Nova fic pra comemorar um ano que me enfiei nesse mundo mágico da escrita! Espero que todos gostem, pois escrevi com muito carinho!

A idéia: Não é totalmente original. Eu me baseei em um livro que eu li a mais de dez anos atrás e nem me lembro o nome ou quem foi que escreveu, mas conservei alguns detalhes da história em minha memória. Se alguém perceber alguma semelhança, espero que possa me dizer qual é o livro a que me refiro, pois eu gostaria muito de adquiri-lo. A maior parte da história saiu da minha cabeça louca mesmo, então se quiserem reclamar com alguém, é comigo mesmo... mas espero que não!

Dedicatória: Para Cris, Pety e Thata! Estou feliz por conhecer vocês graças a esse Universo mágico das fanfictions! Para vocês com todo meu carinho.

OBS: Os personagens originais de CCS, pertencem a CLAMP e essa é apenas uma história de ficção escrita de fã para fãs!

Boa Leitura!


As Cores do Inverno

Por RubbyMoon


Capítulo 1: Cinza Azulado - A Fuga!


Ainda restavam maravilhosos trinta minutos para terminar de se aprontar. Não era muito de seu agrado jantares finos e cheios de frescura, mas sua madrasta fazia questão desses eventos. Sakura saiu da banheira de água morna, vestiu seu roupão de seda rosa e começou a se arrumar lentamente para o jantar. Sentou-se diante da penteadeira em sua suíte, começando a escovar as madeixas castanhas e lisas. Pensou por um momento que deveria ter cortado um pouco os cabelos, pois compridos como estavam a deixavam com uma aparência infantil, mal parecia ter vinte anos. Por esse motivo, tentou fazer um penteado maduro, desistindo logo em seguida.

Jogou-se desanimada sobre sua espaçosa cama. Sentiu o ar aquecido a acariciar sua pele naquela noite fria de inverno, desejando com todas as suas forças poder ficar ali e adormecer até o dia seguinte. Sentia-se entediada; aliás, estava melancólica já havia vários dias. Tudo estava acontecendo tão rápido em sua vida. Em uma semana seria uma mulher casada. Não que a idéia não a agradasse, mas de certa forma estava receosa. Talvez fosse ansiedade, ou preocupação com todos os detalhes, mas a verdade era que estava em pânico com as mudanças que haveria em sua vida. Ouviu um batido fraco na porta. Poderia apostar todo seu dinheiro que era Nakuru a lhe apressar.

'Entre!'

Nakuru entrou no quarto com uma expressão de reprovação ao notar que Sakura ainda não estava pronta para o jantar. Sua enteada fazia questão de se atrasar para todos os compromissos. Parecia até provocação.

'Sakura... trate de ficar linda logo. Vai se atrasar!' – a madrasta disse de forma doce, mas rígida.

Sakura notou como sua madrasta estava bela. Sempre impecavelmente arrumada. Ela trajava um lindo vestido bege de veludo grosso, próprio para noites frias. Seus cabelos castanhos estavam presos num simples arranjo dourado. Admirou a mulher madura a sua frente, ela realmente tinha requinte e desejou intimamente ser como ela. Mas era o contrário, não passava de uma jovem desastrada e por mais que se arrumasse de maneira elegante, sempre pareceria uma debutante.

'Ajude-me a ficar bonita como você, Nakuru! Por favor!' – pediu de forma manhosa.

A madrasta abriu um belo sorriso para sua amada enteada. Ela parecia a mesma adolescente que conhecera há cinco anos. Caminhou até o armário de cedro, abrindo a porta principal. Deparou-se com inúmeros vestidos de inverno, todos novos, provenientes das últimas compras que fizeram a mais de uma semana. Pegou um que particularmente achava lindo e mostrou para Sakura.

'Que tal esse azul?'

'Perfeito!' – Sakura retirou o roupão e colocou o vestido azul claro, que de imediato lhe deixou protegida contra o frio – 'Que cor de meia acompanha melhor?'.

'De cor clara, querida! Coloque também brincos de ouro!' – a mulher madura foi procurar na penteadeira o porta-jóias da enteada. – 'Cadê aqueles que seu noivo te presenteou recentemente?' – perguntou procurando entre os diversos brincos.

'Não sei onde coloquei! Mas não se preocupe que tenho certeza de que não os perdi! Arrume meu cabelo, por favor!'

Nakuru fez um penteado firme nos cabelos lisos de Sakura. Prendeu com uma fivela dourada, arrumando a franja repicada com a escova. Olhou com grande orgulho para a jovem que havia criado. Ela era tão doce e gentil. Amava-a como a uma filha de verdade.

'Agora só falta vestir o sapato... que tal o branco? Assim poderá usar pérolas ao invés de usar ouro!' – Nakuru sugestionou.

'Excelente idéia. Posso usar as suas?' – Sakura pediu com um olhar suplicante.

'É claro, querida! Eu já disse que as dou para você! Diga-me... sente-se melhor dos enjôos?'

'Não... sinto meu estômago embrulhar toda hora.'

'Que estranho... será que contraiu alguma infecção? Temos que ir ao médico verificar!' – a madrasta sugestionou preocupada.

'Acredito que não é nada demais!'

'Temos que ver direito o que você tem, pois você está muito magra. Algo está errado!'

'Não exagere! Estou bem!'

'Não, Sakura! Você está tão magra que suas costelas estão aparecendo e logo que entrei nesse quarto percebi a sua palidez! Amanhã mesmo iremos ao médico!'

Sakura sabia muito bem que seus enjôos eram de trato emocional. Mas como dizer a sua madrasta que quanto mais seu casamento se aproximava, mais enjôo sentia? Não poderia, ainda mais o seu noivo sendo o irmão mais novo de Nakuru.

'Onde está a Tomoyo?' – Sakura perguntou.

'Ela disse que não deseja participar desse jantar entre adultos. É natural que uma criança de onze anos sinta-se deslocada. Ela jantou e está assistindo alguns filmes no quarto da senhora Kimiko.'

'Depois vou dar um beijo de boa noite nela!'

'Você mima demais sua irmã, Sakura!'

'Olha quem fala...' – Sakura disse de maneira divertida e debochada.

'Vou descer para a sala. Os sócios de John já chegaram a mais de meia hora. Não demore, meu bem! Não quer deixar seu amado Eriol esperando, não é mesmo?'

Sakura viu a madrasta saindo de sua suíte. Olhou-se mais uma vez no espelho e ficou feliz ao sentir-se elegante. Nakuru tinha mãos de fada e, onde as colocava, transformava em beleza. Passou um batom para dar uma cor ao pálido rosto. Imaginou a situação que estaria a casa no momento. Nakuru estaria com seu novo marido, o banqueiro John Berg, um americano simpático, recebendo seus novos sócios americanos. Com certeza, John estaria servindo alguns drinques e contando suas piadas costumeiras. Sakura adorava o marido de sua madrasta. John era um homem amável. Ele não era o substituto de seu pai, mas ela sentia grande simpatia pelo americano.

Depois que seu pai faleceu em um acidente automobilístico, Nakuru resolveu abandonar Tomoeda e ir para Tóquio. Na ocasião, Sakura tinha somente quinze anos, sua irmã Tomoyo apenas seis anos e seu irmão mais velho, Touya, dezenove anos. Touya não quis deixar Tomoeda e ir para Tóquio com a madrasta e as irmãs. Ele tinha gênio forte e era bastante rebelde, o suficiente para não aceitar o estilo de vida que sua madrasta desejava para ele. Ele sabia que Nakuru o transformaria num almofadinha riquinho e escravo do trabalho, enquanto ele desejava ser músico. Fez as malas e saiu de casa, e raramente a família voltou a ter notícias sobre ele.

