Um Novo Despertar

Capítulo 1 – Relacionamento

A cabeça que era sustentada pela mão pendeu para baixo, fazendo os olhos se abrirem em surpresa e a cabeça rapidamente voltar à posição original. Ele se acomodou melhor na poltrona, sentindo as costas tensas da posição que dormira. Estalou o pescoço,movendo-o de um lado para o outro enquanto puxava o cobertor que caíra sobre os pés.

Passou a mão sobre os olhos, sentindo-se extremamente cansado. Não dormira a noite toda, cuidando da maluca. Era assim que ele a apelidara, enquanto velava o sono dela. Levantou-se,apoiando-se nos braços da poltrona e caminhou – a perna ainda dormente – até a janela fechada. Abriu uma fresta, o suficiente para ver que aquela manhã também não era nada bonita. Fechou,indo até onde a maluca repousava.

Seu sono era bastante irrequieto, já que pequenas gotas de suor brilhavam em sua testa e seus olhos fechados estavam apertados. Sesshoumaru pegou um paninho ao lado de uma tigela e sem molhá-lo, passou na testa dela. Afastou a franja e afrouxou os cobertores que ela apertava com o corpo.

- Maluca idiota.

Quando viu que ela já estava melhor, retirou-se do quarto, deixando a porta entreaberta. Desceu as escadas alongando as costas e sentindo-as estralarem. Chegou à cozinha a fim de preparar um café bem forte; os pensamentos na noite insana que teve.

Após a garota desmaiar, provavelmente de cansaço ,tomou a única decisão que lhe parecia cabível. A levaria consigo para casa. Mas antes, precisava mantê-la a mais aquecida possível, evitando que ela tivesse hipotermia devido à água enregelante.

Vestiu-a sem pudor com as roupas que ela deixara na areia, acrescido de sua própria camisa. Pegou-a no colo e o que parecia ser uma tarefa fácil, tornou-se um desafio. A maluca era pesada; apesar do corpo magro. Tornou-se difícil a tarefa de levá-la até seu carro, no monte onde estava sentado anteriormente. Verificou depois os bolsos da calça; Sem carteira, sem dinheiro, nem documentos. Ainda por cima uma perdida.

Praguejando, colocou-a no banco de trás e cobriu-a com uma manta que sempre ficava no porta-malas. É lá onde deveria ficar. Uma verdadeira mala, foi seu único pensamento coerente.

E quando chegou em casa, a cinco quadras da praia, começou uma batalha para mantê-la aquecida,ou viva, como preferir. Não a banhou logo que chegou, pois isso ocasionaria em choque térmico. Levou-a até sua cama e cobriu o corpo trêmulo com o máximo de cobertores que tinha no armário.

Só depois que a enfiara num banho morno no chuveiro, novamente sem nenhum constrangimento pela nudez dela. Fez um chá e a fez tomar, ainda que desacordada, entreabrindo seus lábios e sorvendo pela garganta seca. E passara a noite toda em vigília, tentando abaixar a febre que aparecera e os tremores que ocasionalmente dava no pequeno corpo.

Suspirou cansado, esperando a água ferver. Um estorvo, olhava distraidamente para a janela da cozinha. Mas ao mesmo tempo em que a irritabilidade tomava seus pensamentos, uma exultação também o tomava. Sua primeira paciente real. Não cadáveres e nem aqueles pacientes idiotas, no último ano da faculdade. Uma paciente real e viva.

O café ficou pronto, horrível como sempre e os pensamentos voltaram novamente àquela garota.

Porque ela tentou se matar?

A pergunta martelava em sua cabeça e diversas hipóteses passeavam por sua mente,uma mais absurda que a outra. Apoiou o dedo indicar na têmpora e o dedão no maxilar, formando um L, a xícara pela metade na outra mão. O que faz uma jovem como ela cometer suicídio?

Esvaziou a xícara com uma careta e levantou, pretendendo ir ao supermercado comprar alguma coisa para a maluca comer de almoço, já que a única coisa comestível em sua geladeira era catchup velho. Talvez aquela sopa que só precise por água quente, não queria sucumbir a garota com seus 'dotes' culinários.

Não a queria com dor de estomago, além de tudo.


