Vivx – Obrigado pela review… e vou tentar melhorar na parte do Português…

Lunamc – obrigado pela review…


No capítulo anterior:

"Esse é o meu caso."

"Então veio ao sítio certo. O seu quarto é o número 20. Tem casa de banho própria. Espero que encontre tudo ao seu agrado."

"Tenho a certeza que sim. Obrigada."

Ao entrar no quarto reparou que o seu vizinho da frente estava para sair. Era uma boa altura para se apresentar. Quando se virou a reacção foi de surpresa, espanto e horror.

Dizendo somente.

"Tu…"


14- Férias Perturbadoras

Ela nem queria acreditar no que lhe estava a acontecer. As férias tinham chegado, uma altura em que tudo o que mais queria era esquecer todas as apoquentações que tinha vivido durante o primeiro ano de faculdade. Mas parece que o destino não está de acordo com ela.

"Deus deve odiar-me…" – ela ficou sem reacção, o que podia fazer. Quando a sua maior apoquentação estava na sua frente.

"O que estás aqui a fazer?"

"Não sei… Sabes com uma mala de viagem e uma chave na mão… acho que estou a ter um filho..." – ela disse sarcasticamente, fazendo-o lentamente como se estivesse a falar com um anormal.

"Guarda o sarcasmo para quem goste. Volto a perguntar o que estás aqui a fazer?"

"Sabes…. Não é preciso um mestrado em ciências para ver que estou aqui de férias… Não te faço a mesma pergunta, porque a resposta é mais que óbvia…"

"Quem te disse que eu estava aqui para me seguires…"

"Acho que tens os papéis um pouco para o trocado Li." - Ela disse olhando-o nos olhos, apesar de ser mais alto que ela, a Sakura não se sentia intimidada por ele - "Fui eu que te ignorei o semestre todo não ao contrário, esclarece porque razão viria atrás de ti?"

"Por-" – ele tentou refutar, mas estava sem palavras.

"Com certeza que não foi pela tua personalidade carismática, nem pelo teu bom senso de não julgares ninguém… Porque será que eu Sakura Kinomoto teria vindo atrás de ti…?" – ela disse cada vez mais irritada, cada vez que olhava para ele lembrava-se de tudo o que tinha passado no primeiro de faculdade, e ainda faltavam mais quatro para terminar – "Nada… Porque o que eu queria nesta férias era estar afastada de ti…"

"Então porque não te vais embora?"

"Porque deveria…?"

"Não é isso que queres?"

"É e para tal, basta-me pedir para mudar de quarto…" - ela disse voltando à recepção, como o Syaoran atrás dela para ver o desfecho deste pequeno inconveniente.

"Boa Syaoran, tu saíste da Ásia, vieste para uma ilha no meio do Atlântico para a esqueceres, e quem é a primeira pessoa que encontras…" – disse a sua mente.

"Srta. Kinomoto passa-se algo?"

"Peço imensa desculpa por incomodar, mas seria possível mudar de quarto…"

"Não está do seu agrado? Precisa de alguma coisa?" – perguntou a dona.

"Não é isso, é que…" - como é que ela poderia explicar que não gostava do seu vizinho da frente.

"O problema sou eu…" – ele disse.

"O que estás aqui a fazer?"

"A ver-te resolver um problema…" – ele disse ironicamente, referindo-se à forma como ela não estava a conseguir articular nenhuma palavra sobre qual era o problema.

"Não pedia a tua companhia, aliás é indesejada…"

"Estou a perceber o vosso problema…" - a Sra. Maki disse observando a interacção entre os dois - "Mas de momento não tenho mais nenhum quarto vago…"

"Oh que pena…" – disse a Sakura genuinamente triste – "Se houver algum, por favor avise-me…" – ela disse, voltando a dirigir-se para o quarto.

A Sra. Maki viu-os voltarem da mesma direcção que vieram, com um pequeno sorriso no rosto, abandonou a cabeça e disse – "Jovens…"

"O que se passa?" – perguntou uma voz por detrás dela enquanto a abraçava.

"Nada.."

"Maki…"

"John, é só que acho triste quando se tenta reprimir o amor." – ela disse com um sorriso triste no rsoto.

"E o que isso tem haver com os nossos clientes…?" – ele perguntou.

"Eles estão a reprimir o que sentem um pelo outro…" – ela disse.

"Maki, o que fizeste?" – ele perguntou já conhecendo o brilho que ela tinha nos olhos.

"Nada demais, só disse a verdade, que não temos quartos para alugar de momento. Assim terão que resolver os problemas deles…"

"Pelo que pude observar ambos tem temperamentos difíceis, isto não vai destruir o negócio…"

"Não…"

"Então faz o que tens a fazer…" ele disse beijando-lhe a testa.

"Eu já fiz tudo o que tinha que ser feito, agora é com eles…" – ela pensou sorrindo.


Com a Sakura e com o Syaoran

"Não precisas de me seguir…" – ela disse seguindo para o seu quarto.

"Não te estou a seguir, o teu quarto fica na mesma direcção que o meu…" – ele disse.

"Sério? Mas tu estavas de saída…" – ela disse.

"Esqueci-me da carteira é um crime?" – ele perguntou, continuando-a a seguir.

"Olha vamos fazer o seguinte… Tu segues o teu caminho e eu o meu…" – ela disse entrando no seu quarto – "Tu fazes o que tens a fazer… e eu tenho o que quero…"

"E isso é?"

"Não tens nada haver com isso!" – ela disse fechando-lhe a porta na cara.

Do outro lado da porta o Syaoran ficou aborrecido com a perspectiva de ter que a ver diariamente e manter a distância, mas foi por isso que veio para tão longe de casa. Para a esquecer. Não iria ser fácil, visto que ela está só a uns metros de distância.


No quarto da Sakura

Ela deixou-se deslizar pela porta, fixando um ponto sem importância no chão. Não ligando ao seu redor, somente à dor que sentia no seu interior.

"Não é justo, porque tenho a vida tão difícil… porque nada é fácil para mim…Porque tenho que ultrapassar provações constantemente… Mais valia ter ficado em Tóquio…" – ela pensou enquanto lhe escorriam as lágrimas pelo rosto.

Sem as limpar levantou-se do seu lugar no chão e caminhou para a cama, deitando-se sobre ela, deixou as lágrimas caírem livremente, tinha o verão pela frente para esquecer dos dissabores que teve durante o ano que passou, tem o verão para o esquecer mesmo estando a uns metros de distância, deixar-se levar pelas mágoas, só a irá fortalecer.

Com esse último pensamento a Sakura fechou os olhos para mundo, deixando-se levar pelo mundo dos sonhos, onde não tinha que superar tantos desafios, onde podia escolher com quem queria ser feliz, onde o Syaoran era o príncipe encantado, que a iria amar para sempre.


Com o Syaoran

O Syaoran passou o dia no hall de entrada sentado. Negou durante todo o dia que estava à espera dela, de a ver sair com alguém para facilitar o processo, ou para ter a certeza que estava bem.

Eram 22 horas quando subiu para o seu quarto, não a tinha visto desde que ela lhe tinha fechado a porta na cara, e por mais que negasse, sabia que estava preocupado com ela. Não o conseguia evitar era mais forte que ele.

"Tenho um longo caminho pela frente…"

Foi a pensar nisso que adormeceu, e pela primeira vez em meses dormiu sem a presença de sonhos.

Não foi o que se pode chamar uma noite relaxante mas também não o deixou perturbado.


