Olá, pessoas ( II)

Sem muita enrolação mesmo... Vamos direto ao disclaimer, antes que vocês me atropelem...

Só para informar: CCS, "Yoru no uta", Jack Estripador e "Just Breathe" não pertencem a mim... poxa... ¬¬

Cap 23 - ... Just Breathe (Season Finalle)

Escrito Por: Cherry hi

Revisado por: Yoruki Hiiragizawa

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Uma semana depois…

Passava da meia-noite. Lá fora, os primeiros flocos de neve caiam suavemente pelas avenidas ainda movimentadas de Tóquio. O tempo esfriara mais depressa que no ano passado. Culpa do aquecimento Global, diziam os cientistas. Ironias da vida.

Contudo, um certo casal não enxergava o aquecimento global ou sentia o frio do começo de novembro. Eles viviam o momento mais bonito e mais instigante da vida deles: a magia da criação de sua primeira filha. Estavam orgulhoso, exaustos e assustados, como toda primeira experiência de algo que certamente é muito trabalhoso, mas que trazia uma enorme felicidade.

A pequena Fenmei era chorona, esfomeada e precisava trocar de fralda a cada duas horas. Mas também era linda, fofinha, bochechuda e quase completamente careca.

- Ai, dá vontade de pegar e levar para casa! É muito linda! – falara Tomoyo, com lágrimas dos olhos, quando a olhou pela primeira vez a pequena, no berçário – Você deve estar orgulhoso, não é, papai?!

Shaoran deu sorrisinho, sem desgrudar os olhos da filha:

- Mas é claro que eu estou! Você não acha que ela se parece com a Sakura?

A moça deu uma risada:

- Daqui a um mês eu responderei a essa pergunta.

Tomoyo aceitara muito bem o fato de Sakura ter perdoado o rapaz e ficara exultante ao saber que eles iam realmente se casar. Só lamentou muito não ter presenciado o momento, apesar de ter sabido, dos mínimos detalhes através de uma enfermeira emocionada.

- Ai, que coisa! Eu deveria ter filmado esse momento maravilhoso.

Já Meiling foi outra história. Ela não acreditou que o primo estivera o tempo todo na sala de parto (pensara que ele havia fugido outra vez) e tampouco acreditou quando ele dissera que a moça havia perdoado-o e que iriam se casar. Na verdade, somente acreditou quando, algum tempo depois, ela visitou Sakura no quarto e esta lhe disse, com voz fraca, porém de modo firme:

- Pode acreditar no ele falou, Meiling. Eu perdoei.

- Mas... como...? – começou a chinesa, espantada, mas Sakura a cortou, com rispidez

- Não foi você mesma quem disse que eu deveria considerar em perdoá-lo? Por que está surpresa agora? E o perdoei sim, e ele me pediu em casamento, sem a maldita pérola, sem a aprovação da família dele... e eu sei que nós vamos ficar bem! Nesse momento, quem precisa perdoá-lo é você!

Meiling ficara calada por alguns momentos e depois saíra, deixando Sakura só, que suspirou. A moça ainda não dissera que o perdoara, mas, aos poucos, estava voltando a falar com o primo...

Voltando ao presente, o casal estava deitado na cama de casal, no quarto de Sakura. Shaoran tinha seu próprio apartamento (que, por sorte, não vendera) que estava sendo limpo e reformado para receber a família. Assim, eles estavam vivendo no pequeno apartamento da moça, temporariamente. Naquele momento, ele estava sentado/deitado, recostado em três travesseiros, com o laptop em seu colo, lendo alguns relatórios mensais da filial japonesa relativos aos meses que estivera ausente. Resmungou baixinho, com a testa franzida:

- É incrível o que esses diretores podem fazer com uma empresa em tão pouco tempo! As vendas caíram relativamente e nada foi feito para reverter essa situação. - suspirou então, pensando melhor – Eu não posso falar nada, afinal, fui EU quem causei essa confusão... e eu nem sei se poderei concertar a situação.

E não sabia mesmo. Positivamente, o clã, no momento que soubesse que o rapaz estava no Japão outra vez e, ainda por cima, noivo de uma moça plebéia e que fora sua secretária, iriam promover uma verdadeira campanha de guerra contra ele, tentariam dissuadi-lo de se casar com Sakura e deserdá-lo (exatamente nessa ordem!). Então, provavelmente, ele não assumiria mais a presidência da empresa...

- Acho que preciso procurar outro emprego. Afinal, tenho uma família para sustentar.

Riu consigo mesmo, afinal, ele não era nada bobo e tinha uma quantia considerável em duas contas secretas. Olhou para Sakura, ao seu lado e sorriu. A moça cochilava, com a tv ligada no canal de compras. Aquela era uma das coisas que ele estava descobrindo com a convivência com sua querida flor: ela sempre dormia com a tv, porém, no momento em que o aparelho era desligado, ela acordava. Parecia até mágica. Sorriu ainda mais ao pegar o controle remoto e desligar a televisão. Cinco segundos depois, a moça acordou, meio desnorteada. Olhou para a tv, depois para o noivo e resmungou:

- Shaoran... eu estava assistindo...

- Claro que sim... só se for no mundo dos sonhos. Você estava dormindo... e há um bom tempo!

Ela fez um biquinho de contrariedade, mas não continuou a discussão. Na verdade, recostou-se no ombro dele e perguntou:

- O que você está fazendo?

- Vendo alguns números da empresa, mas nada importante, realmente. – falou ele, despreocupadamente, fechando o laptop, passando um dos braços pelos ombros dela e abraçando-a. Após alguns segundos de silêncio, ele disse – Queria ficar assim para sempre...

Mal acabara de dizer essas palavras, eles escutaram um choramingo pela babá eletrônica, que logo se transformou em um choro cada vez mais alto. Os dois suspiraram ao mesmo tempo. Sakura comentou, sorrindo:

- Você já reparou que ainda não conseguimos dormir uma noite inteira desde que chegamos?

- Pois se prepare, querida: mamãe comentou uma vez comigo que eu só fui dormir uma noite inteira com quase três anos de idade. Se a baixinha puxou isso de mim... eu particularmente, não me importo!

Ela sorriu ainda mais e fez menção de se levantar, mas ele a impediu e falou:

- Deixa que eu pego, meu bem! Pode ser só um problema de fralda suja...

Ele abaixou-se até ela e beijou, delicadamente, nós lábios. Como sentira falta daqueles beijos, daquele carinho... daquele amor. Fenmei insistiu no choro e Shaoran apressou-se, levantando-se da cama com rapidez. Sakura riu com gosto enquanto via o rapaz calçar as chinelas ao contrário e correr até ao quarto ao lado. Para falar a verdade, fazia uma semana que não parava de sorrir. Estava feliz... estavam tão felizes! Pareciam viver num conto de fadas maravilhosos, repletos de amor e carinho... mas ela sabia muito bem que essa felicidade não duraria para sempre: logo teria que enfrentar o fato de que, se fossem se casar, iriam desafiar a vontade de muita gente influente. Contudo, incrivelmente, ela não sentia um pingo de medo que ele a abandonasse de novo. Seu maior medo era que, de algum modo, ele ficasse muito prejudicado... então... nem sabia o que poderia fazer...

Ouviu a filhinha insistir no choro e voltou a realidade: naquele momento, eles estavam felizes... e somente aquilo importava.

Shaoran apareceu na porta, com uma Fenmei que berrava a plenos pulmões e disse, embora sem necessidade:

- Acho que o problema dela é fome mesmo, mamãe.

Sakura sentou-se e recebeu a filhinha. Assim que começou a mamar, ela se aquietou. Shaoran sentou-se ao lado dela e assistiu, enternecido, aquela cena. Ofereceu um dedo para a mãozinha, que tentou segurá-lo, de maneira meio desajeitada. Como podia um ser tão pequenino trazer tanta alegria? Depois de algum tempo, mamando, ela deu-se por satisfeita e recomeçou a choramingar. Shaoran a pegou e colocou no ombro, balançando-a levemente, para ver se a garotinha queria golfar. Ele fez uma careta de dor e moça percebeu. Ela perguntou, num tom levemente preocupado:

- Ainda está doendo, Shaoran?

- Está sim... seu irmão me acertou em cheio... mas eu mereci isso. – ele respondeu, sombrio.

Sakura mordeu levemente os lábios. Não gostava quando ele falava daquele jeito, mesmo que ele achasse que tinha razão.

Acontecera três dias depois do parto. O pai da moça e o irmão haviam chegado de surpresa no apartamento... e Shaoran foi quem atendera a porta. Primeiro veio a expressão de choque e incredulidade da parte dos parentes de Sakura. Não era preciso que ninguém dissesse quem era aquele rapaz... e Touya não se controlou... havia sido uma cena desagradável. Fora apenas um soco, que o deixara com um olho roxo e um ombro machucado (havia caído de mau jeito no chão), mas fora bastante embaraçoso. Fujitaka segurara o filho, utilizando toda a sua força, mas parecia relutante em fazê-lo: olhava para Shaoran com um olhar que Sakura jamais vira o pai lançar a alguém em toda a sua vida. Depois de algumas explicações atropeladas, o pai dela pediu, com voz sombria, para conversar com o rapaz em particular. Passaram mais de duas horas trancados no quarto de Sakura, tempo esse que Touya utilizou para dizer que a irmã era uma boba, uma estúpida, por ter perdoado aquele canalha que a fizera tão infeliz. Sakura fingia que não ouvia, enquanto tentava explicar a ele que o noivo havia se redimido, que ele tinha razões muito fortes para ter feito o que fez, que ela havia perdoado-o e estavam noivos e que nada, ela dizia, NADA que ele dissesse ou deixasse de dizer, a faria mudar de idéia.

Quando finalmente eles saíram daquele quarto, Shaoran viera com os olhos muito vermelhos e, sem dizer uma palavra, abraçou Sakura, simplesmente. O pai trazia o velho sorriso de sempre no rosto e apenas disse que iriam ficar hospedados num hotel perto dali. Agarrou pelo cangote o filho (que estava muitíssimo chocado com a nova atitude do pai) e eles se foram.

O que eles conversaram, Sakura não tinha a menor idéia e, por mais que tentasse arrancar algo do noivo, ela não conseguira. Ela sentiu apenas que Shaoran estava três vezes mais terno e carinhoso, se aquilo pudesse ser possível. Por fim, desistira de fazê-lo falar.

Fenmei não se contentou com aquele mimo e ameaçou recomeçar a chorar outra vez. Sakura pegou a garotinha e recomeçou a embalá-la, falando baixinho palavras carinhosas. Ela voltou a ficar quieta e Shaoran soltou um muxoxo:

- Poxa... é só você pegar ela que ela para de chorar... é incrível!

Sakura soltou uma risadinha e disse:

- Não se preocupe, Shaoran. É porque ela reconhece a minha voz. Logo, logo, ela vai aprender a reconhecer a sua também.

O rapaz não falou nada, limitando-se a olhar fixamente para frente. Sakura sentiu a inquietação dele e perguntou, carinhosa:

- O que foi, querido?

Passou-se um longo tempo até que o rapaz respondesse, hesitante:

- É que... sabe, eu tenho um pouco de medo... de... bem... não conseguir...

Ele calou-se e Sakura completou, com suavidade:

- De não conseguir ser um bom pai?

- Bem... sim... é que... eu já estive ausente esse tempo todo... se eu... tivesse ficado... ela já iria reconhecer minha voz... – ele falava de maneira confusa. Então virou-se para moça e falou, com o olhar angustiado – Eu sinto... que já comecei... errado... e tenho medo... de errar e errar...

Inexplicavelmente, Sakura estava sorrindo. Então ela falou:

- Shaoran... ninguém nasce sabendo, entende? Acha que eu também não estou com medo? Claro que estou. E quanto a essa história da ausência... - ela desviou o olhar por um momento, lembrando-se daqueles dias negros de solidão e mágoa, mas continuou, com firmeza – Nunca é tarde para começar... basta ter a disposição... e você quer cuidar da Fenmei comigo, não quer?

- Claro que sim! Mais é claro que sim! – Eles sorriram um para o outro. Então ele pegou a garotinha de novo dos braços dela. Ela ameaçou recomeçar a chorar, mas ele se levantou. E começou andar de um lado para o outro com ela. Ele falou, bem baixinho para Sakura – É meu objetivo de vida ser um bom pai... e um bom marido...

