Um Novo Despertar

Capítulo 2 –Contato

Sesshoumaru sentia-se entediado.

Mandaram-no estar na secretaria do hospital às cinco e meia da manhã para começar o trabalho, mas já eram seis horas e ninguém tinha aparecido, além dos novos residentes. Fazendo papel de idiota , ele pensou.

O hospital cheirava à remédios e lençóis esterilizados . Tudo era impecavelmente limpo e as paredes eram pintadas de branco, fazendo o lugar mais parecer um sanatório do que um hospital. Médicos, enfermeiras e pacientes de todos os tipos corriam de um lado para o outro e os telefones da recepção tocavam insistentemente.

Olhou ao redor, encontrando Higurashi sozinha num corredor um pouco afastado. Ela levantou os olhos e encontrou os de Sesshoumaru e foi até ele.

- Bom dia-a-a – ela tentou evitar bocejar, cobrindo a boca com a mão. – Como estão demorando, né?

- Cadê o Houshi e a outra? – ele perguntou.

- Miroku foi dar em cima das outras residentes, pra variar. – ela rodou os olhos. – E a Rin disse que já vinha. Sorte a dela que ninguém chegou ainda.

Nesse momento, um grupo de médicos de jaleco branco aproximou-se dos novos residentes. Todos os olharam, apreensivos.

- Bom dia. Por favor, quando chamarem seus nomes, sigam seus respectivos residentes-seniores. – um deles falou.

Ele pegou uma lista e foi chamando, um por um residente, até formar um grupo de cinco. Eles saíram e outra médica se adiantou, chamando mais nomes.

- Ai, onde será que a Rin-chan está? – Kagome perguntou, preocupada.

Sesshoumaru não se manifestou, olhando ao redor.

- Hattori, Higurashi... – Kagome tremeu involuntariamente. – Shigenoi, Shimazu e Taisho. Sigam-me. – a mulher nem esperou, já avançando pelo corredor.

- Rin, finalmente! – Kagome exclamou, vendo a garota vir correndo na sua direção.

- O...quê? – ela não conseguia falar, ofegante.

- Chamaram nossos nomes, Rin, vamos – Miroku surgiu sabe-se lá de onde, pegando a mão de Rin. Além dos quatro amigos, avançava com eles um outro residente,com um porte elegante e um cabelo preso brilhante.

Rin notou pela primeira vez Sesshoumaru ali, avançando com eles com a cara mais fechada, se possível.

Chegaram à porta do vestiário dos médicos, onde a mulher parou, virando-se para eles. Tornou a chamar seus nomes, olhando para o rosto de cada um agora.

- Muito bem. Eu sou a doutora Kaede. Durante essa semana, você irão me acompanhar durante a ronda. Nas semanas subseqüentes, irão revezar com os outros seniores. Mas isso só ocorrerá nos dois primeiros meses, ficando menos freqüente depois.

Ela fez uma pausa. Deveria ter uns cinqüenta anos, mas a voz ainda soava rígida. Observava cada um com olhos desconfiados.

- Quando falarmos com um paciente, quero que prestem o máximo de atenção e façam relatórios de cada um. Se o paciente perceber que estão tensos, ele também ficará. Vocês são responsáveis por vidas humanas agora.

Rin sentiu as mãos tremerem. O café da manhã revirava em seu estômago. Não estou preparada para isso, pensou desesperada.

- E por último, aqui estão suas túnicas e jalecos. – ela apontou para um carrinho cheio de túnicas de cor verde e jalecos brancos. – Vocês deverão usar os jalecos nas rondas, por cima das túnicas. Quero que pareçam médicos. – ela sublinhou a palavra. – Portanto, nada de tatuagens à mostra, piercings e principalmente, cabelos soltos. – ela dirigiu o olhar diretamente para Sesshoumaru, o único que estava com a cabeleira solta. – Podem se trocar agora. Eu os espero no corredor principal com o doutor Kawashi.

Quando entraram no vestiário, já com as roupas em mãos, Hattori virou-se para Kagome.

