Olá pessoal! Já faz um bom tempo, não é? Bem... o capítulo está pronto desde fevereiro, porém não o postei antes por diversos motivos que não vou perder tempo explicando, pois sei que preferem ler o capítulo... e ainda por cima é o grande final desse romance! Como será que Syaoran vai descobrir sobre o noivado de Sakura? O que será que a Meiling vai aprontar? Qual a misteriosa doença de Sakura? Tomoyo vai para os EUA? Touya retornará? Pety Oprah entrevistará quem dessa vez? Qual é a desse título? Confiram!


As Cores do Inverno

Por RubbyMoon

Capítulo 8(final): Esmeralda e Âmbar! O Reflexo do Amor!


Quarto dia
Sexta-feira

Sakura despertou lentamente. Sentia o corpo relaxado, leve como uma pluma. Era uma sensação única e não se lembrava bem há quanto tempo não se sentia assim tão disposta. Depois de piscar os olhos algumas vezes, finalmente os abriu, mas demorou alguns instantes pra se lembrar onde estava. Entretanto, o leve perfume de Syaoran, presente em todo o ambiente, invadiu todo o seu ser. Ela sorriu. Estava feliz por acordar e descobrir que tudo que estava vivendo não era apenas um sonho. Revirou-se na cama e encontrou a prova viva de sua felicidade. Olhando e sorrindo para ela estava Syaoran. Ficaram apenas se fitando em silêncio por alguns segundos, era um momento simplesmente agradável.

'Bom-dia!' - ele desejou sorrindo ainda mais - 'Dormiu bem?'

'Claro que sim!' - ela aconchegou-se melhor perto dele - 'Com você ao meu lado tudo fica melhor!'

'Se eu não precisasse escovar os dentes te beijaria agora!'

'Eu também preciso escovar os dentes!' - ela levantou-se cobrindo o corpo nu com o roupão que pertencia a Syaoran.

'Que tal um banho quente? Para começar bem o dia...' - ele também levantou-se vestindo a calça do pijama, que estava no chão.

'Que horas são?' - ela perguntou, espreguiçando-se.

'Muito cedo! Acho que nem a Maki deve ter se levantado ainda!'

'Acho que irei apreciar um banho quente!'

'Vou encher a banheira! Você precisa de ajuda para esfregar as costas?' - ele falou em tom malicioso.

'Claro! Eu preciso muito! Vamos logo escovar os dentes, pois quero te beijar muito!' - ela falou dando um tapinha leve no bumbum de Syaoran e saindo correndo em fuga em direção ao banheiro.

'Isso vai ter volta...' – ele saiu correndo atrás.


Tomoyo acordou melancólica. Sentou-se na beira da cama e ficou ali, simplesmente parada. Era manhã de sexta-feira e isso significava que a qualquer momento encontraria o irmão. Sentia uma grande alegria por esse motivo, mas uma grande incerteza. Será que Touya aceitaria cuidar dela daquele dia em diante? Caso aceitasse, faria isso com prazer ou apenas por obrigação? O que ela menos queria era ser um incômodo para Sakura ou para Touya.

Pensou em Nakuru. A jovem madrasta que sempre fora atenciosa e carinhosa como uma verdadeira mãe. Tomoyo a amava imensuravelmente e sofria antecipadamente pela separação que viria em breve. A menina sentiu o coração bater acelerado, a respiração aumentar e os olhos ficarem nublados por lágrimas que brotaram e caíram no mesmo instante, molhando-lhe a face. Com a manga do pijama ela as enxugou, mas vieram outras, e depois outras.

Respirou fundo para acalmar-se. A senhora Maki havia lhe dito que se ela desejasse algo com muita fé e com toda a força de seu coração, seu desejo se realizaria. Com esse pensamento, ela se levantou e caminhou pelo quarto até a janela. Abriu a cortina e o vidro, sentindo a leve brisa da manhã acariciar o seu rosto. Inspirou profundamente, sentindo o perfume e o frescor do campo. Contemplou a linda paisagem que seguia até o horizonte e sentiu-se ainda mais pequena diante de toda a beleza da natureza. Os raios de sol alcançaram o seu rosto e ela sentiu-se energizada. Cheia de coragem, ela então desejou em voz alta:

'Eu desejo de todo o meu coração que eu possa ficar perto de meus irmãos e da Nakuru para sempre!'

Uma brisa suave passou por ela, fazendo seu cabelo voar. Nesse momento ela teve certeza de que seu desejo se realizaria de alguma forma. A esperança tomou conta de todo o seu ser. Sorriu e foi correndo trocar de roupa. Ela precisava ir contar o quanto antes para a senhora Maki que tudo daria certo. Contaria que seu futuro seria ao lado das pessoas que ela mais amava no mundo.


O coronel Kono lia o seu jornal enquanto tomava o seu desjejum. Meiling surgiu na sala de jantar cantarolando e sentou-se à mesa, servindo-se de um copo de suco.

'Qual o motivo de tanta alegria?' – o coronel perguntou-lhe.

'Hoje promete ser um dia lindo, papai! Será um dia em que mandarei para bem longe toda e qualquer preocupação! Hoje passarei por cima de qualquer obstáculo!' – ela disse de forma triunfante.

'Do jeito que fala parece realmente que existe tudo isso em sua vida! Será que está acontecendo algo que eu ainda não sei?' – o coronel largou o jornal de lado e aproximou-se mais da filha.

'Saberá na hora certa! Mas quero te pedir um favor! Leve-me pra fazer compras na cidade! Quero preparar uma festa amanhã à noite... festa não... um jantar é mais apropriado! Vamos convidar alguns amigos, inclusive Syaoran!'

'Um jantar? Mas por que você não faz uma lista e manda um empregado ir comprar o que precisa?'

'Oh papai... também quero comprar um vestido daqueles de arrasar! O senhor é quem vai comprá-lo para mim!'

'Mas você já tem um guarda-roupa cheio deles! Alguns franceses! Outros italianos!'

'Mas eu quero um que combine melhor com esse fim de mundo! O senhor vai me negar esse presente?' – ela disse manhosa.

'Claro que não, sua garota mimada! Vamos logo, pois tenho muitos afazeres me aguardando na fazenda!'

'Você é o melhor pai do mundo!' - ela pulou no colo do pai e lhe deu diversos beijos no rosto.


Maki observava com grande alegria a interação que havia entre Syaoran e as jovens visitantes. Tanto Sakura quanto Syaoran cobriam de carinho a pequena Tomoyo durante o café da manhã. Ele apostava que conseguria comer mais fatias de presunto que Tomoyo, e ela dizia que ele jamais conseguiria comer mais biscoitos recheados do que ela. Sakura como sempre comia muito pouco, mas pelo menos comia e sua aparência estava mais saudável do que nunca.

Vez ou outra, Maki notava a troca de olhares apaixonados entre Sakura e Syaoran. Nada poderia deixá-la mais feliz se aquele romance ganhasse força. Sakura era uma menina linda e doce, e Maki sabia que ela poderia fazer Syaoran muito feliz, como já estava fazendo. A garota surgira exatamente no momento que ele mais precisava daquele sentimento. Ela havia afastado toda tristeza e dor que o rapaz sentia pela trágica perda do irmão mais velho.

Maki não era muito religiosa, mas ligava esse acontecimento a uma providência divina. Agradecia aos céus por aquilo que presenciava e seu coração se enchia de calor ao ver os sorrisos de sincera alegria presentes no rosto dos três jovens.

'Não vale olhar, Syaoran! Tem que confiar em mim! Abra a boca e descubra que comida é essa!' – Tomoyo aguardava ele fechar os olhos.

Syaoran sorriu e fechou os olhos. Tomoyo ria sem parar e colocou um pedaço de presunto melado com manteiga de amendoim na boca dele. Ele continuava de olhos fechados, mastigando e fazendo caretas. Sakura e Tomoyo davam gargalhadas com as caretas mais variadas do rapaz. Então ele abriu os olhos, engoliu o que tinha na boca e disse:

'Eu não faço a mínima idéia do que você me deu para comer, mas é a coisa mais gostosa que já comi na vida! Quero mais!'

Tomoyo já sentia a barriga doer de tanto rir. Sakura e Syaoran riam só de ver ela rindo. Ele continuava pedindo mais da gosma que ela havia lhe dado.

'Seu bobo... você tinha que adivinhar! Eu te dei presunto com manteiga de amendoim!'

'Quem diria que você era um gênio da culinária! De hoje em diante vou comer todo dia isso no café da manhã!'

'Você é bobo mesmo... quem é louco de gostar disso?' – ela voltou a rir segurando a barriga que doía.

Maki riu da cena e voltou aos afazeres domésticos. No peito a esperança de que a vida daqueles jovens seria sempre feliz daquele jeito.


Enquanto isso em Tóquio...

Eriol entrou no quarto de hospital levando consigo o jornal da manhã e uma xícara de café expresso que havia acabado de comprar. Ele sentia o corpo cansado e dolorido, decorrente da surra que havia recebido de sua irmã mais velha. Em uma das sombracelhas havia um curativo que ocultava três pontos que havia ganhado. Detestava aquele ambiente hospitalar que cheirava a álcool e remédio, e já sentia que aquele odor estava impregnado em suas roupas. Aproximou-se do leito e entregou a xícara de café para a ocupante.

'Aqui está! Forte e com adoçante! Do jeito que você pediu!'

'Obrigada! Mas insisto, volte para sua casa! Ainda não entendo por que você ficou ao meu lado!'

'É o mínimo que eu poderia fazer depois que a louca da Nakuru quebrou o seu nariz! Além disso, você sabe que eu gosto de você!'

'Oh, Eriol!' - uma lágrima comovida escorreu pela face da mulher. – 'Se eu não fosse casada já teria te roubado da Sakura há muito tempo!'

'Eu estive pensando seriamente sobre isso!' – ele fez uma pausa, respirou fundo e continuou – 'Somos ambos adultos, economicamente independentes. Combinamos em tudo, seja em sociedade, gostos e modos. Além disso... confesso que você me enlouquece na cama!'