No dia seguinte

A Sakura acordou como se nada tivesse acontecido mas ligeiramente assustada, não reconhecia nada ao seu redor. O quarto era muito claro para ser o dela, sendo o da casa em Tóquio sendo de Tomoeda, não via nada da Tomoyo.

O seu primeiro impulso foi para gritar e começou a fazê-lo, mas ao final de um segundo parou, não sabia onde estava, mas gritar e acordar quem quer seja que estivesse ali não seria uma boa opção. Viu umas portas de vidro que davam acesso a uma varanda.

Levantou-se da cama e caminhou para essa janela. No caminho tropeçou na sua mala, e se não fossem pelos os anos de prática teria se estatelado no chão. Consegui equilibrar-se novamente e chegou ao seu destino.

Se fosse um filme, a maneira como abriu as portas era com suspense para ver o que a esperava do outro lado. Ela susteve a respiração e fechou os olhos, caminhou pela varanda descalça até que sentiu o parapeito do fim da varanda nas pernas. Colocou as mãos sobre o corrimão e sentiu que estava frio, ouviu o som do mar enquanto embatia na areia e as gaivotas. Abriu lentamente e a paisagem que viu tirou-lhe o resto de ar que tinha dentro do peito. Era uma paisagem divinal.

Estava de frente para a praia mais linda que alguma vez tinha visto, o sol ainda estava a levantar, o céu de um tom rosado a clarear a cada o momento. O sol reflectido no tom azul cristalino da água mostrava o quão límpida era, a areia branca e que parecia ser tão suave sem presença de lixo. Estava num paraíso.

Respirou fundo, sentiu o sol, ouviu o mar, o que lhe trouxe paz e sossego à sua alma e mente atribulada.

"Sim de facto este local é perfeito para reorganizar a minha vida…" - ela pensou enquanto regressou para o interior do quarto.

Desfez a mala arrumando a sua roupa, maquilhagem e livros ao seu jeito.

Trocou a roupa que utilizou para a viagem, por um biquini verde, com um vestido curtinho azul, e uma sandálias altas de tom branco. Pegou na sua mala e preparou-se para sair e aproveitar o maravilhoso dia, começar o seu processo de cura e de esquecimento.

Ao abrir a porta deparou-se com o Syaoran. E as memórias do dia anterior acorreram-lhe à memória, tudo o que sentiu, ficou abalada com a perspectiva de ter que estar o Verão todo a conviver com a pessoa que lhe causou tanto dano, a mesma pessoa que tentava esquecer.

"Nem tudo podia ser bom…" – ela pensou ao fechar a porta atrás de si, e ao seguir o seu caminho fora do corredor, não desperdiçando um segundo para ver se ele a seguia. O que ela queria mais era se divertir.


Com o Syaoran – 1 hora antes

O Syaoran estava a dormir totalmente soterrado debaixo do lençol e colcha quando ouviu algo que o fez acordar sobressaltado, saindo da cama a correr. O que ele ouviu, foi um som que lhe gelou a alma. Um som que o assustou profundamente e que o fez sair do quarto de rompante. Um som que subitamente parou.

Ele acordou com um grito assustado e desesperado, inicialmente não conseguiu identificar de quem era, não conseguiu pensar qual seria a melhor atitude para tomar. Mas não precisava de o identificar, ou pensar de quem era, o seu coração fez isso por ele, pelo aperto angustiante que sentiu no seu peito, só podia ser de uma pessoa. Quando saiu do quarto preparou-se para bater na porta e certificar-se que a Sakura estava bem.

Ao preparar-se para bater a primeira vez, a sua mão parou a um centímetro da porta, não tendo coragem para o fazer.

"O que lhe vou dizer?" – foi o primeiro pensamento que lhe veio à cabeça.

O Syaoran recuou um pouco e encostou-se à ombreira da porta do seu quarto pensando qual seria a melhor abordagem para bater na porta dela e exigir uma justificação pelo grito que o acordou.

"Posso sempre dizer que me acordou e por tal deve-me explicações…" – ele pensou. Mas depressa descartou essa possibilidade, isso só iria agravar a sua situação actual com ela.

"Posso sempre perguntar se está bem? Politica de bom vizinho…" – pensou novamente, mas essa hipótese também não era viável uma vez que nem como vizinhos iriam se falar.

"Posso ir contra a porta fingindo que estou bêbado…" – parou essa ideia antes mesmo de se formular, uma vez que não queria denegrir ainda mais a imagem que ela tinha dele.

"Aargh… porque tive que ser tão idiota com ela…Agora não tenho escolha a não ser esperar que ela saia para ter a certeza que está bem…" – ele pensou ajustando-se melhor contra a ombreira para não ficar desconfortável enquanto esperava por ela.

Durante o tempo que esperou que ela saísse, um milhão de situações passaram pela sua cabeça, ela ter caído, ela ter escorregado, ela ter recebido um telefonema…. Ela… ela… ela… era só o que conseguia pensar, nada mais lhe vinha à mente. Nem mesmo a razão pela qual tinha optado por umas férias longe de tudo e todos que conhecia.

Estava a ficar com o ombro esquerdo dormente, quando ouviu a chave da porta em frente rodar, destrancando em si a porta. Endireitou-se, ajeitando o cabelo, para que a Sakura não se percebesse que ele estava à sua espera, mas sim que se preparava para sair. Ao ver a maçaneta da porta girar, ele segurou na sua porta, preparando-se para ver.

Porém nada o poderia ter preparado para o que viu. Depois dos meses que passou a observá-la ao longe, até mesmo os escassos momentos em que a teve tão perto do seu alcance se esticasse o braço, nunca a tinha visto tão linda, deslumbrante, uma visão, um anjo caído do céu. Ele esqueceu-se de tudo o que tinha para dizer, ficou somente a observar, como o vestido lhe assentava, com o seu cabelo solto. Ele reparou com as suas sandálias altas tornavam as suas pernas mais esguias, mais elegantes.

O Syaoran ficou somente a olhar para ela, esquecendo o que queria dizer, perguntar. Ficou sem reacção.

Quando voltou a si já a Sakura tinha desaparecido.

"Como é possível ela ficar ainda mais linda?" – ele questionou-se ao entrar dentro do seu quarto e dirigiu-se à casa de banho para se preparar para um novo dia, para uma nova tentativa de a esquecer.

"Eu sou um caso perdido…"


Com a Sakura

"Bom dia Sra. Maki…" – a Sakura disse ao entrar na sala de refeições.

"Bom dia… Ontem não desceu para jantar fiquei preocupada…"

"Oh… Eu estava muito cansada, precisava de descansar…" – ela disse para esconder o facto que se tinha refugiado no seu quarto.

"Ainda bem que era só isso… O que tem planeado para hoje?"

"Como pode ver eu estou muito pálida, estou a pensar ficar mesmo aqui pela praia, talvez conhecer um pouco da cidade…" – ela disse com um sorriso sincero – "simplesmente descansar."

"Faz bem… este sitio é muito relaxante…" – a Sra. Maki disse, saindo de seguida para ir atender outros clientes.

A Sakura bebeu o seu sumo, tornando esse acto mais lento do seria necessário. Era como se inconscientemente estivesse à espera de algo ou de alguém.

Quando se apercebeu do que estava a fazer, levantou-se abruptamente e sal da sala de refeições em direcção à praia.

Escolheu um local perto da água para estender a sua toalha. Ainda era muito cedo pelo que não se despiu. Retirou um livro da mala e deitou-se a lê-lo. Afinal nada melhor que aproveitar o Verão para pôr a leitura em dia.