Ele não a viu chorar, emocionada, pois encaminhou-se para o corredor e andou de um lado para o outro, cantarolando uma canção de ninar...

- Yoru no sora ni matataku [No céu da noite brilham... Tooi kin no hoshi [as distantes estrelas douradas...

- Se você vai ser um bom pai? – falou consigo mesma Sakura, bem baixinho. Então sorriu docemente – Mas é claro que sim...

A manhã chegou, depois de uma noite mais ou menos tranqüila (Fenmei acordou mais duas vezes). Shaoran acordou primeiro e foi tentar fazer um café da manhã surpresa, mas, depois de derrubar tantas colheres e quebrar um prato, era previsível que a moça acordasse... e só então fizeram o desejum. Não que ele estivesse indisposto a ajudar, mas é que ele não levava jeito na cozinha. Ajudou a noiva a lavar os pratos e arrumar o resto da cozinha. Quando terminaram, ele perguntou:

- E hoje, meu amor? O que nós vamos fazer?

Ela apoiou-se na vassoura que estava segurando e disse, pensativa:

- Bom... eu pensei em darmos uma olhada em algumas coisas que eu tenho por aqui, já que não poderemos levar todos os móveis para a nossa nova casa, não é? Contudo, tem certo utensílios que eu vou querer guardar comigo.

Shaoran fingiu um suspiro de resignação e provocou:

- Ainda bem que existe um quarto que não vai ser usado... e por sinal beeem grande!

Ela bem que tentou ficar séria, mas não conseguiu. Controlando-se, ela perguntou:

- Shaoran, você poderia, por favor, ir ao supermercado hoje pela tarde? Preciso que você compre algumas coisas, pois quero fazer um jantar bem especial. Estou pensando em convidar a Tomoyo e o Eriol... – viu fazer uma careta de desprezo e informou – mas... se você quiser, eu posso deixar para outro dia.

- Não é isso... er... você precisa mesmo convidar o Hiiragizawa?

Sakura fez uma caretinha para ele:

- Mas é claro, né? Ele é o meu médico e ajudou para que Fenmei viesse ao mundo saudável... além disso, ele é meu amigo! – viu Shaoran fechar a cara e deu uma risadinha, aproximando-se e abraçando-o pelo pescoço – Isso por acaso seria ciúmes, Sr. Li? Se for, eu não acredito! Como você acha que eu posso amar um outro cara a não ser você?

Foi a vez de Shaoran rir a contra-gosto, enlaçando-a pela cintura:

- É você tem razão... eu sou um cara incrível mesmo... – ela apertou o abraço do pescoço até sufocá-lo e ele se rendeu, rindo – está bem, está bem! Tentarei controlar minha falta de modéstia!

Ficaram sorrindo feito bobos durante algum tempo, depois ficaram sérios, apenas olhando-se um dentro dos olhos do outro. Ela ficou na ponta dos pés e o beijou nos lábios, com suavidade. Era uma sensação incrível essa! Segurança, apesar da vulnerabilidade... deleite... melhor que seus sonhos mais loucos...

Depois de algum tempo, eles se separaram e ele falou, meio bobo:

- Desse jeito, você pode convidar até o chato do seu irmão que não me importo! Desde que você continue me beijando assim... – ele deu um selinho nela e então eles se separaram. Ele comentou – Não se preocupe, Sakura! Vou logo pela manhã fazer o que você me pediu. Ei! Você bem que podia convidar a Yanagisawa também.

Sakura sorriu. A primeira coisa que ele perguntara, ao chegar no apartamento dela era como ela havia se virado durante os oito meses. Ela ficou com receio de contar que virara colunista de uma revista, com medo que ele tivesse alguma reação negativa, mas não poderia estar mais errada: ele achara incrível o fato dela estar escrevendo para garotas com problemas emocionais. Até pedira uma cópia de cada revista para ler a coluna. Naoko se prontificara a conseguir algumas cópias que Sakura não tinha. A jovem repórter ficara meio receosa quando olhara Shaoran pela primeira vez, no hospital, mas ficara tão exultante quanto Tomoyo com a noticia o casamento e acabara tornando-se uma forte aliada dele.

- Está bem. Quando a Naoko vier hoje pela manhã, eu a convido também...

Eles ouviram um choro. A pequenina já estava acordando.

- É a minha vez. Com certeza, ela já deve estar com fome. Se ela continuar assim, vou ficar sequinha...

Shaoran riu enquanto via a noiva ir correndo ver a filhinha.

Ele tomou um banho bem caprichado e, à altura que havia acabado, Sakura já havia amamentado, trocado a fralda e posto ela para dormir outra vez. Assim que o olhou na porta do quarto, ela falou:

- Hoje você não escapa de dar banho nela, viu, mocinho? – ele fez um muxoxo de contrariedade e ela continuou - Eu sei que você consegue! Você viu a enfermeira dar banho nela! Até papai já banhou ela! Eu já peguei o jeito! – vendo que ele ainda não parecia muito convencido e parecendo pouco a vontade, completou – Você vai se sair bem. Acredite! Mas... neste exato momento, eu que estou precisando de um banho!

- Eu posso dar um banho em você! – falou, com fingida inocência, mas com a cara mais marota do mundo.

Sakura corou um pouco, mas limitou-se a dizer:

- Se a Naoko chegar enquanto eu estiver no banho, receba ela, está bem?

Ele cruzou os braços, fingindo-se de ofendido e falou:

- Não, Sakura! Vou bater a porta na cara dela!

- O senhor está muito brincalhão hoje, não é mesmo?

Ele sorriu, ternamente e disse:

- É porque eu estou muito feliz... muito mais feliz do que ontem e com certeza, menos feliz que amanhã!

Sakura retribuiu o sorriso e saiu do quarto. Por muito tempo, ele ficou ali, admirando sua pequenininha dormir, embevecido. Que sorte ele tinha! A noiva mais linda do mundo, a filha mais fofinha da galáxia...

A campainha tocou. Depois de garantir que Fenmei estava realmente dormido, ele pegou a babá eletrônica e fechou a porta do quarto com delicadeza. Com certeza, Naoko iria começar aqueles papos estranhos sobre OVNIS e coisas sobrenaturais que ele descobrira que a mocinha gostava de falar quando Sakura não estava por perto (esta detestava esse tipo de assunto!) e, de vez em quando, ela se empolgava, falando muito alto.

Sorrindo, ele abriu a porta, esperando ver o rosto risonho da repórter...

Teve um choque! Seu coração bateu tão depressa que pareceu furar seu peito. Sua boca secou terrivelmente. Apertou os punhos para não se permitir tremer. Não era Naoko que estava na porta... era um dos anciões de seu clã. O mais temido e respeitado de todos. Youhide Li. E sua cara era de poucos amigos. Um pouco mais atrás, estava a mãe do rapaz, séria, mas ele notava um leve tremor e um ar de contrariedade em seu rosto. Com certeza, fora forçada a levar o velho até ali.

Sem ser convidado, o ancião entrou e impôs a sua presença na pequena sala. Yelan entrou logo atrás e trocou um olhar vazio com o filho, que fechou a porta. Repentinamente, Shaoran escutou o barulho da água caindo do chuveiro e pediu, com muito fervor, que Sakura demorasse o máximo possível...

- Muito bem, Xiao Lang! Estou esperando suas explicações. – falou o velho, com o olhar severo, a voz dura.

Depois de algum tempo, que ele passara escolhendo meticulosamente as palavras, ele falou, com frieza:

- Se você quer explicações sobre meu comportamento durantes os últimos meses... sinto lhe informar que, mesmo que eu me explique, sei que você ou qualquer um não entenderá os meus motivos... mas... se você quiser saber o que eu estou fazendo aqui... bom... é muito simples: Voltei pra poder me casar com minha namorada e cuidar da minha filha!

Caiu um pesado silêncio sobre eles. O rosto do velho ancião permaneceu imperturbável, deixando claro que ele já tinha idéia da situação que ele iria encontrar. Talvez antes ele tivesse apertado a mãe para saber o que, afinal, estava acontecendo. Depois de algum tempo, ele falou, muito calmamente:

- Essa é a coisa mais ridícula que eu já ouvi na minha vida! Espero que não esteja falando sério!

Em reposta, Shaoran fez questão de mostrar a mão direita, destacando o dedo em que usava a sua aliança de noivado, com um olhar desafiador. Yelan arregalou um pouco os olhos, surpresa. Youhide estreitou os olhos um pouco mais:

- Você deve estar ficando louco ao pensar que vamos tolerar essa situação!

- Eu creio que eu não pedi a opinião de ninguém! Já sou adulto e sei muito bem o que é melhor para mim! E o melhor pra mim é casar com a mulher que eu amo!

O ancião soltou uma risada destituída de humor e falou, depois:

- Amor! Mas que tolice! O que você sabe do amor, menino tolo?! Essa paixão que você sente por essa secretariazinha...

Yelan soltou uma espécie de gemido de indignação, quase abafado pela explosão de raiva do rapaz:

- VEJA LÁ COMO VOCÊ SE DIRIGE À MINHA NOIVA!

Youhide soltou outra risada desagradável:

- Sua noiva! Vamos, Xiao Lang! Por favor, pare com esse conto de fadas idiota que vocês criaram! Você vai voltar agora comigo e com sua mãe para China e tomar seu devido lugar no clã!

- As favas com esse clã idiota! Eu não vou voltar para Hong Kong! – ele teimou, com o semblante carregado de indignação

- E eu seu dever com o clã?! Com a sua família? Com sua honra! Você se esquece das tradições da nossa honrosa família? Se você virar as costas para a sua família, estará dando as costas para o seu passado!

Like they have any right at all to criticize

Como se eles tivessem algum direito de criticar

Hypocrites you're all here for the very same reason.

Hipocritas, vocês estão todos aqui pela mesma razão.

Ele se aproximou, rápido como uma fera, ficando a dez centímetros de distância do outro homem e falou, com energia e paixão:

- E o meu dever com meu coração? Eu já negligenciei muitas coisas que eu desejava fazer ou ter, tudo em nome do clã... mas agora eu encontrei o maior tesouro da minha vida! O amor! E amor verdadeiro! Porém eu não percebi o quanto era precioso... e tentei jogar fora, tentei esquecer... tudo porque eu levava a sério o que minha família poderia achar! Tinha medo da repercussão do nosso romance! Eu fugi dela e causei um estrago tão grande que quase não consegui consertar! Mas ela me perdoou e eu não vou deixar passar a chance de ser feliz outra vez! Eu vou me casar com ela! Eu vou ficar aqui no Japão!

Mais um momento do silêncio. O rosto de Youhide continuava impassível. Com a voz dura, ele falou:

- São belas palavras Xiao Lang! Mas você sabe que isso não vai acontecer...

Todos do clã conheciam aquele tom de voz... é o tom de voz de um homem que já sabe que já venceu uma discussão, o tom de quem é acostumado a ser obedecido. Com elegância, ele atravessou a sala e sentou-se em uma das poltronas. Somente quando estava bem acomodado, ele falou:

- Neste momento, estou sendo muito benevolente em permitir que você volte para a China conosco, sem uma punição muito severa! O que eu deveria fazer é deserdá-lo e virar as costas para você!

Shaoran já se intimidara demais com aquele velho, no passado, mas agora ele sentia-se cheio de coragem, que parecia vir de seu amor. Estava travando uma batalha, lutando pela sua felicidade e não se permitiria perder... ele estava trêmulo, porém era apenas de raiva e de indignação:

- O que eu queria... era apenas que a minha família aceitasse a Sakura... porque dela eu não abrirei mão! Mas... já que isso não pode acontecer, eu não me importo nem um pouco em ser "deserdado"! – enfatizou a última palavra com sarcasmo.

Yelan esboçou uma reação rápida de surpresa, mas logo seu rosto estava impassível outra vez. Shaoran sabia que ela não queria que o filho se distanciasse da família... contudo também tinha consciência que o rapaz não abandonaria a noiva...

