Invasão de Privacidade

Capítulo dez

Enquanto Tomoyo tentava formular mentalmente uma frase coerente, Eriol admirava a beleza natural dela, de cara lavada, usando pijama e pantufas, mesmo assim Tomoyo era, de longe, a mulher que mais mexeu com seus sentimentos, o jeito sério e responsável conciliado com o rosto angelical e a voz melodiosa formavam um conjunto perfeito, um conjunto que Eriol queria para si. Agora o dilema era: como conquistar essa mulher?

wwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww

- Tudo bem... - Começou, depois de uma crise interna de nervos, Tomoyo. - A verdade nua e crua...

Eriol soltou um risinho, a morena, percebendo a ironia de sua frase, corou no mesmo momento.

- Quero dizer...Unh...Eu não vi nada de mais!

- Nada de mais? - Eriol segurou o próprio queixo, como se estivesse pensando. - Ora, assim me ofende!

- Como? Não...não. - Tomoyo sentia-se cada vez mais confusa, era como se Eriol estivesse armando uma encruzilhada. - Eu não vi nada! Não vi esse treco ai...

- Meu pobre Eriolzinho está se sentindo desmerecido, ele nunca passou desapercebido antes! - O inglês tentava manter seriedade, para que seu joguinho funcionasse, mas diante as espontâneas respostas de Tomoyo, tudo ficava mais...Divertido! Ainda mais vendo o modo que ela se embaralhava para ser gentil e educada, sem parecer oferecida, afinal, ele sabia que ela tinha apreciado a visão.

- Senhor...Peladão... - Gaguejou novamente, como chamava mesmo? - Seu nome?

- Ah...Chame-me apenas de peladão...- Eriol riu-se mais ainda, mas se recompôs ao ver a face séria da morena. - Eriol, Eriol Hiraguizawa.

Finalmente um nome! Aquele ser tão bem esculpido tinha nome, e um nome lindo! - To...To...Mo...Yo - seu nervosismo era tanto que as últimas duas sílabas saíram num suspiro.

- Toto! Bem diferente, hein? - Sakura havia lhe contado sobre Tomoyo, mas falar para ela iria dar muita bandeira, o lance do banheiro foi curtição, mas ao conhecê-la, de verdade, o fez cogitar uma...azaração, talvez?

- To...To...MOYO. - Toto, ora que abuso! Tudo bem que o conheceu BEM, mas não era de dar tais liberdades. Tinha que manter a postura, ele era apenas alguém que viu nu!

- Meus perdões, To...Tomoyo. - Ao que pode constatar nesse pouco contato que teve com a mulher, percebia-se, claramente, que malandragem não ia funcionar com ela. Era hora de mudar a estratégia!

Antes que pudessem trocar mais alguma palavra, o barulho da porta batendo, quebrou qualquer clima. Provavelmente era Sakura, e ela estava de mal-humor!

wwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww

Com os pés no braço do sofá, Sakura arrancava o que lhe tinha restado de cutícula, a bolsa jogada ao seu lado no chão e o cabelo já preso num coque alto revelavam sinais da cristalina irritação da modelo.

Com um olhar fulminante, deu permissão para Eriol adentrar o cômodo. Ele sentando-se perto da cabeça loira dela, deu apenas um meio sorriso, como uma bandeira de paz.

- Eriol... -Resmungou por entre os dentes.

- O que Shaoran fez pra você ficar assim, hein? - O moreno foi até o balcão da cozinha, onde ficava o bule de café e logo voltou com dois copos.

- Sabe o que eu mais odeio nos homens... - Deu um gole no café. - Esse jeito irritante de achar que as mulheres devem ser submissas e reportar-se a eles.

Eriol apenas balançava positivamente a cabeça, viu a loira deliciar-se em uma golada do café, e logo em seguida, embalou no seu desabafo.

- E vem com aquele papinho furado: Mulher tem que ser conquistada, e blá, blá, blá...Ai, que raiva! - A loira cerrou os punhos, encarando Eriol fixamente. - Não diz nada? Não vai defender sua raça?

O moreno ergueu os olhos azuis e mirou a face avermelhada de raiva da amiga. - Olha... - Suspirou, pensando em como usar as palavras sem causar mais revolta na modelo. - Nós, homens, temos uma tendência a julgar que somos superiores, mas isso é bobagem... Nem todos nós somos assim, a grande maioria talvez, mas não dá para generalizar. - Inclinou-se para ficar da mesma altura de Sakura. - Eu, por exemplo, tenho muitos defeitos, mas sei apreciar o brilho do olhar feminino, o perfume que os cabelos exalam... E você sabe que digo essas coisas de coração, não estou te cantando!

A mulher de olhos verdes sorriu e afirmou com a cabeça.

