(U.A.) Gina Weasley tinha apenas uma semana para evitar que Harry cometesse o maior erro de sua vida. Sua namorada dera-lhe um ultimato: casar-se com ela ou romper o namoro. Gina não tinha escolha e teria de jogar pesado. Usando todas as armas possíveis, ela vai a luta.

Obs: A idéia central é baseada no livro de mesmo nome.

Disclaimer: Todos os personagens pertencem a tia J.K.


Ousada Conquista

Capítulo 1 – A Chance

- Preciso falar com você. – disse uma voz aflita às minhas costas. Nem precisei me virar para ver quem era e foi inevitável que um sorriso brotasse em meus lábios.

- Bom dia pra você também, Harry. – respondi sem tirar os olhos da batata que estava descascando. Ele se acomodou na cadeira do outro lado da mesa.

- Você não sabe o que acon...

- Harry! – O que aconteceu eu não cheguei realmente a descobrir, já que meu sexto irmão, que acabava de chegar, o interrompeu. – Que bom que está aqui! Pensei que não fosse vir...

Harry ainda me lançou um olhar que dizia "falo com você depois" e levantou-se para cumprimentar Rony, que era o seu melhor amigo há mais de dez anos. Isso me deixou meio apreensiva. Se ele tinha um problema, por que me procurava e não ao Rony? Não que não fossemos amigos, éramos sim, mas nossa amizade não chegava aos pés da que ele tinha com Rony.

- Oi, Gina! Olá, Harry! – essa era Hermione, minha amiga e noiva de Ronald, que acabava de entrar na cozinha, provavelmente tinha vindo com meu irmão.

- Bom dia, Mione. – cumprimentou Harry, sorrindo.

- Oi, Mi. – eu disse.

- Papai deve estar precisando de ajuda com a churrasqueira. Por que vocês dois não vão até lá dar uma mãozinha? – sugeri, quando os rapazes começaram a fazer muito alvoroço, quase me fazendo cortar o dedo.

- Okay, vamos. – concordou Ronald, meio carrancudo.

- Onde está Molly? – O Potter perguntou quando estava à porta.

- Foi no mercado com o Carlinhos. Já deve estar voltando.

Eles saíram para o quintal, deixando eu e Mione sozinhas.

- Ufa. – deixei escapar.

- Dá um desconto a eles. – Hermione, sorrindo, sentou-se ao meu lado para me ajudar com as batatas. – Fazia tempo que não se viam.

- Não me importo que façam alvoroço, contanto que não atrapalhem minha concentração.

- Como está se saindo no apartamento novo?

Eu pensei alguns segundos antes de responder. Há uma semana tinha saído de casa para morar sozinha. O apartamento que alugara ficava bem próximo do escritório onde trabalhava e me concedia toda a privacidade que tanto prezava. Não estou reclamando de não ter privacidade na casa da minha família, mas era meio difícil evitar uma certa invasão na minha vida pessoal. Ainda mais tendo seis irmãos mais velhos que eram bastante protetores e ciumentos.

- Acho que não está nada mal para uma primeira semana. – suspirei. – Mas ainda estou em período de adaptação, sabe? Fica meio difícil se organizar quando se está acostumada a ter tudo na mão.

- Tipo roupas lavadas, comida nos horários certos...

- Exatamente. Sem contar com a faxina, né? Não sei quando vou arrumar tempo para pôr tudo em ordem!

- Não devia aproveitar o dia de hoje para isso? – sugeriu Mione com um olhar um tanto repreensivo.

- Eu sei, Mi. Mas essa semana foi tão cansativa. Ontem pelo menos lavei as roupas e fui ao supermercado. Só faltou a faxina.

- Insisto que deveria ter aproveitado a manhã de hoje...

- Você acha que os Weasley me perdoariam se eu faltasse o primeiro almoço de domingo depois que me mudei?! Acho que eles colocariam a polícia atrás de mim. – fiz uma careta e ela riu.

- Muito provavelmente!

Levantei-me com a vasilha de batatas picadas, peguei uma panela com água e levei ao fogo. Passando pela janela, vi Fred, George, Ronald e Harry brincando com a bola de futebol. Uma cena bem comum aos domingos quando costumávamos nos reunir, mas não pude deixar de observar. O Potter de repente saiu da rodinha e foi ajudar meu pai a montar a churrasqueira que ele mesmo havia inventado, juntando peças de antigas churrasqueiras e não sei mais de quê. Esse era um tipo de passatempo do excêntrico sr. Arthur Weasley. Ele adorava montar e desmontar coisa, descobrir como funcionavam e reinventar. Minha mãe ficava doida com essa mania, porque ele acabava juntando um monte de tralhas, mas depois de tantos anos de casados, acabou se conformando.

Mione veio se juntar a mim na janela, provavelmente para ver o que eu tanto olhava. E logo percebeu em quem minha atenção estava fixa.

- Harry tinha dito que não viria hoje. – ela comentou, vaga. – Parece que já tinha outros planos.

- É, eu sei. Ele também me disse isso na sexta.

- O que será que aconteceu para que ele mudasse de idéia?

