vivx () – Obrigado pelo review... De facto nada de mal lhes irá acontecer, penso? Quanto a eles se acertarem tens que continuar a ler para descobrir...

lunamc – Obrigado pelo review... claro que o Syaoran gosta da Sakura afinal de contas eles se amam...


No capitulo anterior:

Quando entraram na sala de refeições, o Syaoran reparou que a Sakura não estava presente. Sentou-se ao lado da Nikki que parecia ter visto passarinho verde de tão contente que estava. Reparou como a Ana estava zangada, apesar de já se estar a agarrar ao Pedro, como prémio de consolação. "Será que?"

"A Sakura?" – perguntou a Nikki.

"Não sei… pode ainda estar a dormir…"

"Não está…" – disse a Sra. Maki ao entrara na sala – "Acabo de vir do quarto dela. Ela não dormiu lá nessa noite."

O mundo parou, o sangue do Syaoran gelou dentro das suas veias e artérias, o seu coração caiu aos pés. "Não dormiu… Não dormiu… Não dormiu…" era tudo o que conseguia escutar.


15- O Fim das Férias

"Syaoran… Syaoran…" – ele ouviu uma voz à distância, uma voz que parecia querer despertá-lo. Mas essa voz não era a que ele queria ouvir – "Vá lá Syaoran acorda… Se não acordares como vais ajudar a encontrá-la…"

"Encontrá-la…" – era a primeira palavra coerente que ele dizia desde que a Sra. Maki tinha dito que a Sakura não estava no quarto.

"Ah finalmente estás a chegar até ele… Boa Nikki…" – disse o Mike aliviado por ver algum tipo de resposta por parte do Syaoran, vê-lo paralisado era assustador. Apesar da notícia ter deixado todos preocupados foi o Syaoran que pior a recebeu. Eles negavam qualquer tipo de conhecimento prévio, mas pela sua reacção o Mike viu que havia algo mais profundo.

"Sim Syaoran encontrá-la…." – a Nikki continuou, ela não estava espantada por a Ana não estar minimamente preocupada com a Sakura – "Mas para poderes ajudar tens que te concentrar."

"Concentrar?" – ele repetiu.

"Sim concentrar…" – ela continuou – "Vamos lá Syaoran, para pudermos encontrá-la tens que te concentrar e acordar."

"Acordar…"

"Sim…" – a Nikki estava a perder a paciência, ela queria ir à procura da Sakura, mas não podia deixar o Syaoran assim. "Homens são tão imprestáveis." Ela continuou a falar com ele – "A Sakura pode precisar de nós…"

"A Sakura… A Sakura…Sakura… Sakura…." – ele repetiu o nome dela vezes sem conta.

"Hey estás a fazer progressos…." – disse o Mike abraçando a Nikki – "Ele disse quatro palavras seguidas, ele ainda só tinha dito uma…."

"Não Mike… Ele está em estado de choque."

"Como? Mas isso não ocorre somente com acontecimentos traumatizantes?" – ele questionou.

"Sim. E possivelmente para ele o desaparecimento da Sakura é um desses acontecimentos." – ela disse perdendo a paciência.

"A Sakura… A Sakura…Sakura… Sakura…."

"Eu não tenho tempo para isto…." – ela declarou.

"Nikki, não podemos ir embora e deixá-lo assim. Não é correcto."

"Mike quem falou em ir embora…"

"Tu…"

"Não eu disse que é uma perda de tempo… Tenho que tentar outra abordagem, uma que se adapte à urgência da situação."

"Que a-" – antes de terminar ele ouviu um smack. Ele nem reparou que a Nikki tinha alçado da mão, nem que tinha dado um estalo no Syaoran. O movimento foi tão rápido que só se deu conta quando ouviu o som – "Estás doida…?"

"Au…" – ele disse massajando a sua bochecha.

"Foi eficaz não foi…" – ela disse sem dar importância para o facto que tinha acabado de bater em alguém.

"Porque me bateste Nikki?" – o Syaoran perguntou olhando para ela de soslaio massajando a sua bochecha direita.

"Finalmente acordaste para vida." – ela disse puxando-o – "Vamos à procura da Sakura…"

"O que se passa com a Sakura?"

"Não sabemos…"

"Então porque temos que a ir procurar…?" – ele perguntou novamente.

"Porque ela desapareceu." – ao sentir algo a puxá-la para trás, melhor dizendo a impedir que ela continuasse o seu percurso até á porta – "Nem penses Syaoran concentra-te no que é importante encontrar a Sakura, depois podes entrar em choque à vontade." – ela disse continuando a puxá-lo.

O Syaoran abanou a cabeça, e concentrou-se tal como ela tinha sugerido.

"Muita bem, somo só quatro." – disse o Syaoran já a pensar numa forma de articularem os esforços – "Vamo-nos dividir e cada um escolhe uma zona."

"Eu fico com a praia disse a Nikki."

"Eu com a floresta…." – disse a Sara.

"Syaoran, eu e tu podemos dividir a vila."

"Okay…. Encontramo-nos aqui dentro de duas horas." – ele disse saindo a correr.

A Nikki não sabia porque tinha escolhido a praia mas parecia ser a escolha mais óbvia visto a quantidade de horas que a Sakura passava a olhar para o mar. Começou numa ponta e continuou a caminhar até ao lado oposto. Agradeceu por ser cedo e haver poucas pessoas na praia.

Ao aproximar-se de uma zona com rochas encontrou quem estava à procura, sobre uma rocha. Sentada a observar o mar. Ela subiu para a mesma rocha e sentou-se ao seu lado.

Não fez sinal algum, para a alertar da sua presença. Esperou que a Sakura, sentisse a sua companhia.

"Bom dia…" – ela disse com uma voz sombria.

"Bom dia? Bom dia?" – ela começou a disparatar – "Ela diz bom dia como se fosse a coisa mais natural do mundo…"

"O que se passa Nikki…?" – ela perguntou não tirando os olhos do mar.

"O que se passa? O que se passa?" – ela voltou a ter a mesma atitude.

"Já percebi que estás chateada. O que foi que eu fiz…"

"O que tu fizeste? Queres mesmo saber?"

"Nikki deixa de ser melodramática e desembucha de uma vez, não tenho o dia todo."

"Eu é que sou melodramática…? Tu é que desapareces no meio da noite… e eu é que sou a melodramática." – ela disse, falando mais para ela do que para a Sakura.

"E depois desapareci… Não é preciso esse alvoroço…" – a Sakura disse.

"É preciso sim…" – ela disse forçando-a a olhar para ela. O que viu não gostou, os olhos da Sakura estavam cansados, vermelhos e inchados. Havia traços de lágrimas na sua face. A sua roupa estava encharcada – "O que te aconteceu? Isso agora não interessa. O que interessa é que tu nos preocupaste a todos com essa proeza de desapareceres."

"Desculpa se te preocupei…" – ela disse uma nova lágrima escorreu-lhe pelo rosto.

"Não foi só a mim. Sabes o que é estar a tomar pequeno-almoço e ser dada a notícia do teu desaparecimento."

"Não se eu estivesse lá não seria dada como desaparecida…" – ela disse sarcasticamente, numa tentativa de aligeirar o ambiente.

"Engraçada… mas não estou com paciência para piadas…." – ela disse – "Desapareceres assim sem deixar um único recado. O que estavas a pensar?"

"Não estava…."

"Não o quê?"

"Tomei a liberdade de por uns míseros momentos não pensar." – ela disse sorrindo, o primeiro sorriso verdadeiro – "Sabes qual é a sensação de fazeres algo sem pensares? Sem ponderares nos resultados? Sem te preocupares com os outros? Simplesmente agires sem teres em conta as consequências?"

"Não… Mas sei como os outros se sentem quando agiste dessa forma." – ela disse.

"Diz-me uma coisa Nikki, alguma vez te sentiste pressionada a fazeres o que é certo. O que é o melhor para ti e para a tua família."

"Sim já, para fazer o que é certo para mim… o que é que isso tem ver?" – ela não estava a perceber onde ela queria chegar

"Tudo. Nunca na minha vida tive a liberdade de agir sem pensar. Ou de fazer o que fosse só por isso mesmo fazer… Na minha vida há sempre uma razão para tudo… tenho sempre que estar bem para assegurar os interesses da minha família, mesmo que vão contra os meus…" – ela disse – "Tem piada, como isto vai acabar…"

"Isto o quê?" – o discurso da Sakura estava a assustá-la.

