Disclaimer: CCS não nos pertece e não estamos sendo financiadas para escrever esta fic. Esse anime pertence a CLAMP e a fic ao tremendo amor que temos por esta maravilhosa animação e nossa criatividade em colocar os personagens em situações diversas.

Salto Agulha vs Gravata Borboleta

Escrita por: Familia Yamashina

Música: The Veronicas - This Love

Ps.: (Maghotta tagarelando aqui para variar, esqueci do básico) Espero que aproveitem e boa leitura. Não esqueçam de mandar reviews, para poder nos motivar.

BEM VINDOS!


-Ei! Queridinha! – olhei para Philip, ele parecia não dormir há décadas – Onde está? Cadê aquela coisinha branca e redonda que se designa gente? – ele bateu as mãos, aquilo significava um enorme desespero.

Afinal, por que mais arriscaria chocar seu relógio Omega, de ouro amarelo maciço e com delicados detalhes em diamante, recém lançado, com aquela pulseirinha ridícula de pregar alfinetes para me chamar?

Tratei de correr desesperada em sua direção, largando para trás o meu x-tudo com quase três quarteirões de cumprimento e um world trade center de altura, o copo gigante de chocolate com creme e pequeninos marshmallow ainda quentinho. Até esqueci que não comia há mais de 26 horas, somente para atender um gay rabugento que eu admirava tal qual uma constelação do céu.

Não que eu entendesse de constelações ou se quer tivesse tempo para observar o céu, toda vez que olhava para cima e não via um punhado de concreto era para ver se não estava chovendo. Se estivesse era engarrafamento na hora, ou um enorme risco de estragar o penteado de fulana e molhar a roupa do evento de ciclana.

Ah! Isso sim é vida.

Quem diria na escola que eu, Kinomoto Sakura, uma aluna relapsa com matemática, dedicada à família e ótima em esportes estaria no meio dessa confusão que é o mundo da moda?

E quem, em sã consciência nesse mundo de cetim, pouco tempo, calorias zero, seda, marcas e nomes esperaria por uma completa anônima que o único contato que tivera com roupas desenhadas era de sua melhor amiga de infância, quando ainda eram crianças! Aquilo certamente chocaria a Vogue plastificada em uma banca de revista da esquina de um interiorzinho qualquer.

Culpa da Tomoyo! Ela vivia enfiada por estes meios devido a profissão que escolheu. Desistiu de assumir a fábrica de brinquedos de sua mãe para fotografar e filmar essa bagunça de cores e costura que chamam de última tendência.

-O que houve Philip? – perguntei com a melhor cara de 'se-quiser-irei-até-o-outro-lado-do-mundo-para-resolver-seu-problema' que eu possuía.

-Esse salto! – ele levou as mãos ao rosto – ESSE SALTO HORROROSO QUE AQUELA ANOREXA DA LILY – quase cuspiu ao falar o nome da garota que lhe trouxera o bendito sapato com o tamanho errado de salto – ARRANJOU! ELES NÃO COMBINAM COM O VESTIDO ARMANI! – jogou a cabeça para trás e depois sinalizou com as mãos para a modelo que não mostrava expressão alguma, talvez pela enorme quantidade de maquiagem dos olhos, boca e nariz e… toda a face! – Isso – apertou as duas mãos com força uma contra a outra – jamais. Ouça bem! – exigiu olhando para mim e para a modelo – JAMAIS! – sua voz desafinou um pouco –JAMAIZINHO! EM HIPÓTESE ALGUMA… – controlou o fôlego e abriu os braços, se é que aquilo era possível, pois mal havia espaço para o oxigênio light correr naquele lugar lotado – …será igual a isto. – fechou os olhos e sorriu de modo aliviado estendendo as mãos para mim – Onde está? – repetiu

-Onde está? Onde está? – comecei a rodar a cabeça em um ângulo de quase 360° atrás de algum outro salto ou pelo menos uma ferramenta útil para cortar o bendito ao meio, mas isso Philip certamente não aprovaria – Está! – gritei dando um enorme pulo e correndo para pegar o sapato número 40 que vi ao lado de um secador, meias calças e garrafinhas de água com gás.

Claro que a definição de corrida naquele ambiente era com obstáculos.

Agarrei o sapato, antes que outro o fizesse. Tremi ao perceber que não era tamanho 40 e sim 38, comecei a resgatar um pouco da minha fé perdida, por falta de tempo, para que a modelo fugisse dos padrões e tivesse o pé um pouco menor.

E não é que minhas preces foram atendidas? Magicamente o 38 se transformou em 40! Ok, não, isso não aconteceu. Tive que sair correndo atrás de um número 40 pelo enorme e espalhafatoso armário ao fundo dos camarins e tropecei em alguns Gucci que estavam espalhados.

Porque a modelo tinha que ter um pé tão grande?

A pressa era tanta que esqueci de olhar para frente, trombei em mais alguns manequins, e finalmente... Ali estava, bem ao meu alcance, ou melhor, quase ao meu alcance. Eu deveria ter no mínimo pouco mais de 1,70 para alcançar os benditos sapatos, mas só a esperança não pareciam ser o suficiente. Tive de me esticar e fazer milagre dentro dos meus 1.63, que dependendo do horário se tornavam 1,75 com a graciosidade do meu cabelo matinal.

Só que obviamente, a bendita Lei de Murphy tinha que interferir!

"Se alguma coisa pode dar errado, dará! Da pior maneira possível e do jeito que cause mais estragos."

Eu não consegui pegar e não tive tempo de sair correndo. Resultado: sabe o armário carregado de sapatos? Todos viraram em cima de mim, e alguém foi me ajudar?

Lógico que não!

Lá estava eu, enfiada em um mar de sapatos, sem direito a sentir dor de espécie alguma e tudo que eu podia fazer era nadar para pescar um tamanho 40 e resgatar um pouco da minha pontualidade que mantinha a dignidade como prisioneira.

O mundo fashion era uma reação em cadeia, principalmente quando você era somente: NINGUÉM!

Pouca influência, muita capacidade e responsabilidade, acrescido com uma dose extra de criatividade e toda a disponibilidade do mundo. Mas, isso era apenas o necessário para me manter sentada na minha mesinha todo dia, atender telefonemas, recepcionar arrogantes e prepotentes de marca maior e ser usada como capacho.

Adoro meu trabalho, amo essa confusão, mas será que conseguirei me manter nesse ritmo para sempre?

Se estou doente, finjo que não. Se estou com fome, ignoro as roncadas bravas de meu estômago e se tenho que revirar o mundo para achar o tamanho certo de salto, reviro.

Mesmo achando que o bendito salto não vá aparecer e não vá fazer diferença alguma.

