Meia noite daquele domingo, Izayoi saíra de casa no inicio da noite após a discussão com o pai e até aquele momento não aparecera em casa e nem dera notícias.

O velho Hasimoto já estava impaciente e andava de um lado a outro na sala de estar da casa. Estava preocupado e há alguns segundos ordenara a uma das empregadas que fosse ao andar superior da casa e chamasse por sua filha caçula.

Em pouco tempo Keiko surgia na sala vestida com trajes confortáveis não parecendo que iria sair naquela noite.

- O que foi papai? – Perguntou tão logo se aproximou.

- Quero que você tente descobrir onde sua irmã está. – O homem disse sério e a filha se mostrou confusa.

- Papai, ela deve ter saído com alguma amiga ou algo assim...

- Não. – O homem disse soltando um suspiro involuntário. – Ela saiu muito chateada daqui mais cedo e até o momento não deu notícias. Ela estava dirigindo e eu estou preocupado.

- Ela estava chateada? Por quê?

- Nós discutimos. – Hasimoto não deu maiores explicações mesmo sabendo que a filha esperaria por isso. – Ligue para as amigas dela e tente descobrir onde ela está. Ligue também para aquele Taisho, talvez ela esteja com ele.. – O tom raivoso não pode ser escondido.

- Está bem, eu vou ligar.

Keiko se aproximou do aparelho telefônico e imediatamente começou a discar para vários números conhecidos. A primeira pessoa em quem a jovem pensou, naturalmente, foi Naomi, afinal ela era a melhor amiga de Izayoi, porém a jovem disse que não havia falado com a amiga naquele dia.

A irmã mais nova de Izayoi informou sem muitos detalhes o que havia acontecido, mas Naomi, conhecendo bem o velho Hasimoto, conseguia imaginar bem a cena.

- Me ligue se souber de alguma coisa Keiko. Agora até eu fiquei preocupada.

- Pode deixar Naomi, eu aviso.

- Ligue para o Oyakata. – Indicou. Já havia passado o número da casa do empresário a Keiko. – Pode ser realmente que eles estejam juntos.

- Eu vou ligar agora. Obrigada Naomi. Ja ne.

- Ja ne.

Assim que encerrou a chamada com a amiga da irmã, Keiko discou o número que ela fornecera para falar com a casa de Oyakata. Tudo sob os olhos atentos do pai.

- Moshi, moshi? – Uma voz feminina atendeu.

- Oh olá! Boa noite! – Keiko disse sem jeito.

- Boa noite. – A mulher respondeu.

- Desculpe-me por ligar a essa hora. Eu me chamo Hasimoto Keito e sou irmã de Izayoi. Gostaria de saber se minha irmã está aí?

- Não senhorita. A senhorita Hasimoto não esteve aqui hoje. – A mulher respondeu.

- O senhor Taisho está?

- Não. Ele precisou sair e não sei quando volta.

- Está certo então. Obrigada e mais uma vez me desculpe por ligar tão tarde.

- Tudo bem senhorita. Tenha uma boa noite.

- Boa noite.

Keiko encerrou a chamada e se voltou para o pai. O Hasimoto estava extremamente sério e observava a filha com atenção.

- Izayoi não está lá e não apareceu hoje. – A jovem informou.

- E quanto a ele?

- Ele também não estava em casa. – Keiko disse já prevendo uma reação do pai.

O velho Hasimoto cerrou os punhos e sua expressão deixava clara sua insatisfação.

- Ela está com ele. – Disse entre dentes.

- Nós não temos certeza disso papai. – Keiko se apressou em dizer.

- Isso é bastante óbvio para mim Keiko. – O homem disse em um tom raivoso.

- Espere papai, eu vou tentar ligar mais uma vez para o apartamento dela. – Keiko voltou a tomar o aparelho telefônico nas mãos e a discar o número do apartamento onde Izayoi costumava se refugiar.

Vários tons de chamada foram ouvidos enquanto Keiko pedia mentalmente para que a irmã atendesse a chamada. Já ia desistir quando recebeu resposta.

- Moshi, moshi?

- Ah Iza, que bom que você atendeu? Onde esteve? – Perguntou preocupada, mas um sorriso já adornava sua face.

- Por aí Keiko.

