Quando os sonhos se tornam realidade

11. Reuniões e Paixões

O olhar de Lys fixava-se em Harry Potter, enquanto este caminhava decidido, em frente a uma enorme tapeçaria. De súbito, uma porta muito bem envernizada apareceu na parede que antes estava nua. Os quatro amigos fitavam a porta com um ar aparvalhado, pois ainda não acreditavam plenamente na ideia que Dobby havia dado. Este tinha-lhes descrito aquele sítio, mas os quatro estavam ainda duvidosos.

- Vamos entrar ou não? – perguntou Hermione, impaciente.

Mas a morena não esperou pela resposta. Avançou até à porta de madeira polida, rodou a maçaneta de metal frio e abriu a porta, muito devagar, com medo que saltasse alguma coisa de lá de dentro.

- Isto é fabuloso! – exclamou Hermione, de lá de dentro.

Harry, Ron e Lys entreolharam-se, um pouco desconfiados, e decidiram entrar. As suas bocas abriram-se de espanto ao descobrirem uma gigantesca sala iluminada misteriosamente por tochas que bruxuleavam, criando sombras de certa forma assustadoras nas paredes cobertas de estantes de madeira. Lys aproximou-se de uma das estantes e passou um dedo pelas grossas lombadas dos milhares de volumes que enchiam as prateleiras. Compêndio de Maldições Vulgares e suas Contramaldições, Feitiços de Autodefesa, A Magia Negra vencida, entre outros títulos povoavam as inúmeras prateleiras atafulhadas. Hermione imitava Lys, soltando exclamações de admiração e elogiando os livros que enchiam as estantes.

- Harry, isto é maravilhoso, há aqui tudo aquilo que precisamos! – guinchou Hermione, com os olhos brilhantes.

A morena arrancou um livro da estante e começou imediatamente a lê-lo, mudando-se temporariamente para outro mundo.

Nesse momento, bateram levemente à porta. Ginny, Neville, Lavender, Parvati e Dean entraram na sala, admirando a divisão com o mesmo espanto que o quarteto que chegara anteriormente.

Lys sentou-se numa das almofadas coloridas que estavam espalhadas aleatoriamente pelo chão de mármore frio, sabendo que a atenção do seu melhor amigo se desviara para a porta, à espera que uma certa rapariga de origem oriental chegasse. Ainda faltava algum tempo até à hora combinada, as oito em ponto, por isso, Lys permitiu à sua mente vaguear pelos acontecimentos que estavam constantemente a faze-la aperceber-se do quão a sua vida era aborrecida antes de descobrir a existência daquele mundo tão fantástico. Na sua mente, abriu-se a gaveta denominada "Rapazes" e os pensamentos de Lys vasculharam-na livremente. Antes desta nova vida, Lys nem sabia o que era o amor. E agora, já sabia? Lembrou-se do beijo com Draco Malfoy. Porque lhe parecia que fora há séculos? Porque nunca mais se lembrara daquele assunto, até agora? Será que não amava aquele loiro arrogante?

Não o amo. Claro que não.

Admirada com a convicção da sua consciência, Lys suspirou. Draco também não a procurara mais depois daquele beijo. Será que não estavam destinados a ficar um com o outro?

Não o amo.

A sua consciência voltara a repetir-lhe aquela frase, tão convicta como antes. Lys deu um sorriso fraco, tentando confortar-se a si própria, sem sucesso.

Nunca ninguém me vai amar, e eu nunca vou ter a oportunidade de amar alguém.

Uns enormes olhos fitavam-na de muito perto, pelo que Lys se sobressaltou, ao constatar a presença de Luna tão perto de si.

- Há sempre solução para os problemas – murmurou Luna, filosófica.

Lys despertou do sonho de pensamentos e sorriu para a presença à sua frente. Luna retribuiu-lhe o sorriso, mostrando os seus dentes brancos e pequenos.

- Bom – começou Harry, ligeiramente nervoso. – Foi este o sítio que encontrámos para as sessões de treino e vocês… aã… obviamente acham que serve.

Lys atentou no amigo, que se erguia perante imensos rostos. Já tinham todos chegado, pelo que a reunião acabara de começar. Todos os presentes murmuraram a sua opinião, que era bastante positiva.

- Ei, Harry, que tralha é esta? – perguntou Dean Thomas, apontando para uns avisoscópios e para o Espelho dos Inimigos.