O jeito era voltar e encarar o leal serviçal da fera. Como dizer a poderosa Li Yelan que não achei o que ela desejava? Isso era impossível até mesmo quando ela não estava perto e não me pedia nada – diretamente –, mas dizer isso para Philip era bem mais fácil.

A propósito, Yelan é a minha chefinha, a terrível chefinha da família mais influente e tradicional da China e seu reinado é tão poderoso, que ela é temida até mesmo aqui no Japão.

Prendi a respiração antes de correr de volta para o impaciente Philip, quem sabe se eu levasse um iogurte diet, o distraísse com algum tipo de comida sem calorias, ou simplesmente eu deveria falar de uma vez que não tinha o sapato, entregar qualquer um e sair correndo.

Bom plano!

Depois teria que me esconder até que uma nova guerra mundial tomasse conta do planeta, ai Yelan e Philip, talvez, me perdoassem.

"-Sem erros e sem falhas!"

Foi a primeira coisa que ela exigiu quando 'a gorda inteligente' ou 'aquela coisinha branca e redonda que se designa gente' resolveu entregar seu currículo e foi aceita. Deveriam estar desesperados ou pelo menos precisavam de alguém com toda a minha "insignificância".

Gorda?! Coisinha redonda?!

Ainda não digeri isso, 55 kg é gorda demais no mundo da anorexia, mas pelo menos, tenho curvas onde eles não tem.

Ponto para Sakura! Acabei gargalhando diabolicamente, culpa da convivência com a megera da Yelan.

Ok concentre-se no caso do salto.

Encarei os meus pés. Uma luz no fim do túnel: eu calçava um sapato alterável, criação da Tomoyo e que tinha o salto ideal.

Pimba! Tirei meus sapatos imediatamente e calcei um par que estava encostado por aquele amontoado que havia acabado de derrubar, corri saltitante com os salvadores da pátria e meio cambaleante devido ao tamanho, longe de ser o meu, mas precisava me apressar.

Comecei a maratona de volta.

Philip me encarou fulminantemente, ele achava que eu não conseguiria.

Rá! Outro ponto para a Sakura.

Entreguei o sapato e me virei para sair vitoriosa, perambulei pelos camarins a fora, finalmente um pouco de sossego, voltar para meu x-tudo e para o meu bem elaborado chocolate com creme, ler uma boa revista!

Ah, sim… preciso desse tempinho.

Somente eu e meus neurônios, meu estômago faminto e minhas pernas bambas de tanto correr em um sapato tão folgado. Tive de tirá-los para relaxar um pouco mais. Parei de prestar atenção nas movimentações a minha volta.

Dei uma abocanhada tão sedenta no meu lanchinho maravilhoso, que a mostarda e o ketchup escorreram no meu vestido. Oh! Meu Deus, e agora? Já pensou se me vêem assim?

Um pano, preciso de um pano urgentemente. Pano umedecido, seco, qualquer tipo!

Novamente, lá estava eu, correndo pelos camarins desatenta quando BAM! Esbarrei em alguma coisa, ou melhor, em alguém.

Era um homem, e que homem! Devia ter uns 90 kg de puro músculo, bem distribuídos em 1.80 de altura. Não me movi. O que era aquilo? Que gostosura enviada pelos deuses era aquela na minha frente?

- Você está bem? - A voz grossa dele me fez tremer nas bases, tão sexy e sedutor.

Será que era gay?

Para estar ali, nos bastidores e com aquele jeito superior certamente deveria ser gay. Se bem que no meu atual estado, todo mundo estava superior à minha imagem e eu era a eterna escrava. Aceitaria ser a escrava dele mesmo sendo gay, mas que desperdício de matéria prima.

Talvez ele estivesse no lugar errado, era isso, ele estava no lugar errado e eu precisava esclarecer aquilo para o senhor fios desalinhados. Preferia me fazer de idiota a aceitar o fato de ele ser gay, afinal ele se quer tinha desmunhecado ainda…

-Desculpe senhor, mas – lembrei da mancha e subitamente olhei para baixo, cruzei meus braços para tapa-la – está no lugar errado – sorri para ele.

Estiquei-me toda para tentar olhar por sobre seu ombro, os seguranças deveriam ter-lho instruído, barrado na porta, esse tipo de coisa pelo qual eram pagos para fazer. Estavam-me saindo um bando de relapsos.

Fitei o bonitão. Sorri cordial e o afastei, ao tocar em seu braço senti uma deliciosa energia fluir pela minha mão. Que homem! Tinha de tirá-lo dali antes que fosse descoberto por aquela manada de caçadores.

Precisava preservá-lo!

Foi então que percebi que estava com segundas intenções? Devo ter corado ao descobrir o que se passava em meu subconsciente e pela maneira que sorria, ele certamente havia me pego no flagra, o que piorou tudo.

Aquele tipo de situação só acontecia comigo. O meu atual estado de atordoamento foi tão intenso que até esqueci-me da mancha por uma pequena fração de segundos.

-Você se machucou? - De novo aquela voz, será que ele sabia o efeito que exercia sobre o sexo feminino?

Encarei-o, tinha de responder alguma coisa.

-Não, estou bem! - Nem sei como consegui pronunciar sem me embaralhar nas palavras, aqueles olhos âmbares penetrantes, ai ai ai...Mas, ele poderia ser gay. Para estar ali tinha que ser gay, ou não tinha?!

E lá estava eu de volta a fase, é gay ou não é gay, eis a questão… Que incerteza.

-Hmm… ainda bem. Li Syaoran, e você? - Li Syaoran esticou a mão para me cumprimentar.

Li Syaoran, aquele 'pedaço-de-mau-caminho' tinha nome, um nome lindo, diga-se de passagem. Li Syaoran...

Perai! Li? Li, igual Li Yelan?

Fiquei chocada! Então corria um grande risco de ele não ser gay? Ou aquilo aumentava o risco de ele ser gay? Claro que não… ele não era gay. Meu sexto sentido gritava dizendo que ele NÃO PODIA SER GAY!

Já tenho amigos homossexuais demais, e dele certamente não quero a amizade. Ah! Novamente os pensamentos profanos. Que se danem as barreiras e o moralismo, com um cara como aqueles bem diante de seus olhos a última coisa que se deve pensar é em auto-censuras.

Mas… Ai Kinomoto Sakura, esbarrou no seu chefinho gato toda babada de mostarda e ketchup. Tem como estar em piores lençóis?

-Preciso de um pano! - Ele ficou me olhando confuso, eu não lhe respondi meu nome.

Era arriscado demais. Preferia o anonimato. Se Yelan soubesse que uma de suas subordinadas estava de asinha para um parente seu, era capaz de atrocidades. E corria um risco chocante de ele ser filho dela.

-Um pano? – parecia desentendido – Acho melhor você trocar de roupa, isso mancha, sabia? – ele apontou para a terrível combinação amarelo queimado e vermelho sangue no meu vestido.