Em Tóquio, Sakura conheceu uma maravilhosa cidade para se viver, porém bastante agitada. Logo conheceu o irmão mais novo de Nakuru que morava na capital, Eriol Hiiragizawa. Eles se tornaram amigos rapidamente e ele a levava em todos os lugares. Nakuru tratou logo de unir o útil ao agradável; notando a afinidade entre os dois, realizou o papel de cupido e os aproximou, de forma que logo estavam noivos.

O que Nakuru não sabia é que Sakura queria mais da vida, assim como seu irmão Touya. Por isso, para desespero de Nakuru, aos dezessete anos, Sakura entrou para uma companhia de teatro de Tóquio e tornou-se rapidamente a atriz principal. Entretanto, durou apenas seis meses essa aventura e Sakura abandonou definitivamente o ramo artístico com o coração quebrado. Havia se apaixonado pelo seu professor, que também era o ator principal da peça em que trabalhavam. Antes que se entregasse ardentemente a essa paixão ela descobriu que ele se casaria em algumas semanas, despedaçando seus sonhos românticos. Assim, Sakura fugiu para os braços carinhosos de sua madrasta novamente, nunca comentando com ninguém o que acontecia em seu coração. Era o fim de sua carreira artística.

Eriol era o namorado que toda garota desejava. Gentil, cavalheiro, atencioso, um físico atraente. Ele era apenas quatro anos mais velho do que ela e tinham muito em comum. Sakura sentia em seu interior que apesar de todas as qualidades do rapaz, não sentia amor por ele e sim amizade. Não era nada comparado a paixão que sentira por seu ex-professor de teatro. Mas como terminar um compromisso como o seu? Traria tristeza para muita gente. Por isso, tomara a decisão de casar-se com ele e fazer o possível para amá-lo. Tinha certeza de que conseguiria.

Estava bonita e elegante, pronta para descer para o jantar de negócios de John. Olhou-se mais uma vez no espelho, sentindo-se inteiramente satisfeita, e finalmente seguiu para a sala de jantar. Na escada principal encontrou seu noivo. Ele estava justamente como ela imaginara: vestido polidamente em seu fino terno italiano. Eriol era um típico economista em inicio de carreira, porém já muito bem sucedido devido aos ótimos contatos que fizera. Seu sorriso era encantador e muito acolhedor. Seus olhos eram doces e gentis, sem dúvidas ele era um lindo homem.

'Está muito bela, minha querida Sakura!' – Eriol galanteou a noiva.

'Você também não está nada mal, Eriol!' – enlaçando seu braço ao de Eriol.

'Todos estão a sua espera, mas creio que tenha valido a pena esperar por tão linda dama!'

'Sinto ter demorado tanto! Mas ainda receio me ausentar alguns instantes, o suficiente para dizer boa noite a Tomoyo!' – ela disse de maneira graciosa, de modo que não pudesse receber um não.

'Mande um beijo meu também! Não demore!' – e Eriol viu sua noiva seguindo para o quarto da cozinheira, a senhora Kimiko.

Sakura desceu até o pavimento inferior da casa, onde vivia a senhora Kimiko. Era uma ala bastante espaçosa e aconchegante, não era à toa que Tomoyo adorava tanto ficar por ali. Logo avistou a irmã sentada assistindo TV. Ela vestia um belo vestido de lã azul marinho, o seu favorito. Tinha um cobertor sobre as pernas devido ao rigoroso inverno e, para completar, ela estava com um cachecol que não combinava em nada com o traje, era velho, surrado e grande demais para ela. Sorriu ao olhar para a pequena, o cachecol pertencia ao falecido pai. Sakura notava que havia algo incomodando a irmã e teria que descobrir o que era o quanto antes.

'O que está assistindo?' – Sakura se mostrou finalmente presente.

'Sakura!' – Tomoyo surpresa pulou do sofá para abraçar a irmã sorrindo alegremente.

'Assim você vai me esmagar, pequena! Deixe-me respirar um pouco e diga-me o que estava assistindo!' – fingindo estar sufocada.

'Eu estava assistindo a um filme onde um ator famoso canta e dança. Ele se apaixona por uma atriz que não é famosa, mas ela é muito cabeça dura e o esnoba, se achando melhor que ele, mas no fundo ela também gosta dele. Então um dia eles começam a trabalhar juntos, ele a leva para casa e a beija, tão meigo! Começa a cantar e dançar na chuva, é tão legal!' – Tomoyo contava tudo entusiasmadamente sem ao menos respirar.

'Esse filme é o Cantando na Chuva! É realmente muito bonito!'

'Esse mesmo! Adorei!' – ela suspirou sonhadoramente - 'Uau! Como você está linda, Sakura!' – Tomoyo disse fazendo a irmã mais velha dar uma voltinha no lugar.

'Obrigada! Nakuru que me ajudou! Você não quer realmente jantar conosco?'

'Não!' – Tomoyo sentou-se novamente no sofá, ficando de repente triste.

'O que está acontecendo, Tomoyo? Conte-me, para que eu possa ajudá-la!'

'É que se John fizer negócio com esses americanos... terei que viver nos EUA e não quero ficar longe de você!'

'Pensei que estivesse animada com a idéia! Você disse que adoraria ser vizinha da Cinderela!' – Sakura começou a compreender o que se passava.

'Falei por falar... eu queria ficar no Japão. Aqui é onde vivem meus amigos e eu nem sei falar (em) inglês. Nunca irei me adaptar!'

'Se eu pudesse...'

'Não! Você vai se casar e ter uma vida nova. Tenho certeza de que Eriol deseja estar apenas com você!'

Sakura percebeu o quanto as palavras de Tomoyo tinham sentido. Muitas vezes conversara com o noivo a respeito de levar a irmãzinha para morar com eles após o casamento, mas Eriol sempre se mostrou desconfortável com a idéia. Ela até entendia o desejo do noivo de construir uma vida nova e a dois, mas não queria ficar longe de Tomoyo.

'Você não deveria estar jantando, Sakura?'

'Você tem razão! Já me atrasei o suficiente para ser deselegante. Boa noite, querida! Não durma tarde!' – Sakura despediu-se com um beijo de boa noite.


Sakura fora devidamente apresentada aos sócios de John, "os americanos", como eles vinham os chamando há semanas. Era um casal muito simpático. Ela passou alguns minutos agradáveis conversando com o presidente do banco, e descobrira que ele era uma pessoa bastante agradável. Também foram convidados para o jantar a melhor amiga de sua madrasta, a excêntrica Kaho Mizuki e seu belo esposo, o médico italiano, Gian Carlo. Sakura não gostava muito de Kaho, mas disfarçava bem. Achava-a bastante perua e esnobe. Trocava de marido como quem troca de roupa, além disso, eles sempre eram bem mais jovens do que ela.

'Sakura, minha bela! Você está muito magra. Está até com uma aparência de doente.' – Kaho se manifestou.

'Não venho me sentindo bem nessa última semana!' – Sakura respondeu com a melhor educação que lhe ensinaram.

'Depois vá até o consultório de Gian, tenho certeza de que ele poderá descobrir o que se passa!' – ela recomendava uma consulta com seu marido, que era um ótimo médico clínico.

'Creio não ser necessário! Acredito que um pouco de descanso será o suficiente!' – Sakura lutava tentando manter a educação.

'Não lhe contei as novidades ainda... minha filha Meiling está de volta ao Japão! É tão estranho vocês ainda não se conhecerem, mas tenho certeza de que ela comparecerá comigo ao seu casamento com o belo Eriol.' – Kaho contava em voz alta e entusiasmada.

