Descobrindo Novos Sentimentos

Disclaimer:

Os personagens dessa obra não me pertencem, são de autoria de Rumiko Takahashi, todos os direitos reservados.

Capítulo 1: Compromisso

Era uma bela manhã, os pássaros cantavam, o sol brilhava, e o exuberante vilarejo a nossa frente se aproximava, fazendo a nossa empolgação aumentar. Enfim, nos aproximávamos de um local aonde havia comida de verdade, e não peixes feitos em fogueiras, ou sanduíches que a Kagome-Sama trazia de sua era.

- É pessoal, teremos um almoço digno hoje. - Eu falei, com um sorriso no rosto - E eu vou poder me divertir um pouquinho... - Terminei, feliz e sorridente. Eu tinha algo muito bom em mente, com garotas, comida e uma cama macia e confortável... Umas moças bem lindas do vilarejo seriam só minhas, neste dia, se meus planos não fossem destruídos pelo poderoso Hiraikotsu de Sango-chan, que foi diretamente a minha cabeça, interrompendo o que eu, tão gloriosamente, dizia.

- Houshi-Sama! - Ela gritou, com os olhos faiscando de raiva. Apesar de eu gostar de ver aqueles lindos olhos faiscarem, sabia que não era bom, ela estragaria meus belíssimos planos por culpa de minha enorme boca - Seu pervertido, não se atreva! Se eu descobrir que está com alguma garota eu te mato!

- O que é isso, Sango-Chan? – Perguntei, usando meu charme e me fingindo de indignado – Eu nunca faria uma coisa dessas... Você sabe que eu só tenho olhos pra você, não precisa ficar com ciúmes... – Debochei, em tom de falsa indignação. Percebi que ela corou, da cabeça aos pés, se afastando um pouco.

- NÃO É NADA DISSO! – Gritou a Taijiya, visivelmente sem graça. – É só que... Não é certo correr atrás de todas as moças que vê... Depois do que me prometeu... – Terminou ela, fazendo meu coração bater mais forte, e ficando cada vez mais vermelha.

Nada respondi, apenas baixando a cabeça e seguindo meu caminho, calado. Compreendia e sabia que ela tinha razão, mas estava pouco habituado a idéia de me prender a uma moça, apesar de amar muito a Sango...

Fomos pra dentro do vilarejo, almoçamos bem e depois eu sai, usando o pretexto de conseguir hospedagem pra nós. Enganei o Senhor Feudal, como era de costume, ganhando uma confortável hospedagem, pra mim e meus amigos.

Depois disso, não resisti ao impulso de ir procurar umas garotas... Era algo mais forte do que eu, incontrolável, parecia que havia um imã que me puxava pra perto das garotas bonitas... Eu tinha que encostar minhas mãos em seus "atributos"... Era magnético, não havia como escapar daquilo... Tentei conter-me, mas o desejo me venceu, fazendo-me criar a falsa ilusão de que Sango nada veria.

Passei o resto da tarde atrás de jovens bonitas, conversei com várias delas, sugeri um filho meu a grande maioria e só recebi negativas. Minhas falhas tentativas nunca me trouxeram benefício, mas eu continuaria tentando, sempre.

Percebi que alguém me seguia, mas não soube dizer quem era, já que era um espião muito habilidoso, não podendo ser facilmente encontrado. Senti um arrepio percorrer-me a espinha... E se fosse a Sango, o que eu faria? Tive tanto medo que decidi voltar pra cabana. Mas encontrei uma bela moça no caminho, e não resisti em conversar com ela:

- Olá! Eu sou o monge Miroku – Falei, sorrindo, percebendo que a garota sorrira, parecendo alegre.

- Olá! Sou Natsuko, muito prazer... – Respondeu ela, educadamente. A achei linda, e me esqueci do possível espião que me seguia.

- Preciso de sua ajuda... – Eu pedi, começando a contar minhas inteligentes histórias, que sempre cativavam as moças – Um Youkai me lançou uma maldição terrível, eu vou ser morto por ela... Preciso de herdeiros para derrotá-lo pra mim e continuar a caça do Youkai em meu lugar... – Fiz uma fingida expressão triste, que pareceu penalizá-la.