-Trocar de roupa? – quase engasguei com a idéia – E aonde arranjarei outra roupa? Não tenho tempo para correr em casa. – debochei do que ele afirmava, mas depois me silenciei lembrando da hierarquia que botava cada um em seu devido lugar ali.

-Posso pegar para você no camarim, quer? - Que fofo! Ele vai me ajudar.

Finalmente alguém decente e integro que se prontifica para notar no pobre ser que se encontrava no anonimato. Mas, sendo filho da chefe, assim seria como a própria, traduzindo: CHEFE! O que significava total controle sobre as roupas de todo aquele ambiente.

Estava lhe dando com o todo poderoso do momento.

-Quero sim! – me animei, quase saltando no pescoço de Li, O Grande.

Ando vendo muitos filmes romanos. Olhe a intimidade Sakura! Uma coisa é você ser profissional, outra é você se fingir de íntima e ainda brincar de comparações.

-Por favor? – tentei soar cordial, mas parecia mais confusa que qualquer outra coisa, tinha de decidir logo como eu deveria me portar e quais atitudes tomar.

Eu me encontrava sob pressão.

-Vem – sinalizou com a mão, me encarando sem desviar – me acompanha – insistiu sorrindo.

Ai ai ai ai, não precisava insistir muito, o segui como um cachorrinho bem treinado.O que não era muito difícil de imaginar, havia passado pelo pior campo de adestramento. Philip e Yelan. Ai! Até arrepio de lembrar do meu início.

Mas, lógico que aproveitei o momento. Pois diferente de 'Yelan carrasca' e 'Philip pau-mandado da carrasca', Syaoran tinha muito a oferecer e eu tinha muito que observar.

Segui aquelas costas musculosas, desci o olhar para dar uma leve conferida no produto, bumbum redondinho, na medida certa. O cheirinho agradável que exalava dele me fazia querer ficar mais próxima e mais próxima e…

Quase! Admito que tive de escolher entre tropeçar em mim mesma ou no Deus Divino e fabuloso e aiaiaiaiaiii … mas, como estava com problemas de definir o certo do errado, preferi bancar a retardada e tropeçar no sapato. Em minha defesa, caso ele comentasse algo, poderia acusar de nunca terem o tamanho ideal para meus delicados pés.

Entramos no camarim. Parei, ele adentrou ainda mais, voltando em seguida, com um D&G vermelho pendurado no cabide. Não expressei reação, pois estava muito além daquele plano, perdida ainda no momento em que ele se identificou.

Li Syaoran segurava o vestido de modo firme e cuidadoso. Será que era tão perfeccionista quanto a Sra. Yelan?

-É 38, acho que serve. – Quando ele me mediu de cima a baixo com o olhar senti as pernas bambas, ele deu um sorriso extremamente sexy. – Vá vestir! – ordenou-me com o mesmo sorriso congelado em seus lábios.

Entrei no closet, retirei o vestido do plástico, Oh! Meu Santinho! Era perfeito! Até a altura dos joelhos, com um decote generoso nas costas. Por sorte os sapatos combinavam. Até que havia sido uma boa troca, talvez fossem mágicos ou servissem como amuleto. "Quem usar destes sapatos, jamais tombará nas passarelas", acrescido com uma risada maléfica ou alguns gliters e tudo vira mágica.

Claro que quase engasguei com aquela teoria ridícula, mas estava tudo fabuloso demais para ser real.

Tropecei antes de voltar. Era real!

Tudo bem, tudo beeeemmm, já percebi que estou vivenciando a coisa. Não preciso mais de avisos.

Sai de lá para mostrar o vestido escolhido. Dei um rodopio de maneira brincalhona e parei diante de seus olhos com a minha pose mais sexy, fazendo um biquinho travesso. Ele me esperava com os braços cruzados, recostado em uma penteadeira cheia de luzes e um enorme espelho coberto por lembretes e enfeites.

Reparei sua expressão ao me ver. Fiquei muito satisfeita. Seus olhos brilharam surpresos e o sorriso tinha uma intensidade magnética. Novamente eu queria pular no seu pescoço.

Ah, mas como é possível? Já não bastava a estupidez de sua beleza, agora havia o abuso de seus olhos, o absurdo de seu sorriso e todo aquele charme alarmante… Ele era humano? E o principal: Era filho de Yelan?

Viciei na maneira com a qual ele me olhava, não queria que ele piscasse ou fechasse os olhosnunca. Pois apesar do embaraço, a sensação era maravilhosa.

-Como posso te agradecer? – me aproximei contente.

-Me acompanhe na festa que terá depois do desfile – ele foi direto ao ponto, sem rodeios.

O que eu deveria responder? Queria muito ir, mas será que seria certo. Fora que aquilo não estava nos meus planos, raríssimas vezes eu ia para aquele tipo de festa.

Me sentia deslocada.

Ele esperava que eu dissesse algo e eu não pretendia decepciona-lo. Então tomei fôlego, sorri amistosa e com minha voz mais natural possível, dei-lhe uma resposta. Ele havia me ajudado, nada mais correto que eu retribuir o favor.

-Se é assim que quer seu agradecimento, tudo bem por mim – estiquei a mão para fazer uma espécie de trato – Desse jeito estaremos quites, certo? – tentei manter um pouco de profissionalismo, afinal, ele era um Li.

-Certo! – ele apertou a minha e piscou.

Nossa como ele pode ser tão lindo? E ainda mais tão sexy? Calma se controle, você está na frente de um Li. De modo em geral, eles tem um ar de superioridade, o que de fato ele possuía. Tem um quê de arrogante, eu percebi isso, talvez fosse a altura e o fato de eu ter de olha-lo de um ângulo não muito adequado. Eram nesses momentos que eu invejava as mulheres da passarela.

-Bom é melhor eu ir - disse fazendo um grande esforço para sair de perto daquela tentação.

-Tudo bem, mas depois do desfile estou te esperando, ok? - Ele perguntou em uma voz rouca, fazendo com que eu ficasse um pouco desligada.

Apenas acenei com a cabeça, não conseguia respirar, formular uma frase com coerência naquele momento estava fora de cogitação.

-Nos encontramos na saída, você vai no meu carro até a local da festa, depois voltamos para pegar seu carro, esta bem?

Como eu adoro homens assim. Aqueles que te pegam, te agarram, te fazem o ar faltar... E ele sim, é um homem em todos os sentidos. Acho que preciso de uma bombinha de asma. Como ousei desconfiar da masculinidade desse ser tão perfeito?

-Está bem!

Sorria, isso!

Não, não sorria demais, ele pode achar que você está flertando com ele. E não estou? Confusões, confusões e confusões… ai ai ai ai!

-Bom agora vou indo! - disse acenando para aquele homem que eu julgava ser perfeito - Até mais tarde. - Disse saindo do camarim.

