Piratas Não Amam

Cap.19 – O Fim?

O clima no navio britânico que se aproximava da costa da Inglaterra, mais especificamente da cidade de Dover, era de alegria. Os marinheiros sentiam o alívio de voltar para casa, para suas famílias.

Mas nem mesmo essa felicidade afetou a melancolia que Kagome sentia, enquanto observava a costa inglesa do convés. Estava voltando para os pais, porém sentia como se tivesse deixado o coração para trás.

"Está se sentindo bem?" Ela ouviu a voz de Kouga às suas costas e sentiu a mão dele tocar sua cintura.

"Sim, comodoro." Respondeu simplesmente, resistindo à vontade de desvencilhar-se do toque dele.

"Você pode me chamar de Kouga." Ele disse, encostando-se à murada e fitando o rosto dela.

"Prefiro não fazê-lo, se permitir, comodoro." A moça respondeu sem desviar o olhar para fitá-lo.

"Você nunca teve problemas com isso antes." Kouga comentou, olhando para frente.

"As circunstâncias mudaram."

"Oh? Por que agora nós vamos nos casar?" Ele ironizou, mas Kagome não respondeu. A formalidade e indiferença com que ela o tratava doíam.

Após um silêncio desconfortável, Kouga virou-se para ela novamente. "Você o ama?" Ambos sabiam de quem ele falava.

Kagome finalmente virou-se para fitá-lo por um longo momento antes de responder. "Sim, amo." Ele desviou o olhar.

"Você pode me amar, sabe. Se permitir que eu tente, serei o melhor marido do mundo e você me amará." Ele garantiu, esperançoso. Kagome sorriu fracamente, mas não disse nada.

É, acho que eu poderia ter te amado um dia... Mas essa decisão não cabe mais a mim. Ela pensou, suspirando.

Quando desembarcaram, Kouga guiou Kagome até uma carruagem que os levaria à sua casa.

"Meus pais...?" Ela perguntou, olhando em volta.

"O criado que veio nos receber me disse que eles preferiram esperar por nós em minha casa. Sua mãe está... fatigada." O comentário de Kouga pareceu um tanto cético.

"Não é de se admirar." Kagome replicou. Por que tivera qualquer expectativa de que os pais deixariam o conforto da casa do comodoro para recebê-la no porto?

"Não se preocupe com isso." Kouga disse, ajudando-a a subir na carruagem. "Venha, mal posso esperar para te mostrar o seu futuro lar!"

Kagome tentou, mas não conseguiu corresponder ao entusiasmo dele. Não podia evitar que imagens da vida que poderia ter tido com InuYasha viessem à sua cabeça. Teriam morado em uma casa aconchegante à beira mar, onde os filhos pudessem brincar e correr? Ou teriam vivido de aventuras, navegando pelos Sete Mares na Tessaiga?

Chega! Censurou-se mentalmente. Não faria bem nenhum ficar pensando no que poderia ter sido. Agora é levantar a cabeça e suportar as conseqüências da minha própria decisão. E, por mais incrível que parecesse, ela não se arrependia daquela escolha, pois InuYasha viveria, mesmo que longe dela.

"... e podemos nos casar na semana que vem, no domingo." Do que diabos ele estava falando? Kagome estivera tão perdida em pensamentos que nem percebera que Kouga estava falando com ela.

"Tão rápido?" Foi tudo que conseguiu dizer, tal era seu espanto.

"Bem, eu não pretendo mudar de idéia e não vejo motivo para esperar mais." Ele não se incomodou em saber se ela tinha dúvidas em relação ao casamento.

"Mas... Mas..."

"Kagome." Ele segurou as mãos dela e fitou seus olhos. "O que quer que tenha acontecido nesse tempo em que esteve na companhia daqueles piratas horríveis não mudará a minha intenção de casar com você."

"Mas, eu..."

"Não. Não precisa ficar insegura em relação a isso." Kagome suspirou impacientemente. "O passado é passado. Vamos enterrá-lo, sim?" Ele soltou as mãos dela após mais uma carícia e se aconchegou melhor no banco.

"Você sabe muito bem que InuYasha não me forçou a nada, não é?" Ela comentou. A expressão de Kouga se tornou mais sombria.

"Kagome. O passado é passado. Você não me ouviu?" Ele preferiu contornar a pergunta.

"Eu poderia estar grávida." Esse comentário fez Kouga endireitar-se na cadeira e fitá-la com um olhar penetrante.

"E está?" Seu olhar desafiava-a a ousar mentir.

"...Não sei." Ela respondeu sinceramente.

"Nós temos um acordo, Kagome. A vida do seu pirata pela sua cooperação no casamento. Lembra-se?" O tom de voz deixava claro que, se a resposta fosse negativa, ele a ajudaria a recordar-se dos detalhes.

Como poderia ter se esquecido daquela promessa se era ela que a atormentava dia e noite? A única maneira de escapar dela seria fazer Kouga ver como uma união entre os dois seria errada.

"Eu não prometi o meu silêncio e submissão durante o processo." Kagome retrucou.

"Toda a sua má vontade e língua afiada não me farão mudar de idéia." Kouga declarou, fazendo-se confortável no banco novamente.

"Você se casaria com uma mulher que não te quer?" A pergunta foi feita de forma melancólica. Ela já sabia a resposta.

"Esse é o tanto que eu te amo. Vê? Estou arriscando o seu ódio só para tê-la ao meu lado." Ele soou seco e, ao mesmo tempo, conformado com a situação que previa para si mesmo.

"Você mal me viu uma dúzia de vezes. Como pode me amar se não me conhece?" A moça já estava ficando frustrada.

"Você quer que eu explique como meu coração funciona?" O comodoro perguntou.

"Seu coração ou seu ego?" Ela alfinetou.