"O meu curso… sempre fui pressionada a fazer o melhor pela família, a maioria das pessoas que conheço são por interesses económicos. Para eles eu não passo somente de um número, um fim para fechar um contracto. Ter tido a hipótese de agir de forma tão livre… Senti-me bem. Senti que mando na minha vida…." – ela disse – "Esta noite senti como se a minha vida tivesse sentido… Um não muito agradável. Mas sentido" – enquanto falava chorava, mas não interrompia o seu discurso – "entendes agora…"

"Entendo que te sentes pressionada… Mas desapareceres, não é a melhor atitude, principalmente sem avisares ninguém. Ficámos todos preocupados."

"Todos?"

"Sim, eu, o Mike, a Sra. Maki, o John, quem ficou mais preocupado foi o Syaoran…"

"Pois claro…" – ela disse levantando-se e descendo da rocha.

"Sério… ele está preocupado…" – a Nikki disse descendo atrás dela.

"Claro que sim… isso foi antes ou depois de ter estado com a Ana? Espera como ele não está aqui não digas a Ana está a consolá-lo…"

"Sakura pára…" – ela disse – "Qual é a tua história com ele, pois não acredito que tenha sido ódio à primeira vista…"

"Foi…" – e a Sakura relatou a sua história com o Syaoran, sem saltar nenhum pormenor. Ela não conhecia a Nikki há muito tempo, mas ela parecia ser do tipo de pessoa que consegue guardar um segredo – "E ontem ele esteve com aquela coisa… Eu não podia ficar lá e ouvi-los. Então saí… e vim para aqui… tive aqui a noite toda. Pensei, e cheguei à conclusão do porquê me incomodou tanto. Tenho saudades de falar com ele… Mas suponho que ele não sente o mesmo."

"Como sabes Sakura? Pelo que disseste a tua relação com ele nunca tinha sido desse género. Então porque te sentiste assim?"

"Não sei… Só sei se o ouvisse seria pior para mim… iria sofrer mais… eu precisava de um escape… e encontrei-o no oceano." – ela disse – "Por momentos parei de pensar completamente. Entrei dentro de água e mergulhei. Mas subitamente lembrei-me de algo, sou uma vencedora, nunca desisti de nada por mais difícil que fosse. Eu sempre enfrentei tudo e todos. Não ia começar a ser cobarde agora."

"Que susto me pregaste agora. Tu quando paras de pensar paras mesmo…"

"Paro, de certo modo, fez-me bem. Reavaliei tudo o que se tem passado na minha vida ultimamente." – ela disse – "Alguns dos problemas que tive não foram causados só por ele. Eu também tive culpa. Isto já podia ter passado se eu não fosse tão teimosa…" – ela continuou – "Mas saber que ele não confiou na minha palavra, algo que já tinha falado com ele sobre. Foi um golpe que nem mesmo eu consegui suportar…."

"Sakura sabes eu ouvi-te agora é a minha vez…" – a Nikki disse – "Compreendo o quanto deves ter sofrido. Só eu sei o que passei quando vi o Mike com a ex-namorada dele. Mas isso agora não vem para o caso. Tu devias ter ficado."

"Para quê?"

"Para o ouvires a escorraçar a Ana… Para ouvires como ela ficou danada de lhe ser recusado o que ela mais queria. Ias vê-la hoje toda sobre o Pedro. Se pudesses ter visto tudo o que se desenrolou durante o pequeno-almoço, não estavas aí a dizer que o Syaoran não se preocupa contigo. Que não quer saber de ti…"

"E não quer…" – ela afirmou.

"Sakura, ele pode ter agido de forma incorrecta na maioria das vezes. Mas isso não invalida que ele se preocupa. Não invalida que ele não passou a noite com ela. Não invalida que neste momento ele está a percorrer todos os cantos da vila à tua procura." – ela disse – "Não invalida que apesar de tudo ele salvou-te… Não invalida que respeitou os limites que impuseste na vossa amizade."

"Não mas… ele só…"

"Sakura não estou a dizer que o perdoes assim que o vires, e que nem fiques chateada por o que ele te fez. Só não o crucifiques." – ela disse – "Pois ao fazê-lo… ao maltratá-lo, ao ignorá-lo, por mais que ele mereça a dor… tu não mereces sofrer mais do que tu já sofreste. E pelo que me contaste na tua vida não é passageiro, mas sim permanente. No que conseguires controlar, não seria melhor não sofreres propositadamente? Evitá-lo…"

"Sim… mas como… Eu só queria paz… e nunca o consegui…"

"Não desistas…" – a Nikki disse abraçando-a. Guiou-a de volta à pensão, onde a Sra. Maki esperava à porta.

"O que aconteceu Sakura?"

"Não ouvi o seu conselho…" – ela respondeu.

"Mas é a primeira vez que alguém volta neste estado por não ter seguido os meus conselhos. Nikki vamos levá-la para o quarto dela. Ela precisa de um banho quente e muito descanso."

Elas levaram a Sakura para o seu quarto. Enquanto a Sakura tomava um banho com água quente, a Nikki abriu-lhe a cama e a Sra. Maki foi buscar um chá.

"Deita-te Sakura…" – foi tudo o que a Nikki disse, enquanto a Sra. Maki lhe deu o chá.

Após beber o chá a Sakura queria levantar-se da cama. Mas a Sra. Maki não o permitiu. Forçou-a a deitar-se para descansar.


Com o Syaoran

Durante duas horas ele percorreu todas as ruas e becos da vila, passou diversas vezes pelo Mike, e pelas mesmas pessoas, mas sem sinal de quem ele procurava. Algumas vezes pensou tê-la visto, mas ao chegar perto viu que afinal era só uma rapariga com o cabelo semelhante ao dela. No Japão e na China seria tão mais fácil encontrá-la, uma vez que com o tom do seu cabelo ela era única. Aqui em todas as esquinas havia alguém com o tom de cabelo semelhante.

Ao final de duas horas, ele regressou ao ponto de encontro e sentou-se nas escadas de entrada da pensão a observar o mar à distância enquanto esperava pelos outros, com esperança que alguém tivesse alguma novidade.

"Yo… Syaoran… tu percorreste a vila toda…" – disse o Mike quando chegou – "Pensava que era para dividir pelos dois."

"Era mas… não consegui evitar…"

"Qual é a tua relação com ela?" – ele perguntou.

"Como assim?" – o Syaoran não percebeu a pergunta.

"Quem queres tu enganar."

"Huh?"

"Syaoran a tua preocupação por ela, não é de quem se conheceu à menos de uma semana? A forma como conheces os seus hábito não é só por observação, mesmo sendo um bom observador. Aliás as discussões e a forma como se evitam tem algo mais que se lhe diga?" – ele disse analisando todas as situações que tinha presenciado.

"Tem? Estás a ler demasiado as situações?" – ele disse.

"Estou? Será que estou? Compreendo que não queiras contar… Mas o que eu vi, todos os outros vêm. E que tu e a Sakura tiveram uma relação antes de virem para aqui. E pela forma como agem na presença um do outro, eu diria um relacionamento amoroso que acabou de uma maneira muito…" – ele procurou a palavra ideal para que definisse na perfeição a situação – "Desastrosa…"

"Não é nada disso."

"Então como é?"

"A relação não foi amorosa." – ele disse pensativo, continuando a olhar para o mar.

"Então houve uma relação com um fim desastroso."

"Podes dizê-lo assim."

"Então foi o assim porque…"

"Porque reajo da forma que reajo!" – ele disse.

"Sim…" – ele pressionou.

"Já alguma vez pensaste o que é perderes um amigo que te compreende melhor que tu próprio. Ver essa relação terminar com um fim desastroso, como tu disseste. Vê-lo todos os dias… é doloroso. Agora saber que desapareceu sem ninguém saber para onde é ainda pior."

"É capaz de ser devastador."

"E é… mas não julgues que é só isso…" – o Syaoran disse, ia acrescentar algo quando viu a Sara chegar – "Algum sinal dela?"

"Nenhum, aliás ninguém a viu… é como se tivesse desaparecido."

Os três ficaram sentados a olhar para o mar, à espera da Nikki, quando ela regressasse da praia teria que vir por ali, por isso não havia motivo de ir atrás dela.

Esperaram pelo seu regresso por mais de uma hora. O Mike tentou ligar para o seu telemóvel sem sucesso, estava desligado.

