Olá, People!

Estou de volta com o segundo capítulo da fic "Sem Coração". Eu sei que, para os meus padrões, foi até rápida essa atualização, mas não vão se animando não... estou "meio de férias" e esse capítulo estava já praticamente pronto, por isso foi rápido... a partir de agora eu não sei como vai ser... Agora, sem muitas delongas...

(-Disclaimer-) Sakura Card Captors e seus personagens não me pertencem e sim ao CLAMP

Esta fic, apesar de ter sido classificada como K , contém cenas de violência.

SEM CORAÇÃO

Cap 2 - ...Ao conde sedutor

Escrito por: Cherry hi

Revisado por: Yoruki Hiiragizawa

'

17 anos depois, Londres, Inglaterra

Ela lhe lançou um olhar provocante. Outro. Aquele era o terceiro, em menos de dez minutos. Ela estava linda, em belo vestido cor de vinho. Que seguia a última moda, direto de Paris. O colo vasto estava generosamente exposto, enfeitado, por um belo colar de brilhantes, que combinava perfeitamente com os brincos, o bracelete e os broches, incrustados com as mesmas pedras sensacionais. Estava maravilhosa e ela tinha total consciência disso, sentada muito ereta, na cabeceira da longa mesa, onde estava servindo um jantar regado a muito vinho. Havia apenas 10 pessoas, todas consideradas "sensações" da temporada. Porém, nenhuma das belas mulheres presentes se comparavam a Lady Nobelli, a anfitriã. Os olhos dela se voltaram para ele, outra vez, revelando todo o mistério e sedução que ela guardava. Fora justamente os olhos dela que lhe chamara atenção: verdes... a única cor de olhos que realmente admirava. Ele lhe lançou um outro olhar, em resposta, por cima da borda da taça. A mulher que estava a seu lado notou o flerte e soltou um muxoxo. Ele escutou e perguntou-lhe, com um sorriso charmoso:

- O que houve, Lady Armkage? Se achar que não estou lhe dando atenção suficiente, espero que me perdoe.

- Não é isso, meu caro conde. Eu apenas estou pensando que, mesmo com toda a atenção que EU estou lhe dando, de nada vai adiantar.

Ele olhou bem para ela. Ophelia Armkage era muito bonita e relativamente inteligente, porém muito conhecida por sua irascível franqueza. Cabelos loiros, olhos azuis cor do céu de verão e pele de porcelana rosada. A típica rosa inglesa, porém sua beleza realmente não lhe despertava outros sentimentos a não ser admiração. Mas ele bem sabia que ele lhe despertava outras sensações bem mais fortes. E sabia também o que ela pensava naquele instante, mas mesmo assim resolveu perguntar:

- Por que diz isso?

Ela soltou outro muxoxo e falou, azeda:

- Ora, todos nós sabemos o que é este jantar: apenas um recurso para despistar os olhos daqueles mais conservadores. Todos sabem que Lady Nobelli está de olhos em você há tempos... e todos sabem muito bem o que irá acontecer depois que nós formos embora.

Ele franziu a testa, mas nada disse. Era bem verdade. O que Agatha Nobelli realmente aguardava, com ânsia mal disfarçada, era o final do jantar, em que todos iriam embora... menos ele. Ela pediria para que ele ficasse, lhe olharia com aquele olhar provocante... provavelmente, seria uma noite muito prazerosa.

Ophelia tomou um gole de vinho e suspirou, falando:

- É uma pena... bem que gostaria de estar no lugar dela. – ela o olhou de lado e continuou – Mas creio que não tenho algo que ela tem.

O rapaz deu um sorriso, meio irônico e disse:

- Você tem razão.

Ophelia arregalou os olhos. Provavelmente, considerou aquilo uma desfeita. Azeda ela falou, rindo sarcasticamente:

- Provavelmente, seria um marido fora da cidade!

Tanto Lady Armkage como Lady Nobelli eram casadas, mas seus maridos não lhes davam a atenção que elas achavam que mereciam, então, elas procuravam outras paragens. Aquilo não era considerado incomum e era até tolerado, desde que tudo ficasse em segredo. Lorde Armkage, era presença marcante na Câmara dos Lordes, por isso estava sempre na cidade e não era tolerante a traição, não por amá-la, mas pelo receio de ver seu nome manchado. Mas Agatha Nobelli tinha mais sorte: seu marido vivia viajando, como no presente momento, em que se encontrava na Escócia.

O conde, apesar da alfinetada, sorriu ainda mais:

- Tenho que admitir que isso ajuda, mas, no caso de Lady Nobelli, ela tem os olhos verde, que miLady não possui. Ela não precisa de jóias, pois seus olhos são como duas jóias cintilantes

Ophelia virou-se, surpresa para ele, mas logo se refez. As sobrancelhas finas se juntaram e ela falou, sarcasticamente:

- Estou vendo que milorde sabe ser poeta, quando lhe convém. Porém adoraria saber se realmente Lady Nobelli se contentaria somente com o brilho do seu olhar.

Alguma coisa no modo dela falar chamou a atenção dele. Ele perguntou, querendo parecer indiferente:

- O que quer dizer com isso?

- Bom... – ela abaixou o tom de voz e falou, com certa maldade – Fiquei sabendo que Lorde Nobelli está com muitas dívidas de jogo. Não sei como ele tem dinheiro para viajar tanto. Se bem que... faz tempo que ela não usa... suas pérolas negras japonesas... – ela estalou a língua, deliciada com sua própria maldade – Quem sabe elas não estariam em uma casa de penhores...

Depois disso, um homem sentado do outro lado de Ophelia lhe chamou atenção e ela não mais conversou com ele, mas havia lhe dado o que pensar. Agatha voltou a lhe fitar e sorrir, sem disfarce. Mas o rosto dele se mostrava indecifrável, desta vez...

'

Agatha se despediu do último convidado. Assim que o lacaio fechou a porta, ela se voltou, ansiosa, pelo corredor. Ali, gerações de Nobelli olhavam para ela de seus quadros, todos com seus ares arrogantes, mas ela nem ligava. Tolerava aquela família, desde que eles pudessem fornecer todas as jóias e peles que ela pudesse usar. Era verdade que seu marido andava esbanjando bastante e perdendo muito dinheiro, mas ela pouco se importava... na verdade, tinha seus próprios meios para conseguir o que queria.

Olhou significantemente para a porta que dava para o salão íntimo. Ali dentro, estava o maravilhoso, porém esquivo conde de Lisbury. Ele havia herdado o título há pouco mais de um ano, mas, por causa do luto fechado, somente agora ele estava usufruindo das vantagens que o título lhe oferecia... e já havia milhares de belas mulheres dispostas a jogar seus corações aos pés dele... mas ela fora mais esperta! Conseguira! Conquistara o rapaz! Agora, era só jogar o jogo certo e ele estaria em sua mão. Parou em frente a um imenso espelho que havia perto da porta e mirou-se, ignorando veementemente os cantos sujos de poeira. Tinha total consciência de sua exuberante beleza. Os cabelos negros sedosos eram curtos, moldados em cachos grandes que emolduravam seu belo rosto e arrematados pelas fivelas de brilhantes... os olhos verdes faiscantes, a boca rosada, que nenhum homem conseguira resistir, a pele macia e perfeita, a cintura fina... sim! Ele estaria logo, logo em suas mãos... será que seria muita pretensão sua pedir logo aquele lindo colar de brilhantes que vira em Bond Street?

