Olá caras leitoras!

Voltei depois de muito tempo com mais um capítulo dessa estória que eu absolutamente amo. E pensar que tudo começou como uma one shot e agora já tem 39 capítulos. Não tem jeito eu sou viciada em estórias longas!

Bom esse capítulo está grandinho para variar e tem vários momentos diferentes e todos eles giram em torno de boas conversas. Espero que gostem.

Boa leitura!


Já era noite, por volta das 19h30 quando Sesshoumaru chegou à casa dos pais sendo acompanhado por Rin. Após saírem do hotel os dois passaram na casa de Rin para que ela pegasse algumas coisas e depois seguiram para o apartamento do executivo onde se arrumariam para o jantar.

Entraram pela porta principal da casa que fora aberta por uma das empregadas e caminharam em direção à sala de estar onde foram recebidos com sorrisos pelos que ali estavam.

Izayoi se levantou da poltrona e foi até eles sorrindo docemente como de costume. Cumprimentou a nora com um abraço e um olhar significativo.

- Seja bem vinda Rin-chan! – Disse feliz.

- Obrigada Izayoi! – A jovem respondeu com seu sorriso característico.

- Agora me deixe dar um abraço no meu filhote, já que não pude fazê-lo ontem. – Izayoi voltou a falar e viu um sorriso surgir na face do homem alto a sua frente.

Sesshoumaru recebeu o abraço carinhoso da mãe correspondendo ao gesto com a mesma intensidade. Logo depois os três se juntaram aos demais na sala de estar para conversarem até que o jantar fosse servido.

Sesshoumaru e Rin se sentaram um ao lado do outro após cumprimentarem o patriarca da família, Inuyasha e Kagome que também estavam ali. Sesshoumaru pôde notar que o irmão caçula estava emburrado como uma criança e ele tinha suas suspeitas sobre o motivo.

- E então mãe como foi a viagem? – Izayoi ouviu seu primogênito perguntar.

- Correu tudo bem querido. Sayako está bem, o tumor encontrado não era maligno e ela não precisará recorrer à cirurgia para se curar. O médico disse que com os medicamentos adequados o tumor irá retrair e desaparecer.

- Que ótimo! – Sesshoumaru respondeu.

Rin observava a conversa e parecia ser a única ali a não saber de quem se tratava. Sesshoumaru percebeu isso e tratou de esclarecê-la.

- Sayako é uma amiga da família. Havia uma suspeita de que ela estivesse com câncer e ela estava muito apreensiva. Como não tem família e ninguém mais para apoiá-la, meus pais foram até lá para ajudá-la no que fosse necessário. – Rin demonstrou entendimento ao acenar levemente com a cabeça.

- Sayako é uma grande amiga. Ela esteve em todos os momentos importantes, no nosso casamento, viu os meninos nascerem. Ela os adora. – Izayoi disse sorrindo.

- Ela virá passar alguns dias conosco. – O senhor Taisho se pronunciou. – A convidamos para vir e ficar até o casamento.

- Eu me lembro bem dela na minha infância. Era como uma tia emprestada estava sempre nos agradando. – Inuyasha disse pensativo.

- Ela vai adorar revê-los. Ficou muito feliz quando dissemos que você iria se casar e que já havia um bebê a caminho. – Izayoi voltou a falar. – Por falar no casamento Kagome, tudo está dentro do cronograma, não é? Está tudo encaminhado?

- Sim. Está tudo certo. Essa semana faremos a última prova dos vestidos, o bolo já foi escolhido e encomendado assim como o buffet. Vai sair tudo perfeito do jeito que nós queremos. – A jovem disse sorrindo fitando o futuro marido.

- Vai sim querida. Tudo saíra perfeito. Será um lindo casamento.

Mais tarde, após vários aperitivos e conversas sobre vários assuntos uma das empregadas surgiu na sala e os chamou para irem à mesa onde o jantar estava servido.

Durante o jantar Sesshoumaru e Inuyasha não trocaram sequer uma palavra e isso causou estranheza aos pais, porém ambos nada disseram. Terminada a sobremesa o grupo se levantou para voltar à sala de estar onde tomariam chá. Sesshoumaru indicou a Rin que seguisse com Kagome e seus pais e aproveitou aquele momento para abordar Inuyasha e conversar com ele.

- Hei, o que aconteceu garoto? - O mais velho indagou utilizando um tom tranqüilo ao fitar o irmão.

