Avisos: spoiler dos livros da Julia Quinn (O Visconde que me Amava e Uma Dama Fora dos Padrões), da terceira temporada de How I Met Your Mother e de Friends.

James = Prongs.

Sirius = Padfoot, Pads.

Remus = Moony.

Peter = Wormtail, Worm.

Preparem os fones e vamos para a leitura!

23 de novembro de 2018.

James.

-Caralhoooo, finalmente está acontecendo! –ouvi Sirius gritar pela milésima vez desde que entramos no carro.

-Sim, Pads, estamos indo para Cancún para nossa viagem de formatura –Remus bufou no banco de trás.

-Dá para acreditar? Estamos nos formando! E estamos solteiros! Vamos para outro país, conhecer umas gringas gostosas, encher a cara dia e noite! –ele continuou falando como se não tivesse sido interrompido.

-Padfoot –resmunguei no volante quando ele gritou mais uma vez –estamos tão felizes quanto você, e estamos esperando essa viagem tanto quanto você, mas cara, preciso mesmo te lembrar PARA NÃO GRITAR NO MEU OUVIDO ENQUANTO EU DIRIJO?

-Que mau humor, Prongs –bufou em resposta.

-Eu concordo com o James. Não aguento mais, cara –acrescentou Moony –E, além disso, é uma viagem de formatura adiantada! Só sairemos do Ensino Médio em junho.

-Você tinha que acabar com a graça, Moony? –resmungou Sirius.

-Eu não acredito que a minha mãe me deixou ir –riu Peter –Tive que insistir por mais de três meses, mas valeu a pena.

-Caralho, Wormtail, você precisa mesmo lembrar que teve que ficar três meses insistindo para a sua mãe deixar você viajar com a escola? Com 17 anos? –gargalhei.

-É que a mamãezinha não queria deixar o ratinho sair de perto dela –Sirius me acompanhou na gargalhada.

-Calem a boca, vocês aí –interviu Remus –Essa viagem vai ter bebida, mulheres, balada...a mãe dele tem razão de ficar com um pé atrás.

-Claro, Moony, o que você quiser acreditar –ri baixinho.

Chegamos ao aeroporto exatamente às 9:00 da manhã. Nosso voo seria às 11hs, mas antes, teríamos que fazer check-in, despachar as malas, e encontrar com o grupo da viagem.

-São quantas escolas de Londres que estão indo também? –perguntou Peter, quando já estávamos junto ao grupo na fila para entrar no avião.

-Três, contando com Hogwarts –respondi –Não sei o nome das outras.

-Beauxbatons e Durmstrang –disse Remus –O primeiro é feminino e o outro masculino –os olhos de Pads brilharam.

-Quê? Beauxbatons é um colégio só para mulheres? –indagou –Imagina quão desesperadas elas devem estar nessa viagem! Vão cair tudo em cima do papai aqui –apontou para si mesmo, levantando as duas sobrancelhas sem parar.

-Padfoot, não seja tão nojento –repreendi –Esqueceu o que conversamos antes de sair? O que a minha mãe te falou?

-Sim, sim –fez um gesto de descaso –Mamãe Potter falou 355 vezes que "mulheres não são objetos", e blá blá blá. Eu entendi essa parte! Eu só quero curtir essa semana, beijar na boca e beber para cacete. Não vou fazer nada que elas não queiram, ok?

-Obrigado –agradeci.

-E eu não sei nem do que você está reclamando, Potter –comentou Wormtail –Os avisos foram para os dois.

-Sim, mas eu garanto que eu sou milhões de vezes mais cavalheiro que esse babaca –me defendi.

Qual é, eu não sou santo, já beijei mais mulheres do que posso contar nos dedos, mas eu nunca beijei na mesma noite, mais de três. Pads já beijou oito! E não fez questão nenhuma de esconder. Beijou uma na frente da outra. Estou surpreso até hoje que ele só levou três tapas, levando em consideração que ele mexeu com irmãs e amigas.

-Bom, o único santo aqui sou eu –se gabou Remus –fui o único que não levei nenhum tipo de aviso.

-Eu também não, ué –disse Peter.

-"Nada de comer até passar mal de novo, Peter Pettigrew" –gargalhou Sirius, imitando minha mãe.

-Foram só cinco vezes! –ele reclamou, nos fazendo acompanhar Padfoot na risada.

-E Moony –apontei para ele –"nada de entrar na onda desses irresponsáveis e quebrar as regras, mocinho".

-Pobre mamãe Potter –suspirou Pads dramaticamente –ela acha que ele é santo. Mal sabe ela, que foi ele que fez todo o plano de explosão do laboratório de química.

-E de jogar pó de mico na sala inteira –completei.

-E de soltar os ratos do laboratório de ciências –acrescentou Pete.

-Ok, ok –ele ergueu as mãos como se estivesse se rendendo –assumo as responsabilidades aqui. Levei detenção, não levei? Porém, nenhum dos nossos pais vai saber disso, capiche?

-Próximo –chamou a mulher que estava autorizando a entrada no avião.

Entramos e nos acomodamos nos assentos, olhando ao redor para ver se achávamos algum rosto conhecido.

Esse voo foi reservado especialmente para nós, formandos da Inglaterra. Só tinha adolescentes e uns cinco adultos, que trabalhavam nas escolas.

Achei alguns caras da minha sala, e algumas meninas também. As garotas da outra escola, Beauxbatons, eram incrivelmente gatas. Princesinhas, claro. A maioria de salto alto, maquiagem leve, unhas feitas, e cabelos perfeitamente arrumados. Definitivamente lindas.

Essa viagem seria inesquecível.

29 de novembro de 2018.

James.

-Não acredito que esse já é o último dia –lamentou Pads, vestindo a camisa –E a última festa.

-Passou muito rápido –concordou Moony, passando o perfume –Mas aproveitamos, né?

-Oh, se aproveitamos! –falei –Até o Wormtail beijou na boca –gargalhei gostosamente.

-Foram duas meninas, ok? –ele acrescentou –Perdi meu BV nessa viagem, mais respeito.

Nós três nos entreolhamos e começamos a rir, tacando almofadas em Peter.

-Nosso bebê perdeu o BV, galera! –disse Sirius, enxugando as lágrimas de riso.

-E nessa última festa, a gente vai dançar, beleza? Não quero saber de ninguém no cantinho com uma cerveja na mão, só observando. Ouviu, Moony? –perguntei olhando para ele, com a sobrancelha erguida.

-Claro, cara –bufou em resposta.

Terminamos de nos arrumar e fomos junto aos nossos colegas até a festa.

-É banda ao vivo hoje! –Peter exclamou, quando entramos.

-Pela primeira vez –assenti.

Fomos direto para o bar, pegando uma bebida cada um. Quando um rock conhecido começou a tocar, fomos para perto do palco dançar.

-Será que eles deixam a gente tocar uma? –Sirius gritou no meu ouvido, depois de termos dançado umas sete músicas.

Pelo menos a parte da dança já estava paga para todos.

-Pads, não sei. Acho difícil. Principalmente porque somos um bando de adolescentes –respondi, dando de ombros.

-Mas você quer tentar?

Analisei suas expressões, percebendo que ele estava animado e definitivamente ansioso para pegar na bateria. Olhei ao redor, pensando por um segundo.

-Vamos –anuí.

Fizemos um high-five e fomos convencer os outros dois.

-Prongs, vocês estão loucos?! –Remus me olhou como se eu tivesse três cabeças.

-Claro que não, Moony –revirei os olhos –mas quais as chances dos caras toparem? E se toparem, o que temos a perder?

-Já fizemos vários shows na escola, então quem nos conhece já sabe da nossa banda. O que custa tocar uma musiquinha para outras garotas –bati no peito de Pads e ele limpou a garganta, se corrigindo rapidamente –para outras pessoas nos conhecerem?

-Queremos crescer na música, não queremos? –Wormtail, que concordou de primeira, veio em nossa defesa –Precisamos aproveitar as oportunidades, então.

Remus nos olhou por uns minutos, em silêncio.

Imagino que devíamos estar incomodando as pessoas que queriam dançar, já que estávamos na primeira fila parados, lugar este, que muitos estavam almejando. Senti olhares raivosos em minha nuca.

Sabe aquilo de sentir o olhar de alguém? Esse eu definitivamente senti. Seja lá quem for, deve estar furioso.

Virei para trás lentamente, procurando a pessoa com o olhar tão intenso, e quando eu a vi...eu perdi o fôlego.

Era a mulher mais linda que eu já tinha visto, definitivamente. Os olhos que me perfuraram eram em um tom incrível de verde, os cabelos compridos e ondulados, em um tom de ruivo que mostrava com clareza o temperamento dela. Suas curvas...senhor, que curvas! Era baixinha, com um corpão violão. Usava um vestido justo, preto, com um salto incrivelmente alto.

Porra, nem sei quanto tempo eu passei olhando para ela.

O olhar dela começou a mudar de raivoso para confuso, provavelmente por eu estar encarando-a tão descaradamente. Mas eu não conseguia evitar, ela era linda demais para não se olhar.

-Prongs, vamos pro palco –Moony me deu um soco no ombro, me tirando do transe –Pads já conseguiu que a gente tocasse, o que foi um milagre, mas se você demorar, não vai rolar, cara.

