Uma Questão de Sangue

Capítulo XIX – Epílogo

Renee sentia-se completa, rodeada daqueles que amava. De um lado, George rodeava-lhe a cintura, numa atitude tanto protectora como em busca de protecção – nunca conseguira ultrapassar totalmente o choque que fora a morte do irmão; do outro lado, agarrado à sua mão, estava Fred, o seu pequeno Fred, tão parecido com o tio de quem herdara o nome. Estremecia, não de nervoso mas sim de excitação. Como Renee o compreendia…

- Mamã, ainda falta muito para o comboio partir? – inquiriu o miúdo, olhando-a de forma expectante.

A bela mulher morena sorriu-lhe e, acariciando-lhe o cabelo arruivado, respondeu:

- Não, filho. Vais ver que passa num instantinho. Vamos procurar os teus primos?

A criança assentiu entusiasticamente e começou a puxar pela mão da mãe, apressando-a. Esta, trocando um olhar afectuoso com o marido, seguiu o filho.

- Estão ali! – exclamou o irrequieto Fred, dando um salto digno de um profissional.

Junto a uma das entradas do comboio, amontoavam-se cabeleiras ruivas, loiras e castanhas. Renee sorriu aos amigos de longa data e observou cuidadosamente o bando de crianças que pulava em torno deles. James Sirius, Albus Severus, Lily Luna, Rose, Hugo, Dominique, Louis (ao colo de Fleur, sob o olhar babado de Bill) e os mais velhos Ted, Victoire, Molly e Lucy. Um grande clã, muito unido. Cada um tinha as suas qualidades.

- Olá a todos! Vejo que nos atrasámos um bocadinho! – comentou George, alegremente.

- Claro que não! – respondeu Ron, sem cumprimentar os recém-chegados. Era sempre assim quando estavam todos juntos, não havia lugar para beijos e abraços, ou ficavam horas a cumprimentarem-se.

Fred largou a mão de Renee e correu a juntar-se a James, que apesar de ser mais velho, era o mais parecido com ele em termos de personalidade. Começaram logo a cochichar entre si, provavelmente cogitando o plano infalível para uma nova partida. Aqueles dois eram os piores traquinas que Hogwarts conheceria desde Fred e George Weasley.

George largou por momentos a esposa e foi ter com Harry, decerto para pôr as novidades em dia. A mulher aproveitou logo para se juntar a Ginny e Hermione.

- Então, a Luna sempre vem assistir à partida? – inquiriu, ansiosa por ver a amiga. Já não a via há meses, pois ela partira numa das suas famosas buscas por criaturas desconhecidas.

- Eu falei com ela ontem e ela garantiu-me que vinha, mas já sabes como ela é… É provável que se tenha esquecido, anda tão entretida com o Rolf e as suas criaturinhas! – respondeu Ginny, revirando os olhos castanhos. – Quando será que aqueles dois assentam e começam a pensar em ter filhos?

- Realmente… – comentou Hermione, fitando carinhosamente os seus descendentes. – Ter filhos é das coisas mais gratificantes da vida, ainda por cima depois de tudo o que passámos. Merecemos um pouco de paz e amor.

Renee suspirou, concordando. Não conseguiu deixar de olhar novamente para o seu filho, que agora aborrecia a pequena Lily Luna Potter, lembrando-lhe que ainda faltavam dois anos para ela também poder ir para Hogwarts. A rapariga, que já estivera a chorar por causa disso, voltou a amuar.

- Fred! – admoestou a mãe, mas o pirralho fez que não ouviu, continuando a meter-se com a prima.

- O James também está farto de a chatear por causa disso! – informou Ginny, referindo-se à filha mais nova. – E também se mete muito com o Albus, assustando-o com o facto de ele poder ir para Slytherin.

- A Rose está super preocupada com a Selecção. Pensa que se não for para Gryffindor vai desiludir-nos.

- Eu compreendo-os, de certa forma. Eu também tive de enfrentar a desilusão que causei aos meus pais por não ter ido para Slytherin, como eles sempre quiseram… - relembrou Renee, evocando as memórias dolorosas que tinham a ver com a sua família.

Como a morena nunca referia a família, Ginny não pôde deixar escapar a oportunidade de fazer uma pergunta:

- A propósito, como vão as coisas com os teus pais?

- Oh, desde aquela noite nunca mais lhes pus a vista em cima, nem à minha irmã. Devem ter-se mudado para França, ou assim. Mas, se querem saber, estou bem assim. Não tenho de me preocupar com eles nem nada… Só quero viver a minha vida descansada.

As amigas concordaram, pois todas desejavam o mesmo. Já tinha sido postas à prova demasiadas vezes, mais do que aquelas que mereciam.

Subitamente, vinda do nada, Luna Apareceu junto a Renee.

- Oh, estão aqui! Mas que sorte ter Aparecido mesmo aqui ao pé de vocês! – exclamou Luna, sempre animada. Só acalmou depois de abraçar Lily, a sua afilhada, e de dizer um exageradamente alegre "olá" a todos os outros. – Rolf, vê só como a minha linda afilhada está crescida!