"Onde é que ela está…?" – a urgência presente na sua voz era palpável – "Devíamos ter ido aos pares. Agora ela também está perdida…"

"Mike não sabes isso…"

"Sara, a Nikki é sempre pontual. Nunca chegou um dia atrasada a nada. Em situações deste tipo era sempre a primeira a aparecer… Ela também desapareceu…" – ele disse – "O que vou dizer aos pais dela…"

"Ela pode só estar atrasada…" – a Sara disse,

"Ela desapareceu… desapareceu…"

"Quem é que desapareceu agora?" – perguntou uma voz por detrás deles.

"A Nikki." – o Mike disse sem se voltar.

"A Nikki?"

"Sim… Primeiro a Sakura agora a Nikki…" – o Mike disse levantando-se – "Tenho que ir à procura dela."

"De quem?"

"Da Nikki…" – ele disse. Ao prepara-se para ir em direcção à praia, quando sentiu alguém a segurá-lo – "Larga-me… Nikki. Tenho de ir procurar da … Nikki…" – ele disse, parando ao ver quem estava à sua frente – "Nikki…" – ele disse enquanto a abraçava – "Estava tão preocupado contigo…"

"Porque razão estarias?"

"Porque não apareceste à hora combinada. Estamos à uma hora à tua espera…" – ele disse. O Syaoran e a Sara olhavam divertidos para a situação, apesar do Syaoran ainda estar preocupado com o desaparecimento da Sakura. O que observava estava a aliviar-lhe ligeiramente a dor que sentia.

"Eu já cheguei à uma hora e meia. Estava lá dentro à vossa espera."

"Mas o local combinado era aqui…" – ele disse, não tendo gostado da aflição que sentiu.

"Mike, poderias ter entrado e perguntado, em vez de entrares em pânico…" – ela disse.

"És sempre a mesma, fazes sempre tudo à tua maneira e depois eu é que tenho que resolver as situações…" – ele disse zangado com a atitude dela.

"E tu és um insensível só a pensares em ti…"

"Não eu pensei em ti… e no que faria se tu desaparecesses?"

"Não, eu ouvi-te claramente. O teu problema era o que dirias aos meus pais, uma vez que foste tu que os convenceste a deixarem-me vir…"

"Mas também…" – ao olhar para ela sabia que tinha perdido aquela discussão, mais outra – "Esquece…"

"Pois vou esquecer…"

"Nikki…" – disse a Sara – "A tua busca teve algum resultado?"

"Procurá-la na praia foi a melhor opção."

"Uma vez que ela passa tanto tempo lá." – disse o Syaoran, terminando o raciocino dela. No fundo do seu coração ele sabia-o mas algo lhe dizia que era melhor outra pessoa ir procurá-la lá. Que ele só iria piorar a situação.

"E encontraste-a?" – perguntou a Sara aborrecida com aquela confusão toda. Quem diria que vir de férias com a sua prima iria ser tão cansativo. Ela só queria relaxar antes de iniciar a faculdade.

"Claro, caso contrário não estaria aqui…" – ela disse.

"Onde é que ela está?" – o Syaoran perguntou levantando-se automaticamente.

"No seu quarto…" – antes que pudesse terminar já o Syaoran corria pelo o interior da pensão – "a descansar ela teve uma noite complicada… são sempre a mesma coisa precipitados." – ela disse abanando a cabeça.

"Tu disseste que ela teve uma noite complicada?"

"Sim Sara… teve… Estava uma miséria quando a encontrei…" – ela disse sentando-se ao lado da sua prima. O Mike sentou-se ao seu lado, pegou na sua mão e entrelaçou os dedos.

"Sabes isto está tirar a piada às nossas férias… é muito giro irmos de férias em grupo… mas quando éramos só nós os três divertíamo-nos mais, não havia brigas, nem assédios, nem preocupações… apenas relaxavam-nos…" – a Sara queixou-se.

"Sara não é assim tão mau…" – disse o Mike – "Tudo bem que não é perfeito, mas não nos podemos isolar das pessoas, temos que conviver uns com os outros e ajudar no que podemos…"

"Pois mas no caso deles ajudar é demais… eles não se entendem… são como um par de namorados no meio de uma briga… Porque não admitem de uma vez e…" – ela ia continuar a resmungar. A Nikki acalmou-a colocando-lhe uma mão sobre o ombro.

"Quando te apaixonares vais ver que não é assim tão fácil…" – a Nikki disse sorrindo.

"Eu vou para a praia…" – ela disse levantando-se.

"Foi assim tão complicado?"

"Sim…"

"Eu concordo com a tua prima…"

"Eu também… Mas sabes o que é o amor sem um pouco de drama…" – ela disse sorrindo, lembrando-se do que teve que sofrer no passado.


Entretanto

O Syaoran saiu a correr antes da Nikki poder terminar de dizer como estava a Sakura quando a encontrou. O importante para ele no momento era verificar com os seus próprios olhos que ela estava bem, não só para sossegar o seu coração, mas também para salvar a sua vida.

Ao aproximar-se do seu destino o seu coração começou a acelerar. Ao preparar-se para bater à porta hesitou.

Syaoran PdV

O que vou dizer…

O que vou fazer…

Só quero ter a certeza que está bem…

"Mas a Nikki já o disse…"

Mesmo assim preciso de a ver….

Fim de PdV

Preparou-se para bater à porta mas desistiu, não tinha a certeza qual seria a melhor maneira de terminar com a sua ansiedade. Colocou a mão na maçaneta, rodou-a ligeiramente, e ficou admirado quando ela cedeu.

Abriu a porta e entrou.

"Estava a ver que nunca mais aparecias!"

"Ahh…" – ele gritou agarrando o coração ao ver a Sra. Maki sentada numa cadeira ao lado da cama da Sakura.

"Não grites… ela acabou de adormecer."

"Como sabia que eu vinha?" – ele questionou.

"É óbvio. A tua preocupação desta manhã…"

"É óbvio?" – ele perguntou preocupado.

"Não te preocupes, por mim, ela não soube. Mas não achas que é a altura certa para se acertarem?" – a Sra. Maki disse – "Afinal, se continuarem assim só vão prolongar o vosso sofrimento."

"Eu sei… A questão é se ela vai aceitar…"

"Se o fizeres correctamente…" - a Sra. Maki disse ao sair do quarto.

"Qual é a forma correcta?" – ele disse no mesmo sitio em que tinha ficado ao entrar dentro do quarto.

Ao olhar para a cama ele conseguiu ver a sua figura.

Syaoran PdV

De alguma forma não consigo deixar de me culpar por isto. Algo me diz que foi eu o culpado.

"E foste…"

"Não estás a ajudar…"

"Eu nunca disse que tinha que te ajudar…"

"Então tens que me chatear?"

"Não… tenho a minha função é ajudar-te a veres a verdade."

"E qual é a verdade?"

"Que se tivesses feito um esforço para corrigires o que estava errado… para falares com ela… possivelmente ela não estaria ali assim…"

"Assim como?"

"Porque não te aproximas para ver…"

"Eu estou bem aqui…"

"Cobarde…"

"Não sou… Só acho que se ela fosse acordar e me visse perto dela…"

Não tive resposta. Estou a começar a ficar extremamente zangado com esta voz…

Fim de PdV

O Syaoran começou a aproximar-se da cama para ter a certeza que ela estava bem. O que viu deixou-o desesperado. Ela estava mais pálida que o normal, e aparentava um cansaço que nunca antes tinha visto.

Sentou-se na cadeira que dantes estava ocupada pela Sra. Maki, e observou atentamente a face da Sakura. Já a tinha visto dormir anteriormente, e sabia que ela mantinha sempre um sorriso no rosto. Naquele momento não havia traços desse sorriso. Estava com um ar tão cansado e pesado, como se tivesse passado a noite em claro.

Viu a mão dela sob o cobertor, e sem sequer pensar duas vezes se era errado ou não pegou na mão dela. Sentiu o quão fria estava. Colocou-a entre as suas duas mãos, para transmitir um pouco de calor. Ele só queria que ela estivesse bem. Que ela não tivesse dor. Que ela não sofresse. Não queria ser a causa da sua dor e do seu sofrimento.

Ficou a olhar para ela enquanto lhe aquecia a mão.

Não sabe como mas acabou por adormecer.