'Você é quem me enlouquece! Sua juventude, beleza e classe... você é tudo o que eu um dia já almejei ter!' – ela segurou firmemente a mão dele.

'Então, minha cara... acredito que você deva pedir o divórcio ao seu marido e se casar comigo! Seremos alvos de comentários com certeza, mas será publicidade gratuita. Muitos vão nos criticar e outros vão nos apoiar. Mas o mais importante é que estaremos juntos!'

'Está falando sério? Deseja mesmo desposar-me apesar da diferença de idade?' – outras lágrimas rolaram pelos olhos cansados da mulher.

'Eu tenho certeza! Eu estava prestes a fazer um casamento de conveniência, onde eu e Sakura seríamos infelizes. Eu não queria reconhecer esse fato por orgulho, mas dolorosamente recebi uma chance para evitar esse destino. Toda vez que eu olhar essa cicatriz em minha sombracelha, serei grato a Nakuru por ter descoberto sobre nós. Ela sem querer me fez refletir sobre o que eu verdadeiramente desejava!'

Kaho enxugou as lágrimas com o lenço que Eriol lhe ofereceu. Ele sentou-se ao seu lado e acariciou a sua face. Seu olhar era gentil e sincero.

'Aceita ser minha esposa?'

'Aceito!' – ela jogou-se em seus braços recebendo um abraço forte e carinhoso. – 'Se meu nariz não doesse tanto eu te beijaria!' – ela riu e ele também.


Nakuru continuava a olhar pela janela de sua casa. Observava a entrada da propriedade e fantasiava com o momento em que Sakura e Tomoyo iriam retornar. Sentia o corpo pesado e muito cansado. O estômago estava vazio, mas não sentia fome. Esfregou os braços com as mãos e abraçou a si mesma, na esperança de sentir-se um pouco mais aquecida. Foi quando os braços fortes de seu esposo a enlaçaram, transmitindo-lhe segurança e força.

'Venha para o quarto! São nove horas da manhã e você precisa descansar. Tome um banho quente, enquanto eu vou preparar uma bandeja com muitas guloseimas e você vai comer tudo! Quando terminar de comer você vai dormir um pouco, pois está abatida demais. Vai adoecer dessa forma!'

'Não quero ir para o quarto, elas podem chegar a qualquer momento e...'

'Não, Nakuru!' – ele falou de forma enérgica – 'Você vai sim para o quarto! Vai tomar um banho para aquecer-se e vai se alimentar! Você me entendeu? Não adianta ficar assim! Ficar doente e sofrer não vai fazer com que as duas apareçam na sua frente como num passe de mágica!'

'Eu quero morrer! Eu quero morrer!' – ela gritou e começou a chorar. – 'Deixe-me morrer, por favor!' – ela sentiu as pernas fraquejarem e só não foi direto ao chão porque o esposo a amparou.

'Não diga uma tolice como essa! Você está me assustando!' – ele a abraçou.

'Eu trago infelicidade e dor para todos aqueles ao meu redor! Eu quase acabei com a vida da Sakura! Quase a empurrei para um casamento infeliz e sem amor. A Tomoyo nunca teve coragem de me dizer diretamente que não desejava viver na América, mas eu sabia. Eu só não queria me afastar dela! O homem que eu amo do fundo da minha alma, eu o rejeitei cruelmente e o fiz sofrer. Nunca irei esquecer a cara de decepção que ele fez quando se despediu de mim para sempre!' – ela gritava e chorava histericamente.

'Acalme-se! Você está tendo uma crise nervosa e...'

'Tire as mãos de mim!' – ela empurrou o marido com as forças que lhe sobravam – 'Eu não sou digna de ser tocada por um homem tão bom quanto você! Você que se casou comigo mesmo sabendo que eu amava outro. Você que teve sempre consideração por mim e por minhas filhas!' – ela escorregou até o chão onde fazia grande esforço para manter-se sentada.

'Nakuru... eu sabia o que fazia quando me casei com você! Sinto muito se meu amor não foi o suficiente por nós dois! Eu vou me esforçar mais e sei que vou conseguir te fazer feliz!'

Ele foi até ela e a abraçou novamente. Secou-lhe as lágrimas e a pegou no colo levando-a para o quarto. Lá ele a colocou deitada na cama, mas ela não expressava nenhuma reação. Parecia estar num estado de transe entre seus desejos e suas preocupações. Ele foi até a suíte e encheu a banheira com água quente. Acrescentou alguns sais de banho e misturou. Ajudou Nakuru a despir-se e a colocou na banheira. Aos poucos, o calor da água fez com que ela perdesse a aparência arroxeada e ficasse mais saudável, com um tom de rosa. Certificando-se de que ela ficaria bem, ele a deixou relaxando e foi pedir para a empregada preparar algo leve, mas bem nutritivo, para a esposa comer.

De volta ao quarto, deixou a bandeja com a refeição sobre uma mesa e foi ajudar Nakuru a sair do banho. Ela continuava muda, sem expressão. Seca e envolvida pelo roupão de veludo, ela sentou-se na cama encostada em alguns travesseiros e aceitou a refeição que o esposo oferecia.

'Obrigada!' – ela agradeceu quando terminou de comer – 'Sinto-me bem melhor!'

'Fico feliz!' – ele fez um carinho em sua face – 'Agora você vai dormir um pouco! Precisa cuidar de si primeiro para depois cuidar das meninas quando voltarem!'

'Farei isso! Você tem razão como sempre!'

'Então vou ao escritório, mas não irei demorar! Preciso ver com o meu advogado alguns detalhes sobre os clientes americanos. Quero que tudo esteja em ordem antes de nossa mudança!'

Antes que o esposo pudesse se levantar, Nakuru o segurou firmemente pela mão. Ele, surpreendido, voltou-se para ela e a encontrou com os olhos marejados. Ela permanecia muda, mas ele sabia o que ela queria dizer. Seu coração acelerou e um tremor passou pelo seu corpo. Havia chegado o momento de dizer adeus.

'Eu... não posso ir para os Estados Unidos!' – ela disse firmemente, enquanto as lágrimas rolavam pelo rosto.

'Eu sei!' – ele disse tentando controlar a dor.

'Você sempre será especial para mim. Ao seu lado desfrutei de alegria e paz! Eu sinto muito!'

'Seja feliz, Nakuru! Sei que será! Voltarei mais tarde para fazer as malas e me despedir! Agora descanse e durma bem!' – ele curvou-se e beijou-lhe nos lábios de leve. Levantou-se, apagou a luz e fechou a porta do quarto.

Ela respirou fundo. O casamento havia chegado ao fim. Sentia por John muito carinho e gratidão. Sabia que poderia sempre contar com sua amizade, mas jamais havia conseguido entregar seu coração para ele. Fechou os olhos e rapidamente adormeceu.


Sakura estava no quarto organizando sua bagagem. Não havia muito que fazer desde que um anjo em forma de gente, a gentil senhora Maki, havia se dado ao trabalho de arrumar quase tudo sem que ela pedisse. Logo teria que ir ao encontro do irmão e conversar sobre os novos rumos que sua vida estava seguindo. Agora que ela tomara coragem de terminar o noivado com Eriol, ela já não precisaria abrir mão de tomar conta de Tomoyo. Sabia que Touya as ajudaria no que fosse necessário. Só restava-lhe contar tudo sobre Eriol a Syaoran.

'Está arrumando a mala? Por acaso pensa em fugir de mim?' – Syaoran a surpreendeu com um abraço.

'Não! É que logo precisarei encontrar meu irmão!' – ela sorriu e o abraçou.

'Será que ele volta hoje?' – ele perguntou sentindo o perfume dos cabelos de Sakura.

'É possível, mas algo me diz que só o verei amanhã!' – ela deslizou os dedos firmemente nas costas de Syaoran, provocando-lhe um gostoso arrepio.

'Amanhã eu levarei vocês até lá! Mas só se ele ligar, afinal deixamos um recado com aquela simpática recepcionista da pousada!' – ele beijou Sakura no pescoço, dando-lhe mordidinhas leves.

'Isso é tão bom!' – ela deliciou-se com o carinho – 'Mas preciso falar com você!' – ela com algum custo se desviou da sedução.

'É muito importante? É que vim aqui no meu quarto buscar um terno! Preciso resolver uns assuntos na cidade vizinha! Vou me encontrar com o advogado da empresa agora no almoço!'

'É importante sim, mas não quero te atrasar! Quando você voltar conversaremos!'

'Tudo bem! Vou me arrumar antes que eu mude de idéia e a pegue em meus braços, daí não solto mais!' – ele deu um beijo rapidamente em seus lábios e foi para o outro quarto se arrumar.


Minutos depois, Sakura e Tomoyo ficaram observando até o Subaru de Syaoran desaparecer na paisagem. Tomoyo estava particularmente decepcionada com o fato de Syaoran não almoçar com elas. Estava entediada e Sakura logo percebeu.

'O que quer fazer agora? Que tal um passeio até o viveiro dos pássaros?' – Sakura sugeriu.

'Eu já fui hoje com o senhor Wei! Ele me deixou alimentar os pássaros!' – ela dizia e não escondia o tédio.

'Que tal brincar no quarto de brinquedos?' – ela insistiu.

'O Syaoran prometeu que me levaria para andar de cavalo! Não é justo ele sair para almoçar fora e não cumprir a promessa!'

Então era isso. Tomoyo não estava totalmente entediada, mas sim decepcionada. Quando alguém lhe prometia uma coisa e não cumpria ela ficava totalmente aborrecida. Pobre Syaoran quando retornasse.

'Olhe, Sakura!' – Tomoyo apontou na direção da entrada da fazenda – 'Um carro chegando... de quem será?'

Sakura observou o carro aproximando-se lentamente e reconheceu sua dona. Era Meiling, que estacionou próximo à entrada do casarão e saltou do carro.

'Bom dia!' – Meiling cumprimentou.

'Bom dia, Meiling!' – Sakura desejou.

'Essa mocinha linda é sua irmã? São tão diferentes!'