Com o Syaoran

Ao descer as escadas, o que ele queria era comer qualquer coisa, e aproveitar o dia esquecendo-se de tudo. Mas antes que o pudesse fazê-lo, viu-a. E como ela estava linda.

"Como pude ser tão idiota…" – mentalmente ele bateu em si próprio.

Ao entrar na sala de refeições, reparou que a cara dos jovens estava voltada para a porta todos com um ar sonhador, como se tivessem todos visto o mesmo. Não precisava de ser bruxo para adivinhar o que tinham visto, ou melhor quem. Isso só tornou tudo mais difícil, uma vez que foi assolado por uma forte emoção que fazia querer protegê-la, mas esse não era o seu papel, nunca tinha sido.

"Eu não passo de alguém que ela conheceu… O irmão de uma colega de quarto nada mais…"

"Bem Syaoran, bons olhos te vejam…" disse o dono.

"Bom dia John… Então o que se passa com-"

"Primeiro deixa-me perguntar o que se passa contigo?" – ele inquiriu após ter visto o quão desanimado ele estava – "A tua postura não condiz com este local…"

"O que queres dizer?"

O John sentou-se na sua mesa. - "Estás com um ar abatido, como quem perdeu a luta da sua vida."

"É só impressão tua."

"Será? O que se passa realmente…" - ele questionou.

"Não se passa nada…" – o Syaoran respondeu, ele não queria falar do assunto.

"Já percebi não queres falar. Mas eu vou-te dizer algo muito importante por escuta…" - ele disse apontado para ele, com ar muito importante – "Sei porque vieste para cá. Não foi para umas férias de sonho nem relaxantes, como podes dizer aos teus amigo."

"M-" ele tentou refutar.

"Eu sei porque já fui como tu. Mas escuta bem, esquecer nem sempre é a melhor opção." – ele disse com um sorriso enigmático – "Tens que escolher o melhor para ti e para o teu futuro. Não penses na tua família, amigos ou passado, mas no que realmente queres, o que o teu coração procura e precisa."

"Como faço isso?" – ele perguntou em detrimento do seu juízo.

"Isso tu é que tens que descobrir… E tens o Verão para o fazer…" – o John disse – "Só mais uma coisa… se a Maki te perguntar se te disse algo… é mentira… nunca te dei nenhum conselho…"

"Não deste?"

"Não isto foi uma opinião… nada mais…" – ele disse, levantou-se.

"Obrigado pela tua opinião. Apesar de não servir para nada…" - o Syaoran disse ao passar por ele para sair da sala de refeições.

"Eu não teria tanta a certeza…" – ele murmurou, para que ninguém o ouvisse.

"O que foi isso querido?" – perguntou a Sra. Maki aparecendo por detrás dele.

"Nada…"

"Nada dizes tu? Parecia algo…"

"Estás enganada…" – ele disse voltando para a cozinha.

"Estranho… muito estranho…"


Com o Syaoran

Syaoran PdV

Boa realmente a minha vida não se podia complicar mais.

Não bastava ter que fugir para uma ilha no meio do atlântico, uma ilha que ninguém conhece, mas ela tinha que estar cá. Impressionante, o que mais terei que enfrentar.

E agora a cereja em cima do bolo, esquecer não é o único caminho…

Ele não sabe do que está a falar, para mim esquecer é o único caminho porque já tentei todos os outros.

Não posso continuar a fazê-lo.

"Tentaste mesmo…?"

"Oh… és tu outra vez… todas as vezes que te dou ouvidos, só me acontecem desastres…"

"A culpa não é minha é tua… afinal eu sou tu…" - disse a voz.

"Não eu sou racional… eu penso tudo… Tu fazes-me agir sem pensar… sem reflectir… e é por isso que estou tão…."

"Vais-me dizer que é mau teres a liberdade de agir só por agir? É mau teres a oportunidade de fazeres o que quer que seja sem ter uma razão lógica para tal? É mau teres liberdade?"

"È quando essa liberdade me deixa neste estado…"

"E que estado é esse… tu só experimentaste um pouco de dor… e não foi assim tão grande… o que experimentaste mais foi seres o outro lado da indiferença com que costumas tratar os outros… Que mais experimentaste alegria? Felicidade? Viveres um pouco a vida… foi isso assim tão mau…"

"Não mas as consequências foram desastrosas…"

"Sabes porque foram desastrosas…?"

"Porque te escutei se eu tivesse simplesmente te ignorado…"

"Não terias provado o quão bom é ter alguém do teu lado, o quão bom é poder falar com alguém fora da família…"

"Pois mas perdi isso antes de me poder acostumar…"

"Porque paraste para pensar… porque pensaste sobre o que estavas a ver… porque sendo um homem de negócios como és, viste maldade nas acções e no que leste… e nem sequer lhe deste uma chance para se explicar…" – a voz disse cada palavra magoava-o cada vez mais.

"Cala-te…"

"Porquê? Dói ouvir a verdade? Mas isto não é nada comparado com o que ela sentiu quando a acusaste…Ou não reparaste na dor nos olhos dela… Não reparaste que ela já não sorri como sorria… Tu partiste-a…e no final perdeste a melhor coisa que alguma vez te aconteceu…"

"A culpa é tua pela nossa dor… porque eu ouvi-te… porque eu deixei-me levar… Agora tenho que a esquecer…" – ele pensou.

"A culpa não é minha quando tu não conseguiste controlar-te… e quem te diz que se não me tivesses dado ouvidos o mesmo não tinha acontecido? Afianl tudo começou porque não conseguias deixar que uma mísera miúda fosse melhor que tu a conduzir…"

"Eu… eu…"

"O que foi que aconteceu o gato comeu-te a língua… é muito fácil culpar os outros… é ainda mais fácil desistir sem procurar outra saída."

"Eu não estou a desistir de nada…"

"Não? Esquecer é desitir. Não passas de um cobarde…" – a voz vociferou. Aquelas palavras não saiam, era como se fossem uma maldição, para me lembrar como estava a agir, mas eu não tinha outra alternativa. Não podia fazer mais nada – "Há sempre mais que podes fazer…"

"Não há nada que eu possa fazer…"

"Esquecer não é o único caminho… Pensava que te tinham ensinado a não desistir… Pensava que eras um Li… E um Li nunca desisti…" – a voz do seu coração disse.

"E sou. Mas não há nada que eu possa fazer já fiz de tudo…"

"Alguém muito sábio disse-te Desistir não é o único caminho… Nunca ouvi nada tão verdadeiro…"

"E qual é o caminho… será que tu sabes? Huh? Diz-me…" – ele gritou, não reparando que estava a chamar atenção para si – "Não há nada. Não existe outra opção. O destino quis assim, e quem sou para contrariar o destino?"

"És um Li… E se o destino não o quisesse, porque te traria a ela…" – a voz disse despertando-o do seu caminhar sem direcção, ele estava a três passos dela – "E quanto ao caminho tu é que tens que o descobrir… afinal eu só te trago problemas…Só não te esqueças que as tuas acções atingem duas pessoas…."

"O que queres dizer com isso…"

Não obtive resposta… típico, quando a conversa se torna séria fico sempre sem resposta.

Bolas, e pensava que não podia complicar mais a minha vida… Tudo conspira contra mim…

Fim de PdV

O Syaoran sentou-se na areia, sem estender a toalha que trazia aos ombros, simplesmente ficou parado a olhar para ela, pensou tantas coisas que lhe podia dizer, e mais coisas para fazer, sendo a primeira e mais sensata, sair dali ir para um local longe dela, para que a pudesse esquecer.