Abriu as portas duplas. O rapaz se virou e, por um momento, a mulher sempre controlada sentiu o coração perder um compasso. Ele era incrivelmente bonito e charmoso. Ele tinha apenas vinte e cinco anos, mas era extremamente bem-relacionado, desde que assumira o lugar do pai na Câmara dos Lordes. Os homens, a princípio, ficaram desconfiados, pois pessoas jovens sempre tinham idéias mirabolantes e ali, no parlamento, estabilidade e rotina eram as palavras chaves para o bom governo. Mas o conde tinha um incrível dom da palavra e conquistava qualquer um com seu modo apaixonado de discursar, que não era rude ou apelativo. Era apenas perfeito. Isso foi lhe abrindo portas e mães ardilosas já faziam planos para que suas filhas pudessem se ver casadas com o lindo rapaz. Contudo, ciente das mais estranhas artimanhas, o conde evitava bailes de debutantes ou até mesmo falar com uma mulher solteira, para que não fosse comprometido de jeito nenhum. Queria aproveitar sua juventude muito bem, andando de flor em flor, antes que pudesse escolher uma mulher calma e submissa para sua esposa. E Lady Nobelli sabia muito bem como funcionava o jogo de sedução, onde a principais regras eram "discrição infinita e manter o coração frio". Mas até ela, uma experiente jogadora, achava difícil manter o coração quieto de ante o charme daquele olhar que parecia penetrar-lhe sua alma. Respirando fundo disfarçadamente, ela avançou o salão, como uma tigresa a espreita, falando, porém, com uma ingenuidade dissimulada:

- Obrigada por ter aceitado meu convite, milorde. Certamente foi uma tê-lo entre meus convidados, visto que, a não ser que o que se fala pelos salões sejam apenas boatos, semana passada Vossa Senhoria recusou-se a comparecer a uma recepção na casa do marquês de Cavendish, que é uma importante figura social atualmente.

O rapaz sorriu de lado e falou, despreocupado:

- Pensei seriamente em aceita-lo, visto que o marquês era um grande amigo de meu pai, porém logo fiquei sabendo que tudo não passava de um ardil para que eu conhecesse a filha dele, Lady Iolanda, que este ano está fazendo sua apresentação na sociedade.

Agatha deu uma risada cristalina, que já lhe disseram que parecia com o titilar de sinos e falou:

- Então... minha sorte seria o fato de estar casada... e ter um marido ausente?

As últimas palavras foram cheias de significado, mas que induziam a uma só coisa, que ele sabia muito bem. Ela se aproximou mais e eles ficaram frente a frente, ela sempre olhando diretamente para o rosto dele, hipnotizando-o com o olhar, ele com a expressão impassível no rosto. Ela avançou e abraçou-o pelo pescoço, oferecendo-lhe os lábios. Mas ele nada fez. Ao mencionar o "marido ausente", o conde lembrou-se novamente das palavras felinas de Lady Armkage e, então,num gesto desprovido de sentimentos, ele tirou as mãos de Lady Nobelli de seu pescoço. Por um momento ela ficou sem ação, os traços delicados de seu rosto revelando todo o espanto e frustração que sentia. Ela tentou outra investida e ele deu um passo para trás, virando-se de costa. Ela finalmente falou, verdadeiramente hesitante:

- O que houve... por que você me rejeita? - Ele nada respondeu e ela voltou a jogar, com a voz indolentemente ingênua - Pensei... pensei que tínhamos algo de especial...

- Eu também pensei, Agatha... – ele voltou a virar-se e seu rosto portava uma dura indiferença – Mas percebi que será um erro envolver-me com você.

- Mas... por quê? O que há de errado comigo? O que fiz para desagradá-lo? – ela se aproximou e tocou-lhe delicadamente o braço, continuando num sussurro magoado, digno de uma atriz do Drury Lane Theatre – Estava esperando esse encontro com tanta ansiedade... pensando, ansiando os momentos em que passaríamos juntos...

Seus olhos estavam muito pertos um do outro. Apesar da linguagem corporal realista e do tom de voz absolutamente convincente, as orbes verdes a traíam, pois ali residiam um brilho calculista... e, pensando melhor, aquele tom de verde... não era o que realmente gostava... não era o tom de verde perfeito. Muito selvagem para o seu gosto.

Simplesmente falou:

- Talvez o que você ansiava, Agatha Nobelli, fossem as jóias e os vestidos que teria que oferecer a você, muito mais do que os "nossos momentos juntos".

Falara aquilo de modo tão duro e cru que, por um momento, Agatha não acreditou nos próprios ouvidos e ficou ali, olhando estupidamente para ele. Depois seus olhos se estreitaram e seu lindo rosto se desfigurou, pela raiva que sentia por ter sido insultada.

Aquilo poderia ser até a verdade, mas era um grande insulto.

A voz perdeu todo o fingimento e ela perguntou, esganiçando-se:

- Como se atreve a dizer algo assim de mim?! Como ousa insultar-me dessa maneira?! O que me passou pela cabeça quando pensei que poderíamos ser amantes? – ela perdeu todo o controle e berrou – FORA! DANE-SE! Nunca mais ouse olhar em meus olhos!

Ele nada falou e apenas encaminhou-se para fora. Tinha apenas aberto alguns centímetros quando escutou um rugido furioso vindo da porta de entrada. Escutou apenas um momento, até ter certeza que era a voz de lorde Nobelli (que supostamente deveria estar fora do país) que gritava, parecendo ensandecido:

- ONDE ESTÃO ELES?! JURO QUE MATAREI O INFELIZ QUE DESONROU MINHA ESPOSA!

Demorou um momento para o conde absorver a gravidade da situação, mas, por fim, fechou a porta devagar. Virou-se para Lady Nobelli, que parecia estar pregada ao chão e falou, muito sarcasticamente:

- Ora, ora... parece que seu marido também se interessa pelo o que eu posso oferecer...

Agatha levou a mão a boca, muito espantada:

- O quê? Richard está aqui?! Mas... como?

- Será que você não sabe mesmo, Lady Nobelli? – perguntou o rapaz, muito calmo – Ou será que você não andou combinando com ele para extorquir meu dinheiro em troca da minha reputação intacta?

Seu olhar faiscou de ódio e ela disse, com franqueza:

- Posso ser muitas coisas e você pode pensar o que quiser de mim, mas isso eu digo: Richard não se intromete em meus negócios!

Os gritos ficaram mais altos no corredor e Agatha lançou um olhar assustado para a porta do corredor. Num gesto totalmente incompreensível, Lisbury se aproximou da moça e a beijou, nos lábios, por alguns segundos. Ela ficou imóvel, sentido os lábios quentes e experientes sobre os seus e, antes que ela pudesse esboçar qualquer protesto ou reação, ele já havia passado por ela e aberto uma janela que ficava no final da sala. Satisfeito, ele viu que do lado de fora da janela um suave gramado cobria toda a extensão do jardim escuro e um tanto mal-cuidado da casa. Virou-se para trás, somente para dizer:

- Adeus para sempre... Lady Nobelli.

Pulou para fora e voltou a fechar a janela. Alguns segundos depois, a porta da sala abriu-se com violência e um esbaforido Lorde Nobelli adentrou no aposento, perguntando furiosamente:

- ONDE ELE ESTÁ?! ONDE AQUELE DESGRAÇADO SE METEU?! ELE NÃO PODERÁ SE ESCONDER! VOU ENCONTRÁ-LO, CUSTE O QUE CUSTAR!

Enquanto Richard revirava vigorosamente todos os cantos mais escondidos, Agatha ficou parada ali, com o coração disparado, os olhos arregalados. O que fora aquilo? Não sabia, não pensava... só conseguia sentir a pressão daqueles lábios nos seus... sentindo subitamente que deixara algo realmente excitante escapar...

Lá fora, O conde Shaoran L. de Lisbury corria pelos jardins da casa, sem olhar para trás.

