Cambaleava zonzo pelas ruas vazias da cidade, com um sorriso debochado no rosto. Levava em sua mão direita uma garrafa de vodka que já estava quase vazia, na esquerda um maço de cigarros também quase no fim e, no bolso um pequeno pacote com um misterioso pó de cor branca.

- Amigo, é? - Gargalhava, tropeçando nos próprios passos. - EU NÃO SOU AMIGO DE VIADOS, PORRA! - Falou irritado, mas logo soltando uma alta gargalhada novamente, sem se importar nem um pouco com os moradores dos prédios pelos que passava em sua lenta caminhada. Tossia agoniado, se apoiando nas paredes, vez ou outra abaixando a cabeça para vomitar, limpando em seguida a boca e o nariz com a manga de sua blusa que já estava encharcada e fedida.

Avistou um parque a alguns metros de si, do outro lado da rua. Ao avistar alguns banquinhos e mesas lembrou do conteúdo em seu bolso e decidiu ir para lá, ao atravessar quase foi atropelado por um carro que vinha despercebido em sua direção.

- PRESTA ATENÇÃO NA ESTRADA, SEU FILHO DA PUTA! - Quebrou a garrafa em cima da frente limpa e brilhante do carro, fazendo com que o motorista que estava dentro do veículo sair do mesmo para tirar satisfação.

- Ora seu moleque desgraçado! OLHA O QUE TU FEZ COM O MEU CARRO! - Disse quase correndo na direção de Reita, pronto para atacá-lo, já estando com os punhos cerrados.

- Cala a boca, seu topeira - Reita estava mole e com pouco controle sobre seu corpo, mas seu braço conseguiu ser pesado o bastante para acertar em cheio o rosto do outro, abrindo um pequeno corte no lábio do mesmo, em seguida deu seguidos chutes em alternados locais no corpo dele. - Cai fora daqui. - riu.

O homem levantou desesperado e consideravelmente ensanguentado, andou com dificuldade o mais rápido que pôde e adentrou seu carro, acelerando e dirigindo para longe do loiro que seguia o veículo com os olhos, ainda com aquele sorriso maldoso nos lábios. Voltou ao seu destino que eram aquelas mesinhas do parque. Elas estavam cheias de folhas secas que caíram das árvores próximas a elas, Reita se apoiou bruscamente esfarelando algumas, tirou apressado com o braço as folhas que nao se quebraram, pegou o pacote em seu bolso e despejou todo aquele pó que se misturou com areia, poeira e o farelo das folhas secas quebradas, afileirou aquela mistura de qualquer jeito, pegou a espécie de um canudo colocando em uma das narinas, tampou a outra e aspirou rapidamente o conteúdo. Quando terminou de aspirar tudo, despencou para trás, caindo no chão e gargalhou alto.

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Desde que havia chego em casa não tinha manifestado presença de nenhuma maneira, a única coisa que queria era correr para seu quarto, se jogar em cima de sua cama e esquecer de tudo. Seu estado emocional constava no momento em um misto de pura depressão, confusão e uma ponta de satisfação. Ele se sentia simplesmente terrível por tudo que tinha acontecido com Reita, de fato, ele só queria ser considerado um amigo por ele, no entanto isso aparenta ser um pouco demais para de cobrar dele. Era indescritível a vontade que ele sentia de tê-lo por perto, mesmo que ele o xingasse ou nem ao menos se pronunciasse a manhã inteira, ele apenas gostava de tê-lo lá. Apesar de tudo isso agora ele sentira que a situação melhorara a seu favor, afinal, ele conhecera Uruha, que é dono de um carisma enorme e não teve bloqueios de demonstrar o afeto que sentiu por Ruki logo no primeiro dia em que conversaram, e isso mesmo que por um breve momento pareceu incomodar Reita. Quem sabe assim seja mais fácil desistir de agradá-lo, afinal, não era o que ele merecia.