- Bem, senhor monge... Se é por tão boa causa, teria um filho seu mas... – Parou, sorrindo, parecendo cada vez mais angelical – Soube que tem uma moça, sua noiva, que está te procurando por todo o vilarejo... Não posso ter um filho de um homem comprometido.

- Noiva? Eu não tenho noiva, nem sou comprometido... Deve ter sido alguma de minhas companheiras de viagem. – Eu disse, sem medir nenhuma conseqüência do futuro.

A beijei, com desejo, enquanto ela parecia se derreter em meus braços. Ouvi um barulho vindo das matas, parecia alguém fugindo, mas não dei nenhuma importância.

Depois de pouco tempo larguei a moça, tomando consciência de que Sango estava no mesmo vilarejo. A olhei, decepcionado, sentindo-me um canalha por ter feito aquilo.

- Natsuko, não posso... Me lembrei de algo, preciso ir agora... – Eu disse, fugindo, sem encarar novamente a moça.

Voltei a cabana, como se nada tivesse acontecido. InuYasha estava sentado, num canto da cabana, Kagome parecia nervosa com algo e Sango estava abatida, não fazia idéia do porque.

- Kagome-Sama, o que houve aqui? – Perguntei, observando os furiosos olhos de Kagome em minha direção, que nada disse, olhando pra Sango – Sango-Chan, o que há com você, está tão triste porque?

- Você... – Ela respondeu, lançando olhos enraivecidos em minha direção, me fazendo congelar – Eu ouvi tudo o que disse àquela moça, e vi o beijo apaixonado que trocaram... Achei que você tivesse a prudência de me avisar antes de sair assumindo que não temos nada haver um com o outro... – Senti-me afogar no desespero, após ouvir as duras palavras dela.

- Eu... – Comecei, sem saber que desculpa usar.

- Não precisa se explicar, sempre fui sua companheira de viagem, nunca tivemos nada de mais profundo, nem uma amizade... Eu me preocupei de verdade com você Miroku, pensei que estivesse ferido, pensei que estivesse lutando, mas não, estava procurando uma garota... Pois se acha que vou te perdoar, está muito enganado... Nunca, Miroku, nunca vou te perdoar por isso... – Ela disse, fazendo meu coração se estraçalhar, em mais de mil fragmentos.

A tristeza me corroeu, mais ainda, ao ver a minha amada Taijiya correr pra fora da cabana, com lágrimas nos olhos. Me sentei, suspirando, triste. Kagome me lançou um olhar de ódio, mas parecia muito preocupada com Sango sozinha lá fora pra me repreender, fazendo-me sentir pior do que já me sentia, se é que era possível.

Fiquei ali, pensando no que fazer, esperando minha amada voltar, pra dar-lhe uma explicação digna. Logo ela voltou, sentando perto de Kagome, com total indiferença a mim, sem nem olhar em minha direção. Shippou, que estava em meu ombro, cochichou, em meu ouvido:

- Miroku... – Começou o filhote de raposa Youkai – Porque a Sango está tão brava com você? O que você aprontou dessa vez?

- Nada, nada Shippou... Quando você crescer vai ver como é difícil lidar com uma garota... – Eu respondi, suspirando.

Ele apenas lançou-me um olhar estranho, que eu não sabia dizer se era de raiva ou indignação. Ignorei o menino, voltando a minha atenção ao meu problema com relação a Sango.

Meus companheiros ficaram conversando, mas eu não dava-lhes a mínima atenção. Sango nem me olhava, parecia cheia de fúria e se afastava de mim sempre que eu tentava me aproximar. Ela me evitava, sem vacilar, nem parecia mais nutrir quaisquer sentimentos em relação a mim. A culpa me torcia o pescoço, com fortes mãos, estrangulando toda a minha sanidade e felicidade... Como eu havia sido idiota em não me importar com os sentimentos dela naquele momento... Na hora em que beijei Natsuko...