'Sim... ela é a Tomoyo! Meiling é a vizinha de Syaoran, Tomoyo!' – Sakura apresentou – 'Syaoran precisou resolver alguns assuntos na cidade e só volta depois do almoço!' – ela informou.

'Excelente! Vim para falar com você! Será que poderíamos conversar a sós?'

Sakura sentiu uma energia muito estranha vindo de Meiling. Sua expressão facial sempre parecia estar dissimulando suas reais intenções. Havia uma grande carga de antipatia entre elas. Era como se Meiling estivesse analisando-a, tentando enxergar até sua alma. Pediu para Tomoyo entrar para que elas pudessem ficar a sós. Tomoyo obedeceu em silêncio, mas em seu rosto transparecia que ia contra a vontade.

Finalmente a sós, Meiling encostou-se no carro e acendeu um cigarro. Estava com um sorriso desafiador e Sakura sentia-se cada vez menos à vontade.

'Ontem à noite eu acabei me deparando com uma estranha situação! Estava em casa, lendo uma revista e de repente lembrei-me de você e das coisas que havia me dito!'

'Acredito que eu não tenha falado nada demais!'

'Realmente não falou, mas quando descobrir quem sou vai entender o que quero dizer!' – ela levou o cigarro à boca, tragou e soltou a fumaça elegantemente. – 'Minha mãe... chama-se Kaho Mizuki!'

Sakura arregalou os olhos e não disfarçou a surpresa. Disse desconcertada:

'Sua mãe freqüenta sempre minha casa. É amiga da minha madrasta! Sempre comenta sobre você! Ela chegou a comentar que você tinha ido para a casa de seu pai, para comparecer ao funeral de um amigo!'

'Exato! O funeral de Yukito! Mas por acaso não tem curiosidade em saber como eu descobri que você era a enteada de Nakuru?' – Meiling riu divertidamente.

'Deve ter conversado com sua mãe!'

'Claro... sei de tudo. Sei que você e sua irmã viajaram no meio da noite numa espécie de fuga maluca embaixo de uma nevasca. Sei que Nakuru está desesperada sem notícias sobre vocês! Sei que você se casará com o economista Eriol Hiiragizawa na próxima semana! Diga-me, Sakura... por que viajou assim?'

'Você já sabe! Vim para procurar meu irmão!'

'Claro... Touya é o nome, se não me engano! Minha mãe me disse que ele é um tipo de punk andarilho!'

Sakura controlava-se para não voar no pescoço de Meiling em defesa do irmão. Touya não era punk. Era um excelente músico, que viajava em busca de fama e inspiração. Porém ela ficou quieta. A cada palavra que Meiling dizia sentia-se pior. Era como se houvesse um grande peso sobre seus ombros, quase impossível de carregar.

'Sei que seu carro está consertado! O que te impede de ir ao encontro do seu irmão?'

'Ele provavelmente só estará no hotel amanhã?'

'E você e sua irmã pretendem ficar aqui até lá?' – ela dizia com uma expressão inconformada.

'Eu... bem... não sei!'

'Talvez eu possa te ajudar a descobrir o que fazer!' – ela jogou o cigarro no chão e o apagou esfregando a sola da bota sobre ele. – 'Syaoran está passando por um momento difícil! Ele acabou de perder o irmão, ficou sozinho no mundo! Vai vender a fazenda e virar uma página em branco em sua vida! Você por outro lado, está matando Nakuru de preocupação. Segundo minha mãe ela está sem dormir, sem comer, enfim... em um estado lastimável!'

Meiling desencostou do carro, cruzou os braços e aproximou-se de Sakura, olhando-a ameaçadoramente. Sakura sentia que havia um aviso naquelas palavras.

'Não acha que seria melhor esquecer esse encontro com seu irmão e voltar para Tóquio? Não acha que sua brincadeira de fugitiva já foi longe demais? Volte para sua madrasta e para seu noivinho! Case-se e seja muito feliz!'

'Por que quer tanto que eu vá embora?' – Sakura perguntou juntando coragem.

'Talvez porque você não consiga enxergar que está sendo um fardo a mais para Syaoran!'

'Ou eu seria um problema para você?' – ela encarou Meiling corajosamente.

'Você não é nenhum problema para mim!' – Meiling sorriu debochada – 'Eu e Syaoran nos conhecemos a vida inteira! Somos mais íntimos do que você possa imaginar! Tanto que meu pai é quem irá comprar essa fazenda!'

'Vocês... vão se casar?' – Sakura perguntou com medo da resposta.

'Claro que sim! Isso é lógico!'

'Ele não me disse nada!'

'E por que haveria de dizer? Por acaso você contou a ele que está noiva e vai se casar na próxima semana? Vejo que nem anel de noivado você está usando!'

'Eu o deixei em Tóquio, no cofre!'

'Isso não importa! Contou ou não contou que vai se casar?'

'Não!' – Sakura começava a sentir fraqueza e tontura.

'Fico imaginando o porquê de você não ter contado! Minha mãe contou-me que seu casamento será o acontecimento do ano! Que toda a alta sociedade de Tóquio não fala em outra coisa! Dizem que seu noivo é um dos solteiros mais cobiçados do Japão! Você deve estar muito feliz! Porém... por algum motivo você não contou para Syaoran sobre esse evento!'

Sakura não agüentava mais aquela conversa. Meiling a deixava confusa, sentindo-se pressionada, sendo que nem ela tinha respostas certas. Descobrir sobre o sofrimento de Nakuru a fazia sentir-se péssima. Não imaginava que ela ficaria tão mal. Ela não tinha coragem de retrucar nenhuma das insinuações. Meiling, notando o seu conflito interno, começou a rir.

'Ora, Sakura! Não me diga que está apaixonada por Syaoran! Começo a acreditar que esteja! Se estiver é uma pena! Mas preciso te dar um excelente conselho. Volte para Tóquio e eu não contarei nada para Syaoran sobre seu casamento! Ele saberá pela publicidade, e quem sabe ele até mande um presente e um cartão desejando sinceras felicidades ao casal? Isso mesmo, volte para os braços de seu querido Eriol, que deve te amar mais do que tudo nessa vida. Esqueça o seu irmão Touya também! Deixe-o viver a própria vida!'

'Mas preciso vê-lo! Devo isso a Tomoyo! Ela não quer viver nos Estados Unidos! Ele precisa ficar com ela!'

'Tomoyo ainda é uma criança e não sabe o que quer! Esqueça essa bobagem! Nakuru com certeza é a melhor para tomar conta da menina. Ela pode oferecer um lar estável e cobrirá de mimos a menina! Será que você não percebe que seu irmão ainda não encontrou um rumo na vida? Como ele poderia cuidar bem dela levando esse estilo de vida errante? Além disso, Tomoyo acostumará com a vida na América! Será popular e fará muitos amigos! Rapidamente se adaptará! Encare a realidade, Sakura! Volte para Tóquio! Case-se com o Eriol e em breve eu mandarei ao casal um convite de meu casamento com Syaoran!' – ela virou-se e seguiu para o carro.

Sem ao menos esperar uma resposta de Sakura, Meiling entrou no carro e deu partida. Antes de seguir ainda voltou a desejar felicidades a Sakura. Depois foi embora a deixando sozinha e transtornada em meio a pensamentos confusos.

Será que tudo que ela havia vivido com Syaoran não passou de uma ilusão? Que tipo de homem ele era para se aproveitar dela daquela forma? Seu peito estava oprimido por uma dor que a deixava sem ar. Começou a sentir enjôo, como sempre sentia quando ficava nervosa demais. Respirou fundo e lembrou-se do modo que Syaoran havia tratado Meiling no dia anterior. Cobria-lhe de gentilezas, como se ela fosse uma princesa. Depois havia a conversa ao telefone. Ela mal o reconheceu naquele momento.

Não conseguiu conter as lágrimas e um tremor apossou-se de todo o seu corpo. Sentia-se suja, enganada e usada. Mas o pior de tudo era a tristeza que sentia. Todas suas ilusões e esperanças haviam chegado ao fim. Não lhe restava mais nada.


Syaoran havia chegado cedo ao restaurante. O advogado não havia chegado ainda. Sentou-se na mesa reservada e pediu ao garçom apenas um aperitivo leve. Enquanto aguardava a bebida, abriu sua pasta e pegou o jornal que Wei havia comprado. Ele não havia encontrado nenhuma oportunidade para ler, mas ali existia algo que deixou Sakura bastante transtornada. Começou a folhear e observar atentamente, até que encontrou a foto de Sakura na coluna social.

Ficou apreensivo. Quem era aquele homem ao lado dela na foto? Começou a ler a notícia e sentiu o ar lhe faltar nos pulmões com o que descobria. Sakura se casaria na próxima semana com aquele economista. Por que ela não havia lhe contado? Por que havia se entregado a ele se era noiva de outro? Que tipo de mulher afinal ela era? Suas mãos tremiam e, quando o garçom serviu sua bebida, ele a entornou garganta abaixo em um só gole. Ele pagou o drinque e escreveu um bilhete para o advogado, avisando que não poderia esperar mais, pois havia surgido um imprevisto. Depois ligaria para marcar outro encontro. Deixou o bilhete com o garçom e foi embora.

Ele nem sabia como havia conseguido chegar com segurança em casa. Estava nervoso demais e por isso correu como um louco e violou pelo menos três normas de trânsito. Largou o Subaru em frente à porta de entrada do casarão e saltou. Entrou em casa gritando por Sakura, mas ela não apareceu. Foi até o quarto e não a encontrou. Notou que os pertences dela não estavam lá. Foi até o quarto onde Tomoyo estava hospedada e também estava vazio. Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus, cada vez mais nervoso e correu até a garagem. O velho carro amarelo não estava lá.

Passou as mãos fortemente pelos cabelos e respirou fundo, tentando raciocinar. As pernas ficaram fracas e ele precisou apoiar-se na parede para manter-se em pé. O que estava acontecendo? Não conseguia entender.

'Elas se foram!' – Wei apareceu e Syaoran tentava acalmar-se.

'Quando? O que Sakura disse?' – ele tentava se controlar em vão.