A Sakura estava sentada na sua toalha a olhar para as ondas a enrolarem na areia, a ouvir a sua canção, contando todos os segredos que o mar escondia, era um murmúrio tão singelo e puro, um som tão enternecedor, que consegui acalmar o seu coração. Ela não conseguia conceber como vê-lo logo pela a manhã a conseguia deixar tão alterada, mudando as suas rotinas, nunca ela tinha mudado as suas rotinas.

No ano anterior, por volta dessa hora, já tinha percorrido a praia de uma ponta à outra, brincado com as suas amigas. Agora estava que nem a Tomoyo sentada a pensar na vida, deixando a vida passar por ela… Ao aperceber-se o que estava a desperdiçar, levantou-se num salto, retirou o vestido, atou o cabelo e correu em direcção ao mar, não se importando que a água estivesse fria ou não.

"Espero que esteja fria para congelar os meus pensamentos."

O Syaoran continuou sentado observando todos os movimentos da Sakura, fazia parte de si estudar os movimentos das pessoas para as compreender e antecipar o que iria fazer a seguir. Era necessário ser assim quando se praticava artes marciais ao tão alto nível. Mas com a Sakura não o conseguia fazer. Ela conseguia-o surpreender sempre.

"Que outros caminhos posso escolher?" – ele questionou-se. Ao deitar-se sobre a sua toalha. Ficou deitado sobre ela durante um bom tempo, procurando a resposta à sua pergunta.


Com a Sakura

Ela estava dentro do mar e apesar de estar fria como ela antecipava, pelo menos conseguiu que parasse de pensar por uns momentos.

Sakura PdV

É preciso ter muita má sorte, para de todos os locais do mundo ter vindo parar no mesmo local onde ele está. Apesar de não gostar de pensar assim há uma possibilidade de isso acontecer. Uma num milhão… Mas ficar no mesmo hotel… no mesmo andar… frente a frente… é simplesmente azar… Azar demais para uma única pessoa.

"Ou será sorte…"

"Tu outra vez…?" – ela pensou ao ouvir aquela voz que tanto a fez sofrer.

"Sim eu. Quem querias que fosse…"

"Preferia que não fosse ninguém mesmo, uma vez que ouvir-te só me trouxe dor…"

"Claro que sim… era bem preferível nunca teres sido amiga dele… Porque estás a mentir-me… eu que te conheço melhor que ninguém…"

"Porque não fosse por ti, eu nunca teria sentido o que sinto todas as vezes que olhos para ele, ou ouço a sua voz, ou alguém fala dele… tudo porque ele teve que ser tão… arrogante, otário…."

"Sim eu já sei tudo o que tu pensas dele… Mas já paraste para pensar pelo lado dele?"

"Ele não merece que eu perca tempo com isso?"

"Então o que estás aqui a fazer?"

"Estou de férias… duh…"

"Só de férias… pensava que tinhas algo mais em mente… como esquecer…"

"E pretendo fazer isso exactamente…"

"Isso é um pouco controverso…"

"O que queres dizer?" – ela perguntou estando perdida na conversa.

"Simples esqueceres alguém que está somente a três metros, se tanto, de ti… A melhor maneira de o esqueceres era teres ido embora, quando o viste…"

"Eu não vou desperdiçar este paraíso só por isso…"

"Claro que não… Longe de mim pensar isso… afinal…"

"Nem venhas com invenções… só por não me ir embora, não quer dizer que o vá perdoar…"

"Não falei em perdão… falei em compreenderes o lado dele…"

"Vai dar ao mesmo…!"

"Não vai não… e tu tens que o perceber… Já passaram 5 meses…"

"Ele ainda não… Esquece não interessa…"

"Nada interessa se mão compreenderes o seu lado… Não é que ele duvidasse de ti…"

"Sério? Ia jurar que tudo o que ele fez foi isso… Duvidar de mim… E não foi só uma vez, foram diversas…"

"Se o queres esquecer como ainda te afecta tanto… se ele foi só…."

"Ainda estou em processo de o esquecer, não é fácil, mas hei-de lá chegar…"

"Então enquanto não o esqueces, vê as coisas pelo prisma dele… Ele foi criado a duvidar das pessoas, tal como o teu irmão, ele também duvidou de ti… e tu perdoaste-o…"

"Ele é meu irmão…"

"O Syaoran…"

"Não digas o nome dele…" – ela disse mergulhando a cabeça debaixo de água como se isso fosse abafar o som da voz.

"Ele teve a mesma atitude…"

"E o que tenho com isso… Nada… eu se pudesse nem estaria aqui com ele… mas acontece que gosto deste local…"

"Muito conveniente não achas…"

"Cala-te eu só preciso de o esquecer…"

"Porquê?"

"Porque assim a dor vai embora… Porque assim não dói vê-lo… Porque assim não penso…"

"Nunca pensei ver o dia que agisses como uma miúda medrosa… sempre tão forte a Sakura… A miúda que enfrenta a família… que pôs o avô no lugar… Medo de enfrentar alguém…"

"Cala-te… Ele não me é nada… eu não o quero… eu só quero paz…"

"Claro que não o queres…Tu deseja-lo…"

"Cala-te…"

A voz calou-se após aquilo.

È mentira… é mentira… é mentira… repeti como um mantra… Não quero admitir, mas acho que me estava a convencer de que era verdade.

Olhei para a praia e vi que estava mais cheia, era melhor sair antes que algo desapareça…

Aproveitei para dar mais um mergulho antes de sair completamente, precisava de limpar as minhas ideias e calar as vozes. Elas não eram nada boas para a minha saúde.

Ao sair dentro de água reparei em algo… melhor dizendo em alguém… estava a alguma distância das minhas coisas. Não sabia quem era, mas tinha um corpo divinal… Um bronzeado de meter inveja…

Precisava de um amigo assim, descontraído como aquela pessoa parecia ser.

Quando se voltou nem queria acreditar.

Eu não o desejo… eu não quero como amigo…

Fim do PdV


O Syaoran mudou de posição e permitiu que a Sakura conseguisse ver na perfeição como era a pessoa que tanto elogiava, que tanto queria conhecer, que queria ter como amigo. Mas o que viu deixou-a aterrada, era a própria pessoa que ela queria esquecer. Rapidamente pegou nas suas coisas e saiu a correr sem olhar para trás.

Não iria conseguir estar no mesmo local que ele. Era tortura a mais.

O Syaoran nem se deu conta que a Sakura se tinha ido embora. As duas horas que tinha estado a pensar no outro caminho pelo qual podia optar em detrimento de esquecê-la mostrou-se ser muito vago.

Levantou-se e observou ao seu redor, e subitamente estar no mesmo local que ela não parecia ser uma boa ideia. Não quando estava tão confuso sobre o que iria fazer. Se iria seguir com o seu plano original ou mudar completamente.


Com a Sakura

Durante todo o dia ela andou a passear, a fugir dos seus pensamentos e dos seus sentimentos. A tentar arranjar uma razão lógica para tudo o que tinha sentido. Pois por mais que quisesse negar vê-lo na praia não a deixou zangada como gostaria, mas sim, de certo modo, segura.

Durante a sua caminhada por diversas vezes viu-o, mas quando olhava novamente a sua imagem já não estava no local onde estava segundos antes. Desistiu de continuar, uma vez que com certeza o sol a estava a afectar mais do que estava à espera.