- Osso duro a velhota, heim? – ele passou a mão no cabelo super brilhante. – Prazer, Hattori Kouga. – ele deu um sorriso galanteador.

Kagome se apresentou, fazendo o mesmo com os amigos, que deram um sorriso, exceto Sesshoumaru que nem se virou para olhar.

Rin já tinha terminado de se trocar e estava terminando de prender o cabelo em um rabo baixo, quando viu Sesshoumaru tentar fazer um nó no cabelo.

- Não vai mesmo sair com esse cabelo, não é?

- Acho que vou. – ele respondeu sem olhar para ela.

- Kaede- sama não irá gostar.

- Bem, eu não me importo. – ele se virou, encarando a garota com os braços cruzados, parada a sua frente. Seus olhos estavam vermelhos. – Andou chorando?

Ela se assustou, passando as mãos nos olhos, sem perceber.

- Algum problema a incomoda? – ele perguntou, sem demonstrar interesse.

- Eu não chorei! Foi...só uma noite mal dormida, só isso. – ela se afastou um pouco.

- Claro. – na hora que ele mexeu a cabeça, o nó se desfez, fazendo o cabelo cair em cascata.

- Viu? Eu falei que não ia dar certo.

- Então eu vou com o cabelo solto, do mesmo jeito.

Ela suspirou, rodando os olhos. Voltou a se aproximar dele, dando a volta e parando nas suas costas.

- O...que está fazendo? – ele perguntou, sentindo dedos hábeis mexendo nos seus fios.

- "Não lhe parece óbvio?" – ela o imitou, rindo em seguida. Era a primeira vez que ele a ouvia rir e isso não lhe incomodava.

- Achei que não queria ficar perto de mim.

- E continuo não querendo. Só não quero que nos atrase ou deixe Kaede-sama brava.

- Não prenda com aquele penteado ridículo do nosso 'colega'. – disse, observando Miroku e Kagome conversando, ou melhor, ouvindo o companheiro falar.

Rin acompanhou seu olhar, rindo das caretas que Kagome fazia discretamente quando Kouga "acidentalmente" lhe tocava.

- Pronto. – ela falou, jogando a trança que fizera por seu ombro. Ele passou a mão, não sentindo mais o formigamento no pescoço que sentia alguns segundos atrás.

- Obrigado. – ele olhou fixamente nos olhos dela.

- Vamos então, macacada? – Miroku já empurrava a porta, feliz por ter se livrado de Kouga.

A ronda consistia em visitar os pacientes do pronto-de-socorro e dos quartos. Verificar se estavam bem e fazer perguntas de rotina ao paciente, se doía alguma coisa, como havia passado à noite, entre outras coisas. Quando saíram, a doutora Kaede já lhes esperava, com um outro médico que lhes acenava e sorria muito, dando até medo em Rin.

- Olá residentes! – sua voz parecia de um desenho animado. – Prazer! Eu sou o doutor Houjo. Vamos então começar a ronda?

Sesshoumaru teve vontade de vomitar.

- Cara, olha aquela enfermeira! – Miroku puxou seu braço, enquanto avançavam no corredor.

- Não me toque.

Uma onda de vento frio passou pelo corpo do outro rapaz. Ele se encolheu todo, indo segurar-se no braço de Rin.

- Ele me dá medo. – sussurrou, em confidência. – Ah Rin-chan, você é tão quentinha! – as mãos dele foram descendo...

Um som, próximo a um tapa, ecoou no corredor.

A face direita do médico estava palpitando avermelhada. Rin tinha posto a mão no bolso do jaleco, o rosto contraído de raiva. Os doutores que andavam na frente, pararam, olhando a cena.

- Mas o que é isso aqui?! Isso é um hospital! Comportem-se de acordo!

- Que isso, Kaede- sama. – Houjo tentou apaziguar, sorrindo gentilmente. – Eles ainda são jovens, estão só brincando!

