Ruki POV

Em um dia qualquer de inverno, eu estava procurando a loja onde meu melhor amigo começou a trabalhar a pouco tempo, ele apenas me informou o nome da rua onde se localizava, mas me disse que eu gostaria do estilo da loja, estava absorto em meus pensamentos quando avisto uma loja visual kei/j-rocker, no mesmo instante fui até ela e entrei, pude ver três garotos, meu amigo, Shiroyama Yuu, e mais dois.

Yuu era alto, moreno, bonito, seu rosto era delicado e possuía uma jóia preta adornando seus lábios bem desenhados, nós éramos muito próximos, cúmplices, praticamente irmãos...

O outro garoto era mais baixo, cabelos pretos com um sorriso amigável e contagiante, não pude deixar de sorrir ao vê-lo, com uma inexplicável aura de mãe ao seu redor, sabe aquela sensação de que ele é preocupado com todos os mínimos detalhes, que ele vai querer proteger você e essas coisas? Foi o que eu pude sentir de longe...

MAS o que me chamou mais a atenção foi a pessoa que o moreno desconhecido conversava, era um loiro alto, se bem que qualquer um é mais alto que eu, mas isso é um mero detalhe, ele era bonito, muito bonito, um corpo bem trabalhado, forte e maravilhoso, seu rosto era como uma obra de arte, belíssimos lábios, olhos penetrantes e escuros e uma faixa que o deixava parecer fechado e enigmático e eu tive muita vontade de desvendar esse enigma, a se tive.

Não pude deixar de corar quando o loiro, sim o loiro, me olhou da cabeça aos pés parecendo me avaliar, logo voltando seu olhar para Yuu que vinha na minha direção divertido, apesar de estar tentando ganhar um campeonato de 'quem tá mais vermelho, eu ou um pimentão?', eu não pude deixar de sorrir para ele e o cumprimentei.

- Vem vou te apresentar aos meus amigos – segurou firme minha mão e me puxou sem nem esperar minha resposta – minna, esse aqui é meu irmão de consideração, Takanori Matsumoto – disse finalmente me soltando e completamente empolgado.

- Prazer, podem me chamar de Ruki se preferirem – sorri fazendo uma reverencia.

- Prazer Ruki-San, eu me chamo Uke Yutaka, ou Kai, sou o dono da loja e você o primeiro cliente a entrar na loja, pedi a Aoi-San que chamasse alguém que gostasse do estilo para aprovar a loja antes de tudo, quero opinião de alguém de fora que goste e que entenda do assunto – disse isso tão empolgado que eu tive que sorrir com a cena, mas eu então era o primeiro cliente, estava orgulhoso.

- Hoje eu não trouxe dinheiro – olhei pra Yuu triste

- Não tem problema, você pode ver, dizer o que achou e se gostar de alguma levar amanhã – o loiro que havia falado isso.

Eu o olhei confuso, não esperava ouvir ele falar alguma coisa, mas ei acorda Takanori, ele é vendedor, ele TEM que falar com os clientes, eu abri ainda mais o sorriso pra ele, como que agradecendo a dica.

- Akira Suzuki, mas prefiro que me chamem de Reita – ele sorriu para mim e eu vi um dos sorrisos mais bonitos da minha vida, pra não dizer o mais bonito, era um sorriso pequeno, sincero, tímido?

- Prazer – fiz uma reverencia – então se me dão licença vou dar uma olhada nas roupas e acessórios – virei pra Yuu e disse um tanto sério – você vai me atender, ok?

- Claro Chibi – quando ele disse isso eu fiquei muito bravo, enchi a bochecha de ar, pronto pra dar um soco não muito forte nele, mas parei antes disso percebendo que os outros me olhavam interrogativos e até mesmo divertidos.

Fiquei andando pela loja vendo as camisetas, blusas, calças, acessórios, fazia tanto tempo que queria um cinto de rebits novo, e tinha ali naquela loja tantas opções que se eu levasse todos que queria teria que vender a casa e todos os meus bens, pois realmente gostei de muitas coisas da loja.