- Nada. – Inuyasha respondeu simplesmente.

- Nada? É por isso que você está com essa cara emburrada e evitando falar comigo? Por nada? – Inuyasha permaneceu calado. – Escute, eu sei que ficou preocupado comigo quando não conseguiu me achar. Eu sinto muito, eu não estava com vontade de ver ou falar com ninguém naquele momento e depois a Rin apareceu, nós conversamos e tudo em que eu pude pensar foi em ficar com ela... Eu lamento se o assustei.

- Eu não me assustei. – Inuyasha disse rapidamente tentando parecer menos um garotinho com medo de perder o irmão mais velho.

- Não? – Sesshoumaru indagou cruzando os braços e sorrindo levemente.

- Não. – Respondeu seriamente. – Eu só queria te dar os parabéns por isso o procurei, só por isso.

- Certo. – O mais velho foi condescendente. – Bom você pode me dar os parabéns agora, o que acha? Mesmo estando atrasado será válido pra mim.

Os irmãos continuaram se encarando por um tempo e Inuyasha mantinha-se no mesmo lugar.

- Vamos garoto eu não tenho a noite toda. – Sesshoumaru provocou e deu alguns passos na direção do mais novo.

- Pare de me chamar de garoto, porque eu não sou mais um garoto. – Inuyasha reclamou ao retribuir o abraço do irmão.

Sesshoumaru sorriu ao ouvir o caçula e sentiu-se aliviado ao constatar que o bom relacionamento de ambos saíra intacto daquele mal entendido. Ele tinha plena consciência do quanto Inuyasha era ligado a ele, o quanto o admirava. Mesmo que vivessem implicando um com outro se adoravam e prezavam muito a amizade e cumplicidade que tinham.

- Desculpe por ter reagido tão mal. – Inuyasha disse quando desfizeram o abraço. – Estou feliz por você e a Rin terem voltado.

- Eu também. – Sesshoumaru respondeu em um tom sério dessa vez. – Eu estava perdido sem ela.

- Acha que agora vai ficar tudo bem entre vocês?

- Eu espero que sim e farei tudo ao meu alcance para garantir isso. O grande teste será no dia do seu casamento. Kagura estará lá. Veremos como a Rin irá se comportar diante disso.

- Pelo que eu soube, a Kagome e a mãe dela tiveram uma boa conversa com a Rin... – Inuyasha revelou. – Acho que ela vai lidar melhor com isso ou pelo menos tentar.

- Foi o que ela me disse. – Sesshoumaru respondeu. – Então eu devo creditar essa mudança de atitude da Rin a Kagome e a senhora Higurashi? – Indagou sorrindo.

- A elas também, mas de nada adiantaria se a Rin não se conscientizasse disso...

...

Na sala...

As três mulheres e o patriarca conversavam e Kagome sentiu-se curiosa em relação à ausência do noivo e do cunhado ali.

- O que aconteceu com Sesshoumaru e Inuyasha? – A jovem perguntou.

- Eles estão conversando Kagome. – A prima respondeu chamando a atenção dela.

- Eu percebi que algo havia acontecido entre os dois, mas não consegui saber o que. – Inutaisho disse.

- Você sabe do que se trata Rin? – A jovem ouviu a senhora Taisho indagar.

- É que ontem Inuyasha tentou falar com Sesshoumaru durante todo o dia e não conseguiu. Ele ficou preocupado porque sabia o quanto Sesshoumaru estava chateado e... – Ela hesitou por um momento. – Na verdade o Sesshoumaru estava comigo e só hoje pela manhã percebeu as várias ligações perdidas. Ele fez uma brincadeira que parece ter chateado Inuyasha. – Concluiu com o rosto levemente corado ao lembrar-se da cena.

- Sesshoumaru está se desculpando então? – Izayoi voltou a falar e olhou em direção a sala de jantar onde os dois filhos ainda estavam.

- Acredito que essa fosse a intenção dele. – Rin respondeu e viu os pais de seu namorado sorrirem.

...

Minutos depois os dois irmãos voltaram à companhia dos outros e a expressão suavizada do mais novo denunciava que tudo estava bem.

Inuyasha sentou-se ao lado da noiva e a beijou carinhosamente. Sesshoumaru caminhou até uma das portas de vidro ali olhando para o exterior da casa.

- Está chovendo muito. – Ele disse se voltando para os outros e logo depois caminhou até Rin sentando-se ao seu lado.