Acordou com a garganta seca,os olhos pesados e uma dor alucinante no corpo todo. Tentou fazer as três coisas que mais lhe doeram: engolir saliva,abrir os olhos e sentar-se. Não conseguiu nenhuma das três com sucesso. Deveria ter ficado deitada, pensou arrependida,depois de quase ter se desdobrado em duas ao encostar-se à cabeceira da cama.

Fechou os olhos,a cabeça baixa, levando uma mão à testa. Primeiro: onde estou?, abriu-os novamente,notando o quarto super organizado pela primeira vez. Possuía uma cor clara, armário e cômoda, algumas caixas no chão e duas portas, uma que provavelmente levava ao resto da casa.

Segundo: onde estão minhas roupas?, puxara o cobertor revelando um enorme camisão branco e uma calça folgada, onde provavelmente caberiam duas dela. Um pensamento maior dominou sua mente: Quem me trocou?, o pensamento aterrorizou-a por alguns segundos.

Decidida a explorar onde estava, levantou-se com algum esforço, encontrando chinelos ao pé da cama. Calçou-os, notando que eram enormes como as roupas. Aqui vive um gigante, por acaso? Bateu os pés, ajustando-os ao calçado e saiu do quarto,andando por um corredor e descendo as escadas.

Pelo visto,agora estava na sala. Ali havia um sofá, uma estante com televisão e muitos livros e mais caixas no chão. A janela estava aberta e as cortinas balançavam com o vento frio da rua; olhou através dela, notando o tempo feio que antecipava ao período de chuvas daquela época do ano. Observou o vento fazer os galhos das árvores se moverem, pensativa.

O que era isso? Essa tristeza, ao lembrar do dia anterior? O que havia acontecido?

Esfregou os olhos,sem tentar se esforçar para lembrar, não iria pensar nisso agora. Virou-se,estudando agora a estante de livros. Apertou os olhos ao notar vários volumes de medicina. Anatomia humana, Doenças e afins, O cérebro e suas funções...caramba! Percorreu o dedo por alguns,até encontrar o título que lhe agradasse: Medicina Atual.

Sorriu, puxando o exemplar para si, derrubando sem querer três livros no chão. Droga...! Imagina se tivesse algum dano e tivesse que pagar? Aqueles livros eram muito caros!

- Gostando de mexer nas minhas coisas? – uma voz masculina ressoou atrás de si.

Ela virou-se lentamente, amaldiçoando a sua estupidez e perguntando-se quem teria aquela voz tão imponente.

Era ele.Os olhos dourados brilhantes.

Foram eles que tomaram seus pesadelos naquela noite. E...não era mentira, eles eram reais. Tão reais que um homem os acompanhava. Mas ele não era como seus olhos; sua postura inteira indicava que era um homem frio. Até seus brilhantes olhos estavam frios,comparados ao que se lembrava daquele momento de delírio.

- Vejo que já está boa para andar. Perdeu a fala, por acaso? – ele cruzou os braços.

Ela fechou a expressão, a memória dos olhos brilhantes desaparecendo de sua mente. Quem ele pensa...

- Vai continuar muda mesmo? – a inexpressividade no rosto dele a irritava. Abriu e fechou a boca com raiva, pensando em alguma coisa inteligente para falar. – Bom, eu não posso perder meu tempo assim, maluca. – ele virou-se.

- Eu não sou maluca! – ela exclamou,os punhos fechados.

Sesshoumaru virou-se, surpreso com a potência da voz dela. E pensar que a tinha pintado como uma menina doce. Seus olhos é que o deixaram mais grandes, brilhantes, vívidos. Da cor castanha bem clara, constatando com a clareza de sua pele.

Ela possuía uma beleza sem raridades, mas intensa. Os cabelos estavam sujos e emaranhados mas normalmente deveriam ser lindos. Ela era bela até notar-se a pele pálida e os olhos fundos.

Levantou uma das sobrancelhas, sua especialidade. Era valente, a maluca. Ninguém ousava gritar com ele. Uma expressão sádica se formou em seu semblante.

- Para uma pessoa que queria se matar ontem, você é sim maluca.

