Ashita he

Em direção ao amanhã.

Kagome não estava pronta para a perda, mas quem estaria, não é? E mesmo assim…

Ela estava preparada para voltar a sua época, a qual sabia pertencer. Preparada para deixar os seus companheiros de viagens, amigos tão queridos e estimados… para a imensa dor que seria ter o filhote de raposa ali, seu pequeno protegido, sem os seus constantes cuidados. Preparada para se separar do seu primeiro amor, apesar de toda a dor enlameada aos bons e queridos momentos, uma forte amizade havia sido firmada entre eles, afinal.

Ela os largaria ali na Sengoku Jidai, seus mais preciosos bens… não tinha muito o que ser feito quanto a isso, ela bem sabia. E mesmo com a angústia permeando o coração, ela se mantinha de cabeça erguida, firme na convicção de que iriam ganhar.

Ela só não estava preparada por aquele desfecho.

Naraku tinha sido derrotado, sim. E a Shikon no Tama recuperada. E pela primeira vez, em muito tempo, ela achou que tudo ficaria bem.

Ledo engano.

Aprisionada na completa escuridão, lutando para manter a sua mente sã, tudo o que Kagome não esperava era encontrar um propósito para continuar a viver.

E muito menos, para seguir em frente.

Em direção ao amanhã.


E às vezes…

não há nenhum aviso. As coisas acontecem em segundos. E tudo muda.


Engolido pela escuridão, Naraku fitava a Shikon no Tama a sua frente. Sim, apesar de seu esforço para corrompê-la e ela estar completamente obscurecida por seu youki, ela emitia uma densa luz surgida de uma pequena rasura de um fragmento em seu interior. E com isso, ela clareava ao seu redor, iluminando-o parcialmente.

"A Shikon no Tama não concedeu aquilo que você realmente quer, não é?"

A voz suavemente triste da jovem sacerdotisa soou na sua mente pela memória revivida, ela havia acertar em cheio, ferindo o seu ego e amargurando a sua boca.

— O meu desejo verdadeiro, você diz? Isso mesmo… tudo que eu queria… era o coração da Kikyou.

O sussurro derrotado acompanhou as suas lembranças da sacerdotisa morta, da época em que ela era a sua única companhia, das conversas mantidas e dos sorrisos não compartilhados por ele, o qual guardou e desejou profundamente apenas para si próprio.

Um clarão o trouxe de volta a realidade.

— Parece que não serei capaz de me juntar à Kikyou…

Naraku sorriu diante a flecha purificadora que seguia em sua direção. Na verdade, ela almejava a joia, já que foi nela que a lâmina pontiaguda se fincou, mas ao perfurá-la pelo impacto, o hanyou também seria pego por ela. Ao menos pelo poder puro que a envolvia.

— …nem mesmo na morte.

.

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— Eu… consegui?

Kagome perguntou para ninguém em específico, tinha dado vazão ao seu pensamento pelo fenômeno que se seguiu assim que sua flecha desaparecerá metros a frente. A sua energia espiritual se espalhava pelo local, ininterrupta, purificando todas as massas de shouki do vilarejo, limpando o miasma estagnado no ar.

Ao longe, os aldeões observavam surpresos, felizes por não estarem mais em perigo e estupefatos pelo poder demonstrado pela jovem sacerdotisa.

Uma explosão de luz ocorreu, cegando-os momentaneamente. Assim que ela sumiu por completo, trouxe consigo o corpo deformado de Naraku e a Shikon no Tama purificada com uma flecha perpassando-a, causando choques vez ou outra pelo atrito entre o reiryoku de Kagome e a própria energia da joia.

— Naraku!

InuYasha exclamou surpreso, colocando-se na frente de Kagome para evitar qualquer ataque que o outro pudesse fazer, mesmo que sua aparência indicasse o fim de tudo. Seus companheiros aproximaram-se para presenciar a queda do inimigo, até mesmo Sesshoumaru.

Flutuando sobre o Poço Come-Ossos, o kumo-hanyou riu em escárnio. Seus olhos opacos fitavam a joia sem realmente vê-la.

