Disclaimer: CCS não nos pertece e não estamos sendo financiadas para escrever esta fic. Esse anime pertence a CLAMP e a fic ao tremendo amor que temos por esta maravilhosa animação e nossa criatividade em colocar os personagens em situações diversas. O mesmo serve para as músicas referidas durante o decorrer da história.

Salto Agulha vs Gravata Borboleta

Escrita por: Familia Yamashina

Música: Won't Stop – One Republic

Ps.: Esperamos que aproveitem e boa leitura. Não esqueçam de mandar reviews, para poder nos motivar.

BOA LEITURA!


Capítulo 4 – Vivendo uma nova realidade


Há duas semanas eu desfilava pela empresa ao lado do meu namorado, o herdeiro da poderosa Yelan Li. Há duas semanas todos que me enxergavam como "a coisinha branca e redonda", agora tremiam nas bases ao me ver chegar. Há duas semanas eu usufruía das regalias de um Li.

Estaria mentindo se dissesse que não me deleito com tudo que a invocação de um único sobrenome pode oferecer. Reservas em restaurantes de primeiríssima, ingressos exclusivos para shows, estilistas disputando sua preferência, conhecer os mais renomados nomes do cinema (aqueles que você assiste na tv, nas horas melancólicas da madrugada, e no dia seguinte esbarra com eles no jantar da Vogue). Enfim, toda a glória que só o dinheiro e o status podem comprar, afinal se dinheiro não traz felicidade, vai buscá-la de limusine.

Mas, foi quando eu inocentemente tomava meu chocolate com chantily, sentada na minha cadeira recostável, na minha nova e arejada sala (pois por algum motivo que não faço questão de saber, Syaoran decidira que me mudaria para sua ala) e lia a nova edição da Vanity Fair, exatamente na reportagem da Nicole Kidman, que meu sonho-materializado chegou. Trajando seu fabuloso terno D&G, trazendo na mão direita um buquê de sakuras. Foi nesse exato momento em que eu descobri o lado negro do sucesso.

- Mamãe quer jantar conosco hoje. - Syaoran anunciou como se arremessasse uma granada, fechando a porta na cara de algumas assistentes curiosas.

Parou a meio caminho, de certo ele esperava uma reação explosiva, o que me fez pensar que aquele aviso não terminaria ali.

- Qual é a ocasião? - indaguei ironicamente, acostumada a receber esse tipo de aviso com mais humor do que real preocupação.

A grande verdade é que eu estava aflita. Além de chefe e agora sogrinha, a mulher era a encarnação da perspicácia e perversidade. E pelo menos uma vez por semana, Yelan fazia questão de almoçar ou jantar conosco, só para se certificar pessoalmente que seu filho, seu pequeno príncipe de Gales, não estava se engraçando com uma aproveitadora leviana. E para obtermos êxito, eu só tinha que seguir os três mandamentos básicos: sorrir, concordar com tudo que ela dissesse e manter algum, de preferência nenhum, contato físico com Syaoran.

Apesar da costumeira situação, Syaoran parecia excepcionalmente apreensivo, o que me fez pensar que sim!, definitivamente havia alguma coisa extraordinária desta vez. Deixei que seu olhar vagasse pela vista sem graça que meu minúsculo habitat profissional proporcionava. Minha atenção voltava aos traços incompreensíveis de seu rosto, em dias normais banalizaríamos a ocasião, uma tentativa de acalmar meus nervos, e que devo reconhecer, andava funcionando muito bem.

Mas ele não embalou comigo na série de blasfêmias que soltávamos usualmente nesses momentos, e confesso que senti uma pontada no coração, ao ver seu lindo rosto desmoronar com o toque do celular. Ele atendeu rispidamente, apenas ouvindo a pessoa do outro lado da linha. Durou só alguns segundos, mas foram o suficiente para irritá-lo.

- Dessa vez vai ser diferente, o teatro tem que ser maior, - ele começou, vindo se sentar a minha mesa - alguns dos meus parentes estarão aqui. - suas mãos percorreram meu rosto, com uma carícia delicada, diferente das que estava acostumada. - Vai ter que ser muito convincente.

