III Destino traçado

"Esse tal de McGregor não é um completo inútil, afinal. Pelo menos serve de exemplo: o que aconteceu a este idiota com certeza fará com os demais pensem duas vezes antes de se aproximarem de mim". - Artis deixou o salão principal satisfeita por ter mostrado ao seu inconveniente colega que ela não era uma qualquer e que jamais permitiria que alguém a tratasse com desrespeito.

Ela continuou a caminhar até chegar a um dos jardins que cercavam a escola, encantando-se com a beleza do lugar. À frente, viu alguns bancos de madeira dispostos em forma de círculo e notou que no meio deles havia algo que lembrava um espelho d'água.

"Como no meu lar..." – a novata se aproximou do espelho d´água e se sentou no chão, observando o próprio reflexo e aos poucos relembra as vezes que observou o espelho d'água em Avalon... Em especial a primeira vez...

Numa agradável noite de primavera no bosque sagrado de uma terra lendária, a leve brisa noturna balançava as folhas das árvores e criava uma suave melodia complementando com perfeição a canção antiga entoada por um grupo de mulheres de túnicas azuis, num tom suave que as induzia a um profundo transe.

Elas estavam dispostas em círculo, e no centro dele o reflexo da lua cheia podia ser visto nas calmas águas do poço sagrado, uma espécie de espelho d´água natural. Frente a este espelho d´água, estavam uma mulher que vestia uma túnica negra e uma criança de aproximadamente 5 anos que vestia uma túnica branca. A mulher tinha longos cabelos castanhos que estavam soltos e usava uma corrente de prata delicada com um majestoso pingente de pedra da lua - ela era a suma-sacerdotisa daquele grupo. A criança tinha cabelos castanhos levemente avermelhados, e olhava para dentro do espelho d´água com a curiosidade e a inocência que apenas as crianças possuem.

A jovenzinha percebe que o reflexo da lua cheia passa a ser substituído por flashes de imagens que passam rapidamente pelas águas, imagens que ela não entende ainda, mas cujas informações serão úteis para a sua família ali presente.

A Suma Sacerdotisa sorri ao perceber que a pequena também tem o dom da visão, além de todos os outros que ela já havia apresentado, de forma que todos os requisitos para a sua sucessão haviam sido atingidos.

-Artis? Venha até aqui, querida. – A voz da suma-sacerdotisa retira a criança do transe, que se levanta e se põe respeitosamente em frente à Senhora. Ela retira a corrente com a jóia do seu peito e a coloca no pescoço da pequena, comunicando em seguida a sua decisão.

- A partir deste dia, fica determinado que a próxima Senhora de Avalon será a minha filha Artis, pois ela tem todas as habilidades exigidas para esta posição. Assim como eu sucedi a minha mãe e ela a mãe dela, como tem sido feito através de todas as gerações de nossa família... Que os Deuses a protejam e a acompanhem, criança... E que lhe dêem forças para que você enfrente de cabeça erguida todas as dificuldades e responsabilidades que a Senhora de Avalon carrega.

"Como o destino de uma pessoa pode ser decidido em uma única noite?" – Uma folha caiu sobre a superficie calma da água, interrompendo o transe. Antes que Artis pudesse se recuperar da melancolia que essas lembranças a traziam, ela foi surpreendida por uma voz calma bem atrás dela.

- Você deu uma bela lição neles, não foi? Aquele McGregor é mesmo um idiota, eu mesma não teria feito melhor. Eu sou Naeylan Amaranth e esta é Anna Edwards, eu sou a apanhadora do time de quadribol e a Anna e a monitora da Grifinória. Naeylan sorria para ela, enquanto Anna permanecia calada ao seu lado imaginando se teria sido uma boa idéia incomodar a jovem, já que ela ainda estava com uma expressão de poucos amigos. A monitora prestava atenção não em Artis mas sim na figura que ela podia ver claramente ao seu lado.

- O que vocês querem? Creio que vocês sabem que agora eu faço parte da Sonserina, e até onde eu entendi, cada casa tem os seus próprios monitores – Artis continuou na defensiva e ao se levantar reparou que Anna mantinha um olhar fixo dirigido não a ela e sim ao seu lado.

- Posso saber o que você tanto olha ao meu lado, Edwards? – Artis olhou estreitado para Anna após conferir que não havia nada à sua volta.