- Mais uma "brincadeira" dessa, e eu mando todos cuidarem de doenças venéreas pelo resto do ano!

O grupo ficou em silêncio, voltando à ronda. Sesshoumaru postou-se ao lado de Miroku.

- Ouse fazer isso de novo. – ele sussurrara.

Miroku tremeu.

-x-x-x-x-

A função dos residentes era observar os pacientes, providenciar para que tudo estivesse organizado para eles e responder as perguntas que eventualmente seus superiores fizessem.

- Bom dia, senhor Hiroshi. – Houjo se aproximou do primeiro leito, onde um senhor repousava. – Dormiu bem?

- Meu peito ainda dói.

- Não se preocupe. Vou pedir outra radiografia para o senhor, está bem?

Quando se afastaram, Houjo virou-se para Kaede.

- Não deu nada mesmo na última?

- Não. – ela balançou a cabeça para enfatizar a resposta. – Já está marcada outra para esta tarde.

- O que há com ele, doutor? – Kagome perguntou para Houjo.

- UMA boa pergunta Higurashi! – Kagome se assustou, dando um passo para trás. – Ainda não sabemos.

Todos viraram um pouco a cabeça, incrédulos.

- Mas nunca falem isso para um paciente! Nem que precisem inventar uma doença, nunca falem que não sabem. – Kaede alertou.

- Então, vamos em frente, turma! – Houjo levantou o braço como um super herói.

- Pra mim ele parece aqueles bonecos de posto de gasolina. Totalmente biruta. – Rin sussurrou no ouvido de Kagome, fazendo-a rir.


Um mês depois

Sesshoumaru não conteve a respiração profunda e prolongada. Tentou ignorar os pensamentos mórbidos que voavam sobre sua mente, mas era impossível.

- Já lhe disse senhora Haruko. Os exames não revelaram nada. A senhora está perfeitamente bem. – ele disse, demonstrando uma calma que não sentia.

- Mas eu sinto o bendito calor no corpo que não vai embora! – ela insistiu.

Sesshoumaru mordeu o interior da boca. Olhou para o relógio do pulso. Meu plantão acabou faz meia hora e eu ainda estou com essa velha idiota, pensou. Era a sexta vez que a senhora Haruko se internara desde que ele entrou no hospital, há um mês. Não tinha nada e gozava de perfeita saúde, mas insistia que alguma coisa estava errada.

- Eu vou lhe dar um antitérmico e só. Sugiro que arranje um companheiro e o calor irá baixar. – ele anotou alguma coisa na ficha dela e saiu do quarto, sem encarar o olhar arregalado que ela lhe deu.

Caminhou rapidamente pelos corredores brancos e amplos, as mãos no jaleco branco e o crachá contendo seu nome balançando, enquanto avançava até a sala de descanso dos médicos.

Ali, havia algumas mesas, uma televisão velha e máquinas de comida, igualmente velhas. Ele olhou ao redor, notando algumas outras residentes olhando-o com sorrisos afetados no rosto e encontrou uma cabeleira escura sentada sozinha, a cabeça encostada nos braços cruzados sobre a mesa.

Foi até lá.

- Boa tarde, maluca. – disse alto,sentando a sua frente. Ela levantou a cabeça rapidamente, tentando fingir que não estava cochilando.

- O...o...que estava dizendo? – ela balbuciou, passando as mãos nos olhos. – Ah, é você. – disse com descaso.

- Não ouviu nada do que disse.

- ...Ouvi! Você estava falando da...da...

- Então você concorda? – ele apoiou os cotovelos na mesa e cruzou os dedos. Ela pareceu hesitar.

- Claro...que concordo. – ele levantou a sobrancelha, duvidando. – Acho que está completamente certo. – completou fervorosa.

- Certo em quê? – Kagome perguntou, juntando-se aos dois.

- Ela concordou que é uma maluca. – ele respondeu calmamente.

- O QUÊ?! – ela se levantou, empurrando a cadeira. – Eu não concordei com nada!