- Você não sabe o que está dizendo, moleque! – rugiu Youhide, com violência, fuzilando-o com o olhar – Acha que é só virar as costas para nós e que viverá esse seu conto de fadas?! Pois saiba que não será assim! – ele se levantou e o encarou intensamente – Eu vou persegui-lo, não deixar sua vidinha miserável em paz! Vou infernizá-lo até você perceber que o mais fácil e o correto é você largar essa moça e assumir o seu lugar na sua família!

- Nunca me disseram que seria fácil "assumir" aquela família! E nunca foi! – ele revidou, com raiva – Prefiro muito mais fugir de vocês com quem eu amo do que viver com vocês, que nunca foram realmente a "família do ano"!

Inesperadamente, o ancião sorriu, cheio de veneno. Lentamente, ele falou:

- Acha mesmo que vai ficar por aí? Uma perseguição de gato e rato? Mas é claro que não! Se nós não temos você, então faremos com que você não seja mais respeitado por ninguém! Farei com que a mídia do mundo todo saiba que o herdeiro de um império foi deserdado porque engravidou a secretária! Não ia ser um máximo?! Vocês iam ser perseguidos por onde vocês fossem, ridicularizados... é isso que você quer? E você já pensou na sua filha?! O que ela diria se um dia soubesse do sórdido caso de vocês? Do casamento ilegal?! O que ela diria?

Shaoran ficou sem palavras. Era o pior dos seus pesadelos. Era tudo o que temia. O sofrimento de Sakura... a tristeza, a mágoa... tudo que poderia acabar com seu casamento que nem se realizara... mas, subitamente, um pensamento encheu-o de luz...

- Ela não se importa. – ele falou, de repente.

- O quê?! – Youhide perguntou, com arrogância.

- Eu falei... que ela não se importa! – ele repetiu, firme e determinado – Eu cometi um erro há oito meses... esse erro... foi não ter confiado no amor que ela sente por mim!

O ancião soltou uma risada alta e desagradável. Quando ele falou, foi com sarcasmo e cinismo:

- Você ACHA mesmo que essa aproveitadora te ama mesmo? Mas é claro que não! Ela só quer seu dinheiro, fama!

- NÃO OUSE FALAR DA SAKURA DESSE JEITO! EU JÁ LHE AVISEI ANTES! – ele explodiu.

- Só falo o que penso e o que sei! Você é muito ingênuo mesmo! Achar que essa garota aceitará ficar com você depois que os jornalistas acabarem com você! Quando você estiver pobre, na sarjeta, ela irá te abandonar! – ele fez uma pausa e, antes que Shaoran pulasse em cima dele de vez, continuou, com uma calma extremamente irritante – Mas nós podemos evitar isso com facilidade! Faremos o seguinte: já que você está tão apegado a sua filha, nós iremos pegá-la e voltaremos para Hong Kong. Ela será muito bem vinda na família, eu garantirei isso. E se seu "amor verdadeiro" reivindicar os direitos sobre a criança ou ameaçar fazer algum escândalo, nós a pagaremos e ela sumirá do mapa!

- Eu me recuso, muitíssimo obrigada!

Shaoran tomou um susto. Sakura estava parada no início do corredor, usando uma roupa vestida às pressas, as cabelos mal penteados e pingando um pouco de água... seu rosto estava sério, os olhos em chamas. Desde quando ela estava ali, escutando aquela terrível conversa?

Calmamente, ela andou até onde o noivo estava e apertou-lhe a mão, deixando o rapaz perceber que, apesar da serenidade aparente, ela estava tão apreensiva quanto ele: suas mãos estavam trêmulas e geladas.

Escutou a voz suave dela dizer:

- É muita ousadia sua, senhor, vir em minha casa e insultar-me! Peço que se retire imediatamente.

O velho aproximou-se dela. Ele era muito alto, mais alto mesmo que Shaoran e sua arrogância o agigantava mais ainda. Todavia, Sakura não esboçou a menor reação de medo. Embora sua apreensão crescesse internamente. Youhide dardejou, com rudeza:

- Você é que é ousada, Srta. Kinomoto, em falar comigo de tal maneira. Mas, é claro, entendo que não vá desistir de um excelente partido sem lutar, não é mesmo?

- Não, não vou desistir dele! E não me importo se for deserdado. Aliás, se o senhor quiser, pode deixá-lo sem um centavo! Nós saberemos nos virar muito bem!

- E creio que seria a suas custas, não? – rebateu ele, glacial. Sakura esboçou uma leve surpresa e ele continuou, sorrindo cinicamente – Sei muito bem que agora escreve uma coluna de revista. E é muito famosa. Ganha muito bem para uma mulher. Será interessante ver Xiao Lang ser sustentado pela "esposa"!

A moça sentiu-se ferver de raiva e teve que admitir que aquele velho sabia como infernizar alguém: usar o orgulho masculino foi uma excelente estratégia... mas ela também sabia jogar:

- Acho que está se esquecendo que Shaoran é um ótimo administrador de empresas... vai se surpreender com o número de ofertas de trabalho que ele receberá assim que souberem que ele está disponível. Então, eu volto a repetir: como vê, podemos nos virar sozinhos!

Em muitos anos de convivência, Shaoran nunca havia visto aquele homem demonstrar sinais de fraqueza... portanto foi um grande choque ver um esgar de surpresa no rosto enrugado, deixando-o momentaneamente sem palavras.

Foi só um segundo, mas foi um dos segundos mais importantes da sua vida. Tudo porque sentiu-se inesperadamente fortalecido, sentiu que poderia ganhar MESMO aquela batalha, mesmo se aquele homem dissesse ou fizesse coisas abomináveis... e tinha plena certeza que somente se sentia assim porque Sakura estava a seu lado. Ela era a sua coragem, sua força motriz, aquela que o fazia sentir-se o melhor homem do mundo...

Youhide recuperou-se sua pose e demonstrou ainda mais hostilidade, ao dizer:

- Bobagem! Nós, do clã Li, como famosos e respeitados empresários, podemos muito bem fazer alguns contatos e facilmente impedir que você se empregue! – ele deu uma risadinha de desprezo – Para nós, vocês são como um inseto, uma mosquinha.

Shaoran sorriu de lado, cruzando os braços e o encarando com firmeza:

- Mas até uma mosquinha pode incomodar bastante e ser bastante esperta! É visível que o nosso romance aborrece todo o clã, mas não podemos fazer nada! – ele abraçou Sakura pelos ombros e afirmou, com firmeza – Pode me deserdar! Pode mandar todos os jornalistas do mundo atrás de nós! Pode tentar sabotar meu emprego! Não importa! Eu, Fenmei e Sakura vamos ficar juntos! Seremos uma família de verdade!

Youhide ia falar alguma coisa, mas pareceu mudar de idéia e disse:

- Vocês têm certeza?! Ainda há uma chance! Vou oferecer uma oportunidade única: Shaoran volta a ser o líder da nossa família. Ninguém saberá dessa história de filha fora do casamento. Sakura, você viverá sua vida sem interrupções e poderá ficar com a criança. Estarão seguras. Tudo que vocês tem que fazer é evitar esse escândalo que estão prestes a fazer!

Alguns momentos de silêncio...

- Entendo a sua posição.

Foi Sakura quem falara. Dissera aquelas palavras com vagar, de modo que Shaoran ficou alarmado por um instante, pensando na idéia maluca de que ela resolvera aceitar. Porém foi uma sensação passageira: confiava nela... e ela, nele!

Ela continuou, confirmando os sentimentos de Shaoran:

- Para você, como um ancião do clã, deve ser difícil ver o líder se envolver em algo que parecer tão sórdido ao primeiro olhar: ele se envolver com a secretária e a engravidar. Porém você não consegue enxergar o sentimento que há por trás de toda a nossa história. Nós nos amamos! De verdade! Queremos ficar juntos! Não porque ele quer lavar a minha honra! Não porque eu quero ficar milionária! Mas unicamente porque nós nos amamos e acreditamos que podemos ser felizes, apesar de tudo que possa acontecer conosco!

Shaoran podia sentir a coragem, a paixão e o amor vibrarem na voz dela, deixando bem claro que ela estava sendo sincera e sentiu-se emocionado. Olharam um nos olhos do outro, como se estivessem fazendo, secretamente, um pacto silencioso...

Um pacto de amor.

Youhide soltou um profundo suspiro, acordando-os do momento mágico. Viraram-se para ele, que falou, emburrado:

- Quer dizer... que nada posso fazer para mudar a cabeça de vocês, não?

Sakura abraçou Shaoran de volta, com uma expressão firme no rosto e o rapaz falou, decidido:

- Não! Nada do que você faça poderá impedir nosso casamento... com ou sem pérola.

Um silêncio tão tenso se formou que os jovens amantes sentiram-se tremer involuntariamente. Não tinham a menor idéia do que iriam enfrentar, contudo eles iriam até o fim com àquela decisão. Youhide falou então, a voz dura como aço, a expressão do rosto mais severa do que nunca:

- Então... não me resta outra alternativa a não ser...

Era agora...

"

Mas... e a Naoko?!

Naoko havia chegado no prédio da Sakura um pouco atrasada, culpa do tráfego que estava um verdadeiro caos na cidade. Quando chegou ao elevador, viu uma velhinha com um monte de sacos de compras do supermercado. Ela parou um andar antes do de Sakura e estava tendo muitas dificuldades. Então a moça a ajudou a levar os inúmeros sacos para dentro da casa dela. A velhinha ficou muitíssimo agradecida, e insistiu que a jornalista comece uns biscoitos de aveia, enquanto falava o quanto era difícil encontrar jovens com disposição para ajudar...

Depois de uns dez minutos, ela finalmente conseguiu se livrar da velhinha e, para não perder tempo, subiu, pelas escadas mesmo, a diferença de andares. Quando chegou ao corredor, viu uma cena inusitada. Havia duas pessoas conversando calmamente na frente da porta do apê da jovem escritora. Uma ela reconheceu de cara: a Sra. Yelan Li. A outra pessoa era um homem que ela nunca vira na vida, mas que parecia muito com o "Gandalf" que ela imaginara ao ler "O Senhor dos Anéis", embora mais um pouco mais arrogante e severo. Os dois pareciam estar combinando alguma coisa e ela sentiu (com seu faro investigativo) que a Sra. Li parecia apreensiva... o que estaria acontecendo? Instintivamente, ela se escondeu parcialmente atrás de uma planta folhuda de plástico e esperou, enquanto eles tocavam a campainha. Não demorou muito para que o próprio Shaoran atendesse a porta, com um sorriso de prefeito em plena campanha eleitoral, que se desfez ao ver quem eram aquelas pessoas. Sem falar nada, o desconhecido impôs sua presença no apartamento, Yelan o seguiu. E a porta se fechou.

Naoko ficou ali, remoendo-se de curiosidade, sentindo dentro de si um nervosismo crescer. Não podia ser boa coisa. Pé ante pé, ela se aproximou da porta. Dava para escutar as vozes, mas estava tão baixa e embaçada que não dava para entender nada. Ela encostou o ouvido na porta, tentou olhar pelo inverso do olho mágico, pela fechadura, e pelo vão embaixo da porta. Com cuidado, voltou a grudar o ouvido na porta, quase como se quisesse se fundir a ela. Ficou um bom tempo tentando escutar até que...

- Você sabia que é muito feio escutar atrás da porta das pessoas?!

Meiling gritou bem no seu ouvido, fazendo ela tomar um susto e vir ao chão. Meiling riu alto e com gosto. Lá da porta do apartamento, Tomoyo observava aquela cena segurando o riso. Meiling ajudou-a a se levantar, perguntando, com os olhos cheios de lágrimas:

- O que você está fazendo aí?! Não é muito do seu feitio espiar os outros. O que houve...

Naoko tapou a boca da chinesa e a arrastou para dentro do apartamento, seguida de Tomoyo. Assim que entrou, fechou a porta e disse, zangada:

- Espero que não tenham escutado a gente! Como você pode ser tão escandalosa?!

As duas pararam de rir, imediatamente. Tomoyo perguntou, logo ficando apreensiva:

- O que foi que aconteceu? A Sakura está bem?