- Glup... – Anna não sabia o que responder... Se a própria Artis não tinha consciência daquela figura nada modesta que a acompanhava, como que ela iria se explicar?

- Muito prazer em conhecê-los! – Naeylan emendou antes que Anna fosse fuzilada pelo olhar da Sonserina, que não entendeu o cumprimento da garota a sua frente.

- Belo lugar aonde eu vim parar... Se jogarem uma lona em cima, vira um circo.. Se cercarem vira um hospício. – Artis deu as costas para as Grifinórias sem nem ao mesmo devolver o cumprimento, imaginando o que mais podia acontecer para piorar aquele dia.

Mal sabia ela que o pior ainda estava por vir, pelo menos pelo ponto de vista dela.

...****...

- Ela é mais bravinha que eu pensei – Naeylan ria da garota que se afastava – Se bem o que poderia se esperar de alguém com um guardião daquele tamanho? Você já tinha visto um dragão guardião tão grande, Anna?

- Não, eu nunca tinha visto. Mas também nunca tinha conhecido alguém que tivesse um guardião desses sem saber... Se ela não tem conhecimento dele, como ela o controla? Não quero brigar com ela nem de brincadeira... – Uma gota gigante aparece na cabeça de Anna ao imaginar o que poderia ter acontecido no salão principal se McGregor tivesse partido para a ignorância com a caloura.

- E para melhorar a brincadeira, o Syon me pareceu hiper protetor – Naeylan sorria prevendo as futuras confusões que estavam por vir.

- Syon? Quem é Syon? – Anna não estava entendendo o que a amiga estava dizendo.

- Ai, Anna... Em que mundo você vive? Syon é o nome do Dragão; disse Naeylan com a maior calma possível, como se estivesse comentando do tempo, e começou a andar de volta ao castelo, Quando ele percebeu que conseguíamos vê-lo, ele se apresentou... Mas assustada do jeito que é, você 'tava com muito medo da Artis para ouvir.

Anna andava ao lado de Naeylan, incrédula com a naturalidade que a amiga falava de coisas como esta. Mesmo sabendo, Anna ainda não conseguia entender como ela agia daquele jeito. Saiu dos devaneios diurnos ao ouvir a calma voz de Naeylan continuar:

- Você deveria relaxar, muitas vezes, as aparências enganam, e eu não acredito que ela seja tão má quanto ela quer se mostrar – a jovem passou pelos portões internos da escola, afinal ainda tinham que levar os novatos para a torre da Grifinória.

-Bem, se ela não é assim tão má, então ela deveria ganhar um prêmio pela sua atuação – Anna seguia a amiga, e ainda sentia um frio na espinha só de lembrar do olhar assassino da novata.

...****...

- Até que enfim você apareceu, baixinha. O professor Dumbledore e eu estávamos falando de você – o sorriso estampado no rosto de Aaron O´Neal fez com que Artis pressentisse que aquele dia ruim ainda estava muito longe de terminar.

"Algum dia eu ainda vou aprender que nada é tão ruim que não possa piorar... qualquer coisa que faça esse garoto insuportável sorrir desta forma com certeza vai me aborrecer", a caloura olhava desconfiada para Aaron, mas sentiu que não deveria desperdiçar a sua energia à toa, pois provavelmente precisaria dela caso resolvesse esfolá-lo vivo mais tarde.

- Você deveria ter ficado um pouco mais no salão, Artis. Os monitores já levaram os novos alunos até as respectivas torres, e não é uma boa idéia que você fique andando sozinha por Hogwarts até que esteja familiarizada com a escola e suas normas. Você deve seguir as regras como todos os outros alunos. – O professor Dumbledore falava como um professor e não como o padrinho de Artis.

- Desculpe padrinho, mas eu estava muito entediada, prometo que vou tentar me adequar às regras de conduta da escola – "por que eu tenho que ficar tomando chamadas de atenção na frente deste idiota?" – ela estava inconformada pela presença de O´Neal que ainda a fitava sorridente – "Será que ninguém nunca disse a ele que é falta de educação escutar uma conversa que não lhe diz respeito?"

- De qualquer forma, eu queria encontrá-la, pois tenho algo para você. Espero que seja do seu gosto.