- Detectores das Trevas – esclareceu Harry, e, mais uma vez, todos acenaram com as cabeças, assimilando a informação. – Bem, tenho pensado por onde é que havemos de começar e.. ãa… O que foi, Hermione?

A morena levantara a mão, num gesto que Harry via, pelo menos, cinquenta vezes por aula.

- Eu acho que devíamos eleger um líder – propôs Hermione, olhando para todos os colegas que estavam na sala.

- O líder é o Harry! – rugiu Cho, espantada pela estupidez da morena sabe-tudo.

Lys não gostou nada do olhar com que a Ravenclaw fitou Hermione. Quem é que ela pensa que é para falar assim com a Herms? perguntava-se Lys, olhando a oriental com o sobrolho franzido. Sinceramente, não sei o que o Harry vê nela.

- Sim, mas acho que devíamos votar devidamente – declarou Hermione, sem ligar aos olhares que Cho lhe lançava. – Formaliza as coisas e dá-lhe autoridade. portanto… quem acha que o Harry deve ser o nosso líder?

Todos os presentes levantaram a mão, concordando. Quando Harry estava prestes a falar novamente, Hermione interrompeu-o, novamente.

- Também acho que devíamos ter um nome. Promoveria um sentimento de espírito de equipa e unidade.

- Podemos ser o Grupo «O Ministério da Magia são uns Idiotas»? – perguntou Fred, provocando uma onda de risos divertidos entre os presentes.

- Não. «A Umbridge é um Sapo Cor-de-Rosa» soa melhor – alvitrou Lee Jordan, a rir.

Hermione censurou os dois rapazes com o olhar, fazendo que os dois parassem de rir e de inventar nomes parvos.

- Tinha pensado mais num nome que não apregoasse a toda a gente o que andamos a fazer, de maneira a podermos mencioná-lo sem risco fora das reuniões. É que se somos apanhados, somos expulsos imediatamente, por causa daquele novo decreto da Professora Umbridge – observou a sabe-tudo, séria.

Lys lembrou-se subitamente do papel que fora afixado no quadro de avisos dos Gryffindors, um papel que continha o decreto que proibia todos os grupos, associações, equipas, sociedades, etc. que não fossem autorizadas.

- A Escola de Defesa? – sugeriu Cho, com os olhos fixos em Harry, que estava corado.

- Abreviado para ED, para que ninguém saiba do que estamos a falar – propôs Lys, sorrindo.

- É, ED está bem – concordou a irmã mais nova de Ron, Ginny – Mas pode significar antes o Exército de Dumbledore, porque esse é o maior receio do Ministério.

Mais um uniforme murmúrio de aprovação encheu a sala, pelo que a decisão foi aprovada. Após Hermione ter escrito O EXÉRCITO DE DUMBLEDORE em letras grandes no pergaminho que continha as assinaturas de todos Harry voltou a falar:

- Vamos então começar a treinar? Estive a pensar… e acho que devemos começar pelo Expelliarmus, sabem, o Encantamento para Desarmar. Sei que é básico, mas foi-me muito útil.

Houve uma pessoa que reclamou: Zacharias Smith. Mas Harry mandou-lhe uma boca que o fez calar-se, e continuou com o que estava a dizer:

- Penso que devemos formar pares para treinar.

As pessoas começaram a levantar-se, procurando pares. Hermione agarrou Lys por um braço, sussurrando-lhe que formariam um par. Elysa captou um vislumbre de desilusão no rosto de Ron, mas antes de ter tempo de trocar de par, já Hermione a tinha puxado para um canto da sala.

Harry deu a ordem para começarem, e as duas raparigas puseram-se a postos. Subitamente, Lys sentiu a sua varinha a saltar-lhe da mão. Hermione tinha-a Desarmado com sucesso.

- Então, Lys? Vai ser sempre assim tão fácil de te Desarmar? – inquiriu Hermione, um pouco indignada. A sabe-tudo não estava a gozar com a amiga, estava apenas surpresa, pois pensava que ela seria uma adversária mais forte.

- Desculpa. Estava desconcentrada…

- Vamos lá outra vez.

Desta vez, Lys fora mais rápida a proferir o feitiço, mas, mesmo assim, não foi suficientemente rápida. A sua varinha, cuja essência era o pó de chifre do único unicórnio negro existente, rodopiou e caiu no chão.