"O que está insinuando?" Ele estreitou os olhos.

"Talvez me ter tenha se tornado uma questão de orgulho. Ou seria vingança contra o pirata que ousou te desafiar em seu próprio território?" O comentário o atingiu com força.

"Você não sabe do que está falando." Ele não ousou dizer mais, receoso de que realmente perdesse a paciência com ela.

"Talvez não. Mas e você? Sabe o que está fazendo? Já pensou nas conseqüências do que pode ser apenas um capricho? Casamento é para sempre."

"Assim espero." Kagome suspirou. Seus esforços para convencê-lo do erro que estava cometendo eram inúteis. Ele estava determinado a se casar com ela. "Agora deixe de falar bobagens e descanse um pouco. Logo chegaremos em casa."

Kouga fechou os olhos, encerrando o assunto. Kagome, no entanto, não conseguiu descansar. Para ela, aquela situação estava longe de ter sido resolvida.

OoOoOoOoO

Sesshoumaru entrou na cabine que cedera a InuYasha na Belle Lune quando tornara-se óbvio que não seria bom deixá-lo sozinho. O aposento estava completamente escuro, a não ser pela luz da lua que entrava pela pequena abertura. O pirata estreitou os olhos para examinar os arredores e conseguiu discernir uma forma jogada na cama, indiferente à sua presença no quarto.

Andando até os castiçais na mesa, ele acendeu algumas velas para que pudesse enxergar melhor. Ao virar-se para InuYasha, percebeu que o irmão estava acordado, porém não o encarava.

"InuYasha." Chamou, mas o outro não respondeu, apenas fitando o teto como se refletisse. "InuYasha. O que está fazendo?"

"O que quer dizer?" O irmão finalmente respondeu sem expressar qualquer reação ou sequer olhar para Sesshoumaru. "Não é óbvio? Estou deitado. Pensando."

"Eu sei que você é um tanto lento, mas estou certo de que entendeu a minha pergunta."Sesshoumaru aproximou-se mais da cama. Um sorriso irônico despontou na face de InuYasha enquanto ele se levantava do leito, ficando sentado.

"Heh. Eu devo ser mesmo um incompetente, não é, Sesshoumaru? Pela segunda vez, a mulher que eu amo foi roubada de mim bem debaixo do meu nariz. Talvez seja um sinal de que eu simplesmente não devo tê-la." Ele disse sem responder a pergunta do irmão.

O sorriso se desfez quando o punho de Sesshoumaru encontrou sua face. O soco fez sua cabeça virar, mas InuYasha não reagiu como o irmão esperara, revidando o golpe. Ele nem sequer voltou a cabeça para a posição original.

Sesshoumaru levantou-se, impaciente. Não estava com humor para lidar com InuYasha ou sua crise depressiva.

"Não me importa que você tenha perdido a luta para Kouga ou que tenha deixado Kagome partir com ele. Isso é problema seu. Saiba que vou buscá-la pela Rin e não por você. Esteja são quando esse momento chegar." Ele caminhou até a porta, mas a voz de InuYasha o fez parar.

"Você podia ter impedido que ela fosse com ele. Você estava lá." Apesar das palavras, o tom de voz de InuYasha não era acusador. Era como se já estivesse cansado demais para isso.

Sesshoumaru se virou para o irmão. "Ela é sua mulher e você não a conhece direito? A decisão foi de Kagome e não haveria nada que eu pudesse fazer para impedi-la de fazer o que achava certo."

"Saber disso não me consola."

"Eu sei que não. Mas pode te fazer levantar dessa cama e ir atrás dela. Isto é, se realmente a quiser. Está se comportando como uma criança que perdeu o brinquedo favorito e não como um homem que quer recuperar a mulher." Sesshoumaru saiu do quarto sem esperar que InuYasha rebatesse essa afirmação. Fechando a porta, ele suspirou levemente.

"Você está preocupado com ele." Sesshoumaru levantou os olhos e viu Rin esperando-o no corredor. Sorriu quase imperceptivelmente e caminhou até ela.

"Nunca o vi reagir dessa maneira. É como se estivesse em estado vegetativo." Rin segurou sua mão enquanto ele a levava para a cabine deles.

"Ele precisa de tempo." Ela observou.

"Já faz um mês e ele só piora."

"Acho que a perspectiva de ver Kagome novamente vai fazê-lo acordar desse pesadelo. Nós estamos indo buscá-la, não é?" Rin perguntou, esperançosa.

"Eu prometi a você, não prometi?" Ele respondeu, envolvendo a cintura da esposa. "Venha. Você precisa descansar. Não pode se esquecer do bebê."

Rin sorriu. Gostava dos cuidados que Sesshoumaru dedicava a ela, mesmo que ele os demonstrasse à sua própria maneira. Porém, às vezes precisava lembrá-lo que gravidez não era doença nem a tornava uma peça de vidro.

Ela suspirou ao lembrar que teria que voltar ao lar que a repudiara por suas escolhas na vida. Só mesmo Kagome para fazê-la retornar a um lugar que, em suas memórias, eram sinônimo de sofrimento.

Estamos indo, Petit Perle.

OoOoOoOoOoOoOoO

No convés da Tessaiga, uma mulher suspirou, olhando para o horizonte, no ponto em que o céu escuro parecia se mesclar com o mar. Além de perder uma boa amiga que mal ganhara, ainda tinha que ver seu capitão naquele estado deplorável.

Se for isso que o amor faz com uma pessoa, eu o dispenso. Sango pensou, apoiando o cotovelo na murada do barco e descansando a cabeça na palma da mão.

"Em que está pensando?" Ela se virou ao ouvir a voz invadir seus pensamentos. Era Miroku que se aproximava com suas feições tranqüilas, como sempre.