O marido sorriu terna e apaixonadamente e rodeou os ombros da mulher com um braço, acenando a todos. O seu temperamento calmo e sensato contrastava fortemente com o de Luna. Mas talvez fosse por isso que se davam tão bem.

As mulheres juntaram-se para pôr a conversa em dia, e Rolf foi ter com Bill, o Weasley com quem se dava melhor a seguir a Charlie. As crianças continuavam a conversar, em grupos. Lily e Hugo discutiam sobre em que equipa ficariam quando fossem para Hogwarts, deixando-se sonhar enquanto isso não acontecia. James e Fred haviam desaparecido misteriosamente, sem dizer nada a ninguém, assim como Ted e Victoire. Quanto a estes dois não havia grandes dúvidas sobre o que estariam a fazer – o seu namoro, embora não fosse público, era conhecido por todos. Albus partilhava os seus receios com Rose, que o ouvia atentamente. Dominique, Molly e Lucy falavam de rapazes, como é próprio das raparigas da sua idade. Todos esperavam ansiosamente o novo ano, que certamente traria muitos novos acontecimentos à vida de cada um.

- Não tens pena de não teres filhos? – perguntou Ginny, beliscando do braço pálido de Luna.

A loira sorriu enigmaticamente e fez uma festa na própria barriga.

- Não digam a ninguém, mas eu estou grávida. De gémeos.

As mulheres não conseguiram esconder o espanto e taparam as bocas com as mãos.

- Não acredito! – exclamaram Renee e Ginny, em uníssono.

- É verdade. O Rolf está super contente e eu também. Acho que vamos ter de parar as nossas investigações por um tempo. Mas acho que vale a pena.

- E já sabes que nomes vais dar às tuas criancinhas? – quis saber Hermione, certamente já com uma longa lista de nomes na ponta da língua.

O olhar de Luna acolheu um grande sentimento de amor, e ela respondeu:

- Lorcan e Lysander. Vão ser dois meninos.

- Ooooooh… - suspiraram as três mulheres, enternecidas.

- Olha quem ele é! – exclamou Harry, alertando as belas e dedicadas esposas.

Todos os olhares se viraram para Draco Malfoy e a sua mulher, Astoria Greengrass, que se faziam acompanhar do pequeno Scorpius. O rapaz era igualzinho ao pai, embora fosse ainda mais belo. Malfoy acenou-lhes com a cabeça e voltou costas.

- Então aquele é o pequeno Scorpius – disse Ron entre dentes. – Tens de ter melhores notas que ele em todos os testes, Rose. Felizmente herdaste a inteligência da tua mãe.

Hermione fez um olhar indignado e logo protestou:

- Por amor de Deus, Ron. Não tentes pô-los uns contra os outros ainda antes das aulas começarem!

- Tens razão, desculpa – No entanto, sem conseguir controlar-se, Ron acrescentou, provocando o riso em todos os presentes: - Mas não te faças demasiado amiga dele, Rosie. O avô Weasley nunca te perdoaria se casasses com um puro-sangue!

Renee sorriu genuinamente. Embora o preconceito ainda estivesse presente no dia-a-dia dos feiticeiros, ele era muito mais raro do que quando ela andara na escola. Era bom saber que a sua luta contra os pais não fora em vão, e que a mensagem se espalhara. Sangue-puro, traidor de sangue, sangue de lama… Esses eram conceitos já raramente usados, pois a tolerância era agora muito maior. Já não era tudo uma questão de sangue.

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Notas da Autora:

Bem, aqui está. É o fim desta fic. Não haverá continuação, de forma alguma.

Espero verdadeiramente que tenham gostado de toda a fic. Eu esforcei-me, posso dizer que sim. Tentei evoluir ao longo da fic e aplicar aquilo que ia aprendendo. Sei que não posso agradar a gregos e troianos, mas espero que tenham apreciado aquilo que eu escrevi tanto quanto eu apreciei escrevê-lo.

Espero igualmente não vos ter desiludido com este epílogo. Apesar de pequeno, a mensagem está lá.

Obrigado a todos os que leram a fic, e um obrigado especial àqueles que comentaram. Tenham acompanhado a fic desde o início ou não, foram todos muito especiais para mim.

Por último, quero dedicar esta fic à Ireth Hollow. Peço desculpa a todos os outros leitores da fic, mas a Ireth é a verdadeira merecedora desta dedicação. Acompanhou sempre a fic, mesmo quando os capítulos demoravam a ser postados ou estavam mais curtos e pior escritos. Um obrigado muito especial a ti, Ireth.

Mandem uma última review, peço-vos. Não custa muito e eu gostava de saber o que acharam da fic em si, queria um comentário grandinho e crítico, para saber como posso evoluir na minha escrita.

Mais uma vez, muito obrigado a todos.

Lyra'

PS: Vou apagar a fic "Verdadeira Guerra", pois a história já não me agrada. Em compensação, postarei uma nova fic, também com personagens da nova geração. Espero que leiam, embora não prometa postar muito em breve.

Até sempre.