19 horas

O Syaoran entreabriu os olhos devagar. O que viu não lhe fazia sentido, estava a ver branco e uns fios do tom de caramelo. Sentia as suas mãos arderem, de tão quentes que estavam. Tentou libertá-las para retirar para esfregar os olhos, mas só consegui fazê-lo a uma. A outra não conseguiu. Algo impedia o seu movimento.

Ao olhar para a sua mão, viu outra sobre a sua, mais pequena, mas que cabia perfeitamente dentro da sua. Viu como os seus dedos estavam entrelaçados. E um sentimento de pertença começou a espalhar-se dentro de si.

Ao abrir completamente os olhos. A luz que entrava pela janela do quarto era pouca, como se fosse o fim do dia e a última coisa que se lembrava era de tomar o pequeno-almoço. "O que aconteceu?". Aos poucos começou a recordar-se de tudo o que se tinha passado no decorrer do pequeno-almoço, a notícia do desaparecimento da Sakura, mas existia entre essa lembrança e a próxima uma lacuna de 30 minutos, a seguir partiu em busca da Sakura, a conversa com o Mike, a chegada da Nikki, vê-la deitada na sua cama, de se ter sentado ao seu lado, de lhe aquecer a mão, a partir daí não se lembrava mais nada. Nem sabe se adormeceu por aborrecimento ou por cansaço.

"Aquecer a mão… Aquecer a mão… Aquecer a mão…" – era tudo o que se lembrava como de aquecer a mão ficou com ela entrelaçada.

"Como isso aconteceu…? Quando é que adormeci?"

Não conseguia responder ás perguntas. Também não teve tempo para ponderar sobre elas, uma vez que a sentiu mexer levemente. Soltou a sua mão, e rapidamente saiu do quarto.

Se tivesse sido um minuto mais tarde, a Sakura teria o visto a sair.

Quando a porta foi fechada, os seus olhos abriram-se devagar, olharam ao redor para ver onde estava. Devagar sentou-se na cama. Estava um pouco confusa sobre onde estava, que horas eram. Ao pegar na sua mão direita com a esquerda sentiu-a quente, o que a deixou mais confusa.

Mas não ficou assustada como deveria, visto não saber donde provinha tão agradável sensação de calor, de certo modo, estava confortada. Era um calor reconfortante, que se estendia até ao seu coração magoado e, no momento, gelado.

Sentia no corpo um cheiro estranho, que não lhe pertencia, alguém estivera ali. Fora nesse momento que reparou na cadeira, que outrora estava ocupada por alguém.

"O que aconteceu?"

Nessa noite o jantar foi mais taciturno do que era costume. Não houve jantar de grupo, nem brincadeiras, cada hóspede jantou com quem tinha vindo, e fê-lo da forma mais rápida possível. Era como se sentissem a necessidade de sair dali.

Porém ao jantar, houve duas mesas que ficaram vazias, e que nunca tiveram ninguém durante a refeição. Houve duas pessoas que faltaram. A Sakura e o Syaoran.


No dia seguinte

A Sakura desceu para o pequeno-almoço mais cedo do que era costume, mas queria ir o mais depressa possível para a praia. Sentir e ouvir o mar.

"Bom dia Sra. Maki…"

"Ah… Bom dia Sakura. Assustaste-me…" – ela disse levando a mão ao peito.

"Peço desculpa não foi minha intenção…"

"O que fazes a pé tão cedo? Mesmo para ti é muito cedo…" – ela disse com um sorriso.

"Quero aproveitar o dia que perdi ontem…"

"Não vais voltar a desaparecer pois não…"

"Não… E gostaria de pedir desculpa por qualquer transtorno que tenha causado." – ela disse – "Bem vou-me embora agora. Diga à Nikki, que estou no sítio do costume."

"Está bem querida… Diverte-te…" – ela disse.

A Sakura ao passar pela mesa da cozinha retirou uma maçã e levou-a como pequeno-almoço. Algo que ela sabia que não devia fazer.

Ao chegar à praia, a Sakura teve a oportunidade de ver o sol nascer completamente, enquanto comia a maçã. O céu começou a clarear, dos tons de azul escuros começou a ficar violeta, rosa, alaranjado quando viu o sol a aparecer no horizonte até que que o céu ficou azul.

A Sakura retirou a camisola que vestia e as suas sandálias, e caminhou para o mar. Ser a primeira entrar na água, como se desejasse bom dia ao mar, é um sonho. Ela aproveitou essa oportunidade, algo que não surge com muita frequência. Porém, essa não foi uma das suas ideias mais brilhantes.

Ao mergulhar pela primeira vez, sentiu uma dor lancinante nas pernas, e um mal-estar que não conseguiu explicar, era como se algo lhe tivesse revirado o estômago de pernas para o ar. Ela sabia muito bem o que iria acontecer a seguir. Ela não iria cumprir a promessa que tinha feito à Sra. Maki de não desaparecer, mas pelo menos desta vez não tinha sido de propósito. Ela iria afogar-se.


Com o Syaoran

Ao chegar à praia nessa manhã. Viu algo que não estava à espera, não havia ninguém ao longo da praia. Nem os habituais jovens que adormeciam depois de estarem nos bares a beberem a noite toda. Pode observar a imensidão a sua imensidão e a sua beleza. Mas algo não batia certo. Ele esqueceu esse pressentimento, aproveitando só aquele inicio de dia, que aproveitou para andar calmamente pela praia.

Notou que não fora o primeiro a chegar, ao ver uma mala e toalha ao pé da água, mas a pessoa a quem pertenciam, não estava por perto.

Olhou para o mar e foi então que viu alguém com dificuldades em regressar à praia.

"Parece que se está a afogar…" – nem teve tempo de pensar duas vezes, de imediato entrou dentro de água e nadou em direcção à pessoa.

Algo no seu interior lhe dizia que tinha que salvar essa pessoa não só por ela se estar a afogar mas algo mais. Quando chegou ao local onde parecia que a tinha visto, não avistou ninguém.

Subitamente sentiu pânico…

Mergulhou de seguida e a imagem que viu, era algo para o qual o seu coração não estava preparado.

Ele viu a Sakura lentamente a descer até ao fundo, o cabelo estava solto e flutuava ao sabor da corrente. Sem pensar duas vezes, ou regressar à superfície para respirar, nadou até ela. Todavia, não devia ser o seu dia da sorte, uma vez que todas as vezes que se aproximava dela, ela escapava por entre os dedos. Começou a sentir a necessidade de ar. E decidiu fazer mais um esforço, não iria permitir perder a Sakura assim. Preferia vê-la à distância do que perdê-la para a morte.

A única imagem no seu cérebro era o seu sorriso… O sorriso que ela lhe deu quando ele regressou e que ele estupidamente desprezou. "Só mais um pouco…"

Conseguiu alcançá-la, enlaçou os braços à volta da sua cintura e puxou-a para si. Começou a nadar de volta para a superfície. Ao ultrapassar a barreira que separa a água do mar da atmosfera, respirou profundamente, a falta de ar nos últimos instantes após ter alcançado a Sakura, provocou-lhe uma sensação de ardor na garganta. Mas não tinha tempo de tratar de si, tinha que retirar a Sakura de dentro de água.

Saiu dentro de água com a Sakura nos seus braços, sem nenhum tipo de reacção. Ele nem se importava que ela lhe falasse torto. Pousou-a na areia, e procurou sentir o seu pulso ou respiração. Ambos eram fracos. Iniciou massagem cardíaca e respiração boca-a-boca.

De imediato obteve resposta, com a Sakura a cuspir toda a água que tinha entrado, a sua respiração era ofegante, como se tentasse recuperar todo o ar que lhe tinha feito falta durante o período de tempo em que lentamente se afundava.

O que aconteceu a seguir deixou o Syaoran perplexo, ela abraçou-o como a uma bóia de salvação. E muito baixinho ele ouviu a doce voz, ligeiramente rouca, dizer "Obrigado…", sentiu água quente escorrer pelos seus ombros e sabia que ela estava a chorar.

"Desculpa…" – ele disse suavemente, passando as mãos pelas suas costas, de modo a confortá-la – "Desculpa por tudo…" – ele sentiu-a ficar tensa que nem uma estátua mas a relaxar e a apertar ainda mais o abraço – "Desculpa…"

Devagar ela começou a soltar-se ao ver ao longe o grupo a aproximar-se. Levantou-se lentamente sem fazer movimentos bruscos. O Syaoran notou esta mudança, e questionou-a com o olhar, mas ela não reparou, não estava a olhar para ele mas sim para algo que estava atrás dele. E foi então que viu, como todos se aproximavam.

