Dias Difíceis

Hanna chegou em casa arrasada e muitíssimo abalada. Não conseguia parar de chorar, pois em sua cabeça não paravam de passar ideias dos tipos de castigos que Draco estaria recebendo. "Draco"- Doía tanto, só de pensar no nome dele, como se seu coração estivesse sendo arrancado do peito a sangue frio. Sentia-se culpada por não ter impedido que Lúcio o levasse. Estava, irreversivelmente, inconsolável.

Naquela noite, Hanna recebeu uma poção para dormir sem sonhos, para que pudesse descansar.

Já haviam se passado quatro dias, desde a derrota de Voldemort. E faziam três dias que Hanna sentia-se morta. Recusava-se a sair de da cama, a falar com alguém ou comer. Ela não precisava dessas coisas, era um corpo oco. Quando Malfoy levou seu Draco, levou juntamente sua alma e seu coração.

-Vamos Hanna, você tem que reagir. Eles vão achá-lo. –disse Mione com um olhar preocupado

-Tenho certeza que sim. –completou Gina docemente – Se ele voltar e te ver nesse estado, não vai ficar nada feliz. – Hanna, por favor, Harry e Sirius estão preocupados com você. E nós também não pode desistir.

Parecia, simplesmente, que ela estava em outro mundo, tinha o olhar marejado de lágrimas e olhava para um ponto fixo na parede. Podia-se dizer que estava em estado de choque. Como ela poderia? Como ela seguiria em frente? Será que eles não entendiam? Draco era tão cheio de vida, tão cheio de si. E ele foi retirado dela, retirado tão abruptamente, e contra a sua vontade. Sabe-se lá o que ele estava passando. E era tudo culpa dela. As únicas palavras que saiam de sua boca em sussurro quase inaudível eram:

-Draco. Volte pra mim. Draco.

-Nós vamos descer para jantar, e vamos trazer alguma coisa para você comer, tá legal? –falou Mione carinhosamente, acariciando os cabelos desgrenhados da amiga

-Então como ela está? –perguntou Sirius com seus grandes olhos azuis, implorando por uma boa notícia, quando as meninas chegaram à cozinha para jantar.

-Do mesmo jeito... Não come, não fala... Nem sei se nos ouve. –respondeu Gina tristemente

-Já chega! –disse Harry batendo com os punhos fechados na mesa, levantando-se e indo a passos pesados até o quarto da irmã.

-Harry, o que você vai fazer? –perguntou Gina assustada, com a reação explosiva do namorado

Como não obteve resposta, seguiu o moreno até o quarto de Hanna, e logo atrás vinham Mione e Rony.

Harry sentou-se ao lado da irmã, na cama, dando um beijo demorado e cheio de preocupação em sua face.

-Hei. – ele disse suave, mas não obteve sequer um olhar como resposta. -Vamos lá Hanna você tem que se levantar, reaja, por favor- suplicou afetuosamente com seus olhos verdes marejados- Nós estamos preocupados com você. Não se entregue assim... Por favor Hanna. – implorou segurando firmemente a mão da garota, se fosse outra pessoa, com certeza, estaria reclamando do aperto dolorido.

Ao não perceber reação nenhuma na face da irmã, nem mesmo de dor, ou reconhecimento, Harry perdeu o controle.

-Pois muito bem! Se você precisa de ajuda, eu vou te ajudar! – disse tempestuosamente se levantando e pegando a garota no colo de uma forma nada delicada. Mostrando que seu temperamento não estava nada bom, mas, novamente, Hanna não demonstrou nenhum tipo de reação.

-Harry, o que você pensa que vai fazer? – perguntou Hermione atemorizada

Ele sequer respondeu, saindo firmemente com a garota em seus braços.

-HARRY! –gritou Gina apavorada com o estado de raiva que ele se encontrava, temia que fizesse algo com a irmã que fosse se arrepender depois.

E a ruiva, prontamente, foi ignorada por ele também.

-Rony! –chamou Harry secamente do corredor- Vai até o banheiro e abre o chuveiro no frio.

-O quê? – perguntou o ruivo meio transtornado

-Só faça o que eu pedi! –retrucou friamente ao melhor amigo

-Não acho que isso seja uma boa idéia Harry! –comentou Gina, enquanto os seguia até o banheiro – HARRY!

Mas, já era tarde, ele entrou, com a irmã em seus braços, em baixo do chuveiro com água gelada. Soltando a garota para que pudesse a manter debaixo da água.

-Vamos Hanna... Olhe para mim. Olhe para mim. OLHE PARA MIM!

Puxou o rosto dela de uma forma brusca, levantando seu queixo, para buscar seu olhar. Pode perceber, então, que escorriam lágrimas dos olhos verdes que rolavam, juntamente, com a água fria por toda a face da garota.