- Nós estávamos preocupados. – Keiko informou.

- Me desculpe. – A mulher disse suspirando. – Eu fiquei andando por aí tentando me acalmar e perdi a noção do tempo...

- Você está bem? – A mais nova podia perceber que a irmã ainda estava muito chateada apenas pelo tom de sua voz.

- Não, mas eu vou ficar. Não se preocupe. Eu só preciso de algum tempo sozinha..

- Tudo bem. Só queria ter certeza de que estava tudo bem. Se precisar de alguma coisa me ligue, okay?

- Okay.

- Boa noite!

- Boa noite Keiko. – Izayoi respondeu sem muito ânimo. Podia imaginar que o pai estava ao lado de Keiko monitorando suas ligações a procura dela. Colocou o aparelho no gancho e seguiu pelo corredor carregando algumas sacolas até o quarto.

...

- Viu papai? Izayoi está bem. Ela disse que precisa de algum tempo sozinha para pensar.

- Ela estava sozinha? – O velho perguntou desconfiado.

- Sim estava. – Keiko respondeu sorrindo e logo depois se levantou do sofá indo em direção ao pai que estava de pé e abraçando-o. – Papai, tente não brigar com a Iza. Vocês dois ficam mal quando brigam.

- Sua irmã está cega Keiko. Eu não posso permitir que ela sofra... É meu papel de pai protegê-la.

Keiko sorriu mais uma vez diante da teimosia do pai. Ela nada podia fazer a não ser torcer para que ele aceitasse o relacionamento de Izayoi com Oyakata, afinal o bonitão de cabelos prateados parecia tão legal e sua irmã estava mesmo apaixonada por ele.

No apartamento, Izayoi tomou um banho e após vestir-se com um confortável pijama que encontrou no closet, se deitou na cama tentando relaxar e não pensar na raiva e tristeza que estava sentindo. Por que seu pai não podia deixar de ser teimoso, preconceituoso e superprotetor? Por que não podia dar uma chance de conhecer Oyakata e ver o quão maravilhoso ele era?

Pensou no homem e um sorriso triste adornou seus lábios. Não falara com ele durante todo o dia e já sentia saudades, mas não poderia ligar para ele àquela hora, quase uma da manhã. Ele já deveria estar dormindo, visto que amanhã seria mais um dia de trabalho.

...

Izayoi acordou cedo no dia seguinte. Tomou seu banho e fez sua higiene pessoal. Logo depois, indo até uma das várias sacolas que havia no chão do quarto próximo à cama, retirou um vestido preto discreto, sapatos na mesma cor, meias e alguns outros acessórios. Depositou os objetos sobre a cama e passou a se vestir para sair em mais um dia de trabalho.

A manhã de segunda-feira fora agitada e Izayoi esteve ocupada durante todo o tempo. Procurou manter-se ocupada, primeiro para não pensar em seus problemas e segundo para evitar o pai, que ela sabia, estava na empresa.

Hasimoto não havia ido ao encontro da filha até aquele momento, pareceu ter considerado que o melhor era aguardar e deixar que os ânimos se acalmassem.

Perto do horário do almoço, Izayoi recebeu uma ligação de sua melhor amiga, que estava preocupada com ela. A morena tratou de tranqüilizar Naomi dizendo que estava mais calma e que tudo ficaria bem. As horas de trabalho serviram para distraí-la.

Izayoi contou a amiga sobre a discussão com o pai e Naomi logo entendeu que este havia sido o motivo de seu sumiço. Ela questionou sobre Oyakata, perguntou se ela havia entrado em contato com ele e se eles haviam conversado, Izayoi disse que não.

- Eu não falo com ele desde a festa Naomi. Não liguei para ele nesse final de semana e embora ele tenha me dito que não houve nada entre ele e o meu pai, agora que sei o teor da conversa, fiquei preocupada com o que ele pode estar pensando ou sentindo.

- Você só saberá disso se falar com ele, não é Iza? Ligue pra ele. Talvez você consiga pegá-lo para almoçar e aí vocês conversam. – Naomi sugeriu.

- É. Acho que farei isso. – Izayoi disse sentindo-se um pouco mais aliviada após conversar com a amiga. – Eu vou ligar pra ele agora Naomi. Depois nos falamos.