"Em Kagome. E InuYasha." Ela suspirou novamente. "Fico pensando em como essa confusão vai acabar."

"Fique tranqüila." Miroku disse, parando ao lado dela, de frente para o mar. "No fim, as coisas voltarão aos seus devidos lugares."

"Como você consegue ficar tão calmo?" A pirata perguntou, sem acreditar muito na garantia dele. "Como pode saber se tudo vai ficar bem? A vida não é assim tão fácil. Se não corrermos atrás das coisas que queremos, elas não caem em nossos colos. Não é como se os acontecimentos se encaixassem como luvas nas nossas necessidades."

"Pra que se preocupar com coisas que você não pode mudar? Estamos fazendo o que podemos pela Kagome. O resto fica a cargo dela e de InuYasha." Ele respondeu com um sorriso.

"E se não chegarmos a tempo?" Ela disse, expressando sua preocupação.

"Pensa que o tempo é páreo para o capitão?" Miroku riu. "Ele está apaixonado. Isso o torna invencível."

"Ele não está parecendo muito invencível agora..." Sango resmungou, referindo-se à depressão em que InuYasha entrara depois que Kagome partira.

"Ele está apenas passando por uma fase. A determinação para conseguir o que ele quer vem logo em seguida." Miroku garantiu.

"Você é tão seguro... Chega a parecer acomodado." Ela comentou.

"E você se preocupa demais. Não acredita no poder do amor?" O primeiro imediato de InuYasha brincou.

"Acreditar que o amor vence tudo é puro idealismo. Eu prefiro manter meus pés no chão." A moça respondeu.

"Não seja tão cética, Sango, querida. Acreditar no amor é o que o torna tão poderoso." Miroku declarou.

"Hunf. Do jeito que você está falando, até parece que é um especialista no amor. Aposto que nunca amou ninguém na vida!" Ela resmungou, mas ele ouviu o comentário. Por um momento, uma sombra pareceu pairar sobre as feições normalmente alegres, mas logo sua expressão voltou ao bom humor típico.

"Não fale do que não sabe. Se você deixasse, eu poderia te mostrar o que é o amor." A oferta não foi feita em tom malicioso, mas bastou para deixar Sango desconfiada.

"Ah, estava demorando! Isso que você vive oferecendo a mim e a qualquer garota que encontra não é amor, Miroku. É só sexo. E sexo por si só eu dispenso, muito obrigada." Ela se virou para sair, mas Miroku segurou seu braço.

"Eu estou abrindo meu coração para você. Não pise nele." Ele disse, sério.

"O que... O que você está dizendo?" Ela murmurou. Miroku tocou seu queixo, fazendo-a erguer o olhar.

"Estou dizendo que não quero só uma noite de você. Quero seus dias também. Quero muito mais que só sexo." Os olhos dela brilharam esperançosamente.

"Você quer... o meu amor?" Ele sorriu afirmativamente. "E o de outras mulheres?"

"Só o seu, Sango, querida. Só o seu." E finalizou a conversa, beijando-a como se sua vida dependesse disso.

Sango suspirou, retribuindo o beijo. Seu último pensamento lógico foi que, se o amor era daquele jeito, ele poderia, afinal, ter poder suficiente para reunir Kagome e InuYasha.

OoOoOoOoOoOoO

"Você vai ser a noiva mais linda que já existiu." A mãe de Kagome tagarelava em volta dela, entusiasmada, enquanto as costureiras arrumavam o vestido de noiva. A própria Kagome estava lá, de pé sobre um banco e bem no meio da confusão, preferindo estar em qualquer lugar menos ali.

"Eu realmente não me importo com isso, mãe." Ela respondeu, suspirando. "Não é como se eu quisesse me casar, mesmo." O olhar que ela recebeu da mãe poderia tê-la matado umas cem vezes seguidas.

"Saiam. Vamos, vamos! Minha filha e eu temos que conversar." Ela foi expulsando as costureiras do quarto, ignorando a relutância delas em ter seu trabalho interrompido. Nem mesmo ouviu quando uma tentou dizer que tinham pouco tempo até o casamento e que precisavam terminar o vestido.

"Mãe..." Kagome começou, sem paciência para discutir.

"O que está havendo, Kagome? Que história é essa de não querer se casar?" A mãe perguntou com as mãos na cintura.

"Eu não o amo. É simples assim." Ela respondeu.

"Amor? Ora. Estamos falando de casamento, não de amor!" Antes que a filha pudesse protestar, ela continuou. "Por acaso tem noção de como o comodoro está sendo generoso conosco? Com você? Depois de tudo o que aconteceu... Qualquer outro pretendente teria te deixado! Mas esse episódio traumático pelo qual você passou só o deixou mais determinado a se casar com você!"

"Meu... episódio traumático?"

"É claro! Ser raptada por piratas horrendos, sujos, grosseiros e malignos... E ele só pensa em como pode te consolar! Sem falar em como se dedicou a encontrá-la e trazê-la de volta para nós." A mãe estava realmente determinada a tornar Kouga um anjo que caíra do céu para ajudá-las, seu "príncipe encantado".

"Espere um momento. Eles não eram esses monstros que você descreveu! Aliás, se tornaram meus amigos!" Kagome protestou.

"Não precisa esconder de mim, querida. Eu sei o que aquele capitão horrível fez com você. Esteja grata por haver um homem que ainda queira se casar com você depois de ficar arruinada. E se houver... Certos inconvenientes... Eu conheço métodos para que você se livre deles." Kagome levou alguns momentos para compreender o que a outra queria dizer e, quando entendeu, ficou pasma e irritada. Desceu do banco para enfrentar a mãe.