'Tem cerca de duas horas! Sakura apenas agradeceu e se despediu! A pequena Tomoyo estava bastante chateada por que Sakura não a levaria mais para encontrar o irmão! Disse que toda essa viagem havia sido um erro!'

'Um erro?'

'Foi o que disse! Deixou uma carta para você! Está na biblioteca!'

Syaoran voltou para dentro de casa e foi até a biblioteca ler a carta. Encontrou o envelope com seu nome escrito e o pegou. Suas mãos tremiam muito e mal conseguia abrir o envelope. Fechou os olhos e respirou fundo para acalmar-se. Desdobrou o papel e começou a leitura.

"Caro Syaoran!

Depois que você saiu para o almoço, tive uma longa conversa com Tomoyo. Percebi o quanto injusta eu estava sendo com a Nakuru. Não pensei no mal que poderia estar fazendo a ela e decidi voltar para Tóquio. Tomoyo não ficou muito contente, mas a fiz enxergar que Touya não leva o tipo de vida responsável para cuidar de uma menina como ela.

Não se preocupe conosco. A qualidade do tempo está muito boa e com certeza não seremos alvo de outra nevasca. O carro também está funcionado bem. Acho que até melhor do que antes. Acredito que estaremos em Tóquio amanhã antes da hora do almoço.

Não tenho palavras para expressar a gratidão que sinto por tudo que você, Maki e Wei fizeram por nós! Jamais irei esquecer esses dias. Ficarão para sempre em meu coração!

Seja muito feliz!

Sakura Kinomoto!"

Syaoran amassou lentamente a carta. Seu coração estava descompassado, machucado e dolorido. Algumas lágrimas rolaram por sua face e ele as enxugou rapidamente. Como havia se enganado tanto com Sakura? O que ele havia sido para ela? Algum tipo de despedida de solteira?

'Syaoran!' – Maki chegou-se a ele. – 'Chore! Desabafe! Eu estou aqui, meu menino!' – ela o abraçou.

Ele a abraçou com força e chorou até acalmar-se. Ela ficou apenas em silêncio, esperando ele recuperar-se. Seu coração desmoronava a cada lágrima que ele derramava. Alisava seu cabelo, assim como ela costumava fazer quando ele era criança.

'Ainda acho que existe algo mal explicado nessa história... ela saiu daqui aos prantos! Não tinha nem condições de dirigir!' – Maki revelou.

'Por que ela chorava?' – ele perguntou surpreso.

'Ela não disse! Mas quando se despediu de mim, disse que sua vida perderia todo o sentido assim que saísse dessa fazenda!'

'A minha também perdeu! Eu não consigo entender! O que houve aqui afinal?'


A noite caiu e o silêncio trouxe a solidão. Syaoran estava deitado em sua cama, ainda de terno. Estava assim nem sabia há quantas horas. Não havia comido nada, nem bebido. Mal conseguia se mexer. Então era essa a sensação de ter o coração partido. Sempre pensara que as pessoas que experimentavam esse mal exageravam em seus relatos, mas agora via que era muito pior do que um dia imaginara.

Sakura estava presente em todo aquele quarto. O cheiro de sua pele e de seus cabelos. Seu sorriso, seus gestos delicados, seu corpo e sua alma. Ele quase podia visualizar sua presença. Maki tinha razão. Algo em toda aquela história estava muito errado. Tudo que vivera com Sakura era verdadeiro. O amor que eles viveram nesses quatro dias era puro e real. Com esse pensamento ele adormeceu.


Sábado

Syaoran acordara melancólico. O silêncio na grande casa, devido a falta dos risos constantes de Tomoyo. A ausência de Sakura ao seu lado. Aquela casa era grande demais para ele e as recordações tristes demais para suportar. Naquele dia mesmo iria fechar negócio com o coronel Kono. A fazenda seria vendida.

A manhã passara rapidamente, enquanto ele juntava os documentos necessários para a venda. Durante o almoço tentou reunir coragem para dizer a Wei e Maki sobre sua decisão. Fraquejara e não dissera nada a respeito.

Por volta de uma hora da tarde, ele imaginou que Sakura e Tomoyo já deveriam estar em sua casa em Tóquio. Com certeza Sakura já estaria de volta aos braços do noivo. Nervoso com esse pensamento, ele pegou um pequeno vaso de cristal e o jogou contra a parede, quebrando em diversos pedaços. Era o bastante. Não sofreria mais com esse assunto. Era a hora do ponto final.

O telefone tocou. Ele prontamente atendeu. Era Meiling o convidando para um jantar em sua casa naquela noite. Talvez fosse bom comparecer para se distrair. Meiling era jovem e cheia de vida, uma grande amiga e seria realmente uma boa companhia.

'Conto com você! Também chamei alguns amigos! Talvez você se lembre de alguns!'

'Eu teria que ir a sua casa de qualquer forma! Preciso conversar com seu pai a respeito da venda da fazenda!'

'Vai vender mesmo? Talvez eu peça de presente o casarão para o papai! Vou reformar e transformar numa casa de férias e passeios de fim de semana! Para passear com o marido e os filhos!'

'E você acha que eles vão gostar dessa programação?' – ele perguntou de forma divertida.

'Não sei! Responda-me você! O que acha?'

Syaoran ficou em silêncio. Sabia que ele despertava interesse em Meiling, mas agora ela estava sendo mais direta. Ele a conhecia bem o suficiente para saber que ao lado dela teria segurança. Além disso, ela era linda, elegante, muito educada. Seu único defeito era ser mimada demais. Seu falecido irmão já havia sido apaixonado por ela, tanto que a pediria em casamento. Talvez construir um relacionamento com Meiling lhe fizesse bem.

'Ficou mudo?' – ela cobrou.

'Eu não sei bem, mas acho que quem deveria fazer esse tipo de pedido é o homem!'

'Eu sou uma mulher moderna!'

'Pensei que amasse meu irmão!'

'Pensou errado!'

'Mais tarde conversaremos pessoalmente!'

'Te espero de braços abertos! Até logo!'

Syaoran recolocou o fone no gancho e ficou pensativo. Meiling o surpreendera.


Quando chegou a fazenda vizinha ele foi entrando com naturalidade, como sempre fizera a vida inteira. Surpreendeu Meiling carregando um balde de gelo, que ela colocou de lado e foi recebê-lo. Sem nenhuma cerimônia ela o enlaçou e beijou-lhe os lábios. Syaoran estava sem ação e delicadamente a afastou.

'Que bom que está aqui!' – ela lhe sorriu.

'É bom estar aqui! E que recepção pra lá de especial foi essa!'

'Não pude me conter! Eu avisei que estaria de braços abertos te esperando!'

'Cheguei muito cedo?'

'Não! Chegou na hora certa! Os outros é que estão um pouco atrasados, mas chegarão em breve! Venha! Vou servi-lhe um brinde!'

O jantar de Meiling havia reunido cerca de três casais. Syaoran não conseguia se lembrar se conhecia alguém ali presente e sentia-se pouco confortável. Os assuntos eram triviais, como viagens, compras e fofocas. O coronel Kono foi o único que notou o desconforto de Syaoran e resolveu tocar no assunto da venda da fazenda. A campainha tocou e Meiling pediu licença e foi atender.

Enquanto isso, o coronel revelou que ficaria muito feliz em dar o casarão reformado à filha como presente de casamento, como ela mesma havia sugerido. Todos olharam para Syaoran nesse momento, que sentiu vontade de encolher e desaparecer. A verdade é que por mais que tentasse se distrair e fugir da realidade, ele não conseguia esquecer Sakura e Tomoyo. Olhou o seu relógio de pulso e notou que eram quase nove horas. O que elas estariam fazendo em Tóquio? Será que Tomoyo havia conseguido juntar coragem e dizer para Nakuru que não queria ir para os Estados Unidos? Sakura estaria jantando com o noivo? Será que ela o amava? Seus pensamentos foram varridos quando notou uma agitação que vinha do hall de entrada.

Todos que estavam sentados à mesa jantando ficaram em silêncio e ouviram Meiling aos gritos com quem quer que estivesse a porta. O coronel Kono disse que deveria ser o seu capataz aborrecendo Meiling, mas todos tiveram certeza que não se tratava dele quando escutaram Meiling gritando:

'Sua pestinha! Você não pode entrar lá! Volte aqui!' – e nesse momento surgiu na sala de jantar a pequenina Tomoyo.

'Tomoyo!' – Syaoran levantou-se de imediato, totalmente surpreso.

'Syaoran!' - ela se jogou em seus braços e começou a chorar.

'Acalme-se! O que aconteceu?'

'Venha comigo, Syaoran!' – ela puxou Syaoran pela mão.

Todos estavam preocupados e curiosos para saber o que afligia a pequena garota. Meiling estava com um ódio incontrolável e sentia que seria capaz de afogar aquela menina. Com muita dificuldade conseguia dissimular um estado de controle e calma. Syaoran segurou Tomoyo próximo à entrada da casa, onde estavam livres dos olhares curiosos. Pediu para que ela se acalmasse e parasse de chorar, pois ele não conseguia entender nada do que ela dizia. Porém, Tomoyo estava num estado de desespero misturado com o alívio de encontrar Syaoran. Ela já se sentia fraca de tanto chorar e Syaoran pediu a criada da casa que fosse buscar um copo de água para a menina.

'Precisamos ir, Syaoran! Vamos agora!'

'Para onde, Tomoyo? Cadê a Sakura?'

A criada voltou com o copo de água e Syaoran o entregou para Tomoyo, que bebia em pequenos goles. Syaoran ainda enxugou seu rosto com um lenço e fez com ela assuasse o nariz. Em meio aos soluços ela começou a explicar:

'Sakura vai morrer! Eu sei que vai! Ajude-a, Syaoran!'

'O que está acontecendo com ela?'

'Ela está muito doente! Começou como das outras vezes, mas dessa vez ela sente muita dor! Bem aqui!' – Tomoyo apontou para o seu próprio abdome.

'Onde ela está?' – ele começou a ficar seriamente preocupado.