'Seria maravilhoso! Mas onde sua filha está?' – Sakura realmente estava curiosa.

'Está com o pai no interior. Não sei como ela gosta daquela fazenda e daquele fim de mundo. Mas as circunstâncias que a levaram até lá são muito tristes. Um amigo, talvez até um futuro marido de minha filha, faleceu em um terrível acidente. Uma pena! Um jovem fazendeiro, tão brilhante e gentil, todos apostávamos num futuro casamento. Ela estava a dois meses na Inglaterra e quando soube do terrível acontecimento veio o quanto antes se despedir do amigo!"

'Sinto muito pelo amigo de sua filha!' – ela disse sinceramente.

Nakuru anunciou aos convidados que o jantar seria servido e todos seguiram a anfitriã para a sala de jantar, onde a mesa estava posta de maneira impecavelmente requintada. A refeição foi servida, porém só o aroma era o suficiente para revirar o estômago de Sakura causando-lhe náuseas, que ela milagrosamente conseguia disfarçar bem. Durante o jantar a conversa entre todos à mesa fora bem agradável, tentando deixar os negócios em segundo plano. Sakura apenas mexera a comida para o canto do prato, tentando suportar o enjôo, mas em determinado momento entre o prato principal e a sobremesa havia começado a suar frio. Para seu alívio a tortura chegou logo ao fim e ela retirou-se junto com todos para a sala de estar.

'Hoje você está particularmente muito bonita!' – Eriol a olhava de forma apaixonada.

'Obrigada, querido! Mas deve agradecer a sua irmã. Ela e suas mãos de fada fizeram esse milagre!'

'Para mim você sempre está bela. Que tal irmos ao clube? Tem uma festa essa noite.' – ele a convidou.

Sakura não se sentia nada bem, mas ficou tremendamente tentada com o convite. Se realmente estivesse tão bonita quanto Eriol dizia, desejava mostrar-se, apesar de não ser exibida. Fazia isso apenas para trabalhar sua alto-estima, ou era isso que queria acreditar.

'Contanto que não voltemos muito tarde...'

Tiveram um final de noite agradável e romântico. Sakura até havia conseguido tomar uma taça de seu vinho favorito. Cada vez mais se convencia que se casar com Eriol era a coisa certa a se fazer. Enquanto Eriol dirigia seu belo conversível para casa, ela o olhava discretamente. Queria tanto que ele concordasse em que Tomoyo morasse com eles após o casamento. Não queria que Nakuru a levasse para os EUA, afastando assim seu bem maior. Recriminou-se por ser tão fraca a ponto de não conseguir expor o que passava em seu coração. Pensou no espaçoso apartamento que seria sua nova residência. Ficava no centro de Tóquio, próximo a empresa onde Eriol trabalhava. Já estava praticamente pronto para receber o casal quando finalmente se casassem e retornassem da lua de mel no Caribe. Havia um quarto grande reservado para futuramente ser do primeiro filho, mas Sakura intimamente desejava que fosse ocupado por Tomoyo.

'Em que está pensando, querida?' – Eriol tirou Sakura de seus devaneios.

'Quero que Tomoyo vá viver conosco!' – estava até impressionada por conseguir tocar no assunto.

'Já falamos sobre isso, Sakura!' – ele falou de forma polida e suave – 'Nakuru faz questão de ficar com a menina. Ela a considera como se fosse sua própria filha e privar minha irmã do convívio de Tomoyo seria crueldade!'

Sakura permaneceu em silêncio apesar de sentir-se exasperada. E quanto ao que ela sentiria com a separação? Ninguém conseguia pensar no quão cruel seria priva-la de estar com seu tesouro?


Eram duas horas da madrugada quando retornaram. Eriol despediu-se com um beijo carinhoso, recebendo de Sakura um beijo tão gelado quanto um cubo de gelo. Ele sabia que Sakura estava chateada por se separar da irmã, mas depois de algum tempo ela se conformaria.

Em seu quarto, Sakura ligou o aquecedor para espantar o terrível frio. Estava inconformada, mas não havia mais nada a se fazer. Esgotara seus argumentos e energia ao tentar convencer Eriol por inúmeras vezes de que queria a irmã morando com eles. Vestiu o caloroso pijama de flanela, penteou os cabelos e, sentindo uma raiva terrível pesar em seus ombros, jogou-se por fim em sua cama. Não estava com sono, estava irritada demais para dormir. Encostou sentada sobre dois travesseiros e pegou o livro em sua cabeceira. Havia lido somente um parágrafo quando ouviu o ranger das dobradiças da porta de seu quarto e o rosto infantil de sua irmã aparecer na abertura.

'Você não deveria estar dormindo a essa hora, pequena?' – Sakura perguntou fingindo estar aborrecida em vê-la fora da cama.

'Acordei com o barulho do carro do seu noivo. Aproveitei para assaltar a geladeira!' – Tomoyo disse entrando no quarto e revelando uma bandeja onde trazia um lanche junto com um copo de leite.

'Tudo bem, por hoje pode ficar acordada mais um pouco, mas não pode acostumar, senão...' – falou com voz de mistério.

'Senão o que?' – a menina perguntou preocupada e arregalando os olhos.

'Você não sabe?' – Sakura fingiu surpresa – 'Meninas com menos de doze anos que dormem tarde, acabam ficando com uma aparência de bruxa!' – rindo em seguida.

'Sua boba! Mas e você? Por que não estava dormindo?' – disse dando uma enorme mordida em seu lanche.

Sakura nada respondeu. Apenas olhou com suavidade e delicadeza para sua amada irmã. Eram muito apegadas e agora podia sentir melhor que já estava sofrendo sem ao menos estarem longe. Tomoyo era uma menina bastante precoce e esperta, por um momento chegou a adivinhar o que afligia sua irmã mais velha.

'Acho que tenho uma solução para o meu problema...' – a pequena Tomoyo começou a contar entre uma mordida e outra em seu lanche.

'Problema? Por acaso você se refere a ir morar nos EUA?' – Sakura estava tremendamente curiosa.

'Isso mesmo!' – ela terminou o lanche e bebeu de uma só vez o copo de leite, colocando a bandeja de lado.

'Será que você poderia me contar a respeito?' – Sakura falou num sussurro, simulando ar de conspiração.

'Touya!' – ela disse deixando Sakura totalmente confusa.

'O que tem ele?' – ela especulou.

'Se achássemos o nosso irmão, ele poderia ficar comigo aqui no Japão! Ele tem idade suficiente para cuidar de mim!' – Tomoyo dizia com um brilho especial nos olhos – 'Poderíamos ficar os três próximos!'

Sakura estava comovida. Tomoyo era tão ingênua ao cogitar tal idéia. Touya era um aventureiro de espírito livre, só Deus sabia onde ele podia estar. Talvez estivesse em turnê com alguma banda de rock alternativo, ou talvez estivesse viajando de cidade em cidade com seus amigos andarilhos. Ele não tinha condições de cuidar de uma menina de onze anos, mesmo sendo sua doce irmã.

'Mas não sabemos onde ele está!' – Sakura começou a difícil tarefa de desencoraja-la.

'Eu sei sim!' – Tomoyo disse com um sorriso astuto e trapaceiro.

A expressão facial de Sakura deixava Tomoyo encantada. Olhos arregalados, boca aberta, totalmente boba. Se ela não tivesse recomeçado a falar talvez ela ficasse em choque o restante da noite.

'Ele me mandou uma carta na semana passada.' – Tomoyo então retirou um papel dobrado do bolso do pijama. – 'Você nem vai acreditar, mas ele está em Tomoeda, na nossa antiga cidade!' – ela falava entusiasmada.