- Ainda duvida das minhas habilidades, senhor Li? - tentei quebrar o clima tenso, minha espinha dorsal já se retorcendo em ansiedade.

Ele não riu e não retrucou. Franzi o rosto, na tentativa de colocar a minha leitura de pensamentos no modo "on", mas essa opção não estava disponível no catálogo. Por que eu não podia ter esse talento?

- Queria ler minha mente, não é? - Droga! Droga! Droga! Ao menos ele riu, às minhas custas, mas riu. - Tente ler isso… - Tudo que eu esperava conseguir era aquele sorriso arrebatador e a sagacidade de suas frases. Queria o meu Syaoran de volta.

O rosto carregado por expressões inacessíveis. Eu podia espernear, mas de repente foi como se ele não se importasse. Uma pedra de gelo atingiu meu estômago, gostava mais dele do que realmente deveria ou só me esforçava demais para fazê-lo gostar de mim?

- Pronta pra começar a ensaiar nossa espetacular aparição no jantar?

Ah, sim… Ele voltara e todas as especulações fantasiosas do meu cérebro foram pulverizadas por uma dose irregular de contentamento.

-Suas pernas ficariam lindas em um salto agulha e eu poderia vê-las de um bom ângulo naquele vestido prata que te dei – entendi a indireta – e Sakura…? – fez uma pausa estratégica, arqueou de leve a sobrancelha com um sorriso travesso nos lábios – Não abuse do álcool, quero você sóbria para a sobremesa… Estarei na porta de sua casa as oito.

De fato Syaoran sabia das coisas. Não era só eu tentando agradar Yelan, agora haveria a titia, o vovô, irmãos, os sobrinhos incontroláveis, parentes que nem eram realmente parentes, glamurosas namoradas dos primos que não via há anos e se brincar, até um cachorro com gravatinha e perfume de boutique canina.

Francamente, eu estava ferrada e má paga. O palácio nas nuvens onde beberíamos o elixir da juventude e viveríamos como deuses ruía ao lar de Hades, circundado por fogo, almas e longe do paraíso.

Aquele seria o fim dos meus sonhos de futura senhora Li, incluindo os benefícios, o glamour e o tremor dos empregados à menção do meu nome. Sonho que se desfazia perante meus olhos e era acompanhado pelo meu estômago, que só esperou a saída de Syaoran para tomar vida.

-Sou uma estúpida apaixonada – minha cabeça era como um recipiente explosivo prestes a detonar.

Não podia pensar muito para evitar transtornos. Fechei meus olhos focando na imagem que meu cérebro criava e sorri. A presença daquele homem intensificava de uma maneira irreal os meus impulsos. Chegava a me ver rolando por areias brancas colada nele, derretendo nevascas inteiras somente com o calor de nossos corpos ou, nos dias menos criativos, enroscada nele nas mesas do escritório. Abri novamente os olhos, podia sentir a vermelhidão chegando.

Mordi a boca e vi meu dia de trabalho indo pro ralo. Já que enfiara o pé na jaca de vez, pelo menos podia aproveitar até o horário de almoço e concluir com aquela árdua tarefa de delirar. Syaoran e eu, nós dois, um só.

Suspirei.

Sabia que a granada não estava preparada a toa. Lá vinha o bombardeamento, bastava que desse asas a imaginação que ela fluía como uma queda d'água. Esperava que ninguém invadisse minha sala com desculpas esfarrapadas, jamais sairia vivo ao contato. Fácil pensar em como o via, mas será que ele possuía os mesmos tremores?

Namorar um homem em seus padrões era fazer malabarismo com facões, ninguém saía intacto nas primeiras duzentas tentativas. Esperava que ele me imaginasse tanto e da mesma forma que eu o via. A minha boca ousando em cada beijo como a sua fazia ao se dedicar a domar meus instintos de autodefesa. Éramos, integralmente, só dele ou meu.