A verdade a abateu fortemente. Apoiou-se na estante,o estômago revirando e a boca com aquele gosto horrível. Sentiu vontade de vomitar.

Era isso... ,a noite passada lhe engolfou trazendo lembranças da corrida até a praia, o choro, a decisão, o mar extremamente frio, a falta de ar, os olhos dourados...Ele a tinha salvado.

- Se for vomitar, por favor vá ao banheiro, não quero que suje o tapete. – a voz soou mais próxima que antes.

- Onde estou?! – voltou os olhos, raivosa, para ele.

- Deveria ser mais educada, afinal, fui eu quem a salvou e-

- Eu não pedi para ser salva! – ela o interrompeu.

- Então faça o favor de na próxima vez morrer no conforto de sua casa. – ele estreitou os olhos,ao vê-la cruzar os braços e olhar para o outro lado. Andou até o sofá, sentando-se elegantemente e cruzando os braços, divertido.

A maluca é mais interessante do que parecia. Uma tampinha imprudente.

- Devo chamá-la de maluca, ou você tem um nome? – viu-a tremer de irritação e cravar as unhas nos braços cruzados.

- E qual é o seu nome?

- Vamos mesmo começar com essa brincadeira de "eu perguntei primeiro"?

Ela soltou um rosnado, fazendo com que ele tivesse vontade de rir. Ela se irritava fácil e não era educada. Lembrou-lhe Inuyasha.

- Sesshoumaru.

Ele virou a cabeça para olhá-la, encontrando-a olhando para uma das caixas abertas, onde estava seu diploma de medicina.

- Oh, perdi a brincadeira. – sorriu de canto ao vê-la rodar os olhos. – E agora,posso saber o seu?

- Não. – ela disse, infantil.

- Continuarei te chamando de maluca então. – ela fechou os olhos,como se doesse vê-lo – Porque tentou se suicidar?

Os olhos castanhos se abriram rapidamente. Ela pareceu chocada com a pergunta, mas a resposta veio fria.

- Isso não te interessa.

Ele estreitou os olhos. – Me interessa a partir do momento que arrisquei a minha vida para salvá-la.

- E eu já disse que não pedi para ser salva!

Os olhos dele se amenizaram ao vê-la ofegante e com a mão no peito. Ela ainda não está recuperada, levantou-se, chegando perto dela. Ela o olhou, desconfiada e com a mão fechada, pronta pra qualquer que fosse o que ele estava pensando em fazer.

- Pois saiba que a partir do momento que a salvei, você será minha paciente. – ela abaixou o braço, surpresa – E eu vou cuidar de você até que você possa realmente me retrucar. – terminou com a voz fria, caminhando na direção da cozinha. – Maluca. – acrescentou de provocação.

Uma onde de raiva passou pelo corpo dela, impedindo-a de se segurar.

- É Rin.

Ela não pôde ver o brilho de satisfação que perpassou pelos olhos dele.


Rin passou a mão pelo cabelo molhado. Tomara o abençoado banho que tanto precisava e agora se olhava no espelho do banheiro, focalizando-se nas curvas escuras que rodeavam seus olhos. Há dias que não estava bem. Estava precisando de um médico. Que ironia..., balançou a cabeça após pentear os cabelos e saiu do aposento vaporizado.

Caminhou lentamente – a calça larga emprestada impediam que andasse normalmente – até a cozinha. Ali encontrou o rapaz de costas para ela, em frente ao fogão. Precisava ir para casa e teria que pedir ajuda àquela inexpressividade ambulante.

- Sente-se.

Rin olhou para cima. Ele nem tinha se virado. Como...?, fez uma careta mas obedeceu ao comando. Sentou numa cadeira em frente a uma pequena mesa de madeira.

- O que tá fazendo? – perguntou displicente,apoiando a cabeça na mão, olhando desinteressada ao redor.

- Acho que está na hora de ter bons modos, até porque...- ele finalmente se virou, notando o cabelo solto e molhado. Realmente, mais bonita. – Eu não falei para secar o cabelo?

Ela virou o rosto e olhou para o lado, emburrada.

- Eu te fiz uma pergunta. – o tom de voz dele era perigoso.

- Eu não gosto de pendurar uma toalha na minha cabeça como se fosse uma artista de circo.