Sakura estava pasma. Touya havia partido de casa disposto a nunca mais voltar e agora... estava de volta. Agora ele estava com vinte e quatro anos. O que estaria fazendo em Tomoeda? Eles nem possuíam mais a antiga casa onde moravam com o pai. Onde ele estaria? Estava tão confusa quanto espantada, e por que ele não havia entrado em contato? Por que só havia escrito para Tomoyo?

'Mas o que ele está fazendo em Tomoeda? O que ele escreveu?' – Sakura perguntou com a voz falha de emoção.

'Ele está trabalhando numa pousada. Ele é motorista e nos finais de semana, ele se apresenta com uma banda! Mas ele não quer que Nakuru fique sabendo, por isso ele escreveu para mim usando o nome de Daisuke, o nome de um antigo amiguinho meu de Tomoeda!' – Tomoyo contava a breve história com um sorriso imenso nos lábios.

'Desde quando ele está em Tomoeda? Por que não telefonou nesses anos? Posso ler a carta?' – Sakura demonstrava perplexidade.

Era apenas uma folha, arrancada de um caderno qualquer. A caligrafia era mesmo a do irmão, nada mudara. Começou a ler...

"Tomoyo, minha princesa!

Que saudades eu sinto de você, pequena! Como vai a monstrenga da nossa irmã? Queria tanto vê-las, abraça-las. Espero que tudo esteja bem com vocês. Finalmente firmei morada no Japão e para sua surpresa estou na nossa antiga cidade. Tomoeda está fabulosa nesse inverno, a neve começou a se acumular no alto das montanhas. Estou trabalhando em uma pousada na fronteira da cidade. É um lugar lindo, um paraíso. Durante a semana eu sou o motorista que arrasta os hóspedes pela cidade e no final de semana, eu e minha banda os entretemos durante o jantar com nossas canções. É um bom emprego e posso morar na pousada.

Não conte nada para Nakuru, acredito que ela seria capaz de se deslocar de Tóquio até aqui pra me jogar na cara palavras do tipo: "Eu te avisei!", "Que escândalo se alguma amiga minha ficar sabendo!"... e quando eu menos esperasse ela cortaria os meus cabelos, me vestiria igual a um almofadinha e me arranjaria um desses empregos em algum escritório, até me arranjaria uma noiva apropriada... Então esse é nosso segredinho. Se precisar de mim para qualquer coisa esse é o meu endereço, não hesite em me procurar.

Escreva-me contando as novidades.
Com amor...

Touya Kinomoto."

Sakura imaginou Touya em Tomoeda. Como ele estaria após cinco anos? Ele sempre fora tão lindo, carinhoso da forma dele e extremamente super-protetor. Se ele soubesse que ela estava para se casar daqui alguns dias... Não duvidava nada que ele se abalaria até Tóquio para saber tudo sobre seu noivo e, ciumento do modo que era, poderia até tentar impedir o enlace.

'Touya...' – ela disse o nome do irmão e devolveu a carta para Tomoyo.

'Entendeu agora? Touya pode ficar comigo e não terei que ir para os EUA! Temos que procurá-lo, Sakura!' – Tomoyo a fitava de forma bastante decidida.

'Não sei, Tomoyo... talvez ele não tenha como cuidar de você e...'

'Não... ele disse que se eu precisasse dele deveria procura-lo, e estou precisando dele nesse momento. Irei até Tomoeda com ou sem você...' – ela disse um pouco nervosa, porém bastante determinada.

'Mas como poderemos ir até Tomoeda e ainda, sem que a Nakuru saiba?' – Sakura começava a se render ao plano da irmã.

'Iremos de carro! Pra que Nakuru não desconfie pegaremos o carro do nosso vizinho emprestado, ele não vai negar essa ajuda. Vamos de madrugada e ela só saberá da nossa ausência quando o dia amanhecer.'

'Mas não seria mais fácil telefonar para ele?' – Sakura sugestionou achando a melhor saída.

'Não dá pra pedir esse tipo de coisa pelo telefone, Sakura! Vamos de carro, por favor!' – Tomoyo falou radiante.

'Parece que você pensou em tudo... acho que devo proibi-la de assistir a muitos filmes...' – ela falou fingindo surpresa.

'Você vai comigo pra Tomoeda, não vai deixar Nakuru me levar pros EUA, não é mesmo?' – ela perguntou em tom de súplica.

Sakura olhou bem para a irmã. Não sabia se era uma boa idéia procurar Touya assim sem avisar, mas a idéia de Tomoyo ir para os EUA era muito mais terrível do que a de ir para Tomoeda. Sentia também que já estava na hora de Touya ganhar responsabilidades. Ele tinha o dever de ajudar suas irmãs em situações como essa e dar adeus à vida de andarilho. Além disso, a idéia de visitar Tomoeda por alguns dias a deixava revigorada. Já calculava tudo, levaria Tomoyo até Tomoeda e voltaria na véspera, pronta para se casar, resolvendo também a vida da irmã.

'Tomoyo, faça suas malas no mais absoluto silêncio. Não vá acordar a Nakuru. Pegue somente o necessário, depois eu mando o resto com o tempo.' – Sakura falou ao saltar da cama.

'Obrigada, Sakura!' – ela pulou abraçando a irmã demonstrando a felicidade que sentia.


Quando ouviu a campainha tocar às quatro horas da manhã, o jovem Yamazaki despertou assustado imaginando que algo de muito ruim pudesse estar acontecendo. Vestiu seu roupão e foi atender a porta um tanto preocupado, porém deparou-se com sua vizinha Sakura batendo os lábios por causa do forte frio da madrugada.

'Sakura? Quer virar picolé? Entre!' – abriu a porta dando passagem à jovem.

'Desculpe-me por perturbá-lo nesse horário... estou tão constrangida!' - Sakura desculpou-se, mal conseguindo controlar sua ansiedade.

'Sabe que estou aqui sempre para você, seja lá para o que for!' – ele logo a tranqüilizou.

Sakura olhou com ternura para o amigo que conhecia desde que aprendera a andar. Ele, assim como ela, também havia vindo de Tomoeda e era amigo de seu irmão. Havia dois anos que Sakura vivia em Tóquio e na ocasião estava abandonando o teatro quando reencontrou Yamazaki e a esposa Chiharu. Eles queriam fixar residência em Tóquio e Sakura lembrou-se de que Nakuru havia reformado a casa que ficava aos fundos da mansão e desejava aluga-la, logo ofereceu para o casal amigo. Desde então eles viviam ali. Nakuru aceitou os inquilinos um pouco contrariada, mas assim o fez para agradar Sakura. Ela não aprovava o estilo de vida livre do casal, assim como não aprovava o de Touya. Yamazaki era escritor, tendo publicado diversas obras, e estava caindo nas graças do público jovem. Escrevia ficções absurdas e bastante cativantes, tendo inclusive uma de suas obras sondada para o cinema.

'Aconteceu alguma coisa? Tomoyo...' – ele perguntou preocupado.

'Não aconteceu nada! Tomoyo está bem!'

'Mas o que te traz a minha humilde casa nesse horário?'

'Preciso pedir um favor... quero seu carro emprestado!' – ela pediu sem rodeios.

'Mas por que quer meu velho carro se você tem um novo e luxuoso?' – ele perguntou totalmente confuso.

'Porque vou viajar sem que Nakuru saiba, se eu pegar o meu carro ela pode acordar e também quando descobrir a minha viagem é capaz de colocar a policia atrás de mim!' – ela despejou a bomba de uma vez.

'Mas você vai para onde? E o seu casamento?' – ele perguntou confuso e preocupado.