Meu Deus, quanto tempo eu perdi olhando para aquela mulher? Bom, muito, pelo visto, já que Moony e Wormtail estavam me puxando pela camisa até uma escadinha ao lado do palco.

"Não", me corrigi rapidamente em pensamento "eu não perdi tempo nenhum olhando para ela. Admirar a beleza dela com certeza não é perda de tempo".

-Ok, que tal "Pretty Woman"? –perguntou Sirius, já se posicionando atrás da bateria.

Como já sabíamos aquela música de cor e salteado, concordamos. E eu estava atordoado demais para pensar em outra canção naquele momento.

(Roy Orbison – Pretty Woman).

Pretty woman, walkin' down the street
Pretty woman, the kind I'd like to meet
Pretty woman, I don't believe you, you're not the truth
No one could look as good as you, mercy

Quão inacreditável era essa música? E quão acreditável era ela encaixar exatamente naquele momento, em que eu cantava para a ruiva da plateia?

Pretty woman, won't you pardon me?
Pretty woman, I couldn't help but see
Pretty woman, that you look lovely as can be
Are you lonely just like me?

Pretty woman, stop awhile
Pretty woman, talk awhile
Pretty woman, give your smile to me

Porra, ela sorriu pra mim. Eu não estou louco, ela sorriu pra mim. Claro, eu não tirei os olhos dela em momento algum, então é óbvio que ela percebeu que eu cantava pra ela...mas ela queria dizer o que eu achava que queria?

Merda, James Potter, você já está começando a delirar. Você pediu para ela sorrir, ela sorriu. Pronto, só isso.

Isso não significa que ela está interessada em você. Né?

Pretty woman, yeah, yeah, yeah
Pretty woman, look my way
Pretty woman, say you'll stay with me

'Cuz I need you, I'll treat you right
Come with me, baby, be mine tonight

Nossa troca de olhares foi interrompida por algo no celular dela. Ela o pegou na bolsa, que estava trançada lindamente em seu belo corpo...Jesus, quando eu fiquei tão romântico?

Pelo visto o celular estava tocando. Ela virou para uma menina morena que estava ao seu lado, gritou algo no ouvido dela, e saiu da festa. Sem olhar para mim.

Pretty woman, don't walk on by
Pretty woman, don't make me cry
Pretty woman, don't walk away, hey, ok
If that's the way it must be, ok

I guess I'll go on home, it's late
There'll be tomorrow night, but wait
What do I see?

Is she walkin' back to me?
Yeah, she's walkin' back to me
Oh, oh, pretty woman

A música acertou tudo, exceto a última parte. Ela não voltou para a festa, por mais que eu a tenha procurado, tanto em cima do palco, quanto fora dele.

-James, você está bem? Vai quebrar o pescoço desse jeito –Moony interrompeu minha procura.

-Eu vi uma garota linda, cara. Preciso achá-la –respondi, continuando a busca.

-Desde quando você precisa achar uma garota, idiota? –riu Sirius.

-Desde hoje –respondi dando de ombros –Ela é especial, Pads, eu sei.

Os três me encararam atônicos.

-O quê? –Wormtail interrompeu o silêncio.

-Você pelo menos sabe o nome dela? –Remus cruzou os braços, me encarando com seriedade.

-Não –respondi –Mas ela é especial. Eu estou sentindo.

Senti um tapa forte na cara, me fazendo olhar com os olhos arregalados para Padfoot.

-Você endoidou, babaca? –dei um soco forte em seu ombro, em resposta.

-Parem com isso, os dois –Moony interrompeu a mão de Sirius que estava vindo em minha direção.

-Você que enlouqueceu, Prongs –Pads me acusou –Você não falou com a garota, não sabe o nome dela e está me dizendo que ela é especial? Qual é, idiota?

-Sirius –respirei fundo, contendo a irritação. Ou pelo menos tentando –Olha só, eu preciso achar essa menina. Eu preciso conhecê-la. Não sei o porquê disso, mas eu preciso, valeu?

Ele balançou a cabeça em negação.

-James, não dá para se apaixonar por alguém que você não conhece!

-Eu não estou apaixonado, caralho –meu Deus, que vontade de dar um soco na cara dele –Ela é a mulher mais linda que eu já vi. Eu só quero conversar com ela.

-Tá bom, mas eu não vou me meter nessa –o olhar de raiva dele não me passou despercebido –Tem uma morena gostosa me dando mole, vou falar com ela –ele me deu um soco leve no ombro –Boa sorte em achar essa menina. –a ironia em seu tom de voz foi óbvia.

-James, não leva pro lado pessoal...-começou Remus –você sabe que ele tem horror a se apaixonar e detesta quando você namora.

-Eu sei –bufei –Ele sempre acha que eu vou deixá-lo de lado.

Balancei a cabeça, tirando Pads dos pensamentos. Nesse momento, eu tinha algo mais importante para me importar.

-Como ela era? –perguntou Peter, analisando as pessoas ao nosso redor.

-Vocês vão me ajudar? –perguntei, com seriedade –Olha, eu não sei explicar o que está acontecendo, mas eu sinto a necessidade de falar com ela. Então, por favor, não me façam perder tempo.

-Vamos te ajudar, Prongs –disseram em uníssono. Olhei-os nos olhos e notei que falavam a verdade.

-Ok, -suspirei, arrepiando os cabelos –ela é ruiva, baixinha, usava um vestido justo e preto, tem olhos verdes...-a descrevi.

Eles assentiram, passando os olhos pelo ambiente e logo saímos à procura dela.

Eu já tinha analisado o rosto de cada uma das pessoas daquele lugar mais de sete vezes, e nada. Já estava perdendo as esperanças. Porra, por que ela tinha que sumir desse jeito?

Eu não sei se ela é mexicana, ou se está aqui em uma viagem de formatura. Não sei o nome dela para encontrá-la na Internet, nada. Meu Deus, e se eu nunca mais a ver?

"Não", me repreendi "você vai achá-la, James. Foco!".

-James, ela está aqui fora, nos jardins –disse Wormtail quando atendi sua ligação –Está no telefone. Corre aqui, cara.

Não precisei pensar duas vezes. Quando percebi, já me encontrava ao lado de Pete olhando-a.

Era ela.

Uma onda de alívio se apossou do meu corpo. Wormtail apertou meu ombro em incentivo e saiu. Aproximei-me lentamente para não assustá-la.

-Não, Amos –a ouvi murmurar –Claro que eu nunca faria isso com você, querido. –ela deu uma pausa –Os stories da Lene só significam que eu estou me divertindo na minha viagem, poxa. Quer que eu te lembre do que você fez na sua? –mais uma pausa –Não seja hipócrita. Ok, não estávamos juntos naquela época, mas que eu saiba, esse namoro não é mandato de prisão –pausa longa –Eu não estou te traindo, cacete! –o tom irritado dela era definitivamente sexy. Já a conversa...nem tanto–Amus, eu não aceitei o pedido de namoro para brincar com você. Eu sou um uma mulher séria. Eu estou com você, e só com você –por algum motivo, aquilo doeu.

Não consegui ouvir mais o que ela tinha a dizer ao tal Amos. Só de pensar no nome dele, já vinha um gosto amargo em minha boca, o que era ridículo. Ciúmes de uma desconhecida!

Fui me afastando da mesma forma que me aproximei e fui deixando de ouví-la. De repente, não estava mais no clima para festa. Só queria ir para a casa e assistir um filme com a minha mãe, independente do quanto me zoariam se eu dissesse isso.

Por que aquela mulher tinha que estar namorando sério? Por que ela não poderia estar comigo nesse momento?

Porra, James, o Sirius tem razão. Você nem falou com a menina, não faz ideia do nome dela, só sabe como ela é fisicamente e que é inglesa (pelo sotaque) e pronto. Mais nada! Por que se incomodar tanto?

Voltei para a festa só para avisar Remus que estava saindo e fui para o hotel.

Me senti o cara mais imbecil do mundo por não conseguir ficar mais naquela festa. Porém, não deu para evitar. Era a última festa da viagem e por uma garota que eu nem sabia a porra do nome eu não consegui aproveitar. Imbecil, imbecil, imbecil.

Depois de me arrumar para dormir, sentei na frente da TV e fui assistir um episódio qualquer de How I Met Your Mother. Quando vi que não conseguia mais me concentrar, peguei o violão (que comprei aqui, já que estava em uma promoção incrível. Não me perguntem como eu vou levar isso para casa, não faço nem ideia) e consegui, pela primeira vez, começar a escrever uma canção.

(Pass me by, R5)

Remember that trip we took in Mexico?
Yeah, hanging with the boys and all your señoritas
I never spoke up, yeah, I never said hello
But I keep on trying to find a way to meet ya
Yeah

I was chillin', you were with him
Hooked up by the fire

~J & L ~

18 de maio de 2019.

Lily.

-Não acredito que a Beuxbatons está fazendo, finalmente, uma festa sábado à noite! –exclamou Alice, olhando para o cartaz de anúncio no Instagram da escola.

-Eu também não –suspirei me jogando na cama –Mas tanto faz, não vou mesmo.

-Como assim você não vai? –Marlene me olhou cheia de raiva –Lily Evans, estamos pedindo por essa festa desde que começamos o Ensino Médio, e quando finalmente está acontecendo, você não vai?