Com a manga do casaco do uniforme que ainda vestia, limpou os vestígios das últimas lágrimas que derramaria por um ser ingrato como Reita, ele estava decidido disso. Sentou-se na cama e esboçou um sorriso, um tanto forçado, como se ele tivesse que provar a si mesmo que ele já estava melhor.

Foi libertado de sua prisão de pensamentos ao ouvir um leve bater na porta de seu quarto, em instantes ouvindo a mesma ranger ao ser aberta e revelando o rosto angelical de sua mãe, porém dessa vez não constava em seu rosto aquele sorriso vazio de sempre, e sim um rosto franzido em preocupação.

- Ruki, há um menino na praça aqui da frente de casa com o uniforme da sua escola, ele por acaso é seu amigo?

- Hã? - Ruki levantou-se num pulo ao ouvir as palavras de sua mãe e correu para a janela para averiguar. Era ele, ele tinha certeza. Ali, estatelado no chão do parque, gargalhando mesmo nem nenhum motivo aparente e com o nariz sangrando. Reita. - Mãe, eu já volto.

Passou pela mulher em ritmo desesperado. O que diabos Reita estava fazendo a essa hora na frente da casa de Ruki? Voou escada a baixo e correu para a porta de entrada, o coração na garganta e as borboletas se homicidando em seu estômago. Ficou observando a cena do outro da calçada, ele ainda gargalhava e tentava se levantar sem sucesso, hesitou um instante antes de correr em direção a ele.

- Akira? - Disse em um tom tímido, mantendo certa distância por questões de segurança.

Ele olhou de baixo, o ódio transbordando de suas vistas e sorriu debochado.

- O que você tá fazendo aqui, viadinho? - Ele falava alto, quase gritando, e suas pálpebras estavam pesadas, deixando seus olhos quase fechados. Ele fungava com força, e seu nariz ainda escorria um sangue vermelho escuro. - Não chega muito perto de mim, seu nojento!

Ruki sentiu seu coração congelar com aquelas palavras. Mas não deixou transparecer e manteve a postura.

- Akira você não está bem, vamos, vou te levar pra minha casa. - Deu um passo a frente, cauteloso.

- NÃO SE ATREVA A TOCAR EM MIM! - Berrou, arregalando os olhos e se arrastando para trás como um pássaro sem asas. - Tá querendo me levar pra sua casa é? Tá queerndo se aproveitar de mim só porque eu tomei umas é? SAI DAQUI SEU BIXA!

- Cala essa boca e vem logo, e eu não sou nada disso que você está falando. - Se aproximou sem mais hesitar e agarrou o braço de Reita, puxando-o com força e colocando seu braço sobre seu ombro, mas Reita levou o outro braço até a barriga de Ruki num soco e o empurrou para longe, o derrubando no chão e riu.

- HAHAHA pensa que pode mesmo me arrastar assim tão fácil, viado? E você não me engana mais, semrpe desconfiei desse seu jeitinho afeminado! - Andava em passos largos de um lado pro outo para não cair, cambaleando.

Quando Reita virou de costas para ruki, ele aproveitou a deixa e deu com tudo em sua cabeça com um tronco caído de uma árvore próxima, derrubando o maior.

- Mandei calar essa boca. - Pegou novamente Reita que agora estava um tanto inconsciente e o arrastou para sua casa com muito esforço, já que ele era o dobro de seu tamanho.

Ao chegar em frente a porta de sua casa, deixou Reita um pouco sentado no chão e abriu a mesma, sem seguida chamando por sua mãe para que ela o ajudasse a levá-lo para seu quarto, limpar seu nariz que ainda sangrava quase que abundantemente. Apesar do dia terrível que tivera tido por conta do mesmo que estava agora sendo arrastado para dentro do seu quarto e que estaria prestes a passar a noite no local, Ruki não poderia deixá-lo lá fora para ser devorado pelas drogas.

Ele só temia a hora que Reita acordasse.