— Naquele momento, eu fiz um desejo para a Shikon no Tama. – revelou.

— Naquele momento? – Kagome estranhou, saindo detrás do amigo para indagar ao moreno.

— No momento em que o Mugen no Byakuya cortou você. – o rosto melancólico voltou-se para ela. – Quando eu morrer, esse desejo será concedido. O desejo que a joia me forçou a fazer.

Kagome franziu o cenho diante a resposta, confusão estampando sua face com o rumo da conversa. Questionava-se sobre o que era, realmente, aquela espada estranha que a cortou e, mesmo assim não lhe causará dano algum. E como poderia a joia forçar alguém a fazer um desejo…?

— Naraku… – sussurrou ao vê-lo desvanecer.

Pelo visto ela não teria respostas para as perguntas que surgiram a sua mente. Todos permaneceram em silêncio, cada qual perdidos em pensamentos. Kagome só voltou a si quando flagrou um movimento na sua linha de visão, Sesshoumaru movia-se altivo, afastando-se deles em direção a pequena Rin e o youkai verde.

Ele não tinha o porquê permanecer ali, no fim das contas.

— Ah! – Miroku exclamou.

Com uma expressão surpresa ele desenrolou de forma desajeitada o rosário da mão, os seus olhos arregalados pela sensação estranha que sentirá. Afastando o pano dela, ele pôde contemplar a palma lisa sem o menor sinal do buraco negro.

— Houshi-sama…

— O Kazaana desapareceu? – Kaede perguntou aproximando-se deles.

— A maldição foi quebrada! – alegrou-se Sango.

— Com certeza o Naraku não está mais neste mundo.

Apesar de sentir-se levemente condoída com o fim trágico que se deu a vida do Onigumo, o kumo-hanyou Naraku, a sentença de Miroku trouxe um sorriso a Kagome, agora que ele estava livre da maldição, poderia viver uma vida longa e feliz ao lado da amiga. Só que antes que ela pudesse manifestar a alegria que a dominou, o seu sorriso sumiu.

Estática, Kagome pressentiu o perigo a envolver e, com isso, ela apertou o arco contra o seu peito, como se o ato pudesse dar a segurança que ela buscava. No instante seguinte, um vento repentino jogou os seus cabelos para trás, farfalhou o seu uniforme e um frio na barriga a dominou - daqueles de gelar a alma quando você tropeça na escada e, por pouco, não cai dela.

— O qu- Kagome!

O grito estridente de InuYasha chamou a atenção de todos para o que acontecia. Ele saltou e com a mão estendida tentou, em vão, pegar a que foi estendida em sua direção. Inútil. O desespero nos olhos cor de mel foi a última coisa que ela viu ao ser puxada, sugada por uma Meidou e desaparecer.

Por completo.

Para sempre.

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Escuridão.

Infinita obscuridade.

Foi a única coisa em sua mente naquele breve instante. E não importava que estivesse com os olhos bem abertos, pois a sensação era de estar com eles fechados, já que onde quer que ela olhasse só o breu a cercava. O seu corpo permaneceu estático, paralisado com a nova realidade.

Kagome tinha pensado que a luta acabará. Que a derrota de Naraku poria fim em tudo. Que ela estava, em fim, a salvo. Quando ela iria se acostumar com as reviravoltas nas lutas contra o hanyou?

Era uma tola por ainda manter a esperança acesa.

Era até engraçado se parasse para pensar, a vida parecia gostar de ferrar com as pessoas. Quando pensamos seguir de um jeito, ela vem e modifica tudo ao redor, fazendo com que tenhamos que repensar novamente nos próximos passos. O destino sempre rindo na cara dos que pensam ter o controle da própria vida.

Hilário, sem sombra de dúvidas.

Kagome forçou seu próprio corpo a se mexer, já que de nada adiantaria ficar ali parada.

Onde será que estou?

A total falta de luz trazia uma sensação estranha em seu âmago, andava a esmo sem saber para onde ir. O seu coração solavancando na caixa torácica pela ansiedade, o medo percorrendo a suas veias e embrulhando o seu estômago. Deus, ela nem sabia se pisava sobre algo sólido.