'

Shaoran pulou com facilidade o muro da casa e ganhou a rua, sem muita pressa, realmente. Era impossível que Richard supusesse tão rapidamente que ele havia fugido pulando muro do jardim. E, provavelmente, Agatha iria dissuadi-lo de seu "plano de vingança".

Seus pensamentos foram interrompidos ao perceber a silhueta de um homem encostado displicentemente no muro da casa de esquina. Colocou a mão por dentro do casaco, com cautela, segurando firme o punho da pequena pistola que sempre carregava consigo, mas relaxou ao reconhecer a voz, quando ele falou:

- Vai mesmo atirar em mim, Shaoran?

- Claro que não, mas diria a você que não é muito saudável ficar se esgueirando pelas sombras, nessas noites escuras, Eriol.

Shaoran se aproximou do outro a ponto de discernir as feições dele mesmo na escuridão e não ficou surpreso ao visualizar aquele sorrisinho irritante que ele sempre ostentava em seu rosto. Eriol disse:

- Achei que você precisaria da minha ajuda, porém, pelo que vejo, você se virou muito bem sozinho. Venha, tem uma carruagem esperando por nós lá na frente.

Shaoran franziu a testa, mas nada disse, limitando-se a acompanhá-lo. Pensava, em seu íntimo, que era bem típico de Eriol saber mais do que ele aparentava, sempre surgindo quando mais ele precisava. Não falaram nada até entrarem na carruagem simples, puxada por dois cavalos velhos, porém de boa linhagem. Depois de orientar o cocheiro para que os levasse ao clube, ele se sentou confortavelmente ao lado do amigo assim que o veículo começou a se mover, Shaoran perguntou, sem olhar para Eriol:

- Como você soube?

O outro sorriu, muito seguro de si.

- Hoje pela manhã eu estava resolvendo uns assuntos no banco e encontrei Mauden.

Shaoran assentiu, já adivinhando parcialmente o que havia acontecido. Lorde Mauden era um nobre extremamente bisbilhoteiro, evitado em algumas casas por conta de seus hábitos terríveis. Provavelmente, era a melhor pessoa quando se queria extrair informações picantes. Eriol prosseguiu com sua narrativa:

- Saímos do banco, andando em direção ao clube. Ao passarmos pela porta de um hotel de reputação duvidosa, eu julguei ter visto Lorde Nobelli ali dentro. Parei para olhar e constatei que era realmente ele. Mauden seguiu meu olhar e disse, com desdém: Esse Richard Nobelli é um homem estranho. Ouvi dizer que iria viajar para a Escócia, mas hoje o vejo aqui.' Fiquei calado e ele tomou isso com um incentivo para continuar com seus mexericos 'Talvez seja por causa da sua esposa...'. 'O que tem ela?' perguntei, cauteloso e ele me respondeu com um risinho 'Ora, toda a sociedade sabe que Lady Nobelli tem um amante atrás do outro, somente Richard recusava-se a enxergar, mas parece que agora resolveu abrir os olhos. Percebi que ela estava de olho em Lisbury. Eu sugeriria para que ele tomasse cuidado.' Dito isso, ele se foi e eu percebi a encrenca em que você estava se metendo.

- Por que você não me contou isso antes?

Eriol deu com os ombros:

- Sabia que você perceberia, mais cedo ou mais tarde, o que estava acontecendo. Mas confesso que fiquei surpreso: achei que precisaria da minha ajuda para se livrar dessa... você REALMENTE se saiu bem da situação.

Shaoran lançou-lhe um olhar de soslaio, meio irritado, meio arrogante. Depois voltou seus olhos para o lampião que iluminava o interior da carruagem, falando:

- Eriol, você não toma jeito.

O outro apenas sorriu aquele sorriso irritante com o que o jovem conde já estava acostumado. Eriol Anthony Clover, o quinto marquês de Cloversfield. Eles dois se conheciam desde a infância, visto que as propriedades dos dois eram vizinhas. Apesar da diferença enorme de oito anos entre os rapazes, eles se tornaram grandes amigos, o que foi uma sorte para o jovem marquês, visto que Shaoran era muito rico. O pai de Eriol lapidara toda a fortuna da família em jogos de azar e deixou para o filho uma montanha de dívidas e um punhado de terras há muito não cultivadas. Agora o rapaz trabalhava febrilmente para recuperar o que perdera. Era uma tarefa difícil, mas ele, aos poucos, estava conseguindo. Eriol provavelmente estivera acertando os detalhes de um empréstimo quando encontrara lorde Mauden. Deixando essas lembranças de lado, Shaoran cruzou os braços e perguntou, com cinismo:

- Já que você é tão esperto, pode deduzir o que aconteceu?

Eriol fez cara de quem pensa em algo profundamente e então falou:

- Eu creio que o "senhor desonrando", de alguma forma, descobriu que a esposa iria traí-lo com um lorde muito rico... e pensou que poderia surpreendê-los. Em troca de seu silêncio e promessa que não iria abrir um processo embaraçoso na justiça, poderia facilmente extorquir algumas milhares de libras – ele se reclinou confortavelmente no banco e coçou o queixo, ainda sorrindo – Vejamos... ele pode ter sabido por um lacaio fiel de sua casa ou, até mesmo, quem sabe, poderia ter combinado com Lady Nobelli.

Shaoran sacudiu a cabeça, os lábios esticados em um sorriso forçado:

- Não! Não acredito nisso. Como a própria Agatha disse, 'ela tinha seus próprios negócios'!

Houve um pequeno silêncio e, repentinamente, um tremor sacudiu levemente seu corpo e ele abaixou a cabeça, rindo. Eriol levantou uma das sobrancelhas, perguntando:

- Qual é a graça?

- É que é tão absurda essa situação! Quase me envolvo com uma mulher que nada mais é do que uma cortesã da nobreza, que engana o marido, que descobre que é traído, mas que estava tentando tirar vantagem da infidelidade dela!

- Espere um momento! Está querendo me dizer... que você não está nenhum um pouco chateado com essa história?!

- Sendo bem sincero... não! Quero dizer... não sentia nada mais que um desejo por ela, para começar... e acho que já estava desestimulado com a moça.

- Antes mesmo de começar o caso?! – perguntou Eriol, ligeiramente surpreso. Shaoran fez um muxoxo

- É... é que foi tão fácil! Quero dizer, eu mal a cortejei e ela se atirou nos meus braços. – ele suspirou, colocando as mãos atrás da cabeça, num gesto muito casual – Assim, desse jeito, não tem nem graça.

O Marquês soltou uma risadinha debochada e disse:

- Não é a primeira vez que 'não tem graça', não é? É sempre assim: você enjoa fácil das mulheres. A única diferença no caso de Lady Nobelli é que você enjoou antes mesmo de se envolver!

Shaoran não respondeu. Na verdade, nada mais foi dito durante o resto do trajeto. O conde ia sério, pensando no que o amigo havia dito. Era verdade. Ele se cansava fácil demais, depressa demais, daquelas mulheres que pareciam ser tão excitantes, mas que, no fim, mostravam sempre a mesma coisa. Os mesmo jogos, os mesmo olhares... tudo igual, como se todas elas fossem uma pessoa só. E, no fim, só restavam mágoas da parte delas...

... e um imenso vazio da parte dele.

'

No dia seguinte, Shaoran estava tomando seu lauto café da manhã, ao mesmo tempo em que lia seu jornal, apoiado no bule de leite. Aquele era um hábito que desagradava sua mãe e seu pai não tolerava. Mas agora o velho conde estava morto e sua mãe limitava-se a olhar o ato com reprovação, então ele não se importava.

