa Sakura?…".

"Um pequeno acidente com meu vestido,…" – sorriu sem graça – "acabei manchando-o…".

"Que pena…" – Chiharu disse tristemente – "aquele vestido era muito bonito…".

"É verdade!" – Sakura suspirou – "Mas também gosto desse,… foi Shaoran quem me deu!" – sorriu mostrando melhor o vestido chinês em rosa-bebê perolado com detalhes em vinho, na altura dos joelhos. De gola alta e mangas curtas, tinha botões em forma de 'sakuras' na gola e mangas.

"Sakura…" – Tomoyo se aproximou com Meilin ao seu lado – "Onde está Eriol?".

"E Mai Su onde está?…" – Meilin perguntou angustiada.

"Mai Su?…" – Shaoran perguntou se aproximando – "mas que intimidade!…" – exclamou brincando e viu a prima ficar vermelha. Arregalou os olhos e ouviu Sakura rir.

"Eriol foi com o Sr. Lang até a biblioteca…" – disse calmamente e apontou para a porta – "mas já voltaram…" – as duas viraram imediatamente para a porta e suspiraram aliviadas.

"Meilin…" – Shaoran chamou fazendo-a se virar para fitá-lo. A chinesa de olhos cor de rubi conhecia muito bem o sorriso que o primo tinha no rosto – "você e Lang já se conheciam não é?…" – a garota abaixou a cabeça soltando o ar lentamente.

"Já sim…" – murmurou e ergueu a cabeça com um sorriso, vendo o primo olhar para o rapaz desconfiado.

"E era com ele que você estava ontem,…" – a garota confirmou com a cabeça – "e por que é que você estava escondendo isso?…" – ele diminuiu o tom de voz e abaixou levemente a cabeça.

"Você sabe…" – ela respirou fundo – "são tantas coisas que poderiam nos impedir de realmente termos alguma coisa…".

"Será que você me conhece tão mal assim?…" – encarou o amigo que parou ao seu lado – "Mesmo que não fôssemos amigos, Meilin…" – colocou a mão sobre o ombro de Mai Su – "você teria minha permissão e meu apoio…" – se voltou para Sakura e estendeu a mão, chamando-a.

"Se nos dão licença…" – sorriu pegando a mão do noivo.

"Ah, sim… Mai Su…" – Shaoran olhou para o rapaz – "gostaríamos que passasse a noite em nossa casa…" – sorriu de lado – "acho que tem algo muito mal explicado… nessa história toda…".

"Realmente,… creio que lhe devo explicações…" – sorriu concordando. Shaoran assentiu, voltando a caminhar.

"Do que eles estão falando?…" – Chiharu perguntou para Naoko que levantou os ombros.

"Deve ser assunto de família,… melhor não nos intrometermos…" – Rika sussurrou.

"Eriol Hiiragizawa…" – Tomoyo colocou as mãos na cintura e encarou o namorado – "você ainda não dançou comigo…" – indicou o centro do salão com a cabeça.

"Nossa,… é verdade…" – ele se curvou e estendeu o braço com um belo sorriso – "Será que a Senhorita me daria a honra dessa dança…".

"Mas que pergunta…" – sorriu e seguiu para a parte central do salão, onde várias pessoas dançavam.

"Tudo bem,… Tomoyo…" – ele sussurrou no ouvido dela, estava com as mãos em sua cintura. Ela envolvia-o pelo pescoço, começaram a balançar devagar com o som da musica – "o que é que você quer me perguntar?…" – ela encostou a cabeça no peito do namorado.

"A Sakura já sabe?…" – perguntou sem levantar a cabeça.

"Creio que sim…" – disse calmamente – "mas você não pode ficar brava com ela agora…".

"Por que não me contou nada?…" – ergueu o rosto fitando os profundos olhos azuis meia-noite do mago.

"Você imagina o que aconteceria se descobrissem que a futura matriarca do clã estava esperando um bebê, mesmo sendo de Shaoran, antes do casamento?…" – a garota arregalou os olhos e abaixou a cabeça – "Shaoran quer se casar com ela o mais rápido possível… na próxima semana…".

"Assim tão rápido?…" – se espantou afastando-se ligeiramente dele.

"Sim…" – voltaram a dançar calmamente em silêncio por alguns minutos – "mas terá que ser uma surpresa para ela… e será em Tomoeda…" – anunciou calmamente – "pediu-me para perguntar se pode contar com sua ajuda…".

A música terminou e se afastaram cumprimentando-se mutuamente. Ela não precisava responder, o brilho que tinha nos olhos já o fazia. Voltaram para junto aos amigos aproveitando o restante da festa.

Já passava das três da manhã quando o último convidado se retirou. Mais algum tempo se passou até que os noivos pudessem seguir para seus quartos. Estavam esgotados.