-Você não pode agir assim! –falou duramente encarando ela nos olhos, verdes nos verdes – Do jeito que você está agindo parece acreditar que o Malfoy morreu! Sinto te informar, mas você sabe muito bem, que vaso ruim não quebra! Por favor, não abandone as esperanças! Você não tem nenhuma prova de que ele está morto! Se você quer morrer para fazer companhia a ele pelo menos tenha certeza de que ele já não está mais entre nós! E se você morrer eu não vou me perdoar, ninguém aqui vai se perdoar!

-Então você entende não é? –finalmente ela sussurrou – Ele se foi tentando me proteger... Me salvar... E... – os soluços, que não conseguia impedir que saíssem, atrapalhavam sua fala - Eu... O que eu fiz? Para... Para impedir? Que... Que aquele maluco o levasse?... O QUE EU FIZ HARRY? EU NÃO FIZ NADA! NADA! OUVIU BEM! NADA! –agora ela chorava desesperadamente agarrada ao irmão, em baixo da água gelada.

-Calma!- Harry a abraçou fortemente- Nós vamos fazer de tudo pra achá-lo Hanna, de tudo! –disse com a voz decidida - É uma promessa que eu te faço. Nem que eu tenha que...

-Não sabia que você gostava tanto assim de mim, Potter. –falou Draco com uma voz ironicamente fria, encostado no marco da porta do banheiro. Estava em um estado deplorável: sujo, rasgado e machucado, mas nunca perdia a pose de imponência!

-DRACO! DRACO! –gritou Hanna desesperada, saindo correndo de baixo do chuveiro para ir abraçá-lo. Jogou-se nos braços dele, quase os derrubando no chão.

-Ai! Ouviu ele resmungar.

-Me desculpe. –falou com um sorriso enorme, e o beijando por todo o rosto

-Mas, o que aconteceu? Eles te feriram, te machucaram, como você fugiu?- perguntou rapidamente enquanto o abraçava o mais forte que podia recebendo em troca uns gemidos de dor.

-Ai ai ai... Calma ai! Uma pergunta de cada vez. Será que eu poderia tomar um banho antes? – retrucou correspondendo o abraço com a mesma intensidade que ela.

-Claro. Mas não nesse chuveiro. Acho até que tá queimado a água tá fria de mais.

Todos ali caíram na risada.

-O que foi que eu disse? –perguntou a morena corando

-Não tá queimado Hanna, Harry quis te dar um banho de água fria mesmo. –respondeu Gina as gargalhadas

-Ah! E vocês estão achando muito engraçado não é?

Enquanto, todos estavam rindo, Hanna surrupiou a varinha do bolso da capa do Draco e conjurou baldes de água fria em cima da cabeça de cada um presente no banheiro, e com um movimento de varinha todos estavam molhados e gelados!

-Hei! –todos resmungaram ao mesmo tempo

-Mas, não é engraçado? –pediu com cara de santa

E todos recomeçaram a rir.

Após todos tomarem banho e terem um belo jantar. E muitos, muitos, beijos e carinhos depois. Draco explicou a todos que seu pai o havia prendido no porão da mansão Malfoy, o torturando algumas vezes ao dia. Sua mãe descobriu tudo e o ajudou a fugir. Haviam ainda alguns comensais por lá, mas os aurores foram avisados, e eles conseguiram prender todos, inclusive seu pai.

Com o fim da conversa ele e Hanna foram até o jardim namorar mais um pouco:

-Sabe... Eu achei que tinha te perdido para sempre! –falou Hanna sincera e triste, enquanto encostava a cabeça no ombro do namorado

-Eu nunca iria morrer e te deixar livre para outro. Você é minha vida Hanna! – retrucou buscando o olhar da namorada

-E você a minha! –respondeu encarando firmemente os olhos azuis que pareciam brilhar e derreter ao mesmo tempo- E eu te amo!

-Eu também te amo, Sra. Malfoy!

-Isso é um pedido de casamento Draco?- perguntou com um sorriso divertido em seus lábios

Ele deu de ombros : -Se você quiser pensar assim. Pois eu pretendo formar uma família com você, ter filhos, e morar na mesma casa. É acho que é um pedido. Então você aceita?

Ela não precisou responder com palavras, simplesmente lhe deu um beijo tão urgentemente, apaixonado e ao mesmo tempo doce que valeu por um milhão de "sins".

FIM


N/A:

Bom gente chegamos ao final. Essa foi a minha primeira fic. Espero que tenham gostado ou não, mas, gostaria, que de qualquer modo, vocês comentassem, críticas boas ou ruins são sempre válidas.

Valeu e até mais.

Beijões Cuca Malfoy 08/06/2007

Totalmente republicada em 06/06/2010

PS: SEJA SOLIDÁRIO E DOE UM COMENTÁRIO