'Não posso dizer para onde vou, assim se a Nakuru vier investigar com você, não correrá o risco de dizer distraidamente para onde vou. Você sabe como ela é boa em arrancar respostas, e quanto ao meu casamento... voltarei a tempo para a cerimônia.' – ela explicou calmamente.

'Não sei, Sakura... meu carro é um perigo, o freio está ruim! Não quero ser responsável por um acidente...'

'Por favor, Yamazaki... eu vou tomar cuidado. Prometo que nada vai acontecer com seu carro!' – ela pedia em tom de súplica.

'Não estou preocupado com o carro e sim com você!'

'Eu sei me cuidar, não se preocupe!'

'Empresta logo o carro para ela!' – Chiharu juntou-se a conversa. – 'Sakura é bastante responsável, sabe o que faz!' – ela abraçou a amiga sorrindo.


Eram sete horas da manhã quando Sakura entrou na rodovia que seguia para o norte. O carro de Yamazaki parecia um carro velho de brinquedo: pequeno, amarelo e o motor fazia um barulho terrível. Sakura dirigia com todo o cuidado, mas estava bastante receosa quanto as horríveis condições do carro e, para seu desânimo, o aquecedor do carro estava quebrado. Estava um frio forte e parecia que poderia nevar a qualquer momento. Olhou para Tomoyo no banco do carona que dormia tranquilamente, bem agasalhada. Já dirigia há mais de duas horas e a idéia de que levaria o dia inteiro para chegar a Tomoeda a deixava cansada antes mesmo de estar.

A estrada era deserta e ao longe podia ver algumas montanhas cobertas por neve, sinal de que quanto mais avançasse, mais frio faria. Apesar de tudo sentia-se feliz. A idéia de que se encontraria com seu irmão a reconfortava, era como se a família voltasse às origens e sentiu saudade de seu pai. Olhou concentrada para a estrada e planejou que por volta do meio dia faria a primeira parada da viagem em algum posto do tipo beira de estrada para reabastecer o carro e almoçar com a irmã.

Sentia-se uma fugitiva por viajar somente deixando uma carta para Nakuru, pedindo para que não se preocupasse. Mas se ela avisasse a madrasta, estaria entregando o irmão e seria impedida de fazer a viagem. Ao mesmo tempo em que sentia que era errado sair assim furtivamente, sentia uma estranha e agradável sensação de liberdade. No fundo essa viagem seria um ritual de libertação, antes do casamento que a deixaria presa a Eriol por toda a sua vida.


Era pouco mais de oito horas da manhã e já havia terminado de se arrumar. Ele se olhou no espelho mais uma vez e notou a tristeza em seus olhos. Não havia parado pra pensar no quanto a morte de seu irmão estava sendo dura para ele. Colocou o casaco negro e sentiu o calor o envolver. Com certeza seria um dia frio. Olhou para o porta-retrato onde estavam ele e o irmão de férias na praia. Ouviu alguém bater na porta de seu quarto.

'Sim?' – ele respondeu em voz alta.

'Syaoran, está na hora! Já retirei o carro e coloquei em frente à casa!' – uma voz masculina avisou.

Abriu a porta e encontrou o seu empregado. Wei era como da família, ele já estava lá quando ele nasceu e continuava após a morte de seus pais, sempre zelando por ele e seu irmão. Agora, Syaoran sabia que ele era sua única família.

'Está tudo bem?' – Wei perguntou aflito.

'Sim! Estava terminando de me vestir. Vamos?' – Syaoran perguntou passando segurança.

'Vamos! Maki nos aguarda no andar de baixo.'

O velório havia reunido uma boa quantidade de conhecidos que não via há muito tempo. Estavam todos os amigos de seu irmão, a grande maioria fazendeiros, alguns vizinhos, e outros que já havia esquecido o nome ou de onde conhecia. Sentiu o sol abençoar sua face com os raios quentes e ficou grato, pois o dia estava realmente muito frio. Começou a pensar no que teria que fazer a partir daquele momento. Seu irmão mais velho, Yukito, havia partido e deixado para ele toda a responsabilidade da fazenda, entretanto ele não entendia nada sobre fazendas e tudo mais relacionado. Apesar de ter crescido naquelas terras, o campo não era mais o seu lar e sim Tóquio, onde morava nos últimos três anos, desde que se formara. Aos vinte e dois anos havia conseguido um excelente emprego numa renomada agência de publicidade e agora aos vinte e cinco já era um dos diretores. Não havia lugar para uma fazenda em sua vida.

Sentiu tristeza no momento em que o sol foi encoberto por nuvens e o frio se instalara mais uma vez. Abriu os olhos sob os óculos escuros e deparou-se com uma bela jovem de longos cabelos negros. Ela tinha um corpo esbelto, trajava um belo vestido preto e um sobretudo de mesma cor compondo o conjunto. Perguntou-se quem poderia ser a moça e, após vê-la ao lado de seu vizinho, entendeu que ela era a jovem Meiling. Estava surpreso, pois não a via desde quando havia partido para a faculdade. Meiling nesse tempo havia passado pela maravilhosa mudança de adolescente a mulher. Ela estava agarrada ao braço do pai, seu vizinho, o coronel Kono.

Lembrou-se do irmão. Yukito nutria um grande amor e de longa data pela vizinha Meiling, todos apostavam que seriam noivos e formariam uma família. A infância inteira os três estiveram próximos, nas viagens, nas festas e até mesmo na escola. Porém, um integrante do trio havia partido, falecendo precocemente aos vinte e sete anos num acidente automobilístico. Syaoran encarou novamente a bela jovem e se perguntou se em algum desses últimos anos, seu irmão havia finalmente se declarado. Lembrou-se de que Yukito havia esperado Meiling completar dezesseis anos, porém nessa época os pais da garota haviam se divorciado e Meiling havia ido morar com a mãe na Espanha, depois na Itália e, finalmente retornado ao Japão, após dois anos. Na ocasião ele já havia ido para a faculdade e nunca mais se encontrara com a pretendente do irmão. Sabia poucas coisas relatadas pelo próprio Yukito, mesmo assim, eram informações bem vagas, devido ao jeito de ser reservado do irmão mais velho.

Syaoran sentiu-se ao mesmo tempo triste e feliz ao reencontrar Meiling. Triste pelo irmão não ter realizado seu sonho romântico, e feliz por rever uma antiga amiga e companheira de bagunça. Yukito sempre fora o mais responsável do grupo, tomando conta dos dois onde quer que fossem. Assim seu irmão tivera a mesma atitude com as terras da família. Tomara amor pela fazenda e após o falecimento dos pais, assumiu a administração com grande eficiência, fazendo do campo de Tomoeda o seu lar.


Estava tudo acabado. O velório, as pessoas haviam retornado para suas casas e vidas. Syaoran recebia as últimas condolências dos presentes enquanto Wei e Maki o aguardavam para voltarem para a fazenda. Notou a aproximação do Coronel Kono.

'Estou muito triste com o que aconteceu com Yukito, Syaoran! Sinto muito!' – Kono lastimou.

'Foi uma fatalidade! Essas nevascas são bastante cruéis nessa época do ano.' – Syaoran disse com ar pesado.

Syaoran então notou que Meiling não acompanhava mais o pai e a procurou, ato que não passou despercebido pelo coronel.

'Meiling já foi para casa! Ela não é muito boa em lidar com situações como essa...' – o velho coronel justificou. – 'Assim que ficou sabendo do que houve com Yukito veio correndo para Tomoeda. Estava em Londres e pegou o primeiro vôo.'

'Entendo... mas preciso mesmo é conversar com o senhor, Coronel. Poderia vir até minha casa? Acompanhe-me no almoço!' – Syaoran convidou.