Sakura foi acompanhada por Shaoran até a porta de seu quarto, despediram-se com um longo e caloroso beijo. Após ter tomado um banho demorado, colocou uma roupa leve e deitou-se na cama para dormir. Virou para um lado e para o outro, mas não conseguia adormecer. Começou a andar dentro do quarto. Colocou uma bermuda justa até os joelhos preta e uma camiseta no meio da coxa bege. Saiu do quarto.

Sakura estava sentada embaixo de uma árvore no quintal, observava os primeiros raios do sol aparecerem atrás dos muros da mansão. Olhou para o jardim e sorriu. Ele estava quase totalmente restaurado.

'Eriol foi bem rápido na arrumação da bagunça de ontem…' – abaixou a cabeça e se levantou em seguida. Voltou para o interior da casa, precisava descansar.

Alguma coisa a incomodava, mas não sabia dizer o que.

'O que eu estou fazendo?…' – se perguntou quando iria entrar em seu quarto. Olhou para os dois lados do corredor enquanto entrava no quarto ao lado. Fechou a porta com cuidado e caminhou devagar até a cama, ficou observando o noivo adormecido durante alguns segundos e depois se sentou, passando as mãos pelos cabelos completamente bagunçados.

Ficou absorta em seus pensamentos enquanto se ajeitava um pouco melhor na cama. Após alguns minutos acabou por adormecer.

Shaoran se remexeu um pouco na cama antes de despertar. Piscou os olhos sentindo alguma coisa apoiada sobre seu peito. Olhou para baixo e viu Sakura adormecida. Ficou admirando-a, um singelo sorriso apareceu em seu rosto enquanto aspirava o suave perfume exalado dos cabelos dela. Ajeitou-se melhor de maneira que ela ficasse mais confortável. Ela respirou fundo colocando a mão sob a cabeça. Ele olhou para o relógio. Oito horas. Mesmo indo dormir as quatro da manhã, não conseguia dormir até tarde.

De repente ele se deu conta de uma coisa. O que Sakura estava fazendo ali?

'O que será que aconteceu?' – se perguntou afagando os cabelos dela.

"Shaoran…" – ela murmurou fazendo-o sorrir.

Ele ficou observando-a dormir por alguns minutos. Era tranqüilizante tê-la em seus braços. Parecia que o mundo parava de girar, para que ele pudesse ouvir a respiração suave dela, e sentir o seu coração batendo calmamente.

Sakura não parecia disposta a levantar tão cedo, mas Shaoran queria explicações de Mai Su. Resolveu levantar-se e deixá-la dormindo, falaria com ele e depois contaria para Sakura.

Levantou-se com cuidado, ajeitando-a na cama em seguida e suspirando ao ouvir aquele anjo murmurar novamente seu nome. Trocou-se silenciosamente e saiu, fazendo o menor ruído possível.

Chegou até a sala de jantar onde Meilin conversava, apesar da expressão de sono, com Shiefa e Fuutie.

"Bom dia…" – as cumprimentou e sentou à mesa.

"Acordou cedo Lobinho…" – Fenmei chegou pelas costas da cadeira onde ele havia se sentado.

"Bom dia pra você também Fenmei…" – suspirou e balançou a cabeça.

"Você demorou a descer…" – Fanrei sentou na cadeira ao outro lado da mesa e encarou o irmão com uma expressão desconfiada.

"Gostaria de saber se, indo dormir quase as quatro da madrugada, também acordaria mais cedo que eu?…" – retrucou enquanto era servido. Agradeceu a refeição, iniciando-a, sem ligar para as perguntas e suposições das irmãs.

Estava terminando seu desjejum quando Lang entrou no recinto. Viu Meilin sorrir e cumprimentar levemente constrangida o rapaz. Balançou a cabeça.

"Bom dia Mai Su!…" – levantou-se e indicou uma cadeira no outro lado da mesa.

"Bom dia meu amigo…" – respondeu com seu costumeiro sorriso – "você deve estar querendo explicações minhas, não é?…".

"Sim,…" – olhou desconfiado para Meilin – "mas alimente-se primeiro… teremos tempo para isso mais tarde…" – o rapaz assentiu e sentou-se à mesa. Após alguns minutos, Shaoran se retirou, dizendo que esperaria pelo guardião da água na biblioteca, pediu que Meilin o acompanhasse até lá.

Shaoran estava olhando o quintal através da janela da biblioteca. Seus olhos tinham um ar perdido. Estava pensando no que ocorrera na noite anterior.

'Muitas surpresas…' – respirou pesadamente sem perceber que alguém entrara na biblioteca – 'mas tudo acabou bem no final das contas…' – sorriu ao sentir uma mão repousar sobre seu ombro e deslizar por suas costas, até envolvê-lo pela cintura, com uma cabeça repousando em suas costas.

"Sakura…" – murmurou virando-se lentamente até ficar de frente com a garota – "Já acordou?…".