A comparação fez Sesshoumaru olhá-la com desdém. Encostou-se ao fogão, cruzando os braços elegantemente.

- A não ser que queira pegar uma gripe com esse tempo ruim, sugiro que vá secar o cabelo. Tem um secador no gabinete da pia.

Ela fez careta e o imitou com uma voz engraçada, mas acatou a idéia. Quando voltou,já com as madeixas secas, ele mexia hesitante com uma colher de pau numa panela.

- Sabe – ela sentou. – Eu tenho muita pena dos seus pacientes. A sua extrema gentileza deve atraí-los cada vez mais para longe de você. – ele colocou um prato na sua frente, com uma substância de aparência suspeita. – O que é isso?

- Sopa.

- Sopa?

- Um caldo com legumes e carne, geralmente quente.

- Eu sei o que é uma sopa!

- Então, pra que a pergunta? – a voz soou sarcástica.

- A pergunta, Sesshoumaru- sama, não é o que vem a ser uma sopa e sim o que ela faz embaixo do meu nariz. – ela olhou quase que nojenta para a comida.

- Achei que a resposta fosse óbvia.

Eles se encararam por alguns segundos, antes que ela se recostasse na cadeira e fizesse bico.

- Não. – uma sobrancelha dele se levantou, indagadora. Como isso a irritava! – Eu não gosto de sopa.

- Ninguém disse em gostar ou não. – ela quase deu um sorriso. – Só para tomar.

A expressão dela emburrou mais ainda, o nariz franzido e as sobrancelhas finas quase juntas.

- Eu não vou tomar. – ela disse alta e clara, como se ele não tivesse escutado antes.

Ele quase deu um suspiro. Quanta teimosia, andou até ela, sem desviar do contato visual. Puxou uma outra cadeira até ficar de frente para a garota. O corpo dela recuou um pouco. Sentou-se tão próximo que seu joelho batia na perna dela.

- Tome. Não aja como criança.

- Não.

Odiava ser contrariado. Aquele estúpido diário viria a calhar agora. Dirigindo um último olhar de aviso – que foi ignorado – ele, com rapidez, pegou a colher que acompanhava a sopa e encheu do líquido, passando na borda do prato, para não pingar.

Quando ela percebeu o que ele ia fazer, já era tarde. Ele segurou firmemente seus pulsos que repousavam sobre a mesa e aproximou a colher. Mas ela cerrou a boca com força, impedindo a colher de entrar.

- Não torne mais difícil. – ele lhe lançou um olhar entediado, forçando a colher.

- Mmmmmmm.

- Está agindo como um bebê. – ela agitou os ombros, demonstrando não ligar. – Maluca.

E no momento que ela abriu a boca, ele lhe enfiou sopa garganta adentro.


Passou a tarde folheando livros. De acordo com o senhor eu-sou-perfeito-e-faço-tudo-o-que-me mandam, ficaria ali até anoitecer, quando o carro pudesse rodar devido ao rodízio daquele dia. Então,ele a levaria para casa.

Olhou para a janela, para o livro novamente; virou a página:Doenças hereditárias. Ela fez uma careta em desagrado, virou a página e olhou novamente a janela. Estava entediada.

Levantou-se, guardando o livro na estante. Há algumas horas não via o doutor. Depois de ele alimentá-la – e ele usou essa palavra quatro vezes - , ele sumiu para dentro da casa, não sem antes quase proclamar uma citação judicial, indicando o que podia ou não fazer. Na hora, ela reprimiu a vontade de lhe socar, imaginando várias situações em que ela o humilharia.

Um delas seria, com certeza, fazê-lo tomar sopa pelo resto da vida.

Andando pé- ante -pé, ela chegou ao quarto que dormira, o quarto dele.

Recostou-se furtivamente na porta, encontrando-a aberta. Empurrou devagar, espiando pela frestinha. Olhou de um lado para o outro, sem encontrar o senhor inexpressividade. Onde será...

- Estava começando a me perguntar quando você viria xeretar. – ele saiu de trás da porta, uma leve pontada de diversão nos olhos com a cara da garota.