"InuYasha não abusou de mim! Se amá-lo foi o que me arruinou, então estou mesmo arruinada! E nenhum bebê que tenhamos juntos será inconveniente. Eu sugiro que você guarde seus... métodos... para si mesma." A forma com que Kagome respondeu surpreendeu tanto ela quanto a mãe. Nunca tinha desafiado nenhum de seus progenitores tão abertamente.

E a sensação é ótima! Ela pensou, aliviada. Era bom falar o que tinha em mente em vez de ficar engolindo sapos o tempo inteiro.

"Kagome! Não fale nesse tom comigo! Eu ainda sou sua mãe e exijo respeito." A mãe falou, irritada. "Não conversaremos mais sobre isso. Você irá se casar com Kouga e esquecerá aquele pirata!"

"Casarei com o Kouga, sim, mas saiba que não é porque você e o papai mandaram. Eu fiz uma troca e uma promessa e é por elas que me caso." Kagome declarou.

"Não me importam seus motivos, desde que deixe o comodoro satisfeito. Não quero mais discutir esse assunto." Foi até a porta e chamou as costureiras de volta. "Tenho que resolver algumas coisas sobre a decoração da festa. As costureiras terminarão de ajustar seu vestido." E saiu sem outra palavra.

Kagome suspirou. Por mais que quisesse contradizer a mãe, sabia que não tinha escolha. Subiu novamente no banco, enquanto as mulheres se juntavam à sua volta, enfiando alfinetes e linhas em seu vestido.

Para um acontecimento que deveria ser o mais feliz de sua vida, aquele casamento estava mostrando um futuro cada vez pior.

OoOoOoOoOoO

Kagome...

Quando InuYasha acordou na manhã seguinte, sentiu-se um homem diferente. Enquanto abria os olhos e se lembrava do sonho que tivera, uma força parecia crescer dentro de si.

Sonhara com Kagome. Sua lady sorria para ele enquanto corriam por um campo verde, como crianças brincando de pega-pega em um dia ensolarado. Sempre que ele se aproximava, ela ria e dizia 'Vamos, InuYasha! Não vai me alcançar?'. A provocação só dera ao InuYasha dos sonhos mais força para persegui-la.

E quando finalmente a alcançara, derrubando os dois sobre a grama verde, ela sorrira para ele com orgulho e fechara os olhos lentamente. InuYasha aproximou o próprio rosto do dela e quando ia beijá-la...

...Acordou.

Apesar do sonho ter acabado na melhor parte, InuYasha não se sentiu mal com isso. Pelo contrário. O sonho dera-lhe a esperança de que conseguiria ter Kagome novamente ao seu lado. Mesmo que fosse um sonho, tinha a sensação de que a mensagem que ele lhe passava era real. Kagome esperava por ele, mas para isso precisaria reunir suas forças, levantar da cama e ir atrás dela.

Bastou essa conclusão para fazê-lo pular da cama. Lavou-se para remover os vestígios do mês de depressão, vestiu-se rapidamente e saiu da cabine.

Ao chegar no convés, encontrou sua tripulação realizando as tarefas diárias. Quando o notaram, todos ficaram espantados. Parecia um novo homem!

"InuYasha? Você finalmente saiu daquela cabine!" Rin exclamou, sendo a primeira a superar a surpresa e sorrir para o cunhado.

"Agora você acredita no que eu te disse ontem, Sango?" Miroku disse para a pirata que estava ao seu lado, sorrindo maliciosamente para ela.

"Cale a boca, Miroku." Sango resmungou, corando e cruzando os braços. Ela era a única que sabia à qual conversa ele se referia... E aos acontecimentos que sucederam a mesma.

"Ora. Conclui que não chegarei nem um pouco mais perto de reaver Kagome se não dirigir esse navio, eu mesmo!" InuYasha declarou, exibindo um sorriso matreiro.

"Hm. E levou a noite inteira para chegar a essa conclusão? Pois não foi nada mais do que eu te disse ontem. Ou não se lembra?" Sesshoumaru retrucou, tirando o sorriso do rosto do irmão e recebendo um olhar fulminante. Acabara de insinuar que InuYasha só saíra de seu estado patético por causa de sua interferência e isso, para o capitão mais novo, era imperdoável. Podia até ser verdade, mas o resto da tripulação não precisava saber disso!

"Keh. Não me enche, Sesshoumaru." Resmungou, olhando para a tripulação, que ainda o fitava, boquiaberta. "O que estão esperando? Temos uma mulher para resgatar."

OoOoOoOoOoOoO

Na opinião de muitos dos convidados do Comodoro Ookami e da família Higurashi aquela manhã ensolarada de domingo era perfeita para um casamento. Sentados em bancos especialmente colocados no jardim para a cerimônia, esperavam pelo início da mesma enquanto conversavam entre si sobre as últimas fofocas.

Porém, o segredo que poderia vir a ser a maior fofoca de todas ainda não fora descoberto pelas madames da sociedade. A noiva, que espiava o jardim por uma fresta na cortina que cobria a janela de seu quarto, discordava veementemente da opinião dos convidados.

Aquela não era uma boa manhã para um casamento. A manhã seguinte também não seria adequada e nem todas as manhãs nos próximos cem anos. Seria mais simples dizer que um casamento com Kouga nunca seria adequado! Kagome pensou, soltando a cortina e voltando-se para o espelho. Fitou suas feições inquietas e suspirou profundamente, tentando se acalmar.

Estava mais aflita do que imaginara que estaria. Também, não era para menos... Em alguns minutos estaria casada com um homem que não amava, perdendo para sempre a chance de estar com o homem que realmente amava... E não podia fazer nada para evitar essa situação.

Não adianta começar a me arrepender agora. Ela se repreendeu mentalmente, respirando fundo. Nada de ficar com pensamentos negativos. Isso só vai me deixar pior.