"Sakura…" – disse a Nikki – "Já foste à água? E tu também Syaoran?"

"Sim…" – disse a Sakura tentando disfarçar um riso nervoso – "Eu não consegui resistir a água estava muito boa…" – ela viu claramente o olhar de desprezo e raiva que a Ana lhe estava a mandar apesar de estar pendurada no pescoço do Pedro.

"Ah… podias ter esperado por mim…" – ela disse novamente.

"Pois… sabes agora eu vou dar uma corrida para aquecer um pouco…" – ela disse saindo a correr antes que alguém se pudesse oferecer para ir com ela.

A Sakura correu o mais rápido que pôde para o mais longe que pôde. Apesar de ainda estar ligeiramente tonta devido á falta de ar no seu organismo, não parou de correr até que se sentiu cansada e sem forças para continuar. Quando se sentiu cansada parou e sentou-se na areia. Não quis pensar em nada. Nem no que ia acontecendo, nem no que viu. A sua fuga estratégica foi exactamente isso, ela não queria a companhia de ninguém.

Precisava de estar sozinha para ordenar os seus pensamentos.


Com o Syaoran

Ele estava sentado no mesmo local onde por breves momentos tinha segurado o corpo da Sakura, se fechasse os olhos ainda conseguia sentir o quão perfeito lhe parecia, como se moldava a si. Conseguia sentir as batias do seu coração contra o seu peito, a sua respiração no seu pescoço, as lágrimas a escorreram pelo seu ombro. Como ao ouvir a sua voz sentiu que isso a afectada, mas que deixou-a ainda mais reconfortada.

Os seus pensamentos estavam centrados na Sakura desde o momento que ela tinha ido correr. Não queria pensar no que teria acontecido se tivesse chegado uns minutos mais tarde.

"Syaoran…"

"…"

"Syaoran…"

"…"

"Syaoran…" – gritou a Nikki.

"Não precisas gritar, porém acho que te ouviram do outro lado do mundo…"

"È preciso sim… estou aqui há dez minutos a tentar falar contigo…"

"Agora tens a minha atenção… o que queres?!"

"Bem a Sakura já foi correr há duas horas… e ainda não voltou… será que podias ir procurá-la…?"

"Porque não vais tu?"

"Porque quando chegámos… parecia que estava a rolar um clima…" – disse a Nikki num tom de voz mais baixo.

"Clima? Que clima?" – questionou, começando a sentir a sua cara a aquecer.

"Não sei diz-me tu…? Estás a corar?"

"Não sejas tonta… é do sol…"

"Sei do sol…" – ela disse desconfiada – "Vá lá… conta-me o que se passou…"

"Duas horas disseste tu…?" – sem esperar pela confirmação levantou-se – "Vou ver se ela está bem…" – e saiu a correr.

"Ah não… essa não…"

"O que foi?"

"Mike… primeiro foi a Sakura que se esquivou quando chegámos… agora o Syaoran… assim não sei que o que aconteceu…"

"Não preocupes a tua cabecinha linda com isso… Vê-se que algo de bom aconteceu…"

"Sabes algo que eu não saiba?"

"Bem para começar ele foi atrás dela… à uma semana atrás ele diria para ires tu… e ia-se embora… isso é progresso."

"É tens razão… Esse asiáticos são muito complicados…" – ela disse deitando a sua cabeça sobre as pernas do Mike.


Com o Syaoran

O Syaoran inicialmente andou, até que começou a correr, de modo a afastar-se o mais rápido possível do local onde estavam a Nikki e o Mike, desde o incidente dessa manhã e ter sido interrompido, ele tinha sentido os olhos da Nikki a perfurarem-lhe a nuca. Era um olhar inquisidor, como se ela fosse um detective, à procura da resposta para resolver um homicídio, ele não conseguia lidar com aquilo, não quando estava tão confuso, esse era o efeito que ela tem nele.

"Nunca fugi de nada… Mas não…" – ele não conseguiu terminar o pensamento pois não queria admitir que tinha fugido de responder às próprias dúvidas que pairavam sobre o seu coração, e porque viu a Sakura sentada à distância.

"Pensei que tivesse ido para mais longe…" – ao olhar em volta viu que não havia ninguém. Olhou para trás e não viu ninguém num raio de 50 metros, estavam totalmente isolados, só ele e ela. Essa constatação vê-lo parar de caminhar. Uma sensação de nervosismo apoderou-se sobre ele, era como se voltasse a ser menino e ia falar com a menina de quem gostava, sentiu as palmas das mãos suadas, era como se tivesse medo de falar com ela.

Medo de falar ele não tinha. Mas as últimas conversas que teve com ela não foram as mais agradáveis.

Estava a 20 passos dela, tinha tempo de voltar para trás, mas não conseguia. Também não conseguia andar até ela, ao olhar para ela, não conseguia ver mais a jovem obstinada que tinha conhecido no inicio do ano, nem a jovem segura de si mesma e do seu futuro que cuidou de si, nem a jovem temerosa de um relacionamento mais sério, nem sequer a força da natureza que viu durante o resto do ano. O que viu foi simplesmente uma jovem que parecia perturbada com a vida, pensativa e triste.

Ele viu a Sakura sentada à beira-mar com os braços a abraçarem os joelhos, tinha o queixo sobre os joelhos, e olhava para o mar. Ele podia jurar que tinha visto uma lágrima. A noção que tinha, é que novamente ela se sentia perdida, como naquela tarde em que tinham decidido tornarem-se amigos. A memória desse dia, continuava viva dentro da sua mente, como por diversas vezes ele desejou poder voltar aquele momento e refazer tudo a partir desse momento.

Ao olhar para ela o seu nervosismo desapareceu, ele não podia continuar a fugir. Ao vê-la tão triste, decidiu arriscar e ir ter com ela, pois naquele momento o que mais queria era vê-la sorrir, abraçá-la e libertá-la da sua tristeza.

Em silêncio caminhou até ela e sentou-se ao seu lado.


Com a Sakura

Não sabia quando tinha começado a chorar, nem quando o sentimento de solidão se tinha apossado dela. Nunca antes se tinha sentido tão só. Poderia ser por estar numa parte da praia completamente deserta. Mas tinha a certeza que mesmo no meio de uma multidão se iria sentir assim.

Tentou livrar-se daquele sentimento, mas por mais que tentasse, ele simplesmente aumentava. A voz que ouvia sempre na sua mente, que ela já tinha identificado como a voz do seu coração, não a ajudava em nada "Eu avisei-te que irias terminar assim… sozinha… sozinha…", essas palavras pareciam simples, mas dentro dela provocavam um grande dano.

Mas subitamente o sentimento de solidão desapareceu gradualmente, a escuridão que a parecia envolver começou a dissipar-se, e em seu redor só existia luz. E a Sakura não se sentiu mais só.

Não conseguia explicar o que aconteceu, só se tinha sentido assim quando estava na presença do Syaoran. Não foi surpresa para ela, quando olhou para o seu lado direito e o viu sentado ao seu lado, mas isso não quer dizer que a sua reacção verbal fosse a melhor.

"O que estás aqui a fazer?" – ela perguntou com escárnio, como se a sua presença não fosse bem-vinda. Quando era o oposto.

"A Nikki incumbiu-me da tarefa de te vir procurar." – ele disse não parecendo afectado pelas suas palavras amargas.

"Não tinhas melhores coisas para fazer?" – ela disse indiferente.

"Por acaso não… Sabes gosto de aproveitar as férias para não fazer nada."

"Que eu saiba não te perguntei nada sobre como gostas de passar as férias… Acho que a Ana iria preferir que estivesses com ela… E tu também!" – a maneira como disse as palavras, a Sakura sabia que o ia magoar, e viu isso nos olhos dele.

"Se eu quisesse estar com a Ana, estaria." – ele disse do mesmo modo para a magoar. Ao olhar para os olhos dele, viu a ferida que abriu – "Mas não quero."

"Não era isso que parecia há duas noites…" – ela disse casualmente, tentando disfarçar a raiva que essa memória lhe trazia.

"Do que estás a falar?" – ele perguntou alterado, não gostando da insinuação.