"Tive a impressão de que estava me chamando…" – disse com voz suave. Ele sorriu.

"Estava pensando em você…" – a abraçou gentilmente – "pensando em como sinto sua falta… mesmo tendo tão pouco tempo que estamos separados…" – a olha preocupado – "o que estava fazendo em meu quarto?…".

"Não conseguia dormir,…" – encostou o rosto no pescoço dele – "você sabia que fica lindo quando dorme?…" – a afastou ligeiramente de si, olhando-a com divertimento.

"Só quando estou dormindo?…" – ela gargalhou divertida.

"É claro que não, meu Amor…" – sorriu.

"Eu sei o que você quer dizer…" – a beijou ligeiramente – "também gosto de ver você dormindo…" – sussurrou e se voltou para a porta – "Entre Lang… e sinta-se à vontade…" – apontou um sofá – "Eriol… pare de brincadeira e entre de uma vez…" – ralhou sem olhar para a porta.

"Calma,… meu caro descendente…" – entrou caminhando e sorriu para Sakura – "não acho que deva ficar sem se alimentar minha querida Sakura!…".

"Não se preocupe Eriol… eu estou bem…" – desviou o olhar para Shaoran – "mas acho que vou pedir para Wei me trazer o desjejum…" – sorriu – "estou curiosa para saber como o Sr. Lang pôde passar com sua presença completamente desapercebida… como o faz nesse exato momento…" – olhou para o rapaz que sorria depois se encaminhou até a mesa da biblioteca.

Pediu através do telefone da biblioteca que Wei levasse algo para comer e depois se sentou ao lado de Shaoran. A porta da biblioteca foi fechada.

"Agora podemos começar…" – disse o rapaz de pequenos olhos piscando nervosamente – "o que querem saber?…" – perguntou olhando para Shaoran.

"Conte-nos sobre seus poderes…" – Li pediu abraçando Sakura pelos ombros.

"Muito bem…" – olhou para o chão erguendo a cabeça em seguida – "eu faço parte de uma das Ordens Anarath…" – respirou fundo – "que são as ordens dos guardiões dos Elementos básicos,… mas acho que todos aqui já sabem disso…" – passou os olhos pela biblioteca – "para ser um guardião é necessário ter controle total sobre seus poderes e sobre o elemento que representa… isso explica como minha aura passava despercebida…" – olhou para Sakura, que apresentava uma expressão de confusão. Ele sorriu – "mas vou explicar-lhes detalhadamente…" – foram ouvidas batidas na porta.

"Deve ser meu café da manhã…" – Sakura se levantou e foi até a porta, pegou a bandeja e a levou para a mesa da biblioteca – "por favor, continue Sr. Lang… estarei ouvindo…" – sorriu quando o rapaz concordou. Após alguns segundos para lembrar-se em que parte da explicação estava, Mai Su retomou a fala.

"…De todos os elementos, a água é o mais abundante, e por esse motivo é que minha presença pode ser ocultada sem esforço…" – parou por mais um instante, parecia estar escolhendo o que falar. Supuseram que haveria coisas que Mai Su não poderia revelar – "o que eu faço, na realidade, não é ocultar minha presença, mas sim espalhá-la…" – todos mostraram interesse no que ele falara – "todos os seres vivos do planeta são constituídos por água… eu apenas distribuo a energia que recebo… com todos os seres vivos à minha volta… espalhando-a e passando desapercebido pela detecção da presença…" – olhou para Eriol, Sakura e Shaoran um por um, verificando se tinham compreendido.

"É por esse motivo, então, que nos sentimos revigorados depois de conversar com você…" – Sakura sorriu – "mas você não se desgasta com isso?".

"Confesso que no início era desgastante… quando comecei o treinamento para controlar a água, uma das primeiras coisas a ser ensinada era distribuição de energia…" – levantou-se e andou até uma das prateleiras – "uma coisa bastante curiosa com relação aos poderes dos elementos é que… quanto mais energia você distribui, mais energia se recebe…" – pegou um livro da primeira prateleira e sorriu enquanto folheava-o, parou em uma das páginas e leu em voz alta seu conteúdo – "…'Com o passar do tempo os Magos se tornam Um com a natureza,… doando e retirando energia quando for necessário'…" – fechou o livro e o recolocou na prateleira, voltando ao sofá – "A continuidade com que troco minhas energias com a natureza, espalhando-a e recebendo-a novamente… é equivalente à quantidade de energia que recebo em situações críticas…".

"Entendo…" – Eriol sorriu – "mas você não é um tanto novo para ser um guardião?…" – perguntou intrigado.

"Sim,… depois de mim,… o mais novo dos Guardiões de minha Ordem tem quase o dobro de minha idade…" – sorriu – "mas acho que minhas habilidades mágicas se desenvolveram de forma acelerada pela minha completa rejeição ao treinamento do corpo…" – sorriu – "eu sou o menor de minha família… e nunca tive muito crédito pela minha estatura… por esse motivo simplesmente acabei deixando minhas habilidades para luta de lado…".