O pai arrastara a mãe do seu lado para cumprimentar os convidados, deixando-a a sós com os próprios pensamentos. Kagome só não sabia ainda se isso fora bom ou ruim. O tempo que tivera para refletir a própria situação só servira para deixá-la mais angustiada.

Desviou os olhos do espelho para a porta quando esta se abriu, revelando sua mãe.

"Está na hora." Foram as únicas palavras de Lady Higurashi antes que ela saísse do quarto, fechando a porta. Apesar de não sair do lado de Kagome naquela semana que antecedeu o casamento, a mãe não falara mais que o necessário para a filha, nem a olhara diretamente nos olhos. Tudo por causa da discussão que as duas haviam tido no dia em que experimentava o vestido de noiva.

Mas Kagome não se arrependia de ter colocado para fora tudo aquilo que a afligia, mesmo que a mãe tivesse ficado furiosa. Sem falar que ela realmente precisava ouvir algumas verdades. A única coisa que a entristecia era não poder ter desabafado com Lady Higurashi em um momento mãe e filha e sim ter tido que confessar tudo o que sentia em um momento de raiva e mágoa.

Ela respirou fundo mais uma vez, alisou a saia do vestido e saiu do quarto. A mãe ainda estava do lado de fora, esperando-a ao lado do pai sorridente.

"Vamos, filha, seu noivo a espera!" O pai falou alegremente, passando o braço pelo dela e guiando-a em direção ao jardim, a mãe seguindo ao lado deles silenciosamente. Bem, pelo menos um de nós está feliz com este casamento. Ela pensou. Pois eu certamente ainda não vi motivos para festejar.

O pai foi tagarelando o caminho inteiro a respeito de como ela seria feliz, vivendo naquela casa enorme, com tantos criados à sua disposição. Sem falar no dinheiro que Kouga separaria para que ela pudesse comprar "essas bobagens que as mulheres gostam de ter". E claro, dizia ele, ela poderia guardar um pouco dessa mesada para os pobres pais que cuidaram dela a vida inteira, preparando-a para conseguir um bom partido como o comodoro.

Kagome quase suspirou, irritada, ao ouvir as besteiras que o pai dizia. Pelo menos uma coisa eu conseguirei deste casamento... Ficar bem longe desses dois! Essa convicção a acalmou um pouco. Acabou por bloquear as palavras do pai, distraindo-se com seus próprios pensamentos.

Quando percebeu, já estavam no jardim, onde a cerimônia começaria. A mãe se adiantou para ocupar seu lugar ao lado do altar, onde Kouga já esperava por Kagome. A marcha nupcial começou a tocar e todos os convidados se calaram, levantando-se e virando-se para observar a entrada da noiva.

Uma menina que Kagome não conhecia começou a andar em direção ao altar, jogando pétalas de flores pelo caminho.

O pai puxou levemente seu braço para fazê-la andar e finalmente começaram a caminhar até o altar. No caminho, Kagome escutava comentários sobre como a noiva era bonita e como o comodoro era um bom partido. 'Menina de sorte!' , ela escutou de uma senhora que sentava-se com sua filha em uma fileira do meio.

Observando Kouga sorrir enquanto ela chegava cada vez mais perto dele e de seu destino, Kagome não se achou tão sortuda assim.

O pai entregou sua mão para o noivo e com um voto de felicidades, deu um passo para trás. Kagome se esforçou para responder ao sorriso radiante de Kouga com um sorriso amarelo. Ele a guiou até o padre e a cerimônia teve início.

"Estamos aqui para celebrar a união sagrada entre Kouga Ookami e Kagome Higurashi..." O padre começou a dizer, segurando uma bíblia aberta. Ela não desviou os olhos do clérigo, mas sua mente estava muito longe, navegando pelos sete mares.

Kouga olhou para ela e sorriu com intenção de reconfortá-la. A ação só serviu para deixá-la irritada.

"Kagome, você aceita Kouga como seu legítimo esposo, para obedecê-lo e honrá-lo, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?"

Quando o padre se dirigiu a ela, Kagome saiu de seu estupor. Olhou para o homem, sobressaltada e, em seguida, olhou para Kouga. Todos ali presentes esperavam sua resposta.

"Eu..." Ela hesitou. Essa resposta mudaria sua vida para sempre. A próxima palavra que proferisse destruiria qualquer chance que poderia ter com InuYasha.

"Kagome...?" Kouga chamou, silenciosamente incitando-a a continuar.

"Eu... aceito."

E, enquanto a cerimônia continuava, nas profundezas de sua mente, Kagome escutou um som que parecia com o de um martelo chocando-se contra uma mesa. Seu destino estava decidido. Qualquer esperança que ainda tinha esvaiu como areia por entre seus dedos.

Naquele momento, cercada de pessoas, Kagome nunca se sentira mais sozinha.

OoOoOoOoOoO

Na escuridão da noite, dois navios adentraram o porto de Dover sorrateiramente. Não que houvesse alguém no cais que pudesse vê-los, ainda mais sem as bandeiras piratas, que haviam sido retiradas por segurança. Porém, quanto mais discretamente finalizassem sua missão, mais rapidamente os marujos da Tessaiga e da Belle Lune poderiam sair dali.

Estavam nas redondezas desde o início da tarde. Um pirata disfarçado já fora até a cidade para descobrir onde estava localizada a moradia do comodoro Ookami. E voltara com notícias terríveis.

"A lady Kagome já está casada. Casou-se hoje de manhã." InuYasha nunca tivera mais vontade de descontar a raiva no mensageiro das más notícias do que naquele momento.

"Não importa. Ela é minha. Irei resgatá-la antes que o maldito Kouga tenha chance de consumar o casamento." O capitão rosnou, irritado, porém determinado. Ninguém ousou contradizê-lo.