Tomoyo, que escutava do corredor a conversa, sentia seu coração palpitar a cada frase que Eriol terminava. Ao mesmo tempo repreendia-se mentalmente: "Tomoyo, a última coisa que você precisa agora é outro homem entrando na sua vida e virando tudo de pernas para o ar... Afinal, veio passar uns tempos com Sakura justamente para esperar as coisas se acalmarem."

wwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww

Os grossos e molhados fios negros caiam-lhe nas costas, formando uma pequena pocinha pelas gotas que escorriam. Jogou os cabelos para baixo e envolve-os na toalha branca, sentou-se na beirada da cama, começando a espalhar a loção corporal na perna. A televisão sintonizada na E! E Ryan Seacrest e Giuliana Rancic fofocavam todas as hotties stories dos Dez Mais de Hollywood.

Em quanto esperava o creme secar enrolada no robe, maquiava os olhos azuis com rímel preto, lápis e um pouco de sombra dourada nas pálpebras, um gloss clarinho, e por último, seu vestido azul celeste, de gola alta e mangas compridas, com o comprimento um pouco acima dos joelhos, meia-calça preta e botas de cano alto, com um sobretudo preto e luvas. Desde que chegara ao Japão, não havia saído e aquela monotonia toda estava acabando com seu ser.

Quando abriu a porta do quarto viu a luz da sala acesa e, imaginou que Eriol e Sakura estavam entretidos lá e seguiu pelo corredor. O barulho dos saltos no piso frio incomodavam seus ouvidos perfeccionistas, então se se encostou à porta do quarto de Eriol, para dar uma checada na sola da bota, sentiu a porta ceder e no mesmo momento foi ao chão. Levantou os olhos e deparou-se com a face esbranquiçada, o dono do par de estrelas azuis, o. Peladão... ou melhor...Eriol!

Corou instantaneamente ao vê-lo esticar a mão para levantá-la, aceitou a ajuda, e, pela primeira vez, houve um contato físico entre eles, Eriol puxou-a com força para cima e a morena tentava se recompor rapidamente, esticava o vestido, verificava os seios, e arrumava os fios de cabelos que espigara. Sentiu os olhos azuis analisando todos seus movimentos, um pequeno sorriso no canto da boca dele, revelava que Eriol estava pronto para ceder aos seus encantos, percebeu que ele ainda segurava sua mão, puxou-a rapidamente para si, sussurrou um obrigada e deu as costas, partindo para a porta, deixando o inglês estático, ele balançou a cabeça, suspirando alto e viu, no chão, a bolsa Manolo preta, que Tomoyo provavelmente deixará cair na queda.

Sakura, que lia o novo best-seller da renomada médica e talentosa escritora Kisa Kaze no Mai Yamashina, Aparências, sentia-se refletida na personagem de Kisa, com o jeito de mulher indepentende, que não precisa (e não quer) homem, quando a batida da porta da frente quebrou sua concentração. Viu o vulto da prima saindo e Eriol logo atrás dela, revirou os olhos imaginando que ela impulsionara o possível romance, e tudo começará em um banheiro. Fechou o livro, depositando-o na mesinha de centro, rumando para a cozinha. Esquentou leite no fogão, adicionou o chocolate em pó, enquanto as pipocas estouravam no microondas, um lanchinho para acompanhar sua leitura, quentinha debaixo das cobertas, longe da agitação costumeira. Repreendeu-se mentalmente ao pensar no paradeiro de Shaoran, a noite seria dela, só dela.

Caminhou para o sofá, com a xícara e o pacote de pipoca na mão, enrolou-se no cobertor, deixando apenas as meias dos pés a mostra, deu um gole em seu chocolate quente e reiniciou o capítulo cinco de Aparências. Deliciava-se com cada linha, e a cada intensificação do amor dos personagens principais, acentuava a saudade que sentia de Shaoran, olhou de relance o relógio: onze e dez, onde Shaoran se meterá?

wwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww

Tomoyo esperava por um táxi, fechou o sobretudo quando uma rajada de vento balançou os longos fios de cabelos. Encarava o bico fino das botas contrastando com a rua asfaltada e bem cuidada, as luzes que iluminavam as ruas, não apagam o brilho das estrelas. Estava uma noite linda, e os táxis pareciam ter sido absolvidos, então começou a caminhar sozinha, a movimentação parecia ter cessado, deixando-a totalmente concentrada em sua mente, ouvia apenas os próprios passos sincronizados à sua respiração. Viu-se afastada da claridade e considerou recuar, tomou rumo de volta para o ponto de táxi, mas sentiu uma mão envolver seu braço e puxa-la para trás...

Continua...

N.A.: Estou de volta com IdP! Desculpem a demora, espero que curtam o capítulo e as aventuras que Tomoyo e Eriol nos reservam!

Beijinhos

N.R.2.: Sim, eu ainda estou viva!

Mas um ótimo capitulo com direito a merchan da fic da Kisa!

Adorei e espero que vocês também tenham curtido!

Beijos da Natsumi e não esqueçam das reviews!

N.R.: Ma Ling falando, como eu senti saudades dessa fic, nuss faz tanto tempo! Mas arrasou a maninha. Tomoyo e Eriol tão avançando, o Peladão e a Toto! Ahauhauahauh! Mas arrasou Cah, ficou muito perfeito esse capítulo, mesmo não tendo cenas de Sakura e Shaoran, só ela pensando nele e tal. Muito legal o capítulo! Bjuus e deixem reviews viu?