- Olhe os modos, você não está em um zoológico. – ela bufou e pegou a cadeira do chão, sob os olhares curiosos dos outros médicos. – Achei que tivesse concordado, você disse que escutou tudo o que eu disse.

- Não, não ouvi. Não ouço nada que venha de você. – ela mostrou a língua e se espreguiçou, voltando a deitar a cabeça nos braços. – Eu quero descansaaaaaar!

- Descanso! Essa palavra já saiu do meu vocabulário! – Kagome se esticou pela mesa. – Horas e horas de plantão, depois para as rondas, para casa e depois pro plantão de novo! Agora eu entendo porque tantos desistem.

- Lembra do Kouga? Nunca mais apareceu depois da primeira semana. – Rin disse,com a voz abafada.

- Vocês estão aqui só há um mês.

- E lá vamos nós a mais um sermão do senhor perfeito. – Rin resmungou sem levantar a cabeça.

- Se é tão difícil, porque você não desiste como naquele dia?

Ela levantou a cabeça tão rapidamente quanto a anterior, o coração batendo rápido. Encontrou os olhos dourados fixados em si, sentindo a raiva dominá-la. Ele sempre toca nesse maldito assunto!

- Eu não vou desistir. – murmurou entre os dentes.

- Não mesmo? – a pergunta sarcástica latejou em seus ouvidos.

- Do que vocês estão falando? – Kagome perguntou, olhando de Rin para Sesshoumaru. Rin olhou-a, tentando sorrir.

- Nada, Kagome-chan. Eu só estou confirmando que não vou desistir! – ela bateu uma mão na outra, decidida.

- Nem eu! – Kagome a imitou, rindo. – Nem que eu tenha que agüentar aquela Kikyo pra sempre. - ela fez bico, lembrando da sua superior.

- Continua pegando no seu pé? – Rin perguntou, como se continuasse um assunto inacabado. Olhou discretamente para Sesshoumaru, que não se interessara pela conversa, olhando para a janela.

- Uhum. Parece que tem uma placa na minha testa escrita "me odeie". Às vezes dá vontade de injetar morfina nela até ela cair dura! – ela riu maleficamente, fazendo a outra piscar confusa. – Até parece. Ela é enfermeira- chefe, o que posso fazer?

- Não se preocupe. Daqui a pouco vai revezar de novo, você vai ver.

- Tomara! – ela se levantou, passando a mão no cabelo. – Vou pegar café, alguém quer?

- Eu quero! Preciso ficar acordada! Meu plantão vai começar em...- ela consultou o relógio. - ...dez minutos. – gemeu.

Kagome se afastou, indo em uma das máquinas que davam café frio. Rin apoiou a cabeça numa mão,os olhos quase fechando. Só não fecharam totalmente porque encontraram os olhos sem emoção fixos em si. Novamente.

- Porque você fica com essa mania irritante de ficar me observando?

- O que há com você? – ele perguntou, indiferente à cara fechada dela.

- O que quer dizer com isso?

- Por que toda pergunta minha, você responde com outra pergunta?

- Não muito diferente de você, não é senhor perfeito?

Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas, divertido.

- Vou começar a considerar isso como um elogio.

- Pois não considere!

- Vocês não podem ficar sozinhos um minuto? – Kagome sentou ao lado de Rin trazendo dois copos de plástico contendo café.

- É esse idiota! – Rin agarrou o café, colocando exageradas doses de açúcar. Depois de ter posto quatro colheres cheias, Sesshoumaru puxou o açucareiro dando um olhar desafiador para a garota.

- Gente, como a nossa turma é unida. – Miroku sentou-se na mesma cadeira de Kagome, fazendo-a quase cair. Beijou as bochechas delas. – Meninas. Sesshoumaru. – cumprimentou polidamente.

- Rin, quem é esse estranho na minha cadeira? – brincou Kagome.

- Eu também não sei Kagome. Quem és tu, objeto não identificado?