InuYasha pulou no cais antes de qualquer outro, mas esperou até que o grupo de marinheiros previamente escolhidos se juntassem a ele enquanto analisava os arredores. Um grupo ficara para vigiar as embarcações.

"Muito bem. O grupo que seguirá Sango deverá fazer uma ronda em volta da casa e subjugar os guardas silenciosamente. Miroku, esteja preparado para fazer uma fuga rápida quando nós sairmos da casa. Sesshoumaru..." Olhou para o irmão mais velho, que assentiu.

"Irei com você e cuidarei da sua retaguarda, irmãozinho." Ele garantiu. InuYasha assentiu.

"Então vamos. Não temos tempo a perder." E dali cada um seguiu em uma direção, prontos para exercer as tarefas que haviam sido confiadas a eles.

OoOoOoOoOoO

Kagome estava extremamente nervosa. Em pé diante do espelho, no quarto que deveria dividir com o marido, ela esperava a chegada do mesmo. Há cerca de meia hora, apesar de todas as suas tentativas para alongar a festa de casamento, Kouga anunciara aos convidados que se retiraria com sua esposa e que, apesar de as regras de boas maneiras determinarem que ele deveria se desculpar pela saída abrupta, não se lamentava nem um pouco por isso.

O comentário provocara risadas entre os convidados, mas só servira pra deixar Kagome nervosa. Quando estavam sozinhos, dera uma desculpa, dizendo que ainda tinha que se arrumar e que ele deveria retornar mais tarde. Só temia a hora que ele realmente voltasse para cumprir o combinado.

Alisou a camisola branca, amaldiçoando a transparência da peça. Precisava pensar em uma maneira de convencer Kouga a esperar outro dia para consumar a união e a visão de seu corpo sob a camisola diáfana não ajudaria a persuadi-lo. Teria escolhido uma camisola bem grossa e casta, se a mãe tivesse lhe dado a chance de escolher, claro.

Assustou-se quando a porta se abriu, revelando o marido. Ele passeou os olhos por seu corpo com uma expressão satisfeita, deu um passo para dentro e fechou a porta atrás de si.

"Você é realmente linda." Ele comentou, caminhando na direção dela. Kagome se desesperou e começou a recuar até sentar na cama, cobrindo-se com o lençol.

"K-Kouga... Eu estive pensando..." Ela começou, tentando se esquivar das mãos do noivo.

"Sim?" Ele perguntou, distraído. Não fora atrás dela, preferindo começar a se despir. Ela virou de costas, ruborizada.

"Bem, talvez devêssemos esperar e..." Continuou, recusando-se a olhar para o marido.

"E esperar para quê? Eu não quero perder nem um dia com você." Ele retrucou, tirando a camisa.

"M-mas nós mal nos conhecemos! Talvez se eu tivesse mais tempo..." Ela tentou persuadi-lo.

"Entendo... Você está assustada!" Ele falou como se finalmente percebesse alguma coisa.

"Isso! Assustada. Aterrorizada!" Ela garantiu, assentindo fervorosamente.

"Pois não se preocupe. Eu serei muito gentil." Ela deu um gritinho quando sentiu a mão dele em seu ombro.

"Kouga..." Kagome tentou se esquivar das mãos dele ao mesmo tempo em que tentava não olhar para as partes que ele revelara ao tirar as calças.

"Vamos, deixe-me ajudá-la a tirar essa camisola. Você fica linda com ela, mas aposto que fica ainda melhor sem ela."

"Eu não faria isso se fosse você." O movimento do comodoro foi interrompido por uma voz que vinha da porta.

"InuYasha!" Kagome exclamou, surpresa e alegre.

"O próprio." Ele fez uma reverência para ela com um sorriso no rosto. Kouga rosnou.

"O que está fazendo aqui?" Ele pôs a mão onde a espada normalmente ficava, mas logo se lembrou que estava nu... E desarmado.

"Vim buscar a minha mulher, é claro." InuYasha respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e Kouga tivesse problemas mentais.

"Pois ela é minha mulher agora!" O outro garantiu.

"Pois para mim, parece que eu cheguei bem em tempo de impedir essa fatalidade." Ele fitou Kouga com uma sobrancelha arqueada. "O que foi? Ela é muito pra você?"

O comodoro fez menção de pular no pirata com um grito raivoso, mas parou quando InuYasha tirou sua espada e apontou-a para as partes íntimas de Kouga.

"Ah, ah, acho que não. Eu não me moveria se fosse você. Pode perder algo que realmente valoriza." Parou, fitando a parte discutida com ironia. "Não que seja muita coisa pra perder..." Kouga lançou-lhe um olhar fulminante.

"Você é mesmo um covarde! Atacando um homem no momento em que ele não está vigilante... Em sua noite de núpcias!" Exclamou.

"Keh. Eu me classificaria mais como herói, salvando a pobre donzela de um destino terrível... A sua cama." InuYasha retrucou. Deu um passo para frente, forçando Kouga a recuar ou perder o 'pequeno Kouga'."Agora, ajoelhe-se. Vamos! Eu não estou com paciência para esperar." Kouga obedeceu relutantemente. "Kagome." O olhar que o pirata lançou para ela transbordava de amor e saudade. Ela devolveu um olhar muito semelhante. "Venha até aqui."

"Há! Ela não vai. Pode desistir." O comodoro garantiu arrogantemente. Kagome fitou-o com desprezo e começou a caminhar até InuYasha, que sorriu e abraçou-a pela cintura. "Kagome! Você prometeu. Nós tínhamos um acordo!"

"Prometi casar com você. E casei." InuYasha riu diante da resposta, enquanto Kouga a fitou, embasbacado.

"Você me enganou." Ele disse solenemente. A expressão de Kagome se suavizou.

"Kouga. Você sabe que eu não posso ficar." Ela disse.