Com o pulo que ela deu, uma perna levemente levantada e os olhos extremamente esbugalhados, era difícil não rir. A garota recobrou a postura e pigarreou.

- Até parece que eu iria querer xeretar um sem graça que nem você. – rodou os olhos ao deparar-se novamente com aquela maldita sobrancelha levantada.

- O que veio fazer aqui, então? – o corpo dele bloqueava a visão de dentro do cômodo.

- Eu...er...perguntar onde é o banheiro! – a voz saiu triunfante com o pensamento rápido.

Sem expressão, ele apontou para a porta ao lado da sua. Ela sorriu sem graça.

- Creio que você já entrou nele, para tomar banho. Ou você foi até a praia dar uma de maluca de novo?

- Ora...! – ele lhe deu as costas, desinteressado. Entrou no quarto, deixando a porta aberta. Esquecendo de retrucar, ela entrou também, as mãos atrás do corpo, olhando como se nada a interessasse.

Sabia, ele balançou a cabeça, terminando de fechar outra caixa com uma fita.

- Você vai se mudar?

- Não lhe parece óbvio?

Escutou um tipo de resmungo dela, antes da voz feminina penetrar em seus ouvidos, raivosa.

- Tudo pra você é óbvio, não? Mas eu não tenho uma bola de cristal pra adivinhar seus pensamentos! Você pode estar querendo qualquer coisa, arrumando essas caixas! Querendo economizar espaço, querendo ver como as coisas ficam numa caixa, economizando nos móveis, querendo-

- Meu Deus, fique quieta. – ela se calou,a cara emburrada novamente. Ele virou de lado, olhando-a pelo canto do olho. – Sim, maluca Rin, vou me mudar.

Ela cruzou os braços, mantendo a expressão. Porque ele se negava tanto a dar uma simples resposta? A manter uma conversa? Totalmente irritante.

- Vou para a capital amanhã. – ele continuou, pegando mais uma caixa e fechando.

- Atormentar mais pessoas? – perguntou sarcástica, quase resmungando.

- Lá não tem mar para as pessoas tentarem se matar.

O choque tomou conta do seu corpo momentaneamente. Como ele falava tão calmo de um assunto que nem ela própria encarava? Uma...recaída...preciso realmente falar com um médico, pensou com desgosto.

Ficaram momentos em silêncio, ele arrumando as coisas de costas para Rin e, ela encostada na parede, presa no próprio mundo. Te peguei,olhou-a discretamente, notando o turbilhão de emoções passando por seu rosto. Problema emocional?

- Consultório?

Ela tinha se desencostado e olhava os pertences de uma caixa aberta. Resolveu responder; não agüentaria ela dando de papagaio outra vez.

- Residência, no hospital Heian.

Ela pareceu interessada no assunto pela primeira vez. Parou o que fazia e o olhou com os olhos bem abertos.

- Conhece? – indagou, curioso àquela reação.

Ela fechou a boca e engoliu em seco.

- Já ouvi falar. – resmungou.

Passaram o resto da tarde sem se falar. Rin mergulhara mais uma vez nos livros de medicina e Sesshoumaru terminou de arrumar suas coisas, empurrando uma xícara de chá na goela da garota no final da tarde. Entraram no carro quando anoitecia e a viagem foi silenciosa, Rin falando de vez em quando as coordenadas para ele.

Sesshoumaru notou que o endereço ficava um pouco longe da praia, onde a encontrou no dia anterior. Uma boa caminhada,pensou olhando fixamente para a estrada.

- É aqui.

Ele parou o carro em frente a um sobrado de aspecto sujo. A luz de dentro já estava acesa, indicando que havia pessoas na casa.

- Então, não foi um prazer, vá com Deus, faça uma boa viagem, espero não vê-lo nunca mais, não volte e tenha muitos filhos. – ela disparou, já abrindo a porta.

- Eu não falei ainda. – ele segurou o braço dela, ainda virada para a porta. – Amanhã, antes de viajar, eu vou passar aqui.

- POR QUÊ?! – ela voltou-se bruscamente, olhando o rosto sem expressão dele.

- Você é minha-

-...paciente. – interrompeu. – Blá blá blá. – ele semicerrou os olhos. – Eu não preciso mais dos seus cuidados.