A senhora Maki serviu naquele almoço alguns dos pratos favoritos do seu querido Syaoran. Ela havia visto aquele jovem crescer e o considerava o filho que nunca tivera. Ela e seu esposo Wei tinham grande orgulho daquele rapaz, assim como tinham de Yukito. Enquanto servia o almoço na sala de jantar do casarão, Maki ouvia discretamente a conversa que Syaoran mantinha com o Coronel. Como ela suspeitava, tinha a ver com a venda da fazenda. Syaoran estava decidido a vender aquele paraíso. Para Maki não havia lugar melhor no mundo para se viver e ali estavam as mais belas recordações de sua vida. Naquela fazenda ela havia ajudado a criar os dois rapazes que tanto amava, sendo que Syaoran havia chegado ao mundo pelas suas mãos de parteira principiante. Ali ela havia visto os seus primeiros passos, suas primeiras palavras, seu desenvolvimento rápido e sadio. Decididamente, ela achava que não havia lugar melhor para se criar crianças. O casarão era belo, cheio de riquezas arquitetônicas, requinte e conforto. Tempos atrás era comum a casa servir de palco para as mais badaladas festas, ou então temporadas repletas de jovens hospedados.

'Deseja mais alguma coisa, Syaoran?' – ela perguntou ao terminar de servir o almoço.

'Não! Está tudo com um cheirinho fabuloso... obrigado!' – ele agradeceu com um sorriso.

'Você também vai querer se desfazer do casarão, Syaoran? Você poderia mantê-lo, transformá-lo num local para a temporada de férias...' – o velho coronel sugeriu.

'Acho que não... é uma casa muito grande e fica muito distante de Tóquio. Seria interessante se no caso eu tivesse uma esposa e filhos. Mas esse não é o caso e não tenho a intenção de me casar tão cedo.' – ele disse com um sorriso debochado típico de solteirões.

'Entendo... você realmente não se parece em nada com seu irmão. Mas fico feliz que tenha me oferecido a compra da fazenda. Posso agrega-la às minhas terras e aumentar consideravelmente minha fazenda. O solo daqui é bem fértil e Yukito já havia deixado tudo preparado para um novo plantio. Além disso, por aqui passa o rio o que me agrada muito. Está certo então, meu jovem... eu fecho negócio com muita alegria.' – o coronel Kono levantou a sua taça de vinho em comemoração.

'Excelente! Quero resolver tudo o quanto antes para poder retomar minha vida em Tóquio. Vou até o centro de Tomoeda amanhã e falarei com meu advogado para cuidar de tudo.' – Syaoran então bebeu todo o vinho restante de sua taça em um gole apenas.

'Não tenha tanta pressa, jovem! Fique alguns dias descansando. Além disso, ouvi a metereologia de hoje e parece que vai chegar uma nevasca daquelas. Então se prepare para ficar uns três dias preso na fazenda. Você sabe como ficam as estradas nas nevascas...' – o coronel alertou.

'Parece que vou tirar férias forçadas...' – Syaoran disse sem muito entusiasmo.

Após o almoço, o Coronel foi embora alegando que precisava passar um tempo com a filha. Syaoran junto com uma garrafa de vinho e uma taça de cristal dirigiu-se a biblioteca do casarão. Acendeu a lareira e viu a madeira pegar fogo lentamente, até finalmente começar a aquecer o ambiente. Sentou-se numa confortável poltrona onde havia um lugar para descansar as pernas e os pés. Estava escolhendo as palavras para dizer a Wei e a esposa que venderia a fazenda, mas eles poderiam continuar vivendo ali. Esperava do fundo de seu coração que o casal perdoasse seu abandono.

Fechou os olhos e relaxou. Aquela sensação era tão boa, não havia barulho de trânsito, não havia o barulho de pessoas agitadas, era uma sensação de paz. Começou a pensar no irmão vivendo sozinho naquela casa enorme. Imaginou ele descansando, como ele naquele momento, na biblioteca e aproveitando o silêncio. Por um instante sentiu-se nostálgico e se perguntou se vender aquela casa era a coisa certa a se fazer. Agora compreendia que os momentos mais felizes de sua vida haviam acontecido ali. Mas tudo isso era passado e o seu presente, sua carreira e tudo mais estavam em Tóquio.

'Posso entrar, Syaoran?' – a voz feminina e tímida o tirou de seus pensamentos.

Syaoran estava surpreso. Mal podia acreditar que Meiling havia deixado de ser aquela menininha. Ela estava ali parada sob a porta da biblioteca, vestida cheia de requinte e charme. Parecia-se muito com sua mãe, só que ela tinha os cabelos pretos. Olhando direito, ela não tinha nem sombra da adolescente Meiling. Com certeza a temporada na Europa havia ajudado a jovem a amadurecer.

'Veja só quem apareceu... a pequena Mei!' – ele disse debochado indo ao seu encontro a recebendo com um abraço.

'Faz muito tempo, não é mesmo?' – ela disse tentando calcular o tempo que não o encontrava.

'Venha para perto da lareira, está muito frio.' – Syaoran a conduziu até o sofá que havia perto da lareira.

'As coisas por aqui estão bem diferentes. Yukito melhorou muito a fazenda, está fabulosa.' – Meiling disse empolgada.

'Sim... ele estava a deixando assim para a futura esposa. De qualquer forma a fazenda vai ser dela!' – ele disse em tom irônico.

Meiling ficou em silêncio após as palavras de Syaoran. Esposa... ela jamais poderia ser esposa de Yukito. Ela nunca havia o amado. Pelo contrário, todo amor e devoção sempre pertenceram ao rapaz que estava diante de seus olhos no momento. Porém, sentia que era um amor impossível, por causa do sentimento de Yukito por ela. Não queria ser motivo de discórdia entre irmãos e ainda mais porque Syaoran nunca havia dado sinais de sentir o mesmo por ela. Mas agora... Yukito não era mais um obstáculo.

Meiling reparou o belo rapaz que Syaoran havia se tornado. Ele sempre fora lindo para ela, porém agora... estava perfeito. Notou que ele ainda trajava as roupas do velório e também notou o semblante dele triste. Agora, Syaoran não tinha mais nenhum familiar vivo. A morte de Yukito era tão irreal, que ela custava acreditar que aquele amigo tão bom e querido havia partido. Lágrimas vieram aos seus olhos.

'Cinco anos... esse é o tempo que eu não te via. Yukito eu vi no último festival do Tanabata. Ele estava tão feliz!' – ela então rompeu em lágrimas.

Syaoran ofereceu o seu lenço para a amiga e esta o pegou, enxugando as poucas lágrimas que insistiam em cair. Em seguida foi até a lareira colocar mais alguns pedaços de madeira para reavivar o fogo. Voltou-se para a jovem e abriu um sorriso.

'É uma pena que não houve tempo para vocês ficarem juntos. Yukito te amava muito!' – ele disse dando em seguida um suspiro pesado.

'Você vai mesmo vender a fazenda para o meu pai? Você não pode fazer isso Syaoran... essa fazenda faz parte de nossas vidas!' – ela disse de forma energética.

'Mas Meiling... se eu vender para o seu pai vai continuar sendo parte de sua vida...' – ele disse sem entender.

'Não é isso... você não entende...' – agora foi a vez dela suspirar de forma cansada – 'Espero que continuemos a nos ver caso você venda a fazenda!' – cobrou do amigo.

'Claro... eu poderia vir a Tomoeda nas férias, o que acha?' – ele se convidou.

'Seria maravilhoso...' – ela respondeu com um sorriso.