- Talvez seja melhor que vocês passem a noite aqui. Não há necessidade de dirigirem através desse temporal. Essa casa é tão grande e pode muito bem abrigar os quatro. – Izayoi disse e mesmo que o tom fosse o doce habitual os filhos sabiam que aquilo era mais do que uma sugestão.

- Não esquenta mãe. Nós vamos ficar. – Inuyasha respondeu prontamente e viu a mãe sorrir.

- Ótimo! Pedirei a Kaede que prepare os quartos. – A mulher disse e pouco depois de pedir licença deixou a sala para ir falar com a governanta.

- Dona Izayoi sempre tão preocupada... – Sesshoumaru comentou.

- Ela está certa filho. É realmente perigoso dirigir com esse tempo. Eu também ficarei mais tranqüilo se ficarem aqui. Você só vai entender bem isso quando tiver filhos.

Inutaisho preocupava-se com os filhos tanto quanto sua esposa. Mesmo que eles fossem adultos o pai gostava de saber que estavam bem e seguros, não conseguia passar mais de um dia sem ouvir a voz dos filhos para certificar-se disso. Rin sorriu ao ouvir o homem mais velho falar e Sesshoumaru que tinhas uma das mãos atrelada a sua também.

Izayoi retornou à sala cerca de vinte minutos depois. Ela mesma se certificou de que os quartos estariam prontos para receber os filhos e suas acompanhantes e que os banheiros tivessem tudo o que eles pudessem precisar.

- Bom, os quartos estão prontos. – Informou assim que reapareceu na sala. - Quando quiserem é só subir. Querido eu já vou me deitar, estou cansada. – Falou se dirigindo ao marido.

- Eu também já vou. Não descansamos após chegarmos e uma viagem é sempre cansativa. – O elegante homem disse já se levantando. – Boa noite para vocês.

- Boa noite! – Izayoi desejou e os jovens retribuíram desejando um bom descanso.

Os quatro jovens viram os donos da casa subirem as escadas de mãos dadas e desaparecerem pelo corredor. Logo depois Sesshoumaru se levantou e chamou Rin para segui-lo, ao que ela atendeu logo após pedir licença à prima e ao amigo.

Inuyasha e Kagome permaneceram sentados no sofá e a jovem retirou os sapatos por indicação dele e se deitou apoiando a cabeça em seu colo tendo seus cabelos afagados.

Sesshoumaru levou Rin até outro ponto daquela imensa casa. Era uma espécie de varanda, mas esta estava totalmente fechada por grandes portas de vidro transparente que pareciam ter sido construídas com o objetivo de permitir que os moradores pudessem se sentar ali em um dia chuvoso como aquele e observar os jardins livremente sem se preocupar com a chuva. Havia confortáveis poltronas ali cujo estofado tinha estampas florais e uma mesinha no centro com o tampo de vidro e pés que simulavam galhos distorcidos. Muitas plantas bem cuidadas também decoravam o local, colocadas sobre pedestais ou penduradas no teto.

Rin observava tudo com atenção e um sorriso no rosto. Era tão bonito e encantador. Sua observação apenas foi interrompida quando a voz de Sesshoumaru a chamando ecoou no ambiente. Ela se virou para fitá-lo e ele estava sentado em uma das poltronas e estendia os braços para recebê-la. Uma outra garrafa de vinho jazia sobre a pequena mesa ali junto com duas taças que já continham o líquido rubro. Rin se sentou e recostou seu corpo ao de Sesshoumaru sentindo-o envolve-la com os braços. Ficaram em silêncio por alguns segundos até que este foi quebrado por Rin.

- Você e seu irmão se entenderam? – Ela perguntou sentindo a respiração dele em seu ouvido.

- Sim. Você tinha razão, ele se preocupou quando não conseguiu me localizar. Acho que pensou que eu fosse capaz de fazer alguma besteira.

- Eu sabia que esse era o motivo da irritação dele.

- É, você o conhece bem minha Rin.

O som de um trovão se fez presente e a mulher nos braços de Sesshoumaru estremeceu.

- Você tem medo disso? – Ele indagou a abraçando mais forte.

- Não. Eu só me assustei. – Respondeu virando o rosto para encontrar os lábios dele e beijá-los docemente. Sesshoumaru sorriu.