"É verdade…" – Shaoran suspirou – "você estava levando uma surra do Tong aquela vez que eu te ajudei…" – fez uma careta – "acho que vou deixá-lo resolver os problemas com a equipe de luta sozinho a partir de agora…" – Lang arregalou os pequenos olhos e piscou em seguida.

"Por favor, não Li… não uso meus poderes para ganhar vantagem sobre os outros…" – Sakura começou a rir.

"Não se preocupe Sr. Lang… Meilin te protege…" – ela disse fazendo o rapaz ficar envergonhado.

"Não quero ficar abusando das habilidades de Meilin também, Srta. Kinomoto…" – disse de cabeça baixa – "poderia ser perigoso para ela…".

"Não se preocupe com minha prima Mai Su,…" – Shaoran se levantou e seguiu até a janela – "ela é bem mais forte do que aparenta…".

"Sei que ela é, Shaoran…" – respirou fundo – "mas não gostaria que ela se arriscasse, assim mesmo…" – Shaoran riu.

"Acalme-se, Mai Su…" – se virou para fitá-lo – "eu estava apenas brincando…".

"Agora me lembrei de uma coisa… onde está Yu?…" – Sakura perguntou levantando-se da cadeira onde estava.

"Acalme-se querida Sakura…" – Eriol ergueu a mão pedindo que ela se sentasse – "Jean-Pierre veio buscá-lo assim que nasceu o sol…" – sorriu.

"Falando nisso,… onde o Sr. C'esteau estava durante a batalha?…" – Li cruzou os braços.

"Ele não poderia participar da luta Shaoran…" – Eriol disse calmamente.

"Isso é verdade…" – Mai Su interrompeu – "apenas os guardiões obtiveram a permissão para enfrentar Korombos et Bairemuth da Aliança na última reunião…".

"Mas o Eriol lutou…" – Sakura disse, apontando para o amigo.

"É verdade…" – ele ergueu os ombros – "mas quem disse que eu obedeço às ordens da Aliança?…" – sorriu.

"Se ele obedecesse às ordens… você não estaria na posse das cartas hoje…" – Shaoran sorriu olhando para a namorada.

"Eles realmente não gostam de mim,… não é?" – balançou a cabeça.

"Acho que o que precisavam saber… já foi esclarecido…" – Mai Su disse se levantando. A porta foi aberta magicamente.

"Isso é o que precisávamos saber… ou o que você pode nos contar?…" – Shaoran perguntou cruzando os braços.

"Veja como quiser…" – caminhou em direção a porta – "vou voltar para minha casa…" – acenou erguendo a mão sem se virar.

"O que faremos agora?…" – Sakura se jogou sobre o sofá da biblioteca.

"Bom,... acho que não necessitam mais de mim por aqui..." – diz Eriol, levantando-se – "Vou ver se Tomoyo já levantou,... com licença..." – Eriol sai pela mesma porta que Mai Su usou instantes atrás.

Shaoran ficou olhando-a com um sorriso.

"O que foi?…" – perguntou se levantando.

"Nada…" – sorriu vendo-a se aproximar – "estava apenas pensando em como eu tenho sorte…" – segurou uma das mãos dela – "minha noiva é a mulher mais linda de todo o mundo…".

"Não acho que ela seja tão bonita assim…" – comentou enquanto ele beijava gentilmente o rosto dela.

"Realmente… ela não é bonita…" – recebeu um tapa no braço, riu abraçando a noiva que ameaçou se afastar – "eu vou te explicar como eu a vejo…" – sussurrou ao ouvido dela e beijou-lhe levemente o ombro, trazendo o corpo dela um pouco mais perto do seu – "ela não pode ser considerada apenas bonita… porque é a pessoa mais bela e maravilhosa que já pisou na Terra…" – beijou a testa dela – "os olhos dela… são duas preciosas jóias… que fazem com que eu mergulhe naquela imensidade verde… e não queira mais sair…" – ela sorriu e ele beijou o rosto – "o sorriso dela faz meu coração disparar,… eu me sinto abençoado cada vez que ela sorri…" – beijou o queixo – "ela é um anjo… que foi invadindo minha vida bem devagar…" – ele aproximou seus rostos, fazendo seus lábios quase se tocarem. Seus olhos não se desviavam – "tomou conta de meu coração e de meus pensamentos… ela é minha vida…" – tocou gentilmente os lábios dela sentindo-a estremecer. Ela passou os braços pelo pescoço dele, enquanto tinha a cintura bem firme em seus braços. Separaram-se sofregamente. Ouviram suspiros sonhadores da porta e se viraram devagar, coraram violentamente ao ver Chiharu, Naoko e Yamazaki na porta.