- Okay. Até depois.

- Até.

Tão logo encerrou a chamada com a amiga, Izayoi ligou para a sede da Taisho Inc. A secretária que já a reconhecia, informou que o senhor Taisho não havia aparecido no escritório àquela manhã e que apenas pediu para que uma das empregadas da casa ligasse dizendo que ele não iria. Izayoi se surpreendeu com aquela informação. Oyakata não costumava faltar ao trabalho.

A próxima ligação foi feita para a casa do empresário e quem a atendeu também a conhecia.

- Boa tarde senhorita Hasimoto!

- Boa tarde Tsuka! O senhor Taisho está?

- Não senhorita, ele ainda não chegou. – A mulher disse e Izayoi estranhou.

- Deixe-me falar com ela. – Uma voz conhecida pode ser ouvida por Izayoi do outro lado da linha. – Senhorita Hasimoto?

- Sim Megumi. Como vai?

- Eu estou bem. – A jovem disse sem muito ânimo.

- Aconteceu alguma coisa Megumi? Onde está o Oyakata?

- Ele está no hospital senhorita... – A informação causou choque a Izayoi e imediatamente seu coração acelerou. – O Sesshoumaru não está muito bem. Ele se sentiu mal à noite passada. Estava tossindo muito e com febre, nem se alimentou durante o dia.

- Oh Kami! E já sabem o que ele tem? – A mulher logo se mostrou preocupada.

- Eu ainda não sei. O senhor Taisho não voltou para casa desde ontem e Kaede está com ele. Ela ligou e disse apenas o Sesshy foi internado.

- Eles estão no hospital do Hashi, certo?

- Sim.

- Certo. Eu vou até lá Megumi. Quando souber de alguma coisa, eu ligo para você e informo. – Izayoi disse já se levantando e reunindo suas coisas.

- Obrigada Izayoi-san!

Izayoi desligou o telefone e logo depois de pegar sua bolsa e o casaco, deixou sua sala.

- Satsuki, eu estou de saída e não devo voltar hoje. Cancele os meus compromissos para a tarde. – Informou à secretária enquanto passava em frente à mesa dela em direção aos elevadores.

- Sim senhorita. – A secretária respondeu observando o nervosismo estampado no rosto da chefe.

...

Izayoi dirigiu rapidamente e logo chegou ao hospital deixando seu carro no estacionamento e rumando para a entrada. Ela caminhou pelos corredores pouco conhecidos, prestando atenção às placas que indicariam onde ficava a recepção.

Logo que encontrou o que queria se dirigiu às jovens funcionárias e indagou sobre o local onde se encontrava Sesshoumaru.

- A senhora é da família? – A jovem questionou seguindo o protocolo já que não podia dar informações sobre os pacientes a qualquer pessoa.

- Sou amiga da família e acabei de saber que ele foi trazido para cá. – Izayoi respondeu em seu tom educado habitual. A jovem a observou por alguns segundos.. – Escute eu sou amiga do Dr Taisho e Sesshoumaru é sobrinho ele. Você pode confirmar se ligar pra ele.

- Não é necessário senhorita. – Uma outra funcionária interferiu. – Peço apenas que me forneça um documento de identificação para registro. É uma regra do hospital. Questão de segurança. – Explicou.

- Eu entendo. – Izayoi pegou a carteira dentro da bolsa que carregava e retirou o documento solicitado entregando-o à funcionária que após verificá-lo e anotar alguns dados o devolveu.

- Siga pelo corredor e tome o elevador até o vigésimo andar. O paciente está na ala pediátrica no quarto 1.107. – Informou sorrindo de forma simpática.

- Obrigada. – A mulher respondeu logo tomando a direção indicada.

Em poucos minutos Izayoi estava no corredor da ala pediátrica e observava os números das portas para encontrar o quarto de Sesshoumaru. Virou no corredor e encontrou Kaede de pé em frente a uma porta. Um choro quase desesperado de criança podia ser ouvido e Izayoi logo reconheceu como sendo de Sesshoumaru.

- Kaede? – Ela chamou a atenção da mulher.

- Senhorita Hasimoto! – Kaede demonstrou surpresa ao vê-la ali.