"Queres que eu soletre? Muito bem… Sabes estar no quarto em frente ao teu já é mau suficiente, visto ter vindo de férias para tão longe, para te esquecer…" – ela disse, a sua voz começou agressiva, mas para o final ficou mais suave, estava a perder o seu raciocínio. Abanou a cabeça, para clarificar as ideias – "Poderias ter o tacto suficiente, para quando levasses alguém para o teu quarto fazeres pouco barulho ou não sei talvez ires para o quarto dela…" – ela não conseguiu controlar os seus sentimentos sobre isso e acabou por gritar com ele.

O Syaoran não soube como reagir, por isso deixou-se levar pelos seus instintos. – "E porque razão o faria… Aliás não tens nada haver com quem eu levo para o meu quarto…"

"Claro que não tenho, mas se isso interfere com o meu descanso, logo claro que tenho… afinal a voz esganiçada dela, não deixa ninguém dormir…" – ela disse – "Pensava que tinhas melhor gosto que ela…"

Com cada palavra que diziam, magoava o outro, era como se o clima que tinham vivido nessa manhã, depois de ele lhe ter salvo a vida, tivesse se extinguido.

"Não tens nada a ver com isso… Não sei porque vim atrás de ti…"

"Nem eu… aposto que a Ana, anda à tua procura…" – ela disse – "Oh espera ela hoje vinha pendurada no Pedro… Já se cansou de ti… Não deves ser assim tão bom… de facto deves ser muito mau…" – ela sorriu

"Não sabes do que falas… e se calhar… ela está só a aquecer para mais logo…" – ele disse com um sorriso malicioso, mas depressa se arrependeu das palavras, ao ver as lágrimas escorreram pelo rosto da Sakura. Não entendeu o porquê. – "Sakura…" – ele disse dois passos até ela, que ela recuou.

"Não me toques…" – ela disse, não sabendo porquê. Não suportava a ideia de ele ter estado com a Ana.

"Ouve-me…"

"Para quê… A última vez que o fiz tu e eu sabemos o que aconteceu… Não quero…" – o que ela dizia não fazia sentido.

"Eu não estive com ela."

"Não?" – ela perguntou as palavras da Nikki vieram-lhe à cabeça, mas ouvi-las da boca dele pareciam ser mais sinceras. Pareciam ser verdadeiras.

"Não… Mas o que isso te importa…" – ele deu dois passos na sua direcção, e ela não recuou o que permitiu que ele estivesse frente a frente com ela.

"Nada…" – a palavra que ela queria ouvir dele, fez todo o sentido para ela. Fez com deixasse de sentir um aperto no peito "Ninguém tocou no meu Syaoran… Meu desde quando…".

"Sakura…" – ao ouvi-lo chamá-la ela levantou os olhos e viu à sua frente, viu-o de perto pela primeira vez em meses, e reparou o quão cansado parecia – "Desculpa…"

"Hã?" – ela não estava a perceber o que estava a acontecer.

"Desculpa por tudo… Eu não sei o que me passou pela cabeça quando regressei… quando vi aquela imagem… Não consegui acreditar na tua inocência, nem mesmo com as palavras do Touya." – ele disse, ela ia dizer algo, mas ele levou dois dedos aos seus lábio para a silenciar – "Deixa-me terminar, ou não vou conseguir. Tu sabes que eu não sou bom neste tipo de coisas. Naquele dia quando o Allen veio para Tóquio e foi à tua procura, eu tinha planeado pedir-te desculpas, mas ele intitulou-se como teu noivo, o Touya não reagiu, e eu assumi o pior." – ele continuou, respirou fundo para recuperar o fôlego e colocar as suas emoções em ordem – "Depois vi a parte pior, quando ele te tentou… tentou…"

"Forçar…" – ela ofereceu, mesmo com os dedos do Syaoran sobre os seus lábios

"Sim… Eu não sei como me controlei… nem como depois fui tão mesquinho… Quando o que eu mais queria era abarcar-te e proteger-te como te disse que o faria. A partir daquele momento tudo o que tinha lutado contra, para conseguir a tua amizade no primeiro semestre, desmoronou-se à minha frente. Era como se tivesse perdido a oportunidade. Depois surgiu a oportunidade de trabalharmos juntos para reconciliar-mos os nossos primos, mas tu viste logo as minhas verdadeiras intenções." – ele disse, preparando-se para a parte final – "Tu nem imaginas o quão feliz eu fiquei de te ver no primeiro dia de férias, à porta do meu quarto. Principalmente quando não conseguiste mudar de quarto. Apesar de ter vindo para te tentar esquecer, consegui algo mais, consegui ver-te por outro prisma. Tentei falar contigo, mas todas as vezes que o fazia dava errado, aquela situação com a Ana…" – ele sentiu a mudança nela – "foi uma tentativa falhada de ter a tua atenção… Tudo o que fiz nos últimos 7 meses foi errado eu deveria simplesmente ter falado contigo… Desculpa-me…"

"Já acabaste?" – ela perguntou impaciente.

"Sim…" – a maneira como ela falou, ele interpretou como algo negativo.

"Tudo o que precisavas dizer era… Desculpa… nada mais… não precisavas de um discurso tão longo…"

"Sério…?" – ela acenou – "Desculpa… desculpa… desculpa… desculpa… desculpa…"

Ele repetiu a palavra enquanto a abraçava, ela deixou-se ser abraçada. Por mais que negassem tinham sentido a falta um do outro. Eles compreendiam-se como outrora ninguém os tinha compreendido.

Durante os minutos que se seguiram a seguir ele não a largou, queria ter a certeza que não passava de mais um sonho, que dentro de momentos o seu despertador não iria tocar.

Naquele momento não existia nada que pudesse estragar, a amizade recém-formada.

Ao regressarem para junto dos seus amigos, levaram o seu tempo, queriam saborear todos os momentos possíveis antes de chegarem, pois sabiam, que os momentos de liberdade e paz iriam terminar. Não tinham ilusões o que tinham que enfrentar pela frente.


Com os outros

"Ai… será que aconteceu alguma coisa?" – perguntou a Nikki ao Mike.

"Não decerto que eles estão bem… possivelmente a resolver as suas diferenças…"

"Sim…" – concordou a Ana, a voz dela não deixava dúvidas da raiva que sentia – "Afinal, a sonsa da Sakura acabou por conseguir o tempo que queria sozinha com ele… Patética…"

"Ana…" – disse a Sara – "Cala-te… Tu só estás mal-humorada, porque ele mandou-te ir dar uma curva…"

"Isso é mentira… ela vai-se contentar com as minhas sobras…"

"Tu és…" – a Nikki não terminou porque viu a Sakura e o Syaoran a aproximarem-se, conseguiu perceber pelos seus sorrisos, que algo tinha mudado.

"Ora… ora… a fuga foi boa…" – disse a Ana, implicando outras coisas.

Antes que mais alguém pudesse dizer alguma coisa, todos viram, como a Sakura abraçou o Syaoran e ele correspondeu ao abraço, a maneira como se abraçavam, sugeria intimidade.

"Tu nem fazes ideia…? Afinal de contas… ele correu contigo…" – ela disse – "Ele está numa liga superior à tua… ter-te beijado foi o suficiente para teres o gosto do que não podes ter…"

"O mesmo que tu não podes ter…" – ela disse, só depois se deu conta como o Syaoran a segurava, bem mais próximo, do que a ela quando se beijavam – "Aaargh…" – ela gritou e saiu a correr em direcção à pousada.

"Ana… espera…" – disse o Pedro correndo atrás dela.

"Acho que é a última vez que a vamos ver…." – disse a Sakura sentando-se ao lado da Nikki, com o Syaoran ao seu lado.

"Então é verdade?" – perguntou a Nikki curiosa. Aliás os restantes estavam bastante curiosos nunca tinham visto os dois tão brincalhões, nem tão confortáveis ao lado um do outro.

"Nikki… isso é para eu saber…" – disse o Syaoran. – "E para tu nunca descobrires…"

Durante o resto do dia a Nikki tentou constantemente descobrir a verdade sobre o que se tinha passado. Tentou vencê-los pela exaustão, mas não conseguiu… Porém aproveitaram o dia para se divertirem, como ainda não tinham feito.


Último dia de férias

Até ao momento da sua reconciliação, os dias demoraram a passar para o Syaoran e a Sakura, pareciam intermináveis. O que os tornava intermináveis era os sentimentos de saudades que sentiam um do outro, os ciúmes, as discussões. Contudo, após se terem reconciliado, e continuado a sua amizade desde o momento que antecedeu às férias do Natal, o tempo passou a correr.