- Oh garotas, assim vocês partem meu coração. – ele jogou a cabeça para trás, ofendido. –Eu estive ocupado, por isso que vocês não me vêem mais.

- Hoje tivemos que tirar a sua ocupação do apartamento.

- E ela disse alguma coisa? – ele olhou para Kagome, que virou a cabeça pro lado, recusando-se a responder. Voltou-se para Rin. – Heim, Rin-chan?

- Perguntou seu telefone. – ela respondeu de má vontade. – mas como não temos um, ela disse que te procurava aqui.

- Deus me livre! – ele deu um tapa na testa, olhando para os lados, como se a mulher fosse surgir a qualquer instante. – Pêlo nas pernas. – sussurrou para Sesshoumaru, que lhe deu um olhar de desdém.

- Você é um idiota, Houshi! – Kagome exclamou, dando um soco nele.

- Ah, a Rin me entende não é? – ele ia abraçá-la , quando se lembrou de alguma coisa, deixando os braços caírem e dando um olhar temeroso para o rapaz à sua frente.

- Me deixe fora das suas encrencas, Miroku. – ela se levantou, terminando de beber o café. – Vamos marcar alguma coisa esse fim de semana?

- É verdade, a Rin não conheceu a cidade ainda! Vamos, vamos!

- Preciso ver meus horários. – Miroku falou. As meninas o olharam feio. – No hospital, minha gente!

- E você Sesshoumaru- sama? - Kagome se virou para ele.

- Eu-

- Ele não vai. – Rin cruzou os braços.

- E posso saber porque não? - Ele cruzou os braços também,imitando-a.

- Porque eu não te convidei!

Kagome levantou os braços, interrompendo os dois.

- Rin! – censurou a amiga. Ela fez cara feia. – Você pode ir com a gente, Sesshoumaru –sama. – quando Rin ia discutir, ela continuou. – Você não tinha plantão, Rin?

- É mesmo! – ela colocou o jaleco e prendeu os cabelos. – Vejo vocês depois! – saiu correndo da sala.

Miroku e Kagome acenaram, rindo do atraso rotineiro da amiga. Nesse momento, Sesshoumaru se levantou.

- Aonde você vai? – Miroku perguntou.

- Casa. – respondeu breve, saindo.

- Olha o jeito que elas olham para ele. – Kagome sussurrou, observando as mulheres olharem bestificadas para a porta.

- Quem me dera. – Miroku suspirou, vendo uma delas sair rapidamente atrás dele.

-x-x-x-x-

- Ah não! O que você quer agora? – Rin exclamou, ao notar Sesshoumaru andando ao seu lado.

- A saída é por esse lado. – ele respondeu altivo, fazendo a garota se envergonhar por ter pensado que ele a seguira. – Se quisesse, seria para retomar a conversa da qual você fugiu.

- Sabia! Você nunca perde a chance de falar que eu não estou bem.

- Por ser verdade, talvez. – ela parou de repente, fazendo-o parar também. – Deveria procurar um médico. O que é irônico na sua situação.

-PARE DE-

- Com licença, querida. – uma voz arrastada a interrompeu.

Rin e Sesshoumaru viraram-se ao mesmo tempo para olhar uma mulher, médica também, de cabelos escuros e olhos de cor fantástica. Ela se virou para Sesshoumaru, ignorando Rin.

- Creio que não nos conhecemos. – ela disse numa voz sedutora. – Meu nome é Kagura Asukai, residente também. Prazer em conhecê-lo.

Ele a olhou de cima a baixo, desprezível. Virou-se, não encontrando mais Rin, que tinha sumido por um corredor. Voltou-se novamente para a mulher, que ainda mantinha a mão estendida.

- Saia da minha frente.

E saiu, deixando a mulher com o mesmo sorriso congelado no rosto.


Rin caminhava de cabeça baixa pelo corredor do terceiro andar. Havia acabado de salvar um senhor que sofrera taquicardia num dos quartos do hospital. E não foi só ele. Foi num ritmo frenético que passou a tarde e o início da noite, indo de um canto para outro, atendendo emergências e sem conseguir descansar nenhum minuto.