"Desculpe-nos se estamos sendo inconvenientes,…" – Chiharu disse um pouco constrangida.

"Tudo bem,… Chiharu…" – Sakura voltava a sua coloração normal – "Não havíamos percebido que estavam aí…" – sorriu e abaixou a cabeça – 'Pelo menos a Tomoyo não estava filmando dessa vez…' – mal havia pensado nisso e Tomoyo aparece ofegante e com o cabelo todo bagunçado na porta da biblioteca.

"Ah… não,… já acabou?…" – ela encostou a cabeça no batente da porta – "E eu corri o máximo que eu pude para pegar minha filmadora,… mas não consegui chegar a tempo!" – coloca a mão na testa fazendo pose de drama – "agora minha coleção vai ficar incompleta…" – Sakura e Shaoran sorriam constrangidos.

"Nossa… o que foi que aconteceu para Tomoyo ficar tão desesperada?…" – Meilin se aproximou da porta da biblioteca – "Eu nunca a vi correr tão rápido…".

"É que eu queria gravar as 'Declarações de Amor na Biblioteca', mas não trouxe minha filmadora…" – enquanto Tomoyo falava, Shaoran e Sakura apenas sentiam vontade de achar um buraco onde pudessem se esconder. Naoko e Chiharu riam da reação deles e Yamazaki prestava atenção na declaração frustrada da prima da mestra das Cartas para Meilin – "eu nunca poderia imaginar que veria uma cena tão romântica na biblioteca logo cedo…".

"Sabe Tomoyo…" – Meilin disse colocando a mão na testa da amiga de olhos violeta – "acho que o namoro com Clow não está te fazendo muito bem…" – balançou negativamente a cabeça – "você sabe que sempre que esses dois ficam sozinhos eles…".

"Meilin!…" – Shaoran chamou atenção da prima, que riu sem graça – "Suponho que vocês estivessem nos procurando…" – olhou para Yamazaki e cia.

"Sim…" – foi Takashi quem respondeu – "Eriol estava pensando em fazermos um passeio pela cidade… ele disse que há um lugar que ele conhece… não muito longe daqui que é excelente para piqueniques…".

"Seria uma ótima idéia…" – Sakura se empolgou – "vamos começar a preparar as coisas…" – deu um beijo no rosto de Shaoran e saiu da biblioteca acompanhando as meninas.

Ele suspirou e olhou para Yamazaki que o observava com um sorriso.

"Sabe que… mesmo te conhecendo desde que éramos crianças…" – ele começou, fazendo o chinês erguer uma sobrancelha – "não consigo imaginar como você consegue dizer coisas tão bonitas para Sakura…" – caminhavam pelo mesmo caminho que havia sido tomado pela garotas.

"Bem,… eu também não sei…" – bateu levemente nas costas do amigo – "eu acho que simplesmente digo a verdade…" – abriu um sorriso debochado – "vai ser hoje?…" – o japonês apenas confirmou com a cabeça um pouco desanimado.

"Assim que chegarmos em Tomoeda…" – suspirou pesadamente – "Eu só espero não ficar muito nervoso e acabar inventando outra mentira na hora…" – Shaoran riu.

"Acalme-se Yamazaki…" – desciam as escadas – "faça como eu disse… não tente decorar frases… seja sincero…" – olhou para o amigo que continuava cabisbaixo – "não tem com que se preocupar… tudo vai dar certo…" – viu Sakura conversando com Wei enquanto eles arrumavam algumas cestas – "contanto que siga seu coração…".

Yamazaki ergueu a cabeça e percebeu o amigo um tanto disperso, balançou negativamente a cabeça com um sorriso. Às vezes custava a acreditar que este era o mesmo rapazinho que entrou na sala 2 da quarta série há oito anos atrás, carrancudo e mal humorado.

'As coisas mudam,…' – olhou para Chiharu que conversava animada com Naoko – 'talvez esteja na minha vez…' – sorriu quando a namorada olhou para ele.

A tarde se passou em um piscar de olhos. Todos se divertiram bastante, conversando sobre o presente e o passado. O dia logo acabou, Sakura e Shaoran estavam voltando do aeroporto, haviam acompanhado os amigos. Desceram do carro e não entraram na casa, contornaram-na seguindo para o jardim.

Pararam sobre a ponte do jardim. Shaoran a abraçou pelas costas, tendo a cabeça da noiva apoiada em seu ombro. Ficaram em silêncio, não precisavam de palavras naquele momento, apenas queriam aproveitar os minutos de paz que tinham. Shaoran aproximou lentamente sua boca do ouvido de Sakura.

"Eu… te… amo…" – sussurrou lentamente, pronunciando cada palavra como se experimentasse o sabor que elas têm. Sakura fechou os olhos e sorriu, virando-se para ele. Seus olhos se encontraram.