-Lene, eu não tenho clima para isso –fechei os olhos –Estou querendo ficar quietinha em casa um pouco.

-Lily –Alice interviu –Poxa, nós sabemos o tanto que o término está sendo complicado para você, mas amiga, já faz três meses. Você precisa sair dessa.

-Eu não quero falar sobre isso –falei em um tom sério, e não precisei olhar para saber que elas estavam se entreolhando.

-Lils –começou Lene sentando na cama –você sabe que precisa falar sobre. Não dá para ficar guardando tudo para você.

-Faz bem desabafar –completou Alice, sentando do meu outro lado.

Abri os olhos para observá-las.

-Eu realmente não quero falar sobre ele, ok?

Elas suspiraram, mas assentiram.

-Mas isso não é desculpa para não ir à festa, Lily. –continuou Lice –Você ama festa, ama dançar, então para que se privar disso?

-Eu só não estou no clima –dei de ombros.

-Vamos sair da escola mês que vem –Marlene apelou –Você quer mesmo lembrar dos seus últimos dias no Ensino Médio desse jeito? Quando seus filhos perguntarem para você o que aconteceu nos seus últimos meses antes de ir para a faculdade você vai querer responder que –pigarreou –"ficou na fossa porque um ex namorado babaca te traiu"? –não consegui evitar os arrepios ao ser lembrada daquele assunto.

-Ou você vai querer dizer que foi para festas e dançou a noite toda com a tia Lene e a tia Lice? –Alice completou.

Sério, parece que elas ensaiaram esse discurso.

-Eu prefiro ler um livro, não é grande coisa.

-Ok, isso não é mais uma pergunta. –Marlene levantou determinada. Merda, detesto esse olhar –Nós estamos respeitando seu espaço há meses, mas já chega. Não vou te deixar passar outro final de semana deitada na cama desse jeito, ok? Tivemos três, repito, três festas em Hogwarts mês passado e você não foi em nenhuma!

-Eu não estou com vontade, Mckinnon –falei secamente.

-Mas vai estar quando chegar lá. Olha só, vou comprar um vestido novo para você amanhã. Sem desculpas, você vai –e saiu.

-Alice –gemi –dá um jeito nela.

-Sinto muito, querida –ela acariciou meus cabelos –mas ela tem razão. Você está deixando-o vencer. Não é justo, amiga! Ele fez besteira, ele que sofra o resto da vida porque te perdeu. Você não fez nada de errado, então vai levantar dessa cama, usar o vestido lindo que a Lene comprar e dançar a noite inteira, ok? –suspirei pesadamente –E para que você não fuja, estaremos aqui sábado 15hs para nos arrumarmos juntas. –abri a boca para protestar, mas ela foi mais rápida –Sem discussão, está decidido! Nos vemos amanhã na aula –ela deu um beijo na minha bochecha e saiu.

Fiquei um tempo ainda deitada, tentando achar uma escapatória. Porém, já dei todas as desculpas possíveis naqueles três meses, então não tinha mais jeito.

-Filha –meu pai bateu na porta –posso entrar?

-Pode –respondi, me sentando.

-Oi, princesa –ele sentou ao meu lado, depois de me dar um beijo na testa –Falei com as suas amigas... você vai em uma festa esse sábado, é isso mesmo?

-Papai...

-Não, deixe-me terminar. Eu sei que tudo que o Amos –me arrepiei só de ouvir o nome dele. De novo -fez te machucou muito. Eu e sua mãe estamos respeitando o seu espaço e te deixando sentir a dor. É melhor você sofrer agora e superar, do que ignorar todas as emoções e sofrer as consequências daqui um tempo, que com certeza seriam piores. Então, preciso te dizer que nós dois estamos muito felizes que você está tomando atitude e voltando a ser a Lily de antes. Estamos muito orgulhosos de você, querida –ele afagou meu coro cabeludo –Sei que não está sendo fácil, mas só de você ter decidido sair já é um grande avanço. Se precisar de dinheiro, roupas novas, maquiagem, qualquer coisa, é só pedir, está bem? Só queremos o brilho no seu olhar novamente.

Como, meu Deus, eu digo agora que eu não vou para a festa coisa nenhuma? Impossível, não dá! Certeza que essa chantagem emocional tem dedo da Lene...

Ela me conhece tão bem. Eu não consigo recuar agora. Não quando ele faz esse tipo de discurso e me olha segurando as lágrimas.

-Obrigada, papai –o abracei com firmeza –Vou tentar me divertir bastante, tá?

-É só isso que eu peço –ele me deu outro beijo na testa e saiu do cômodo.

Suspirei pesadamente, me jogando novamente na cama.

Me ferrei.

21 de maio de 2019.

James.

-Tudo pronto? –Remus perguntou, pela décima vez.

-Sim, Moony –Wormtail revirou os olhos.

-Galera –Sirius chegou, depois de falar com o cara do som –vamos entrar em um minuto.

-Estou nervoso –disse Remus, respirando com dificuldade.

-Nós sempre estamos, mas sempre dá tudo certo, né? –dei de ombros.

-Não, James...você nunca está –discordou Peter –Eu e Remus quase morremos do coração antes de tocar e vocês dois vão com uma confiança que dá raiva.

Eu e Pads nos entreolhamos e rimos.

-Fazer o que se temos certeza que somos incríveis? –dissemos em uníssono.

-Parem de fazer isso –resmungou Moony.

-Parar de fazer o que? –perguntamos.

-Isso! –Wormtail apontou para nós dois –De ficar falando ao mesmo tempo. Irrita!

-Não falamos ao mesmo tempo –demos de ombro.

-Por Deus, chega –continuou Remus –Já estou nervoso o suficiente, não me façam perder a paciência com vocês.

-Está na hora! –o cara do som nos chamou.

Eu e Sirius, como sempre, fomos na frente. Entramos e nos posicionamos, eu com a guitarra e o microfone principal e ele na bateria, sendo seguidos por Remus no baixo e Wormtail no teclado.

-Boa noite, Beauxbatons! –exclamei no microfone, fazendo a plateia virar para nós.

Era bastante gente, eu diria que por volta de 500 pessoas, mas já estávamos acostumados. Estamos sendo constantemente contratados para tocar nos colégios de Londres desde o ano passado.

-Boa noite! –exclamaram em resposta.

-Nós somos os The Marauders, e vamos entreter vocês nessa noite linda de sábado –continuei, com o discurso de sempre –Espero que gostem do nosso som!

-1, 2, 3, 4 –puxou Sirius.

(Jimmy Eat World – Sweetness).

Are you're listening
Whoa oh oh oh oh oh
Sing it back
Whoa oh oh oh oh
String from your tether unwinds (String from your tether unwinds)
Whoa oh
Whoa oh
Up and outward to bind (Up and outward to bind)
Whoa oh
Whoa oh
I was spinning free
Whoa oh oh oh oh oh
With a little sweet and simple numbing me

Ver a plateia começar a dançar e pular para tudo quanto é lado, ouvindo algo que estamos tocando é uma sensação surreal. Um dia, quero que façam isso com uma música minha...

Are you listening
Whoa oh oh oh oh oh
Sing it back
Whoa oh oh oh oh
So tell me what do I need (Tell me what do I need)
Whoa oh
Whoa oh
When words lose their meaning (When words lose their meaning)
Whoa oh
Whoa oh
I was spinning free
Whoa oh oh oh oh oh
With a little sweet and simple numbing me
Yeah, stumble 'till you crawl
Whoa oh oh oh oh oh
Sinking into sweet uncertainty

Ooh ooh ooh ooh ooh
Ooh ooh ooh ooh ooh
Ooh ooh ooh ooh ooh
Ooh ooh ooh ooh ooh

Abri os olhos depois de algum tempo apenas sentindo a música e novamente, senti aquela sensação de perder o fôlego. Uma garota se destacava, pelo menos para mim, no meio da multidão. Ela balançava o quadril, pulava e gritava a plenos pulmões.

Estava com duas meninas e um menino, todos dançando sem parar.

Tive a sensação de que já a conhecia, mas...de onde? Com todo o holoforte em meu rosto não consegui olhar direito para ela. Sei que era baixinha, e bem animada, mas só. Daqui não dava para ver seu cabelo e muito menos seu rosto.

Porém, de uma coisa eu tinha certeza: queria conversar com ela no final da festa. E torcia para que não tivesse a mesma decepção que passei com a ruiva de Cancún.

Tocamos por uma hora e meia, com intervalos a cada cinco músicas para beber água. Quando finalizamos e deixamos o DJ assumir o comando, já estávamos cansados, doloridos e suados, mas a sensação ainda assim era incrível.

De alguma forma, tínhamos nos encontrado na música.

-James, vai para a casa ou pra festa? –indagou Sirius, depois de passar um pano gelado no corpo e trocar de camisa.

-Ficar para a festa –respondi, já no processo de colocar a nova camisa.

-Ótimo, então ficaremos todos –ele se largou no sofá –Só me deem cinco minutos.

-Fique à vontade, vossa alteza –ironizou Remus.

-O show de hoje foi espetacular, não? –perguntei, sentando no chão –Acho que foi mais especial que os outros.

-Claro que você acha –bufou Wormtail –A ruiva gata estava aqui.

Congelei por um instante, assim como Sirius.

-Como assim? –foi só o que consegui perguntar.