Meiling levou a imaginação um pouco mais além, fazendo logo cara de desesperada:

- Não me diga que... meu primo fugiu, não é mesmo?! Eu sabia! SABIA! Ele não ia agüentar a pressão! – ela arregalou os olhos, presa em seus mais espetaculares devaneios – Provavelmente, você ficou sem coragem de abrir a porta e falar com a Sakura, mas estava vigiando-a para impedi-la de cometer alguma loucura! Meu Deus! E se ela tentar fazer alguma coisa?! Oras – ela foi se zangando – Por que me deixou tirar você de lá?! Vamos, precisamos...

- Meiling, você daria uma ótima jornalista de tablóides com essa sua imaginação catastrófica! – cortou Naoko, exasperada – Pare de ser tão fatalista! O que aconteceu foi que aquela sua tia, a Sra. Li, chegou acompanhada de um senhor de aspecto sinistro. E quando o Sr. Li abriu a porta, parecia que ele havia visto o Jack Estripador! E eles estavam conversando... discutindo lá dentro... foi quando você interrompeu minha investigação!

- Senhor?! E como era esse senhor?! – Tomoyo quis saber, aflita.

- Bom... ele era muito alto, esguio, cabelos completamente brancos, barba curta. Usava roupas tradicionais chinesas. Mas o que mais me marcou foi a expressão arrogante, como se o mundo inteiro estivesse abaixo dele!

Tomoyo sugou o ar, arregalando os olhos e Meiling ficou tão pálida que parecia ter perdido, inexplicavelmente, todo o sangue do corpo e juntas, exclamaram:

- Youhide!

- Hã... you… kid? – Perguntou Naoko, sem entender

- Não... é Youhide! - repetiu Tomoyo, ainda recuperando-se do choque – Mas... não é possível!

- O que esse velho idiota está fazendo aqui, no Japão?! - Esganiçou-se Meiling, muito nervosa, começando a andar de um lado para o outro – Não é possível que minha tia tenha dito alguma coisa para ele...

- Não! Nem pensar! A Sra. Li disse, ou melhor, PROMETEU para a Sakura que não ia falar nada para ninguém do clã! – falou Tomoyo, com um estranho tique no olho, como se tentasse convencer a todo mundo, inclusive a si mesma – E a minha prima disse, inclusive, que a Sra. Li preferia que ninguém soubesse!

- Mas ela pode ter mudado de idéia! – rebateu a chinesa, andando ainda mais rápido – Ou então, se você tiver razão quanto a minha tia, talvez tio Youhide tenha estranhado a viagem dela e tenha vindo de surpresa. Aí ele "apertou" ela até obter a verdade!

- AI, VOCÊS DUAS! AFINAL, QUEM É ESSE CARA?!

As meninas tomaram um susto. Estavam tão concentradas em levantar possibilidades que haviam esquecido de Naoko, que já estava fumegando de raiva

- Quem é esse... "cara"?! – repetiu Meiling, fazendo drama – É simplesmente o homem mais perverso do mundo! Detesto ficar até na mesma sala que ele! Aliás, foi ele quem me mandou pro Japão tão precipitadamente!

- Youhide Li é tio dela e um dos anciões do clã – Explicou Tomoyo, com uma das mãos tapando parcialmente a boca – É muito respeitado e influente. E também é conhecido por ter uma vontade de aço!. Nós, isto é, eu e Sakura, sempre achamos que ele ao menos desconfiava que ela sentia algo pelo Li, quando viajamos para Hong Kong.

Fez-se silêncio. Naoko perguntou, um tanto cética, pouco depois:

- Vocês tem certeza que é esse cara mesmo?! Quero dizer... eu descrevi esse senhor e vocês foram logo tirando as piores conclusões. Pode ser outra pessoa...

- Você está sendo otimista! Pelo o que você falou, é ele mesmo! – falou Tomoyo, apreensiva

- A gente pode confirmar facilmente! – disse Meiling, sombria – É só a gente ir no apê de Sakura.

- Acho melhor não! – Naoko cruzou os braços – Vocês se lembram de quando a Sra. Li veio até aqui anteriormente... ela não quis nossa interferência... e tenho a impressão que eles não vão querer nossa ajuda agora! Sabe o que eu acho? Acho melhor...

- Já sei! – Gritou Meiling, assustando as duas – Tenho uma foto da última reunião de família em que ele aparece! Se for ele, você vai reconhecer!

Sem demora, foram todas para o quarto de Meiling, que estava uma bagunça (maior do que o normal, claro!). Naoko logo exclamou:

- Que organizada você é!

- Boba! Estou arrumando as minhas coisas, porque vou viajar em poucos dias para me casar! – resmungou Meiling, passando por cima de uma pilha de roupas.

- Arrumando ou desarrumando?! – perguntou a jornalista, olhando aquela bagunça quase com descrença.

- Bom... acontece que eu tenho muita tralha. E quando me casar, eu não vou poder levar tudo, então estou separando roupas, toalhas, conjuntos de cama... essas coisas! O que eu não quiser eu vou doar!

- É verdade! Eu estava ajudando ela. – falou Tomoyo, sentando-se em cima da cama cheia de coisas espalhadas.

Naoko não falou mais nada, apenas Observou Meiling pegar uma grande caixa do armário e jogá-la pesadamente ao lado de Tomoyo. Quando ela abriu, viram que estava transbordando de fotos. Ela espalhou as fotografias pela cama, sem cuidado algum. Tomoyo quase teve uma síncope:

- Meiling! Pelos céus, tenha mais cuidado com as fotos! Elas são lembranças, pedaços da sua memória registrados em papel!

- Muito poético, Tomoyo, mas a maioria dessas fotos foram tiradas em reuniões chatas em momentos embaraçosos. - ela pegou uma foto e analizou-a, abrindo um sorrisinho malvado - Essa aqui é uma das poucas que eu gosto. Shiefa flagrou o bumbum do Xiao Lang quando Fenmei puxou... hum... "sem querer"... as caças dele. Foi um dos melhores dias da minha vida quando eu vi essa foto... e eu a roubei para fazer chantagem um dia.

Naoko e Tomoyo só faltaram arrancar a mão da chinesa na pressa de pegar a fotografia para olhar. Um Shaoran completamente aturdido, com os olhos cheios d'água, olhando para trás, com as calças no joelhos, enquanto uma menina que aprecia um pouco mais velha que ele (devia ter seus setes anos) rolava de rir. Naoko disse, segurando o riso:

- Que fofucho! Que bumbum lindo! dá vontade de levar para casa! Quantos anos o Sr. Li tinha aqui?

- Uns cinco, acho. - respondeu Meiling, procurando a tal foto, espalhando as outras pela cama e pelo chão - Vou falar para a Sakura que você está cobiçando o noivo dela! Ah! finalmente!

Quase do fundo da caixa, ela retirou uma foto grande, onde havia ali retratadas várias pessoas reunidas, todas muito elegantes. Ela foi até Naoko e perguntou, apontando uma pessoa que estava quase ao centro:

- É esse cara aqui?

Naoko confirmou com a cabeça, antes de dizer:

- É ele sim! Com certeza!

Meiling voltou a ficar pálida:

-Então... é ele mesmo! - ela cobriu a cabeça, com a mãos - Não pode ser...

- Afinal, por que vocês estão tão apreensivas?!

- Você não o conhece, Naoko! Eu tenho certeza que esse homem vai fazer de tudo para atentar a vida a vida deles! Isso porque o clã nunca vai aceitar Sakura porque ela é, não há outra palavra para descrevê-la, uma plebéia. Se pelo menos...

Seu semblante entristeceu-se mais ainda. Naoko aproximou-se e perguntou, abraçando-a pelos ombros:

- Está pensando naquela pérola, não é? - Meiling confirmou com a cabeça e a jornalista falou, consolando-a - Olha só, não foi sua culpa . Além do que, é muita bobagem pensar que uma jóia pode encerar o destino de alguém. Sakura sabe muito bem disso e o Sr. Li sabe também agora. Eles só precisam convencer as outras pessoas disso!

- Mas o que eu penso é que, se eu não tivesse perdido a pérola, ia ser muito mais fácil para a Sakura!

- Talvez sim, talvez não! - falou Tomoyo pela primeira vez em muito tempo, levantando os olhos da foto embaraçosa de Shaoran, que ainda segurava - Então... esta aqui que era a Fenmei?

Meiling confirmou apenas com um leve aceno da cabeça, muda. Naoko, que sabia da triste história da irmã do chinês, também se calou, sentido o astral baixar totalmente no quarto. Tomoyo mirou a foto por vários instantes e então falou, com vagar:

- Eu não conheci a Fenmei. Nem vi o corpo dela, nem a vi viva. Mas... eu me lembrei do que a Sakura me falava dela... foi tão infeliz no casamento, mas, mesmo assim, dizia para o Li e ela seguirem o coração, mesmo sem a pérola! E ela esteve sempre certa, não é? Eles estão seguindo os corações agora... e vão se casar em breve. Eles querem ficar juntos! E vão lutar por isso, com unhas e dentes! - ela se levantou, parecendo decidida e depositou delicadamente a foto na caixa outra vez - Devemos crer que eles vão alcançar o que desejam! E, se por acaso alguém se interpor no caminho deles, nós estaremos lá para ajudá-los... não é mesmo?!

- Sim! claro! - Naoko falou, mais animada - Eu não sei da história toda, mas nunca, em nenhum momento, vou deixar meus amigos na mão!

As duas olharam para Meiling, que estava chorando silenciosamente. Antes, porém, que elas pudessem falar qualquer coisas, a chinesa enxugou as lágrimas, levantou-se e disse:

- Vocês tem razão! Se a Sakura e Xiao Lang precisarem de nós, estaremos lá!

As três sorriram. Tomoyo falou, prática:

- Faremos o seguinte: vamos esperar mais um pouco e depois nós iremos ao apartamento da Sakura. Para dar uma força. Enquanto esperamos, vamos arrumar essas fotos, porque já estou ficando agoniada de vê-las pelo chão!

Meiling rolou os olhos, mas nada falou, limitando-se a abaixar-se para recolher as fotografias que estavam no chão. Demorou algum tempo para recolherem tudo. Tomoyo insinuou que poderiam organizá-las e guardá-las melhor, mas a chinesa nem quis saber: foi jogando tudo dentro da caixa. Enquanto Tomoyo assistia aquela cena com tristeza, Naoko, que estivera agachada no chão, levantou-se e informou:

- Têm duas fotos presas no vão entre a cabeceira da cama e a parede.

- Ah! Deixa elas aí. Devem ser fotos de alguma reunião de família sem graça!

Tomoyo, no entanto, tratou logo de fazer drama

- Como você pode ter tão pouca consideração pelas suas fotos! São memórias! Além disso, e se forem fotos do seu noivo?! Ah, não! Vamos arrastar a cama e pegá-las!

Depois de uma rápida discussão, Tomoyo ganhou a causa (na verdade, Meiling já estava meio convencida ao pensar na possibilidade de serem fotos do noivo) e elas se posicionaram para puxar a cama. Na primeira tentativa, elas que foram puxadas pelo móvel: garotas, 0, cama fabricada em madeira maciça brasileira, 1. Depois de uma troca de posições estratégica e um puxão que as esgotou, conseguiram afastar o móvel um bom pedaço com uma enorme barulheira. Algumas aranhas saíram correndo. Tomoyo abaixou-se para pegar a foto. Então, aconteceu muito depressa: Um escorregão, um grito de surpresa, o baque surdo de um corpo caindo no chão e, sabe-se lá como, a morena havia ido parar quase completamente embaixo da cama. Apenas as pernas haviam ficado de fora. Ela soltou um gemido e choramingou:

-Ai... eu acho que quebrei uma costela.

Meiling perguntou, aflita:

- Como você caiu?!

- Pisei num objeto pequeno, um botão, acho!

- Você consegue sair daí?

- Espera! Não vamos mexer nela! Se ela realmente quebrou alguma coisa, pode ser perigoso mover a vítima! - Alertou Naoko, com ares de entendida

- Vítima do quê?!

- Do acidente, lógico! Precisamos chamar um medico ou uma ambulância!

- Chame o Hiiragizawa! Interfone para o 802 e diz que a Tomoyo sofreu um acidente! Ele vai vir voando!

Sem mais perguntas, Naoko pulou uma pilha de toalhas e foi chamar o Eriol.