Rin moveu-se ficando de lado e um de seus braços passou a repousar às costas de Sesshoumaru enquanto sua cabeça estava colocada no ombro dele. Ele acariciava suas costas e fitava o teto enquanto ela via a chuva cair e fustigar o vidro das portas.

A jovem acariciava com a ponta do nariz a região próxima à orelha dele sentindo seu perfume maravilhoso. Os lábios o tocaram de forma doce e um gemido pôde ser ouvido, mas ao contrário do que se poderia supor não fora emitido por Sesshoumaru, mas sim por Rin.

- É tão bom ficar assim com você. – Ela disse quase em sussurro. – Senti tanta falta... Não acredito que fiquei tanto tempo sem essa sensação...

- Isso não vai mais acontecer. – Ele afirmou se referindo a separação dos dois e pouco depois a chamou. – Rin?

- Hum? – Ela murmurou.

- Prometa que sempre que houver algo a incomodando sempre que acontecer alguma coisa que a desagrade, você virá falar abertamente sobre o assunto e não simplesmente se tornar arredia e se afastar de mim.

- Eu prometo. – Ela disse após suspirar profundamente e logo sentiu os lábios dele tocarem sua testa de forma carinhosa.

- Eu quero que sejamos honestos um com o outro sempre. – O homem voltou a falar.

- Uhum. – Ela murmurou ainda se deliciando com o perfume masculino.

- O casamento está chegando... – Sesshoumaru comentou após alguns minutos de silêncio. – Kagura estará lá. – Disse sentindo uma apreensão enorme no peito embora não a tivesse demonstrado e aguardou por uma resposta.

- Eu sei. – Ela disse simplesmente.

Ficaram em silêncio e só o som das gostas de chuva indo de encontro ao vidro podia ser ouvido. Momentos depois de ficar pensativa, Rin voltou a falar e dessa vez ergueu-se para fitar o homem cujo corpo aquecia o seu.

- Sesshoumaru, você é um homem inteligente e eu sei que você não pensa que eu simplesmente deixei, de uma hora para outra, de sentir ciúmes da Kagura. – Ela disse séria, mas com a voz suave. – Eu tomei a decisão de não agir mais como uma garotinha medrosa e imatura, tomei a decisão de não me deixar dominar pela insegurança e pelo medo de perder você, mas eu ainda vou sofrer se vir vocês dois juntos ou algum gesto que denote intimidade entre vocês.

- Eu não quero que você sofra minha Rin. – Ele disse acariciando o rosto dela.

- Eu sei que não. – A face de Rin era serena assim como seu tom de voz. - Esse é um problema com o qual eu tenho que lidar, mas você também pode me dar uma ajudinha... – Disse sorrindo dessa vez. – Você vai me ajudar muito se evitar contato físico do tipo beijos e abraços, sabe?

- Sei. – Ele sorriu levemente e ela o beijou.

- Beijos e abraços devem ser para mim. – O beijou novamente. – Só para mim. - Reafirmou num tom ameno e mordeu levemente o queixo dele fazendo-o gemer fingindo dor.

- Só pra você? – Sesshoumaru Indagou e a viu confirmar com um aceno de cabeça e o sorriso de menina que ele tanto amava. – Entendi.

- Você vai se orgulhar de mim Sesshy. Pode ter certeza. – Ela disse voltando a se deitar e os lábios voltaram a acariciar a pele dele na região próxima a orelha. Rin aplicava beijos leves na região e mordidas que faziam o homem gemer baixinho e ela sorrir de satisfação. – Eu te amo muito. – Sussurrou.

- Eu também te amo pequena Rin e se você tiver confiança nisso tudo ficará bem.

- Eu confio amor e vou provar pra você isso. Nunca mais farei nada que ponha em risco o que nós temos. Não quero mais passar pelo que passei nos últimos meses.

- Eu também não.

- Acho que nunca vivi momentos tão difíceis na minha vida. – Rin disse recordando-se daqueles momentos. – Naquela noite em que nós discutimos, eu fiquei tão mal me arrependi tanto do que eu disse. E quando eu vi você ir embora no meio daquela chuva com aquele frio eu me desesperei. Eu pensei em ligar, mas tive medo de que você não atendesse ou que atendesse e me dissesse que estava cansado das minhas criancices e que nunca mais queria me ver.

- Eu realmente não teria atendido se você me ligasse. Estava irritado demais. – Sesshoumaru disse calmamente enquanto acariciava os cabelos dela também recordando àquela noite.