Dumbledore entregou uma caixa de madeira escura ricamente entalhada com símbolos celtas nas mãos da garota, que olhava encantada para presente. Numa das laterais, estava gravado o apelido de infância dela: Little Phoenix. Ao abrir a caixa, entretanto, o brilho do olhar da jovem mudou para um de dúvida.

- Que bastão estranho padrinho, Artis comentou, enquanto olhava o objeto cuja madeira polida brilhava, enfeitada numa das pontas com dois anéis prata incrustados na madeira que parecia ser de carvalho. Unindo os dois anéis de prata uma linda figura de um pentagrama também em prata brilhava. A aura do objeto emanava uma energia muito familiar, como se fosse de seu lar.

-Isso não é um bastão, querida. É uma varinha, e você precisará dela aqui em Hogwarts para fazer magia... Eu fiz questão de poder presenteá-la com algo especial. Ela é feita com a madeira do Carvalho dos Antigos. Dumbledore vira um sorriso despontar no rosto da adolescente: o Carvalho dos Antigos era a árvore mais antiga do bosque sagrado de Avalon. Por várias vezes, durante a infância da garota Dumbledore a levara para se divertir fazendo piqueniques ou simplesmente passando agradáveis tardes conversando juntos, tirando-a do cansativo treinamento de sacerdotisa. Com certeza, boas lembranças como essas só poderiam potencializar o poder da varinha.

Aaron riu da confusão feita pela jovem há poucos instantes atrás, ganhando um olhar assassino dela.

- Algum problema, O´Neal? Artis perguntou entre os dentes.

- Bastão? Isso é uma varinha, sua boba! Que tipo de bruxa é você que não sabe usar uma varinha? O´Neal não conseguia acreditar que ela não sabia o que era uma varinha.

Antes que uma pequena guerra eclodisse entre os dois, o professor Dumbledore pigarreou e retomou a palavra:

- Bem, agora precisamos voltar a falar dos seus estudos em Hogwarts. Creio que você precisará de alguma orientação para facilitar sua integração com os demais alunos e para auxiliá-la a compreender as normas de Hogwarts. Prevendo um comentário nada simpático da jovem, o professor Dumbledore achou melhor dar a noticia de uma vez.

- Ah, mas eu já tenho o Senhor para me orientar, padrinho, por isso não creio que essa adaptação vá demorar muito tempo, Artis engolia a sua raiva, voltando a sua atenção ao seu padrinho.

Aaron fechou os olhos e tossiu, ganhando outro olhar estreitado da jovem, que tinha vontade de matá-lo ali mesmo. Ele ajeitou os cabelos e cruzou os braços sobre o peito, enquanto mantinha um sorriso sarcástico no rosto.

-Infelizmente, minha criança, eu não poderei acompanhá-la tanto quanto gostaria. Recebi uma série de novas tarefas e responsabilidades que têm tomado muito de meu tempo. Entretanto, designei um tutor da própria Sonserina que a acompanhará e a ajudará durante todo este ano, e será responsável por você enquanto a acompanhar.

Artis empalideceu e arregalou os olhos ... Agora sim, nada mais podia piorar aquele dia. Ela tinha até medo de perguntar quem seria o seu tutor, pois o sorriso do jovem ao seu lado já era o suficiente para decifrar o enigma.

- Aaron O´Neal será responsável por você durante todo este ano, então espero que você passe a ser mais cordial com ele, certo? Se você precisar de qualquer coisa, fale com ele primeiro, e se ele não conseguir resolver, vocês dois podem vir falar comigo.

- Mas padrinho... Eu pensei que nos passaríamos mais tempo juntos – um rápido brilho apareceu nos olhos dela, mas não rápido o suficiente para passar despercebido por Aaron, que observava o desfecho daquela cena em silêncio.

Aaron havia se surpreendido pela mudança de atitude da garota, como ela poderia passar por extremos de humor tão rapidamente? Agora, ela lhe parecia tão... Frágil? Inclusive, ele tinha a impressão que ela estava a ponto de chorar.

- Eu sempre estarei por perto criança... Não se preocupe, não estará sozinha desta vez, eu te prometo. Dumbledore se abaixou e beijou a testa da afilhada que segurava as lágrimas de desapontamento. Ela, por um momento permitiu ser abraçada por ele, mas ao tomar consciência que O´Neal os observava, voltou a assumir a costumeira postura arisca e soltou-se do abraço do padrinho.