-Ah, qual é, Prongs, você acha que eu não vi que você não tirou o olho dela a noite toda? –ele bufou –Você não sabe disfarçar. Estava quase babando nela.

-Espera, Worm, eu realmente não sei do que você está falando –levantei em um pulo –Ela está aqui?

-Está, Prongs –ele me olhou estranhamente –Ela estava dançando com duas meninas e um menino, gritando e pulando sem parar. Você ficou com os olhos grudados nela o tempo inteiro, cara.

-Era ela? –de repente, respirar ficou difícil.

-Os holofortes –murmurou Remus –Eles ficam focados no Prongs –explicou para nós, quando o olhamos confusos –então deve ser difícil de enxergar todo mundo com clareza.

-Eu não vi a cor do cabelo dela –assenti –Só algo nela me prendeu.

-De novo essa merda, Prongs –bufou Pads –Já chega dessa palhaçada, né? O que essa menina tem de tão especial, afinal?

-Eu não sei, Padfoot –respirei fundo –Só tem algo nela que eu gosto.

-E lá vai ele correr atrás de mulher e trocar os amigos –continuou bufando.

-Sirius, qual é, larga de ser babaca. Eu estou dizendo que, por mais que eu não saiba nem a porra do nome dela, eu sinto algo por ela, ok? Eu estive pensando nela sem parar nos últimos seis meses! E quem disse que eu vou te trocar, cara? Ficou louco?

-Prongs, você acha que eu não sei que eu atrapalho? –ele puxou os cabelos –Eu sei, tá? Não precisa mentir para mim. Dou trabalho para os seus pais desde que me mudei para lá, e ter um irmão depois de 16 anos sendo filho único não é legal também. Então sim, você só está esperando uma desculpa para me tirar de lá, e essa ruiva misteriosa parece ser exatamente o que você precisa.

O olhei por alguns segundos, atônico.

-Vocês se importam de deixar a gente conversar um pouco? –pedi para Remus e Pete, que saíram rapidamente –Cara, do que você tá falando?

Ele suspirou, voltando a sentar no sofá, já que tinha levantado quando perdeu a paciência.

-Padfoot, nós te recebemos em casa porque te amamos, não por uma obra de caridade. Meus pais amam você, te tratam como filho porque se sentem como seus pais, não por peso na consciência ou sei lá o que. Você é meu melhor amigo desde sempre, imbecil. Sempre. E desde antes de fugir da casa dos Black, você já era meu irmão. Eu não te quero fora de casa, assim como meus pais também não. Nós te amamos, caralho, e você faz parte da família. Você é minha família. Então não me venha com essa de que uma mulher vai te tirar de mim, porque nem em um milhão de anos isso iria acontecer. Por mais idiota que isso soe, eu tô a fim da ruiva, cara. Quero saber o nome dela e conversar a noite toda. Então tem como você parar com essa besteira e me ajudar?

Ele me olhou, provavelmente absorvendo as informações e por fim, anuiu.

-Desculpa, Prongs –suspirou –Eu só não gosto de me sentir um fardo para vocês, que sempre me acolheram.

-Qual parte do "nós te amamos e você não é um fardo" que não ficou clara?

-Ok, desculpe –riu –Você tem razão. Estou agindo como um babaca egoísta e inseguro. Vocês também são a minha família. –ele me puxou para um abraço forte –Isso fica entre nós, beleza? Se você contar para alguém que te abracei, vou negar até a morte –dei um tapa em sua cabeça quando ele se afastou –Agora vamos para essa festa, porque pelo visto, a família já já vai aumentar. –nós rimos.

Saímos para o salão atrás dos caras, que já estavam na tarefa de ir atrás daquela garota. Caramba, ela era da Beauxbatons esse tempo todo? Se eu soubesse, já teria dado um jeito de ir atrás dela há meses!

Quando finalmente a avistamos, ela estava em um sofá no canto, com um drink na mão conversando com um cara alto, meio desengonçado. Será que esse era o tal namorado? Amos?

E o gosto amargo voltou...

-Vai falar com ela, garanhão –me empurrou Sirius.

-Ela está ocupada –sibilei, desviando meu olhar dela para ele.

-Olhe agora –ele apontou.

Olhei e o cara estava com a língua na boca de outra, uma garota baixinha também, de cabelos bem curtos e escuros. A ruiva não parecia se importar...

-Agora eu vou –respirei fundo –Estou bonito?

-Larga disso, mané –os três me deram um empurrão, de modo que fui parar quase em cima dela, que assustou.

-Opa, desculpe –murmurei, voltando a me equilibrar.

-Você! –ela arregalou os olhos. Será que ela lembra que eu fiz uma declaração para ela em Cancún? –Você estava cantando hoje!

-Ah –tentei não ficar desapontado por ela não ter me reconhecido.

Ok, ela não tinha obrigação nenhuma de lembrar de algo que tinha acontecido seis meses antes em uma das milhares de festas que tivemos no México. Fala sério, ela mal deve ter reparado em mim.

Então por que raios eu fiquei decepcionado?

-Sim –pigarreei –sou eu. James Potter –estendi a mão.

-Lily E...-ela ia continuar, mas foi interrompida por um súbito abraço de uma garota.

-Lily! Que bom que você veio! Não acredito! Você está sumida desde o tér...quero dizer, desde o incidente! Fico tão feliz de te ver de novo, curtindo! Senti sua falta nas pistas de dança de Hogwarts!

Lily. Lily. É um nome lindo. Acabei de descobrir que tenho uma flor favorita. Lírios.

-Er...-ela me olhou sem graça pela interrupção –Dorcas, a gente pode conversar depois? É que eu e James –ela apontou para mim –estávamos falando sobre o show.

Ela queria conversar comigo! Até arrumou uma desculpa para a amiga. Ou será que foi para fugir da menina? Não duvido nada, afinal, a tal Dorcas falou de algum incidente que pela cara de Lily, ela não queria ser lembrada.

-Oh –ela me avistou pela primeira vez –Oi, eu sou Dorcas Meadows! Você é o cantor, né?

-Sim, James Potter –apertei a mão estendida dela.

-Lily, depois a gente conversa então –ela lançou um olhar nada discreto para a ruiva, que ficou corada.

-Eu...desculpe por isso –ela apontou para a amiga que estava indo em direção à pista –Quer sentar? –ela bateu na parte ao lado dela do sofá.

Sentei-me rapidamente, sentindo o cheiro doce de seu perfume, que tinha o mesmo aroma das minhas novas flores favoritas.

-Lily Evans –ela disse –Doe não me deixou terminar –eu ri levemente.

-Bom, Lily, você estuda aqui?

-Estudo –assentiu, olhando ao redor do salão da escola –Essa é a primeira festa que a escola faz desde que comecei meu Ensino Médio.

-Sério? –arregalei os olhos –Estudo em Hogwarts e lá temos festa a cada, não sei, duas semanas?

Ela riu gostosamente. Ok, meu novo som favorito. Porra, por que ela precisa ser tão linda?

-É, eu fui em várias festas de lá ano passado –concordou com a cabeça. Jesus, eu toquei nessas festas e não a vi?–Esse ano estava meio desanimada, então faltei a maioria. Porém, o Frank, namorado da minha amiga Alice, tem um amigo que estuda lá, então sempre temos convite.

-Qual amigo? Será que eu conheço?

-Benjy Fenwick –ela me olhou, esperando uma reação –Ele é do segundo ano.

-Hum...de cabeça não estou lembrando. Ele é de qual casa, você sabe?

-Corvinal. –realmente, nunca ouvi falar dele -Inclusive, essa coisa de casas é o máximo –ela suspirou –Queria muito que tivessem aqui também, sabe? Facilitaria muito na hora dos jogos.

-É, realmente facilita. E eu sei bem disso, sendo o capitão do time da Grifinória –ok, eu quis me exibir um pouco, mas e daí?

-Legal –sorriu, não dando muita importância ao assunto.

Ok, ou ela não gosta da exibição, ou não gosta de esporte. Ou será os dois?

-Bom, gostou do show? Eu vi que você dançou bastante –dei um sorriso torto, com a lembrança.

-Dancei –ela riu suavemente –Fazia tempo que eu não saía assim, para me divertir, então eu estava meio que tirando o atraso. –mordi a língua para não perguntar o que ela queria dizer com isso. Muito cedo, Potter, muito cedo –E bom, eu não sou uma pessoa de bajular, mas vocês foram realmente muito bons. Eu gostei mesmo.

-Obrigado –agradeci aliviado –Temos a banda já há dois anos, e de um ano para cá estamos conseguindo tocar nas escolas e em alguns bares em finais de semana, às vezes.

-Parece que você se encontrou nisso –ela falou, mas depois corou, dando a perceber que tinha escapado –Quero dizer, você canta com muita paixão.

-Eu realmente amo cantar. –sorri -Tocar guitarra é maravilhoso também, mas cantar...sei lá, é o que eu mais gosto de fazer no mundo –dei de ombros –E você? Tem um hobby?

-Bom, sou horrível em tudo que diz respeito a música –falou em um tom tão sério que tive que rir –O quê? É verdade! Sou um horror! Cantando pareço um cisne engasgado.

-Cisne engasgado? –a risada veio com mais facilidade ainda, e dessa vez, ela me acompanhou –Bom, Lily Evans, você acabou de me apresentar uma nova expressão.

