Foi apenas no dia seguinte que Giuseppe finalmente acordou. E isso aconteceu apenas devido aos gritos horripilantes vindos do convés.
O pequeno rapaz levantou-se com alguma dificuldade pois sentia-se fraco. Já não se alimentava há mais de um dia...

Curioso e estranhamente nem um pouco assustado com o clima de terror que parecia reinar à superfície, subiu até ao convés e avistou o que parecia estar a provocar toda aquela comoção.
Um homem, que a julgar pelos gritos das pessoas, tinha o nome de Haggis, estava atado a um dos postes do navio de cabeça para baixo. Duas poças de sangue manchavam o já sujo casco. O sangue provinha dos pulsos dele aos quais faltavam as mãos.
Porque não estava Giuseppe chocado? O seu olhar fixou-se no sangue do chão e o seu coração começou a bater mais forte. No momento em que se preparava para se aproximar, uma mulher puxou-o para ela e pegou nele ao colo.

"Vem cá, pequeno. Não te assustes. Está tudo bem..." chorou a mulher recuando com ele para longe do mastro e encostando a cabeça do rapaz ao seu peito para que ele não tivesse que ver aquela atrocidade.

Momentos depois também esta pobre mulher gritou. Em puro sufoco e sofrimento.
Tendo já uma certa idade, foi facilmente deitada ao chão e os seus gritos confundiram-se com os outros semelhantes ao longo de todo o convés...
Giuseppe, dotado, agora, de uma força desconhecida que, obviamente não era a sua normal, prendeu a mulher ao chão e atacou o seu pescoço novamente, sugando-a até não sobrar pinga de sangue.

Depois de arrastar o cadáver borda fora, o rapaz limpou a boca, meteu caminho por entre as dezenas de pessoas em volta do mastro e voltou para o porão com um sorriso perverso no rosto.

Tinha tanto por onde se alimentar até o navio atracar...

FIM