'Está na pousada de Tomoeda! Estamos no quarto do meu irmão!'

'Touya está lá?'

'Não! Ainda não voltou de viagem!'

'Mas vocês não iriam voltar para Tóquio?'

'Sim, mas eu a fiz mudar de idéia! Eu queria ver muito meu irmão!' – e Tomoyo desabou a chorar novamente.

'Você já chamou um médico para sua irmã?'

'Não! Eu não sabia o que fazer e por isso decidi vir atrás de você!'

Meiling, não agüentando mais ver aquela criança intrometida chorando, foi cobrar respostas.

'Você e sua irmã não iam voltar para Tóquio? Por que não voltaram? Ela me prometeu que ia voltar!'

Tomoyo nada respondeu. Percebeu a maldade na voz de Meiling e encolheu-se ao lado de Syaoran. Somente com um olhar, Syaoran fez com que Meiling se calasse e continuou:

'Como você chegou aqui?'

'Uma mulher! A cozinheira do restaurante do hotel me trouxe de carro até sua casa! Lá o senhor Wei me disse que você estava aqui! Vim correndo, nem esperei eles me trazerem!'

'Certo! O meu carro está ali do lado daquela árvore! Está aberto! Vá até lá que vou ligar para o médico e já vamos ver a Sakura!'

Tomoyo obedeceu e Syaoran seguiu até o telefone que havia no hall de entrada. Ligou para sua fazenda e pediu para Wei ligar para o médico que o atendia em Tomoeda e solicitasse que ele fosse urgentemente ao hotel pousada atender Sakura. Quando desligou, Meiling, que ouvira tudo, lhe disse:

'Esqueça essa garota, Syaoran! Ela vai se casar na próxima terça-feira!'

'Você esteve em minha casa ontem e convenceu Sakura a ir embora?' – ele perguntou, tentando manter a calma.

'Ela não serve para você!'

'Responda! Sim ou não?'

'Estive sim! Ela estava abusando de sua boa vontade! Estava te afastando de mim!' – ela dizia sem esconder seu ódio.

'Você não tinha esse direito! Ela não estava te afastando de mim, mesmo porque nunca estivemos próximos e nunca estaremos!'

'Não seja idiota! Essa garota deve estar até grávida do noivo! Essa doença deve ser enjôo de grávida!'

'Impossível! Pare de dizer maldades sem fundamentos!' – Syaoran se descontrolou e gritou com Meiling.

'Impossível por quê? Por acaso agora ela é alguma espécie de santa?'

'É impossível que ela esteja grávida do noivo, porque eu fui o primeiro dela!' – ele gritou e fez Meiling ficar muda com a revelação. – 'Nós nos amamos! Você não tinha que ir até minha casa e se meter na minha vida! Agora com licença, preciso ir!'

'Se você sair por essa porta, não precisa voltar nunca mais!' – ela disse vermelha de raiva.

'Então... adeus, Meiling!' – e ele foi embora.

Meiling entrou na sala de jantar e expulsou todo mundo aos berros, revelando ser uma louca perigosa. Começou a quebrar tudo que aparecesse em sua frente, até que seu pai lhe deu um tapa no rosto e a fez voltar a realidade. Chorou com ódio e sentiu a cabeça começar a latejar de dor.

'Se ela não morrer eu juro que a mato! Eu juro!'

'Você não vai matar ninguém! Está na hora de você crescer a aprender que não podemos ter tudo que queremos! Aprenda a perder! Vá para o seu quarto agora!' – o coronel Kono disse transtornado.


Durante o trajeto até o hotel, Syaoran pedia para que Tomoyo narrasse tudo detalhadamente.

'Por que não voltaram para Tóquio?'

'Eu estava aborrecida porque eu queria muito ver o meu irmão! Eu consegui convencer Sakura a mudar de idéia! Ela deu a volta com o carro e pegamos a estrada que leva até Tomoeda!'

'E como ela começou a passar mal?'

'Ela estava estranha! Quando saímos de sua fazenda ela só chorava e não parava mais! Quando chegamos ao hotel a recepcionista deixou a gente ficar no quarto do meu irmão! Sakura deitou na cama e continuou chorando até anoitecer! Mas ela nunca me dizia o motivo. Não quis jantar e dormiu! Hoje de manhã ela começou a vomitar e ficou muito branca. Não demorou muito pra começar a sentir dor! Perto da hora do almoço ela parou de vomitar e deitou novamente!'

'Por que não pediu ajuda nessa hora?'

'Eu achava que meu irmão chegaria e tudo ficaria bem! Mas ele não voltou! No final da tarde fui chamá-la para jantar, mas quando encostei minha mão nela, percebi que ela estava pegando fogo! Estava tão quente que parecia que estava fervendo! Ela começou a falar um monte de coisa estranha e gemia de dor! Ela estava toda molhada de suor e desmaiou! Tive tanto medo porque pensei que ela tinha morrido de verdade!'

'Por que não me telefonou nessa hora?'

'Eu não sabia o seu número! A recepcionista do hotel havia saído para jantar e a única pessoa que estava lá era a cozinheira! Eu pedi pra ela me trazer até a fazenda e ela trouxe! Então o senhor Wei me disse que você estava na fazenda ao lado, num jantar! Sai correndo, eu não sabia que uma casa era tão longe uma da outra, mesmo assim eu corri o mais rápido que eu pude!'

'Agora não se preocupe mais! Provavelmente o médico já chegou ao hotel e está cuidando dela!'

'O que será que ela tem, Syaoran?' – Tomoyo estava prestes a chorar novamente.

'Você me disse que ela é uma pessoa sensível! Que pelo jeito esconde os seus problemas e ainda absorve as energias negativas ao seu redor! Acredito que a Sakura esteja com uma gastrite nervosa e bastante delicada! Por isso ela sente dores no estômago e tem medo de comer!'

'Isso é grave?'

'Se a infecção estiver avançada, pode ser que vire uma úlcera! Daí ela vai precisar operar!'

'Vão cortar a barriga dela? Pensei que só cortavam para os bebês nascerem!' – ela estava surpresa.

'Vamos torcer para não precisarem operá-la!' – Syaoran passou a mão sobre os cabelos da menina, passando confiança.


No hotel, a recepcionista de óculos exagerados e batom muito vermelho prontamente avisou a Syaoran, assim que o viu chegar, que Sakura estava sendo examinada pelo médico. Ele aguardou pacientemente e logo o médico saiu do quarto. Syaoran pediu para que Tomoyo fosse conversar um momento com a recepcionista, para ele falar a sós com o médico. Ela obedeceu, mas a contragosto, já que gostaria de ouvir o que o médico tinha a dizer.

'A garota está bastante debilitada! Não sei como pôde chegar a esse ponto! Precisa ser transferida o quanto antes para o hospital!' – o médico disse, demonstrando-se preocupado.

'Faça o que tiver que ser feito! Como ela está agora?' – Syaoran estava visivelmente transtornado.

'Apliquei um poderoso remédio contra a dor! No momento está livre das terríveis dores! Mas precisa submeter-se exames e talvez a uma cirurgia! A infecção parece estar bastante avançada!'

'Entendo! Ela já sabe?'

'Já expliquei! Mas ela não disse nada! Parece muito deprimida! Estaria ela com problemas pessoais? Devo indicar acompanhamento psicológico?'

'Acredito que não será necessário! Eu quero pessoalmente curar essa depressão! Eu devo isso a ela!' – Syaoran estava com os olhos marejados.

'Seja como for! Deve avisar os familiares! Vou chamar a ambulância!' – o médico foi até o telefone da recepção.

'Já podemos entrar? Ela vai ficar boa?' – Tomoyo perguntou a Syaoran.

'Pode entrar sim, mas deixe-a calma! Ah... poderia me fornecer o número do telefone da sua casa em Tóquio? Preciso avisar a Nakuru, pois a Sakura vai precisar ficar uns dias no hospital!'

'Uns dias? Oh, não! O casamento... ela...' – Tomoyo tampou a boca com as mãos, percebendo que havia falado demais.

'Casamento? Não vai haver nenhum casamento! Pelo menos não esse que você está imaginando! Agora me dê o telefone, por favor!' – ele falou de forma doce e gentil. Tomoyo disse o número.


Syaoran ligou para Nakuru e explicou tudo que estava acontecendo com as suas enteadas. Desde o motivo da fuga. Da vontade de Tomoyo de ficar perto dos irmãos. O dia em que ele as socorreu da nevasca, até o incidente da gastrite. Contou tudo de forma polida e franca. Deixou claro que faria tudo pelo bem estar das duas e que ela poderia vir para Tomoeda quando quisesse. Nakuru agradeceu o cuidado que ele havia tido com as duas e falou que partiria imediatamente. Syaoran marcou de buscá-la na estação de trem de Tomoeda no dia seguinte logo cedo. Antes de desligar, Syaoran disse a ela que ainda havia um assunto muito importante a tratar com ela, que explicaria no dia seguinte quando se encontrassem.

Agradeceu a recepcionista pelo telefonema e caminhou até a fachada do hotel. Fechou os olhos e respirou fundo. A noite estava linda e o céu majestosamente estrelado. Nesse momento ele sentiu inexplicavelmente um alívio sem tamanho! Era uma sensação que não poderia descrever. Sakura estava ali. Ele não a perdera para sempre como julgava. Seu coração batia acelerado e suas emoções estavam à flor da pele. Entretanto uma coisa ele tinha certeza. Nunca mais perderia Sakura de vista.

Tomoyo veio até ele e disse que Sakura queria lhe falar. Syaoran perguntou a Tomoyo se ela estava com fome e pediu à recepcionista que fosse providenciar algo para ela. A recepcionista gentilmente levou Tomoyo para a copa. Ele sentia vontade de rir de si próprio ao constatar que parecia um adolescente apaixonado pela primeira vez, sem saber como agir diante da mulher amada. Muniu-se com a coragem necessária e entrou no quarto onde estava Sakura, aguardando a ambulância.