-Bom, você anda bem desatualizado então. –fez um gesto em descaso -Como você tem uma voz linda, não fica sabendo como nós, meros mortais, cantamos horrivelmente.

-Ok, você não canta. Qual o seu hobby então? –ela pareceu reflexiva.

-Acho que a leitura –deu de ombros –Gosto muito de romances de época, então sempre que arranjo um tempo livre, entro dentro daquele universo. Gosto de dançar também, como pôde perceber.

-Romances de época, hum? –ela levantou a sobrancelha, como se me desafiasse a ridicularizar seu gosto –Então você é uma fã do senhor Darcy?

Ela abriu um largo sorriso. Opa, acho que acertei.

-Meu crush supremo –suspirou –Adoro os livros da Jane Austen, mas esse em especial tem meu coração. Darcy é só...perfeito.

-Quais outros você gosta? Julia Quinn? Lisa Keyplas? –ela arregalou os olhos.

-Olha só, então eu não sou a única leitora por aqui, Inglaterra! –riu alto, e eu não consegui não acompanhá-la –Sim, as duas. Gosto mais da Julia, acho que pelos Bridgertons serem donos do meu coração.

-Minha mãe respira romance de época também. Ela tentava obrigar meu pai a ler quando eu era criança, mas ele nunca tinha interesse, então ela desistiu. Quando eu fiz uns 15, 16 anos, ela começou a me empurrar para eles. Li só dois da Lisa, os Bridgertons e As Irmãs Lyndon da Julia e todos da Jane.

-E você diz "só"? James Potter, você é a primeira pessoa que eu converso que já leu mais de três romances de época! Eu poderia casar com você!

-Opa, opa, opa...casar não –ela arregalou os olhos, como se tivesse dito algo errado, então acrescentei rapidamente –Nenhuma abelha te picou para eu ter que me casar com você, senhorita Kate.

Ela riu alto quando notou a minha referência a "O Visconde que me Amava", o segundo volume da coleção dos Bridgertons.

-Oh, senhor Anthony Bridgerton, mas eu prefiro que o senhor se case com a minha irmã! –nós rimos, continuando com a brincadeira por mais algum tempo.

Conversar com ela era só...fácil. Tínhamos vários gostos em comum, mais do que eu imaginava. Ela também acompanhava Lúcifer, Friends, How I Met Your Mother, The Good Place, Stranger Things, La Casa de Papel...

Nos diferenciávamos mais nos cantores favoritos, o que gerou calorosas e engraçadas discussões, já que por mais que não tivesse talento, entendia muito sobre o assunto.

-Olha só, a conversa está boa, hein? –chegou Sirius, com os braços nos ombros de uma garota morena de olhos azuis.

-Pombinhos, vocês estão conversando há quase duas horas –olhei para a menina espantado.

-Duas horas? –Lily arfou –Caramba, eu perdi totalmente a noção do tempo!

-Você não foi a única –murmurei para ela, que abriu um sorriso lindo para mim –Você precisa ir embora? Tem toque de recolher?

-Não –continuou sorrindo –Meus pais vão ficar satisfeitos se eu chegar quatro da manhã em casa –revirou os olhos verdes.

-Por quê? –não consegui segurar a pergunta.

-Ah –ela me olhou sem graça. Ok, ultrapassei um limite aí –Fazia tempo que eu não saía, então...

-Não precisa falar –cortei-a , e ela suspirou aliviada –Eu também não tenho horário e são só... –olhei para o relógio em meu pulso –uma e meia da manhã. Quer dançar um pouco? Ou já cansou?

-Cansar? Essa palavra não existe no meu vocabulário! –ela pulou do sofá –Lene, você se importa?

-Você é Lene? –a garota dos stories, que o namorado teve ciúme.

As duas me olharam estranhamente, enquanto Sirius me fuzilava com os olhos.

-Sim, Marlene Mckinnon, por quê? –cruzou os braços, me olhando desconfiada.

-De onde você a conhece? –Lily questionou.

Merda. Se eu falar de Cancún, vou parecer um stalker maluco. E teria que admitir que ouvi a conversa particular dela com o namorado. Onde está esse namorado, afinal?

-Eu...hã –droga, James, reage.

-Eu falei de você –Sirius me salvou, sorrindo para elas –Em Cancún, quando ficamos, falei de você para ele.

-Sério? –ela arregalou os olhos. Droga, Sirius teve que dar esperanças para a menina, para salvar a minha pele. Ele vai me matar.

Espera. O Sirius ficou com a Marlene, amiga de Lily, em Cancún? Mundo pequeno!

-Vocês estavam em Cancún? –Lily nos olhou boquiaberta. –Vocês! Vocês subiram no palco na última festa, cantando "Pretty Woman"! É claro –bateu na própria testa –Como eu não percebi isso antes?

-Lily, eu te falei que eu fiquei com o baterista –Marlene a olhou estranhamente –Lembra que você ficou me falando sobre o cantor?

A ruiva lançou a amiga aquele mesmo olhar que me deu, na primeira vez que a olhei. Fiquei boquiaberto, olhando de uma para a outra. Lily tinha se interessado por mim naquela festa? Impossível! E o tal namorado?

Padfoot tossiu, tentando disfarçar a risada enquanto Lily corava cada vez mais.

-Sim, Marlene, eu te falei que o cantor tinha uma voz linda –ela disse entredentes.

-Ora, muito obrigado –agradeci, fazendo uma referência, tentando aliviar o clima.

Lily não podia fugir de mim agora. Não depois de termos nos dado tão bem.

-Não seja metido –ela bufou, voltando a sorrir.

-Ainda quer dançar? –estendi a mão para ela –Espera –parei-a quando ela ia encaixar a mão na minha –Você não tem nenhum namorado que vai me dar um soco se eu pegar na sua mão não, né? –joguei verde.

Marlene riu, acompanhada de Sirius.

-Ela já passou dessa fase –Lene fez um gesto de descaso –Vão dançar logo, vocês dois.

Ok, sem namorado na parada. Amém, Jesus!

Estendi a mão novamente para Lily, que me lançou um sorriso tímido e entrelaçou nossos dedos, me puxando para a pista de dança. Como eu poderia resistir a isso?

(Pitbull ft. Kesha – Timber).

It's going down
I'm yelling timber
You better move, you better dance
Let's make a night you won't remember
I'll be the one you won't forget

Comecei a dançar, pela primeira vez na vida, envergonhado. Mas quando olhei para o sorriso tímido dela, que estava mais constrangida que eu, me obriguei a esquecer da vergonha e me soltar, para que ela fizesse o mesmo.

Oh oh oh oh oh
It's going down
Oh oh oh oh oh
It's going down

The big they are, the harder they fall
This biggity boys are diggity out
I have 'em like Miley Cyrus, clothes off
Twerkin' in their bras and thongs, timber
Crazy town, booty on, timber
That's the way we like the war, timber
I'm sticking it in oil spill
She say she won't, but I bet she will, timber

Aos poucos ela foi se acostumando comigo, mexendo mais os quadris, cantando a letra e pulando, assim como eu tinha visto em cima do palco.

Swing your partner round and round
End of the night, it's going down
One more shot, another round
End of the night, it's going down
Swing your partner round and round
End of the night, it's going down
One more shot, another round
End of the night, it's going down

Arrumei coragem não sei de onde para fazer o que eu queria ter feito há eras. Puxei-a pela cintura, firme, mas de forma que ela pudesse se afastar se quisesse, roçando minha pernas nas dela, para que ela acompanhasse meu ritmo.

Ela me lançou novamente um sorriso tímido, de forma que sua bochecha voltasse a ficar corada. Aos poucos, foi se acostumando com a minha proximidade e balançando ainda mais que eu.

Porra, eu não saio desse lugar sem o número dela.

It's going down, I'm yelling timber
You better move, you better dance
Let's make a night, you won't remember
I'll be the one, you won't forget

It's going down, I'm yelling timber
You better move, you better dance
Let's make a night, you won't remember
I'll be the one, you won't forget
You won't forget

Oh oh oh oh oh
It's going down
Oh oh oh oh oh
It's going down

Look up in the sky, it's a bird, it's a plane
No, it's just me, ain't a damn thing changed
Live in hotels, swing on plane
Left to say, money ain't a thing
Club jumpin' like LeBron now, bowl it
Order me another round, homie
We about to climb, wild
'Cause it's about to go down

Dessa vez, a ousada foi ela, que colocou os braços ao redor do meu pescoço, me puxando para mais perto, como se estivéssemos em uma dança lenta.

Contudo, não estávamos, e o ritmo do nosso quadril dizia isso claramente.

Swing your partner round and round
End of the night, it's going down
One more shot, another round
End of the night, it's going down
Swing your partner round and round
End of the night, it's going down
One more shot, another round
End of the night, it's going down

It's going down, I'm yelling timber
You better move, you better dance
Let's make a night, you won't remember
I'll be the one, you won't forget

Afastei uma mexa de seu cabelo que insistia em cair em seus olhos e a coloquei atrás da orelha. Ela mordeu o lábio inferior, mas não parou de dançar nem por um segundo.

Caralho, linda demais.