Era estranho como, não importando o tempo que passasse, a sensação que tinham ao mergulharem nos olhos um do outro, era a mesma que tiveram na primeira vez. O mesmo coração acelerado, o mesmo frio na barriga, o mesmo arrepio na espinha.

"Eu também… te amo…" – o envolveu pelo pescoço enquanto seus lábios eram arrematados em um maravilhoso beijo, cheio de ternura e desejo.

Separaram-se para recuperar o fôlego e ficaram olhando-se ainda ofegantes. Um sorriso apareceu no rosto de Shaoran.

"Eu estava pensando em irmos para Tomoeda na semana que vem…" – disse acariciando a face corada da jovem – "temos que olhar os papéis para nosso casamento… ver se seus documentos estão em dia…" – falava suavemente – "quero ver isso o mais rápido possível…".

"Tudo bem…" – o abraçou encostando a cabeça no peito do noivo e pôde ouvir o coração dele acelerado. Fechou os olhos e sentiu sua cintura ser envolvida por ele, sorriu e relaxou um pouco. Shaoran beijou-a na testa. Ficaram abraçados e o cansaço começou a tomar conta do corpo dela.

"Vamos jantar, minha Flor…" – sugeriu antes que ela acabasse dormindo. Concordou com a cabeça e entraram.

Na quarta-feira à noite…

"Oi Eriol… Como estão os preparativos?…" – Shaoran falava pelo telefone com o amigo da biblioteca.

"Tudo certo,… os documentos ficam prontos amanhã…" – ele tomou algum fôlego – "Tomoyo já reservou o templo para o sábado,… já contratou o serviço de buffet,… a empresa de vídeo, já preparou suas roupas, escolheu as músicas da festa, já…".

"Eriol… eu sei que Tomoyo está fazendo um bom trabalho… você não precisa me dar a lista completa das tarefas que ela está realizando…" – interrompeu-o rindo um pouco.

"Ela está me deixando maluco, meu caro descendente…" – suspirou.

"Me desculpe pelo trabalho que estou dando a vocês…" – pediu.

"Não se preocupe,… mas acho melhor desligarmos…" – Shaoran pôde imaginar o sorriso que Eriol tinha no rosto quando viu Sakura parar na porta da biblioteca.

"É acho que tem razão…" – sorriu para a noiva que o olhava confusa.

"Eu sei que tenho…" – o mago se gabou.

"Você não muda mesmo…" – balançou a cabeça negativamente – "nos vemos no sábado…".

"Sim… tchau…" – Shaoran desligou e ficou olhando para o aparelho por alguns segundos. Ergueu a cabeça e se levantou seguindo para a porta.

"Quem era?…" – ela perguntou vendo-o se aproximar.

"Eriol estava comentando o entusiasmo de Tomoyo programando coisas para nossa ida à Tomoeda... disse que ela o está deixando maluco..." – ele suspirou – "Mas não é para nos preocuparmos com isso, não?..." – ele a enlaçou pela cintura.

"É bem típico da Tomoyo fazer esse tipo de coisa…" – mostrou-se um pouco constrangida – "aposto como já tem um monte de roupas novas e fantasias me esperando…" – suspirou pensando nas horas que provavelmente passaria sendo filmada pela prima. Ele sorriu e a abraçou.

"Você fica uma gracinha com aquelas roupas que a Tomoyo faz…" – disse debochado.

"Gracinha você vai ver…" – fez biquinho e cruzou os braços ainda sendo abraçada pelo rapaz.

"O que você vai fazer?…" – tentou beijá-la, mas ela virou o rosto – "não vai dizer que você ficou brava por causa disso?…".

Ela não respondeu. Apenas continuou de cara virada, com uma expressão de raiva. Se ela estava mesmo brava ou apenas querendo provocá-lo, Shaoran não pôde dizer. Apenas tentou beijá-la mais uma vez. A garota tentou desviar o rosto novamente. Ora, aquilo já estava ficando um tanto infantil por parte dela. Fora apenas uma brincadeira. Não havia razão para que ficasse daquele jeito.

"Ora Sakura,… você sabe que eu estava só brincando…" – se afastou um pouco dela fitando o rosto perfeito da noiva, com uma expressão que definitivamente não combinava com ela – "eu só falei aquilo porque você fica linda de qualquer maneira…" – olhou para ele, mas não desfez o bico – "mesmo envergonhada e usando aquelas roupas cheias de fitas e babados que a Tomoyo insiste em fazer para você…" – não virou o rosto, mas evitava encarar as gemas ambarinas do rapaz, ele se aproximou devagar – "minha flor,… não fica brava comigo…" – percebeu que ela se segurava para não sorrir.

Ficou admirando-a em silêncio, ela o encarou e viu que os olhos dele pediam permissão para se aproximar. Abaixou os olhos por um instante sem conseguir evitar sorrir, encarando-o em seguida.