- Você tentou se matar. – viu-a tremer. – Não se esqueça disso.

Como se fosse fácil,olhou sombriamente para casa.

- Entendeu?

- Tá, tá. Quer fazer o favor de me soltar agora? – só agora que ele percebeu que ainda a segurava. Ela bateu a porta e entrou na casa.

Um crispado passou pela boca dele. Menina petulante.

Naquela noite, Rin correu para arrumar as coisas que não tinha conseguido antes de sair de casa. Colocou o diploma, ainda preso à fitinha, numa mala enorme, socando desordenadamente outras coisas por cima. Em cima da escrivaninha estavam o bilhete do trem, um livro de mão e um saquinho de plástico, caso precisasse.

Odiava viajar.

No dia seguinte, Sesshoumaru fechou o porta-malas, dando a partida no carro logo em seguida. Hoje era o primeiro dia dos residentes do primeiro ano e, pelos seus cálculos, estava atrasado. A viagem até a capital de carro era uma hora e meia, uma hora se pisasse fundo; então teria que ser rápido na visita da maluca.

Ainda não entendia essa insistência em ajudá-la, já que a própria não pedira por isso. Instinto médico, talvez. O que não queria admitir é que estava intrigado com a história dela.

E qual não foi sua surpresa ao descobrir que ela não estava lá? A sua simpática – até demais – vizinha contou-lhe que ela partira algumas horas atrás, com três malas quase do seu tamanho. E isso era pra ele aprender a não ajudar quem não queria ser ajudado.


- H. Shigenoi, Miroku.

- Presente.

- Shimazu, Rin.

- Presente.

Rin suspirou. Aquele auditório era enorme. Aquele lugar todo era enorme. Enorme e assustador. É o meu sonho...é o meu sonho, continuou repassando na cabeça. O administrador, doutor Myouga, veio dar-lhes boas-vindas. Explicou-lhes que no hospital público, diferente do particular, os residentes "Observam uma, fazem outra, ensinam uma". Como tinham insuficiência de pessoal, quanto mais depressa trabalhavam, melhor.

- Alguma pergunta? – Milhões. Ninguém levantou a mão. – Ótimo, o primeiro dia de vocês começa oficialmente amanhã. Estejam aqui as cinco e meia na recepção. Boa sorte.

A reunião terminou. Rin se levantou para ir embora, voltar ao precário hotel que se hospedara naquela manhã, quando uma voz alegre ecoou pelo burburinho de conversas, atraindo sua atenção.

- Você! Ei, você! Oi! – uma garota de cabelos negros veio correndo ao seu encontro, sorrindo de orelha a orelha.

- Oi. – Rin respondeu encabulada pelos olhares que os outros lançavam às duas.

- Assim você assusta a pobre coitada, Kagome. – um rapaz se juntou à moça, sorrindo gentilmente para ela.

- Oh me desculpe, me empolguei! É que não tem quase nenhuma garota aqui! Você já percebeu?

A garota falava alto, sem deixar de sorrir. Rin olhou para os lados. Realmente as outras poucas mulheres que ali estavam, já iam embora.

- É verdade. – foi tudo o que disse.

- Nem me apresentei né? Meu nome é Kagome Higurashi e esse é meu amigo Miroku Shigenoi. Mas todo mundo o chama de Houshi,o segundo nome dele. – ela deu um amplo sorriso.

- Houshi? – Rin repetiu, incerta com a tradução do nome dele.

- Prazer. – o rapaz se adiantou, beijando-lhe a mão. – Sabe, você é muito bonita. Não gostaria de, por acaso, ter um filho meu? – ele começou a acariciar seu braço.

Antes que Rin pudesse responder, Kagome puxava fortemente o cabelo do rapaz, preso por um rabinho.

- Não ligue. Ele é um tarado idiota. – ela rodou os olhos.

Rin não se abalou, sorrindo diante dos novos amigos. – Eu sou Rin Shimazu, muito prazer. – ela se curvou.

- Imagina! – Kagome a endireitou, sorrindo docemente. – Você é muito educadinha! Nem parece o povo mal-educado daqui! - deu um olhar atravessado para Miroku.

- Bem, não sou. Eu morava no litoral sul.