It's going down, I'm yelling timber
You better move, you better dance
Let's make a night, you won't remember
I'll be the one, you won't forget
You won't forget

Oh oh oh oh oh
It's going down
Oh oh oh oh oh
Oh oh oh oh oh
Timber
Oh oh oh oh oh
It's going down
Timber
Oh oh oh oh oh
You won't forget
It's going down
Timber

Dançamos a noite inteira, juntos. Ela não me afastou nem por um minuto quando estávamos na pista, dançando sempre nos meus braços ou no mínimo, bem próxima. Depois de umas 10 músicas, ela foi ao banheiro e eu fui beber água.

Quando voltamos para a pista, avistamos nossos amigos, que pelo visto, tinham se juntado. Conheci Alice e Frank, o casal que ela tinha comentado e que eu tinha visto aos beijos antes de falar com ela. Sirius e Marlene ficaram semelhantes a nós dois, sempre um na companhia do outro. Remus arrumou alguém também, uma garota uns três anos mais nova, de cabelos rosa, que era chamada de Tonks. Peter ficou com uma garota na festa, mas foi bem rápido, já que ele insistiu em voltar para a mesa de doces.

Foi uma noite incrível. Eu arriscaria a dizer a melhor da minha vida.

Lily era maravilhosa. Eu já colocava expectativas altas nela, desde que a vi no México, mas ela conseguiu a proeza de superar todas. Eu queria conhecê-la melhor.

-Como vocês vão embora? –perguntei a ela, quando já eram 4hs da manhã e o DJ estava encerrando a festa.

-Uber –deu de ombros –Vou dormir na Lene essa noite.

-Bom –pensei por um instante –Estamos em dois carros. A caminhonete está com o Sirius, que está com os instrumentos e o meu carro...o Remus e o Peter podem ir na caminhonete, e eu e Sirius deixamos vocês em casa.

-É uma boa ideia –concordou Pads –Amanhã a gente pega a caminhonete na sua casa, Moony. –Remus assentiu, pegando a chave jogada no ar.

-Eu e Sirius moramos juntos, então só teríamos que fazer uma parada. Não daria trabalho nenhum –insisti.

-Não sei, James –ela mordeu o lábio inferior. Linda –Não quero atrapalhar.

-Vocês não atrapalham –falou Padfoot –Fala sério, são quatro horas da manhã. Não vamos deixar vocês irem embora com um cara qualquer se podemos levá-las. É perigoso, sabe?

-E quem me garante que vocês não são o perigo? –Marlene abriu um sorriso maroto.

-Ah, querida –fiz um gesto displicente –Acredite, nós somos. Não percebeu quão irresistíveis conseguimos ser? Somos uma droga para as mulheres.

-Menos, James –Lily riu levemente –Ok, aceitamos a carona. Obrigada.

-O prazer é nosso, senhorita –abri a porta do passageiro para ela. –Senhorita Kate –beijei sua mão quando ela se sentou confortavelmente –É uma honra servi-la esta noite.

-Oh, Anthony –ela colocou a mão no coração, dramaticamente –O senhor é tão gentil.

-Oh, que nojo, vocês dois –disse Marlene, do banco de trás.

Olhei para Lily, que me encarou de volta e rimos, cúmplices.

O caminho para casa foi um tanto perturbador, levando em consideração que Marlene e Sirius resolveram brincar de desentupidor de pia no banco traseiro. Ou seja, ficaram enroscados um no outro, se beijando sem parar nem para respirar. Oh, nojo.

Quando chegamos na porta da casa de Lene, abri a porta para Lily, fazendo a mesma coisa que tinha feito quando ela entrou no carro.

-Eu amei te conhecer, Lily –sussurrei para ela, quando paramos com a brincadeira de Kate e Anthony.

-Eu também, James –ela me lançou um sorriso brilhante em resposta.

-Eu posso te ver de novo? –meu coração disparou, com receio.

-Eu adoraria –ela mordeu o lábio inferior novamente, e por instinto, encostei ali para soltá-lo.

-Desculpe –murmurei constrangido, dando um passo para trás.

-Me passa seu número? –ela pegou o celular na bolsa minúscula.

-Nossa –bati na minha testa –Quase esqueci. –burro, James, burro.

Trocamos os números e ficamos nos olhando por um tempo, sem saber exatamente o que dizer.

-Hum...Prongs? –Sirius, que já estava no banco passageiro me chamou.

-Já vou –respondi, sem tirar os olhos dela –Eu hã...você quer ir ao cinema ou algo assim?

-Hum...pode ser –ela voltou com o sorriso tímido –Que tal a gente marcar certinho pelo celular?

-Claro, claro –sorri, mal me contendo de felicidade –Eu acho que a Lene te quer lá dentro –apontei para a garota, que estava nos vigiando pela janela.

-Intrometida –Lily bufou.

-Bom...boa noite, Lily –dei um beijo delicado em sua bochecha rosada.

-Boa noite, James –ela sorriu, virando de costas e entrando na casa.

Ela olhou para trás, uma vez. Isso significa algo, certo?

-Prongs, para de babar e entra no carro –Pads resmungou.

Eu ri, contente e fiz o que me foi solicitado.

-Ela é incrível –suspirei, sem conseguir me conter, quando entramos na garagem de casa.

-E você precisa de um babador –ele riu de mim, subindo rapidamente as escadas para dentro de casa.

Não neguei, nem poderia. Eu estava babando nela mesmo.

Assim que me preparei para dormir, resolvi mandar a primeira mensagem, sem conseguir me conter.

[22/5 05:11] James Potter: "Pretty woman, walkin' down the street
Pretty woman, the kind I'd like to meet
Pretty woman, I don't believe you, you're not the truth
No one could look as good as you, mercy".

Bons sonhos, ruiva.

28 de maio de 2019.

Lily.

-Ok, o que eu visto para ir ao cinema com o garoto que eu gosto, assistir uma comédia romântica? –perguntei para Lene e Lice, que estavam deitadas em minha cama –Uma calça jeans justa ou um vestido soltinho? –mostrei os modelitos.

-Jeans, definitivamente –respondeu Alice, e Marlene concordou com a cabeça.

-Ok –coloquei o vestido de volta no lugar –cropped justo ou soltinho?

-Soltinho –disse Marlene –Deixa o justo para uma festa.

-Concordo –falou Alice, suspirando –Nesses momentos eu sinto saudade do início do meu namoro. Depois de um ano, é difícil se importar com esses detalhes.

Nós rimos de sua carinha melancólica.

Vesti a roupa escolhida e coloquei uma sandalinha baixa para completar. Marlene começou então, a fazer a minha maquiagem levinha, já que era quem mais entendia sobre o assunto entre nós três.

Alice foi escolher então a minha bolsa e meus acessórios, voltando do closet com brincos pequenos e delicados, minha corrente com o meu nome gravado, uma pulseira simples e uma bolsinha azul, combinando com os jeans.

-Pronta –finalizou Lene, me dando um espelho –Gostou?

-Ficou lindo –sorri, olhando para o meu reflexo.

Meus olhos verdes foram destacados na maquiagem simples, que continha apenas corretivo, pó, blush, iluminador, rímel, sombra clara e um gloss.

-Estou nervosa –respirei fundo.

-Vai dar tudo certo –Alice me tranquilizou –Vocês se dão incrivelmente bem, têm vários gostos em comum e estão a fim um do outro. Nada vai dar errado, ok? Pensamento positivo.

[28/5 18:12] James Potter: Cheguei.

-Ele está aqui –anunciei, pegando a bolsa em cima da cama –Estou bem? Bonita? Tudo certo?

-Perfeita, Lils –riu Lene –Agora vai e se divirta.

-E não volte antes das 4hs da manhã –Alice me lançou uma piscadela, me fazendo rir.

Desci as escadas rapidamente, sentindo o coração acelerar e meu estômago dar cambalhotas em cada passo.

-Já vai, amor? –perguntou minha mãe, que estava sentada na sala, assistindo TV.

-Sim, ele chegou –confirmei, dando um beijo em sua bochecha –Me deseje sorte.

-Toda a sorte do mundo, amor –ela riu, me dando um pequeno empurrão para a porta.

Ouvi a campainha no momento que coloquei a mão na maçaneta.

-Oi –cumprimentei-o.

Ele estava lindo, com uma calça preta, uma camisa de gola polo azul marinho e um tênis vans preto.

-Oi, Lils –me cumprimentou de volta, dando um beijo delicado em minha bochecha. –Olá, senhora Evans. –acenou para minha mãe, que estava uns passos atrás de mim.

-Oi James –ela se aproximou, estendendo-lhe a mão, que ele pegou prontamente –É um prazer te conhecer.

-O prazer é todo meu –ele sorriu charmoso para ela, que ficou com a respiração descompassada. Eu ri baixinho.

Será que ele sabe que o sorriso dele desarma as pessoas dessa forma?

-Vamos? –perguntei, e ele assentiu –Tchau, mãe.

-Bom filme, amor –ela me deu um beijo na bochecha –James, venha jantar aqui um dia desses.

-Mãe –sibilei, envergonhada.

-Virei sim, senhora Evans –ele não hesitou ao responder.

Quando chegamos no carro, eu não sabia onde enfiar a cara. Fala sério, eu nem tinha beijado o menino ainda e minha mãe já estava planejando jantares familiares?

-Como você está, Lily? –ele me perguntou, quando começou a andar com o veículo.

-Bem e você? –ele anuiu em resposta –Qual foi o romance de época lido essa semana? –perguntei, tentando tirar a vergonha passada da mente.