- Ele está estranho hoje. – disse, pensativa, ignorando a pergunta dela.

- Como assim estranho? – ela me olhou com um sobrancelha erguida.

- Não sei dizer. Mas ele disse que queria falar comigo.

- Falar com você? Sobre o que acha que ele quer lhe falar? – ela franziu o cenho como se estudasse uma possibilidade e eu sabia exatamente qual era. Ela desde sempre soubera que eu tinha uma quedinha por ele. Com o passar dos anos, deixei a paixonite infantil de lado, mas a atração que sentia por ele atualmente não tinha mesmo nada de infantil.

- Não pode ser nada sobre o que está pensando, Mione. – descartei logo.

- Como pode ter tanta certeza? – cruzou os braços.

- Ora, Mi, nós duas sabemos muito bem que ele jamais vai me ver como algo mais do que a irmãzinha do seu melhor amigo.

- Ele te considera muito, Gina. Desde que você começou a trabalhar na mesma companhia que ele, tenho certeza que o relacionamento de vocês evoluiu.

Em partes, até que ela tinha razão. Não trabalhávamos nos mesmos setores, mas sempre nos esbarrávamos nos corredores e salas de reuniões e às vezes até íamos almoçar juntos. Aos vinte e seis anos, ele já era diretor do departamento de vendas e eu, com meus humildes vinte e quatro aninhos, tentava alcançar mais espaço no setor de publicidade, inteiramente ligado com o de vendas.

- Evoluiu de certo modo. Pode-se dizer que somos bons amigos, mas nada além disso.

- Talvez eu possa ajudar a mudar isso. – Misteriosa, Hermione se limitou a responder meu olhar interrogativo indo até sua bolsa e retirando de lá um volume que me pareceu um livro dentro de um saco. – Vou te contar um segredo, Gi, mas tem que me prometer não contar nada a ninguém.

Apesar de estar meio incerta quanto ao que estava por vim, prometi guardar segredo. Ela, então, retirou o livro de dentro da sacola e segurou de modo que eu visse a capa.

- Fisgue Seu Homem. – li, incrédula. – Que tipo de livro é esse, Mione?

- O tipo de livro que vai fazer o homem de seus sonhos te enxergar como mulher! – ela respondeu, empolgada.

- Não pode acreditar realmente nisso! – Eu me negava a acreditar no que estava vendo. Bem, eu sabia que Hermione era fissurada em livros, mas exatamente por isso, por ela ser uma pessoa lógica e racional, que eu me recusava a entender que ela poderia dar atenção a esse tipo de leitura.

- Oh, mas realmente dá certo! – Ela parecia realmente convicta, e eu me perguntei se toda a agitação da preparação para o casamento não tinha acabado com o juízo dela. – Não vê eu e o Rony? Você sabe como ele é meio lento, não é? E se não fosse as dicas desse livro duvido que o teria feito me enxergar! – concluiu orgulhosa de si mesma e do seu precioso livro. Essa confissão dela só me deixou ainda mais preocupada. Talvez fosse melhor correr com ela para um psiquiatra, talvez ainda tivesse salvação!

- Mas o Rony sempre gostou de você, Hermione. – tentei fazê-la ouvir a voz da razão, esperançosa. – Ele só demorou um pouquinho...

- Um pouquinho? Há! Aposto que demoraria muito mais se eu não tivesse seguido às dicas do livro.

- Hermione, sinceramente, eu acho que... – comecei a dizer, mas fui interrompida pela chegada do meu segundo irmão mais velho e minha mãe.

- Quem poderia imaginar que o mercado estaria tão cheio em pleno domingo! – exclamou minha mãe, esbaforida. – Ah, Hermione! Que bom que chegou!

- Vim com o Rony. – contou enquanto era envolvida num terno abraço. – E o Harry também está aqui!

Ao ouvir o nome do dito cujo só faltou mamãe dar um pulo de alegria. Era de conhecimento geral da nação que ela tinha uma enorme afinidade com ele, adquirida desde o primeiro momento em que ele pôs os pés em nossa casa. E ele acabou por ter aceitação da parte de todos os Weasley, tornando-o assim praticamente um membro da família. Eu disse praticamente? Na verdade, ele é considerado um familiar tanto quanto Rony, Gui, ou qualquer outro de meus irmãos. Ele costumava na época de escola passar uma boa parte das férias de verão conosco e até alguns natais.

Minha mãe saiu para o quintal, seguida pelo Carlinhos e novamente eu e Mione fomos deixadas sozinhas.

- Dê ao menos uma olhada no livro. – ela murmurou colocando o bendito livro em minhas mãos, antes de ir para o quintal também.

Querendo me livrar daquele objeto antes que alguém me visse segurando aquilo, corri para sala e o enfiei na minha bolsa. Depois o devolveria a ela. Guardei bem a tempo, porque assim que fechei a bolsa, chegou Percy, meu empertigado irmão, junto com Gui e Fleur, a esposa francesa de Gui.