- Mesmo? E então,já arrumou algum lugar para ficar?

- Ainda não. Estou num hotel, mas não posso ficar lá por muito tempo.

- De manhã, eu passei nuns lugares legais alugando apê. Eu ia ver com o Miroku, quer vir junto? A gente podia rachar. – Miroku concordou com a cabeça.

- Sim, sim. Eu adoraria. – Rin sorriu também.

- Que honra saber que você guarda seu mal-humor para mim. – uma voz fria soou atrás dela.

Virando-se, Rin viu Sesshoumaru parado, as mãos no bolso, olhando-a com repreensão.

- Sesshoumaru- sama! Não sabia que vinha para o hospital Heian! – Kagome se pronunciou, fazendo-o desviar os olhos de Rin.

- Higurashi. – cumprimentou. – Como está Inuyasha? – perguntou sem emoção.

- Bem melhor. – respondeu animada. – E você e Rin-chan já se conheciam? – ela não viu a cara feia da outra.

- Infelizmente.

- Quer que eu conte pra ela como foi? – ele perguntou sarcasticamente, olhando para a garota.

- O quê? – Miroku perguntou animado.

- Não é nada não. Olhem, vocês podem me esperar lá fora? Eu já vou,tá?

- Mas...mas... – Miroku foi empurrado pela outra garota,auditório afora.

- Acho que você esqueceu de mencionar que também era médica, maluca Rin.

- Não me chame assim. – ela murmurou entre os dentes. – O que você quer, heim?

Sem responder,ele a olhou fixamente, avaliando-a. Logo em seguida, colocou a mão em sua testa, verificando sua temperatura.

- Tire as mãos de mim! O que pensa que está fazendo? – ela quase berrou, afastando as mãos dele.

- Tirando sua temperatura. Você continua pálida.

- Ouça bem. Não ponha mais um dedo em mim! – ela apontou o dedo para ele. – Não encoste mais em mim!

Os olhos dele brilharam em divertimento.

- Você reclama das minhas mãos, maluca Rin? – ele a viu fechar os olhos, os punhos já fechados. A rodeou, falando quase no ouvido dela. – Eu já até a beijei.

Dessa vez, ela não segurou o grito de raiva. Virou-se para ir embora e Sesshoumaru viu um rubor marcado em suas bochechas. Saiu pisando duro, deixando o rapaz com um sorriso quase imperceptível.


Feliz Aniversário Jaque!(joga da montanha russa)

Oi o/

Surpresa, heim? Rin também é médica 8D

Pra quem não sabe, residência é um período de dois ou mais anos, pós- faculdade, que é como um estágio. Ainda não sei quanto tempo vai durar na minha fanfic, mas acredito que vai ser uns quatro anos. Eu não estudo medicina e nem tenho especialidade em cuidar de pessoas (eu nem sei cuidar de mim mesma x.x) portanto, essa fanfic será baseada em livros, pesquisas e seriados sobre o assunto, que tem de monte por aí o.o

Fiquei muito surpresa com o número de reviews O.O Eu tava falando "se eu receber cinco, eu continuo \o/", aí vem um monte desses! Muito obrigada pra quem leu e comentou e também pra quem só leu o/

Eu vou responder agora:

Cassia- chan: Oi! Obrigada viu? Espero que goste do primeiro capítulo!Beijos o/

Hiwatari Satiko: Oi, tudo bem sim e você? 8) Obrigada, tenho um caderno sim, de tanto usar ele já tá todo acabado xD Que legal que você também tem um! xD Beijos!

Lola – sama: Nossa,eu li a sua review com as palavras "assombrosa,terrível" e pensei "O.O" Aí eu vi que você tava na verdade elogiando e fiquei tããooo feliz! E me senti mó importante com o Yukimura-sama xD Vou mandar todo mundo me chamar assim agora huahuahuahuahua Mas é claro que eu quero te ver mais, espero que você leia esse capítulo e goste Beijooos! o/

Dóris Bennington: Menina, imagina o Sesshoumaru te atendendo, pegando em você e perguntando "Dói?" e você "não – olhos brilhando" xD Bom a história vai desenrolar ao longo da fanfic, e acho que vai ser bem legal \o/ Beijos! o/ Review 2 : Ah não tudo bem, manda o link do site,que eu adoro mexer em blogs de animes!8D

Cycy: Prometo sim!Essa história tá desenrolando tão facilmente da minha cabeça que todo dia eu escrevo!(e isso não era normal pra mim o.o) Adoro os dois também (olhos brilhando)! Beijos!