Comprou uma sandes, esse seria o seu jantar, não ia arriscar vê-lo na sala de refeições.

Refugiou-se no seu quarto. Jantou sob as estrelas e a olhar para o mar.


Com o Syaoran

Já passava das 23 horas quando entrou na pensão. Esperou que terminasse a hora de jantar para o fazer evitando encontrá-la, era demais ter tido alucinações com ela durante todo o dia.

Ao entrar reparou que o John estava na recepção.

"Boa noite…"

"Boas… então pensaste no que te disse?" – perguntou o John.

"Pensei… mas para ser sincero de nada me serviu…" – ele disse com pesar.

"Como assim?"

"Simples o esquecimento é o caminho para eu seguir… porque não consigo ver mais nenhuma opção…"

"Claro que não vês… se visses não teria piada."

"O que queres dizer…"

"Syaoran, sabes porque a vida tem piada do jeito que é?"

"A vida não…"

"Claro que tem… O bom da vida é superar os obstáculos… O que te disse hoje de manhã, se a resposta fosse fácil que tu a descobrisses num só dia… A vida não seria divertida…" – ele disse sorrindo – "O bom da vida é lutar pelo que se quer, superar os obstáculos… buscar todas as respostas e seguir a melhor…."

"Eu já o fiz…"

"Mas tu não escolheste a melhor opção… escolheste a mais fácil…"

"Se a mais fácil for aquela que evitará a dor e as alucinações… então é essa que escolho…"

"Alucinações? Quem te diz que isso irá parar… quem te diz que não irá ser pior…"

"Porque se esquecer não verei o que não posso ter…" – ele disse seguro de si mesmo.

"Achas mesmo que é assim que funciona?"

"Sim… Porque motivo a teria isto durante todo o dia…"

"Quem te diz que não a viste realmente… que não se passava de uma alucinação…"

"Porque ninguém pode ser assim tão perfeito…" – ele disse reconhecendo o que realmente sentia.

"Achas que não? Para mim a Maki é o der mais perfeito…"

"John a tua opinião e conselhos são muito bons mas não se ajustam ao meu caso…"

"Ajustam pois… eu já fui tu…" – ele disse retirando-se para o interior da recepção. Deixando o Syaoran sozinho com os seus pensamentos.

Todas as vezes que falava com o John fica mais confuso do qual seria a melhor decisão a ser tomada. Ele tinha entrado na pensão decidido a esquecê-la mas 5 minutos a conversar com ele e já não tinha tanta a certeza que estava a ir pelo caminho correcto. Já não sabia mais nada…


Uma semana depois

Nunca antes a Sra. Maki e o seu marido tinham visto algo assim. Dois hóspedes que se evitavam como a peste. Fugiam, e quando isso não era possível discutiam. O mais engraçado, era por mais que tentassem evitar terminavam sempre juntos.

Mas para a Sakura e o Syaoran a situação que lidavam diariamente tinha tudo menos piada, era muito constrangedor ter que estar na presença um do outro constantemente. No campus era um facto, mas conseguiam-se evitar mais que ali. Durante a primeira semana para além de se evitarem conseguiram estabelecer alguns conhecimentos com outros hóspedes da casa, pena que o grupo de amigos que se formou era comum.

Antes de sair do quarto naquela manhã a Sakura escutou atrás da porta, para ver se ouvia algum ruído. Escutou a porta em frente abrir e depois fechar, e os passos a afastarem-se no corredor. Esperou dez minutos antes de sair. Este comportamento já fazia parte de uma rotina, todas as vezes que estava no seu quarto e precisava de sair. Era o único método seguro que conseguiu arranjar para não se encontrar com o Syaoran. Podiam-lhe chamar paranóica ou mesmo doida, mas ela não queria uma repetição do seu segundo dia. Quando a primeira coisa que viu ao sair do quarto foi o Syaoran semi-nu para ir para a praia. Uma imagem que tentou apagar desde esse momento mas sem sucesso. Essa imagem juntou-se a todas as outras que ela tem guardadas do Syaoran, principalmente da altura em que tomou conta dele. Quando a situação não era complicada, mas não como era no momento.

A Sakura saiu do seu quarto, desceu as escadas silenciosamente, de maneira que ninguém a ouvisse e pudesse sair sem ser apanhada. Estava quase ao pé da porta quando…

"Não vai comer nada?" – perguntou a Sra. Maki.

"Ah bom dia… Não, não tenho fome…" – ela disse sorrindo.

"Sério? Mas estão à sua espera na sala de refeições…"

"Poderia dizer que eu sai…"

"A fugir?"

"Não… Quero apanhar sol… Até logo…" – ela disse saindo a correr da pensão antes que a Sra. Maki dissesse algo que a fizesse mudar de ideias.

Ao regressar à sala de refeições, reparou que todos os convidados estavam a comer e a divertir-se excepto um. Apesar de estar inserido num grupo, sorrindo, o sorriso não chegava aos olhos.

"Nikki… Não precisas de ir acordar a Sakura…."

"Não? Ela já aí vem…" – ela disse excitada com a hipótese de ter sua mais nova amiga com ela. A Sra. Maki reparou que ao dizer o nome da Sakura o Syaoran ficou mais tenso, até um pouco nervoso.

"Não ela já foi para a praia…"

"Sem comer?" – perguntou

"Não esqueci-me que ela desceu mais cedo… E já foi para praia… Depois vai ter com ela…"

"Claro que vou… ela é um máximo…" – a Nikki disse sorrindo.

"Aliás porque não vão todos… divirtam-se a Sra. Maki incentivou não tirando os olhos do Syaoran.

"Eu hoje não vou poder ir." – ele disse.

"Porquê…?"

"Tenho uns assuntos a tratar. Desculpa Mike." – ele disse levantando-se e saindo da sala de refeições.

Ao passar pela Sra Maki ouvi-a comentar – "Fugir não é a melhor opção."


Mais tarde na praia

A Sakura estava sentada a olhar para o mar, quando sentiu a presença de alguém sentar-se ao seu lado. Sabia de quem se tratava mas não queria falar. Iria só estragar o momento.

"Oi…"

"Bom dia Nikki…"

"Mou Sakura… O que se passa contigo… tu não podes ser assim tão séria…" – ela disse fazendo beicinho por não estar a receber atenção.

"Desculpa Nikki, estava só a …."

"A admirares o mar ou esqueceres a vida?" – ela perguntou olhando para a Sakura.

"Ambos…" – ela disse sorrindo.

"Têm o mesmo sorriso…" – a Nikki disse pensativa.

"O quê?" – ela questionou.

"Nada…" – ela disse sorrindo, dentro da sua mala tirou um embrulho – "Toma."

"O que é isto?" – ela perguntou curiosa abrindo o embrulho.

"Um bolo Come… Foi feito hoje de manhã…"

Não era preciso dizer duas vezes. – "Ele tinha razão…"

"Quem?" – perguntou a Sakura depois de terminar de comer o bolo para não se engasgar.

"O Syaoran…." – a Nikki disse observando a sua reacção. Primeiro ficou paralisada, os olhos abriram-se, ao seu redor havia uma aura de nervosismo.

"O que tem?" – ela perguntou quando conseguiu voltar a falar.

"Ele disse que…"

"Sim…" – a Sakura instigou como se não fosse muito importante.

"Apesar da Sra. Maki ter dito que já tinhas comido, de facto tu não o fizeste." – ela disse – "Como é que ele soube? Porque não quiseste tomar o pequeno-almoço?"