Participaram em bastantes actividades, com o Mike, a Nikki e a Sara, mas o habitual, era serem só eles os dois a passearem na praia ou na vila. Ou ficarem simplesmente sentados à beira-mar a conversarem. Afinal eles tinham que recuperar o tempo perdido.

Ao recuperarem o tempo perdido, voltaram a ter a mesma ligação que outrora tiveram, assim como os sentimentos que reprimiram, durante todo o tempo em que não se falaram e enquanto a sua amizade crescia. Só que desta vez eram mais avassaladores. Mais que uma vez a Sakura não conseguia dormir à noite, para tentar domar os seus sentimentos e impulsos.

O Syaoran por seu lado, só nos seus sonhos conseguia ter o que mais desejava, mas enquanto acordado não poderia agir conforme o seu coração ansiava. Ter a Sakura para além da amizade, era impossível, ele não a podia pressionar, conhecendo a sua história de vida. Contentava-se só com os sonhos.

Nesse último dia que iriam passar somente uns míseros metros um do outro, a Sr.ª Maki, e o seu marido, prepararam uma surpresa para todos os hóspedes – uma festa na praia.

A Sakura estava a preparar-se para ir para a praia quando um furacão entrou no seu quarto derrubando-a pelo caminho.

"Sakura…"

"Alguém tirou a matrícula do camião?"

"Não é hora para brincadeiras, levanta-te do chão e despacha-te…"

"Para quê?"

"Compras, pois claro…" – só essa palavra fez a Sakura sentir calafrios a percorrerem-lhe a espinha.

"Para quê?"

"Para a festa de logo… temos que ficar de arrasar…" – a Nikki disse já pensando nos possíveis conjuntos que poderia comprar.

"Festa? Compras?" – ela repetiu não querendo acreditar no seu azar. Juntar essas duas palavras era um pesadelo para ela. "Porquê eu?"

"Sim… Anda vi um conjunto que te ficava a matar…"

"Nikki, olha bem para mim… Eu não preciso de roupa para festa. Eu já a tenho…"

"Não podes ir com esses trapos velhos…"

"Trapos velhos…?" – a Sakura olhou para ela com cara de espanto.

"Sim este final de verão precisas algo de novo…" – ela olhou para a Sakura e viu-a no mesmo lugar que esteve outrora – "Anda comigo e já vês."

"E a Sara? Porque não vais com a Sara?" – a Sakura disse relembrando-a da sua prima.

"Como sempre… Ela desapareceu… Mas tu vais comigo não vais?"

"Sabes Nikki eu…" – a Sakura começou a dizer, mas ao olhar a cara triste da Nikki, não conseguiu recusar o convite – "Está bem. Só tenho que…"

Knock Knock

Alguém bateu na porta de seu quarto.

"Estavas à espera de alguém…?" – perguntou a Nikki já arrastando a Sakura.

"Por acaso sim…"

"Olá Syaoran…"

"Nikki?"

"Sim… olha vou ter que te roubar a Sakura por esta tarde…" – ela disse não dando tempo à Sakura de falar – "Vocês vêem-se mais logo."

"Desculpa…" foi tudo o que a Sakura conseguiu dizer antes de desaparecer nas escadas.

"Aquela Nikki é doida…" – ele pensou para si próprio.


Naquela noite

"Syaoran…" – Mike disse distraindo o Syaoran do que estava a olhar, a imensidão do mar.

"Diz?"

"Viste a Nikki?"

"Não desde que ela arrastou a Sakura para fora da pousada no inicio da tarde. A tua namorada não é muito normal pois não?"

"Não é só isso, ela simplesmente não consegue ir a um festa sem estrear algo. Coisas de mulheres…" – ele disse – "Mas a Sara já está aqui."

"Elas foram só as duas…"

"Só as duas? Sem ninguém para parar a Nikki…" – ele disse mais para ele do que para o Syaoran.

"O que se passa?"

"De certo nada… De certeza que elas estão quase a chegar…"

"O que queres dizer?"

"Por vezes a Nikki perde a noção do tempo."

Finalmente o Syaoran percebeu porque o Mike estava tão nervoso – "Queres dizer que elas podem nem vir…?"

"Relaxa… A Nikki avisava-me se faltasse. E decerto que a Sakura não quer perder esta festa por nada."

"Porque dizes isso?"

"Porque elas estão neste momento a vir para aqui…" – o Mike disse olhando para trás do Syaoran.

Ao ouvir isto o Syaoran virou-se para trás, e viu a Sakura, para ele, ela estava simplesmente linda. Ela usava um vestido verde-claro, que mal chegava ao meio da coxa, ao vê-la andar parecia que o vestido flutuava, mas ao observar com atenção ele conseguiu ver que o vestido era bastante justo. O vestido estava suspenso por uma fina tira de tecido branco ao redor do pescoço. Ele poria a sua mão no fogo em como o vestido não tinha costas.

Ela usava umas sandálias brancas que se atavam ao redor da perna. Tinha o cabelo solto tal como ele gostava de ver, apesar de lhe parecer ligeiramente mais curto e ondulado.

"Boa noite…" – ela disse ao se aproximar deles, ela estava ciente que o Syaoran não tirava os olhos dela.

"Boa noite…"

"Sakura ainda não te…" – a Nikki começou a dizer mas viu que tinha companhia e calou-se.

"Nem te atrevas, afasta esse pincel de mim… ou eu vou-lhe dar um melhor uso…" – ela disse.

"Pincel?" – o Syaoran perguntou achando graça ao facto de a Sakura estar a esconder-se atrás dele, para fugir da Nikki.

"Sim… Ela tem um pincel do inferno… Ela está possuída."

"Vá lá Sakura não pode ser assim tão mau…" – o Syaoran disse.

"E não é eu só a quero deixar linda."

"Ela já o é…" – disse o Syaoran.

"Syaoran ela é pior que a Nakuru a ir às compras e a arranjar-se." – a Sakura disse.

"Sério?"

"Sim… Nikki, sério eu adoro-te… mas afasta isso de mim… Não quero que a tua última recordação minha seja…"

"Está bem… Mas última… Não me parece vamos divertirmo-nos nesta festa… todos juntos certo?" – ela disse, olhando para o local onde estava a Sakura momentos antes com o Syaoran.

"Nikki, seremos só eu e tu… Tal como todos os anos."

"Mas eu…"

"Querida acho que foi a última vez que os vimos nestas férias."


Com a Sakura e o Syaoran

"Obrigado por me tirares dali…" – ela disse.

"Sempre às ordens mademoiselle…"

"Já chega disso. "

"Oh mas estava a ser tão divertido…"

"Olha para mim a rir… Este dia não podia ter corrido pior."

"O que queres dizer?" – ele pensou que ela se estava referir a ele estar ao seu lado.

"È o último dia de férias, eu fui arrastada para as compras, quando o que queria era ter aproveitado o sol… contigo." – ela disse a última parte tão baixinho que e mal a ouviu.

"Sério…?"

"Claro o que pensavas que era?"

"Não sei… mas sabes realmente estás muito linda." – ele disse olhando intensamente para ela.

"Oh estás só a dizer isso por dizer…"

"Sério… Sabes acho que não te vou deixar sozinha um único momento…"

"Porquê?"

"Quero estar na presença da pessoa mais linda da festa…" – ele disse olhando intensamente para os olhos dela. Ela corou.

"Danças comigo?"

"Sempre…"

Durante toda a noite, ninguém conseguiu encontrar a Sakura e o Syaoran, sem ser eles mesmos. Divertiram-se naquela última noite, a dançarem e a conversarem, a passearem pela praia. Sem uma única preocupação, tudo podia esperar. O importante era o presente.

Quem os visse à distância pensaria que seriam um casal em fase de lua-de-mel, mas eles não eram um casal.

O fim da noite estava a aproximar-se, mais rápido que todos gostariam, uma vez que no dia seguinte cada um iria retornar a casa.

Porém antes da festa terminar começou a tocar uma música, que foi dedicada a todos os casais presentes na festa.

"Aproveitem bem… pois o Verão está a chegar ao fim…" – disse o DJ

Ao ouvir os primeiros acordes o Syaoran reconheceu a música e olhou para a Sakura.

"Dança comigo?"