Mas antes de sair ainda pude vê-lo dizer algo, e eu como prestei atenção naquela boca linda desde o inicio, vi que o que ele tinha dito era um 'mal posso esperar'. Aiii! Derreti.

Assim que saí, um sorriso surgiu em meus lábios, afinal eu havia encontrado um homem mais lindo que o Justin, mais perfeito que o Gianecchini e mais sexy que o Brad Pitt, só podia ser um sonho.

Sem tropeções dessa vez!

Realmente estava ficando maluca.

Enquanto eu voltava para meu lugar tranqüilo, comecei a imaginar o motivo dele ter pedido para eu acompanha-lo na festa. O que um homem tão importante como ele, iria querer comigo? Ele não sabia nem quem eu era. Acho que na verdade ele não queria ir sozinho.

Estava começando a imaginar as hipóteses do convite, quando ouvi uma voz estranhamente familiar, me virei para ver quem era e tive um choque quando percebi a aproximação da chefinha Yelan. Corri para me esconder, afinal o que ela diria se me visse com um vestido como esse que eu usava? No mínimo levaria um olhar daqueles que deixa qualquer um sem reação. E já estava cansada de ficar sem reação. Parecer uma abobalhada nunca foi uma das minhas faces prediletas.

Fiquei olhando tudo, distante, alheia.

Uma força maior me fez mover-me de minha posição. Traduzindo: Cãibra!

Então, lá estava eu, cara a cara com a toda poderosa, eu e o vestido D&G vermelhíssimo e poderosíssimo. Paralisei o que dizer? "Ah, seu filho bonitão me emprestou!". Eu tenho o peculiar talento de causar essas situações. E agora? Ela tá olhando para mim, ela esta vindo para cá!

Sinto a hora se aproximar, será que aquela de preto é a morte? Hmm, ela tem estilo!

-Ah, mãe. Você conhece minha nova namorada...A... – a voz do meu salvador.

Observei direito, não era a morte. Era apenas uma modelo que parecia uma caveira de tão magra e pálida. Mas uma coisa era inegável, ela tinha estilo.

-Kinomoto Sakura - Meu salvador pela segunda vez consecutiva. Li Syaoran.

Estranhei meu tom de voz, muito parecido com aquele bichinho estranho de senhor dos anéis e seu precioso.

-É, a Sakura - ele me abraçou pela cintura? Aiaiai... Estou no paraíso! -É, a Sakura! – repetiu com mais carinho.

Nossa eu não acredito que ele disse que sou a namorada dele! Ai que sonhoooo, mas peraí Sakura, ele só falou isso para te ajudar, então por isso não crie esperanças.

-Você está namorando? Desde quando? - Ai a minha "querida" chefinha deve estar desconfiando, tenho que ser mais natural.

-Ai Shaorinzinho, você não falou nada para sua mãe não? - Perguntei na maior cara de pau, aproveitei o momento e me agarrei no braço dele.

Acabara de descobrir minha vocação para atriz.

- Não tive tempo - Ele tá olhando para mim e sorrindo, se acalme e preste atenção no que ele está falando.

Yelan começou a me analisar dos pés a cabeça, estava prestes a ter um treco ali mesmo, o pior que dentro de instantes o Philip estaria me chamando, e agora o que eu faço?

Tenho que pensar. Já sei! Saída estratégica.

Isso, vou inventar uma desculpa e sair logo daqui, apesar de que estar com ele é maravilhoso, não sei porque, mas ficar tão pertinho dele me faz sentir tão… bem.

-Agora tenho que ir, estão me esperando – disse pronta para ir embora, ou melhor dizendo, para fugir dos olhares que Yelan lançava para mim.

Mas ao me virar para partir, vi uma cena que me deixou sem ação, o Philip andava de um lado para outro me procurando.

Céus! O que eu faço agora? Tenho que me esconder, mas onde?

Não posso simplesmente ficar atrás das roupas das modelos, afinal o que a minha "sogrinha" iria pensar? Que eu era uma fugitiva da polícia ou algo assim, por isso fiz a primeira coisa que veio na minha mente.

Virei-me novamente para Syaoran e dei um sorriso muito sedutor e também muito maroto.

-Ai Syao, esqueci de me despedir de você, desculpa tá - falei me aproximando dele novamente, parecia confuso, eu pude ver isso em seus olhos.

Eu tinha que agir logo, pois o Philip estava tão próximo que eu podia ouvir o barulho de seu relógio.

-Tudo b… - não conseguiu terminar a frase, porque eu segurei o rosto dele e colei meus lábios nos seus. Pelo visto ele ficou surpreso.

O beijo que eu dei nele foi muito desengonçado, afinal, só queria distrair a atenção do Philip.

Me separei rapidamente de Syaoran, estava me aproveitando da bondade dele ter fingido ser meu namorado, para enganar o Philip.

Nos olhamos, ele sem entender muito bem, mas logo deu um sorriso ainda mais maroto que o meu e sussurrou em meu ouvido:

-Se for fazer isso, faça direito - ao ouvir aquela voz rouca e sensual tão perto quase fui ao chão, mas por sorte ele enlaçou minha cintura e me beijou, mas dessa vez foi um beijo mais profundo, não um mero fingimento.

Estava me sentindo no céu, nem percebi quando passei meus braços pela nuca dele e comecei a corresponder ao beijo. Parecia que estava fazendo tudo por instinto. Eu não consegui me segurar, queria sentir ainda mais aqueles lábios perfeito, mas não pude ficar ao beijo por muito tempo, afinal depois daquelas sensações maravilhosas que senti ao beijá-lo, minha respiração começou a faltar. Por isso nos separamos

-Acho que já pagou sua dívida - Disse ele sorrindo, só agora percebi suas intenções.

- D… dívida? - Será que ele mentiu só para ganhar um beijo meu? Ele não pode ser tão...

-Sim, por esquecer de se despedir de mim, sem me dar nenhum beijo.

Perfeito, nossa eu não estou acreditando que estou com um cara que além de lindo, está fazendo de tudo para me ajudar, até mentindo para a megera... ops, quero dizer, ele está até mentindo para a mãe dele. Aiii que sonho. Mas será que depois ele vai cobrar? Afinal ele era filho de uma importantíssima mulher de negócios, com certeza saberia negociar, mas quer saber?

Não iria ficar pensando naquilo, tinha que sair dali sem ser vista pelos colegas de trabalho.

Dei uma rápida bisbilhotada nas horas, faltavam vinte e cinco minutos para o desfile acabar, os paparazzi invadirem os bastidores atrás de musas das passarelas e os ditadores, criadores dos modelitos.

Aquela seria a hora perfeita para correr e me encontrar com meu príncipe em um cavalo alado, revestido de camurça e não tendo olhos para nada além de mim e minha beleza estonteante. Bom, essa seria a visão que ele teria de mim.