- Então o que nos estamos esperando, O´Neal? Creio que você deva me levar para conhecer a escola agora, não?

-Claro baixinha, como você quiser. Siga-me – Aaron recebeu o olhar irritado da jovem, percebendo que ela não gostara da forma que ele a chamara – "Você acaba de ganhar o seu 1o apelido 'baixinha'" – pensava enquanto começava a caminhar, seguido pela garota emburrada.

Dumbledore sentiu um aperto no peito ao ver os dois adolescentes se afastarem, pensando que no final das contas, pareciam ter sido feitos do mesmo molde. Será que ele teria feito uma escolha sábia? Se eles envolvessem, haveria muito sofrimento para ambos os lados, pois apesar de muito rebelde, a jovem nunca havia contrariado uma única ordem da Senhora de Avalon.

"O que diria se visse isso, querida Ivory? Creio que você tem feito muito mal a esta menina... A cada dia que passa, o brilho dos olhos castanhos se apaga. Sem perceber, você a está matando lentamente... e muito em breve ela se tornará tão amarga quanto você. Será que você se lembra que um dia você também foi uma mulher apaixonada? "

Dumbledore lembrou-se de uma época em que ele era um jovem professor em Hogwarts e acompanhara alguns membros do conselho de magia a lendária terra perdida de Avalon, a cerca de 20 anos atrás.

O jovem docente se encantava com a beleza e a energia do lugar, que se mantinha preservado do mundo exterior, protegido pelas brumas que só podiam ser transpostas pelos iniciados nos mistérios antigos.

Enquanto os anciões do conselho tinham uma audiência com a Senhora de Avalon, Dumbledore recebeu permissão para caminhar pela ilha e conhecer o lugar e pela primeira de muitas outras vezes que se seguiriam, caminhou pelo bosque sagrado, conheceu os inúmeros espelhos d´água usados pelas sacerdotisas para divinação, até chegar até o Tor, o círculo de pedras de Avalon.

Dali do alto, conseguia ter uma visão geral daquela terra perdida nas brumas. Era algo maravilhoso, digno de se guardar nas lembranças pelo resto de sua vida... E a energia do lugar então? "Será que o segredo de tanto poder reside no fato dele estar fora do mundo exterior?", Dumbledore pensava, enquanto seus olhos se perdiam na imensidão azul do céu de Avalon.

- Esse não é o motivo original, mas hoje em dia, é um dos fatos que mais colabora para manter o poder de minha terra. Ao se virar na direção da voz, Dumbledore encontra uma bela mulher de olhos castanhos e cabelos castanho escuros, de cerca de vinte e cinco anos. Em sua testa havia uma marca de meia lua, indicando que era uma das sacerdotisas locais, mas o seu vestido e alguns adornos indicavam que ela tinha uma posição de respeito na ilha.

- Como você pode... Ele sentia os olhos dela fixos nele, do mesmo jeito que ele estava fazendo com ela.

- Ler os seus pensamentos? Depois de um certo tempo e treino, fica fácil. Meu nome é Ivory Zeal. Sou a filha mais nova da Senhora de Avalon. Ivory abriu um sorriso cativante, e sem perceber, o coração do jovem professor começava a ser prisioneiro daquela jovem sacerdotisa.

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Ivory era um pouco mais velha que ele, mas isso não impediu que a atração entre os dois crescesse a cada instante, sincera e platônica. Dumbledore era verdadeiro em seus sentimentos, mas receava criar um problema diplomático, então, durante muito tempo, eles se amavam sem se tocar.

Como filha de Avalon, ela podia escolher os consortes de acordo com a sua vontade, e quando eles se conheceram, ela já tinha duas lindas filhas, Ariadne e Dara Enid. Ela também explicara que os nomes eram dados depois de uma consulta aos deuses, que nomeavam as crianças de acordo com a sua essência ou missão nesta vida.

Quando questionada a respeito da opinião dos pais a respeito de não por o sobrenome deles nas crianças, a resposta foi curta e seca:

- Nenhum homem pode exigir a paternidade de uma criança de Avalon, principalmente dos filhos de Beltane: elas são filhas dos Deuses. Ela respondera séria, dando o assunto por encerrado.