"E tem como ficar brava com você?…" – perguntou descruzando os braços e erguendo-o devagar passando os dedos pelo peito dele, subindo até envolver completamente o pescoço. Aproximaram-se lentamente. Ele tocou suavemente os lábios dela, aprofundando o beijo quando ela os entreabriu. Separaram-se e saíram da biblioteca de braços dados, seguindo para a sala de jantar.

No sábado de manhã, uma correria um tanto anormal para uma simples viagem era vista na mansão Li. Sakura tomou seu café calmamente, havia acordado mais tarde que os outros habitantes da casa. Via Shaoran correr de um lado para o outro, alguma coisa estava muito suspeita naquela atitude dele. Balançou a cabeça.

'Deve ser apenas impressão minha…' – terminou de tomar o suco de morango e foi até seu quarto terminar de se arrumar, suas malas já estavam no carro. Prendeu o cabelo em uma trança e passou uma sombra verde e um brilho nos lábios. Deu uma olhada em sua imagem no espelho. Sempre achara bonitas as roupas chinesas, mas ultimamente era só isso que vinha usando, cada vez que saía com Meilin compravam vários conjuntos e vestidos. Estava usando uma calça corsário amarela, com detalhes em vermelho e uma blusa, de mangas curtas, com as mesmas cores. A blusa tinha um ramo de nadeshikos bordados no alto das costas. Sorriu.

'Vou sentir falta dos meus 'kimonos'…' – pensou suspirando. Deixou o quarto em seguida, encontrando Shaoran que a esperava na porta da mansão. Partiram para o aeroporto.

Ao desembarcar, Sakura ficou surpresa ao ver Yukito esperando-os. Acompanhou-os de Tokyo a Tomoeda de carro. Shaoran se mostrou um tanto agitado durante o trajeto, mas sempre que ela perguntava o que estava acontecendo ele dizia que estava tudo bem e mudava de assunto.

"Tomoyo pediu que quando chegássemos, fôssemos direto para a casa dela,…" – disse quando estavam entrando na cidade – "mas vamos para casa primeiro… deixamos nossas bagagens lá e depois…".

"Faremos o seguinte… você fica na casa de Tomoyo… e eu levo nossas malas para a casa de seu pai…" – Shaoran a interrompeu – "ligo para casa avisando que chegamos e depois vou para a casa de Daidouji também…".

"Mas Shaoran…" – ela tentou argumentar.

"Ora Sakura…" – sorriu e passou a mão no cabelo dela – "serão apenas alguns minutos… e assim vocês podem conversar sem problemas…" – deu um delicado beijo em seu rosto – "depois também Eriol está trabalhando agora… deve sair do expediente daqui a vinte minutos…" – olhou no relógio – "sabe que me sinto desconfortável estando sozinho com você e Tomoyo…" – Yukito parou o carro na frente da casa de Tomoyo – "acabo sendo deixado de fora da conversa…".

Ela suspirou e concordou com a cabeça um pouco pensativa.

'Definitivamente tem algo estranho acontecendo…' – pensou despedindo-se de Shaoran com um selinho. Viu o carro partir e virou-se para entrar na casa da prima. Tocou o interfone.

"Bom dia,… o que deseja?" – disse uma voz pelo aparelho.

"Bom dia… eu sou Sakura Kinomoto e gostaria de falar com Tomoyo, por favor…" – pediu.

"Um instante Srta. Kinomoto…".

O portão foi aberto e ela caminhou até a entrada da casa onde a prima a esperava, como sempre fazia.

"Bom dia Tomoyo!…" – cumprimentou-a.

"Bom dia Sakura… entre vamos…" – a puxou animadamente para dentro da casa – "temos tantas coisas para fazer… e tão pouco tempo…".

"Pouco tempo para quê Tomoyo?…" – teve a pergunta ignorada pela prima que continuava tagarelando enquanto a arrastava para seu quarto. Quando Tomoyo finalmente soltou Sakura, dentro de seu quarto, trancou a porta e foi até o armário, pegou um grande pacote cuidadosamente embrulhado em papel de seda e o depositou sobre a cama. Começou a empurrar Sakura para o banheiro.

"Calma Tomoyo… o que você está fazendo?…" – segurou as mãos da prima, que a olhou com um brilho de animação no olhar diferente de qualquer que já teve. Sakura até teve medo – 'O que ela está aprontando?…' – se perguntou ligeiramente encolhida.

"Pode contar para ela Tomoyo…" – Meilin apareceu vindo do banheiro – "não vamos conseguir arrumá-la se não contarmos…".

"Meilin… você não ia para a casa de campo em Chao'an ontem?…" – encarou espantada a chinesa.

"Ora Sakura,… se eu tivesse ido para Chao'an não estaria aqui agora…" – ergueu os braços.