Mas, como nada na vida é igual no pensamento, a realidade crua e fria decidiu bater de frente comigo, logo que virei a esquina do primeiro devaneio.

-Sakura, o que achou daquele modelo de Cavelli? – Yelan se aproximou, com toda sua postura de importante e eu tentava não saber o motivo do repentino interesse em minha pessoinha.

Claro que dei uma disfarçada como se já esperasse por sua presença, não estragaria a boa máscara que o filho da própria criou para me ajudar.

-Achei muito espalhafatoso, ele não teve senso algum ao desenhar aquele vestido. Concorda comigo, não é? – ela retirou uma mecha charmosa que caia por sobre a testa e depois me olhou, sem realmente olhar, dentro de seu modo prepotente.

Concordei com um gesto rápido de cabeça, apesar de não saber direito o que ela falava. Já estava no mundo da moda há algum tempo, mas ainda me perdia no meio de tantas marcas e o verdadeiro significado de uma crítica como a de Yelan.

Acabei tendo de ficar por perto enquanto sorria para fotos, conversava com gente que não falava o nome, provavelmente por não lembrar, e infinitos bajuladores.

-Você – ela acenou para alguém um pouco mais distante e começou a andar em direção a saída, para o meu desespero me fez acompanha-la – vai para o coquetel com meu filho? – continuava fazendo caras e caras e eu parecia uma menina emburrada tentando se safar de broncas.

-Sim senhora – falei em um tom baixo – ele me convidou agora a pouco – senti seu olhar confuso, acho que dei a entender que aquilo poderia ser uma farsa – Não estava em meus planos, assim como quase nunca vou para essas celebrações, mas ele insistiu e foi impossível negar algo para ele – lancei meu melhor sorriso de apaixonada e aquilo pareceu funcionar.

-Acho que o mimei demais – estávamos sendo civilizadas, ela quase sorriu lembrando do filho, deu para perceber pelo canto de seus lábios.

Mas nossas posições nos impediam alguma intimidade. E no fundo, eu sabia que aquilo podia significar que ela me odiava.

Quando o desfile acabou e eu me livrei de Yelan, fui atrás de Syaoran. Ele me esperava enquanto brincava com a chave de seu carro, jogando-o para cima e girando no dedo. Parecia bem distante do que acontecia à sua volta.

Aproximei-me com cuidado, agora não tínhamos por que ficar com qualquer espécie de pegação ou fingimento de intimidade, então seria bem difícil chegar perto dele da maneira correta. Mal nos conhecia-mos.

-E então? – cutuquei seu braço, ele me olhou sem expressão por um tempo – Tenho uma divida para quitar – sorri tentando faze-lo recobrar de onde nos conhecíamos.

Aquilo me fez gelar, ele parecia não lembrar, mesmo sorrindo para mim de maneira tão maravilhosa, me fez ficar com uma pulga atrás da orelha.

-Você sabe que teria de cobrar juro, não é? – passou as mãos por volta dos meus ombros fazendo uma massagem gostosa enquanto me guiava rumo ao carro.

-J-juros? – quase engasguei do tanto que estava gostando de suas mãos em mim.

-Sim, você demorou mais que o esperado. – ouvi uma leve gargalhada amargurada – Até pensei que você tivesse perdido o interesse em mim depois do beijo – ele apertou os dedos um pouco, o que me fez arquear os ombros.

Aquela massagem parecia um jogo de insegurança com sedução. Ele tinha de me manter na dele ao mesmo tempo em que tentava levar aquilo em uma conversa cheia de insinuações defensivas e mensagens subentendidas. Um joguinho no qual eu era péssima e acho que, ficaria feliz em perder para um homem como aquele.

-Tinha um interesse maior, ele foi a causa da minha demora – tentei olha-lo, mas dei de cara com seu terno, então decidi que seria melhor apenas me deixar levar.

-Ele? – Syaoran sorriu – Tenho concorrência?

-Sou uma mulher disputadíssima Sr. Li, não pense que vai me conquistar com uma simples massagem e uma festinha depois de um longo dia de trabalho – minha audácia crescia e com ela, meu sorriso disfarçado.

-Sim, estou assustado. O que posso fazer para disparar na frente de meus concorrentes – ele tirou uma das mãos do meu ombro, fiquei muito chateada por isso.

Ouvi o barulho do alarme sendo desligado e logo em seguida as luzes de um carro grafite piscou em resposta. Syaoran voltara a rodar a chave no dedo e para compensar a falta que sua mão fazia em meu ombro, parte de seu corpo veio ao encontro do meu.

Ficamos um colado ao lado do outro, a mão que ainda repousava em meu ombro, parecia se sentir desconfortável nesse e logo procurou pelo aconchego da cintura.

Primeiro assustei, depois relaxei. Não era comum que caras colocassem a mão em mim de maneira tão íntima logo no "primeiro" contato, assim como não era comum eu beijar alguém que conhecera a menos de 1 hora, como também não era seguro fingir tanta coisa sem motivo aparente. Até mesmo por que meu irmão sempre acabava indo para cima de todo o cara que tentava se aproximar de mim.

-Senhorita – ele abriu a porta com a mão livre – Será que me daria a honra de ser minha acompanhante por esta noite? – ele sorriu tão fofamente que era impossível negar.

-Não só pela dívida – sorriu, afirmando que estava gostando muito de estar junto dele.

Syaoran se apoiou na porta enquanto eu me acomodava na poltrona de seu carro, fechou com cuidado esta, como se estivesse protegendo uma preciosidade. Seria capaz de apostar que o carro era novo, não só pelo cheiro, mas pelo cuidado.

Havia um coquetel apenas para convidados VIP, modelos e estilistas. Esse era o nosso destino enquanto cruzávamos avenidas e cortávamos alguns sinais vermelhos. Mal trocamos apalavras durante o percurso, eu estava ocupada demais cantarolando as músicas que tocavam no som e Syaoran parecia atento com o percurso.

O que mais falávamos era sobre a rua que ele deveria virar e como o mapa do local era complicado de decifrar. Foi então que lembrei o porquê de nunca ir para aquele tipo de festa. Eu nunca acertava onde ficavam os tais lugares badalados.

Mas Syaoran era fabuloso, conseguiu encontrar após duas erradas terríveis. Ele tinha muita paciência comigo e com minha dificuldade de entender mapas, como se aturar minha semi-cantoria já não fosse o suficiente.

Quando entramos, fiquei boba.

O salão estava maravilhoso e a decoração, esplêndida. Haviam esculturas dos mais renomados artistas. Michelângelo, Ammanati, Barye enfeitavam o salão onde pessoas com aspecto alegre conversavam animadamente e bebiam Martínis, Cosmopolitans, Alexanders… Nas músicas de fundo, tocavam uma combinação de erudita com pop.