Passos apressados se aproximaram do salão e, sem ser anunciada, a irmã mais nova de Shaoran entrou ali. O rapaz sempre pensava que ela parecia levar os raios de sol aonde quer que ela fosse, mas, é claro ela jamais saberia disso. Ela sentou-se ao lado direito do irmão e o cumprimentou, animadamente:

- Bom dia, mano!

- Bom dia, Fuutie.

A garota fechou a cara e falou, aborrecida:

- Ai, mano! Você sabe que eu não gosto de ser chamada pelo meu nome do meio!

- Não sei por que, Fuutie! - ele falou indiferente, sem tirar os olhos do jornal – É um belo nome, que nossa mãe escolheu para você!

- Eu sei! – respondeu Fuutie, mal-humorada – Mas eu gosto mais de Sharisse. É mais inglês. Então, você poderia me chamar como eu gosto de ser chamada!

- Por mim, tudo bem, Fuutie!

A mocinha bufou e, com uma força desnecessária, começou a passar geléia em uma torrada. Shaoran riu consigo mesmo, pensando que era mesmo muito fácil tirar a irmã do sério. Fuutie estivera na Itália nos últimos dois anos estudando em um internato para moças e estava de volta há duas semanas e o irmão achava que ele tinha que recuperar o tempo perdido, afinal, atazanar a irmã mais nova era seu esporte favorito. Sharisse somente pensava na temporada de bailes e esperava ansiosamente seu próprio debut. Shaoran tinha absoluta certeza que a irmã seria um grande sucesso, apesar de não possuir uma beleza estonteante. Era pequenina e um pouco mais cheinha que as outras meninas, mas seu porte ainda assim era gracioso. Tinha grandes olhos castanhos e brilhantes, boca pequena e angelical, o nariz levemente adunco. Ele sempre a comparava com um anjinho barroco. Positivamente, seu jeito alegre de ser era o seu ponto forte, aliado a sua graça natural. Bonita sem ser exuberante, elegante sem ser frágil, simpática sem ser espalhafatosa. Tinha tudo na medida certa.

Ele a viu folhear a parte detrás do jornal. Ele pegou umas folhas previamente escolhidas deixadas em cima do assento da outra cadeira a seu lado e entregou a ela, dizendo:

- Já disse a você que não gosto que fiquem mexendo no meu jornal. Especialmente você, que deixa sempre tudo fora de ordem. Está aqui a sua preciosa "coluna social".

Sharisse pegou a coluna e agradeceu, sarcástica:

- Obrigada, Lionel.

Shaoran franziu a testa:

- Sharisse, você sabe que odeio o meu nome do meio, não sabe?!

- Aaah! Agora eu sou Sharisse, não é?! – perguntou a menina, cinicamente – Viu o quanto é chato?!

- Mas a diferença, mocinha, é que odeio meu nome do meio e você simplesmente não gosta muito!

- Então façamos o seguinte: toda vez que você me chamar de Fuutie, eu te chamo de Lionel, certo?

Ele não respondeu e seguiu-se um silêncio amuado, quebrado apenas pelo titilar da porcelana. Alguns minutos depois, a porta se abriu e um lacaio anunciou:

- A condessa de Lisbury e Lady Barker.

Tanto Shaoran quanto Sharisse se levantaram quando as duas mulheres entraram. A mais velha era alta, elegante de porte altivo. Os cabelos negros entremeados de fios brancos estavam presos em um belo penteado a moda oriental. Do mesmo estilo eram suas roupas finas e bem talhadas, que revelavam toda graça de seu corpo, apesar da idade. Seus olhos eram negros e fixos, mas havia certa tristeza neles. Os dois filhos cumprimentaram, ao mesmo tempo:

- Bom dia, mamãe.

- Bom dia, meus filhos. Espero que tenham tido uma boa noite de sono.

Os dois esperaram que ela e a outra mulher se sentassem para somente então fazerem o mesmo. Shaoran captou o olhar de reprovação ao jornal apoiado na jarra de porcelana e sufocou uma risadinha. Então cumprimentou:

- Bom dia para você também, Shiefa.

A moça sorriu:

- Obrigada, maninho.

Shiefa era a mais velha das quatro irmãs do conde. Era bem parecida com o irmão, com os mesmo cabelos castanhos volumosos e rebeldes, penteados em um coque simples. Os olhos também eram castanhos num formato que deixava a impressão que a moça era cínica o tempo todo, o que não era verdade. Também era alta, muito magra e graciosa. Usava um vestido preto que somente realçava a alvura da pele. Shiefa havia ficado viúva há quase quatro anos, mas como amara demais o marido, decidira que jamais se casaria de novo ou mesmo tiraria o luto. As outras irmãs de Shaoran, com exceção de Sharisse, eram mais velhas que ele e também estavam casadas.

Lady Barker pedira para voltar a morar com a família, já que não tivera herdeiros e sentia-se muito infeliz e solitária na casa que era de seu amado esposo... Shaoran, que adorava todas as irmãs, recebera-as de braços abertos.

Nesse momento Lady Barker ralhava com Sharisse por causa do jornal que, como o irmão, apoiara precariamente em cima da manteigueira.

- E por que o Shaoran pode?! – perguntou a mocinha, com um biquinho.

- Porque ele é o chefe da família – respondeu Shiefa, simplesmente.

- Isso é muito injusto! – reclamou, mas retirou o jornal de cima da mesa.

- Fuutie, comporte-se! – ralhou a mãe, severa. O uso do nome do meio dela só serviu para deixar a garota mais chateada, mas a senhora não notou – É assim que você agradece a sua irmã por ela estar nos ajudando com seu baile de debutantes? Lembre-se que hoje nós sairemos para comprar seu vestido.

Sharisse assentiu, porém de mau humor. Shaoran deu uma risadinha. A garota ouviu e tratou logo de pergunta, fingido meiguice:

- Você vai, não vai, Shaoran?

- Sharisse, eu não sei por que você insiste tanto...

- Porque você é meu único irmão e chefe da família. Você TEM que me apresentar à sociedade!

- Mas você sabe como eu me sinto em relação a esses bailes de debutantes. – replicou o rapaz, fingindo aborrecimento.

Desde que fora anunciado que os salões de Lisbury's House seriam abertos para seu baile, a irmã não parara de pegar no pé de Shaoran, insistindo que ele fosse. É claro que ele iria, embora realmente detestasse essas festas. Mas não custava nada irritar a irmã caçula!

- Naturalmente! Eu sei exatamente que tipo de festas aprecia, mano! – Comentou Sharisse, cinicamente.

- Sharisse Fuutie! – exclamou a mãe, escandalizada – Você não deveria saber desse tipo de coisa!

- Mamãe, por favor! Eu estudei numa escola italiana! E havia meninas francesas também! E as aventuras que seus pais e irmãos passavam por causa de mulheres, festas estranhas e jogos de azar eram o segundo assunto preferido delas! E era impossível fazer aquelas garotas se calarem durante o chá!

- Então você deveria recolher seus ouvidos, fazer-se de surda e não comentar esse tipo de coisa, como uma verdadeira Lady!

Sharisse abriu a boca para replicar, mas pareceu lembrar-se de algo e voltou a pegar o jornal e o folheou. Antes que a mãe voltasse a brigar com ela, a garota disse:

- Por falar em "verdadeira Lady", eu queria fazer dois convites de última hora.

Shaoran rolou os olhos.

- Outros?! Ontem mesmo você fez quatro convites de última hora!

- E, na segunda, três! – completou a mãe, franzindo a testa – Acho que já é o suficiente, minha filha!

- Mas nós temos que convidar essas garotas! Elas apareceram essa semana e já são aclamadas como a sensação dessa temporada!

- Ah! Você esta falando das 'Nipon no hana'? – perguntou Shiefa, que pouco falara até então – Aquelas garotas com as quais você conversou no baile da duquesa de Avondale?