Lá estava ela com aparência frágil, deitada no meio da cama e coberta até o pescoço. Sentiu uma vontade incontrolável de envolvê-la em seus braços e protegê-la. Ela retirou uma das mãos debaixo da coberta e estendeu para que ele a pegasse. O contato trouxe para os dois um grande alívio. Estavam novamente juntos.

'Eu realmente sou uma amolação para você!' – ela disse meio sonolenta, devido ao remédio.

'Não diga bobagens! Pensei que nesse momento você deveria estar em Tóquio, mas vejo que resolveu ficar aqui e morrer!' – ele riu de sua própria piada sem graça.

'Nunca imaginei que eu estivesse com essa gastrite, mas agora tudo faz sentido!'

'Uma gastrite das piores! Você deixou a pequena Tomoyo muito aflita!'

'Eu ainda não acredito que ela foi até a fazenda atrás de você! Ela é muito esperta! Sempre foi!' – ela estava cada vez mais dopada pelo remédio.

'Agora você precisa descansar! Vai ficar de molho no hospital por pelo menos uma semana!'

'Eu não posso! Terça-feira irei me casar!'

'Acho que esse compromisso você terá que desmarcar!'

'A Meiling já deve ter te dito que irei me casar! Eu mesma queria contar, mas eu não pude! Eu não queria! Eu não sabia por que eu não queria te contar!' – ela estava com os olhos marejados.

'Agora você já sabe!' – os olhos dele também estavam marejados.

'Sei!'

'Isso é bom, porque eu preciso te dizer que quando você for realmente se casar terá de ser comigo!'

'Mas... você não vai se casar com a Meiling?'

'Pretendo me casar somente uma vez na vida e será com você!'

'Oh, Syaoran! Será o dia mais feliz da minha vida!'

Ele curvou-se e a beijou levemente nos lábios. Estavam emocionados. Naquele momento, estavam se comprometendo a ficarem juntos para sempre. Ele tornou a beijá-la e recomendou que dormisse até que a ambulância chegasse. Logo ela adormeceu com ajuda do remédio.


O dia estava levemente frio, como uma típica manhã de inverno. O sol estava presente, mas muito tímido. Syaoran estava na estação ferroviária e percebeu o momento em que o trem de Tóquio chegou. Não tinha a mínima idéia de como era a aparência de Nakuru, mas estranhamente a reconheceu pela descrição que Tomoyo havia lhe feito na noite anterior. Ela estava com uma pequena bagagem, olhando para os lados, imaginando que nunca o acharia, já que não sabia sua descrição.

'Nakuru?' – ele arriscou.

'Você deve ser o Syaoran Li!' – Syaoran notou como ela estava abatida.

'Isso mesmo! Prazer em conhecê-la!'

'Como está Sakura?' – ela estava visivelmente muito aflita.

'Não corre perigo! Nesse momento deve estar em plena recuperação!' – ele sorriu passando confiança.

'Não sei como poderei agradecer tudo que fez por minhas filhas!' – seus olhos brilhavam emotivos e aliviados.

'Não precisa agradecer! Confesso que é estranho ouvir você referir-se como mãe da Sakura! Você é muito jovem para ter uma enteada como ela!'

'É que você não viu o irmão mais velho dela! Sou apenas cinco anos mais velha do que ele!' – ela sorriu embaraçada.

'Vou ligar para a fazenda e avisar a Tomoyo que vamos direto para o hospital! Vou pedir para que Wei a leve até lá caso ela deseje! Você espera aqui enquanto eu ligo?'

'Claro! Não demore, por favor!'

Nakuru sentia o coração leve. Em instantes estaria com as pessoas mais importantes de sua vida em seus braços. Tudo parecia estar finalmente se acertando. O apito do trem anunciava que ele já partiria. Em instantes, a plataforma começou a esvaziar, até que sobraram apenas algumas pessoas que estavam ali vendo o trem se afastar. Sentiu a força de suas pernas a abandonarem momentaneamente. A menos de cinco metros estava um jovem conhecido olhando para ela tão espantado quanto ela deveria estar. Ele se aproximou em silêncio a fitando nos olhos, lábios semi-abertos e respiração acelerada. Ela sentiu os olhos pesarem com as lágrimas e a garganta engasgada de emoção. Foi com muita dificuldade que ela disse:

'Touya...' – as lágrimas rolavam pela face.

Ela se jogou em seus braços e toda a força de seu amor veio à tona. Ele a abraçava forte, para ter certeza de que ela estava realmente ali. A vida não poderia ser mais misteriosa. Ele estava ali acompanhando a amiga Ruby, que partira no trem para Tóquio para pegar um avião de volta ao Brasil. Durante a despedida, Ruby chegara a lhe dizer que sonhara que ele se encontraria novamente com o amor, assim como ela faria ao chegar ao seu país. Porém ele jamais imaginaria que seria quase de imediato. Mas era real. Nakuru estava ali tão certo quanto o ar estava em seus pulmões.

'Eu não acredito! Só pode ser um sonho!' – ela disse em meio aos soluços.

Ele enxugou as lágrimas dos olhos da mulher e a fitou ternamente. Os olhos dela refletiam o mesmo amor. Ele podia sentir que ela o amava e agora ele sabia que a amava mais do que nunca. Ele sorriu para ela e a beijou nos lábios. Um beijo de amor sincero que ela retribuiu com paixão.

'Dessa vez não vai fugir de mim, Nakuru! Eu te amo e não pretendo viver sem você!' – ele voltou a beijá-la.

'E nem eu pretendo viver sem você! Você é meu único e verdadeiro amor!'

'Mas... o que está fazendo aqui?'

Nakuru então explicou tudo que estava acontecendo para Touya. Syaoran os levou até o hospital e ao chegarem, Tomoyo, que já estava lá, correu para os seus braços. Pra ela não havia alegria maior do que aquela. Nakuru, que era a única mãe que conhecera, estava ali, e o irmão, que há muito tempo não via, finalmente estava junto dela.

Os dois irmãos, juntos com Nakuru, entraram no quarto de Sakura, que se emocionou muito. Eles desfrutavam de uma alegria sem igual. A família enfim estava reunida. Touya cobria Sakura e Tomoyo de carinho e olhava disfarçadamente para Nakuru, com aquele olhar carinhoso que ela conhecia bem. Tomoyo contava entusiasmada sobre os dias maravilhosos que passara na fazenda e na presença de Syaoran. Todos riam com sua jovialidade e alegria. Nakuru, após um tempo, foi até a sala de visitas para falar com Syaoran.

'Ontem me disse que havia mais um assunto para tratar comigo!' – ela começou.

'É verdade! Uma coisa muito importante!' – ele tentava ser direto, mas não sabia por onde começar.

'Então me diga!' – ela por um momento achou que ele estava sem jeito e até corado.

'Eu sei que Sakura está noiva de seu irmão, mas eu a amo e pretendo me casar com ela!'

Nakuru estava surpresa. Aquilo era totalmente inesperado. Depois de pensar um instante, ela disse:

'Ela também o ama?'

'Tenho certeza que sim! Nós nos achamos! Era algo que realmente tinha que acontecer!'

'Se ela o ama, ficarei muito feliz em recebê-lo em minha família! Mesmo te conhecendo por poucas horas, sinto que é um homem de bem!'


Cinco anos depois...

Sakura terminou de fazer um arranjo de flores e o colocou na varanda. Depois pensaria em que lugar colocar definitivamente. Respirou fundo e percebeu que estava cansada. Dali da varanda podia ver Tomoyo sentada sob uma árvore. Ela estava novamente com o diário em mãos. Estaria ela escrevendo sobre o rapaz que ela admirava e queria namorar? Nos últimos dias ela estava sempre assim. Sonhando acordada e suspirando pelos cantos.

'O que tanto escreve nesse diário, pequena Tomoyo?' – Sakura aproximou-se de surpresa.

'Você ainda me mata de susto aparecendo assim de repente! Não me chame de pequena! Eu já tenho dezesseis anos!' – ela disse levemente aborrecida.

'Tudo bem! Mas por que será que todo adolescente é naturalmente mal humorado? Vai me dizer ou não o que anda escrevendo tanto aí?' – Sakura falou em tom provocativo.

'Não! Nunca ouviu que diários são confidenciais?' – ela rolou os olhos, inconformada – 'Mas eu na verdade não estava escrevendo nada! Estava apenas recordando algumas coisas do passado!'

'Gostaria de compartilhar comigo essas lembranças?' – Sakura sentou-se ao seu lado.

'Tudo bem!' – ela respondeu, após pensar um pouco. – 'Eu estava lendo uma coisa que a senhora Maki me disse certa vez!'

'E o que seria?'

'Ela me disse que se eu desejasse algo com muita fé e com toda a força de meu coração, meu desejo se realizaria!'

'E você fez um pedido? Ele se realizou?'

'Sim! Eu desejei nunca ter que viver longe de meus irmãos e da Nakuru! Desejei isso com cada fibra do meu ser e meu pedido se realizou!'

'Foi um lindo pedido! Você ficou feliz?'

'Muito! Tudo se realizou com perfeição! Eu jamais imaginaria que o Touya e a Nakuru viriam a se casar e os dois cuidariam de mim! O engraçado é que a filha deles é minha sobrinha, mas ao mesmo tempo é minha irmã! Além disso, eu e você estamos sempre juntas!'

'É maravilhoso saber que você é feliz! Meu coração fica aquecido com suas palavras!'

As irmãs se abraçaram emocionadas. A vida havia lhes reservado coisas muito boas. Sakura, sentindo que acabaria chorando, disfarçou a emoção e chamou a irmã mais nova para irem à cozinha e tomarem um chá. Sentou-se à mesa conversando sobre outros assuntos.

'E aquele rapaz... Momiji, né? Ele já confessou seus sentimentos para você?' – Sakura tocou no assunto do suposto namorado da irmã.

'Ainda não! Mas se ele não confessar eu vou confessar!' – ela disse com ar de poder.

'Lembre-se das palavras da senhora Maki! Tenha fé de todo o coração!'

'Como foi no seu caso? Você se confessou para Syaoran?'