"Mas é só para casais?" – ela disse um pouco envergonhada pelo pedido dele.

"A definição de casal pode ser só dois amigos a aproveitarem o tempo…"

"Está bem…" – ela disse pegando na sua mão e começaram a dançar bem juntinhos.

And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now

Ao longe a Sr.ª Maki e o seu marido viam-nos a dançar.

"Não te disse que eles se acertavam…?"

"Sim… Mas ainda não estão lá…"

"Dá-lhes tempo… que tal minha querida dançarmos?" – ele disse oferecendo-lhe a sua mão.

And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight

Ao ouvir os versos da música a Sakura sentiu o seu coração disparar, pois compreendeu o seu significado, que ia de encontro ao que sentia naquele momento. O que ela não queria era sentir a falta dele, naquela noite.

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

Discretamente o Syaoran aproximou a Sakura mais de si. Agora dançavam realmente como um casal de namorados.

Se fosse outra pessoa a fazê-lo a Sakura parava de imediato de dançar. "Isto está correcto… eu pertenço aqui…"

And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything seems like the movies
Yeah you bleed just to know your alive

O Syaoran sentiu a Sakura a aproximar-se mais dele. Sentiu-a a tremer, interpretou isso como um arrepio de frio.

Muito lentamente a Sakura olhou para ele, e leu nos seus olhos o que lhe ia no coração. Tudo o que tinham passado até ao momento tinha valido a pena se pudessem ficar assim nos braços um do outro.

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

Ao olhar para baixo o Syaoran viu a tonalidade de verde que adorava, o verde da imensidão do mar, que resplandecia agora no interior dos olhos da Sakura.

"És linda…" – ele pensou para si, porém não se deu conta que o disse suficientemente alto para ela ouvir.

I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

Ao ouvir o que ele disse a Sakura olhou dentro dos seus olhos, e sorriu enquanto corava.

Pela primeira vez a Sakura sentia, de certo modo, um sentimento de pertença, nos braços dele, a olhar para ele. Nada mais existia naquele momento sem ser eles os dois. Podia cair uma bomba, que eles não se iriam dar conta. A única coisa que importava era eles.

O Syaoran não conseguia desviar o olhar dela, e lentamente foi baixando a sua cabeça. A Sakura foi-se colocando em bicos de pés.

Não se tinham dado conta que tinham parado de dançar e que só estavam a ouvir a música e a olhar um para o outro. Muito suavemente, os seus rostos aproximaram-se enquanto fechavam os olhos. Os seus lábios tocaram-se, e trocaram assim o seu primeiro beijo.

Começou por ser algo singelo, só um roçar de lábios, mas esse simples toque despertou algo dentro deles. Talvez tenha sido o ambiente que os rodeava que os levou a aprofundar o beijo, ou talvez os sentimentos que nutriam um pelo outro. O que aconteceu foi que aprofundaram o beijo. Nesse momento já nem a música escutavam, só existia o outro e nada mais.

A Sakura teria caído se não fosse o Syaoran estar a segurá-la, o beijo deixou-a com as pernas bambas.

I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am

Começaram a quebrar o beijo quando a música chegou ao fim, abriram os olhos, e olharam um para o outro para ter a certeza que não tinha sido uma ilusão.

"I…" – Syaoran ia começar a dizer depois de recuperar o fôlego quando foi interrompido.

"Finalmente te encontrei…" – disse o Mike e a Nikki – "Interrompemos algo?"

O Syaoran queria dizer que sim, o que ele queria naquele momento era beijá-la outra vez, sem os olhares curiosos de terceiros.

"Não…" – a Sakura respondeu rapidamente – "Eu já estava de saída, foi um dia cansativo. Obrigado por tudo…" – ela disse e começou a caminhar em direcção à pousada.

O Syaoran seguiu-a com o olhar, queria acompanhá-la até ao seu quarto, mas sabia que ela precisava de uns momentos a sós.

"Não me digas que se chatearam outra vez."

"Nikki não sejas idiota, viste as suas caras? Eles não estão chateados… estão apaixonados!" – ele disse, a última parte só para ela ouvir.

"Mike, foi um prazer conhecer-te. Agora tenho que ir…" – o Syaoran disse.

"Tão cedo?"

"Sim amanhã tenho que me levantar cedo." – ele disse indo em direcção à pousada.

A Nikki viu-o a fazer o mesmo percurso que a Sakura tinha feito momentos antes.

"Será que os voltaremos a ver?"

"De certo modo acho que o nosso papel na vida deles chegou ao fim…"

"Não importa…" – ela disse beijando-o.


No dia seguinte

Quando o Syaoran saiu do seu quarto pela a última vez reparou que a porta do quarto da Sakura estava entreaberta, pousou a sua mala e abriu a porta do quarto, para ver se conseguia falar com ela.

Mas a única coisa que encontrou foi um bilhete direccionado para ele a dizer: Boa viagem…

O Syaoran pegou no bilhete e guardou dentro do bolso.

Estava pronto para regressar a casa.


Passada uma semana

Desde o seu retorno a casa, a Tomoyo tem achado a sua prima muito estranha, como se realmente não estivesse ali. Estava feliz e sempre a sorrir.

"Sakura…"

"Diz…"

"Então como foram as férias…"

"Maravilhosas simplesmente maravilhosas…" – a Sakura ainda estava sobre o feitiço do beijo e dos sentimentos que surgiram com esse beijo.

"Conheceste alguém…"

"Sim…"

"Quem?" – a Tomoyo estava curiosa para saber quem tinha conseguido alegrá-la tanto.

"Alguém muito especial…"

Era sempre assim que as suas conversas terminavam. A Tomoyo tentou todas as abordagens para descobrir o que se tinha passado nesse Verão, mas nunca conseguiu chegar a nenhuma conclusão, pois ou eram interrompidas, ou a Sakura simplesmente não lhe dava as respostas.

"Sakura porque não me dizes o que aconteceu?"

"Tomoyo…" – o tom sério que utilizou fez a Tomoyo prestar-lhe toda a atenção – "No momento que te contar tudo o que aconteceu, deixará de ser um sonho para passar a ser um acontecimento, que terei que conseguir lidar e esquecer. Deixa-me curtir a minha felicidade por mais um tempo…"

"Okay…" – ela disse puxando-a para o seu colo – "Conta-me mais sobre esse verão maravilhoso…"

"Foi um dos melhores Verões de sempre." – ela disse com um suspiro


Com o Syaoran

Desde que regressou do seu destino misterioso de férias, o Syaoran não saía do seu quarto sem ser para as refeições ou para o seu treino diário, porém havia sempre algo presente as suas feições estavam mais suaves e na maior parte do tempo um sorriso adornava a sua face.

Por várias vezes que o seu primo o apanhava com um olhar distante a olhar pela janela. Ele sabia que algo tinha acontecido para aquela transformação ter acontecido em somente dois meses. "Aposto que está relacionado com a irmã do Touya."

"Syaoran…"

"…"

"Fala comigo…"

"Não há nada para falar… Só espero que tenhas feito um bom trabalho."

"Trabalho?"

"Sim na empresa…"

"Oh sim… Mas não é disso que eu te quero falar. Como foram as tuas férias."

"Relaxantes…" – ele disse não entrando em detalhes.

"Só relaxantes?"

"Eriol fazemos assim eu não conto tu não perguntas."

"Nem penses. Eu fui submetido a tortura, para poderes ter estas férias. Tu vais-me contar o que aconteceu."

"Nada demais. Relaxei… Conheci pessoas…"

"Que pessoas?"

"Eriol tudo que precisas de saber é que me diverti, as férias foram maravilhosas."

"O que as tornou maravilhosas? Só por acaso não tiveste com a Sa-"

"Eriol. Nem te vou responder a isso…." – o Syaoran disse com um tom sério. "Não quero falar sobre isso porque tudo vai mudar…"

"Mas… Eu quero saber, sou o teu melhor amigo."

"Então como meu melhor amigo… ficarás a saber que foi um dos melhores Verões de sempre. Senão um dos melhores."


N.a:

As férias chegaram ao fim, e com elas o começo de um novo ano. O que irá acontecer no segundo ano de faculdade.

Espero que tenham todos gostado deste capítulo.

Peço desculpa por só ter postado o capitulo agora, mas ultimo da faculdade é mais trabalhosos do que eu esperava...

Feliz 2010 a todos que tudo lhes corra como esperam.

Musette