Enquanto nós mulheres preparávamos tudo na cozinha, os homens se revezavam entre a churrasqueira e uma partida de futebol. Quando a comida ficou pronta, arrumamos tudo numa grande mesa do lado de fora, próximo à churrasqueira.

Com meu prato pronto, fui me sentar num banquinho improvisado embaixo de uma árvore, observando os meninos jogando bola. Mas eles logo pararam para comer e Harry se aproximou de mim, também carregando seu prato. Meu coração chegou a falhar uma batida com a visão que tive. Ele estava com a camisa pendurada no ombro, deixando à mostra os músculos do peito e dos braços. Os cabelos negros estavam grudados na testa devido ao suor. Lindo...

Comemos praticamente em silêncio, até que ele resolveu abrir a linda boquinha dele...

- Preciso de você, Gin.

Tem noção do esforço que eu fiz para não me engasgar com o suco? Creio que não. Meus olhos lacrimejaram devido ao esforço e eu sentia claramente que estava ficando vermelha. Por sorte, ele estava com o olhar vidrado e não reparou em nada disso. A surpresa de ouvir essas palavras quase fez meu coração parar de bater.

- Estou com um grande problema, Gin, e não faço a mínima idéia de como resolvê-lo.

Tudo bem que não era exatamente o que eu esperava. Mas... Pelo menos ele me chamou de Gin. Ele era o único que me chamava assim, o que tornava o apelido bastante especial. Só com isso ele já conquistou minha simpatia em relação a esse problema.

- O que houve, Harry? – perguntei, suavemente.

- É a Cho.

Ah, a Cho! A maldita Cho Chang! Eu devia mesmo ter imaginado.

- O que aconteceu? – perguntei disfarçando a decepção.

- Ela me deu um ultimato. – contou fazendo uma careta engraçada.

- Que tipo de ultimato, Harry? – Eu estava começando a perder a paciência. Por que raios ele não falava tudo logo de uma vez?

- Ou eu aceito oficializar o relacionamento ou então ela rompe o namoro! – disparou, parecendo ultrajado. Dessa vez eu me engasguei de verdade. Nota mental: Nunca mais beber nada enquanto estiver conversando com o Potter. Ele deu uns tapinhas nada delicados nas minhas costas.

- Como assim oficializar? – Que diacho ela quis dizer com isso, caramba? Tive vontade de gritar.

- Casamento. – a palavra saiu da boca dele de tal modo como se falasse da maior e mais temida praga do mundo. Isso me deu um certo alívio por que essa não parecia uma solução muito agradável para ele. – É isso ou nada.

- Mas por que isso agora? Vocês só estão juntos há uns seis meses!

- Pois é! E estávamos praticamente morando juntos, sabe? – Isso fez com que meu coração se apertasse, mas disfarcei. – Até disse a ela que podia se mudar para a minha casa, mas ela se fez de ofendida e disse que já era hora de assumirmos um compromisso!

- E o que pretende fazer?

Ele passou as mãos pelos cabelos, despenteando-os mais do que já estavam, num gesto típico de nervosismo.

- Não faço idéia! Ela me deu uma semana para decidir. – deu um suspiro cansado. – Eu não estou pronto para me casar. Mas também não quero perdê-la! Nosso relacionamento ia tão bem, não entendo por que isso agora! – lamentou-se.

- E como você espera que eu te ajude?

- Você é mulher, deve entendê-la melhor do que eu. Me ajude a achar uma solução para uma conciliação ou ao menos a tomar uma decisão.

Suspirei resignada. Eu não tinha muita opção, não é?

- Eu não sei como posso fazer isso. – Isso era inteiramente verdade, afinal, como entender uma pessoa que é completamente oposta a você? Eu não fazia idéia. Mas uma idéia ousada me ocorreu. E se eu aproveitasse essa semana de prazo que ele tinha para fazê-lo me notar? Talvez essa fosse minha última chance e eu não poderia desperdiçar, não é? – Mas prometo tentar.

Inesperadamente, ele me abraçou e depositou um beijo na minha bochecha. Eu provavelmente fiquei igual um tomate ambulante (essa é a desvantagem de ter a pele muito clara ¬¬), então fiquei de pé rapidamente para que ele não percebesse meu rubor.

- Sabia que você me ajudaria, Gin! Muito obriga...

- Não me agradeça ainda. – cortei com um sorriso sem jeito. Equilibrei o meu prato e o dele, os talheres e os copos e rumei para a cozinha.

Só quando estava chegando em casa é que a minha ficha caiu. Se em quinze anos, ele não havia me notado, o que poderia ser feito para mudar isso em sete dias?

Quando abri a bolsa para pegar a chave do apartamento, me deparei com o livro que Mione havia me emprestado. Tinha até esquecido da existência do bendito! Peguei o livro com um sorriso, talvez ele pudesse ser útil. Ah, você acha que é apelação? Bem, situações desesperadoras requerem medidas desesperadas!

§§§ Continua §§§


O que será que Gin vai aprontar? É esperar para ver! XD

Bem, espero que tenham gostado desse primeiro capítulo. Ficarei esperando reviews para postar o próximo! n.n

bjnhux