Meiling abaixou-se por trás, vendo parcialmente o rosto de Tomoyo, absolutamente imóvel. Achou que ela tivesse desmaiado e ficou ainda mais apreensiva. Começou a chamá-la, com mais ímpeto, arrastando-se para chegar perto dela sem, contudo, tocá-la:

- Tomoyo! Tomoyo! Está me escutando?! Fale alguma coisa!

Ela nada respondia. Mais nervosa ainda, a chinesa levantou-se de novo, deu a volta na cama e abaixou-se, para poder ficar frente a frente com ela.

Tomoyo não estava desmaiada. Tampouco, porém, estava escutando. Toda sua concentração estava voltada para um objeto pequeno bem a sua frente. Quando caíra, sentira que havia pisado em algo esférico e escorregadio e nem se ligara para o que poderia ser...

Mas assim que dissera que achava que havia pisado num botão, ela veio rolando de algum lugar... e parou bem na direção do seu olhar. A moça mal podia acreditar, chegou a achar que era fruto de alguma batida da cabeça de que ainda não se dera conta. Estendeu a mão devagar, com receio de que ela desaparecesse com o toque. Porém seus dedos roçaram em algo sólido e frio. Segurando firmemente entre o indicador e o polegar, ela ergueu a pérola negra a altura de seus olhos. A pérola negra! A pérola negra... do Li! Só podia ser!

A causadora de tanta confusão, mágoa e revolta, estava bem ali, entre seus dedos!

Meiling, assim que se abaixou e viu a pérola, pareceu perder toda a cor do rosto. E, então fez algo completamente inusitado: cobriu a boca com as mãos e gritou. Só parou quando ficou sem ar. Seus olhos encheram-se de lágrimas, que logo rolaram pelo rosto... havia procurado tanto! Praticamente revirara o quarto de cabeça para baixo, em desespero...

... E agora ela aparecia ali, como por magia! Ela soltou um ganido de raiva, de mágoa e de alívio. Tomoyo, por sua vez, começou a rir, sem razão aparente. Elas nem notaram quando Naoko voltou ao quarto. Ela escutou as duas e informou, confusa:

- O Hiiragizawa já está subindo. Hã... Tomoyo porque você está rindo e a Meiling - pelo que parece - está chorando?

As duas pareceram despertar ao escutar a voz da jornalista e, ao mesmo tempo, tentaram se levantar e bateram o cocuruto da cabeça no estrado da cama

- Ai ai... Tomoyo, não se mexa! – mandou Meiling, massageando a cabeça e saindo de debaixo da cama, com um sorriso inexplicável no rosto – Naoko, você nem imagina! Achamos! Achamos a pérola!

Demorou um pouco para Naoko entender a situação, mas ela abriu um enorme sorriso também.

- Não pode ser! Está falando sério?!

- Seríssimo! – afirmou, mostrando a pérola que pegara das mãos de Tomoyo momentos antes.

A jornalista olhou a jóia com algo que beirava adoração. Sussurrou:

- Então... esta é a famosa pérola!

- Sim! SIM! – gritou Meiling, sentindo que era difícil conter a alegria

- Temos que levar para o Sr. Li imediatamente! – Exclamou Naoko, juntando as mãos.

"

Youhide soltou uma gargalhada.

Aquela reação era a última que os dois esperavam, então ficaram apenas olhando o homem rir e rir, com a expressão de quem acaba de ver um OVNI abduzir uma vaca.

Aquela risada não era cínica ou cheia de veneno e maldade: era alegre, divertida, contagiante, natural! E transformava aquele homem, até poucos instantes, arrogante e cruel, em uma pessoa comum, simpática... humana!

Yelan, por sua vez, soltou um suspiro que parecia vir do fundo do seu ser e deixou-se cair numa poltrona, quase sentando-se em cima de Kero, que tirava um cochilo. Esta falou então, um tanto ríspida:

- Finalmente! Espero que você esteja satisfeito, Youhide!

O ancião também sentou-se, após controlar o riso, disse:

- Muitíssimo satisfeito, minha cara Yelan.

Sakura e Shaoran continuavam muito perplexos para conseguirem articular alguma coisa. A boca do rapaz estava meio aberta, até. Youhide parou de rir e, então, falou com simplicidade:

- Vocês passaram no teste.

Um longo momento de silêncio passou entre eles, até Shaoran finalmente conseguir dizer alguma coisa:

- Teste?! Que teste?!

- O teste para saber se vocês são dignos do destino que escolheram. – Falou Youhide, transparecendo em sua voz a importância deste fato

Outro longo silêncio. Shaoran bateu com a palma da mão na testa e balançou a cabeça, como se quisesse clarear as idéias e balbuciou, ainda confuso:

- Dignos... do destino...?! Eu... não estou entendendo...

Youhide olhou bem no fundo dos olhos dele, mas ali havia somente gentileza. E declarou:

- Queríamos saber se vocês realmente estavam preparados para receber a bênção do clã.

Aquela revelação era ainda mais perturbadora...

- Bênção... do clã?!

O ancião confirmou com a cabeça

- Mas... como?! Eu não entendo.

Antes de começar a falar, Youhide lançou um olhar penetrante a Sakura.

- Nós sabíamos, há muito tempo, que a Srta. Kinomoto era especial.

A moça não falou nada, apenas continuou olhando o ancião com enorme aturdimento. Shaoran franziu o cenho e perguntou:

- Especial como?

- Especial para você, menino! Sabe, você não é muito bom para esconder seus sentimentos vimos logo o amor que crescia em você por ela... no início, pensamos mesmo que ela só queria se aproveitar da situação.

Shaoran simulou uma reação violenta, mas Sakura foi mais rápido e se meteu na frente dele, dizendo:

- Eu jamais faria algo assim... e eu tenho certeza que jamais esbocei qualquer atitude que os levassem a pensar esse tipo de coisa! – ela se calou por dois segundos, seus olhos brilhantes de raiva – Aliás, essa história de "bênção" está me aparecendo algum tipo de armadilha!

- Mas não é! – Protestou Yelan, falando com eles diretamente pela primeira vez.

- Mas parece! E o que vocês querem que eu faça?! Receba-os de braços abertos, sem ligar para o que aconteceu a pouco instantes! Ele... – Apontou um dedo trêmulo para Youhide – Ele! Me insultou na minha própria casa, quis tirar a nossa felicidade... e agora espera que eu acredite nessas palavras gentis?!

Yelan se levantou, aproximou-se de Sakura e colocou uma mão no seu ombro, dizendo com vagar:

- Quando vim aqui, pela primeira vez, pedi que você escutasse os motivos do meu filho. Agora peço que escute os motivos do clã.

- Ela tem razão, minha cara! – pontuou Youhide, calmamente – Coloque-se no nosso lugar! Você era desconhecida e muito bonita! É óbvio que pensamos no pior! Por muitas gerações, o clã passou por situações horríveis por conta de pessoas ambiciosas! É prudente ser extremamente cauteloso!

- Mas... mas... – sakura olhou para Yelan, tal como uma criança querendo desesperadamente o apoio de um adulto – até a Sra. pensou isso de mim?

Yelan torceu os lábios, contrariada, mas admitiu:

- Sim, sakura! Mas, eu pensava isso de você ANTES de te conhecer! – a jovem olhou-a de surpresa e ela continuou – É que... Xiao Lang sempre falou muito de você e com imenso carinho... e eu pensei o mesmo que todos – sua voz se tornou mais suave – mas foi só eu conhecê-la para ver que você não era nada disso! Na verdade, era doce, gentil e, de certa forma, ingênua. Não seria capaz de fazer algo tão abominável quanto aplicar um golpe!

- Yelan viu, antes de nós, o óbvio: que vocês realmente se amavam. E tentou abrir nossos olhos. Porém , como mencionado antes, precisávamos ter extrema cautela... o clã já havia previsto que se envolveriam de tal maneira que iriam querer ficar juntos.

- E é o que queremos! – interrompeu Shaoran, apertando a mão de Sakura com força.

- E já estávamos pensando em que medidas tomar para separá-los quando aconteceu algo extraordinário. – Os dois, que esboçaram reações de protesto quando escutaram a palavra "separá-los", aquietaram-se, surpresos. Youhide voltou a olhar significantemente para a moça e completou – Você, Srta. Kinomoto, descobriu as passagens secretas da sala dos espíritos.

Sakura sentiu-se corar. Ela fitou Yelan e, meio acusadora, perguntou:

- A Sra... contou para ele?

- Ela me contou sim. – respondeu Youhide, antes que a mãe de Shaoran pudesse falar qualquer coisa – Embora não fosse realmente necessário. Quando a Sra Guang Fenmei morreu, eu exigi saber de Yelan certos detalhes... contudo, eu já sabia que você estava se utilizando das passagens secretas.

Sakura, cujo rosto havia se contorcido de tristeza ao ouvir o nome de Fenmei, agora olhava o homem aturdida. Shaoran franziu o cenho e perguntou o que a moça não conseguiu expor em voz alta:

- Mas... como?!

Youhide sorriu, um tanto maroto:

- Você não é a única que se utilizava das passagens. Quando você a descobriu, naquela noite, eu também escutei o choro da Sra. Guang e fui averiguar. Mas, tal qual foi minha surpresa ao perceber que já havia alguém ali, perambulando por aqueles corredores. Escondi-me para que não pudesse ver-me, apesar de saber dos riscos...

- Riscos?! – exclamou Sakura, a voz esganiçando-se – O que era um risco?! Deixar eu saber que Fenmei estava naquela situação, precisando desesperadamente ser amparada?!

And I feel like I'm naked in front of the crowd

e me sinto nu diante da multidão,

Cause these words are my diary screamin' out aloud

Porque essas palavras são meu diário gritando bem alto

And I know that you'll use them however you want to.

E eu sei que você vai usá-las como quiser

- Exato! – o ancião falou, fechando os olhos, suspirando profundamente.

As feições de Shaoran se tornaram ainda mais malignas. Ele praticamente griou:

- Vocês sabiam que a minha irmã estava naquela situação?! E não fizeram nada?!

De repente, Youhide pareceu muito, mas muito cansado. Sentou-se outra vez e pôs a mão na testa. Por um instante, Sakura pensou que ele estivesse apenas fingindo para baixar a guarda deles, mas quando ele mirou Shaoran dentro dos olhos dele, ela, de alguma forma, soube que ele estava sendo absolutamente sincero quando disse:

- Nós sabíamos que sua irmã estava doente, tendo uma gravidez muito complicada, mas não imaginávamos o quão grave estava a situação. Guang sempre nos garantia... que ela estava bem... e muita gente acreditou... nós tivemos de acreditar...

- Mas todos sabiam que Guang era um cachorro...! APOSTO QUE NÃO FIZERAM NADA PARA MANTER AS APARÊNCIAS! – gritou Shaoran, enfurecido

Youhide esboçou o seu antigo eu arrogante, quando disse:

- Meu caro rapaz... acho que está esquecendo de uma coisa... Pelo que eu me lembre, vocês visitaram a Sra. Guang um milhão de vezes... e ela poderia ter falado das suas condições, ter falado a péssima situação em que ela estava... porém ela não falou para vocês.

- Claro! Ela se sentia intimidada... tudo pelo clã, até aposto! – esbravejou a jovem, com as lágrimas chegando a seus olhos: lembrar de Fenmei e seu sofrimento doía muito...

- Não! Ela não se sentia intimidada pelo clã... mas tinha o coração no lugar! – Falou Yelan, também emocionada. Ela deu um passo a frente e encarou o filho nos olhos – Quando tudo aconteceu... o noivado, quero dizer, Guang parecia outra pessoa, um pouco arrogante, sim, mas tinha algo simpático em seu olhar... Fenmei nunca chegou a amá-lo, porém, não estando apaixonada por ninguém e não tendo muitas ambições pessoais, ela acreditou que o casamento poderia dar certo... isto até a pérola ficar manchada... mas já estava tarde, ela não pôde fazer nada... ela não quis fazer nada!

Eles ficaram chocados. Para Shaoran, aquelas informações eram novas... ela havia se conformado... não havia feito nada...

- Exatamente... Diferente de você! – Disse Youhide, lendo os pensamentos dele – Apesar de ter sido um pouco tarde, você descobriu o que seu coração realmente queria e o seguiu... e está lutando para conseguir o que você quer!