"Eu não sei nada sobre isso." Ele retrucou, teimoso. "Só sei que você prometeu e não cumpriu."

"Deixe-me descrever o nosso futuro pra você. Se ficássemos casados, você faria de tudo pra me conquistar. Mas não conseguiria, pois meu coração não é mais meu para dar e, por isso, nunca poderia me apaixonar novamente. Isso te frustraria. Acabaria me culpando pelo nosso casamento infeliz..."

"Eu nunca faria isso!" Ele protestou.

"Você acha isso agora, mas eventualmente me culparia por não poder te amar. Você seria infeliz com isso, o que me deixaria extremamente angustiada. Apesar de não te amar, te vejo como um amigo e não gostaria de te magoar. Por favor, entenda que isso é para o melhor. Você vai encontrar alguém que realmente tenha sido feita para você."

"Você foi feita para mim..."

"Eu fui feita para o InuYasha." O homem em questão apertou a cintura dela em resposta. "Se ficasse com você, eu provavelmente definharia até a morte. Daqui a dez anos, sua esposa seria apenas uma sombra da mulher com quem você se casou."

"Mas..." Ele tentou protestar.

"Não insista, lobo fedido. Ela vai comigo agora." InuYasha se intrometeu na conversa, apertando a cintura de Kagome, que lançou-lhe um olhar reprovador. Não o provoque. Foi a mensagem que ela passou com aquela expressão. O capitão apenas soltou um 'keh' e desviou o olhar para a parede.

Antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, a porta se abriu com um estrondo e Sesshoumaru entrou.

"Hm." Ele passou os olhos pela cena bizarra sem alterar sua expressão. "Sem querer interromper a sua festa, mas temos companhia." Assim que falou, ouviram o som de passos se aproximando pelos corredores. Havia soldados dentro da casa, além dos que montavam guarda do lado de fora?

Mas claro, o lobo fedido nunca ficaria aqui dentro sem proteção... Droga. InuYasha olhou em volta até que se deparou com a janela e teve uma idéia.

"Precisamos fazer uma fuga estratégica." Com a espada, forçou Kouga até um canto do quarto e usou lençóis para amarrar seus pulsos. Depois voltou até onde Kagome estava e enlaçou sua cintura novamente, guiando-a até a janela.

Kagome estremeceu ao perceber qual era a idéia de InuYasha. Respirou fundo e agarrou-se ao pescoço dele, confiando plenamente que ele a levaria ao chão em segurança.

InuYasha pulou, seguido de Sesshoumaru. Kagome fechou os olhos, mas abriu-os quando não sentiu o impacto contra o chão e sim contra algo macio. Estavam no meio de... Feno!

Miroku sorriu para eles de cima de seu cavalo, ao lado do monte de feno que colocara sob a janela de Kouga para que escapassem. Kagome sorriu de volta, impressionada com a forma como eles haviam planejado aquilo tudo.

Havia dois outros cavalos com Miroku. Sesshoumaru montou em um e InuYasha colocou Kagome sobre o outro, montando atrás dela em seguida. Começaram a galopar em direção ao porto e logo perceberam que eram seguidos de perto pelos soldados de Kouga. No caminho, Sango e o grupo que a seguira se juntaram a eles em seus próprios cavalos.

Ao chegarem ao porto, rapidamente embarcaram nos botes que os levariam até os navios. Os soldados chegaram assim que os botes se afastaram do cais. Kouga chegou logo atrás, vestindo apenas suas calças. Obviamente tinha sido encontrado por seus homens e libertado das cordas improvisadas por InuYasha.

Quando um homem apontou a arma para eles, Kouga gritou. "Não! Você poderia acertar a Kagome."

"Mas, senhor... Como vamos impedi-los?" Um subordinado perguntou. Kouga estreitou os olhos enquanto observava os botes se afastando.

"Os navios. Afinal, nós somos oficiais da Marinha Britânica ou não?" Ele falou, correndo para as embarcações em questão.

Na Tessaiga, as pessoas que estavam ocupando o bote rapidamente subiram para o convés, de modo que o navio pudesse acompanhar a Belle Lune na fuga.

"Veja! Eles pretendem nos seguir!" Kagome exclamou, apontando para as duas embarcações da Marinha no porto.

"Eles... Não parecem estar conseguindo." InuYasha comentou, confuso, mas ao mesmo tempo radiante ao perceber que as velas de seus perseguidores estavam arruinadas.

No convés de uma das embarcações, Kouga observava os navios piratas se afastarem, furioso, gritando com qualquer um que tentasse falar com ele. Apesar de sua revolta, no fundo, sentia tristeza por saber que perdera Kagome para sempre... E que era melhor assim.

"Rin...?" Sesshoumaru foi o primeiro a perceber a expressão satisfeita no rosto da esposa, enquanto ela apalpava seu corpo em busca de ferimentos.

"Culpada." A mulher admitiu, sorrindo, matreira. Sango riu. Rin era realmente digna de navegar pelos sete mares ao lado de um importante capitão pirata. Se bobear, é ela quem o salva!

"Eu te disse pra não sair do navio." Sesshoumaru comentou sem realmente ficar com raiva. Na verdade, sentia até orgulho de sua pequena esposa.

"Ora, eu não corri nenhum perigo! Fiquei aqui, observando o porto para esperar por vocês, quando percebi aqueles navios e conclui que eles facilmente poderiam nos perseguir com eles. Então tive uma idéia. Alguns dos homens foram comigo e cortamos as velas deles para impedi-los de nos seguir."

"Você foi ótima, irmã." Kagome disse, abraçando Rin. "Estou feliz por estar de volta."

"Eu também estou feliz por tê-la de volta, irmã. Temos muito que conversar. Mas antes..." Ela olhou para os trajes transparentes de Kagome. "...É melhor você trocar de roupa." Kagome percebeu que ainda usava a camisola indecente e deu um gritinho, tentando se tampar. InuYasha se aproximou rapidamente, tampando a visão do corpo dela.