Sakura abaixou a cabeça. Ficou séria e pensativa. Tomoyo a viu fechar os olhos e embarcar nas lembranças. Teria ela falado algo errado?

'Na verdade...' – Sakura começou – 'Nós simplesmente sabíamos que nos amávamos! Não sei explicar!'

'Talvez eu possa explicar melhor!' – Syaoran entrou na cozinha, com um menino de dois anos no colo. Ele colocou o menino nos braços de Sakura e a criança começou a sorrir, abraçando-a o mais forte possível – 'Ele é todo seu! Já tomamos banho e ele até usou o piniquinho!'

'Meus homens cheirosos! Mas não mude de assunto, Syaoran! Tomoyo está ansiosa pra ouvir sua explicação! E eu também!'

'Existem certas coisas, pequena Tomoyo, que só acontecem uma vez na vida!' – ele começou.

'Quantas vezes eu vou precisar dizer para nenhum de vocês me chamarem de "pequena"?' – ela disse muito irritada.

'Adolescentes!' – Syaoran olhou para Sakura e trocaram sorrisos. – 'Bem... como eu dizia, há certas coisas que só acontecem uma vez na vida e quando acontece é porque realmente tinha que acontecer!'

'Explique melhor!' – Tomoyo pediu.

'É... explique melhor!' – Sakura estava tão curiosa quanto ela, segurando o filho nos braços, que já estava quase adormecendo.

'Meu encontro com a Sakura... com vocês, melhor dizendo... foi tudo inesperado, não é mesmo? Uma coisa que por muito pouco talvez não tivesse acontecido! Mas eu por acaso estava aqui na fazenda, devido ao falecimento do meu irmão! Vocês também por acaso foram pegas pela nevasca e, de todos os lugares do mundo, vocês vieram parar bem aqui!'

'Isso é tão lindo! É como se algo maior tivesse feito vocês se conhecerem!' – Tomoyo estava com ar sonhador e suspirando.

'Exato! Por muito pouco talvez jamais tivéssemos nos conhecido, mas aconteceu! Não sei de quem foi obra, mas agradeço por isso! O que quero dizer, Tomoyo... é que desde o primeiro momento que vocês pisaram nessa fazenda tudo foi modificado em minha vida! Você me trouxe uma alegria sem tamanho com seu jeito meigo e infantil de ser e a Sakura me ensinou o significado da palavra amor!'

Sakura sentiu a garganta engasgada de emoção e os lábios tremeram. Tentando se controlar, ela disse:

'O que ele quer dizer, Tomoyo... é que por muito pouco, talvez nenhum de nós dois tivéssemos encontrado sentido no amor. E que quando viemos a nos encontrar, o amor já esperava por nós, por isso nem sabemos ao certo quando nos apaixonamos de verdade!'

'Talvez tenha sido amor à primeira vista!' – Tomoyo sugeriu.

'Sim! Talvez... mas fique em paz com seu coração! Se o tal de Momiji realmente for aquele que o seu amor espera, pode ter certeza que serão felizes! Tudo a seu tempo!'

'Certo! Mas depois de conversar com vocês, eu acho que ele também gosta de mim! Ele veio transferido de outra escola por causa dos negócios dos pais, mas ele chegou a comentar que talvez tivessem que ficar em Tóquio. Pode ser que a mesma força que uniu vocês e fez com que se encontrassem inesperadamente, talvez possa ser que essa força também providenciou para que ocorresse o meu encontro com o Momiji!'

'Se isso aconteceu... espero que seja tão feliz quanto nós!' – Sakura olhou apaixonada para Syaoran, que a beijou carinhosamente. A criança que estava nos braços de Sakura suspirou fundo, já em sono profundo.

'Eu vou levar o pequeno Daisuke para o berço! Quando vocês começam com esses beijos até irrita!' – Tomoyo pegou o menino nos braços e saiu da cozinha reclamando.

'Adolescentes!' – Sakura e Syaoran falaram ao mesmo tempo e riram antes de começar a se beijarem demoradamente.

'O amor foi nossa salvação!' – Syaoran comentou e a beijou.

'Ele nos uniu nos momentos em que nossas vidas poderiam tomar rumos desastrosos!' – ela aconchegou-se nos braços do marido.

'Ele me trouxe você para me salvar da escuridão que me cercava devido uma grande perda!' – ele enroscou os dedos no cabelo da esposa.

'Ele me trouxe até você para me salvar de um casamento que seria sem amor verdadeiro!' – ela enroscou as pernas em volta do corpo do marido.

'Sem amor verdadeiro não dá pra viver!' – ele começou a levá-la para o quarto, sentindo o corpo reagir ao dela.

'Sim... sem amor verdadeiro não dá!' – ela beijou-lhe o pescoço – 'Faça-me a mulher mais feliz desse mundo!'

'Para toda a vida!'

Eles se olharam. Nos olhos todo o amor e toda a emoção estavam presentes. Ela estava se enxergando dentro do espelho âmbar que eram os olhos de Syaoran. Enxergava-se como realmente era. Syaoran também mergulhava no oceano verde que era o olhar de Sakura. Em toda sua água cristalina refletia o quanto ele era feliz. Naquela tarde de inverno, ambos viam o colorido da vida. Toda a beleza das cores do inverno!

Fim


Mais um trabalho concluído! Que emocionante!

E então queridos leitores... o que acharam? Comentem, por favor! Como esse é o último capítulo eu peço humildemente que não deixem de comentar, pois eu necessito saber se agradei ou não!

Essa história surgiu da minha lembrança sobre um romance que li há muito tempo! Era uma historinha simples de uma escritora escocesa, RP, mas apesar do longo tempo após eu ter lido essa história, os detalhes e o enredo ainda eram bastantes presentes na minha memória! Na verdade muita coisa seguiu rumo diferente, muita mesmo, pois a história não tinha nada a ver com o título e as paisagens por mim criadas. Os personagens eram menos calorosos, como geralmente os britânicos costumam ser! Várias ações e cenas foram acrescentadas... bem... acho que apenas 20 dessa história deve lembrar o livro!

Mas é isso galera... escrevi com muito carinho e tentei fazer o melhor possível! Muitos foram os desafios, mas está aí! Concluído!

Agradecimentos:

Quero agradecer a todos que me acompanharam nessa jornada. Todos que leram e opinaram, seja no blog, nos reviews ou e-mails, que por sinal foram muitos! Espero não ter esquecido de responder nenhum! Também agradeço a todos que me apoiaram durante os problemas técnicos que enfrentei e sempre me incentivaram com coisas positivas!

Pra todos vocês envio o meu carinho!

Agradeço a amiga Cris-chan que revisou o capítulo e que sempre me alerta dos erros ridículos que insisto em cometer! Ainda serei presa por assassinato do português! Cris, querida amiga... obrigada por tudo!

Cris, aparece enxugando disfarçadamente as lágrimas: Adoro finais felizes!

Ruby: Que milagre, Cris! Você não me assustou dessa vez!

Cris: Eu tinha que pelo menos uma vez ser boazinha nessas notas! Ainda mais com esse final feliz! – ela volta a disfarçar as lágrimas. - Mas não quero te atrapalhar... volte aos seus agradecimentos!

Ruby: Certo! Eu também agradeço a minha irmã do coração, Pety Li, que criou esse talk engraçado pra brincar com o elenco da fic e ainda por cima tirar uma casquinha dos gatões! Pety... te adoro de montão, amiga! Obrigada por tudo!

Cris: Falando em talk show... o próximo bloco não está pra começar?

Ruby, olhando no relógio: É verdade, vamos correr ou perderemos! Aquela danada deixou o melhor para o final! Vamos, Cris... corre!


Yukito do além: Boa noite a todos! Sinto muito informar que chegamos ao último bloco do sensacional "Talk Show da Pety Oprah!"

"Platéia unida num tom de tristeza: aaahhhhhh!"

Yukito do além: Infelizmente nosso tempo está acabando e "As Cores do Inverno" chegou ao seu grande final... Mas agora tenho a honra de anunciar... aí vem ela... com vocês a exuberante, majestosa, sensacional... Pety Oprah!

"Pety entra no palco acenando graciosamente em seu modelito preto, sua cor favorita, nos olhos um brilho emocionado e no rosto um sorriso suave."

Pety com olhos cheios de lágrimas: É verdade gente, infelizmente acabou! Mas foi tão lindo! Fiquei realmente muito emocionada com o final!

Pety enxuga uma lágrima que escorreu e assua o nariz: Mas... vamos lá, né! Vamos começar as entrevistas do nosso último bloco e como dizem... o melhor sempre fica pro final! Tenho o prazer de convidar para vir ao palco: Sakura e Syaoran!

"A platéia vai ao delírio, algumas pessoas gritam desesperadamente seus nomes, outros choram emocionados diante de seus ídolos e a mulherada pede Syaoran em casamento"

"Sakura e Syaoran agradecem o carinho recebido da platéia e caminham de mãos dadas até a entrevistadora Pety que visivelmente está toda animada por recebê-los"

Pety agarrando o Syaoran: Ah, Syaoran! Você é muito mais bonito pessoalmente que as pessoas imaginam. Você está tão cheiroso!

Syaoran tímido e vermelho: Que isso, Pety! Para com isso vai... toda vez que a gente se encontra você fala isso!

Pety ainda agarrada ao Syaoran: Mas é verdade! Não é mesmo, Sakura?

Sakura afastando a Pety do Syaoran: É verdade sim... mas chega desse agarramento, Pety! Ele é "meu" marido.

Pety fazendo bico: Certo, Sakura! Perdoe-me, mas é que ele é tão lindo que dá vontade ficar grudada nele o tempo todo.

"Sakura rindo vendo a Pety agarrando o namorado de novo."

Sakura com uma veia saltada no canto da testa: Eu entendo. Eu sei muito bem como é bom ficar assim coladinha nele, mas agora chega, por favor! Por acaso, você não vai me dar um abraço também?

Pety relutantemente solta o Syaoran e dá um abraço apertado na Sakura: É tão bom ver vocês assim juntos e felizes. Mas vamos nos sentar e começar nossa entrevista!