- Eu fiquei tão preocupada quando você saiu... Milhares de coisas passaram pela minha cabeça. Você sozinho na rua, naquele tempo, com aquele frio e aquela chuva...

- Eu andei, andei por muito tempo, por vários quarteirões tentando entender o que estava acontecendo com a gente. Não senti o vento ou a chuva, nada. Minha cabeça estava a mil e eu me esforcei ao máximo tentando me lembrar de algum momento, alguma coisa que eu tenha dito ou feito que denotasse que você era pra mim apenas alguém com quem eu gostava de dividir minha cama, alguém a quem eu estava ligado apenas porque me dava prazer eu não consegui me lembrar de nada nesse sentindo. Isso me deixou ainda mais confuso e magoado com o que você disse.

Rin o abraçou ao ouvi-lo falar ainda estando na mesma posição. Ela imaginava como ele se sentira naquela noite como fora para ele ouvir aquela mentira, aquele absurdo. Sim porque aquilo era absurdo e mesmo naquela época, Rin tinha plena consciência disso. Sesshoumaru jamais a tratou como um objeto, ao contrário fazia-a se sentir uma rainha, uma deusa e naquele momento de descontrole ela disse o que não devia e o que sequer pensava ferindo-o profundamente.

- Eu nunca acreditei naquilo Sesshy. – Ela disse sincera. – Eu nunca quis realmente dizer aquilo.

- Eu sei. Você estava zangada e explodiu.

- Aquela noite foi tão terrível. – Disse chorosa aconchegando-se ainda mais ao corpo dele. - Eu chorei tanto, estava tão arrependida, mas não tive coragem de procurá-lo e achei que depois daquilo você nunca mais ia querer me ver, que estava tudo acabado.

- Foi o que eu pensei também e eu tentei me convencer disso... principalmente quando a vi com seu ex-namorado.

- Você nos viu? – Rin pareceu surpresa e se levantou para fitá-lo. – Onde?

- No centro da cidade, cerca de uma semana antes do almoço na casa dos meus pais. Eu estava preso em um engarrafamento e a vi na calçada esperando por ele. Vi quando ele chegou e vocês se abraçaram demoradamente. – Ele falou olhando nos olhos dela. - Eu não sabia de quem se tratava na ocasião.

- E você achou que era um novo namorado?

- Achei. – Confirmou com tranqüilidade. – Achei que você havia me esquecido e seguido em frente.

Rin tocou os lábios dele com os seus e sorriu docemente fitando aqueles belos orbes dourados.

- Como se isso fosse possível. Eu tentei seguir em frente... – Ela voltou a falar. – E até achei que conseguiria, até vê-lo naquele almoço. Quando eu o vi ali depois de tanto tempo, todos os meus sentimentos voltaram como em uma avalanche...

- Ah, aquele dia! – Sesshoumaru exclamou. – Eu tomei o maior porre da minha vida depois daquele dia. – Completou sorrindo.

- Por quê?

- Por sua culpa. – Respondeu sério e arrancou um sorriso da mulher cujo corpo repousava sobre o seu.

- Você se embebedou por minha causa?

- Sim. Eu estava arrasado, não conseguia dormir, nem pensar com clareza... – Disse fazendo manha e talvez Rin pensasse que era apenas isso, mas de fato era assim que ele se sentia na ocasião.

- Ah, pobrezinho! – Rin disse acariciando o rosto dele e aplicando leves beijos. – Você sentiu minha falta? Hum?

- Você não faz idéia. – Respondeu sério.

Rin voltou a beijá-lo dessa vez com mais intensidade invadindo a boca dele com a língua sentindo o saber que tanto lhe fizera falta naqueles meses. Sesshoumaru correspondeu da mesma forma sentindo os doces lábios de sua Rin de encontro aos seus, a maciez daqueles lábios que o enlouqueciam e o faziam esquecer-se de tudo a sua volta. Separaram-se alguns minutos depois em busca de ar e os orbes castanho e dourado se encaravam.

- Eu também senti muito a sua falta. – Rin disse o fitando.

Momentos mais tarde, quando já haviam tomado todo o conteúdo da garrafa que estava ali. Sesshoumaru chamou Rin para irem para o quarto. A jovem se levantou permitindo que ele se colocasse de pé e os dois caminharam de volta à sala vendo que Inuyasha e Kagome já não estavam ali. Subiram os degraus da escada que levava ao andar superior da casa e seguiram para o quarto dele que estava pronto para recebê-los. Após se trocarem os dois se deitaram na espaçosa cama e abraçados um ao outro adormeceram sendo embalados pela chuva intensa que caía lá fora e atingia a janela.