A pista de dança estava dividida em inúmeras partes. Para quem quisesse se arriscar, haviam contratado vários DJs, tocando músicas diferentes.

O ambiente era muito eclético e diversidade de pessoas estendiam-se, espalhadas, ocupando os lugares, complicando a passagem.

Mas, entre estes grupos, um se destacava: o da poderosa Li Yelan. E era justamente nesse que eu me encontrava.

-Kama-sama! Que decoração horrível é esta? Onde já se viu colocar este rosa choque com este verde limão? – ela sorriu crítica. – Por um acaso acham que estamos num carnaval naquele país subdesenvolvido que eu não me recordo o nome? – falava irreverente.

-Hm… Brasil? – arrisquei.

-Este mesmo garota. Minha memória está tão fraca ultimamente. Se fosse há alguns dias atrás, com certeza eu lembraria… - conversou comigo sem fazer o favor de me olhar.

Recolhi-me em minha insignificância, como se eu houvesse dito algo errado. Fiquei parada ao lado de Syaoran, fazendo o papel da namorada do filho da chefe, tentando me enturmar, mas sem sucesso.

Tudo que fazia bem era entornar a bebida que me davam. Eram coloridas, chamativas e me distraiam. Mal percebi quando comecei a me animar e a sentir um calor descontrolado.

As cores da festa estavam bem mais… coloridas?

As luzes que convidavam para a pista de dança haviam laçado meu corpo e estavam me puxando com toda a força em sua direção e eu, muito fraca e fora de mim, nada mais podia fazer a não ser obedecer.

Sou muito obediente.

Acho que devo ter chamado muita atenção, mas pouco me importava se os Li e seu grupinho, cheio de bens sucedidos estavam sem entender um só movimento meu, estava me sentindo fantástica e isso bastava.

Arranjei espaço para meus passos exagerados e braços bem abertos. Eu dançava me sentindo livre e em um lugar mágico. O mundo girava por sobre meus pés e eu estava no comando, exceto nas vezes que tropeçava.

Tirei os sapatos, eu os culpava por meus tropeços.

Rodopiei, cantarolei, saltitei e fui vista. Meu cabelo, antes preso em um coque, caiu por sobre meus ombros. Segurei um pouco mais para cima do joelho a barra do vestido e me movimentei ainda mais. Estava ousada, segura de mim e pelos aplausos e assovios a minha volta, sentia-me uma mulher com super poderes.

Eles ainda não haviam visto nada, mas só decidi isso, quando percebi que Syaoran se aproximava com um sorriso esquisito nos lábios.

Ele deve ter sussurrado algo em meu ouvido, mas tudo que eu conseguia ouvir era a melodia. Eu queria dançar com ele e como namorada, mesmo que só por uma noite, me senti nesse direito.

-Dança comigo – falei apenas com um movimento de lábio bastante insinuante.

Ele parou e ficou me olhando, o chamei com o dedo enquanto movia os quadris da maneira mais sedutora e desastrada que eu, em meu estado de insanidade, conseguia fazer.

-Vem me buscar – ele falou da mesma maneira que eu e ficou parado, com um sorriso travesso, me esperando.

Ser obediente tem suas vantagens.

Sem perder o ritmo o alcancei, segurei suas mãos e sem perder contato visual, o guiei ao meio da pista.

-Esse é o juro – pisquei e enlacei meus braços em seu pescoço.

A música era agitada, mas aquilo realmente não importava, eu estava envolvida pela presença dela e o modo como ele guiava a dança era o que eu seguia. Totalmente subordinada a ele e seu delicioso aroma, sua barba por fazer e seus movimentos sedutores.

Percebi o contato de suas mãos em minhas costas. Estavam frias e firmes. Ele parecia acostumado com situações como aquela.

Olhei-o com um sorriso distraído e ele retribuiu, parecia se divertir.

Foi então que percebi que eu queria muito aquele homem que me abraçava. Não queria de mentirinha, nem como meu salvador e muito menos como Li, filho da toda poderosa. O queria como estávamos agora, sem fingimento, sem receios e apenas tentando ser levados pelo que a música ditava.

Queria Syaoran!

Assustei nessa hora, era tudo que eu podia fazer. Me desvencilhei de seus braços e fiquei parada por alguns instantes olhando-o com um ar de perdida.

-Acho que vou vomitar.

Sai correndo, era conclusão demais para uma cabeça só.

Rumei para o banheiro, precisava de um vaso sanitário com urgência. Foi então que eu percebi que o mundo não estava girando em torno dos meus pés. Estava girando em torno das paredes, do teto, do cabelo super armado da garota que atrapalhava minha passagem e o pior… do BANHEIRO!

Esbarrei na porta antes de entrar, aquilo justificaria qualquer hematoma no dia seguinte.

De cara com o espelho, quase surtei. Não só pelo suor que escorria, mas pelo meu cabelo, pelo meu aspecto e aquela visão do desastre me fez engatar em uma risada louca.

Não conseguia me controlar, quando finalmente recebi uma trégua das gargalhadas descontroladas, joguei água no rosto e me lembrei o que fui fazer lá.

-Vomitar… - empurrei algumas pessoas e chutei a porta que me separava do tão sagrado trono.

Abaixei e lá se foi a única coisa que me mantinha em pé, além do corante dos diversos líquidos coloridos.

Se não fosse tão dramático eu diria que aquilo era nojentamente parecido com o cenário de algum desenho animado cheio de cores.

Perdi a força ao tentar me erguer, então só puxei a descarga e sentei no chão. Olhei as caras estranhas em volta, aquilo estava embrulhando meu estômago novamente, tinha de parar de olha-lhas.

Deitei o rosto na perna, precisava recuperar o fôlego, desembrulhar o estômago e fazer o mundo parar.

Devo ter ficado lá por mais ou menos o que me pareceu uma eternidade, mas quando me recuperei parcialmente, pois o mundo ainda girava e minha aparência ainda era de quem acabara de levar um choque, percebi o quão havia me enganado.

A festa estava ainda mais lotada, pois quase não conseguia me mover e levei algumas pisadas, salto agulha, em meus pés. Decidi voltar para cima, já era difícil ser notada alguns centímetros a mais, imaginem então no meu tamanho original.

O sapato incomodou um pouco, mas eu me acostumaria.

Senti uma leve dor de cabeça e um garçom foi minha salvação. Se não pode com eles e não tem farmácia para consolar, junte-se de uma vez a eles.

Peguei duas taças e lá estava eu tentando voltar para a praça.

Adoro dançar, então entrei no ritmo logo, mas diferente do esperado, apesar de estar animada, minha noite havia caído de um pedestal de alto astral para as imundices do bueiro de cansaço.