As missões a Avalon eram sempre muito tensas e complicadas, e a simpatia que Dumbledore causara a família da Senhora lhe garantia um lugar nessas viagens. além disso, cada vez mais ele se mostrava sábio e centrado demais para a sua idade, conquistando o respeito de Avalon e do Conselho a quem ele passou a representar, com o tempo.

E então, algo muito sério aconteceu.

A sucessora da Senhora de Avalon era uma das irmãs de Ivory, a jovem Inana. Enquanto a jovem retornava de uma missão oficial de Avalon, a carruagem que a levava foi atacada por bruxos banidos pelo conselho de magia, e a jovem sacerdotisa fora atacada e morta. A jóia que a indicava como sucessora fora roubada, e só foi recuperada alguns anos depois.

A Senhora exigia justiça, e a muito custo, Dumbledore pode conter uma guerra mágica, mas não pode impedir que o que viria a seguir: com a morte da sucessora da Senhora, uma nova sucessora deveria ser escolhida, principalmente porque a atual Sacerdotisa se sentia prestes a se unir aos antepassados.

O ritual de escolha era um dos segredos daquela comunidade de mulheres, e a comitiva do conselho de Magia não fora autorizado a participar, de forma que eles permaneceram em seus respectivos aposentos durante a noite.

Dumbledore dormia madrugada adentro quando o barulho de alguém batendo em sua porta o despertou. Sonolento, levantou-se de sua cama de palha, e abriu a porta para encarar dois olhos castanhos inundados por lágrimas. Nenhuma palavra precisou ser dita para que ele entendesse o que havia acontecido. A única coisa que ele podia fazer era abraçá-la, pois o caminho dela seria muito difícil dali para frente.

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Já haviam passado cerca de cinco anos desde que Dumbledore pisara em Avalon pela primeira vez, e cerca de um ano desde Ivory se tornara a Senhora. As visitas a Avalon passaram ser cada vez menos freqüentes e a relação entre Avalon e o mundo exterior era cada vez mais difícil, por que a nova Senhora se mostrava muito mais radical que as anteriores.

Numa tentativa de melhorar as relações entre Avalon e o mundo exterior, o conselho de magia havia se empenhado em recuperar a jóia que havia sido roubada há alguns anos antes, devolvendo-a ao seu lugar de direito. Como agradecimento, a comitiva foi convidada a permanecer por mais algum tempo, e se fosse do gosto deles, participar das celebrações do Sabbat daquela noite.

Era época da celebração de Beltane, e mesmo durante o dia, antes de serem acesas as fogueiras, tudo em Avalon conspirava para que as pessoas que chegassem à ilha fossem contaminadas pela inebriante energia do Sabbat.

No cair da noite, o brilho das chamas ilumina de forma hipnotizante os presentes, inclusive a comitiva externa a Avalon. Em meio aos cânticos antigos e ao som ritmado dos tambores, Dumbledore teve a sua atenção levada a um ponto próximo a uma das fogueiras: Ivory tinha os seus cabelos soltos, como no tempo em que se conheceram; seu belo corpo estava pintado com símbolos sagrados, e ela não vestia nada além da jóia que ela recebera das mãos dele horas antes.

Ela aproximou-se e diante da comitiva boquiaberta e pegou Dumbledore pela mão, levando-o para os seus aposentos e assim realizar o grande casamento com o seu consorte daquela noite.

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Tudo aconteceu muito rápido depois disso: no ano seguinte ele ouvira rumores da gravidez da Senhora, e numa visita não oficial, o máximo que conseguira de Ivory fora a promessa de ser padrinho da criança: era isso ou nada mais.

Conformado, Dumbledore tentava acompanhar o desenvolvimento de sua filha durante o pouco tempo em que ele visitava a terra lendária, ficando muito penalizado por descobrir que a inocente criança carregaria em suas costas o pesado fardo da mãe.

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"Será que desta vez esta historia terá um final diferente?", Dumbledore começava a se dirigir a seus aposentos, entregando o destino daqueles jovens aos Deuses.

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Dois capítulos revisados e postados... o próximo tem que ser escrito, entao vou aproveitar a boa vontade da minha musa para preencher esse gap, porque o próximo capitulo depois desse já está pronto.

Não me xinguem u.u culpa das minhas musas que inventam capítulos aleatórios antes de finalizarem a sequencia correta, mas são ossos do oficio não é? Quem consegue por ordem no chãos criativo?

Ja ne?

Kissus, Artis