Syaoran tinha uma leve desconfiança de que a jovem estava demonstrando um pouco mais do que amizade por ele. Seu modo de agir demonstrava um afeto que ele jamais percebera antes. Ela era uma garota linda, inteligente, livre e ele também. Entretanto sentia que ela era como uma irmã, não conseguia vê-la de outro modo.


'Quero ir ao banheiro, Sakura!' – Tomoyo pediu com voz manhosa.

Sakura estava cansada, pois havia dirigido o dia inteiro e parado apenas para almoçar. Tirou os olhos da estrada por um momento para fitar a irmã. Tomoyo estava com o nariz vermelho devido ao frio que fazia e com uma expressão tão cansada quanto a sua deveria estar. Sentia o corpo todo dolorido e as sensações de enjôo não a abandonavam, por esse motivo havia se alimentado o mínimo que pôde durante o dia. Não queria assustar Tomoyo, mas estava se sentindo muito mal. Resolveu parar no próximo posto que avistasse; além disso, precisava reabastecer o velho carro de Yamazaki. Olhou para o relógio e notou que já eram pouco mais de seis da tarde, e a noite começava a cair.

'Veja um posto!' – Tomoyo avisou apontando para um lugar ao longe iluminado.

Sakura parou o carro no estacionamento e levou a irmã ao banheiro. Passou depois na loja de conveniência do posto e comprou um lanche para Tomoyo.

'Você não vai comer nada, Sakura? Você está tão magra que vai ficar sobrando dentro do seu vestido de noiva!' – Tomoyo criticou preocupada.

'Estou sem fome e não se preocupe, não vou emagrecer mais que isso!' – ela disse passando tranqüilidade à irmã. – 'Pequena... não saia daqui! Vou telefonar para casa e já volto!'

Sakura estava um pouco envergonhada por ter saído de casa escondido. Não poderia reclamar se Nakuru lhe passasse um sermão, como se ela ainda tivesse dez anos. Na cabine telefônica, discou o número desejado com hesitação. Ouviu a linha chamando e finalmente uma voz masculina atendeu.

'Alô, residência do senhor Berg!' – a voz soou formal.

Sakura sentiu a pele contrair em arrepio imediatamente. Jamais pensou que quem pudesse atender ao telefone fosse justamente...

'Eriol?' – ela disse sussurrando.

'Sakura? Onde você está? Por Deus, Sakura! Quer me matar de preocupação? Nakuru está inconsolável...' – ele disparou preocupado.

'Está tudo bem... estou indo ao encontro de Touya! Eu precisava... me desculpe, Eriol!' – sua voz soava como um choro – 'Eu voltarei em quatro dias no máximo, não se preocupe!'

'Por que está fazendo isso comigo, Sakura? Pensei que você confiasse em mim...' – ele disse triste.

'Eu precisava fazer isso sozinha, Eriol! Peça para Nakuru não se preocupar, pois está tudo bem... preciso ir agora!' – e ela desligou o telefone sem ao menos dar a chance de Eriol dizer mais alguma coisa.

Enquanto abasteciam o carro, Sakura e Tomoyo pediam informações a um frentista do posto. Ele confirmou a rota dizendo que estavam na direção correta, porém as alertou sobre a nevasca prevista para aquela noite.

'Olha, moça... é muito perigoso seguir por essa rota durante uma nevasca. Tome cuidado ou se der permaneça no posto mesmo, só que se vocês ficarem não vão conseguir ir pra Tomoeda por pelo menos três dias, pois a estrada vai ficar fechada com certeza, e até as escavadeiras passarem por aqui... vai demorar!' – o senhor dizia com um sotaque rural preocupado.

'Mas é certeza que vai cair essa nevasca?' – Sakura franzindo a testa indecisa.

'É o que se fala na rádio, moça! Se você for mesmo pra Tomoeda é bom que o carro tenha aquecedor, vocês vão precisar! E se por qualquer problema vocês ficarem presas na neve, não saiam do carro para nada!' – o homem foi bem claro, mas resolveu repetir: 'Não saiam do carro, entenderam?'

Sakura não sabia o que fazer. Ela precisava ir para Tomoeda ou talvez jamais pudesse ir. Olhou para Tomoyo e olhou mais uma vez para o horizonte. Não viu sinal de tempestade, nevasca, ou seja, nada que pudesse atrapalhar o restante da viagem. Se partisse naquele momento estaria em Tomoeda até meia noite, e foi o que ela fez.

Algumas horas mais tarde, com o carrinho amarelo próximo à Tomoeda, Sakura começou a achar que ela era a criatura mais tola do mundo. Jamais deveria ter saído de Tóquio por causa dos apelos da irmã mais nova, essa atitude havia colocado ambas numa situação de risco. Verificou o horário e viu que já era mais de uma da madrugada, e na sua frente havia uma terrível tempestade de neve tirando toda a sua visão da estrada. Dirigia com o máximo de zelo, mas o carro velho não era confiável. Havia vestido todos os agasalhos possíveis, além de luvas, gorro e mesmo assim o frio a estava deixando louca. Olhou para Tomoyo e notou que a pobre criança estava tão assustada quanto estaria ao assistir a um filme de terror.

'Já estamos chegando! Não se preocupe, pequena!' – Sakura falou com o tom de voz doce e de falsa calma.

'Parece o fim do mundo, Sakura! Não dá pra enxergar nada, só neve e mais neve! Estou com medo!' – a pequena Tomoyo dizia cheia de aflição e se encolhendo de frio no assento do carro.

Sakura pensou que pelo menos o aquecedor do carro poderia voltar a funcionar por puro milagre, mas parecia que sua fé não estava em alta naquela situação tenebrosa. Outra coisa a preocupava, o limpador do pára-brisa já estava ficando fraco com toda aquela neve caindo sobre o vidro dianteiro e, se por algum motivo ele falhasse, significaria uma situação de vida ou morte. A localização também estava cada vez mais confusa, estava quase impossível enxergar a estrada, vez ou outra podia avistar alguma coisa e manter o trajeto. Sabia que estava numa rota onde só havia fazendas, até chegar ao centro de Tomoeda havia ainda uma longa jornada a percorrer e isso a desanimou.

A neve continuou a cair sem trégua e cada vez mais forte. Sakura notou uma pequena ponte logo à frente, e diminuiu a velocidade para ultrapassa-la; entretanto, não conseguiu perceber a curva fechada ao término e os freios do velho carro, cujos pneus não eram próprios para neve, não obedeceram aos seus comandos, fazendo com que batessem fortemente contra um muro baixo de pedra de uma das fazendas daquela região. O carro tombou fazendo as ocupantes ficarem presas pelo cinto de segurança.

Sakura abriu os olhos após o choque e observou que nada de mal havia acontecido com Tomoyo, somente sua expressão era de pavor. Retirou o cinto de segurança e, tomando cuidado para não cair sobre a irmã, também soltou o cinto de Tomoyo.

'Você está bem?' – a irmã mais velha perguntou abraçando a mais nova.

'Sim, mas pensei que morreria!' – a pequena reforçou o abraço demonstrando nervosismo. - 'O que vamos fazer, Sakura?' – perguntou quase desesperada.

Sakura girou a chave na ignição e o carro não deu partida, funcionando apenas a parte elétrica, fazendo os faróis permanecerem acesos. Se pelo menos o carro pegasse ela tentaria com todas as suas forças coloca-lo em pé. A neve continuava caindo desesperadamente e o frio se instalava rapidamente dentro do pequeno automóvel. Sem aquecedor as duas estavam condenadas à morte por hipotermia.

'Eu vou buscar ajuda e você fica aqui! Coloque mais agasalhos e se cubra com o que der!' – ela disse imperativamente para a menor.