Ele riu. Lindo.

-Bom, fazia alguns 11 meses que eu não lia nenhum, mas uma certa garota ruiva me inspirou a explorar mais esse universo –enrubesci –então essa semana eu li o primeiro livro dos Rokesbys.

-Oh, muito bom –aplaudi animadamente –Quer que eu fique presa no telhado dessa vez, já que uma abelha não me picou?

-Seria muito útil –ele concordou, sorrindo –Mas sério, eu adorei esse.

-Não é? Muito romance cão e gato, cheio de clichês!

-O único problema é ser mais machista ainda que os Bridgertons, por ser uma geração passada –sorri, surpresa.

-Exatamente. É tão frustrante ela não poder administrar a propriedade da família! –ele acenou com a cabeça.

-Sim, eu fico meio desesperado pra entrar dentro da história e mudar isso –nos entreolhamos e rimos. –E o seu, ruiva? –meu coração precisa disparar assim mesmo quando ele me chama por um apelido?

-Bom, eu li nove essa semana –desviei o olhar envergonhada –Nem lembro direito mais a história detalhada de cada um.

-Nove? –ele me olhou em choque –Isso que é vício!

-Um certo garoto de óculos e cabelos bagunçados pode ter me influenciado também –falei timidamente.

-Oh, eu fico feliz em ouvir isso –ele me lançou um largo sorriso –Pelo menos eu não sou o único envolvido aqui.

-Não –peguei a sua mão que estava fora do volante –definitivamente não é.

O sorriso dele se alargou ainda mais, se é que isso é possível.

-E How I Met Your Mother? Onde você está? –ele me questionou.

-O Barney e a Robin dormiram juntos! –exclamei, soltando a mão dele, revoltada –Como ele pôde fazer isso com o melhor amigo assim? E como ela pôde permitir isso?

Ele não falou nada, só ficou rindo.

-O pior, é que eu tenho certeza que ele vai se apaixonar por ela. E eles querem a mesma coisa para o futuro: algo incerto, sem casamento, sem filhos, viver o momento e essas coisas todas. Aí eles vão dar certo juntos e eu vou começar a shippar, mas James –gemi dramaticamente –eu não posso apoiar essa traição!

-Eu não posso falar nada, não quero te dar spoilers. –ele deu de ombros, rindo de mim.

-Eu espero que ele, no mínimo, leve um soco bem merecido e perca o amigo, por algumas semanas. Não, meses! –ele me olhou impressionado.

-Olha só, temos um lado malvado de Lily Evans por aqui?

-Quando se fala de traição, definitivamente –assenti com fervor –Tudo bem que ela e Ted não estavam mais juntos há um ano, mas cara, o Ted tem um fraco por ela, todo mundo sabe disso. Ele sempre volta como um cachorrinho atrás dela.

-De novo, não posso dizer nada –ele fez um sinal de quem trancava os lábios e jogava a chave fora.

-E o seu andamento com Friends?

-Bom, Ross e Rachel deram um tempo e ele dormiu com outra, então eu diria que eles estão em um momento de crise –eu ri.

-Esse é o clássico "We were on a break" –concordei.

-Você acredita que foi traição? –me perguntou, me olhando de soslaio –Chegamos –estacionou o carro, vindo correndo para o meu lado, abrindo a porta para mim.

Um cavalheiro, senhoras e senhores.

-Bom –suspirei, quando começamos a andar em direção aos elevadores –Não foi traição, eles tinham dado um tempo do relacionamento, mas não foi ético, e eu não perdoaria no lugar dela.

-Concordo –ele disse, apertando o botão para chamar o elevador –mas ele é um imbecil que não admite que errou.

-Demais –concordei –se ele tivesse pedido mil desculpas, ela iria passar um tempo com raiva, porém entenderia e voltaria para ele.

-Mas ele não assumiu o erro, de forma que nos leva a conclusão clara de que ela não era importante o suficiente para ele – disse pausadamente, enquanto entrávamos no elevador.

-Exatamente! Ele não fez nenhum esforço para tê-la de volta. Para mim, por mais legal que o personagem seja, ele não a merece de forma alguma.

-E ele passou anos apaixonado por ela –concordou –não faz sentido algum perdê-la por não assumir um erro.

-É –suspirei pesadamente.

-Por que eu sinto que esse assunto é mais pessoal do que deveria? –me perguntou, e eu vi receio em seus olhos.

-Bom –suspirei novamente –não é algo que eu conto por aí, mas confio em você, mesmo tendo te visto só três vezes –ele sorriu.

-Também confio em você –ele pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos –Mas eu não quero te pressionar. Não precisa me contar nada, se não for da sua vontade.

Parei para refletir por um instante: eu quero ter algo com ele. Não sou uma pessoa que confia facilmente em alguém, mas pelo visto essa regra não se aplica a James.

Eu amo a companhia dele, as músicas que ele me manda antes de dormir e a atenção que ele me dá. Ele me passa conforto e segurança.

Eu gosto dele, mesmo. Mais do que eu já gostei de qualquer um, até mesmo do meu querido ex.

Que mal teria de contar para James?

-Eu quero –por algum motivo, eu realmente queria.

Acho que depois de meses com isso na cabeça, sem falar sobre o assunto, eu precisava de alguém para me ouvir. Marlene e Alice não estavam tão erradas, afinal.

-Provavelmente vou acabar com o clima aqui –avisei.

-Não tem problema. Estou disposto a ouvir tudo que quiser me dizer –sorri para ele. Por que tão fofo?

James Potter, onde você esteve a minha vida inteira?

-Eu estava namorando um cara, quando a gente se conheceu em Cancún, o Amos –ele assentiu, me puxando em direção a parte do cinema no shopping –Nos conhecemos desde pequenos e fomos melhores amigos desde os meus 11 anos. Estávamos sempre juntos, para tudo, sabe? –ele concordou de novo –Ele era meu porto seguro. Sabia tudo sobre mim e eu tudo sobre ele. Com o tempo, conforme fomos crescendo, aquela amizade virou algo a mais. Me vi apaixonada por ele quando fiz 14 anos. Porém, tive medo de estragar tudo, de perdê-lo –ri ironicamente –então deixei isso de lado. Quando fiz 16 anos, o sentimento já estava grande demais para ser ignorado. E ele não correspondia, ou era o que parecia, já que estava sempre saindo com alguém diferente, toda semana. Eu sofri muito naquela época e não sei o que teria feito sem a Alice e a Marlene.-dei uma pausa –Nos beijamos pela primeira vez nessa época, e eu fiquei nas nuvens. Achei que finalmente iríamos dar certo. Porém, na semana seguinte, ele apareceu com outra garota –ele me olhou em choque.

-Me diz que seu melhor amigo, que sabia que você estava apaixonada por ele, não te beijou e trocou por outra.

-Ele fez –sorri tristemente.

-Ele foi tão imbecil quanto o Ross –ele acariciou meu rosto, parando de andar –Você sabe disso, né?

-Hoje eu sei –dei de ombros –na época, meu coração se partiu. Nossa amizade ficou, obviamente abalada, mas ele fingiu que nada tinha acontecido. Com o tempo, eu o perdoei também. Mas aí, no meu aniversário de 17 anos, nós ficamos de novo. E ele fez a mesma coisa, de novo. –James praguejou –E eu gostava demais dele para dar um basta na situação. Começamos a ficar regularmente, a partir daí, mas ele sempre aparecia com outras garotas depois –James me olhou inconformado –Eu sei, fui uma imbecil.

-Você? Claro que não, Lils. Você foi uma garota apaixonada, ele foi o imbecil que não se importava com você e nem com a sua amizade. Não se culpe pelo erro que foi dele.

-Tudo bem –sorri para ele. Fazia um tempo que eu já tinha deixado de me culpar tanto–Mas enfim, quando as coisas da viagem de formatura começaram a ser finalmente organizadas, ele se tocou. Ele é um ano mais velho, já está na faculdade, então ele sabe bem como são essas festas, já que ele mesmo aproveitou ao máximo –revirei os olhos –e foi quando ele resolveu me pedir em namoro. Hoje eu sei que foi só por medo de me perder para um cara na viagem, alguém como você –ele sorriu pra mim, timidamente –Namoramos por dois meses antes da viagem e mais três depois. –respirei fundo, chegando na pior parte da história –Um dia, eu resolvi fazer uma surpresa para ele na faculdade. O namoro à distância era difícil, mas estava pior naqueles dias. Ele estava sempre com algum "compromisso" e nunca podia voltar para casa, então depois de três semanas sem vê-lo, peguei o carro do meu pai e fui visitá-lo. Mas...quando cheguei...ele estava...ele estava...

-Não precisa dizer –James me abraçou com carinho –Não precisa se torturar assim.

-Ele estava na cama com uma outra mulher –despejei as palavras –Naquele dia, eu perdi meu namorado, mas mais do que isso, perdi meu parceiro e melhor amigo. Fiquei moscando por três meses, indo só para escola e ignorando todos os tipos de festa que a Lene insistia para que eu fosse. Até que as desculpas acabaram e eu tive que ir semana passada –eu ri –E foi a melhor decisão que tomei.

Ele foi se afastando lentamente, com o maior cuidado do mundo. Me deu então, um pequeno e rápido selinho.

