Capítulo 2: Minhas palavras

Ela é a vida,

Bela, jovem, radiante e sorridente...

Eu sou a morte,

Triste, amarga e escura, Serena e repentina,

Portadora da tristeza,

Que em bela manhã, de brilho magnífico,

Resplandecera num golpe fatal e direto

Que quebrara o lindo encanto de nosso amor...

Ela é o dia,

Sempre a brilhar e sorrir,

Mesmo nos piores momentos,

Um constante sol a iluminar seu olhar.

E eu a noite...

Que já não mais brilha como antes,

Tendo perdido a capacidade

De sorrir e amar...

Ela é a luz, o caminho belo,

Encantador, bonito e perfeito

Eu a escuridão,

Estrada esburacada, destruída,

Desafiadora e escura,

A cada dia mais perigosa e fatal.

Sentimentos estilhaçados,

Como a Jóia que a tanto protegi

Meu coração despedaçado,

Pela traição e mágoa,

Que o teu me proporcionou,

Devido ao nosso engano, a anos atrás.

Meu coração...

Marcado por cicatrizes, tristezas e mágoas...

Dominado pelo meu infundado ódio por ti

Que a muito eu já esqueci...

Que, naquele dia,

Atravessou a fina faixa

Que dividia o amor e o ódio,

A discórdia e a desconfiança,

Do respeito e do carinho.

Túnel escuro,

Onde somente o mais corajoso dos seres,

Teria a audácia de se aprofundar,

E esse ser foi você.

Tu deste uma esperança a meu coração,

Que duro como pedra,

Um dia se recusara a alguma vez amar.

Tu deras luz,

Que fizera a escuridão se apagar,

Dando início a alegria,

Que sufocada, estrangulada,

Quase morria de dor.

Tu foste meu mundo,

Minha alma, meu caminho,

Meu mais precioso bem...

E numa jura de amor eterno,

Selada por um beijo

Jamais apagado por minha mente,

Entreguei-te minha vida,

E nossos corações se harmonizaram,

Nessa nossa fantasia,

Batendo como um só,

O documento, incontestável,

do sentimento verdadeiro.

E naquele amor impossível,

Que ligava dois mundos,

Rivais mortais,

Tecemos fios de amor,

Sem com o futuro nos preocuparmos,

Apenas em confidências,

A inventar o futuro,

A tornar-te humano por completo,

E a produzir felicidade,

Em história inventada,

Possível, mas não concretizada,

Pelas mãos, severas, do destino impedida.

E, a mando do destino,

Antes escrito e manchado com meu sangue,

O futuro veio a nos destruir,

A desconfiança entre as duas espécies

Fez gerar um sentimento de traição,

Ao sermos enganados, sem nem olhar pra trás...

Errei, eu compreendo...

E desse pequeno erro,

A morte se aproveitou,

Não me dando tempo pra reconciliações,

Beijos ou últimas palavras.

E vendo teu rosto,

A declarar que se sentira traído,

Num último suspiro,

Eu parti,

E o único som a se ouvir

Foram os soluços,

Inocentes e tristes,

De minha amada irmã...

Única testemunha de meu romance..

Agora que regresso,

A verdade me esmaga o peito,

Me comprime a emoção,

E faz as lágrimas, insistentes,

Teimarem em rolar por meus olhos...

Aquele brilho se apagou,

E sua figura está diferente...

Você era mais constante,

Presente, incisivo,

Mais cheio de vida.

Agora te vejo,

Triste, abandonado e magoado,

Em teus olhos o desgosto estampado,

O amor, nunca esquecido,

A brilhar nos teus dourados olhos,

A me olhar, doces e carinhosos.

A culpa me corrói,

A dor é tão grande,

Que nem minha infindável tristeza,

Pôde ou poderá um dia apagar...

Ela te mudou, e eu nada fiz...

Apenas abri mais uma cicatriz,

Em teu coração ferido,

Marcado pelas mágoas de teu doloroso passado.

Agora te vejo assim,

Indeciso, perdido e só...

Procurando na garota que o segue,

Aquilo que antes vira em mim.

E buscando no fundo de minha alma,

A moça viva, cheia de calor humano,

Que antes havia em mim.

Eu te compreendo,

Personalidades opostas,

Água e vinho,

Preto e Branco,

Sol e lua,

Alegria e tristeza...

No entanto tão iguais,

Sentimentos iguais,

Paixões evidentes,

Humanas, por fim.

A mesma alma,

A confundir teus pensamentos,

A batalhar por teus sentimentos,

A chorar por ti.

Ao mesmo tempo,

Esquecendo-se de ti,

Apenas pela competição,

Querendo te levar,

Como um troféu a ser disputado,

Numa guerra imoral e injusta,

Embora imortal,

Pela tua alma, teu amor, tua vida.

A mesma alma,

Dois corações,

No mesmo compasso,

Batendo apenas por um...

Por isso desisti dessa luta,

Inata e irreal,

Por uma coisa que ninguém,

Jamais poderá ter,

Você...

Seja lá qual for sua decisão...

Sempre o amarei,

Na vida, na morte,

De longe ou de perto,

Jamais haverá alguém como você,

Pra meu coração,

Obscurecido pelas trevas,

Despedaçado pela tristeza,

E revivido pelo teu amor,

E por fim, declaro,

Nada mais poderei dizer,

Além de desejar-lhe alegria,

Seja lá com quem for,

Não importa se comigo ou com ela,

Lhe desejo o melhor dos dois mundos,

E tenha meu amor eterno,

Eternamente teu...

Ass: Kikyou


Obrigada a todos os leitores

Fiquem de olho, porque logo podem pintar novidades nessa fic aqui xD

Beijos

Rosetta D