Sem pudores, apenas os efeitos carnais, seguindo o infinito e além. No homem, o desejo gerando o amor. Na mulher, o amor suscitando o desejo.

Mesmo ainda não tendo ultrapassado certas barreiras, já o vira faminto. Meu corpo reagindo aos pedidos do seu, o cérebro entrando em parafuso com o mapeamento astuto de suas mãos desbravadoras. Às vezes me perguntava se eu resistia ou se ele é quem segurava a barra sozinho acreditando nas minhas escassas mentiras para que "fosse mais devagar".

-Sakura? – a voz indulgente de Philip me trouxe de volta como um iceberg batendo no Titanic que eram meus pensamentos, demorei alguns segundos para me recompor e esconder as evidências corporais – Eu bati na porta, mas você não me ouviu – estranhei seu tom amargurado.

-Olá – sorri amistosa, ele me lançou um olhar atravessado – Entre, o que foi?

-Hum… crise queridinha, crise – as olheiras de seu rosto a cada dia ficavam mais evidentes.

-Algum problema no setor criativo? – perguntei ansiosa para me misturar com o resto do pessoal novamente, ultimamente eles me deixavam de fora de tudo.

-Só se for na fábrica dos conhecimentos Philipinianos – a risada entrecortada me fez levar as mãos a garganta, como se eu estivesse entalada e não ele – Que gracinha, você ainda faz essa carinha de "faz tudo pro papai"? – ele suspirou – Não me surpreende que ele a tenha escolhido… - não passou de um sussurro, mas eu andava tão obcecada por Li, que escutaria até mesmo o bater das asas de uma mosca a quilômetros se essa tivesse alguma conexão com ele.

-Você não parece nada bem, tem dormido ultimamente? – perguntei, querendo mudar o objeto principal da conversa.

-Francamente darling, você subiu de jatinho para a glória e esqueceu de como funciona o universo? – estalou os dedos astuto, aquele comentário havia me atingido em cheio – Sinto falta de você coisinha, adorava fazê-la meu capacho, escravizando até mesmo os escassos miolinhos nessa sua cabecinha de vento – fez bico manhoso.

-Não veio só por sentir minha ausência – sorri sem graça, ele não era o tipo que elogiava.

-Sua franguinha esperta, duvida das minhas boas intenções? – assenti ouvindo-o gargalhar espalhafatosamente – Você mudou para essa área burocrática e virou assessora direta do Sr. Li. Lamento por você, mas vim como bom emissário lhe convocar para uma reuniãozinha entre os funcionários, as seis e também, te trazer essa papelada confusa da qual sou alérgico – ele tirou alguns papéis dobrados de dentro do bolso de seu casaco e depositou sobre a mesa.

-Obrigada – arregalei os olhos soltando o ar de modo pesado.

-Lamento pelo amassado, mas você não esperava que andasse por ai dando uma de intelectual. Quando se referem a mim como o cabeça da operação é uma coisa muito mais – pensou por um instante não desviando os olhos da minha posição rígida na cadeira – carnal,do que espiritual – deu uma risadinha provocativa e se retirou sem maiores comentários.

Percebi o quão minha vida anterior era fácil e medi a disposição que me era exigido só pelo fato de andar lado a lado com o superior. Philip era um gênio, não só por sua dedicação e poder de criação, mas ele lidava tão bem com Yelan, que se fosse possível, o acusaria de ter um caso com a megera.

Vi o estado deplorável daquelas folhas, esperando que não fosse nenhum documento de suma importância. Eu já era desorganizada o suficiente para ter de lidar com desleixos que não fossem meus.

Tentei concerta-los alisando na beirada da mesa, geralmente funcionava e eles ficavam retos. Não importava tanto assim, queria entender o convite. Eles nunca queriam saber de mim nem quando era uma invisível. Sabia que o ultimato não havia partido da maioria, talvez alguém em específico simpatizasse comigo.

Os departamentos femininos, que eram quase o prédio inteiro, estavam excluídos da lista dos prováveis influentes.