'Não! Não saia! O senhor lá do posto disse que não devíamos sair do carro!' – disse de forma desesperada.

'Faça o que eu mandei. Não vou demorar. Não saia do carro e se eu não voltar só saia quando o dia nascer.' – Sakura falou severamente olhando nos olhos de Tomoyo, em seguida lhe deu um forte abraço e um beijo na fronte. – 'Vai ficar tudo bem, é uma promessa!' – saindo pela janela do carro, para o desespero de Tomoyo.

Através dos faróis do carro Sakura foi até o muro de pedra o seguindo. Seus pés afundavam na neve fazendo a caminhada ficar cada vez mais difícil, e após algum tempo ela estava envolvida pela escuridão total. Sentia-se fraca, doente e um mal-estar reinava. O frio fazia com que uma sensação de desespero tomasse conta do seu ser.

'Meu Deus... eu vou morrer! Por favor, Deus... poupe a Tomoyo!' – ela disse caindo cansada sobre a neve.


Continua...

O que será que vai acontecer com a Sakura? Será que o abominável homem das neves irá salva-la? Ou devora-la? Aiaiai... comentem se assim desejarem ou se acharem a fic digna de comentários. Espero que sim!

Kissus!

Agradecimentos: A querida amiga Cris-chan que revisou e opinou! Obrigada!

'Não precisa agradecer Ruby... eu fico feliz de ver antes de todo mundo como ficou a trama!' – Cris aparece do nada e assusta a escritora.

'Claro que preciso agradecer! Você sempre é tão gentil!' – a escritora tenta se recuperar do susto.

'Que nada... mas Ruby... que bagunça é essa aí no final da sua fic?' – Cris pergunta curiosa, mais do que costuma ser!

'Não sei! Vamos ver?'

Ruby e Cris começam a investigar a grande movimentação que se forma no final da fic e se deparam com um imenso teatro e...

"Lado de fora do grande e luxuoso prédio no centro de Tóquio."

Mulher gritando: AHH, Syaoran! EU TE AMO!

Homem também gritando: SAKURA. CASA COMIGO!

Várias pessoas gritando juntas: RUBY. VOCÊ É A MELHOR!

"Lado de dentro de prédio. Diversas pessoas estão sentadas em confortáveis cadeiras esperando ansiosas. Na fileira da frente vemos várias pessoas famosas. De repente tudo fica escuro..."

Voz do além: Boa noite a todos. E agora com vocês a maravilhosa, exuberante, majestosa, linda e espetacular: Pety Oprah!

"Toca uma musica alegre, as luzes acendem e todos aplaudem"

Pety entra toda sorridente, acenando e falando com a platéia: Olá, quem bom que vieram. Estou muito feliz por estar aqui com vocês nesta noite.

Pety fala agora com a câmera fazendo pose: Boa noite mundo. Estamos começando o Talk Show da Pety Oprah. Vamos fazer um programa alegre, com muitas entrevistas e esperamos grandes revelações também. Hoje eu vou entrevistar algumas personalidades do anime mais amado de todos os tempos: CCS! Entrevistarei a grande estrela dos animes Sakura Kinomoto! Também teremos a presença do personagem masculino mais cobiçado entre as mulheres: Syaoran Li! Além de vários outros personagens... Vou tentar arrancar os mais profundos segredos deles.

"Platéia bate muitas palmas"

Pety: Também vou entrevistar Takashi Yamazaki, o vizinho de Sakura. O personagem que nunca abre o olho.

"Câmera mostra o Yamazaki cumprimentando a platéia e com os olhos fechados"

Pety: E então Yamazaki, preparado?

Yamazaki: Claro Pety!

Pety: Então vem pra cá.

"Toca musiquinha enquanto Pety Oprah vai pra mesa e Yamazaki se senta no sofá"

Pety: Muito obrigada por ter aceitado vir ao programa e nos dar essa entrevista.

Yamazaki: Eu que fico lisonjeado em estar aqui Pety.

Pety: E como é estar em um fic da grande autora RubbyMoon?

Yamazaki: Nossa, me senti nas nuvens. Ela escreve muito bem e como sou um personagem secundário quase nunca me colocam em algum fic.

Pety: E como você se sente sendo tão excluído dos fic?

Yamazaki quase chorando: Sinto-me desrespeitado! Sempre é Sakura, Syaoran, Eriol e Tomoyo! Sempre eles!

Pety: Calma, não precisa chorar. Com certeza todo mundo gosta de você também.

Platéia toda unida: ÉÉÉÉÉÉ!

Pety: Bem, mas voltando ao fic. Onde você conseguiu aquele carro tão fuleiro? Nem aquecedor ele tem mais! E aposto que os pneus estão carecas também, né!

Yamazaki: Pó, Pety! Como eu já disse, sou um personagem secundário, não tenho grana igual o Li ou o Eriol. Eu sou um reles assalariado que paga as contas em dia e ainda tem que sustentar uma namorada que adora me bater.

"Câmera mostra Chiharu vermelha e olhando feio pro Yamazaki"

Pety: Muito obrigada pela sua participação no programa Yamazaki, mas agora eu tenho que entrevistar uma personagem mais chique da fic!

Yamazaki saindo cabisbaixo e choramingando: Até pra dar entrevistas eu sou deixado de lado. Isso não é justo. Eu vou falar com o meu empresário!

Pety: Coitado... Bem... agora é a sua vez Nakuru. Preparada ou não... venha pra cá!

"Toca musiquinha de novo enquanto Pety e Nakuru se cumprimentam"

Pety: Nakuru, como você está bonita!

Nakuru: Muito obrigada, Pety! Mas você sabe como é, né! A gente tem que se cuidar. Repare bem em meus cabelos e veja só esse corpão! Perfeitos, você não acha?

Pety: Claro, Nakuru! Não é por nada não, mas os cabelos da Tomoyo são bem mais bonitos e olha só o corpo da Sakura. É praticamente o corpo de uma Top Model!

Homem na platéia: É ISSO AÍ! SAKURA VOCÊ É TUDO!

"Câmera focaliza Sakura que está completamente vermelha e um Syaoran fazendo cara de poucos amigos"

Pety: Mas Nakuru, conta essa história de se casar com o Fujitaka. Aposto que você só fez isso pra ficar mais perto do Touya, não é!

Nakuru meio constrangida: Claro que não, Pety! Eu me apaixonei pelo Fuji assim que o vi pela primeira vez. Ele era tão carinhoso, atencioso, resumindo... um super marido. E eu sempre vi o Touya apenas como um filho.

Pety: Mas eu tenho em minhas mãos uma carta sua endereçada ao Touya e pelo que está escrito nela, não tem nada de relação entre mãe e filho.

"Câmera mostra Nakuru sem saber o que fazer"

Pety: Será que foi por causa de todo esse assédio, que o Touya resolveu ir embora sem deixar endereço e nenhum tipo de contato?

Nakuru desesperada: Desculpe-me, Pety! Mas eu não sei do que você está falando. E olha só a hora! Eu esqueci que tenho uma reunião marcada para daqui dez minutos, então muito prazer em conhece-la pessoalmente e adeus.

"Câmera mostra Nakuru saindo correndo do estúdio"

Pety: Nossa. Eu falei isso brincando.

Voz do além: E não percam nos próximos blocos, mais entrevistas bombásticas aqui no Talk Show da Pety Oprah.

"Todos batem palma, enquanto entram os comerciais"


Eu cedi esse espaço para a Pety criar o que ela desejasse. Espero que tenham se divertido! Aguardem novas entrevistas da Pety Oprah nos próximos capítulos!

Kissus!
Ruby!