Hermione Desarmou Lys mais duas vezes, embora esta última se esforçasse imenso. Quando Elysa foi Desarmada pela quinta vez, Harry estava perto das amigas.

- Eu sei que tu consegues fazer melhor, Lys – encorajou-a Harry, sorrindo.

Sem saber bem porquê, Lys sentiu-se mais forte depois do encorajamento do amigo. Apanhou a varinha, olhou para Hermione nos olhos e, no preciso momento em que a sabe-tudo ia a lançar o feitiço, Lys foi mais rápida e gritou:

- EXPELLIARMUS!

Desta vez, foi a varinha de Hermione que voou, para muito longe. Enquanto esta foi buscar a varinha, Harry aproveitou para aplaudir Lys, que corou.

- Foi muito bom! – declarou ele, piscando o olho a Lys. – Acho que a Hermione ficou um bocadinho chateada por a teres Desarmado, mas é assim mesmo!

Lys deitou a língua de fora e riu.

O resto da sessão de treino correu bem, apesar de muitos dos participantes serem muito irregulares. Luna Lovegood, por exemplo, conseguiu Desarmar Justin Finch-Fletchley várias vezes, mas, por vezes, limitava-se a despenteá-lo com um ventinho criado pelo feitiço. Saíram da sala um pouco depois da hora de recolher obrigatório, mas não houve problemas, porque Harry controlou tudo com o Mapa do Salteador.

Agora, Lys só queria que a quarta-feira seguinte chegasse a correr. Aquelas reuniões eram o máximo.

Felizmente, os dias passaram a correr, pelo que a quarta-feira chegou depressa. Lys encontrava-se na biblioteca, sozinha, a estudar. Harry, Ron e Hermione tinham já feito todos os trabalhos em atraso, pelo que não a acompanharam à biblioteca. Mas ela, para além de ter de fazer alguns trabalhos de casa extra, que os professores lhe marcavam para ela acompanhar melhor as matérias, tinha ainda de treinar alguns feitiços básicos, que andava a aprender nas aulas de apoio que tinha quase todos os fins-de-semana.

Foi a ler, concentrada, um livro de Encantamentos, que passou o fim da tarde. Quando olhou o relógio viu que eram quase oito horas, a hora marcada para a segunda reunião do ED. Atirou as suas coisas para dentro da grande saca, guardou o montão de livros que tivera a utilizar, despediu-se da bibliotecária e saiu, apressada.

Já lá deve estar toda a gente, pensou, nada contente. Devia ter prestado mais atenção às horas.

Ao dobrar uma esquina no 6º andar, encontrou a pessoa que menos esperava ver. Draco Malfoy. Um dilema instalou-se na sua mente: Falo com ele, ou não? A Gryffindor, envergonhada, decidiu ignorá-lo, mas isso não foi possível. O loiro, que estava sozinho – o que era raríssimo –, mal a viu, foi ter com ela, e cumprimentou-a, não com um beijo nos lábios, mas com um aperto de mão amigável. Amigável ao estilo Malfoy, ou seja, frio e snobe.

- Tenho andado a procurar-te – murmurou Draco, sorrindo de forma cativante.

Lys, corada, evitava olhar o loiro nos olhos. Não sabia em que ponto eles estavam, mas sabia que não o amava. O loiro, ao ver o acanhamento da Gryffindor, arqueou uma sobrancelha.

- O que é que se passa?

- Draco… - começou Lys, nervosa. – Eu… eu não te amo.

Draco, após olhar espantado para Lys, confirmando que aquilo que ela dissera não era uma brincadeira, deu uma gargalhada tão forte e tão escarninha que fez Lys arrepender-se imediatamente do que dissera. Frio e arrogante, ou seja, normal para um Malfoy, Draco sibilou:

- Mas quem falou em amor, querida Elysa? Por acaso não achavas que eu te amava, pois não?! – o loiro voltou a rir-se, diminuindo ainda mais a auto-estima de Lys. – Aquilo que aconteceu nas masmorras foi uma brincadeira. Uma brincadeira! Certamente não estavas à espera que eu, um Slytherin de sangue-puro, gostasse de uma Gryffindor, pois não?