- Mas... foi ela quem disse isso para mim! Foi a Fenmei que me apoiou, no começo, a me envolver com a Sakura...

- Sim... pode até ser... mas, você acha mesmo que, mesmo que sua irmã não tivesse dito nada, você não seguiria seu coração?

Shaoran fitou Sakura, o olhar buscando o dela... parecia não ter fim... aquela mágica que parecia uni-los tão profundamente... que ira indissolúvel...

- Acho... – Ele murmurou, depois de fazer um enorme esforço para desviar seu olhar do dela – Que você tem razão...

- Além disso, Fenmei havia aprendido a lição dela, tarde demais, infelizmente. E não queria que seu irmão passasse pelo mesmo que ela... e incentivou-o a fazer o que, no final, era o certo. – Finalizou Yelan, em voz muito baixa.

Depois desse momento, houve um longo período de tão profundo silêncio, que era possível escutar as batidas dos corações, cada um em ritmo diferente...

- Como eu estava dizendo... – Recomeçou o ancião – O fato da Srta. Sakura não ter falado nada sobre Fenmei... a ninguém foi o que nos convenceu de que ela não era uma... desculpe a palavra, vigarista: com a informação sobre Fenmei e seu marido, ela poderia ter feito chantagens, poderia ter simplesmente anunciado na mídia inteira... mas isso, creio eu, nunca passou pela cabeça dela.

- Mas... é claro que não. – confirmou Sakura, ainda meio abobalhada com aquelas informações.

- Começamos a ver o que Xiao Lang, Meiling e Yelan já haviam visto há muito tempo: sua gentileza, sua inocência. - Ele sorriu com suavidade – Sei que é difícil para vocês acreditarem em nós, mas... nós realmente gostaríamos que aceitasse o nosso profundo pedido de perdão... não só pela cena que eu fiz ainda há pouco... mas por tudo... todos os erros que o clã cometeu. Eu sei, eu SEI, é muito difícil – Ele enfatizou ao ver os jovens mencionarem um protesto – Mas espero que ao menos tentem... e afinal, você há de concordar comigo, Xiao Lang: isso torna as coisas muito mais fáceis para vocês!

- É obvio que nem todos irão te receber abertamente, Sakura. – Falou Yelan, quase timidamente – Existem muitos narizes que se torcerão para você... porém, aos poucos, eles te aceitarão, tanto pela influência de Youhide... quanto pela sua simpatia. Foi assim comigo: tive que conquistar meu espaço, mas... eu consegui!

O que Sakura realmente gostaria de dizer é que não fazia questão de conviver com pessoas tão arrogantes, quanto mais "conquistar a simpatia deles". Todavia, ela precisava pensar no noivo também: realmente, tudo se tornaria muito mais fácil para ele, que voltaria a ter o seu devido lugar na família. E... se estava dispostas antes a arriscar sua reputação... por que não agüentar alguns parentes metidos? Ela deu um sorrisinho que soou como uma bandeira branca no meio de uma batalha e falou para Shaoran:

- Acho, querido... que podemos tentar.

There's a light of each end of this tunnel

Tem uma luz em cada final desse túnel

Quando ele a olhou, ela percebeu o quanto aquelas palavras foram importantes para ele! Claro que ele não ia ficar "de bem" com a família que tanto o prejudicou no passado num passe de mágica, contudo, aquele era um feliz começo.

- Só tem uma coisa que está me deixando preocupada! – ela começou, sem saber exatamente como continuar. Por isso calou-se e, tendo encontrado as palavras certas, continuou – Eu sei, e entendo, que o clã possua uma maneira diferente... daquela que eu considero... hum... adeqüada, para educar suas crianças. Essa era a minha maior preocupação quando a Sra. Li veio pela primeira vez aqui e...

Não era necessário ela falar mais alguma coisa. Shaoran olhou para os parentes, apreensivamente. Ele gostaria de que sua filhinha fosse criada à maneira deles... e não à maneira Li.

- Eu não creio que isso seja verdadeiramente um problema. – disse Youhide, após algum tempo – Xiao Lang, você terá que ficar aqui por um tempo para administrar a filial do Japão...

- Espere! – interrompeu Shaoran, confuso – eu pensei que seriam a Meiling e o seu marido que iriam ficar aqui...

- Bom... tivemos uma reunião recentemente e concluímos que, apesar de tudo, você é, como a Srta. Kinomoto havia dito, um excelente administrador de empresas. Você ficará aqui e Meiling e o marido vão trabalhar como gerentes administrativos. É uma espécie de castigo, pela confusão que causou nos oito meses de ausência! – ele falou, severamente, mas deu uma piscadela quase imperceptível com o olho.

Sakura sentiu o sol brilhar dentro de seu coração

- Quer dizer... que poderemos... ficar aqui, no Japão?

- Vocês TERÃO de ficar aqui! – respondeu o ancião, seco – Contudo... seria pedir demais que, pelo menos uma vez por ano, vocês fizessem uma viagem a Hong Kong? Ora, os outros membros da família irão querer participar da vida da vida da criança!

Sakura estava exultante. Ela poderia subir pelas paredes de tanta felicidade. Estava bom demais para ser verdade. Poderia ficar com seu Shaoran, tranqüilamente, criaria Fenmei da melhor maneira possível e (tinha certeza plena disso) sua filha seria aceita pela família!

- Sakura... agora que está tudo se encaminhando, pelo menos... será que posso ver minha neta?! Desde que cheguei aqui, não penso em mais nada!

A jovem japonesa sorriu. Ela virou-se para o ancião e disse, dirigindo-se a ele com simpatia pela primeira vez:

- O Senhor não gostaria de conhecê-la também?

- Mas é claro, Srta. Kinomoto! Juntar-me-ei a vocês em dois minutos. Quero somente falar umas duas palavrinhas com Xiao Lang.

Apesar de ter ficado apenas um pouquinho apreensiva, ela não demonstrou e saiu com Yelan. Assim que ficaram a sós, envoltos de um silêncio pouco à vontade, o homem mais velho falou a Shaoran:

- Imagino que gostaria de se casar aqui, no Japão, apesar de toda a sua família residir em Hong Kong.

- Nós VAMOS nos casar aqui! – o rapaz retrucou, agressivo, temendo ser contrariado.

- Tudo bem... nada mais justo. Obviamente, um ou dois ficarão bastante insatisfeitos de ter que fazer essa longa viagem ao Japão, porém ficarão contentes em saber que você está se casando.

- Mesmo sem a pérola? – perguntou Shaoran, sagaz.

- Mesmo sem a pérola! – confirmou Youhide, olhando-o nos olhos, com seriedade.

Encaram-se por vários segundos, como se estivessem jogando o jogo para ver quem piscava primeiro. No fim, o jovem desviou os olhos e perguntou, com a testa franzida:

- Eu não entendo... por que, depois de tanto tempo... estão me ajudando? Depois de tudo o que aconteceu?

Youhide suspirou, mas disse com firmeza:

- Há uma série de motivos, alguns pequenos que, juntando-se a outros, formam motivos bastante razoáveis... mas as razões mais importantes são: você quer muito isso; você lutou por isso!

Ele ficou ali, olhando-o, sem saber se entendera-o direito. O velho citou então, uma frase que escutara há muitos e muitos anos atrás...

- "Coragem, Shaoran... pois chegará um dia em que algo na sua vida irá aparecer e que lhe trará muita felicidade... tenha fé..."

- Você escutou?! – Shaoran perguntou, recordando-se que Nadeshiko Kinomoto lhe falara aquilo num sussurro - ... Como?

- Tenho boa audição! Só porque estou velho não quer dizer que tenha que usar uma corneta acústica, como seu bisavô. Escutei o que ela disse... e sempre achei que ela tinha razão. Lembro-me que, depois daquele encontro, você mudou. Claro que não se tornou um anjo, porém parecia mais esperto em julgar as ordens recebidas e compreender que eram dadas para seu próprio bem...

- Até o dia em que a pérola se perdeu. – recordou Shaoran, sombrio.

Youhide suspirou

- Aquele foi o nosso grande erro, porém somente muito tarde nós percebemos. Com a prisão de Ylang e toda aquela confusão... compreendemos o quanto lhe fizemos mal... e já, naquele momento, estávamos dispostos a aceitar Sakura, com ou sem pérola... mas você foi um tanto precipitado! – antes que Shaoran pudesse protestar, Youhide falou logo – Estou ciente que a culpa é nossa também, afinal, sempre fomos muito rígidos e você, certamente, pensou que não iríamos aceitar a moça... – ele suspirou – Por tudo, por tantos erros, é que queremos o seu perdão, Xiao Lang. Você lutou por aquilo que achava certo, tanto pela sua família, primeiro, na época do seu noivado, quanto agora, pela sua própria felicidade... é por isso que tanto admiramos você.

O velho se calou e eles apenas se fitaram.

Se Shaoran chegou e pensar em dizer alguma coisa, para retrucar aquele discurso que Youhide havia feito, jamais se soube: um furacão acabara de abrir a porta do pequeno apartamento de Sakura. Nele, uma Meiling radiante, acompanhada por uma Naoko estonteante e um Eriol aturdido, carregando uma Tomoyo chorosa nos braços, entraram na sala e encararam os presentes, todos com sorrisos inexplicáveis nos rostos. Tendo escutado o nível anormal de barulho, Sakura veio correndo, seguida de perto pela Yelan. Ela olhou para Meiling, que estava chorando um pouco e perguntou, preocupada:

- Meiling... aconteceu alguma coisa?

- SIM! - ela respondeu, esganiçada – Uma coisa maravilhosa!

- Espera, espera! – Sakura olhou para prima, muito bem instalada no colo do médico, que estava vestindo um robe azul por cima de um pijama listrado e com os cabelos completamente bagunçados: parecia ter saído da cama – O que aconteceu com você, Tomoyo?

- Ah! Nada demais! Só cai e Eriol acha que eu fraturei a bacia! – respondeu a moça, num tom de voz que sugeria que ela acabara de ganhar na loteria – Ele diz que era melhor eu ir a um hospital urgentemente...

- E você devia MESMO fazer isso! – resmungou o médico, com a cara meio zangada, meio risonha.

- ... Mas eu não poderia perder por nada neste mundo o que vai acontecer agora! – ela remexeu na bolsa e retirou uma câmera filmadora portátil.

- O que é que vai acontecer agora?! – perguntaram Sakura, Yelan e Shaoran, juntos

- É isso o que vai acontecer! – Meiling falou e mostrou, para todos, a pérola perdida.

Todos prenderam a respiração ao mesmo tempo, por vários motivos diferentes e caiu um silêncio tão pesado na sala que era possível pegá-lo. Yelan abriu o boca de uma maneira que chegava a ser cômica. Youhide olhava para o pequeno objeto nas mãos da chinesa, com os olhos ligeiramente arregalados. Porém, obviamente, quem mais sentiu o peso daquela descoberta foi o jovem casal: Sakura levou uma das mãos a boca, sentido uma miríade de sensações, porém sem saber o que realmente pensava sobre aquilo... Shaoran, por sua vez, sentiu as pernas fraquejarem e por pouco não foi ao chão. Cautelosamente, assim como Tomoyo fizera no momento em que se dera conta de que era a pérola, ele se aproximou e, hesitante, ergueu a mão para tocá-la. Seus dedos trêmulos primeiro roçaram na superfície esférica e depois, com firmeza, ele pegou-a das mãos de Meiling...

Ele a examinou, incrédulo, surpreso, emocionado, raivoso, aliviado... eram tantos sentimentos que lhe passavam pelo coração que nenhum se expressava por muito tempo em seu rosto. Com vagar, ele virou-se para Sakura e mostrou a ela o objeto pequenino.

Não sabiam o que dizer. Era praticamente um acontecimento único: a pérola lhes aparecia... quando não mais precisavam dela! Porém, obviamente, Meiling e os outros ainda não tinha noção disso, portanto foi compreensível quando a chinesa disse, com agressividade, apontando para Youhide:

- A pérola foi encontrada! É a dele mesmo! Então... não há motivos para você continuar a importunar os dois!

- Meiling...

- Eles vão se casar por que eles se amam! E há motivo melhor do que esse?! – continuou a chinesa, como se Sakura não tivesse falado com ela.