- Eu acabei de saber. O que houve com o Sesshoumaru? – Perguntou aflita com o choro incessante do menino que vinha de trás daquela porta.

- Ele está com um princípio de pneumonia.

- Oh Kami!

- Começou com uma tosse e nós achamos que fosse um resfriado comum, mas ele passou a não comer nada, nem o suco queria beber. Teve uma febre muito alta e não conseguia dormir. Chorava o tempo todo, então nós ligamos para o Hashi e o trouxemos pra cá.

- O que estão fazendo com ele agora? – Izayoi indagou fitando a porta a sua frente com apreensão.

- Nebulização. Ele chora muito toda vez que tem que fazer. – Kaede disse com pesar. – Eu sei que não dói nem nada, mas ele não gosta e me parte o coração ver ele chorar assim.

- Eu sei. – Izayoi segurou as mãos de Kaede procurando confortá-la. Conseguia imaginar o que aquela mulher que vira Sesshoumaru nascer estava sentindo, porque ela própria sentia o coração doer com aquilo.

As duas mulheres ficaram ali por alguns minutos. Kaede disse que Oyakata estava lá dentro com o filho e que não havia saído do lado dele um segundo sequer. Izayoi achou melhor esperar até que a sessão de nebulização terminasse para ir até o quarto falar com ele.

Lá dentro Sesshoumaru estava no colo do pai e ainda chorava muito. As mãozinhas tentavam a todo o momento retirar a máscara que estava colocada sobre seu rosto e por onde os gases que liberavam o medicamento passavam. Oyakata tentava acalmá-lo, mas nada do que fizesse surtia efeito. Era quase insuportável ver o filho implorar para que ele fizesse aquilo parar e apenas porque sabia que aquilo era para o bem dele, é que Oyakata se esforçava para ignorar os apelos do filho que chamava por ele tendo a voz abafada pela máscara.

- Calma meu filho, por favor. Já está acabando, só falta um pouquinho. – Ele dizia enquanto acariciava os cabelos dele com a mão livre.

Sesshoumaru continuou a chorar por longos minutos e os soluços eram alternados por tosses fortes e carregadas. A porta do quarto se abriu revelando para Oyakata a presença de uma enfermeira e logo atrás dela surgiu Izayoi.

A enfermeira verificou se ainda havia medicamento a ser ingerido constatando que ainda faltava um pouco para terminar. Izayoi se aproximou de pai e filho e levou seus dedos delicados a parte do rosto de Sesshoumaru que não estava coberta pela máscara.

- Oi bebê! – Ela disse chamando a atenção dele. Sesshoumaru balbuciou algo que era impossível compreender e mais uma vez tentou retirar a máscara que era segurada firmemente pelo pai. – Eu liguei pra sua casa e Megumi me disse que vocês estavam aqui. Eu vim logo que eu soube. – Izayoi disse ao fitar o rosto de Oyakata que olhava para ela.

- Ele não pára de chorar. Eu não sei mais o que fazer. – O homem disse inconsolável.

- Ele está cansado e essa máscara com esse barulho podem ser bem irritantes. – A enfermeira disse se dirigindo aos dois.

- Quer deixá-lo comigo um pouquinho? – Izayoi indagou se sentando ao lado de Oyakata na cama. Ela estendeu os braços para alcançar o menino e o trouxe para o seu colo, e ele ainda chorava.

- Eu vou avisar ao médico que o medicamento já está acabando e ele virá vê-lo. – Mais uma vez a voz da enfermeira foi ouvida e logo depois ela se dirigiu à porta e deixou o quarto.

- Shii...calma bebê já está quase terminando... – Izayoi disse com sua voz suave olhando nos olhos do menino que a encarava diretamente. O choro pareceu diminuir um pouco enquanto ela conversava com ele visando distraí-lo.

Oyakata manteve-se ali ao lado deles e afagava o filho mostrando a ele que não o havia deixado. Ele não poderia mensurar o tamanho de sua aflição ao ver o filho doente.

- Eu me sinto tão impotente...- Disse fitando a face do filho.

- Querido, eu sei que isso deve ser terrível para você, mas esse tipo de coisa não se pode prever. – Izayoi se voltou para ele por alguns instantes. – Você não teria como evitar isso.

- Eu sei, mas vê-lo sofrendo e não poder fazer nada me deixa... irado. – Desabafou.