"Venha. Eu te levo até a minha cabine para se trocar." Ele aproximou o rosto do ouvido dela e sussurrou, de modo que só ela o ouviu. "Mas você bem que podia guardar essa camisola... Ela ficou linda em você." Kagome ficou vermelha e deu um tapa no braço de InuYasha, que riu.

Entraram na cabine do capitão, mas Kagome não trocou de roupa naquela noite... InuYasha se certificou de que ela estivesse ocupada demais para pensar em nada que não fosse apenas tirar a camisola para ele.

Algumas horas depois, cansados, ficaram deitados nos braços um do outro, aninhados como se suas vidas dependessem disso.

"E agora, como vamos ficar juntos se estou casada com outro perante a igreja?" Perguntou Kagome com um suspiro derrotado e fitando o teto.

"Aquela igreja que eu não respeito? Feh. Não seja ridícula, mulher." InuYasha retrucou, fazendo-a virar a cabeça em surpresa. "Além do mais... Você foi minha muito antes de um padre se atrever a tentar dá-la a outro." Finalizou arrogantemente, fazendo-a estreitar os olhos.

Então, a expressão dele se suavizou. "Se importa tanto pra você, nós podemos tentar anular seu casamento com o Kouga. Mas saiba que, se falharmos, isso não vai interferir no fato de que ficaremos juntos." Nesse momento, o sorriso maldoso voltou aos seus lábios. "Ou... Eu posso voltar na casa daquele lobo fedido agora e fazer de você uma viúva. Que acha?"

O brilho em seus olhos mostrava que ele realmente considerava aquela uma ótima solução.

"Acho que eu sou só uma desculpa pra você brigar com o Kouga!" Ela falou, mas o sorrisinho em seu rosto mostrava que estava brincando. "Longe de você largar-me com ele e, assim, deixá-lo ganhar, não é mesmo?"

"Feh! Pensou que ia se livrar de mim tão fácil, garota? Com quem eu vou implicar se a minha dama não estiver comigo?" Disse InuYasha com um sorrisinho atrevido nos lábios, ficando por cima dela na cama e acariciando seu rosto com as costas da mão.

"Eu também te amo, InuYasha." Kagome respondeu com um sorriso radiante, sabendo ler por trás das palavras presunçosas do seu capitão. Levantou o corpo, aproximando seu rosto do dele e unindo seus lábios em um beijo apaixonado.

O que houve depois disso, não se sabe com certeza.

Dizem por aí que o Demônio dos Mares aposentou a bandeira negra e se instalou em algum lugar da costa leste norte-americana, onde pudesse criar seus filhos com Kagome. Por ela, abandonou o que lhe era mais familiar e procurou se adaptar a um novo estilo de vida.

Dizem também que, quando a saudade do mar escurecia os olhos dourados, Kagome sugeria que partissem em uma nova viagem. Por ele, ela embarcou em novas e eletrizantes aventuras na Tessaiga...

...Mas essa é outra história, para outra hora.

Não vou dizer que eles foram felizes para sempre. Como diria InuYasha... Qual seria a graça nisso? Posso lhes dizer que ele nunca mais deu paz para Kagome... E a dama nunca mais deixou que seu pirata ganhasse uma briga.

Mas o interessante é que todas as discussões terminavam com um beijo... Ou, na maioria das vezes, até mais do que isso. Se perguntassem, InuYasha diria que a melhor parte de uma briga era fazer as pazes.

E, em noites de lua cheia, os dois deitavam juntos sob o céu estrelado, olhando para aquela esfera prateada que, de um jeito ou de outro, os unira. E adormeciam nos braços um do outro.

Alguns chamam isso de insanidade. Outros chamam de inferno. Eu chamo de amor. Um amor tão imprevisível quanto o mar... Que é louco, quente, mas doce ao mesmo tempo... E incompreensível. Heh. E depois dizem que piratas não amam...

"Na vida, todo fim é apenas um novo começo..."

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Essa é a última nota da autora. Bem que você podia ler, né? xD

Saudações xD

A vida continua e InuYasha e Kagome ainda têm muita coisa pra viver, mas é neste ponto que eu fecho as cortinas e convido vocês, leitores, a darem ao casal feliz um pouco de privacidade. xD

É realmente uma pena, porque enquanto pra eles esse foi apenas um novo começo, nós nos despedimos de PNA e partimos para a próxima. xD

Estou sentindo um vazio estranho, como se estivesse mandando um filho pra desbravar seu caminho no mundo, mas ao mesmo tempo me sinto realizada por terminar um projeto de tanto tempo. xD E estou empolgada com os próximos projetos que virão, então espero que vocês acompanhem as minhas atualizações!

Agradeço a todos que me acompanharam nessa "jornada" desde o início e também aos que se juntaram a nós no meio do caminho. Obrigada pela paciência com as minhas demoras, mas hey, a pressa é inimiga da perfeição, né? xD E nós chegamos aqui xD

Agradecimentos especiais à Artis, a Coala, a Tici-chan, a Renata, a Jenny e a Nana, que em algum ponto do projeto me ajudaram bastante xD

xD Às fofas Saty e Tih, que agüentaram enquanto eu empurrava capítulos e capítulos em cima delas xD

Agradeço também a todos que comentaram tanto o capítulo 18 quanto os anteriores. E como esse é o último capítulo, eu vou fazer o seguinte... Vou responder todas as reviews individualmente, pelo sistema de replies do FFNet ou por email. Então, se você quiser que eu responda sua review, deixe seu email na review ou então sign in xD

E não se preocupem, essa não será a última notícia que vocês têm de mim xD

Beijos a todos!