Seu cabelo não estava mais preso, jogado todo na cara e seu corpo inteiro doía. Mordia o lábio sem perceber, a mente divagando em nada.

Estava cansada, com fome e sentindo-se vazia.

Chutou o chão com seus sapatos brancos, a mão firme no bolso. Já fazia doze horas que estava no plantão e logo estaria em casa, para depois voltar para o hospital, começar um novo dia.

Esse pensamento a deprimia.

- Cuidado! – ela esbarrou em alguém, que a amparou pelos ombros.

- Desculpe-me... doutor Toutossai!

Toutossai era um dos melhores cirurgiões do Heian. Era simpático e tinha a estranha mania de enfiar o dedo mindinho no ouvido enquanto falava.

- Shimazu, heim? – ela confirmou com a cabeça. – Tenho ouvido boas coisas dos outros médicos sobre você.

- Verdade? – ela perguntou, animada.

- Sim, logo trabalharemos juntos. – ele deu tapinhas amigáveis nas costas dela, preparando-se para sair.

- Doutor Toutossai! – ela chamou, hesitante. – O senhor tem um minuto?

- Claro. – ele consultou o relógio. – Algum problema?

- Bem...é que eu não tenho passado bem esses dias e ...gostaria que o senhor...me examinasse. – ela olhava para o chão, envergonhada.

- Oh sim. Venha, sente-se em um leito.

Rin se sentou em uma das várias macas que ficavam no corredor. Toutossai ser aproximou, com um feixe de luz que parecia sair de uma caneta. Abriu os olhos dela, observando.

- O que você anda sentindo?

- Bem..às vezes,é dor física. Mas é que eu ando me sentindo cansada demais, sem animação...não sei.

- É, você parece um pouco abatida. – ele checou os batimentos cardíacos dela. Sentindo-os normais,ele a olhou bondosamente. – É comum o residente se sentir assim, no começo. Muita pressão.

- Eu...não consigo dormir direito também. – ela o observou coçar o ouvido despreocupadamente.

- Não se preocupe, é normal.

Rin suspirou, olhando para o lado. O médico notou, falando em seguida.

-Vou fazer assim, então. Vou te receitar um remédio para a insônia e se você não melhorar, eu vou pedir pessoalmente ao Myouga um dia de folga para você.

- Oh, muito obrigada!

Ele sorriu, afastando-se.

-x-x-x-x-

Quando Rin chegou em casa, uma mochila na mão, chaves e um saco pardo da farmácia na outra, tinha planos de tomar banho, o remédio e cair na cama. Os quais foram mudados ao ver a última pessoa que esperava – e queria – na sua cozinha.

- Vou começar a cantar. Aí, quem sabe, eu possa espantar você. – ela jogou todas as coisas no balcão da cozinha.

- Se você cantar muito mal, eu não vou querer ficar perto mesmo. – Sesshoumaru respondeu.

Rin suspirou, extremamente cansada para retrucar. Jogou-se na cadeira, encostando os braços na mesa e deitando a cabeça ali. Sesshoumaru se aproximou, parando na frente dela.

- Algum problema?

- O que está fazendo aqui?

Ambos ficaram em silêncio, sem querer responder à pergunta do outro. Ele encostou-se à parede quando ela levantou,colocando água para esquentar em um pequeno fogão.

- Como você sabe meu endereço?

- Seu, da Higurashi e do idiota. – ele corrigiu.

- Sim. – ela fez um gesto displicente com a mão. – Como?

- Eu sou um psicopata. – ele respondeu, calmo. Rin arregalou os olhos.

- Pa-pare de brincar Sesshoumaru. - Tão bobinha.

- Mas eu não estou brincando. – ele sorriu, maldoso. Desencostou-se, caminhando lentamente na direção dela. – Como você acha que eu a salvei? Como eu estou no mesmo hospital que você? Na sua casa? – ele chegou nela, prendendo-a na pia com seus braços apoiados um de cada lado do corpo de Rin. – Estava te seguindo.