...

Aquela semana iniciou com tempo nublado e ainda fazia frio, mas a metereologia previa uma melhora no decorrer da semana e no final haveria sol com certeza.

No centro da cidade, sentado em sua cadeira na sala da presidência, Sesshoumaru terminava de assinar alguns papéis. Ele olhou no relógio e viu que era quase meio dia, olhou para o telefone sobre a mesa e logo o aparelho estava em suas mãos com alguns números sendo discados no teclado.

- Moshi, moshi? – A alegre voz feminina foi ouvida.

- Bom dia! – Ele disse sorrindo sabendo que sua voz grave causaria surpresa.

- Bom dia! Sesshoumaru é você?

- Sim Kagome, sou eu.

- O que houve pra você me ligar assim de repente? – Ela falava enquanto caminhava pelos corredores da faculdade, pois acabara de sair de uma aula.

- Eu quero muito conversar com você. Já tem planos para o almoço?

- Na verdade, eu tinha pensado em comer qualquer coisa por aqui mesmo... – Ela disse despreocupada.

- E você deveria estar comendo "qualquer coisa" estando com meu sobrinho na sua barriga?

- Ai meu Deus! Você também?! Um super protetor já basta Sesshoumaru. – Ela disse divertida e o outro sorriu.

- E então aceita meu convite para almoçar?

- Aceito sim. - Ela disse tentando imaginar o que o cunhado queria. Apesar de saber que certamente era algo relacionado a Rin.

- Ótimo! – O outro disse. – Você está na faculdade, não é?

- Uhum.

- Eu passo aí para buscar você. Em meia hora eu devo estar chegando. – Sesshoumaru disse após verificar o Tag Huer em seu pulso.

- Tudo bem. Eu espero.

Kagome desligou o telefone após se despedir do cunhado e se sentou em um banco que ficava sob uma árvore de cerejeira. A temperatura estava amena àquela altura e por entre as nuvens o sol ameaçava surgir. Logo algumas amigas de sua classe vieram até ela e se sentaram para conversar.

- Não vai almoçar K-chan? – Tami perguntou.

- Vou sim, mas estou esperando virem me buscar.

- Ah tá. Você entendeu bem a matéria de hoje? Nossa o professor estava atacado!

- É verdade. Ele estava com péssimo humor. Deve ter acontecido alguma coisa.

- Eu não entendi nada dessa matéria. – Satika, outra amiga de Kagome disse. – Vou ter que me esforçar muito para passar nas próximas provas.

- Todo mundo vai ter que se esforçar. – Tami voltou a falar.

- E eu mais ainda. – Kagome disse desanimada.

- É verdade. Com tantas coisas na cabeça para resolver... o casamento, o bebê, casa nova, marido... – Tami concluiu.

- Pois é. É muita coisa na minha cabeça, mas eu prometi a minha mãe e ao Inu que eu não descuidaria da faculdade. E ele me ajuda a estudar, sabiam? – A jovem disse sorrindo. – Ele é muito bom é matemática e sempre me ajuda com os cálculos. Me explica a matéria muito melhor do que o professor.

- Ah querida, tendo um homem como ele me dando lição de cálculos até eu teria conceito máximo nas provas. – Disse Satika ficando imediatamente vermelha como um pimentão diante do olhar surpreso das amigas. – Ai desculpe Kagome, foi sem querer. Eu disse isso com todo respeito.

- Sei. – A futura mamãe disse fingindo estar zangada, mas logo caiu na risada ao ver a face da amiga e todas riram também.

Enquanto conversava com as amigas, Kagome pôde ouvir o som de uma buzina e este chamou sua atenção. Ela se voltou para o portão de entrada do campus e logo identificou o cunhado parado ao lado do carro.

- Meninas, eu tenho que ir. Minha carona chegou. – Ela disse já pegando sua bolsa e o fichário que carregava. As jovens que estavam com ela se voltaram também para aquela direção e puderam ver o homem alto e imponente que acenara discretamente para Kagome.

- Kami-sama! Aquele é seu cunhado, não é Kagome? – Tami que já havia visto Sesshoumaru anteriormente no ensaio para o casamento indagou.

- É ele sim.