Sharisse assentiu:

- Sim! Eu já as tinha visto em outro baile, porém não tive oportunidade de conversar com elas e confesso que achei que elas fossem como tantas outras debutantes: convencidas e sem graça! – ela juntou as mãos, rapidamente, animada – Mas mudei de opinião agora! Além de bonitas, elas são simpáticas e inteligentes!

- Nipon no hana? – estranhou Shaoran, com uma das sobrancelhas levantadas – É japonês... o que significa?

- Algo como "flores japonesas" – Explicou Sharisse, fazendo um gesto de desdém com a mão – foi lorde Vésper, que era adido do consulado britânico no Japão, que deu esse apelido bobo a elas!

- Acho que é uma boa idéia convidar essas moças. – falou Lady Barker, retomando ao assunto – Ambas provem de excelentes famílias e são realmente encantadoras.

- Claro que são! – retrucou Sharisse, apaixonadamente. – Creio que já nos tornamos amigas! Afinal, temos algumas coisas em comum! Uma delas é que somos todas descendentes de famílias orientais.

- E quais são os nomes dessas garotas, afinal? – Perguntou Shaoran, sem muito interesse, com os olhos no jornal.

- Uma delas é Tomoyo Taylor, filha do garbosíssimo duque de Westay. É muito meiga e fofinha! Tem um retrato dela na coluna social. Vejam!

Quando Sharisse passou a folha de jornal para a mãe por cima da mesa, o rapaz viu de relance um desenho bem realístico de uma moça muito bonita, de feições delicadas.

- Infelizmente, não tem nenhuma foto da Sakura nessa edição.

- Sakura? – Repetiu a mãe, pensativa – Significa "flor de cerejeira", em japonês.

Sharisse deu com os ombros, num gesto muito seu.

- Que seja. Somente sei que Lady Sakura Avalon é linda! Por onde passa, deixa os homens hipnotizados. É graciosa, mas eu a acho um tanto séria... Lorde Vésper deu um apelido bobo só para ela, algo como "princesa do gelo", Kori no hime... tudo porque ela parece não se agradar de nenhum homem... dizem que ela já recusou dois pedidos de casamento... Shaoran, você está bem?

Shaoran estava como petrificado, a xícara suspensa no ar, com os olhos arregalados para o jornal, muito tenso. Ele parara de ouvir assim que a irmã aquelas três palavras... Lady Sakura Avalon...

... Avalon!

Lentamente, seu coração acelerou, tão alto que parecia um tambor. As lembranças de 17 anos antes, que há tanto tempo estavam no fundo da memória, voltaram a sua mente com a mesma velocidade de uma flecha acertando o alvo. Noire Lissé... a fuga... o assalto... o buraco de bala na testas dos bandidos... o duque de cara comprida... a linda mulher de olhos verdes... a mulher que lhe dera o pente que guardava até hoje e que, inconscientemente, tornara-se o modelo ideal de mulher que nunca conseguira encontrar em ninguém...

- Meu filho... você está sentindo alguma coisa? – perguntou a mãe, um pouco preocupada.

- Eu... eu... não, é que... eu estou bem. – Conseguiu, afinal, responder. Depois completou – É que faz muito tempo que não escuto esse nome.

- Que nome? - Perguntaram Sharisse e Lady Barker, ao mesmo tempo.

- Avalon.

- Você conhece a Sakura?! – perguntou a irmã mais nova, intrigada.

- Não... mas... creio que conheci a mãe dela.

- Ah... espere um momento! – falou Shiefa, de repente, lembrando-se – Você não está falando daquela mulher que lhe deu aquele pente na França, está?!

- Que história é essa? – perguntou Sharisse com curiosidade

- Não é da sua conta! – Falou o rapaz depressa, mas sabia que a sua irmã mais velha não ia deixar aquela oportunidade de provocá-lo passar...

... não se decepcionou.

- Quando aconteceu, você havia nascido há poucos dias. Shaoran havia ido para a França, estudar num internato para garotos que tinha a reputação de utilizar métodos pesados de ensino. Ele fugiu uma noite, mas, no caminho, encontrou uma carruagem sendo assaltada. Ele ajudou os nobres a derrotarem os bandidos e, em troca, ganhou uma viagem de volta para Noire Lissé, o tal internato. Foi a tal Lady que ele ajudara que o convencera a voltar... e deu a ele aquele pente cravejado de esmeraldas.

- Ah! Eu conheço essa história! – Sharisse abriu um enorme sorriso – Nossa irmã Fenmei costumava contar essa história para mim quando queríamos nos divertir! – o sorriso ficou malvado quando ela voltou seu olhar para o irmão – Ela me contou que, mesmo que ele tivesse levado a pior surra da vida dele do papai, quando voltou de férias para casa, ele vivia suspirando pelos cantos...

- "Lady Avalon é tão linda!' ou "Lady Avalon é a mulher mais incrível do mundo inteiro" ou ainda "Ninguém se compara a Lady Avalon" eram as frases preferidas dele. Durante os dois meses que ficou em casa, a cada cinco frases que ele dizia, o nome 'Avalon' era mencionado uma vez. – Completou Shiefa, com um trejeito maroto nos lábios. Suspirou de maneira saudosa e disse – Eu e as meninas tiramos muito sarro dele, na época! Bons tempos aqueles... e agora sei porque quando ouvi o sobrenome da 'Kori no hime' pela primeira vez, eu o achei familiar.

Shaoran nada falou, parte porque ouvir aquele nome tantos anos depois ainda lhe causava uma estranha comoção, parte porque estava encabulado. Aquele fora o momento de sua vida que suas irmãs mais gostavam de lembrar, com o intuito de deixá-lo sem graça. Shiefa, certa vez, chegara a insinuar que o garotinho estava apaixonado e ele cogitou seriamente a possibilidade. Porém, aos poucos, ele foi esquecendo, até que a imagem e o nome daquela bela mulher ocupassem um canto mais afastado de seu coração. Perguntou então a Sharisse, num tom que esperava que fosse indiferente:

- Como Lady Avalon é?

- Você quer dizer fisicamente, não? Bom, ela é mais alta que eu um palmo. É magra e elegante. Seus cabelos são ondulados, cor de cera de abelha, lindos, em minha opinião, mas são seus olhos que fascinam: verdes! A comparação óbvia seria a duas esmeraldas reluzentes. – terminou Sharisse, em tom de troça.

- Pelo que você descreve, ela é muito parecida com a mãe dela... – falou Shaoran, mais para si mesmo.

- É você quem está dizendo que a SUA Lady Avalon é a mãe da minha amiga Sakura. – pontuou a irmã, seca.

- Mas poderia ser, não é? – perguntou ele, no mesmo tom da irmã, embora dentro de si sentisse uma estranha excitação se avolumando – Avalon não é um nome muito comum na Inglaterra.

- Mas muitíssimo comum na França e Sakura é francesa! Sabe... isso é tudo que sei dela, além do fato que sua mãe era Japonesa. Ela não fala muito de si e é constantemente distante. Consegue rechaçar os homens mais insistentes apenas com um olhar. Vê-la sorrindo largamente é uma raridade e ninguém nunca a viu gargalhar. Por isso ela é chamada de 'Kori no Hime'.

O silêncio reinou por alguns minutos. Shaoran sentiu que a explicação da irmã só serviu para aumentar aquela agitação que fazia seu coração bater mais forte e mirou, pensativo, Shiefa brincar em silêncio com os restos de bacon com ovos em seu prato. A condessa também parecia emersa em seus pensamentos, com um olhar triste e distante. Sharisse aproveitava a distração da mãe (que vinha implicando com a mocinha, desde que está chegara em casa, que ela estava cheinha demais para os 'padrões londrinos') e comia umas torradas a mais. Quando finalmente deu-se por satisfeita, ela voltou a perguntar:

- E então? Eu posso convidá-las?

