– Eu não quero que você case comigo para fazer o que é decente... ok? – Enquanto Lily falava ao telefone às nove horas da manhã seguinte, engolia os soluços. – E a essa hora do dia eu não quero conversar sobre a desgraça que estou despejando sobre seu filho sendo mãe solteira!

– Por que você está agindo desse modo? – questionou James sendo inteiramente irracional.

Lily desligou o telefone.

Deixando Harry com a vizinha que cuidava dele nas raras ocasiões em que saía sozinha, Lily dirigiu-se à Devlin Systems. Precisava esvaziar sua mesa. Tinha esperanças de que se chegasse perto da hora do almoço atrairia o mínimo de atenção.

James não acreditou quando Lily se recusou a casar com ele. As necessidades de Harry tiveram destaque especial em cada argumento seu. Infelizmente, Lily não ouvira uma palavra do que desejava escutar. Sua teimosia raivosa em não perdoá-la pelo passado e sua recusa em ver os dois lados da situação aniquilariam qualquer casamento. Não era suficiente que ela o amasse.


Lily acabava de limpar sua mesa quando James apareceu. Surpreendentemente, ele parecia indeciso.

Com os nervos em alta tensão, Lily sentiu o coração disparar ao vê-lo. Alto, moreno, devastadoramente sexy e inflexível como o aço.

– Você nunca escutou meu lado da história – argumentou Lily.

– O que quer dizer?

– O que significou ter meu primeiro e único caso de amor com alguém como você. – Seu olhar foi ao encontro daqueles olhos dourados e intensos. – Você foi romântico e atencioso, mas nunca me passou seguranç ê foi tranqüilo demais, esperto demais, até mesmo amável demais para sugerir um compromisso que não tinha planejado assumir...

– Lily... – James franziu a testa, tenso.

– Quando encontrei Brigitte no seu apartamento, já estava convencida de que você tinha enjoado de mim. Você não me deu motivo algum para acreditar que teríamos um futuro além de seu próximo telefonema – defendeu-se Lily fragilmente. – E, no entanto, ainda acredita que eu deveria ter voltado correndo com a grande notícia da gravidez.

– Você não acha que podia haver uma grande distância entre o que eu estava sentindo e o que mostrava a você que sentia?

As mãos grandes de James estavam fechadas fortemente ao lado o corpo.

– Não. Nem mesmo no meu cartão de dia dos namorados tinha aquela palavrinha de quatro letras... amor, sr. Impassível. – A tristeza crescia dentro dela como uma onda na maré alta.

– Eu quero de verdade casar com você...

– Você não precisa casar comigo para ver Harry. – A emoção ameaçava esmagá-la, e Lily saiu andando pelo corredor.

– Lily... – chamou James com a respiração vacilante.

Ela continuou andando, os olhos inundados de lágrimas.

Eu amo você...

Hesitando, Lily pestanejou.

– Sempre amei você! – proclamou James.

Rostos curiosos apareceram em todas as portas do corredor.

Lily voltou-se em meio a um círculo de pessoas desconcertadas. Percebendo no olhar de James uma intensa vulnerabilidade, observando a tensão em suas feições bronzeadas, ela compreendeu que ele estava sendo sincero em cada palavra. Uma onda frenética de felicidade tomou conta de seu ser.

– Eu também o amo.

– Assim é público o suficiente para você? – Um sorriso largo abriu-se no rosto de James sob a aprovação muda de uma audiência receosa de ser entusiástica demais. Ele caminhou até ela e a tomou nos braços. – O sr. Impassível acaba de dar um grande salto...


Na limusine, a caminho de apanhar Harry, James abraçou Lily mantendo-a colada a seu corpo musculoso.

Depois de a beijar avidamente, ele agora mostrava-se sério.

– Eu achava que você sabia como eu me sentia...

– Como? Por telepatia?

– Quando estivemos juntos no ano passado, poderia ter dito que eu amei você logo na primeira semana, mas decidi que seria melhor... bem...

– Mais prudente deixar quieto?

– Mais sensato deixar a corrente levar por um tempo.– Seus olhos castanho-esverdeados a olhavam com terna admiração. – Então você perdeu sua mãe e eu me senti como se tivesse perdido você.

– Foi mesmo? – Essa confissão chocou Lily.

– Você me deu o fora. Eu não sabia se pressionava ou se me afastava. No final, acabei tomando a decisão de me afastar e isso foi um erro.

– Achei que você tinha se cansado de mim! – Lily suspirou.

– Fiquei arrasado quando você me dispensou... – James respirou pesadamente. – Então esperei algumas semanas e tentei entrar em contato com você novamente, mas você já havia se mudado.

– Diga-me, por que presumiu que Harry não era seu filho?

– Harry parecia menor quando o vi. Eu pensei que ele fosse mais novo do que realmente é. Fiquei maluco por alguns dias, doente de ciúme – admitiu arrependido.

Algo que estava intrigando Lily desde quarta-feira à noite instigou-a a mudar de assunto.

– Nemos abriu a porta para mim na noite do jantar. Por que ele não organizou tudo para você?

A referência a seu empregado fez James sorrir maldosamente.

– Você não trabalhou demais? Tinha de inventar um trabalho para você!