— Alguém pode me ouvir?!

Gritava vez e outra, tentando ocupar aquele silêncio sepulcral com a sua voz, e mesmo que as palavras estivessem entrando por seus ouvidos, ela não tinha certeza se o som saia por sua boca, ou não. As suas mãos tremiam e para mantê-las quietas, ela apertava firmemente o arco em mãos. A sua respiração estava alta, retumbando em sincronia com o coração.

Kagome achava bem provável morrer de ataque cardíaco, mesmo sendo tão nova e não sofrendo de doença alguma, aparentemente.

Sendo sincera consigo mesma, se continuasse daquela forma, ela poderia muito bem enlouquecer. Quanto tempo ficará andando sem rumo? Não saberia dizer. Sabia apenas que não conseguir enxergar a si mesma era horrível. Será que poderia esquecer de como se parecia? Tinha seu tato para sentir, reconhecer-se se quisesse e assim acalmar aquele sentimento, mas… seria, de fato, algo real?

Não seria a sua mente criando uma falsa esperança?

— Alguém aí?!

Haveria alguém ali, além dela mesma?

Alguém?!

Será que teria algo ali, além dela?

— Por favor!

Louca.

— Por favor!

Sim, Kagome ficaria completamente louca se continuasse daquela forma. Seus passos cessaram.

Mas…

Para onde eu devo ir…?!

Indagou-se, girando sobre os calcanhares ela tentou encontrar algo, alguma coisa que pudesse ajudá-la. Só que o seu esforço foi em vão, mesmo que tivessem coisas ao redor, como enxergaria naquela escuridão?

Os seus lábios trêmulos se entreabriu, só que som algum foi proferido. O medo plantado no seu coração, criará raízes e essas, firmes e fortes, emaranhavam seu corpo inteiro, mantendo-a travada no lugar. Seus olhos ardiam pelas lágrimas contidas, mas que naquele exato instante percorreram livremente as suas bochechas, sem fim definido na escuridão.

Qual foi o último desejo de Naraku?!

Sua mente gritou.

Piscou.

Uma… duas… quatro vezes.

E… então…

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Os olhos azuis abriram de forma brilhante e fitou intensamente o cenário a frente.

Garotos conversando alto, contando piadas e rindo escandalosamente. Garotas em seus grupinhos conversavam mais brandamente e, como tal, sorriam de forma contida. Olhares eram trocados, às vezes cumprimentos eram soltos a distância.

Alguns andavam em pleno silêncio, fones nos ouvidos mostrando que estavam imersos em músicas, outros apenas mexendo no celular e, poucos seguiam de bicicleta. Havia alguns casais também, que andavam de mãos dadas, com conversas baixas e secretas, alguns apenas apreciando a companhia um do outro, os sorrisos nos rostos demonstrando a felicidade alheia.

Só que a interação dos alunos parecia, de alguma forma, desconectada de sua mente. Como se algo… algo não estivesse certo… faltava alguma coisa…?

— Kagome-chan!

— Hm? – olhou para trás, notando as amigas vindo ao seu encontro.

— Venha, vamos fazer compras. – exclamou Yuka.

— Sim, podemos comprar roupas esportivas adequadas para o clube. – emendou Eri empolgada junto de um aceno divertido de Ayumi.

Ah, sim.

Agora ela se lembrava.

Isso mesmo, era o término das aulas e esperava por elas na estrada do colégio.

Sorriu expondo a felicidade as amigas que riram consigo. Todas estavam felizes, era mais uma etapa alcançada para o futuro que estava por vir.


Olá~ s2

Estou aqui com essa belezura , tenho alguns capítulos postado em outra plataforma , mas enquanto a criatividade e falta de vontade não vem a mim para continuá-la , resolvi trazê-la pra cá~ confesso , estou buscando inspiração para terminá-la , assim como as muitas outras fanfic's que tenho... sorry~

Eu espero profundamente que gostem dela , terão ao longo dos capítulos personagens criados por mim~ estão , já viu huasuhashas

Divirtam-se nessa empreitada! Beijocas! =* E cuidem-se diante essa pandemia~