- Ele vai ficar bem. Não vai Sesshy? Você vai ficar bem e daqui a pouco vai estar brincando e sorrindo como sempre, não é? – Ela voltou a falar com o menino.

O som emitido pelo aparelho mudou indicando que finalmente o remédio havia acabado. Izayoi então retirou a máscara do rosto de Sesshoumaru e viu mais claramente as lágrimas deixarem os belos olhos dourados, mas ele parara de chorar e agora apenas resmungava deixando claro o quanto estava zangado. Izayoi sorriu e o apertou mais contra o corpo para logo depois depositar um beijo em sua testa.

- Ele está um pouco quente. – Ela falou.

- Ele já foi medicado, mas essa febre persiste. – Oyakata informou. – O médico disse que é por causa da pneumonia. Que a febre pode ser controlada, mas só vai passar quando os pulmões dele estiverem livres.

- Pobrezinho...

Alguns minutos depois, o pediatra responsável por Sesshoumaru entrou no quarto e com ele Hakudoushi.

- Konnichiwa! – Ele cumprimentou o casal. – Izayoi, como está?

- Bem Hashi e você?

- Também. Mas preocupado com esse garoto. – Disse indicando o sobrinho que estava no colo da mulher. – Takashi, esta é Hasimoto Izayoi uma amiga da família. – Hashi a apresentou.

- Prazer em conhecê-la senhorita. – O pediatra disse fazendo uma leve reverência. - E então rapaz, vamos examinar essa respiração? – Ele disse sorrindo se dirigindo a Sesshoumaru.

O menino escondeu o rosto no peito de Izayoi e se agarrou a blusa dela. A mulher tentou fazê-lo se voltar para o médico e o ouviu reclamar, mas conseguiu o que pretendia fazendo Sesshoumaru encarar o pai que o chamava.

O doutor Takashi se aproximou e aproximou o estetoscópio do peito de Sesshoumaru que se encolheu e fez nova cara de choro balançando a cabeça negativamente enquanto pronunciava a palavra não e com a mãozinha procurava afastar aquele objeto estranho de si. Novas lágrimas deixaram seus olhos e ele apelava para o pai ajudá-lo.

- Não papa.. – Pedia chorando a voz infantil.

- Calma meu filho. – Oyakata pediu. – Vem aqui. – Ele voltou a pegar o menino no colo buscando dar mais segurança, mas nem assim Sesshoumaru permitiu a aproximação do médico.

- Deixe-me tentar. – Hakudoushi disse e se aproximou mais da cama munido do próprio estetoscópio e viu o sobrinho fitá-lo desconfiado. – O que foi Sesshoumaru? Vai me estranhar também? – Perguntou com suavidade sorrindo para o sobrinho e o acariciando. – Deixa o tio escutar... – Disse já aproximando o objeto do peito de Sesshoumaru passando-o sobre a camisola infantil do hospital que ele usava. O menino reclamou novamente, mas dessa vez porque sentiu a superfície gelada do objeto de encontro a sua pele quente. Hashi fazia caretas procurando distraí-lo enquanto ouvia os ruídos da respiração dele.

- E então? – Takashi indagou.

- Ainda está com algum chiado, mas acredito que bem menos do que antes. – Hashi se dirigiu ao colega e depois ao sobrinho. – Pronto garoto. Nem doeu viu? – O tio tocou a testa do menino com a sua durante alguns segundos e depois depositou um beijo na ponta do nariz dele. Sesshoumaru fez um bico que arrancou risos do tio.

- Ele está zangado mesmo. – Takashi disse ao fitar a face de seu paciente. – Bom, os remédios estão fazendo o efeito esperado. Eu vou mantê-lo em observação pelas próximas horas e veremos como ele irá evoluir.

- Ele vai ficar bem Oyakata. – Hashi se voltou para o irmão sabendo quão preocupado ele estava.

- Só vou ficar tranquilo quando o vir fora daqui e se alimentando normalmente. – O homem respondeu sério enquanto fitava o filho.

...

Era início da noite quando o Dr Takashi finalmente deu alta ao pequeno Sesshoumaru. A febre havia cedido consideravelmente e ele respirar com menos dificuldade agora.