Lola –sama: Oi,é você de novo! Ò.ó Huahuahauhauahua zoeira, sabe que eu também não sei?É como eu falei (eu falei?), as minhas fanfics só saem quando eu tô com algum problema na cabeç Hum,não sei não Lola, eu penso no que vai acontecer na fanfic todo dia e todo dia eu escrevo, então acho que não vai demorar não, tá? Beijos!

Belinha chan: Não é?!Imagina você lá morrendo no hospital e descobre que o seu médico é... o Sesshoumaru (morre) Eu iria lá só pra tomar chazinho se fosse preciso O.O Huahuahuahuahua Beijos!

Angel- chan e Dark-sama: Imagina se o Sesshoumaru salvasse todas nós? (morre de novo) vamos organizar uma passeata coletiva que termina no mar, aí quem sabe ele aparece? 8D Se bem que a possibilidade da gente morrer afogada é quase de cem por cento o.o Ah,eu comprei lá no Anime Friends x3 Na primeira vez que eu bati o olho,falei "É meu! O.O" mas o ruim foi saber que tinha vários outros e mais baratos u.u Mas eu não em arrependo! o/ hauhauahuahau Beijos!

Ryuk Mist: Feeeer (agarra) Você gostou mesmo? Nhá xD obrigada viu?Beijos! \o\

Suh-chan: Nossa,obrigada pelos elogios Suh! Gente (ai que mania de falar assim u.u) eu fui ver seu perfil e quando eu li o sumário da sua fanfic,fiquei "o.o" e eu vou ler! Beijos! o/

Cath Black: Fico feliz que a sua volta tenha sido boa! Acho que não conseguiria ficar tanto tempo sem ler fanfics o.o Quando eu li que você tinha escrito sexy, eu fiquei mais feliz ainda! \o\ Eu nem tava pensando em fazer ele sexy, mas mais pensativo,tipo 'eu sou gostoso por natureza,parem de me olhar' hauhauahauhauahua Beijão!o/

Ah,eu não sei quem é você O.O uahuahauahuahuahau Não é? Você acorda e vê...olhos dourados (baba). Me diz quem é você da próxima vez! \o/ Beijos!

Soraa: Assim você vai deixar elas zangadas, Mi O.O hauahuahauhauahauhauahua beijão nakama-chan,te amo o/

Jack chan: Parabéns pra você! (joga ovo) Nessa data querida (joga café) Muitas felicidades! (mistura tudo) Muitos anos de vida! (joga na piscina) Parabéns Jaqueee! \o/\o/ Obs: Tube é metrô na gíria dos americanos,é a primeira linha da fanfic mulher u.u Beijoooooos!

Carlinha- higurashi: Você também teeeeem? O.O Uau,a visão não é linda? (capota) Eu até tirei fotos do meu pôster(?)8D hauahauahuahauahauhaua Acho que eu não demorei né? o.o Beijos! o/

Mah Miyuki OkadoAdora também? 8) Sabe que eu não vejo muito fanfic da Rin e do Kohaku? É meio estranho, mas eu não imagino os dois juntos o.o E imagino o velho do Sesshoumaru com ela ,vai entender xD Beijos lol

Mah-sama: Obrigada Mah,beijão! o/

Só um último recado, eu tinha posto como gênero da fanfic romance e humor e depois eu mudei para aí eu pensei nas brigas dos dois,nas idiotices do Miroku e decidi mudar de novo para vem a parte do drama também,então eu decidi por Romance/ Geral porque aí inclui tudo! Ufa!

Será que ainda tem alguém aí ?o.o (pensando em fazer Sesshoumaru rir loucamente O.o)

Nanda Yukimura.

Próximo capítulo:

"– O...que está fazendo?"

"– Descanso!"

"– Foi... só uma noite mal dormida,só isso."

"– O que há com você?"