- Quanto a Lady Taylor, por mim, não há problema, mas não sei sobre Lady Avalon. – falou a mãe, olhando para o filho. Lembrava-se muito bem da fase 'Lady Avalon'. A seus olhos, o filho ficara obcecado por aquela mulher e ainda se lembrava de tê-lo visto, em várias ocasiões, pelos cantos, olhando fixamente para o além, apertando aquele pente contra o peito... dera graças aos céus quando ele finalmente deixou para atrás aquela história... Agora, porém, havia outra Avalon no caminho, que poderia impingir mais dor e sofrimento a ele... ninguém havia dito que elas poderiam ser realmente parentes, mãe e filha, mas ela tinha uma impressão ruim daquele nome... como se ele fosse sinônimo de tristeza. E tristeza era a última coisa que desejaria para o filho, que já passara por muitas situações terríveis...

- Não dá, mamãe. Aquelas duas só andam grudadas. Só confirmam presença em uma festa se a outra também for convidada.

- Então, é melhor...

- Pode convidar as duas! – Falou Shaoran, de repente, levantando-se da mesa. E completou – E não se preocupe! Com certeza, eu estarei presente!

Dito isso, ele saiu, deixando as três mulheres estarrecidas. Sharisse, depois de se recuperar, virou-se para mãe e disse, com sarcasmo:

- Só porque vou convidar Lady Avalon, ele disse que vai participar do baile! Se eu soubesse, teria dito o nome dela antes e teria poupado muito do tempo que gastei tentando convencê-lo. – ela se levantou, pegou mais uma torrada e finalizou – Essa tal de Lady Avalon deve ter sido MESMO muito especial!

E também saiu da sala. A mãe, que voltara a pensar profundamente, soltou um longo suspiro e disse:

- É... muito especial...

Shiefa apenas assentiu, tomando o último gole de café da sua xícara.

'

- Shaoran, você tem mesmo certeza que está bem, não é? – perguntou Eriol, naquela mesma noite, tentando encontrar uma posição confortável no assento da carruagem, ao mesmo tempo em que fitava intensamente o rosto do amigo.

- Pela terceira vez em menos de uma hora, estou ótimo! – respondeu o rapaz, irritado.

Já estava cansado de responder aquela pergunta. Primeiro foi a família, depois no clube, onde passara a tarde toda e agora era o seu melhor amigo. Tudo por causa de seu súbito interesse em bailes de debutantes. Era bem verdade que antes nunca mostrara um único interesse em debutantes desajeitadas e, como alguns diziam, 'ainda cheirando a leite', mas não era preciso todo aquele alarde a sua sanidade só por que ele andara perguntando a todos qual seria o baile daquela noite. O garçom do clube chegara a insinuar que já havia bebido demais! Os amigos nem tão chegados caçoaram dele, perguntando se ele já estava cansado das aventuras amorosas, que eram bem conhecidas, e que ele finalmente estava pensando em se aquietar. E havia certo tom de maldade naquelas vozes, pois, no fundo, muitos tinham inveja dele.

Shaoran herdara o título com apenas 24 anos, mas já era bem conhecido antes disso. Ninguém mentiria ao dizer que ele era um rapaz bastante namorador. Mas, como Eriol havia dito antes, ele se cansava fácil das mulheres com as quais se envolvia, deixando muitas lágrimas pelo caminho e alguns maridos realmente furiosos. Ele somente se envolvia com mulheres casadas, por julgar assim ser um modo seguro de se divertir sem compromissos. Mas, vez ou outra, os maridos se recusavam a fechar os olhos e desafiavam-no para um duelo. E logo ele ficou famoso por outro motivo: sua excelente pontaria.

Apesar de a rainha Vitória ter proibido terminantemente duelos ao amanhecer, o tão tradicional jeito dos homens 'lavarem sua honra', ainda perpetuava, às escondidas. Shaoran ainda tentava apaziguar as coisas de um modo mais 'aceitável', dialogando. Mas, por algum motivo, os tais maridos ficavam ainda mais furiosos. Talvez fossem as palavras sarcásticas que eles usavam que causavam tanta raiva, mas, fosse o que fosse, a verdade era que Eriol sempre era chamado para ser o padrinho do jovem conde e, ao amanhecer, ele e algum outro coitado poderiam ser vistos nas profundezas de algum parque da cidade, costa a costa, prontos para iniciar a peleja. Dez passos depois, dada a ordem de virar e atirar, Shaoran sempre era o mais rápido: sua pontaria e rapidez eram incríveis. Bom jogador como era, ele sempre acertava de raspão, o suficiente apenas para causar um arranhão. E o marido era obrigado a engolir a raiva e o orgulho... era isso ou arriscar-se a levar outro tiro e ficar com o braço numa tipóia por dias sem fim.

A incrível mira provinha um treinamento árduo... treinamento que já durava exatos 17 anos, logo após o dia da sua fuga e tão logo descobrira o estandarte de tiros em Noire Lissé. Hoje em dia poderia acertar em um alvo a quinhentos metros de distância... era realmente muito bom.

Também era um excelente esgrimista, embora devesse essa habilidade à insistência do pai, ele próprio um mestre-espadachim. Hábil cavaleiro, um ótimo jogador de cartas... tinha um estranho carisma e charme que pareciam hipnotizar qualquer um... é claro que tantas qualidades despertam inveja, mesmo naqueles que, superficialmente, o admiravam...

Era por isso que vê-lo tão confuso e... vulnerável, perguntando sobre bailes de debutantes despertassem tanta maldade... e ele bem sabia disso, mas não deixava de sentir irritação...

No caso de Eriol era diferente, mas era somente porque não gostava de ver o amigo preocupado com ele. Embora quisesse falar porque estava tão inquieto aquele dia, algo o impedia. Talvez porque soubesse que o marquês caçoaria dele também. Ele próprio contara seu caso de 'paixão platônica da pré-pré-adolescência' e o outro rira muito... mas, também sabia que aquela sua obsessão por Lady Avalon sempre fora motivo de preocupação da sua família e do seu melhor amigo... vira tal sentimento no rosto da mãe no café da manhã e tivera que sair de casa. Sabia que, se ficasse perto da mãe, esta tentaria convencê-lo a não convidar a tal 'kori no hime' para o baile. Em outras situações, ele até concordaria em escutar mãe e fazer o que ela acharia que fosse melhor...

Contudo, ele não podia deixar para trás. Lady Avalon era como um fantasma, que assombrara uma parte de sua infância e que fora embora... mas que agora estava de volta. Havia tantas perguntas a serem feitas. Se aquela realmente fosse a filha dela... ele simplesmente tinha que saber!

- Não sei por que você insistiu tanto em ir ao baile de Lady Denver – Eriol falou, tirando Shaoran de seus devaneios – É bom você tomar cuidado! Todo mundo dos círculos mais altos estão falando em seu súbito interesse em meninas puras e virginais! Estão achando que você está procurando uma esposa e aposto que a mãe da moça acha que você está de olho na filha dela!

Shaoran sofreu um estremecimento involuntário e falou:

- Por Deus, não! Não seria Ariella Denver aquela que chamam de 'vela de sete dias' lá no White's?

Eriol torceu a boca, num gesto que indicava todo o seu desprezo por tal comentário maldoso

- É ela sim... é uma moça muito simpática, mas não é nada bonita, odeio admitir!