Kaede e Izayoi vestiam o menino com as roupas que a primeira havia trazido de casa. Um conjunto quente e aconchegante composto de calças e casaco nas cores vermelha e branca. Meias foram colocadas nos pés para aquecê-los, mas os sapatos foram dispensados já que o menino não andaria por ali.

Sesshoumaru ainda estava "enjoado", resmungando e choramingando a todo o tempo. Como a enfermeira dissera, ele estava cansado pelas horas de sono perdidas devido à tosse persistente que o afligira.

Já estão indo? - A voz de Hakudoushi soou no quarto e chamou a atenção de todos que se voltaram para a porta de onde ele surgia.

Sim. O Dr Takashi já deu alta a ele. - Oyakata respondeu.

Está certo. Ele vai ficar perfeitamente bem, basta que as recomendações sejam seguidas e os horários dos remédios respeitados.

Serão. Eu já tenho todas as prescrições comigo. - O mais velho voltou a falar.

Tudo bem. Depois eu passo lá para ver como ele está. Você vai ficar em casa, não vai?

Vou sim. Vamos para casa meu filho. - Oyakata disse já pegando o menino no colo e ele se aconchegou ao pai escondendo o rosto em seu peito tendo os cabelos afagados.

Izayoi sorriu levemente ao ver a cena. Sesshumaru era extremamente manhoso quando queria e estando doente, a manha só aumentava.

Você vai dirigindo Oyakata? Você está cansado passou mais de 24hs acordado. Não acho uma boa idéia... - Hashi iniciou.

Eu vou levá-los Hashi, não se preocupe. - Izayoi se pronunciou.

Ótimo! - O médico disse sorrindo.

Eu vou mandar alguém para buscar o carro depois Hashi. Ele está no estacionamento geral.

Não tem problema. Eu vou mandar avisar à segurança. Podem ir tranquilos.

Depois que Hashi se despediu do sobrinho, Oyakata, Izayoi e Kaede deixaram o hospital com o menino. Demorou cerca de trinta minutos para que chegassem à imponente casa onde Oyakata vivia e o céu já havia sido tomado pelo manto negro da noite àquela altura.

Assim que chegaram, Sesshoumaru foi levado para o quarto onde Megumi lhe daria um banho e trocaria suas roupas.

...

A babá sorriu ao receber o menino no colo mesmo que ele ainda choramingasse. Ela estava feliz por vê-lo um pouco melhor. A tosse já não o perturbava e mesmo que ele não tivesse dado sequer um sorriso, a jovem ficara satisfeita apenas por ver aquele rostinho.

Izayoi e Oyakata estavam no quarto do menino e conversavam enquanto Megumi o levava ao banheiro para dar o banho.

Você também deveria ir tomar um banho e tentar relaxar um pouco. Parece tão cansado..

Eu estou. Mas vou esperar que o Sesshoumaru tome banho e coma alguma coisa. Ele não se alimenta desde ontem. - O homem disse enquanto mexia distraidamente em um dos brinquedos do filho.

Você poderia tomar o seu banho enquanto ele toma o dele e depois, nos preocupamos com a alimentação dele. - A mulher disse em um tom doce e se aproximou dele tocando seu rosto com suavidade.

Um beijo leve foi depositado nos lábios masculinos e por um momento Izayoi hesitou lembrando-se da conversa com o pai e pensando em como Oyakata estaria se sentindo sobre aquilo. O pensamento foi afastado no momento em que ele também acariciou seu rosto e uniu sua testa à dela. As respirações chocando-se.

Obrigada por ter ido até lá e por ter estado conosco. - Ele disse baixo enquanto a fitava. Izayoi sorriu de forma cúmplice.

Não me agradeça. Eu jamais conseguiria ficar longe sabendo que algo estava acontecendo com o Sesshy ou com você.

Os lábios voltaram a se encontrar em um beijo doce e terno, repleto de cumplicidade e carinho.

Oyakata acabou convencido e foi até sua suíte para tomar banho e se trocar como Izayoi havia sugerido. Depois poderia ficar com o filho até que ele dormisse.

...

Momentos mais tarde, Sesshoumaru já estava no quarto devidamente vestido com roupas quentes. Ele estava no colo de Izayoi enquanto Megumi arrumava algumas coisas no banheiro.