Procurei meu objeto de obsessão por todo o salão e não tive dificuldades de achá-lo. Tal como a mãe, ele parecia sempre estar por entre grupos animados e que praticamente imploravam por sua presença.

Belíssimas mulheres bem produzidas lhe tocavam o braço, ombro e o rosto. Falavam em seu ouvido e ele retribuía. Será que não havia percebido a minha ausência?

Fiquei na dúvida de me aproximar e tomar o que era minha propriedade por farsa ou simplesmente ir embora e deixar que ele se resolvesse com a mãe no dia seguinte, se bem que acho que ela não se importaria em vê-lo apenas com rolos a ter algo constante com alguém.

Constante?

Eu era a maior incerteza dentro de um jogo do qual eu fazia o papel da certeza. Onde estava com a cabeça quando topei uma coisa absurda dessas? Ah! Claro, estava no vestido maravilhoso que estou usando, no homem enviando por correspondência divina para alegrar um ser desanimado e rebaixado depois de longas e desgastantes horas de trabalho e para piorar eu…

Eu? Eu nada! Ele… me olhando… eu corando!?

Não, não e não. De novo não. Ai ai ai ai.

Syaoran sorrindo para mim e eu olhando como boba?

Não queridinho, agora o controle da situação é meu, pelo menos por enquanto, nesse momento de total insanidade mental e… acho que estou…

-BÊBADA? – gritei e coloquei a mão na boca com a conclusão mais óbvia de todas.

Pensei e pensei, pensei novamente nas probabilidades de eu ser racional, mas sem a racionalidade da impulsividade e…

A maior prova de todas: NÃO ESTAVA FALANDO NADA COM NADA!

Arregalei os olhos e fui a procura do tão procurado, perdido entre os desencontrados seres.

-Então é isso? – falei, encarando o peito dele – estou tendo alucinações? – gargalhei histérica e joguei as mãos para frente tentando abanar a farsa de minha mente criativa.

Para o meu azar. Não era uma ilusão e se fosse, estava mais próximo do concreto que do abstrato.

-Alucinações? – ele riu sarcástico – Não sou real o suficiente para você? – abriu a jaqueta que vestia sugerindo que eu o tocasse.

Foi tentador, mas eu estava tentando me manter no controle. E a medida correta para o autocontrole e se tornar a controladora era fazer a coisa certa, a coisa justa.

Nada mais justo que toca-lo. E que tocada, pareceu-me bem real.

-Nammm – retirei minhas mãos – Ainda não é real o suficiente, até mesmo por que a última lembrança que tenho antes de – gesticulei minha tonteira – ficar assim, foi um – sorri maliciosa e levei o indicador apontando para meus lábios – entende?

Aquele foi o caminho mais errado para o precipício.

Era longo demais e não permitia que você simplesmente se desse mal. Não, antes você tinha de cair em tentação para não correr risco de salvação no momento final.

Ah! Ele me puxou, ele domou todas as minhas tentativas de dominação e me provou o quão real poderia ser. Era aquele tipo de cara naquele tipo de situação que o meu irmão adoraria colocar a uns sete palmos abaixo da terra da maneira mais lenta e maldosa que pudesse encontrar.

Traduzindo: o beijo foi mais fantástico que todos anteriores. Uma coisa era inegável, tínhamos uma sintonia e tanto, parecia que nossas bocas haviam sido feitas uma para a outra. Talvez pela prática dele e a minha inocência ou então o enorme nível de álcool que fluía em cada molécula. Era algo eletrizante.

-Então… - interrompi o beijo, mas só depois que paramos.

Digo que interrompi por ter sido a primeira a falar, não podia simplesmente o deixar ganhar todas. Ponto para Sakura! Acho…

-Então? – ele me olhou tentando desvendar o que se passava por minha mente.

-Então! – dei um selinho nele – Tenho de ir embora. Estamos quites e sua mãe nada satisfeita. – tentei ver se aquilo era realmente um jogo dele com a mãe.

Precisava entender aquela situação e bêbada eu estava sendo mais esperta que sóbria. Qualquer coisa dando errada, sempre tinha a famosa desculpa de não estar em domínio de minhas faculdades mentais. Não que eu achasse justo usar um álibe como aqueles, mas, como eu mesma disse, não estou em meu juízo.

-Ir embora? – ele me encarou de maneira sexy – Agora que a festa está começando a ficar animada? – enlaçou os braços na minha cintura – E agora que começo a aproveitar minha namoradinha linda – apertou um pouco mais.

-Olha Syaoran, você é lindo, a festa está espetacular, mas eu tenho de recompor minhas forças – bati de leve minha mão no peito dele – Então, vamos deixar a Sakurinha aqui, voltar para sua rotina e esta começa com uma cama bem macia me esperando em um apartamento muito distante dessa – olhei em volta confusa – desse coquetel, seja lá onde estivermos – sorri tímida.

Ele sorriu, tirou as chaves do bolso e me puxou pela mão de modo apressado. Parecia se divertir com a situação e para completar mais ainda, acenou de longe para a megera da Yelan. Mostrou a chave do carro e sinalizou que já estava de saída. Preferi não ver a expressão em seu rosto, evitaria o máximo que pudesse aquele trágico momento.

Chegamos ao carro, mais rápido que o meu cérebro podia processar os acontecimentos. Uma hora dentro da festa e outra no caminho de volta para…

-Para onde vamos mesmo? – perguntei sem olhá-lo, voltando a cantarolar as músicas que tocavam.

-Vou te levar de volta – respondeu sem prestar muita atenção.

-Ah! – estiquei a mão em sua frente – Vira! Vira! Aquela rua! Temos de pega-la, VIRAAAA!

Em um impulso e uma tremenda cantada de pneu ele virou o carro.

-Para quem não lembra para onde vamos você está me saindo um verdadeiro mapa – falou com tom gozador, mas um gozador divertido.

-Trabalho para sua mãe, tenho de ter ao menos uma memória aceitável – retruquei me sentindo muito esperta.

-Então, está bem, espertinha, agora para onde? – olhei-o de modo sério, não reconhecia lugar algum a nossa volta.

-Ixi! O surto de lembrança foi embora por causa da curva, agora você terá de se virar sozinho. Quem mandou fazer uma virada tão agressiva como aquelas? Afetou minha memória – sorrimos.

Estávamos perdidos, como da outra vez.

Mas Li era um cara esperto e logo descobriu o caminho de volta e então, novamente, mais rápido que o que meu cérebro podia processar… o mundo girou e como por encanto lá estávamos de volta ao estacionamento do evento de moda.

Desci do carro e estiquei o corpo. Estava muito cansada.

-E agora? – Syaoran me perguntou, encostado no carro, me olhando meio de lado.

-O que? – perguntei desatenta.