- Estou quase me arrependendo de estar indo... acho que só posso estar ficando louco! – falou Shaoran, de olhos fechados, sem se dirigir a ninguém em particular

- Falar sozinho é primeiro sinal de loucura! Se quiser, em vez de irmos para o baile de Lady Denver, poderíamos ir direto para o médico! – comentou Eriol, sempre disposto a dar uma força nos momentos certos.

Shaoran lançou-lhe um olhar de 'cala a boca que senão nunca mais falo com você' e voltou a fechar os olhos. Eriol rolou os olhos e ajeitou seus óculos de aro fino no rosto. O jovem conde estava quase arrependido de ter convidado Eriol para ir com ele, mas a verdade era que sempre estavam juntos e achava que seria menos suspeito se os dois aparecessem na festa. Infelizmente, isso não se confirmou quando, minutos depois, eles apearam em frente à porta de Denver Manor. Muitos dos convidados que esperavam ser recepcionados pelos anfitriões olharam para os rapazes como se eles fossem dois seres de outro mundo. Talvez, se duas múmias egípcias tivessem aparecido no lugar deles, causassem menos impacto. Ótimo, Shaoran suspirou, conformando-se, mas seria bem pior se Eriol não estivesse ali para lhe dar apoio moral. Quando Lady Denver-mãe olhou os rapazes, suas pupilas ficaram do tamanho de moedinhas de um Penny. Ela não perdeu tempo:

- Meu caro conde Lisbury! Não sabe o quanto estou lisonjeada com sua presença! Mandei o convite a sua caríssima irmã, mas nunca pensei que você pudesse vir! – seu sorriso era tão largo que ele pode contar cada dente cor de pérola que ela tinha – Não há palavras para descrever minha imensa alegria! E ainda trouxe consigo o esquivo marquês de Cloversfield. É realmente uma grande sorte! Creio que não conheçam minha filha...

Foi a vez de Eriol lançar um olhar significativo para o outro que dizia, com todas as letras 'eu bem que avisei', enquanto uma mocinha se aproximava, fazendo uma mesura levemente desajeitada. Era muito gordinha e seu rosto não era de forma alguma bonito, mas ela exibia um sorriso confiante e havia um brilho em seu olhar que tornavam a moça muito simpática, exatamente como Eriol descrevera. Com desembaraço, ela falou:

- Sinto-me extremamente honrada por tão ilustres cavalheiros terem a gentileza de comparecerem em meu baile! Espero que fiquem a vontade e se divirtam em minha casa.

Shaoran ficou tocado pelas palavras sinceras da garota e levou a mão da moça aos lábios, porém sem beijá-la. Então falou, cortesmente:

- Espero poder tem o prazer de dançar uma quadrilha com a senhorita.

Ela apenas sorriu com suavidade e virou-se para o marquês que estava esperando a sua vez de cumprimentá-la. Logo após, Eriol se juntou ao amigo, a quem deu um puxão no braço e falou, levemente irônico:

- Cuidado, meu amigo! Tenho certeza que, por mais que Lady Ariella seja simpática, ela não é o seu ideal de esposa perfeita. A mãe dela, creio eu, já está imaginando como a filha ficará ostentando aquele famoso colar de brilhantes que está na sua família há anos.

Outro estremecimento involuntário e Shaoran se misturou as outras pessoas. A maioria, ele notou, eram nobres senhoras que traziam suas filhas para o baile. Haviam também alguns cavalheiros muito novos, que pensavam apenas em bebidas, mulheres e roupas, os famosos "almofadinhas", que Shaoran tanto desprezava, apesar de já ter sido um, alguns anos antes. E havia, é claro, as debutantes em si, todas muito novas e pequeninas, em sua opinião... todas olhando para ele com aquela inocente admiração adolescente, que beirava a uma suave paixão juvenil... ele não sabia muito bem como colocar em palavras, mas era o que sentia. E ele certamente, não poderia culpá-las: eles eram os únicos homens naquela casa que talvez valessem a pena de lançar um segundo, um terceiro e um quarto olhar, pela elegância, pela evidente nobreza e, obviamente, pelo título que eles carregavam. Um conde rico e um nobre marquês. Embora Eriol não fosse rico, todos o tinha em alta conta, não somente pelo título elevado, mas também porque ele era um homem difícil de se ignorar. Um pouco mais alto que o conde, possuía um charme extremamente cativante. Seus cabelos eram escuros, tão escuros que chegavam a possuir um certo reflexo azulado e, ainda por cima, eram compridos e lisos, sempre presos por um pequeno laço solto na nuca. Era um penteado considerado fora de moda, mas ainda causava sensação, principalmente nas mulheres. E junte isso ao olhar profundo, que parecia penetrar além da pele, lendo nas entranhas, mas que, ao mesmo tempo passava uma grande serenidade. A fronte alta denunciava grande inteligência e o corpo, anos e anos de muito pugilismo e esgrima. Neste último esporte, ele era o melhor. Shaoran nunca o derrotara em uma luta limpa. Só conseguia vencê-lo quando pegava sua inseparável pistola e atirava na lâmina, quebrando-a. Eriol ria com sarcasmo e dizia que aquele era o jeito mais original com o que alguém o vencia. E o único jeito também.

Depois de falar com várias mães que tentavam empurrar suas filhas para os braços dos dois ilustres rapazes, eles finalmente chegaram ao salão principal, que estava apinhado de gente. Nem mesmo fato de todos os janelões estarem abertos e correr uma leve brisa gelada anuviavam o grande calor resultante do amontoado de pessoas, que ou dançavam a animada quadrilha que a orquestra tocava, ou simplesmente ficavam nos cantos, conversando. Eles zanzavam pelos cantos dos salões, cumprimentando pessoas aqui e ali, esquivando-se de jovens tímidas e esperançosas. Eriol apenas seguia o amigo, calado, olhando-o de soslaio. Ele tinha certeza que algo havia acontecido ao jovem conde para que ele preferisse aquele baile a uma noite agitada e nada convencional em alguma casa de costumes, tão em moda. Mas não o forçaria a falar... Shaoran era seu melhor amigo e o conhecia desde pequeno... certamente, quando chegasse a hora, ele falaria o que estava incomodando-o...

Enquanto isso, Shaoran apenas andava, em círculos, atento, procurando... ele tinha certeza que era ali o lugar... quando passara a tarde inteira no clube perguntara aos presentes sobre os bailes, ouvindo piadinhas e pilherias, estivera também atento àquela palavrainha mágica... Avalon... aquela terrível espera, o horrível desapontamento de ter pensado ouvir aquele nome somente para saber ter-se enganado depois... a curiosidade esmagando-o a ponto de quase derrubar seu orgulho e perguntar diretamente onde estaria aquela noite... até que alguém finalmente comentara sobre ela e sua amiga, Lady Taylor... 'Elas estarão no Baile de Ariella Denver' alguém disse... "E eu também", Shaoran pensou, triunfante!

Mas agora começava a ficar terrivelmente desapontado. Não as via em lugar nenhum. E sabia disso porque não via Lady Taylor em lugar algum e, pelo que Sharisse comentara, elas não se desgrudavam! Então, o que acontecera? Estariam elas atrasadas? Ou então... será que haviam se enganado no clube e elas estariam em outro baile agora? A frustração começava a tomar conta dele e recomeçou a andar, sequer notando que Eriol havia ficado para trás, preso em uma conversa com um velho amigo de seu pai. Andou, desviando das pessoas, sentindo o calor do salão sufocar-lhe, a música insuportavelmente alta em seus ouvidos. Decidido a sair dali, deu meia volta e deu de cara com sua irmã mais nova. Sharisse arregalou os olhos, aturdida por alguns instantes e então perguntou:

- Shaoran... o que você está fazendo aqui?