- Ses-ses- Sesshoumaru...- ela tinha se encolhido, as mãos em frente ao corpo, protetoramente. O olhava com medo, refletindo nas palavras dele. Preciso...de alguma coisa para derrubar ele.

Ele a encarou por alguns momentos e a soltou. Ela não entendeu, olhando-o, confusa.

- Brincadeira. – ele disse, a face séria.

Rin piscou três vezes, pasma. Não sabia se acreditava nas palavras de antes ou de agora, seu coração batendo rápido contra a caixa torácica.

- Você devia ver a sua cara agora. – os lábios dele tremeram e um muito raro sorriso divertido surgiu em sua expressão.

Quando a ficha dela caiu, Rin não riu. Ao contrário, uma raiva tomou conta dela, a ponto de avançar em Sesshoumaru.

- Seu idiota! Eu te odeio! Eu te odeio! Babaca! Olha o susto que você me fez passar! – ela tentava bater nele, sendo impedida pelas mãos fortes. Não obstante, fazia de tudo para atingi-lo de qualquer forma.

- Vai acordar Higurashi com seus gritos. – ele não conseguia deixar de sorrir. O rosto bonito dela estava vermelho, todo contraído e ela achava que podia bater nele, trinta centímetros mais alto.

Ela soltou os braço que ele segurava, com uma sacudida.

- Eu odeio você. – disse numa voz mais contida, ainda o fuzilando com o olhar.

- Eu sei, maluca Rin. – ele enfiou as mãos nos bolsos, sem se ofender.

Ela urrou, batendo o pé no chão. Quando ele achou que ela avançaria novamente, ela deu meia- volta, bufando pelo corredor e entrando em um dos quartos, batendo a porta. Ele olhou para baixo, uma curta risada escapando de sua garganta.

-x-x-x-x-

Com o quarto no escuro, livros, almofadas e até um rádio velho no chão, Rin sentou-se na cama ,as pernas juntas ao corpo. Estúpido idiota.

De repente, ela sentiu-se muito envergonhada. "Devia ver sua cara agora" Como pôde cair numa brincadeira tão boba? Como eu sou boba..., ela afundou a cara no colchão, constrangida.

- Não precisa ficar envergonhada.

Ela nem se levantou, pedindo aos céus que ele evaporasse da sua frente como uma gotinha infeliz num rio enorme. Sentiu o colchão afundar e quando viu, ela a puxava, fazendo-a sentar.

- Por que você simplesmente não vai embora? – ela perguntou, cansada. Ele colocou uma xícara de chá em sua mão e um comprimido na outra. – Como você sabia onde guardavam as coisas?

- A Higurashi me pediu para trazê-la e como ela estava mal, eu fiz chá para ela.

Ela o olhou surpresa por alguns segundos. Desviou os olhos e ergueu a caneca vagarosamente, colocando o comprimido na boca e tomando um gole.

- Urgh. – ela colocou a língua para fora. – Você sabe o que significa "açúcar" ?

- E você sabe o que é "obrigado" ? – a viu baixar a cabeça, envergonhada. Ergueu-se, indo até a janela.

- Obrigada. – ela sussurrou, ainda de cabeça baixa.

- O quê?

- Obrigada.

- Não ouvi.

- Obrigada, caramba!

- Eu já tinha ouvido antes. – ele virou-se para ela, apoiado na janela.

Os olhos dela se fecharam. – Você é totalmente irritante. – ela se deitou, a voz meio mole já pelo efeito do remédio. Cobriu-se com um cobertor, continuando. – Não sei por que finge que se importa comigo.

A face dele endureceu, os lábios entreabertos. Ela não disse mais nada, parecendo que dormira. Depois de um tempo, ele se aproximou novamente, parando em frente à cama. Ela realmente havia dormido, cedendo para o remédio. Sesshoumaru ficou ali por poucos minutos, um pensamento estranho na mente, antes de sair do quarto.