"Preferi vir olhar para o mar… é tão bonito… E está-se tão bem aqui…" – ela disse sorrindo.

"Sim está… Mas ainda não me respondeste à outra pergunta."

"Que pergunta?" – ela fez-se de desentendida.

"Como o Syaoran sabia que não tinhas comido…" – ela disse.

"Oh isso?"

"Sim isso. Como?" – ela continuou a insistir.

"Ainda não tinhas reparado que lê muito bem as pessoas, foi só isso." – ela disse.

"Só isso?"

"Sim… o que pensavas?" – antes de lhe dar tempo de responder fez-lhe outra pergunta – "Onde estão os outros?"

"Sabes como são muito preguiçosos… devem estar a vir…" – ela disse com um sorriso despreocupado – "Eu vim… porque queria ter a certeza que estavas bem…"

"E eu estou bem… como podes ver…"

"Pode ser parvoíce minha mas ás vezes pareces tão triste… como se carregasses um mundo às costas…"

"haha.." – ela riu-se da percepção que a Nikki tinha dela – "Não é nada disso… Bem vamos aproveitar a água antes que cheguem e façam a confusão do costume…?"

"Sim…" – disse a Nikki puxando a Sakura por uma mão, não a deixando terminar de tirar a roupa. Ambas entraram de calções dentro de água.

Estiveram as duas sossegadas dentro de água, a sentir as ondas e os peixes, quando reparam que o seu grupo estava a chegar. Era um grupo pequeno em comparação ao que a Sakura estava habituada. Era constituído por 7 pessoas, 4 raparigas e 3 rapazes.

Antes que chegassem ao local que a Sakura tinha escolhido nessa manhã para observar o mar, já a Sakura e a Nikki estavam lá, a prepararem-se para se secarem sob o Sol resplandecente que estava nesse dia.

"Bem… bem… se não são duas pessoas desaparecidas."

"Bom dia Pedro…" – disse a Nikki secamente, ela não sabia o que era mas algo nele a deixava de mau humor.

"Nikki não vale pena ficares chateada comigo por eu…"

"Pedro não vais dizer nada de interessante por isso cala-te…" – disse a Ana.

"Hey…" – ele reclamou.

"Onde está o Mike?" – perguntou a Nikki.

"Não sei, disse que vinha mesmo atrás de nós…" – disse a Sara

"O Syaoran não quis vir novamente…" – disse a Ana com pesar. A Sakura ficou tensa com o tom de voz nela e na sua cabeça passou várias coisas, mas a que deixou admirada foi "Recolhe as garras ele é meu", ela de imediato apagou esse pensamento.

"Bem ele lá deve ter os seus motivos…" – disse a Nikki – "Mas acho que…"

"Olhem só quem encontrei…" – disse o Mike ao chegar perto do grupo

"Syaoran…" disse a Ana toda animada indo logo ter com ele – "Pensava que tinhas coisas para fazer…"

"Pois… Despachei-me…" – ele disse não tirando os olhos da Sakura.

"Sakura assim vais virar lagosta…." – disse o Pedro – "Deixa-me pôr-te protector solar, para proteger a tua pele delicada…" – antes que ela pudesse recusar e pedir à Nikki ou à Sara, ele já estava a colocar o creme, e massajar as suas costas.

Aquela situação deixou-a desconfortável. Ela odiava que lhe tocassem e o Pedro tinha uma certa reputação de ser só mãos. E de facto o que ela estava a sentir era mais do que somente aplicação de creme. Quando ele começou a descer para começar nas pernas, a Sakura levantou-se, fazendo com que o Pedro se desequilibrasse pegou na mão da Nikki e começou a andar ao longo da praia.

"Desculpa ter-te arrastado dali, assim… era isso ou o Pedro ia para o hospital…" – ela disse.

"Por mim não há problema, mas porque não disseste nada? Podias ter-me pedido…"

"E achas que ele dá tempo? Nada disso… é tão irritante…"

"Acho que não devíamos ter saído de lá…"

"Queria só ver se fosse contigo…" – a Sakura disse

"Comigo isso não aconteceria…"

"Pois pois… Isso era o que tu querias…"

"Retira o que disseste…"

"Nem pensar…" – e começou a correr a fugir da Nikki.


Dois dias mais tarde – 23 horas

A Sakura estava a ler um livro de forma a evitar que adormecesse. Estava a dois capítulos do fim e queria saber como terminava. "Desculpas…" era o que ouvia na sua mente.

Sakura PdV

O livro realmente é muito interessante.

"Então o que aconteceu nas últimas 20 páginas?"

"Tu outra vez… Pensava que me tinhas deixado de vez…"

"Como te posso deixar se sou tu… Mas diz lá o que aconteceu nas últimas páginas."

"Bem... ele… bem… ela… Bem… Não tens nada a ver com isso."

"Não sabes porque não estás a fazê-lo concentrada… Porque estás a utilizar o livro como escape como forma de te manter acordada…"

"Não é nada disso… Eu quero terminar de lê-lo hoje…"

"Desculpas… Desculpas… Não mintas… Admite que ninguém te pode ouvir o que realmente estás a fazer…"

"Eu estou a ler um livro…"

"Estás mesmo?" – a voz questionou duvidosa.

"Estou… e o que aconteceu foi-" – parei abruptamente ao ouvir passos no corredor.

"Então não respondes… Ou estás de facto à espera que ele chegue…Afinal ele ainda não voltou…"

"Não é nada do que possas estar a pensar eu só…"

"Tu o quê? Queres saber a que horas ele chega… estás preocupada…"

"Não… oh quem eu quero enganar… Processa-me…"

"Porquê haveria de o fazer… Estou feliz demais para o fazer… Admitiste que te preocupas com ele… que gostas dele… que o amas…"

"Opa… 'Pera aí eu posso estar preocupada com ele… mas daí a gostar dele… amá-lo… vai uma grande distância…"

"Continua a iludir-te… E vais perder…"

"Cala-te não sabes do que falas, eu n-"

"São passos o que ouço…Dois pares… Era a voz da Ana? Não é a port-"

"Cala-te…" – disse ao ouvir atentamente. Escutei a voz da Ana e o som do seu riso insuportável, asqueroso, falso, repulsivo… "O que está a fazer…"

Ouvi quando os passos pararam em frente da porta do meu quarto. Ansiosamente esperei para ouvir se batia, que a Ana tinha vindo para falar comigo.

Eu não sou cega. Vi os olhares e os toques que roubava do Syaoran, tentar pendurar-se nele. Vi como ele não ficava incomodado. Então porque me incomoda.

"Eu já te disse…"

"Ela vem falar comigo… Porque eu estou perto dele… é isso…" – tentei-me convencer. Mas de nada serviu porque o som que veio foi algo que esperava nunca ouvir, que não queria ouvir. Era algo que me deixou devastada… com o coração despedaçado.

Uma vez que estava encostada à porta consegui ouvir tudo o que se passou, ouvi o som de um riso abafado. Um riso que conhecia bem demais, um riso que me perseguia nos sonhos. Mas nos meus sonhos o riso dele acompanhava o meu, e não o dela. O pior foi quando o ouvi a destrancar a porta e a dizer "Não faças barulho… A Sakura pode estar dormir…"

A resposta dela foi tão insípida e desprezível que me apeteceu abrir a porta "Porque te preocupas com ela…? E como sabes que ela está no quarto… pode muito bem-estar com o Pedro." – a voz da Ana estava cheia de veneno, só perceptível por quem conhece o tipo de veneno que estava utilizar. Veneno feminino.