Tudo que sabia à boca miúda era que, apesar de ficar trancafiada na masmorra de cristal com o príncipe dos sonhos, um tal Eriol, testa de ferro do Sr. Clow, um homem de muita influência na indústria da moda, andava perambulando pelos corredores.

O que ele fazia aqui? Absoluto segredo ao qual jamais questionei Syaoran.

A única vez em que vi alguém falando sobre ele perto dosucessor real daquela fortaleza, sua expressão se fechou em aborrecimento e levei horas para fazê-lo voltar a normalidade. Claro que o bichinho da curiosidade me picou e eu o pesquisei no google. Existia rivalidade, ambos poderosos e distintos, os bonitões mais cobiçados do país e um no encalço do outro pela disputa milionária da superpotência econômica que era esse tipo de indústria.

Abandonei esses pensamentos e me foquei no meu trabalho. A grande verdade é que dentro da minha mente eu era tudo que queria ser, assim como tantas outras pessoas julgavam, mas quando abria meus olhos e vislumbrava o mundo real, as coisas eram bem diferentes. Nem tudo era luxo, a maior parte vinha do suor.

Estava trabalhando o dobro, mas Syaoran me recompensava com jantares e interrupções na hora certa. Desconfiava que ele tinha uma câmera escondida na minha nova sala, ele sempre surgia na hora exata, quando eu mais precisava.

O restante do dia fluiu bem. Até que a papelada que Philip me trouxe era bobagem, só precisava da assinatura do meu querido Li para liberar o novo material da gráfica. No fim do expediente fui para casa, tomei um banho relaxante e escolhi a roupa que ele tão sutilmente me sugerira. Logo meu telefone tocou e eu desci de encontro a ele.

Syaoran abriu a porta por dentro e pediu para que colocasse o cinto de segurança. Esperei que fizesse algum comentário sobre minha roupa, mas ele nem pareceu notar. Virei o rosto para a janela, precisava me distrair, se não, acabaria gritando.

-Sua família ficará impressionada, não se preocupe – comuniquei impassível.

-Não os julgue me tendo por base – imaginei o quão parecido com um elogio depreciativo aquilo soou, mas preferi não corta-lo, o clima entre nós já estava demasiado ruim – O senso crítico deles é do mais alto nível.

-A sra. Li ainda não me expulsou – defendi, sentindo-o me colocar para baixo a cada suspiro.

-Tente não parecer tão arisca, está bem? – olhei-o por sobre o ombro por uns instantes.

-Só estou cansada – falei baixo.

-Sakura, isso é desculpa de mulher casada que não quer transar com o marido, não me coloque em um pedestal de estupidez tão grande.

-Não somos casados, não tem por que eu recusar sua "proposta" indecorosa de me levar para cama com uma desculpinha dessas. Posso simplesmente negar e ponto – retruquei me sentindo muito atrevida.

-Quer falar de sexo na altura do campeonato? – ele freou brusco no sinal.

-Foi você que começou… E que eu saiba não estamos competindo em nada – respondi com cautela, esse não era um bom tópico para brigarmos.

Syaoran era um homem vivido e leviano. Tinha, de longe, mais experiência que eu nesse campo. Ele era o lobo e eu o carneirinho perdido do rebanho. Mas se pesarmos, ele andava me respeitando bastante e não me atiçava a ponto de ultrapassar nossos limites imaginários. Às vezes me perguntava o porquê de nunca termos feito amor e sempre acaba sem solução a esse dilema.

-Tente não provocar um homem tão superficial e ligado aos pecados da carne, como eu – falou em forma de aviso.

-Senão o quê? Você vai sair por aí atracando em postes? – girei o corpo em sua direção e ele acelerou me fazendo recostar desajeitada no banco do carro.

-Desculpe a indelicadeza, princesa, é que você está aumentando o meu tesão sendo tão afiada e estou ficando descontrolado – vi seus dentes formarem um sorriso indecoroso.

Ele estava diferente.

-Qual é o seu problema? – engoli em seco ao vê-lo dar seta para parar o carro.

-Acho que estamos com uma barreira – seus lábios se comprimiram em uma linha fina e raivosa.