Eu não finjo.


'Dia pra todo mundo! o/

Eu tava revisando e percebi uma coisa! Todo mundo tira a Rin nessa fanfic XD

E se vocês pensam que é fácil escrever as ações do (lindo do) Sesshoumaru estão muito enganados! O.o Ele é frio com todo mundo, isso tá acabando comigo x.x

Mas enfim, Sakura Card Captors está passando e eu não posso assistir,porque a minha tv a cabo pifou (?),minha mãe vive brigando comigo e meu último dia de provas foi hoje, então a minha semana não está sendo legal o.o

Eu estou começando a dar algumas pistas para a Rin ter tentado suicídio. Espero ter deixado isso claro \o

Resposta as reviews:

Cris: Obrigada Cris! Isso vai ser o segredo da fanfic, só mais pra frente que eu vou explicar,até lá continue mandando reviews o/

Tatianne: Muito, muito obrigada Tati 8D Sabia que eu ia pôr 'êxtase' o nome do capítulo? XD Eu tava meio preocupada em ter o número certo de descrição,porque se tiver muita, o capítulo fica meio chato né? Eu espero também que você goste desse capítulo. Beijos!

Mah-sama: \o/ Beijos!

Jack chan: Era pra ter sido ao vivo né? Mas enquanto não dá, a gente só escreve o/ Cara,eu quero fazer muito o Sesshoumaru rir O.O Mas tipo,aquelas risadas de chorar mesmo XD Vai ao show né? Beijos!

Dóris Bennington: Vai ter comédia sim! \o\ (quer dizer, piadas sem graça elaboradas por mim. Isso é comédia?). Ele tem muita cara dessas profissões né? Advogado, médico, empresário...o duro é imaginar o Sesshy de faxineiro, apresentador de programa de humor... XD É verdade, ela é chata assim só com ele. Menina idiota ¬¬. Muito obrigada pela review 8D Beijos!

Mah Miyuki Okado: Eu demorei muito tempo pra entender esse seu 'eu consigo e muito bem'garota lerda! XD Obrigada pela review! Beijos!

Bárbara chan: Eu também acho que a Rin combina com esse jeito de irritada e levada (olhos brilhando)! Creio a minha pessoa que não vai demorar muito, mas como é a parte 'drama' da fanfic, eu tenho que ir explicando aos poucos. Obrigada ;D Beijos!

Angel chan e dark sama: (levanta a mão concordando com a sua frase) o/ Nossa,eu adorei o seu 'continue quando der' Muito obrigada O.O .Beijos!

Lola sama: Nossa,como eu não ia querer você? Você é fofinha e deixa reviews que me deixam muito feliz! (olhos brilhando) Nossa, você fala se não gostar? o.o Quando eu não gosto de uma fanfic,nem leio inteira e nem deixo comentário. E olha que tem um monte aí xP "Mas a sua tá bala" (Nanda se mata XD) Muito obrigada pela review. Beijos!

Suh- chan: Mesmo que você achava isso? XD Nossa, me sinto médica agora o/ Mas não,quando eu tinha dez centímetros a menos, eu queria ser médica. Mas agora eu sei que pra isso eu precisaria estudar, estudar e...estudar o.o E eu não sou assim x.x Mas eu li um livro muuuuito legal sobre três médicas e nesse capítulo eu me baseei muito nele (olhos brilhando) Cara,eu achei muuuito legal a sua fanfic °¬° A parte da 'bala' ficou muito engraçada e tipo, o Inuyasha é um tapado mor XD E, aquele 'final',menine!Obrigada pela sua review na minha,Beijos!

Descobri que lendo e respondendo reviews eu fico mais feliz 8D

Mandem reviews, se vocês gostaram do capítulo. °¬°

Nanda Yukimura.

Próximo capítulo:

"– Você está me surpreendendo, maluca Rin."

"- Surpresa!"

"- Um remédio mais forte?"

"- O nome do paciente é Inuyasha Taisho."