"Ouvi-a chegar, antes de ir ter contigo. E não é que preocupe com ela…" – ouviu afirmar e podia até ver o brilho divertido nos seus olhos – "Mas não a quero ouvir a dizer que a acordei deliberadamente…"

Não consegui ouvir mais porque a porta foi fechada. Esperei pelos passos dela irem embora. Mas nunca apareceram.

"Perdeste-o…" – a voz disse, e a única coisa que queria era desaparecer no mundo.

Não podia ficar ali perto dele… Saber que estava acompanhado.

E por isso saí do meu quarto…

Fim de PdV


Com o Syaoran

Depois do jantar o Syaoran recolheu-se no seu quarto até ter recebido um telefonema da Ana a convidá-lo para sair. Realmente o que ele queria era descansar, mas não podia desperdiçar mais uma hipótese de a tentar esquecer.

Ao descer viu o ar reprovador que o John lhe lançou, mas não fez muito caso. A vida era sua ele tomava as decisões. E a decisão que tomou era sair com a Ana e divertir-se. Sabia de antemão que a Sakura estava no seu quarto e não iria sair, não fazia parte da sua rotina.

Agora ele podia relaxar e afastar-se dela o tempo suficiente. Estava descansado que ela iria descansar até ao dia seguinte sozinha.

A saída com a Ana tornou-se bastante proveitosa, ele teria que ser cego para não ver os avanços dela, a forma como se atirava a ele. Noutra ocasião teria dispensado, mas no momento precisava da atenção. Dependia dessa atenção para tirar da sua cabeça a dona do par de esmeraldas mais bonito que ele já tinha visto. Não podia dizer que não se tinha divertido com ela, pois fê-lo, mas não podia dizer que tinha sido a saída ou tempo mais bem aproveitado na sua vida. A Ana era uma miúda fútil, do género que ele só suportava quando a sua mãe lhe imponha. Não era nada que se comparasse com a Sakura.

Quando começou a compara as duas, foi quando bebeu a primeira cerveja.

Ao regressar à pensão a Ana fez-se de convidada para o seu quarto. Aliás teve a insinuar-se toda a noite para que tal acontecesse. O Syaoran acedeu, não por querer o que iria acontecer, somente talvez para prolongar a conversa mais um pouco, a companhia sabia-lhe bem.

Quando chegaram ao corredor. Ela começou a rir-se como uma histérica, como se quisesse acordar alguém. Ele fez-lhe sinal para que fizesse pouco barulho.

Ele devia saber melhor que raparigas como ela tem tudo que querem, e começou a fazer-lhe cócegas.

Syaoran PdV

Para ser sincero a sua companhia está a enfastiar-me, mas não a posso tratar mal. Não é digno. Eu podia ter recusado o convite, mas não, aceitei, agora tenho que levar tudo até ao fim.

Quando a ouvi a começar a rir histericamente, o meu maior medo foi que a Sakura abrisse a porta e nos visse.

"Estás a comportar-te como um ladrão porquê? Não deves nada a ninguém… e muito menos à Sakura… Como continuas a dizer repetidamente."

"Cala-te é por respeito…"

"Respeito uma ova… Vais conseguir ir até ao fim?"

"Cla-" – não consegui terminar de responder quando a senti fazer-me cócegas.

"Não faças barulho… A Sakura pode estar dormir…"

"Porque te preocupas com ela…? E como sabes que ela está no quarto… pode muito bem-estar com o Pedro." – a voz da Ana estava tensa, com uma emoção que não conseguia descodificar.

"Acertou na mosca… Pode ser loira… mas não é burra…"

"Ouvi-a chegar, antes de ir ter contigo. E não é que preocupe com ela…" – disse com indiferença – "Mas não a quero ouvir a dizer que a acordei deliberadamente… Já me basta as outras coisas que discutimos."

"Tens muita consideração por ela…" – ela disse tirando o casaco e sentando-se na cama ao meu lado.

"Não é isso…"

"Eu não sou cega. Mas paciência… vamo-nos divertir… e ela vai acabar por descobrir… não é S-" – finalmente me apercebi onde ela queria chegar. Eu não queria, pelo menos não com ela. Era oferecida demais. E com a Sakura mesmo no quarto ao lado. – "Não te preocupes com nada… deixa que a Ana tome conta de ti… Vou fazer-te esquecer de tudo…"

Mas eu não quero esquecer. Não a quero esquecer. Ao sentir as mãos dela no meu cabelo, segurei-lhe os pulsos e afastei-a ligeiramente de mim.

"Sy…"

"Sai."

"Mas eu pensei…"

"Pensaste errado, sai do meu quarto. Não quero isso contigo." – a última palavra pronunciei como se fosse uma praga. Com isso reparei que o sorriso caiu.

"Já sabia que era bom demais… Pensar que te podia fazer esquecer da doce Sakura… Mas se pensas que ela é doce e pura… estás enganado… Com certeza que ela e o Pedr-" – ela continuou não se dando por vencida. Cada palavra que ela dizia, mais me fazia ver o erro que ia cometendo.

"Cala-te e sai… antes que faça algo que me arrependa depois…"

"Ela…"

"Lava a boca antes de falares dela…" – peguei-lhe no braço e arrastei-a porta fora – "Esquece que alguma vez saímos. Pois é mentira… foi uma ilusão idiota…"

"Tu és um imbecil…" – ela gritou, vi ao fundo do corredor a Nikki a rir como se tivesse visto a coisa mais hilariante do mundo.

"Miúdas…"

"Finalmente."

"Finalmente o quê?"

"Finalmente chegaste à conclusão que não a queres esquecer. Isso é um passo no caminho certo…"

"Eu nunca…" – veio-me à memória o pensamento que tive quando a Ana disse que me iria fazer esquecer.

"Gato comeu-te a língua…?"

"Não… não vou negá-lo mas não há nada que eu possa fazer… Posso não a querer esquecer… Voltar a estar com ela como outra estive… Mas não quer dizer que isso vá acontecer…"

"Não vai acontecer se continuares como estás… a deixares as oportunidades passarem… a deixar o tempo passar… a aumentar a distância… Isso sim vai fazer com que a percas para sempre…" – a voz as palavras doíam. Eu estou tão cansado de tentar.

"Eu já tentei… não existe o caminho para isso… A decisão de não a esquecer só me trará trazer sofrimento"

"Sofrimento que estás a aceitar… A questão não é a quantidade de sofrimento que terás que sentir… Mas sim o que vais fazer para remediar a situação."

"Não há nada que eu possa fazer. Deitei tudo a perder. E ela tem um novo amigo…"

"Será…"

"È…"

Não ouviu nenhuma resposta.

"Não é?"

Fim de PdV

Depois de ouvir que o Syaoran estava acompanhado, e quem era a companhia a Sakura saiu do seu quarto. Não conseguia suportar estar lá quando a "festa" começasse, como a Ana tinha dito, para quem quisesse ouvir, ou não, por várias vezes o que iria fazer se conseguisse estar sozinha com o Syaoran. Não o queria ouvir dizer o nome dela. E por mais que o pensamento a repugnasse e quisesse dizer que estava louca, nos seus sonhos e pensamentos mais profundos, ela ansiava que ele dissesse o seu nome.