- Nossa que gato! – Hanako que chegara ali minutos antes disse sem deixar de fitar o belo homem de cabelos prateados vestido em um terno extremamente elegante que ainda esperava pela cunhada encostado ao carro preto.

- É, ele é gato sim, mas já vou logo avisando que tem dona.

- Sério?

- Como assim?

- Quem?

Várias perguntas feitas ao mesmo tempo quase deixaram a jovem confusa.

- Ele é namorado da minha prima gente e é totalmente apaixonado por ela, então desistam.

- Aaah! – Foi o som que deixou os lábios de todas as jovens ali que suspiraram diante da visão daquele homem.

- Tchau meninas! – Kagome às cumprimentou e seguiu ao encontro de Sesshoumaru.

Ao se aproximar do carro, Sesshoumaru gentilmente pegou o fichário e a bolsa de Kagome antes de abrir a porta para que ela entrasse no veículo.

- Você tinha muito assunto com suas amigas, não? – Ele perguntou a fitando e Kagome sorriu.

- O assunto era você cunhadinho. – Ela respondeu e logo depois se sentou no banco do passageiro.

Sesshoumaru sorriu levemente já imaginando o teor da conversa e deu a volta no carro se acomodando a seguir no assento do motorista e girando a chave na ignição. O veículo logo entrou em movimento e ele voltou a falar com a cunhada.

- Você quer ir a algum lugar em especial?

- Hum... – Ela iniciou pensativa. – Deixe-me ver... Acho que podemos ir a um restaurante especializado em frutos do mar. Eu quero comer lula e camarões. – Disse sorrindo.

- Achei que não estivesse com fome. Você não ia comer "qualquer coisa" na faculdade?

- Ia, mas já que você me convidou para almoçar... eu e meu filhote ficamos com vontade de comer.

- Sei. – Sesshoumaru disse sorrindo enquanto guiava o carro através de uma curva. – Eu sei exatamente aonde devemos ir.

Minutos depois Sesshoumaru estacionava em frente a um restaurante especializado e reconhecido por seus pratos compostos dos mais variados frutos do mar. Ele conduziu a cunhada pela porta e através do ambiente bem decorado até alcançar uma das mesas indicadas pelo garçom. Eles logo se sentaram e foram servidos de água com gás e limão.

- E então Sesshoumaru, qual é o motivo pra esse convite?

- Eu quero saber uma coisa e tenho certeza que você é a única pessoa que pode me contar. – Ele disse calmamente fitando Kagome nos olhos.

- O que é? – Ela indagou curiosa.

- A Rin deve ter contado a você o que ela fez no meu aniversário.

- A surpresa? Ela contou sim.

- Pois bem. Ela me levou a um jantar maravilhoso e depois nós passamos o final de semana no Hyatt.

- Você não gostou da surpresa? Ela me disse que você havia gostado... - Kagome disse ao ver a seriedade com que ele falava.

- Não é isso Kagome. É claro que eu gostei da surpresa. Gostei de tudo. Ela pensou nos mínimos detalhas em tudo o que eu gosto, criou a atmosfera perfeita e eu fiquei absolutamente surpreso e maravilhado.

- Então? – A jovem indagou curiosa em saber onde ele queria chegar.

- Essa é uma questão delicada Kagome e eu confio que você manterá a discrição quanto a isso. Você conhece o Hyatt, não, sabe da fama dele?

- Claro. Eu já fui visitá-lo como parte de um projeto da faculdade. A arquitetura e da decoração dele é magnífica.

- Certo. Então você deve saber o quão caro é o serviço deles. Eu quero saber como a Rin fez para pagar por tudo aquilo. – Kagome se fechou diante da indagação dele. – Vamos Kagome, me diga.

- Por que você não perguntou a ela Sesshoumaru?

- Ela não me diria e quando eu perguntei se ela precisava de ajuda, ela me disse que tinha tudo sob controle. – Sesshoumaru mantinha sua voz grave e serena enquanto falava com a cunhada.

- Você duvida que ela tivesse tudo sob controle?

- Não naquele momento. Mas eu fiquei preocupado. A conta da nossa estadia ficou altíssima, eu tenho certeza disso. Eu quero que você me diga o que ela fez.

O garçom trouxe os pratos pedidos por ele e questionou se queriam algo mais. Sesshoumaru o dispensou dizendo que ambos estavam satisfeitos.

- Sesshoumaru se eu te disser isso a Rin me mata.