-Está com tanto medo assim que eu te desaponte? – analisei seu semblante incrédulo.

-Você nunca me representou qualquer forma de temor, Srta. Kinomoto. O nosso problema é o que está por baixo de suas vestimentas e entre minhas pernas – vi suas mãos avançarem para libertar-me do cinto de segurança – Só pode ser isso que anda a deixando tão… ríspida.

-Ei, amigo! Alto lá com suas mãos – os dedos dele deslizaram na bainha do vestido brincando com a parte exposta de minhas coxas – Foi você quem ultrapassou o limite do razoável hoje mais cedo, estava com uma cara tão descompensada.

-Vai ver que é por já terem me dado por bem menos – sua boca prendeu a minha e ele segurou meu lábio inferior entre os dentes, me obrigando a avançar em sua direção – Não vai ser uma namoradinha que vai se recusar.

Namoradinha? Meus pensamentos expiraram. Estava apática, sem reação, meus dedos tremeram no colarinho de sua camisa. Julgava-me tão insignificante assim? Ele queria, sabe-se lá desde quando, apenas dormir comigo?

-Está me machucando – o par de olhos âmbares não desviavam dos meus, havia tanta raiva contida neles que me questionei se um motivo maior não estaria envolvido.

-Sakura – ele liberou minha boca e eu a toquei com a ponta dos meus dedos, certificando-me se o gosto metálico não era sangue.

-O que você quer? – a mancha vermelha líquida deslizou delicada até minha palma – Ainda não está satisfeito com o estrago que fez? Muito bem Syaoran, você tinha tanta certeza que eu estragaria tudo, que acabou me poupando desse trabalho.

Seus olhos ponderaram o machucado que acabara de provocar em minha boca, era um corte superficial, mas o suficiente para me deixar chocada. Olhei-o ligar o carro novamente e voltar para a estrada, pela primeira vez consegui perceber o que se passava em sua mente. Ele estava tão desentendido quanto eu, seu olhar torturado denunciava o abalo que nossa briga havia causado.

Senti vontade de abraçá-lo e dizer que tudo ficaria bem ao mesmo tempo em que lhe daria um soco pela atitude. Podíamos parar e conversar normalmente ou simplesmente arrancar nossas roupas e corresponder as expectativas dos nossos corpos. Era como se tivesse acabado a estradinha de tijolos amarelos, mas o mago não pudesse me levar pra casa.

Mas ele não merecia. Impropérios ditos, feridas abertas, boca sangrando. Não havia um bom espólio dessa guerra e, pelo rosto angustiado que ele fazia, não havia sido bom pra ele também. Era hora de bater os sapatinhos no chão fazendo birra.

- Quero ir pra casa - minha voz saiu mais baixa do que deveria, apenas mostrando meu desapontamento.

-Posso parar o carro, se for isso que realmente deseja – seu tom fora mais alto que o meu, mas a rouquidão que o acompanhou me fez ficar com os dois pés atrás. Alguns instantes antes acharia sexy, mas agora, era meu pior pesadelo.

-Aposto que conseguiria uma carona fácil – resmunguei cruzando as pernas, favorecendo sua visão do que lhe era, agora, de certo modo, intocável.

A melhor defesa é sempre o ataque.

Não houve se quer hesitação no que fizera em seguida. Aproximou do meio fio, em uma rua relativamente parada e, sem me olhar, destrancou a porta do carro. Não esperava por essa e perdi um pouco da força de vontade enquanto saía. Olhei-o uma última vez antes de bater a porta, esperava alguma palavra, um pedido de joelhos de retorno, mas era esperar demais do filho de Yelan.

Arrancou com tanta vontade que se estivéssemos em um lugar com terra, estaria agora suja de lama e comendo poeira. Abri minha bolsa conferindo as notas, não trouxera o celular e pelo que me era possível visualizar, em um raio de cem metros não havia cabines telefônicas para que chamasse um táxi ou ponto de ônibus.

Droga!

Idiota!

Que homem estúpido esse que fui arranjar.