A voz que tantas vezes a atazanava o juízo quando o Syaoran estava incluído, estava estranhamente calada. Ela enfim compreendeu que voz era aquela. Era a voz do seu coração, que por diversas vezes lhe mostrou o que ela mais desejava, e que por razões diversas ela negava. Infligindo dor nela própria, despedaçando o seu próprio coração. Mas desta vez não tinha sido obra dela. Desta vez a dor tinha sido causada por quem ela tanto queria. Perder a confiança não é nada comparado a vê-lo, ou neste caso ouvi-lo com outra.

Só de relembrar as palavras dela faziam com que o estômago da Sakura se contorcesse, e que no caso, se ela tivesse jantado, vomitasse todo o conteúdo. Nunca conseguiu perceber como algumas raparigas podiam agir daquela forma. "Chamem-me antiquada, não interessa… Isso só deve ser partilhado na base do amor, e nada mais…" – ela pensou pela enésima enquanto continuava a olhar para o mar – "Pensava que ele era diferente… Pelo menos era assim que…Chega Sakura a escolha é dele… Tu não tens nada a haver com isso…Pode não ser o que parece…"

Tinha passado as últimas horas a martirizasse por algo que não conseguia controlar. E por mais que negasse e dissesse que não gostava dele, o estado em que se encontrava contradizia esse sentimento. A dor que sentia desmentia tudo o que tem dito constantemente. Por mais que dissesse para parar, as lágrimas continuavam a cair, a dor continuava a aumentar e a vontade de desistir a apoderar-se dela. A voz da sua mente tentava despertá-la do seu estado. A razão tentava fazê-la ver o quão equívoca ela podia estar, mas a Sakura já não tinha forças para alimentar ilusões. Para quê alimentar ilusões, quando se tem um coração partido para além de reparação, um coração morto. Por isso ela não escutava mais a sua voz.

Ou seria porque a dor era tão insuportável que não conseguia superar a barreira da dor para ser ouvida.

"Como ele pode ter tanto controlo sobre mim… Sakura pára ele não vale a pena…" – ao observar o mar parecia que este a convidava para entrar. Parecia que partilhava dos seus sentimentos e que queria acolher a sua dor, apagar o seu sofrimento, fazê-la esquecer tudo o que passou.

Levantou-se da areia e caminhou até à beira-mar, a água fria, não parecia fria, não lhe causava dor nem dormência onde tocava. Não fazia nada comparado à dor que o seu coração suportava e propagava por todo o seu corpo e lentamente foi entrando dentro de água.

Até que mergulhou.

O Syaoran nessa noite não teve um sono descansado. Só conseguia pensar no caminho e se a Sakura teria ouvido alguma coisa.

Os seus sonhos eram feitos de encruzilhadas que não davam acesso a lugar algum. Por mais que corresse, saltasse, caminhasse, nadasse nunca encontraria a resposta, nem teria um vislumbre da Sakura ao final de cada um dos caminhos.

Antes das 7 da manhã, já o Syaoran estava na sala de estar à entrada a olhar para a escada. A ver se a Sakura aparecia.

"O que estás aqui a fazer tão cedo?"

"Ahh…"

"Desculpa Syaoran não te quis assustar…"

"Não há problema…"

"Mas ainda não respondeste á miha pergunta…"

"Não consegui dormir…."

"Algo que te incomoda…"

"Pode-se dizer isso…"

"Presumo que a noite não tenha corrido bem…"

"Não…" – o Syaoran não conseguia articular mais palavras, até que algo dentro de ele acordou – "Tu disseste que há outros caminhos… que caminhos? Como chego até eles?"

O John olhou para ele e disse – "Depende da história e das complicações os caminhos são diferentes… Comigo foi simples bastou-me pedir desculpas… Mas algo me diz que contigo…"

"Não funciona…" – ele disse.

"É melhor contares-me o que se passou."

O Syaoran começou do princípio. Exactamente um ano, quando a sua irmã regressou, sobre como a conheceu e como a sua relação foi desenvolvendo até ao momento da ruptura devido à sua idiotice. Contou-lhe como a salvou, como ajudou o seu primo com ela a reconciliar-se com a prima dela. E como se reencontraram ali.

"Uma história e tanto. Nunca poderia imaginar que tal fosse possível." – ele disse – "A forma como a conheceste se contares à Maki, aliás se contares toda a história, vais vê-la a chorar. Ela adora esse tipo de histórias."

"Isso não me ajuda…"

"Pois não desculpa… Eu ouvi-te, e compreendi o ponto crucial, tu não confiaste na palavra dela, tu acusaste-a, e voltaste a acusar…."

"Mas salvei-a…"

"Pois foi…" – ele disse – "Como um verdadeiro herói dos romances… Mas alguma vez pediste desculpas?"

"Claro que sim…"

"Do que tu me contaste não pediste…" – ele disse – "E mesmo que o tenhas feito, na altura não sentias isso realmente. Não pediste desculpas. Só declaraste isso, se é que o fizeste."

"Então o que posso fazer…?"

"Pedir desculpas…"

"E se isso não funcionar…"

"Como sabes que não vai funcionar sem tentares?"

"Porque sei como ela é… Igual à minha irmã…"

"Pois mas tu não lhe vais pedir desculpas como irmão… E se não funcionar…" – ele ponderou a situação – "Vais desistir?"

"Não… Agora que descobri o que quero, não posso deixar ir…"

"Syaoran só ainda não percebi o que queres realmente?" – ele questionou. No relato do Syaoran havia algumas falhas.

"O mesmo que tinha antes, uma amizade." – ele disse sinceramente.

"Tu percorres grandes distâncias só por uma amizade…" – ele comentou.

"Eu percorro o que tiver de ser pelo que posso ter. Afinal antes desta confusão toda, a nossa amizade já tinha alguns limites."

"Limites?"

"Não ligue…"

"Contentas-te com pouco…"

"Se a Sra. Maki não quisesse nada consigo para além de amizade, nem nunca ponderar um possível futuro a dois, iria abrir mão?"

"Não.."

"Então entende…"

"Se ela não aceitar à primeira continua a insistir. Se realmente o queres, não deixes que nada te impeça…" – ele disse sorrindo – "E mesmo com os limites, é da natureza humana querer ultrapassá-los não desistas…"

"Vai ser muito…"

"Não digas faz…" – ele olhou para as horas – "é melhor irmos, o pequeno-almoço já está a ser servido."

Quando entraram na sala de refeições, o Syaoran reparou que a Sakura não estava presente. Sentou-se ao lado da Nikki que parecia ter visto passarinho verde de tão contente que estava. Reparou como a Ana estava zangada, apesar de já se estar a agarrar ao Pedro, como prémio de consolação. "Será que?"

"A Sakura?" – perguntou a Nikki.

"Não sei… pode ainda estar a dormir…"

"Não está…" – disse a Sra. Maki ao entrara na sala – "Acabo de vir do quarto dela. Ela não dormiu lá nessa noite."

O mundo parou, o sangue do Syaoran gelou dentro das suas veias e artérias, o seu coração caiu aos pés. "Não dormiu… Não dormiu… Não dormiu…" era tudo o que conseguia escutar.


Nota de autor:Wow...

O meu novo capítulo está aqui... devo-vos confessar que esta história não esta a ir de acordo com o que tinha planeado, uma vez que queria escrevê-la ao longo do meu curso, e visto faltar-me só um ano para terminar, e na história faltar escrever sobre três anos... mais uns quantos acontecimentos importantes... Mas não se preocupem pois vou escrever a história até ao fim conforme tenho planeado.

Espero que tenham gostado deste capítulo... e deixem uma review...

Beijos

Musette