- Meiling...! – desta vez foi Shaoran quem falou

- Eu não vou deixar! Nem eu nem Naoko... – apontou para a jornalista sem graça encostada na porta – e nem a Tomoyo... – apontou para moça que filmava tudo com um ar divertido no rosto – Vamos deixar você separá-los!

- MEILING! – gritaram, juntos, Sakura, Shaoran e Yelan.

A chinesa, que se preparava para continuar o discurso, parou com a boca meio aberta. Então falou:

- O que foi?

- Meiling, não precisamos de nada disso! – falou Sakura, rindo um pouco da cara absolutamente apalermada dela – Embora, é claro, eu fique absolutamente feliz e agradecida pela disposição que vocês tem em ajudar-me.

- Ah... hã... claro! – Balbuciou a chinesa. Depois de alguns instantes calada, ela perguntou, confusa – Afinal, o que está acontecendo? Pensei que ia encontrar tio Youhide puxando os seus cabelos, Sakura. – imediatamente, após ter dito isso, ela corou. Pelo que parecia, ela tinha coragem de dizer, mas não tinha coragem para sustentar o que havia dito.

Youhide levantou as sobrancelhas e o passa-fora não demorou a chegar:

- Srta. Meiling Li, mais respeito comigo! A senhorita chega sem bater na porta, invade a casa dos outros e ainda falta com respeito com os mais velhos! Foi esse o tipo de educação que Tomo lhe deu?

A chinesa corou ainda mais, porém fez menção de voltar a falar. Com medo da amiga se encrencar de verdade, Sakura falou, depressa:

- Meiling, espera! Eu fico... extremamente contente que você tenha reencontrado a pérola, mas... não... não é mais necessária!

- O quê?!

Quem perguntara aquilo fora Tomoyo, tão assombrada que se mexera bruscamente e esquecera-se que estava com dores muito fortes. Depois de fazer uma caretinha de dor ela voltou a perguntar, muito assombrada:

- Como assim não é mais preciso?!

- Acontece, srta. Daidouji, que nós viemos até aqui para justamente dizer ao Xiao Lang e a Srta. Kinomoto que aceitaremos ambos no seio da família... entre outros pequenos detalhes...

Foi a vez de Meiling ver o OVNI abduzir a vaca...

- O quê?! Assim... tão... fácil?! – balbuciou, desconfiada – Sem... ameaças?! Sem... sentenças de morte?

- Meiling! – foi a vez de Yelan chamar atenção

- Mas... tia... convenhamos que... com todo os histórico do clã... é de se esperar que...

- Nós sabemos, Meiling! – apressou-se em dizer Shaoran – Também ficamos tão desconfiados quanto você está... porém agora está tudo bem... – virou-se para Tomoyo, que ainda filmava tudo – Daidouji, eu sei que você esperava uma cena bem diferente, mas... acho que agora você realmente precisa ir ao hospital...

- Obrigado! – agradeceu o médico, um pouco mal-humorado, começando a sentir que Tomoyo estava uns quilinhos acima do peso - Vamos logo! Yanagisawa, seu carro está aí embaixo?

Antes que Naoko pudesse responder alguma coisa, Tomoyo exclamou:

- Espera! Sakura, você não vai colocar a pérola no colar?! – todos olharam para ela surpresos. Ela insistiu – Sabe... a tradição da família... achamos a pérola, Sakura foi aceita pelo clã... porque não cumprir com a tradição?!

Sakura e Shaoran se olharam. Há oito meses, eles se separaram por causa daquela pérola. A garota, pelo menos, sentia uma espécie de aversão por aquela jóia, que, de forma indireta, causara tanta dor... e agora ela reaparecia...

Shaoran sentia algo parecido, embora três vezes mais sofrido: por causa dela e seu comprometimento cego com o clã, quase jogara fora sua grande chance de ser feliz... durante todo o tempo que estiveram separados ele pensou no porquê da pérola ter desaparecido de maneira tão estranha... ele chegara a pensar mesmo que o destino deles não era ficar junto... porém, quando voltara ao Japão, ele compreendera que, quem fazia o destino não era aquela jóia: era ele mesmo... mas... então... qual seria o significado de seu reaparecimento?

Depois de um bom tempo calados, Youhide pigarreou e todos se voltaram para ele. Ele falou, com simplicidade:

- Acho uma ótima idéia, minha cara srta. Daidouji. – Sakura fez menção de falar alguma coisa, mas o ancião continuou rapidamente – Eu entendo perfeitamente que vocês sintam uma certa... repulsa... por essa pérola... contudo, eu gostaria que você vissem esse reaparecimento não como uma ameaça ao comprometimento de vocês... mas sim como uma confirmação.

- Confirmação? – repetiu a japonesa, tolamente.

- Sim. Pense por esse lado: quando a pérola sumiu, há oito meses, ela não desapareceu porque vocês teriam que ficar separados: foi como um teste, para saber se vocês MERECIAM ficar juntos. Depois de muito tempo, Xiao Lang retornou, vocês fizeram as pazes... e somente então a pérola reapareceu... obviamente significa...

- Que nós passamos... em algum tipo de teste? – perguntou Shaoran, incrédulo.

- Sim... não vêem? Vocês prometeram passar por cima de tudo e de todos para ficarem juntos... vocês passaram no teste, fizeram seu próprio destino! E assim, a pérola reapareceu!

Sakura não havia pensado por esse lado. Aos poucos, enquanto ainda absorvia toda essa história de teste, ela sentiu o coração se esvaziar de toda raiva e frustração que sentia por aquele pequenino objeto, substituindo por uma sensação que poderia ser descrita como... alívio? Sim, alívio! Seguido, talvez, de uma nostálgica sensação de que, finalmente, tudo estava bem. Finalmente... sem olhar para Shaoran, tinha certeza que dentro dele, se passava a mesma coisa...

Ele apertou um pouco sua mão. Ao olhá-lo, pegou-o sorrindo, seus olhos transmitindo serenidade, tranqüilidade. Ele falou, suavemente:

- Então... querida... que tal se tornar uma noiva "tradicional" do clã Li?

Ela deu uma risada, que dissipou o pouco de apreensão que ainda sentia... e confirmou com a cabeça.

Meiling, mais rápida quem um raio, foi até seu apartamento e de lá trouxe o tradicional colar de noivado da família. Shaoran pegou a pérola e deu-a para a noiva. Sentindo-se mesmo parte de uma cerimônia ritualística, ela desfez o nó de colar e preparou-se para colocar a pérola junto com as outras... quando notou uma coisa que ninguém, aparentemente, havia notado. Ficou tanto tempo olhando para o colar e para a pérola que Shaoran franziu a testa e foi até ela:

- O que foi, querida? Alguma coisa errada?

Ao virar-se para ele, o rapaz percebeu que ela estava chorando, porém seus olhos pareciam abrigar todas as estrelas do céu.

- Não há nada de errado... eu diria... que acabo de obter a maior prova de que nós seremos extremamente felizes... – e mostrou-lhe a pérola

Havia uma pequena reentrância desregular na superfície lisa da pérola. Shaoran entendeu na hora o que era e gritou, entre animado e emocionado:

- A pérola... está... amassada!

- O quê?! – falou Tomoyo, desconcertada. E começou a falar, interrupta – Me desculpe! Mil vezes... perdão! Deve ter sido na hora em que eu pisei nela! Mas não se preocupem! Faço questão de pagar...

- Tomoyo! Você não se lembra?! – Cortou Meiling, incrédula e excitada – Pérolas amassadas são o melhor sortilégio de felicidade existente. Significa que o casamento deles... será beirando a perfeição! Eles serão muito felizes!

Aparentemente, e a morena havia esquecido mesmo. Só depois de algum tempo, foi que ela exclamou, também muito contente:

- Sim! É verdade! Melhor do que a mancha branca... é pérola amassada!

Logo, todos quiseram checar o pequeno amassado que misteriosamente aparecera na jóia. Depois de ter passado de mão e mão, é que Sakura pegou-a outra vez. Já ia colocá-la no colar quando Youhide falou:

- Espere! Um momento! Acho que precisamos rever um fato! – todos olharam para ele – Xiao Lang deveria ter se casado há alguns anos... embora, obviamente, não tenha acontecido tal coisa, ele ainda tem o direito de colocar a sua pérola antes da de Meiling... e, observem, se ele fizer isso... vai manter a tradição de...

- ...A cada quatro casamentos normais... – Completou a jovem chinesa.

- ...Surge um casamento especial. – Finalizou Yelan, emocionada.

Sakura olhou para Meiling, que apenas concordou com a cabeça. Devagar, ela retirou com extremo cuidado a pérola de Meiling e, no lugar, colocou a sua e a de Shaoran. Ela lentamente deslizou pelo fio transparente até juntar-se com as outras, com um pequeno barulho que ecoou pela sala silenciosa. Os presentes pareceram acordar e, num movimento sincrônico, suspiraram. Sakura voltou a encaixar a pérola de Meiling e fechou o nó. Depois, como se a emoção fosse demais para ela, ela se abraçou a Shaoran, que estava igualmente feliz. Naoko bateu palmas e comentou:

- Ah... se eu escrevesse uma matéria sobre isso, ninguém iria acreditar...

Tomoyo também estava as lágrimas. Eriol também, mas em parte porque a morena estava ficando realmente pesada. Youhide emprestou um lencinho para Yelan e falou, sorrindo:

- Bem... que bom que está tudo resolvido... devo agora voltar ao hotel, para fazer alguns telefonemas. Se você me permitir srta. Kinomoto, gostaria de passar mais tarde para dar uma olhadinha na mais nova integrante da família.

- Mas... é c-claro! – falou Sakura, enxugando algumas lágrimas teimosas de felicidade – Eu... vou dar um jantar hoje à noite... ficaria muito honrada se o senhor e a Sra. Li comparecessem... vou convidar meu pai e meu irmão também... e assim, todos vão poder se conhecer.

- Seria um prazer! – falou Youhide, sério, mas com os olhos brilhantes.

- Mas é claro que eu virei! – falou Yelan, por sua vez – Eu também tenho que ir, por hora. Também preciso fazer umas ligações – piscou para Meiling – Tomo deve estar roendo as unhas uma hora dessas! Disse que contaria tudo o que acontecesse aqui. Provavelmente, vai ter um infarto quando souber que aconteceram tantas coisas emocionantes e ela não pode olhar.

- Se a senhora vai ligar para minha mãe, por que você não o faz lá da minha casa? Estava mesmo querendo dar uma palavrinha com ela! – ofereceu Meiling, animada.

Elas se despediram do casal, tal como Youhide, que prometeu estar ali as sete naquela noite.

- Bem... acho melhor nós irmos a um hospital agora, não é? – perguntou Naoko rindo da caretinha de dor de Tomoyo e da caretona de Eriol.

- Ótima idéia! – falou o médico, quase sem ar – Acho que eu vou precisar de um também!

- Vocês não querem que a gente acompanhe vocês?! – perguntou Sakura.

- Não precisa, querida! – dispensou Tomoyo, fazendo um movimento com a mão – Tenho certeza que não tenho nada de grave. Além disso, a Naoko pode nos levar, não é?

- Claro! – foi a vez da jornalista piscar – E hoje à noite, eu também preciso falar com você, Sakura. Sobre a resposta dos editores em relação ao seu livro! Te adianto que foi muito positiva. Mas... se não for hoje à noite, vamos marcar para o mais cedo possível!

- Seria muito bom se você viesse junto para o jantar, com certeza! E vocês dois também. – falou a moça, referindo-se a Eriol e Tomoyo.

- Claro! Agora... será que podemos ir, antes que eu realmente comece a passar mal? – perguntou Eriol, começando a passar mal de verdade.

yeah breath Just breathe, ohho breathe

Isso, respire, apenas respire… respire

Apressados, eles também saíram e deixaram o casal a sós. Assim que a porta bateu, Sakura atirou-se nos braços de Shaoran. Os dois ficaram por muito tempo abraçados, incapazes de falar qualquer coisa, incapazes de acreditar que mereciam tanta felicidade como estavam tendo agora. O futuro, que vislumbravam através de nuvens espessas até pouco tempo atrás, apresentava-se agora límpido e claro, prometendo muitas felicidades.