-Você não mora nesse local – deu uma leve batucada no capô do carro e veio em minha direção – não vejo seu carro e você não me parece nenhum pouco… preocupada de ele ter sido roubado – encostou-se ao meu lado, me analisando.

-Claro que não estou preocupada – foi minha vez de sorrir com deboche, afinal, a resposta era mais óbvia que o fato de eu estar bêbada.

-Então… e agora? – ele repetiu a pergunta.

-E agora? – revirei os olhos – Não é óbvio, vou ao local onde estacionei meu carro, pego a rua pela qual acabamos de vir e chego em casa dentro de uns… - puxei o braço dele para olhar o relógio – vinte minutos – encarei-o.

Seus olhos pareciam mais vivos, a mágica voltava a minha cabeça. Fiquei sem reação, esperando que ele tomasse a iniciativa de dizer alguma coisa.

-Não me parece em situação para dirigir até em casa, se quiser eu – coloquei o dedo em seus lábios, não estava tentando parecer sedutora, apenas queria fazê-lo ficar quieto sem ter de pedir com palavras.

-Eu me viro – ouvi um barulho de motor que me deixou alarmada, Syaoran percebeu isso – Ai ai ai! Tenho de me apressar.

Sai correndo em direção a rua, saltei o meio fio e tropecei um pouco com o salto em contato com o asfalto. Ergui os braços e comecei a sacudi-los no ar, precisava parar o automóvel que passava.

-TÁXIII! – assoviei e ele seguiu direto.

Fiquei resmungando logo que o segundo passou sem parecer me notar. Me sentia transparente. Olhei para Syaoran, ele já estava quase ao meu lado.

Mais uma assoviada e uma pulada espetacular, para tentar ser vista. Acho que o taxista só parou ao ver a exibição de pernas gratuita que eu estava proporcionando com toda aquela agitação de pula para cá e corre para lá, depois chuta o ar e solta alguns palavrões indefinidos.

-Finalmente – suspirei, corri até ele e disse que precisava que ele esperasse um segundo, fui falar com o Li – Esse – apontei para o carro atrás de mim – é o meu carro. Amarelo, listrado e cheio de personalidade – pisquei de modo simpático para Syaoran e corri para o automóvel, tinha que ir logo embora.

Quando já estava perto de virar uma esquina, me lancei para fora do automóvel e gritei para que Syaoran olhasse-me. Sinalizei um tchau agitado e entrei de volta no automóvel.

Acho que se não tivesse feito o taxista parar logo que entrei de súbito para dentro do carro, não teria de ver a cara desentendida do rapaz que ainda permanecia estático no meio da rua.

Passei correndo por ele, de desentendido ficou chocado.

Enfiei a mão dentro da minha bolsa assim que alcancei a porta dos fundos do salão do evento.

Precisava de meus sapatos e minhas roupas.

Troquei tudo em uma velocidade impressionante.

A marca em meu vestido estava impressionantemente chamativa, mas a noite já estava no fim e eu não tinha ninguém mais para impressionar.

Quando passei de volta por Syaoran, ele já estava bem perto do táxi, talvez para tentar entender o que acontecia comigo naquele instante.

Sorri com a situação, ele estava lindo com aquela cara de menino bobo. Prendi meus cabelos em um coque mal feito e abri a porta, passando direito por Li. Ia sem me despedir novamente, mas então me toquei que aquela poderia ser a minha última oportunidade com aquele deus grego.

Não a desperdiçaria.

Só deixei a porta aberta e corri de volta para ele, com meus saltos mais baixos e sapatos mais confortáveis, minha mancha e cabelo desgrenhado.

-E agora? – perguntei para ele de modo travesso.

Ele entendeu o recado e me aceitou em seus braços quando pulei para abraçá-lo e lhe dar um master beijo de Boa Noite!

Um longo e uma pequena porção de leves beijinhos apenas para poder aproveitar um pouco mais daquele momento, daquele homem, daquela boca. Eu estava no ar, literalmente. Ele me prendia com os pés longe do chão e sorria enquanto eu o enchia de beijocas estaladas.

Quando ele folgou os braços, foi a minha deixa. Isso só aconteceu após o taxista dar umas duas buzinadas para me apressar, ele não tinha a noite toda.

Imagine se eu não estivesse pagando o tempo que ele estava parado me esperando, do que ele seria capaz de fazer para me apressar. Mas tudo bem, ele não entendia a gravidade da situação.

-A gente se esbarra por ai – sorri batendo a porta e enfiando o rosto para fora do carro – da próxima vez que eu me sujar, para você poder me emprestar uma roupa espetacular – joguei um beijo e me enfiei de vez dentro do carro, já em movimento.

Fiquei observando meu sonho se distanciar. Quando eu encontraria um homem daqueles novamente?

Acho que nunca.

Ai ai ai ai ai… tinha de descobrir alguma coisa sobre ele, nem que seja só para servir de consolo após uma noite como essas.

-Perfeita – deslizei no banco do carro logo depois de não conseguir ver mais Li Syaoran.

Acho que o taxista deve ter tirado sarro da minha cara, mas eu estava muito longe daquela realidade. Estava em um plano superior. Um mundo particular que acabara de criar para mim e o estranho "conhecido" Li Syaoran.


Nota Das Autoras:

Natsumi: Oie genteeee!

Bom, para começar com chave de ouro, a imooto-san da família Yamashina começa a falar (tipo aqueles joguinho como banco imobilário, aonde o mais novo começa. ).

Este capítulo foi feito por todas nós, ou seja, Natsumi, Bruna cm Yamashina, Ma Ling Chan, Maghotta e Kisa Kaze no Mai. Como somos todas escritoras (quem não conhece, dê uma passadinha no nosso profile da família aqui FF e vá em Favorite Authors), nossos destinos foram meio entrelaçados. Eu conheci primeiramente a Bruna, que conheceu a Ma Ling Chan, que me conheceu pela Bruna, cuja tal conheceu a Kisa-chan que me conheceu. E no meio disso, eu conheci a Maghotta. Um pouquinho complicado, não? Mas dá para entender

Esta fic partiu de uma idéia da Bruninha e cá estamos. Achei o capítulo comprido... para mim, seria dividido em 3 partes, no mínimo!

Eu sou revisora de todas as outras que fazem parte da família. Isso é legal... Ahhh... se alguém quiser ou precisar de revisora, podem me chamar (propaganda básica...)

Na verdade, para quem já conhece Natsumi Shimizudani, sabe que as tradicionais N.A dela são GIGANTESCAS... mas para por aqui...

Aguardem... no próximo capítulo vai ser beeeeeeemmmm maior!

Agora, dando seqüência as N.A.s:, Mimy! Vai que é tua!

Maghotta (Mimy): Olá pessoinhas, tudo bem?

Estamos trabalhando há dias com este capto, espero que tenham gostado.

Aproveitem e não esqueçam de mandar review.

Até a próxima!