Primeiro ele me arranca um pedaço gigante da boca e quando meu coração se compadece com seu sofrimento, me expulsa do carro largando no meio do nada com lugar nenhum.

Ah! Mas ele se arrependerá… Li Syaoran sofrerá em minhas mãos da próxima vez que vier com conversinha pro meu lado.

-E se ele não quiser mais saber de mim? – parei de caminhar como barata tonta e ponderei sobre a possibilidade – Melhor, preferível só do que acompanhada de um bruto arrogante.

Bufei, começando a sentir o sangue esfriar e o clima frio atingir as partes expostas da pele. Apertei os dentes contendo a nova onda de raiva, se o visse novamente nesse segundo, arremessaria meu sapato em seu precioso carro. Abracei meu corpo e soprei a parte solta da franja que pendia no meu rosto. Se ao menos tivesse coragem de pedir carona…

Continuei caminhando em um ritmo lento, curtindo os arrepios raivosos e imaginando as piores formas de tortura. Retorcendo, cutucando, beliscando, arrancado pedacinho por pedacinho daquela criatura orgulhosa.

Buzinaram jogando luz alta as minhas costas, tive vontade de erguer o dedo do meio e mandar quem quer que fosse para um lugar "todo especial". Mas me voltei para trás e parei, congelando não só pelo frio, atônita com o reconhecimento.

O que diabos ele fazia aqui?

-Parece que precisa de uma carona – desceu o vidro mexendo comigo.

-Estou perfeitamente bem – empinei o nariz desentendida. Será que estava me provocando? Testando meus limites?

-Vamos lá, eu não mordo se você ficar quietinha do seu lado no banco – ele piscou charmoso.

-Qual é o problema? – perguntei colocando as mãos no capô e fazendo-o parar.

-Nesse momento é você querendo ser servida em palito – olhei-o desentendida – O vestido é lindo demais para se desmanchar em picolé. Não era uma sobremesa frígida a qual me referi anteriormente.

-Ainda está falando disso, Syaoran? – cruzei os braços emburrada, fazendo bico, mais para ele ver o estrago que fizera na boca do que relevar um comportamento imaturo.

-Não posso evitar, sou homem – falou maroto – Agora deixe de infantilidade e entre no carro, temos uma noite longa pela frente e ela pode ser ainda maior se ficar aqui esperando a boa vontade de alguém.

Suspirei cansada, ele tinha razão, além do que, poderia ser perigoso quando as horas começassem a passar. Curvei o corpo e pensei em avisá-lo sobre não estarmos em paz, mas quando senti a temperatura deliciosa de dentro do carro, apenas me enfiei lá e afundei ao seu lado, curtindo o calor entrar por meus poros.

-Podemos ir? – perguntou como se nada tivesse acontecido.

-Faça o que quiser, eu me viro de onde pararmos em diante – retruquei deixando transparecer parte do meu conforto e tranqüilidade.

O carro arrancou, um Syaoran repentinamente sorridente fez meus pelos eriçarem. Essa noite prometia ainda mais, só não sabia avaliar até que ponto isso era algo bom. Mas estava positivamente alegre com o calorzinho e o acordo mútuo de silêncio que estabelecemos o resto do percurso.


N/A: Olá pessoal, é a Maghotta que vem pedir um milhão de desculpas para todos pela demora. Sei que está todo mundo perto das provas finais, mas espero que tirem um tempinho para lerem a nossa humilde fanfic. A vida anda correndo pra todas nós e praticamente não estamos tendo tempo de esbarrar pela net para conversar sobre os capítulos de AS vs GB, espero que compreendam isso.

Obrigada a todo aqueles que são assíduos e aqueles que começaram agora a ler essa estório.

Maninhas que não tivemos como contatar durante esses longos meses, APAREÇAM e esperamos que aproveitem, também, esse capítulo.

POR FAVOR PESSOAS DE BOM CORAÇÃO, DEIXEM REVIEW.

Ps.: desculpem por qualquer erro.

Bjinhos e até a próxima, da Magh-chan.