-Obrigado por confiar em mim e compartilhar isso. Sei que não deve ter sido fácil –soltei o ar dos pulmões.

-Obrigada por me ouvir –sorrimos um para o outro. Respirei fundo e arrumei coragem para dizer o que eu queria –James, eu gosto de você. De verdade. E quero ir para frente com o que temos.

Os olhos dele brilharam em resposta. Lindo.

-Lily Evans, eu gosto ainda mais de você, eu te garanto. E eu com certeza também quero avançar na nossa relação. Eu sei que depois desse término, hum...traumático, não vai ser fácil para você, mas quando estiver pronta, estarei aqui esperando.

Agora me diz, como não se apaixonar por esse homem?

-Vamos aos poucos –concluí –porém, eu preciso deixar avisado que confiar cegamente não vai ser fácil. Eu provavelmente vou ter alguns surtos de insegurança, crises de ciúme...

-E em cada uma delas, eu vou te dar um motivo a mais para confiar em mim, ok? Nós vamos conseguir, ruiva. –eu não consegui segurar um largo sorriso.

–Obrigada –dei um beijo em sua bochecha -Agora vamos ou perderemos o filme. –ele assentiu.

O filme era uma gracinha, mas a melhor parte com certeza era ficar embalada nos braços quentes de James, sentindo seu cafuné.

Quando fomos nos despedir, na porta de minha casa, tomei coragem para finalmente beijá-lo.

-Obrigada por hoje, James –o abracei, me enterrando em seu peito.

-Eu que agradeço, Lils. E bom –ele limpou a garganta –já que me contou sobre Amos, eu acho justo te contar que menti sábado passado –meu corpo ficou rígido, e dei um passo para trás –Não, calma –ele me puxou para perto –Deixe-me terminar, ok? –assenti, nervosa –Eu fiquei louco por você no México, ruiva, louco. Nos vimos na última noite da viagem, quando você estava atrás de mim me fuzilando com o olhar por estarmos parados na frente do palco, não deixando outras pessoas se aproximarem –eu ri alto.

-Era você? Eu lembro que queria matar aqueles quatro gigantes!

-Era. –ele riu –estávamos planejando subir ao palco para tocar, então se fôssemos muito para trás, não daria pra alcançar a banda. Eu sei que senti seus olhos querendo me matar, –ele tocou levemente a ponta do meu nariz –me virei e era você. Eu não conseguia falar nada, você era, e é, a mulher mais linda que eu já tinha visto –corei, desviando o olhar –Eu queria falar alguma coisa, mas não consegui. Não saía som da minha boca –ele riu –Fiquei só olhando para você como um grande idiota. Aí os marotos me chamaram e fomos tocar. E a música escolhida foi "Pretty Wowan", que se encaixava tanto com o que eu estava sentindo, então eu tive que cantá-la para você.

-Eu lembro. –assenti –Fiquei horrorizada comigo mesma porque foi a primeira vez que eu sentia algo assim por alguém que não fosse Amos. Me senti mal quando ele me ligou, então eu saí e não voltei.

-Eu te procurei –admitiu –por um tempão. Quando te achei, você ainda estava na ligação e eu ouvi alguns trechos. Sinto muito –eu vi as desculpas em seu olhar –Não queria invadir a sua privacidade, mas não consegui evitar. Você estava falando com Amos, deixava claro na conversa que era comprometida e comentou algo de alguns stories que a Lene postou. Por isso eu fiquei em choque semana passada ao saber que a garota que o Sirius tinha ficado na festa era sua amiga. Foi nisso que eu menti.

-Não tem problema, James –suspirei –quero que você seja totalmente honesto comigo a partir de agora, pode ser? –ele concordou –Você me reconheceu semana passada?

-Inicialmente não. Cantei, de novo, o show inteiro olhando para você, mas como tinha muitas luzes na minha cara, não vi seu rosto nem seu cabelo. Mas novamente, eu me vi hipnotizado. Você é encantadora demais para o seu próprio bem, sabia? –desviei o olhar, envergonhada –Eu ia atrás de você mais uma vez, sem saber que eram a mesma pessoa, até Peter me contar. Ele me ajudou a te encontrar em Cancún e te reconheceu do palco. Foi quando eu enlouqueci e fiquei atrás de você na festa. Eu te achei, você estava conversando com Frank e imaginei que ele era o tal namorado, mas quando olhei de novo, ele estava beijando Alice –nós rimos –e foi quando o Sirius me empurrou para cima de você e começamos a conversar.

-Eu não esperava por isso –murmurei.

-Muito intenso? Desculpe, eu...

Mas eu não o deixei terminar. Joguei meus braços ao redor de seu pescoço e colei nossas bocas. Ele me respondeu prontamente, abraçando minha cintura e correspondendo o beijo.

Nos beijamos por segundos, minutos, horas...eu não sabia dizer. Só nos largamos quando nos faltou fôlego.

-Valeu a pena ter ido atrás de você, nas duas vezes –ele me olhou com carinho –eu realmente gosto de você, Lily Evans.

-Eu realmente gosto de você, James Potter.

06 de julho de 2019.

James.

-Boa noite –conversei com a plateia antes de ir para a próxima música –espero que estejam gostando do show! –ouvi gritos em resposta –Que bom, porque estamos adorando tocar para vocês. –mais gritos –Bom, essa é a nossa formatura, Hogwarts! Estamos imensamente felizes em anunciar que conseguimos um contrato com uma gravadora –a plateia gritou ainda mais alto –E eu, mais feliz ainda em dizer que, bom...tem essa garota –achei Lily no meio da multidão, e falei olhando diretamente para ela –eu me apaixonei por ela. A conheci na viagem de formatura, achei que nunca mais fosse vê-la, mas por alguma obra do destino, nos reencontramos. Hoje ela é minha namorada, e eu sou o cara mais sortudo do mundo –eu vi lágrimas caindo dos olhos dela e segurei para não chorar também –por mais alguma obra do destino, a gravadora que assinamos se encontra no mesmo lugar que a faculdade dos sonhos dela –ela arregalou os olhos, em choque –Sim, ruiva, não vamos precisar nos separar –eu ri –mas o que ela também não sabia, é que conseguimos o contrato graças a ela. Eu nunca tinha conseguido completar uma canção antes, até ela aparecer. E foi por essa música que a gravadora se interessou pelo nosso trabalho. Então, Lily, minha vitória também é sua. –respirei fundo -Vem aqui em cima.

Ela negou com a cabeça veemente, mas Marlene e Alice foram mais rápidas, empurrando-a para o palco.

Puxei-a para perto de mim, dei-lhe um selinho e a coloquei sentada em um banquinho.

-Lily Evans, essa música é sua. Feita especialmente para você. Eu te amo.

-Eu também te amo –ela murmurou em resposta.

(Pass me by – R5)

Remember that trip we took in Mexico?
Yeah, hanging with the boys and all your señoritas
I never spoke up, yeah, I never said hello
But I keep on trying to find a way to meet ya
Yeah

I was chillin', you were with him
Hooked up by the fire
Now he's long gone
I'm like, "So long"
Now I got my chance
Now I, now I got my chance

Like damn
You could be the one that could mess me up
You could be the one that'll break me
Damn
All them other girls said they had enough
You could be the one that'll take me
I was solo, living YOLO
'Til you blew my mind

Like damn
You can be the one that could mess me up
I can't let you
Can't let you pass me by
Oh oh, oh oh, oh oh
I can't let you pass me by
Oh oh, oh oh, oh oh
I can't let you pass me by

I was trying to play too cool to get caught up
Like too fun, too young to fall to pieces
I know a girl like you can't ever get enough
So I'm addicted, trippin', trying to get you to see this

The way I need you, like I'm seen through
Dancing out my pants
Got you shooking, caught you looking
Now I got my chance
Now I, now I got my chance

Like damn
You could be the one that could mess me up
You could be the one that'll break me
Damn
All them other girls said they had enough
You could be the one that'll take me
I was solo, living YOLO
'Til you blew my mind

Like damn
You could be the one that can mess me up
I can't let you, can't let you pass me by
Oh oh, oh oh, oh oh
I can't let you pass me by
Oh oh, oh oh, oh oh
I can't let you pass me by

It's like
Everywhere I look and everywhere I go
A million other guys be staring and I know that
I can be yours and you can be mine
I just can't let you pass me by – by – by

Everywhere I look and everywhere I go
A million other guys be staring and I know that
I can be yours and you can be mine
I just can't let you pass me by – by – by

Like damn
You could be the one that could mess me up
You could be the one that'll break me
Damn
All them other girls said they had enough
You could be the one that'll take me
I was solo, living YOLO
'Til you blew my mind
('Til you blew my mind)

Like damn
You could be the one that can mess me up
I can't let you, can't let you pass me by
Oh oh, oh oh, oh oh
I can't let you pass me by
Oh oh, oh oh, oh oh
I can't let you pass me by
Oh oh, oh oh, oh oh
(Yeah girl)
I can't let you pass me by
Oh oh, oh oh, oh oh
(Can't let you go)
Yeah, I can't let you pass me by

~J & L ~

(N/A) Gostaram? Essa fic com certeza é uma das minhas favoritas da VIDA! Deu um trabalhão para escrever, deixar do jeitinho que eu imaginava, mas o resultado ficou melhor do que eu esperava! Me contem o que acharam!

Um beijo e até a próxima!