- Eu só quero ter certeza de que ela não fez nenhuma loucura.

- Ela só queria agradar você. Disse que queria surpreendê-lo como você sempre faz com ela.

- E ela conseguiu. Como eu disse, eu adorei tudo. Com certeza foi o melhor aniversário que eu já tive. Eu nunca vou esquecer. – O homem disse sorrindo, o que fez Kagome também sorrir. – Me diz Kagome, o que foi que a Rin fez?

- Jura que você não vai dizer pra ela que eu contei?

- Juro.

- Se você disser, eu digo que você se aproveitou do meu estado sensível e me torturou... – Sesshoumaru riu do teatrinho da cunhada. – Ela usou as economias dela. – Kagome disse finalmente.

- O que?

- Quando os pais dela morreram deixaram para ela uma apólice de seguro. Ela aplicou esse dinheiro e ao longo dos anos foi juntando mais com o que ela ganha no trabalho e fez outras aplicações que deram bons rendimentos, por isso ela nunca se preocupou com grana mesmo quando ainda não trabalhava.

- Meu Deus! – Sesshoumaru disse baixo.

- Por favor, Sesshoumaru não deixe ela saber que eu te contei. Ela vai ficar furiosa e nunca vai me perdoar.

- Eu não vou... – Ele disse pensativo e ainda atônito com a informação. Como Rin pôde fazer isso? – Você sabe quanto desse dinheiro foi comprometido?

- Não. Eu não sei quanto ela tinha. – Kagome disse sinceramente.

- Provavelmente foi tudo ou quase tudo. – Sesshoumaru voltou a falar e tudo em que ele pensava era no gesto diligente de sua Rin.

- Pode ser, mas ela me disse que não estava arrependida que faria de novo se tivesse a chance só pra ver o brilho que você tinha nos olhos naquele momento.

Sesshoumaru fitou a cunhada e ela sorria levemente. Ele levou a taça com a água à boca e sorveu o líquido tentando desfazer o nó que se formava em sua garganta. Os olhos dourados tinham um brilho diferente enquanto ele pensava no que fazer.

- Obrigado por me contar Kagome. Isso significa muito pra mim.

- Não precisa agradecer. Acho que você consegue ver com isso o quanto ela te ama.

- Eu nunca duvidei do amor dela por mim, mas você tem razão isso revela muito.

Os dois continuaram seu almoço e poucas palavras foram ditas, pois o homem não parava de pensar no que Rin fizera e Kagome percebeu isso preferindo deixá-lo com seus próprios pensamentos enquanto desfrutava de seu belo prato de camarões grelhados.


Oi!

Bom eu procurei atender a alguns pedidos nesse capítulo e espero que tenha conseguido fazê-lo de forma satisfatória. Saberei através de seus reviews.

Tivemos um conversa entre os irmãos e eu achei irresistível colocar o Inuyasha como o irmão que tem adoração pelo mais velho e fica emburrado quando este não o leva a sério. Queria ter explorado mais isso ao longo da estória, mas o Sesshoumaru é muito na dele e por mais que também adore o irmãozinho, não vai sair alardeando isso por aí.

Depois a conversa entre o casal que recordou os momentos em que estiveram separados. Os dois admitiram como se sentiram com a separação e a distância um do outro. Sesshoumaru mais uma vez demonstrou que não tem problemas em admitir uma fraqueza. Ele também sofreu. Algumas arestas estão sendo aparadas e Sesshoumaru ainda se preocupa com a reação de Rin a presença e aproximação de Kagura. Ela diz que o surpreenderá. Será?

Por fim, Sesshoumaru "encurrala" a cunhada para saber o que Rin havia aprontado para conseguir arcar com toda aquela noite maravilhosa e romântica. Eu tive as sugestões mais loucas sobre essa parte da fic rsrsrs. Mas enfim, Rin gastou todo o seu rico dinheirinho nessa brincadeira. O dinheiro que ela vinha juntando para a realização de um sonho talvez. Essa atitude da jovem comoveu e muito o Sesshoumaru. Vejamos como ele vai lidar com isso. Eu tenho quase certeza de que ele tentará de forma sutil compensá-la. O que vocês acham?

Continuo contando com seus comentários, críticas e sugestões que são sempre bem vindas.

Agradeço muito mesmo aos reviews encaminhados e só não vou agradecer um a um porque estou com pouco tempo.

Beijos e até a próxima.