- É... real... tudo o que acabou de acontecer? – perguntou Sakura, com o rosto ainda no peito dele, a voz saindo abafada.

- Sim... é real sim! – ele confirmou, num suspiro – estamos juntos... e ninguém vai nos atrapalhar...

Mais um longo silêncio, como se ainda estivessem absorvendo o impacto daquela palavra específica... juntos...

- Pra sempre? – perguntou ela, num fiapo de voz

Ele a apertou contra si, ainda mais...

- Pra sempre!

Ele se afastou dela o suficiente para levantar-lhe o rosto, pelo queixo e capturar seus lábios, num beijo que parecia selar tantas promessas, tantos significados, depois de tantas tempestades e calmarias... fundiram-se num só, trocando palavras na linguagem universal do amor...

Quando se separaram, arfantes, os dois queriam dizer a mesma frase, mas não foi preciso... tinha o resto da vida para provarem um ao outro quanto eram importantes aquelas palavras não ditas...

Eu te amo...

...Just breathe

...Apenas respire

Fim

'

Gente...em fim, Um Admirador Especial termina. Depois de três anos e quase dez meses, eu posso dizer que, finalmente, terminei uma fic!

Solta fogos

Bom... o que posso dizer é que, apesar de todos os problemas que eu tive (atrasos, quase dois anos sem postar... esse tipo de coisa) é muito satisfatório terminar um projeto tão... hum... ambicioso como esse com chave de ouro. Foi ambicioso por que?

Vocês já se perguntaram por que o nome da fic é "Um Admirador Especial" e não algo como " A maldição da pérola negra" ou então "Até o fim te amarei"? a resposta é muito simples: até, mais ou menos o quarto capítulo da fic, eu tinha um projeto para completamente diferente do que acabei escrevendo. Para falar a verdade, eu achei a história bem chatinha depois que eu comecei a escrever e, para não desistir no meio do caminho, eu perseverei... aí surgiu a história da pérola negra e eu agarrei essa idéia com todas as forças. Da idéia original, só ficou aquela cena em que Shaoran se encontra com a mãe da Sakura!

Quantas vezes pensei em parar pelo caminho? Garanto a vocês que um monte de vezes! Eu tenho milhares de histórias que eu nunca escrevi até o final simplesmente porque eu desisti delas, por diversos motivos... Porém eu continuei, as vezes firme e forte, por vezes vacilante... tudo por causa dos meus leitores, que insistiam e insistiam, me mandavam reviews carinhosas, críticas, ameaças. A maior prova disso é que o cap 22 recebeu mais de 50 reviews, batendo todos os recordes de UAE! Eu fico extremamente feliz quando eu vejo que as pessoas gostam da minha fic e queriam que eu terminasse... Eu ganhei até uma comunidade no orkut... chique, não é? Está lá na Home page, quem tiver login do poderá acessar de lá. Quem não tem, é só pesquisar as Keywords fãs da cherry hi...

Eu não vou me estender muito, então vou logo partir para os agradecimentos especiais...

Primeiro, para minha amiga do coração Yoruki Hiiragizawa, porque ela, a partir do 17º capítulo, ela começou a revisar para mim a fic, evitando que continuasse a pagar micos gramaticais... mas, muito mais importante que isso, ela foi uma das primeiras a acompanhar conm reviews, é minha amigona de msg, está sempre pronta para ajudar e cheia de idéias... te agradeço mil vezes... sério!

Depois, a minha amiguinha MeRRyaNNe, que também está acompanhando a fic desde muito cedo e não desistiu de mim, apesar do ócio de quase dois ano e que, de vez em quando dá um incentivo a mais... brigadinha, mixuga!

Quaro também fazer um agradecimento especial a uma pessoa que, na verdade, nunca leu essa fic (só vai ler daqui a dois anos, quando fizer trezes aninhos!) que a minha irmãzinha, a Mimica-Chan. Ela praticamente me obrigou a terminar UAE e, embora ela queira ler, na verdade ela tem outros interesses... heheh... mais pra frente vocês vão entender... mas, enfim, ela também me ajudou a terminar UAE com suas ameaças e suas Shurikens de papel (detalhe: ela é viciada em Naruto, percebe-se!)...

E, é claro, a todos os meus leitores, os que se pronunciaram, os que começaram desde sempre, os mais novos, os que deixam reviews, os mais tímidos... enfim... porque é muito óbvio...

SE NÃO FOSSE O APOIO DE VOCÊS, UAE NÃO TERIA CHEGADO AO FIM...

E é só... infelizmente, eu não vou agradecer nome por nome as reviews e nem vou responder algumas perguntas que me fizeram porque o está dando um problema e eu não estou conseguindo ter acesso a minha página de reviews por completo... mas saibam que cada review está guardada em meu coração e eu agradeço muito por elas!

E agora para finalizar... não pensem que, só porque eu terminei UAE eu vou ficar sumidona do site. Hohoho... podem crer que não... eu tenho muitos projetos... e um deles, o mais recente, que eu estou adorando trabalhar nele, já está bem encaminhado... vou deixar uma palhinha da minha próxima fic, só para vocês ficarem com gostinho de quero +...

'Quando o veículo parecia ter emparelhado com o lugar onde ele estava, ele escutou uma voz em tom de comando ríspida. Os cavalos foram bruscamente detidos. Curioso, ele aproximou-se devagar da origem do som, tomando cuidado para não esbarrar em alguma moita ou pisar em algum bicho e assim fazer barulho. Escondido, sentiu o coração disparar ao ver, na estrada, dois homens a cavalo apontando pistolas para o cocheiro que, apavorado, estendia suas mãos para o alto, em um claro sinal de rendição. Eles tinham lenços rotos amarrados no pescoço que cobriam parcialmente seus rostos e falavam em francês rústico, um linguajar próprio das periferias de Paris.

Provavelmente, pensou o garoto, aqueles homens estavam de tocaia do outro lado da estrada, caso contrário, teriam-no visto ou ouvido e, com certeza, ele estaria encrencado. Observou os homens se aproximarem mais do veículo. Um deles lançou um olhar cobiçoso para a belíssima parelha de cavalos negros, dizendo rudemente, porém com vagar:

- Mal posso esperar para montar nesses cavalos de primeiro mundo!

O outro abriu a porta da carruagem e apontou a pistola vigorosamente, dizendo qualquer coisa tão rapidamente que o menino não entendeu. Seu francês ainda não era bom. Viu um homem descer da carruagem também de braços erguidos.

Os ladrões mandaram que ele entregasse a carteira, o alfinete que prendia sua gravata, e o relógio de ouro. Depois, entrou na carruagem. Ouviu-se um gritinho delicado e o rapazinho percebeu, aflito, que ainda havia uma senhora lá dentro. Sem pensar direito, o rapaz se expôs, correndo até o animal do bandido que continuava montado, dando-lhe um forte tapa nas ancas. O cavalo empinou e derrubou o ladrão. O cocheiro e o nobre só conseguiram olhar, espantados com aquela estranha interferência.

Então o outro bandido, surgido do nada, agarrou o menino por trás. Ele tentou desvencilhar-se, mas o homem apenas riu debochado e disse, bem perto dele, permitindo que o garoto sentisse o hálito fétido que ele emanava:

- Jacques, seu estúpido! Surpreendido por um molecote! O que a turma vai dizer quando souber, hein?!

O que se chamava Jacques levantou-se, furioso. Olhou para o garoto e desferiu-lhe um tapa tão forte que ele sentiu que seu pescoço quase se deslocou. Quando virou-se de novo para enfrenta-lo, viu que ele havia sacado a sua arma, apontando diretamente para a cabeça dele. E disse, com um sorriso cruel:

- Se o garoto não existir mais, essa interferência nunca terá acontecido!

Ele engatilhou. O menino arregalou os olhos, paralisado... iria morrer...!'

O que é isso?! O que irá acontecer depois?! Que fic nova é essa?! Hahaha... vocês irão saber... mais só daqui a algum tempo... quando, mais ou menos? Digamos que... só depois do aniversario do meu irmão... e quando é o aniversário do seu irmão (o.O)?! Haaa... aí fica muito fácil, né? Pode ser agora em janeiro, poder ser em fevereiro... pode ser só em agosto... kkkkk... ( É por isso que minha nee-chan tava querendo que eu terminasse UAE logo ¬¬)

Agora eu vou ficando por aqui... de verdade... Mais uma vez, meus agradecimentos a todos vocês que chegaram até aqui, e leram tudo até o fim...

Arigatou!

Só mais uma coisinha... mandem reviews! Eu quero saber o que vocês acharam do capitulo, o que vocês gostaram na fic no todo, o que não gostaram... enfim... falem, ou melhor, escrevam!

Kissus

Cherry hi

2 Am and she calls me cause I'm still awake

2 da manhã e ela me liga porque eu ainda estou acordado,

Can you help me unravel my latest mistake

Você poderia me ajudar a solucionar meu ultimo erro?

I don't love him winter just wasn't my season.

Eu não o amo, o inverno não era exatamente minha estação

Yeah we walk through the doors so accusing their eyes

Nós passamos pelas portas, olhos tão condenantes os deles

Like they have any right at all to criticize

Como se eles tivessem algum direito de criticar

Hypocrites you're all here for the very same reason.

Hipocritas, vocês estão todos aqui pela mesma razão.

'

Cause you can't jump the track

Porque você não pode sair dos trilhos

We're like cars on a cable

nós somos como carros num cabo

and life's like an hourglass glued to the table,

e a vida é como uma ampulheta colada na mesa

No one can find the rewind button girl

Ninguém consegue achar o botão para voltar garota,

So cradle your head in your hands.

Então coloque sua cabeça em suas mãos

And breathe, just breathe, whoa breathe just breathe

E respire, apenas respire, Respire, apenas respire.

'

May he turned 21 on the base of Fort Bliss

Em maio ele fez 21 anos na base de Fort Bliss,

Just today he sat down to the flask in his fist

Só hoje ele se sentou com a garrafa na mão

Ain't been sober since maybe October of last year

Não tem estado sóbrio desde outubro do ano passado

Here in town you can tell he's been down for while

Aqui na cidade, você pode perceber que ele esteve triste

But my God it's so beautiful when the boy smiles

Mas, meu deus, é tão bonito quando o garoto sorri,

Wanna hold him but maybe I'll just sing about it

Quero abraçá-lo, mas talvez eu apenas cante sobre isso

'

Cause you can't jump the track

Porque você não pode sair dos trilhos

We're like cars on a cable

nós somos como carros num cabo

and life's like an hourglass glued to the table,

e a vida é como uma ampulheta colada na mesa

No one can find the rewind button boys

Ninguém consegue achar o botão para voltar garotos,

So cradle your head in your hands.

Então coloque sua cabeça em suas mãos

And breathe, just breathe, whoa breathe just breathe

E respire, apenas respire, Respire, apenas respire.

'

There's a light of each end of this tunnel

Tem uma luz em cada final desse túnel

you shout cause you're just as far in

você grita porque está tão longe dentro

as you'll ever be out

quanto você nunca vai estar fora.

And these mistakes you've made

Esse erros que você cometeu

You'll just make them again if you'll only try turnin' around

você vai comete-los de novo, Se você apenas tentar dar a volta.

'

2Am and I'm still awake writing this song

2 da manhã, e eu ainda acordado escrevendo essa canção,

If i get it all down on paper it's no longer inside of me

Se eu conseguir passar tudo para o papel, Não estará mais dentro de mim

threaten' the life it belongs to.

ameaçando a vida a qual ela pertence

And I feel like I'm naked in front of the crowd

e me sinto nua diante da multidão,

Cause these words are my diary screamin' out aloud

Porque essas palavras são meu diário gritando bem alto

And I know that you'll use them however you want to.

E eu sei que você vai usá-las como quiser

'

Cause you can't jump the track

Porque você não pode sair dos trilhos

We're like cars on a cable

nós somos como carros num cabo

and life's like an hourglass glued to the table,

e a vida é como uma ampulheta colada na mesa

No one can find the rewind button now

Ninguém consegue achar o botão para voltar agora,

Sing it if you understand...

Cante se você entender…

yeah breath Just breathe, ohho breathe

Isso, respire, apenas respire… respire

Just breathe

Apenas respire

Anna Nalick - Breathe