O pequeno estava quietinho no colo da mulher, algo que não era comum, pois Sesshoumaru sempre fora uma criança ativa. Mas levando-se em conta que ele estava cansado e não completamente recuperado aquilo podia ser considerado normal.

Izayoi o acariciava e conversava com ele quando Oyakata entrou novamente no quarto vestindo roupas casuais normalmente utilizadas por ele em casa. Ele se sentou ao lado de Izayoi na cama e observou o filho que estava aconchegado a ela.

Uma das empregadas da casa surgiu no quarto trazendo uma mamadeira para Sesshoumaru. O médico aconselhou que não forçassem qualquer alimento sólido, pois poderia não ser bem aceito pelo menino. O recipiente foi entregue a Oyakata e logo depois a Izayoi que o ofereceu a Sesshoumaru.

O preocupado pai viu com satisfação o filho aceitar a mamadeira e sugá-la com certa avidez, interrompendo o ato apenas para puxar o ar com força para os pulmões. A respiração dele ainda não estava normalizada, precisaria de mais algumas sessões de nebulização.

Ele está tomando tudo viu?- Izayoi perguntou fitando os olhos preocupados de Oyakata.

Graças a Kami!

Sesshoumaru tomou todo o conteúdo da mamadeira e não demorou a adormecer de forma tranquila sob os afagos de Izayoi. Os dois adultos admiravam o rostinho angelical dele, sereno naquele momento, tão diferente de quando estava no hospital. Ele foi colocado no berço e antes de sair do quarto, Oyakata instruiu Megumi a ficar atenta a ele e chamá-lo caso qualquer coisa acontecesse.

Oyakata.. - Kaede o chamou pelo nome, algo que raramente acontecia. - O jantar está pronto. Não é só o Sesshoumaru que precisa se alimentar. - Aí estava o motivo. Uma recomendação tipicamente materna, precisava ser dada com certa intimidade.

Pode mandar servir Kaede. - O homem disse com a voz serena. - Você me acompanha? - Indagou fitando Izayoi.

Claro!

Enquanto aguardavam sentaram-se no sofá e a mulher dispensou gestos carinhosos a ele. Acariciando seu rosto cuja feição parecia tão cansada naquele momento.

Como foi seu dia? - Ele perguntou a fitando enquanto usufruía do carinho.

Agitado. - Disse simplesmente. - No período da manhã tive muitas coisas a fazer e no horário do almoço, pensei em sequestrá-lo para um almoço, mas então fui informada de que você não havia ido à empresa. Foi quando liguei pra sua casa e soube do que havia acontecido com o Sesshy.

É. As últimas horas foram bem difíceis. Eu fiquei muito preocupado com ele.

Eu imagino. Mas agora ele está melhorando. Daqui a pouco estará bem.

O jantar foi servido e o casal o desfrutou tendo uma conversa amena. Terminada a refeição retornaram à sala e Izayoi sugeriu a Oyakata que ele fosse dormir.

Você precisa descansar querido. - A voz doce soou aos ouvidos dele enquanto estavam abraçados.

Você vai comigo? - O tom manhoso e incomum utilizado por ele fez Izayoi sorrir antes de responder.

Vou.

Os dois foram para o quarto de Oyakata. Ele se trocou e se deitou enquanto Izayoi foi até o banheiro para tomar um banho.

Quando retornou Izayoi retornou ao quarto , minutos depois, Oyakata já dormia não tendo suportado o cansaço. Ela sorriu enquanto caminhava até ele na cama e o beijou levemente. Não estava com sono, afinal ainda era muito cedo. Como se tornara hábito, sempre que dormia ali sem ter no início a intenção de fazê-lo, ela vestia a parte superior de um dos pijamas dele. Foi até a sacada do quarto fitando o exterior da casa com o céu extremamente estrelado lá em cima. Não conseguia evitar sentir-se em casa quando estava ali naquela casa, com Oyakata e Sesshoumaru.


Desculpem a falta de comentários, mas o meu tempo está curto.

Me empenhei para atualizar essa estória, porque ela já estava parada há muito tempo.

Espero que tenham gostado do capítulo. Me deixem saber.

Obrigada aos que continuam acompanhando e mandando reviews. Adoro vocês!