Sem responder, e com lágrimas de humilhação a brilharem-lhe nos olhos, Lys desatou a correr, afastando-se o mais possível de Draco Malfoy. Como pudera ser estúpida ao ponto de achar que algum rapaz se apaixonaria por ela? Como pudera ser estúpida ao ponto de pensar que Draco Malfoy, um dos rapazes mais cobiçados da escola, se apaixonaria por ela? Ainda a chorar, correu até ao sétimo andar, mas não teve coragem de entrar na Sala das Necessidades, não no estado em que estava. Por isso, encostou-se à parede de pedra e deixou-se escorregar, até estar sentada no chão gelado, agarrada aos joelhos, com a cara vermelha e molhada escondida pelos grandes caracóis castanhos-claros.

- Lys?

A Gryffindor ouviu uma voz conhecida a chamá-la, mas não queria que ninguém a visse naquele estado. Por esse motivo, não levantou a cabeça, ignorando o chamamento.

- Lys? – repetiu aquela voz, alegre e divertida.

Ao lembrar-se de quem era aquela voz, Lys levantou o olhar, para fitar o rosto moreno e bonito de Sayoko. Esta, ao ver o estado em que a amiga estava, baixou-se e abraçou-a.

- O que se passou? – quis saber Sayoko, preocupada.

A voz da morena já não era alegre, mas sim extremamente apreensiva. lys explicou tudo à amiga, resumindo muito a história. Contou-lhe da detenção e do beijo com Draco Malfoy. Contou-lhe de como tivera a certeza de que não o amava. Contou-lhe da forma como ele a humilhara. Sayoko abraçou-a com força, como se pudesse tirar as mágoas de Lys assim, abraçando-a.

Já mais recomposta, Lys perguntou:

- E tu, não devias estar no ED?

- Sim, eu estava lá. mas, sabes como é, quando a casa de banho chama, não há muito que se possa fazer – Sayoko fez uma careta engraçada, que conseguiu por Lys a rir.

- Então, estás à espera de quê? Daqui a bocado fazes chichi nas cuecas, amiga – brincou Elysa, divertida.

Sayoko riu e desatou a correr, aflita para ir à casa de banho.

Conseguiu pôr-me mais bem-disposta.

Já sem lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios, a Gryffindor decidiu entrar na Sala das Necessidades, para aproveitar o pouco tempo de reunião que restava. Sabia que aquele pouco tempo a faria esquecer-se de todos os problemas, nem que fosse só por um bocadinho.

N.A.:

(Escondida atrás da mesa, coberta por um feitiço de Protecção)

Er… Olá a todos…

(olhares raivosos na minha direcção, varinhas levantadas)

Por favor… Não me mandem Crucios nem Avadas… eu sei que demorei imeeeeeeeeeeeeeeenso a actualizar, mas não é razão para tanto, não é? (faço uma tentativa de um sorriso para acalmar as leitoras enfurecidas)

Ai, desculpem-me, mas estava sem inspiração. Só agora consegui terminar o capítulo… Vão continuar a ler a fic, não vão? (sorriso esperançoso e olhso de cachorrinha abandonada) Eu posso ser lenta a actualizar esta fic, mas faço o meu melhor. Estou desculpada?

Bem, quanto ao capítulo, o que acharam? Gostava que me mandassem uma review com um elogiozinho, uma criticazinha construtiva ou simplesmente a dizer a parte que mais gostaram do capítulo. Não custa muito, pois não?

(Agora a parte nova da fic: a resposta ás reviews! Iuuuuuuuuuuupiiiiiiiiiiiiiiiiii!)

Respondendo às reviews do último capítulo:

Ireth Hollow: Actualizei mais uma vez! Iupiiiii! E não vou desistir desta fic, porque eu acho a ideia engraçada. Espero que gostes deste capítulo! Obrigado por leres e comentares!

AnnaSophia Potter: Ainda bem que gostaste da ideia, eu também gosto muito! Acho que devia ser maravilhoso ir para Hogwarts! Aiai, vamos deixar-nos então de devaneios. xP Ainda bem que gostaste do capítulo e espero que também gostes deste! Beijso e continua a "reviewzar"!

AnyraMilyare: Aind abem que gostas! Obrigado pela review!

Kyra Motta: Leitora nova? Uau! Ainda bem que gostas da fic! Quero que continues a ler e comentar, ok? Beijos e obrigado pelas reviews!

Espero que continuem a ler e a mandar reviews!

Beijos,

LyRa

PS: Para as fãs de "As voltas do amor" vou tentar actualizá-la no próximo fim-de-semana! Não percam!