"Mas… mas…" – respirou fundo – "podem me explicar o que está acontecendo aqui?…".

"Nós temos que aprontá-la…" – Tomoyo começou. Sakura fez uma expressão que dizia: 'Aprontar-me para quê?…' – e foi Meilin quem respondeu.

"Aprontá-la para seu casamento…" – a garota de olhos verde-esmeralda ficou em estado de choque. Imaginava que Shaoran estava aprontando alguma coisa, mas não imaginou que fosse algo tão sério.

"…Kami Sama…" – foi a única coisa em que conseguiu pensar antes de desmaiar, sendo amparada pela chinesa.

No final da tarde na entrada do Templo Tsukimine…

Sakura esperava ansiosamente o momento em que entraria no templo para a cerimônia. Ela vestia um kimono de seda branca com estampa de sakuras rosas, as mangas tinham finos traços em azul formando o contorno de uma flor de cerejeira, entre as várias flores. O obi era azul celeste com nadeshikos delicadamente bordadas em fio também rosa. Tinha os cabelos presos em um belo coque, por palitos em 'x', permitindo que a franja ficasse solta.

Estava bastante nervosa. Apertou um pouco mais forte a mão de Fujitaka que tentava, em vão passar a ela tranqüilidade.

'Onde está o resultado do meu treinamento em artes marciais?…' – se perguntou respirando fundo, repetidas vezes.

"Minha filha…" – Fujitaka a chamou dirigindo-lhe um singelo sorriso, ela fitou o pai sentindo-se estranhamente mais tranqüila com o olhar que o patriarca da família Kinomoto lhe dirigia – "por que de todo esse nervosismo bobo?…" – ele tinha a voz suave.

Ela se acalmou um pouco e começou a pensar no motivo de estar sentindo toda aquela ansiedade.

"Você tem dúvidas com relação ao que sente por Shaoran?…" – ela negou – "Tem dúvida dos sentimentos dele?…" – sorriu e negou com a cabeça – "Tem dúvida de que seu destino e sua felicidade estão ao lado desse rapaz?…" – ela tinha lágrimas de felicidade nos olhos e abaixou a cabeça negando. Fujitaka a abraçou embalando a filha em seus braços. Ela se afastou um pouco e erguendo a cabeça, secou o rosto sorrindo.

"Obrigada papai…" – o abraçou com força – "por ter sempre estado ao meu lado,… por ter sempre me apoiado…" – sentiu o pai lhe abraçar também – "por ter zelado sempre por minha felicidade sem se importar onde eu fosse encontrá-la…" – se afastou olhando-o nos olhos – "por ter me dado tudo o que eu precisava para ser feliz durante toda a minha vida… eu nunca lhe dei nada para retribuir tudo o que o senhor fez por mim…" – ele segurou o rosto da filha entre as mãos e beijou-lhe a fronte.

"Você me presenteou inúmeras vezes Sakura…" – disse carinhosamente – "mostrando-me seu sorriso em todos os momentos em que precisei vê-lo…" – secou o rosto da filha cuidadosamente com um lenço – "mesmo sendo um presente simplório… sempre foi mais que o suficiente para mim…".

Os tambores do templo começaram a soar, iniciando a cerimônia, a noiva caminhava graciosamente pelo caminho que levava até o noivo, que estava também em vestes japonesas, acompanhada de seu pai. Um tapete de pétalas de flores de cerejeira em seu caminho, um belo sorriso nos lábios e uma nova vida se desenvolvendo dentro de si.

*****************FIM*****************

N/A – Eu nem acredito que consegui terminar… isso é tão emocionante… eu me sinto muito feliz nesse instante… Espero que tenham gostado…

Eu acho que só posso agradecer ao apoio que vocês tem me dado…

Por favor,… eu gostaria mesmo que deixassem um comentário com suas opiniões sobre esse fanfic…

Muito obrigada a quem deixou seu comentário:

DianaLua, Laine, Harumi Sato, AnGeL nAnDa, Jenny-Ci, Rosana, Mary Marcato, lupi_ati e Cherry

E também Rô (seus comentários certamente são os mais encorajadores que eu recebo, valeu por ter acompanhado essa estória), Felipe N.E.O.Q.E.A.V. (Fe, você sabe que eu te tenho no meu coração há muito tempo… obrigada por me agüentar), Atlantte (meu amigo sumido, que sempre que aparece me dá uma mãozinha) e Miaka Hiiragizawa (minha salvadora de todos os momentos, espero poder retribuir o que você fez por mim…)… vocês me ajudaram, me agüentaram, e com certeza, me deram muita força para seguir em frente… Dedico esse capítulo a vocês…

Thanks também aos meus dois novos amigos… Andréa Meiouh e Felipe S. Kai (valeu pela ajuda nesse capítulo…).

Beijos e até meu próximo trabalho…

Yoruki Mizunotsuki.