Pety sentada entre Syaoran e Sakura: Conte-me como foi participar de mais um fanfic da nossa maravilhosa escritora Ruby?

Sakura: Foi ótimo! Adoro trabalhar com a Ruby! Ela escreve muito bem e não são aquelas histórias comuns, onde de cara as pessoas já sabem o que vai acontecer. Ela sempre deixa todo mundo na expectativa do que irá acontecer e não só os leitores, como nos personagens também.

Syaoran: A Ruby é ótima! (Ruby: Que rasgação de seda!) Apesar dela sempre nos fazer sofrer com as expectativas, ela nos compensa com um maravilhoso final. Nesse fic, por exemplo, eu juro que fiquei super preocupado com a Sakura. Ela não falava o que tinha, sempre passava mal. A Ruby até me fez chorar, mas no fim tudo foi esclarecido. Espero trabalhar mais vezes com toda essa turma e que a Ruby não me faça sofrer tanto.

Pety: Sakura... você que se deixou levar pelas mentiras da Meiling! Por pouco ela não consegue o que queria. Ainda bem que a Tomoyo interferiu. Você acha que ela teve o final que merecia?

Sakura pensando um pouco: Na verdade eu queria que ela caísse num lago congelado e ficasse presa lá. Queria que ela ficasse presa dentro de um galinheiro por uma semana, e outras coisas... mas adorei o final dela. Nada melhor que ser completamente rejeitada pela pessoa que ela tanto queria e ainda levar a maior bronca do pai. Só gostaria de saber o que aconteceu com ela depois? Será que ela arrumou um fazendeiro rico pra casar ou acabou trabalhando como recepcionista num hotel de estrada? O que me diz, Ruby? – Sakura olha pra autora na platéia.

Ruby com sorriso sinistro: Segredo!

Pety colocando a mão na coxa do Syaoran: Você que é tão esperto, Syaoran... como você não percebia a cobra que a Meiling era?

Syaoran sem graça com a mão da entrevistadora assanhada em sua perna: Eu nunca pensei que ela seria capaz de fazer isso. Nós nos conhecíamos desde crianças, sempre brincávamos juntos. Ainda bem que vi a verdadeira Meiling a tempo e graças a Tomoyo.

Pety: Agora falemos de coisas agradáveis em vez da nojentinha da Meiling! Qual a parte do fic que vocês mais gostaram?

Sakura e Syaoran juntos: Da parte da adega!

Pety rindo: Nem vou perguntar por que, pois é meio óbvio, né! Agora sejam sinceros comigo... foi tão bom assim?

Syaoran todo sorridente: Foi ótimo! O lugar, o clima... foi uma coisa mais pra fantasia mesmo. Temos que repetir, né Sakura!

Sakura completamente vermelha: Depois a gente conversa melhor sobre isso... Foi tudo maravilhoso, mas, além disso, foi a nossa confissão também. Lá nós não só entregamos nossos corpos um ao outro, como também nossos corações. Foi lá que eu me senti completamente amada.

Pety com estrelas nos olhos: Ai que romântico! Ai que inveja! Bem, voltando à entrevista... Sakura, você suspeitava que tinha gastrite nervosa?

Sakura: Nunca! Aquele mal estar que eu sentia era muito estranho e como quase todo mundo, eu achava que até seria uma gravidez mesmo, porque a gente nunca imagina o que se pode passar pela mente da Ruby, mas a gastrite também me surpreendeu. Ainda bem que não era nada muito grave.

Pety: E depois de cinco anos de casados, como vai a vida? Continuam apaixonados como antes?

Syaoran: Muito melhor! A cada dia que passa, amo mais essa mulher!

Sakura: O Syaoran é o melhor marido do mundo! Além de ter me dado tudo na vida, também me deu um filho lindo e super esperto.

Pety emocionada: Aiai! O amor é lindo! Syaoran... conte-me como é a sua convivência com o Touya?

Syaoran sentindo um calafrio: No começo foi bem difícil, ele sempre olhava atravessado pra mim, mas com o tempo ele foi me aceitando. Acho que também a Nakuru tem grande parte nisso, dele me aceitar na família. Falando em Nakuru, foi ela que impediu o Touya de matar o Eriol pela traição.

Pety: E vocês ainda têm contato com as pessoas que atuaram com vocês no fic? Como a recepcionista, o senhor do caminhão e a mulher dele?

Sakura: Eu sempre que posso faço uma visita pro casal. Eles foram tão gentis comigo e adoro conversar com eles.

Syaoran: A recepcionista eu quase sempre vejo, não sei por que, mas sempre que vou até a cidade eu acabo dando de cara com ela. Parece que ela até sabe quando e onde eu vou estar. É sinistro!

"Pety e a platéia não agüentam e riem da inocência de Syaoran"

Pety sendo indiscreta: E você Sakura... como foi que você reagiu quando soube do passado do seu irmão Touya com a Nakuru? E como reagiu ao descobrir que ficariam juntos?

Sakura refletindo: Pety, eu juro que não imaginava que eles tiveram um caso no passado. Mas estou tão feliz por eles! Eles fazem um lindo casal e agora todos que eu amo estão perto de mim, felizes, unidos.

Sakura falando pra Ruby: Você que me desculpe, Ruby, eu sei que você e o Touya tiveram um romance, mas no fic ele e a Nakuru foram feitos um para o outro.

Pety tristonha: Meus queridos, a entrevista estava ótima, mas nosso tempo acabou!

"Todos da platéia: Aaahhhhhhhh!"

Pety: Infelizmente nosso programa está nos últimos minutos. Sakura e Syaoran, muito obrigada por vocês terem vindo.

"Pety dando um abraço bem apertado na Sakura e um beijão na bochecha do Syaoran"

Sakura: Nos que agradecemos e confesso que não via a hora de participar do seu programa Pety!

Syaoran: Isso mesmo! Nos sempre nos sentimos muito confortáveis aqui. Espero que você nos chame logo para um novo programa.

Pety toda sorridente: Com certeza! Agora umas palavrinhas para o pessoal de casa, espero que vocês tenham gostado desse programa! Muito obrigada pela audiência. Vocês que me inspiraram a sempre continuar com o programa. E a vocês da platéia mais querida do mundo, sempre comigo. Amos todos vocês! Até o próximo. Tchau!

"Pety sai do palco sendo aplaudida na companhia de Sakura e do Syaoran"

Yukito do além: Muito obrigado a todos que acompanharam o Talk Show da Pety Oprah. Esperamos vocês no próximo e boa noite a todos!

"Platéia bate palmas de pé"

"Sobe os créditos do programa"

Enquanto isso nos bastidores...

Pety conversando com a galera: Bem, agora vamos agitar, né! Pra onde vamos comemorar o fim do fic?

Ruby: Olha, tem um clube que abriu semana passada e ouvi dizer que é ótimo!

Horas depois no clube...

Tomoyo nervosa: Eriol! Sai de cima dessa mesa agora! Eu já te perdoei por ter ficado com a Kaho no fic, mas aceitar você fazendo um strip já é demais!

Sakura tentando puxar o Syaoran que também está em cima da mesa: Syaoran Li. Desça daí agora e coloque de volta essa camisa!

Pety animadérrima vendo o show: Isso Touya, agora tira a calça também!

Sakura, Tomoyo e Ruby juntas: Pety! Tu pirou? Não ta vendo o mico que eles estão pagando!

Pety sem tirar os olhos dos rapazes: Que mico que nada. Isso é um mega espetáculo pra nós mulheres!

"Pety morrendo de rir vendo Syaoran, Eriol e Touya já meio bêbados fazendo strip e cantando I'm too sexy"

Cris e Thata também animando os rapazes: Ah, Ruby! Não sei por que você ficou tão nervosa! Quer um presente de aniversário melhor que um strip deles?

Ruby pensando no assunto: É, vocês têm razão... Isso Syaoran, agora dá uma reboladinha!

"Eriol, Syaoran e Touya cantando em cima da mesa: I'm Too Sexy For My Shirt. Too Sexy For My Shirt. So Sexy It Hurts..."

Pety indo até a Sakura e Tomoyo que já desistiram de tentar tirar os namorados de cima da mesa: Poxa meninas... não fiquem tristes não! Olha, o clube já está quase vazio, aquelas assanhadas que estavam dando de cima deles já foram embora. Deixe-os fazer um showzinho pra nós!

Sakura sorri olhando pro Syaoran todo alegre: Tudo bem, mas ele que me aguarde quando estiver sóbrio!

Eriol descendo da mesa e indo até a Tomoyo: Vamos lá Tomy, canta comigo vai! I'm Too Sexy For My Car. Too Sexy For My Car. Too Sexy By Far...

"Tomoyo entra no clima e sai dançando e cantando com Eriol"

Syaoran dando um pulo da mesa e indo direto pra Sakura: Sakura, sua vez de agitar! Alegre-se baby... foi mais um final feliz!

"Sakura se rende a animação de Syaoran e sai dançando e cantando se unindo a toda a turma"

Touya que agora já estava no balcão praticamente desfilando sem camisa e com a calça desabotoada: I'm A Model, Ya Know What I Mean. And I Do My Little Turn On The Catwalk. Yeah On The Catwalk. On The Catwalk Yeah. I Shake My Little Tush On The Catwalk...

Yukito do além lá no além: I'm Too Sexy For My Love. Too Sexy For My Love. Love's Going To Leave Me...

"Todos cantam e dançam na maior agitação no clube agora só deles! Todos comemorando mais um final feliz!"


Essa Pety é demais!
Despeço-me pessoal e aguardo os comentários! É muito importante para mim, pois estou pensando em me "aposentar" de escrever essas fics! Lógico que vou concluir a fic "Na Magia e no Amor", mas depois disso talvez eu direi definitivamente adeus as fics! Idéias eu tenho de monte, muitas mesmo, porém falta tempo e entusiasmo pra tocar os projetos! Lembrando que dia 28 de maio é o aniversário de dois anos, comemorando que eu comecei a postar as fics, parece que foi ontem!

Pra todos eu deixo o meu carinho e um abraço apertado!

Ruby!