Ele ficou sem saber o que responder, confuso. Metade dele ainda frustrado por não vê-la... a outra metade frustrado por se sentir como um colegial pego fazendo uma traquinagem. Ele tentava encontrar uma resposta convincente quando viu a surpresa de tê-lo encontrado naquele lugar ser substituído pela compreensão e o aturdimento por entender a situação. Ela abriu um sorriso de quem não consegue acreditar no que está presenciando e falou, olhando fixamente para ele:

- Eu... não posso acreditar... você está aqui... por causa... dela...? – ele nada respondeu e ela levou uma das mãos enluvadas à boca – Não... consigo acreditar... você... não resistiu a curiosidade, não é?

Subitamente, ele sentiu as faces corarem. Ele estava vermelho! Há quanto tento ele não ficava tão sem graça em sua vida! Pensou em mentir, pensou em dizer que viera apenas "treinar" para que não desse vexame no baile dela... mas as palavras que saíram de sua boca foram:

- Mas, pelo visto, me enganei...

Ela soltou um ronco de riso mal-contido e disse, com os olhos brilhantes de lágrimas:

- Shaoran, seu estúpido! Você está certo, só que elas acabaram de chegar...

Mal ela disse isso, ouviu-se uma comoção perto da porta do salão. Pessoas apontavam para certa direção e todos os homens presentes no local ajeitaram suas gravatas. Só poderiam ser elas. Movido pela excitação e pelo seu coração que batia a mil, ele deixou a irmã ali e começou a caminhar lentamente até mais perto, embrenhando-se na multidão. Pensou ter escutado a irmã lhe chamando, mas nem ligou apenas continuou avançando, desculpando-se quando esbarrava em alguém sem querer...

Finalmente se aproximou o suficiente, mas havia muitas pessoas ao redor delas, provando o quanto elas eram populares...

Repentinamente, talvez exatamente como Moisés abrira o mar vermelho, as pessoas se afastaram para os lados, a fim de permitir passagem para duas moças estonteantes. Uma delas era morena, com olhos bondosos e sorriso doce, mas Shaoran mal notou isso. Toda a sua atenção estava voltada para a outra mulher...

O tempo subitamente parou. Tudo ficou escuro e silencioso. Somente existia ela. Linda como nenhuma outra mulher conseguia ser. Perfeita não era um termo acertado para descrevê-la. Não existiam palavras que pudessem expor aquilo que ele sentiu ao exato momento em que a viu. Ela era parecidíssima com sua mãe, poderiam ser irmãs gêmeas, talvez a mesma pessoa... mas ele sentia que ela era muito mais bonita, muito mais... que palavras poderiam ser adequadas para aquele maravilhoso ser que parecia tão irreal? Então, como um raio fulgurante, o olhar dela o atingiu, aquele mesmo olhar hipnótico e cheio de força... e ele sentiu alguma coisa fluir de seu coração, algo como aquilo que sentira quando era um menino de 8 anos, que estivera adormecido durante tantos anos em seu coração e agora despertava... e evoluía para muito maior, que inflamava como fogo pelo seu corpo, de dentro até os poros da sua pele, querendo desesperadamente sair e tomar conta daquele salão, do mundo inteiro...

Havia acontecido... ele não havia se dado conta ainda, mas daria, dali a alguns minutos, quando finalmente se acalmasse... havia acontecido...

...havia se apaixonado.

'

Fim do segundo capítulo.

E então gente, vocês gostaram? Eu espero que sim...

Nossa... como o tempo passa rápido... 17 anos! O Shaoran virou gente e ficou importante... um tanto quanto namorador, mas fazer o que... o mundo não é perfeito:)

Vocês já devem ter reparado que a história gira em torno dele, né? É por isso que a fica é Sh S... nada contra, porém a maioria das fics que eu li de SCC é em torno da Sakura e eu quis fazer diferente. Eventualmente, ela vai ocupar um papel muito importante (ou será que já ocupou?) na trama e vai aparecer, mas por enquanto, o show é todo dele!

Eu comentei atualização passada que eu havia mudado alguns nomes e sobrenomes, não foi? Pois bem ,agora vocês percebem o quanto eu mudei... mas entendam que eu não mudei completamente o nome deles... como assim? Bom, é o seguinte: quem já teve curiosidade de procurar SCC em outros países deve ter percebido que os nomes foram alterados (por qual a razão eu não sei)... eu me aproveitei disso e utilizei esses nomes para dar um ar "europeu" na fic... eis ai alguns nomes que apareceram já:

Shaoran Lionel (SCC em francês). O sobrenome do Shaoran foi um dos únicos que foi inventado.

Tomoyo Daidouji "Madison" Taylor (SCC em inglês)

Sakura Kinomoto Sakura Avalon (SCC em inglês)

Eriol Anthony (SCC em francês). O sobrenome do Eriol também foi inventado.

Quanto as irmãs do Shaoran, eu decidi manter o nome "original" delas ("original" porque, na realidade, há muita discordância nas informações da internet sobre elas, por isso, manti os nomes que mais frequentemente aparecem nas fics e nas páginas de informações) e adicionel um nome inglês para cada uma. Fuutie é Sharisse Fuutie Lisbury e Shiefa é Anne Shiefa Barker. As outra serão nomeadas quando aparecerem (se aparecerem... :) )

Agora, algumas notas culturais:

Câmara dos Lordes: Parte do parlamento Inglês. Em uma análise comparativa, a Câmara dos lordes corresponderia a Câmara dos deputados, só que com mais importância e onde os cargos são passados de pai para filho com o título.

Bond Street: Uma rua muito famosa de Londres onde se podia encontrar os mais variados artigos pessoais, desde vestidos e acessórios, até jóias. Era freqüentado apenas por aqueles que podiam pagar pelos preços absurdos, ou seja, somente nobres endinheirados, comerciantes e fazendeiros ricos ali compravam.

Drury Lane Theatre: Teatro Londrino, muito antigo em que os lordes assistiam as mais variadas peças encenadas por lindas atrizes.

Debut: Debutar era como as garotas oficialmente entravam na sociedade. Durante a temporada, meninas de 16 a 18 anos era levadas por seus pais ou acompanhantes (Chaperon) a diversos bailes, saraus e chás da tarde. O grande propósito do debut é fazer com que as meninas se casassem com o melhor partido, o mais rápido possível.

White's Club: Clube exclusivo para cavalheiros, que ali se reuniam para os mais diversos assuntos ou simplesmente para passar o tempo.

Só uma coisinha: essas notas culturais são para elucidar possíveis dúvidas. Pode ser que você saiba os significados dos termos e lugares, porém tem muita gente que não sabe. Afinal, ninguém nasce sabendo! outra coisa: se alguém achar que a informação que eu dei está incompleta ou equivocada, pode fazer seus comentários por reviews e e-mails...

Por falar em reviews, gostaria de agradecer a Cycy, gabii (pelos três reviews), Yu207, Musette Fujiwara, Sakura Lindah, Vanessa Li, Saky-Li, Hyuuga Mitha, Isabella-Chan, Katryna Greenleaf Black (sem probelmas!), Mimica Chan (¬¬"),Maríllya, Sango, Pri-chan e Hanna-chan. Quanto as perguntas "meu Deus! Quem é essa mulher?! Aonde ela foi?! O que aconteceu com o Shaoran?!"... bem... espero que elas tenha sido respondidas (ou não!) e que agora vocês tenha muito mais perguntas e, com isso, possam me mandar muitas reviews... muitas MESMO!

E por último, mas não menos importante, quero agradecer de coração e alma a minha revisora "quebra-galho" Yoruki Hiiragizawa, pelas correções deste capítulo e pela sugestão do título. Te adoro, amiga!

E agora, fico por aqui...

Até um dia qualquer...

Cherry hi