– Inventar?

– Não a promoção... a posição transitória de secretária social. Se você fosse direto para o quadro de diretores, jamais teria tido a oportunidade de ficar a sós com você. No momento em que me recobrei do choque de a descobrir na Devlin Systems, decidi que tentaria conquistar você novamente.

Lily estava perplexa com o que ele acabara de contar.

– Mas naquela entrevista... você foi tão impessoal.

– Se eu tivesse sido próximo e íntimo como estou sendo agora... você teria ficado assustada e ido embora! – Uma luz provocante iluminou seus olhos e James pediu outro beijo amoroso. – Eu tinha de convencer você de que a trataria como um patrão, mas sabia que ia ser um desafio muito grande.

– Para mim também. Não podia imaginar você como meu chefe.

– Adorei quando você sentiu ciúme. Então você me desejou um ótimo fim de semana com Narcisa Black e eu achei que você estava rindo de mim!

Fazia tempo que a limusine tinha chegado a seu destino e estava parada. Saindo de um outro abraço, James e Lily registraram esse fato cerca de dez minutos depois.

Subiram correndo a escada para apanhar Harry. Seguro entre o amor dos dois, Harry bocejou e dormiu, enquanto seus pais, de mãos dadas, sonhavam com o futuro...


Quatro dias depois, a licença especial tinha sido outorgada e Lily chegava à igreja para seu casamento.

Sua irmã, Petunia, voara do Oriente Médio a tempo de ve-la no altar. Brigitte se oferecera para levar as alianças e Marco foi o padrinho de James. Harry, em seu novo carrinho de luxo, encantava todos seus admiradores.

Trajando um vestido muito fino de renda e seda, Lily caminhou até o altar com os olhos brilhando. Ela não tinha a menor dúvida de que era amada. O fim de semana se passara em uma infindável confusão de arranjos e excitação. Eles iriam morar em Londres e em Corfu, onde James também tinha uma casa. Passariam a noite de núpcias na casa de Londres, e no dia seguinte voariam para uma cidadezinha no Caribe. Já estava decidido que o aniversário de Harry seria comemorado em Paris, possivelmente com uma babá a reboque. Agora que James tinha conseguido de volta a mulher que amava, não se cansava de fazer planos para o futuro.

James observou Lily se aproximar do altar com um sorriso que fez seu coração saltar. James decidira que dessa vez tudo seria diferente. Quando ele a afastou de si na sexta-feira à noite, com um ar determinado de restrição, ela ficou surpresa; mas concordou quando ele explicou o motivo.

– Da próxima vez que fizermos amor, quero que você seja minha mulher, agape mou...

Na segunda-feira à noite, ele admitira espontaneamente que esse tinha sido o desafio mais desagradável que já se impusera, e de boa vontade teria abandonado o juramento. Mas Lily tinha que correr ao aeroporto apanhar a irmã, por isso não houve tempo para sucumbir à tentação.

Após a cerimônia, saindo da igreja, James a beijou com ávido desejo.

– E agora, como vou ficar diante da sessão de fotos e da recepção lá em casa?

– Como o sr. Impassível – brincou Lily, provocando-o um pouco mais.

James não conseguia tirar seus olhos de cima dela e Lily adorou isso. Foram centenas de fotografias com os dois se olhando nos olhos. Durante a recepção, foi quase impossível separá-los. Quando os convidados finalmente partiram e Harry estava adormecido no berço em seu novo quarto, os noivos puderam subir ao quarto principal.

Embora estivesse belamente mobiliado, o quarto ainda não havia sido decorado. Lily mostrou-se surpresa.

– Eu disse a Narcisa que você é quem cuidaria da decoração desse quarto. – James sorriu.

– Quando foi isso? Certamente não foi naquele fim de semana que você ficou zangado comigo...

– Ainda assim eu continuava esperando casar com você.

Lily derreteu-se.

Sem chance de perdê-la uma segunda vez. James a abraçou, excitado, e puxou-a para junto de seu corpo vigoroso e macio.

– Eu a amo de um jeito como nunca pensei que pudesse amar alguém.

Ser amada parecia a melhor coisa que já lhe acontecera, refletiu Lily, sonhadora, enquanto se entregava a outro beijo apaixonado.


N/A: Chegamos ao fim! Hahaha diz aí se esse cap não ficou mais happy ending que o epilogo de Death Hallows!

Eu queria agradecer a todooos que leram, deixaram reviews, as que não deixaram reviews, as que deixaram opinioes, eu adoreeei passar esse tempinho com vocês! Obrigada: jehssik, Paola Lovegood, Ninha Costa, Maga do 4, Thaty, Bellynha, Maria Lua, Nana Evans Potter (hahaha lembro de você sim!), Nandinhah Evans Potter, Ti borboleta, Nah Evans Potter, Miss Ying Fa, Lilyzinha (também te amo rs), LilyPotter, Narcisa Le Fay, Nessa Black Malfoy, Mila Potter Evans e Fezinha Evans! Vocês não tem ideia de como é bom ver as reviews e ler o que algumas da suas autoras preferidas escreveram pra você!
Então era isso...Espero que gostem desse finalzinho e até a proxima historia!
Beijão