Com algumas, muitas, roupas nas mãos e até mesmo nos braços fui ate o vestuário, depois de experimentar muitas roupas, separei três que levaria no dia seguinte, uma calça jeans escura rasgada em algumas partes, uma regata preta com um desenho aleatório em cinza bem claro e por ultimo uma camisa branca com um decote em V que ficou meio grudada em meu corpo e eu já imaginava ela com várias calças e blusas.

Quando terminei de separar, provar e de escolher o que eu REALMENTE ia levar, eu puxei Yuu pra dentro do vestuário, ficando espremido lá dentro com ele, e ele sorriu.

- Nossa Chibi, assim eu gamo... você sabe... – eu corei, e muito, mas não tinha noção do por que, simplesmente fechei a cara pra ele.

- Yuu você tem uma missão – eu disse baixo falando muito perto de seu ouvido, raspando meus lábios em sua orelha.

- E qual é? – ele disse colocando a mão em minha cintura e me trazendo mais pra perto de seu corpo.

- O telefone do loiro, claro – disse separando nossos corpos e sorrindo de forma infantil – eu quero me aproximar dele... – disse colocando a mão no queixo pensativo – Ah! E você achou que eu ia ficar com você aqui?

- Chibi você é muito mal, mas eu vou fazer isso pela nossa amizade... – dizendo isso ele saiu do vestuário um pouco rubro.

Eu e Yuu já ficamos várias vezes, não passava disso mesmo, ficadas, apenas beijos, nada de especial.

Logo sai também do vestuário indo falar com Kai.

- Adorei a sua loja, ela está aprovada, eu gostaria de levar a loja inteira, mas escolhi, por enquanto, apenas três peças, eu volto aqui amanhã, tudo bem? – falava como se o conhecesse a muito tempo...

- Claro Ruki-San e me desculpe fazê-lo vir aqui em pleno domingo, gostaria de estar passeando com a namorada ou alguém em especial não é? – ele dizia preocupado

- Não tinha nada planejado Kai-San, e namorada, nem sei o que é isso – eu ri da minha própria tragédia, eu nunca havia namorado... – ainda estou procurando alguém especial – olhei muito de relance para Reita que estava arrumando a bagunça que eu fiz.

- Que é isso, você é tão bonito, deve ter muitas garotas caídas aos seus pés na sua escola.

- Mais ou menos, estão mais nos pés dos Yuu – eu ri alto – Mas eu tenho que ir agora... Arigato por tudo – acenei e fui para a porta da loja a abri e antes de sair realmente disse mais um tchau que foi retribuídos por todos... antes da porta se fechar pude ver Reita indo falar com Yuu...

Voltei para casa com um grande sorriso no rosto, andava automaticamente pra casa, já acostumado com o caminho, a loja ficava entre a escola e a minha casa, então voltar sem prestar atenção era mais que natural pra mim, mas não ao ponto de esbarrar com alguém por ai.

- Itai – a pessoa a frente resmungou.

- Gomen ne – disse me levantando e ao estender a mão para ajudar a pessoa me deparei com um menino lindo, parecia uma menina, mas mais lindo, olhos cor de amêndoa, cabelo descolorado, repicado e arrepiado atrás, alto, pelo menos parecia, mesmo caído no chão, um corpo bonito, principalmente as coxas que estavam cobertas por uma calça justa e um rosto delicadamente feminino.

- Arigato – ele sorriu ao segurar minha mão e se levantando com minha ajuda e eu percebi que ele era lindo quando sorria.

- Gomen ne – repeti o pedido.

- Não se preocupe eu também estava distraído – ele riu divertido – tenho que ir, ja ne...

Eu fiquei ali vendo ele se afastando e quando ele já estava a alguns passos de distancia eu voltei a caminhar em direção a minha casa, mas mesmo depois do esbarrão eu continuava pensativo, principalmente depois disso, eu queria conhecê-lo, saber mais sobre ele, eu não senti vontade de conhecê-lo com outras intenções como com Reita, não que eu quisesse só ficar com ele, mas era um dos meus objetivos, com esse loiro era apenas sua amizade que me importava, não senti atração amorosa, apenas amigável, como com o Yuu, uma linda amizade.

Nossa, já estava na porta de casa procurando as chaves, mas onde elas estavam? Estavam no bolso da calça, tinha certeza, mas procurei em todos os lugares que poderiam estar as chaves em minhas roupas, cada bolso, cada lugarzinho que ela pudesse ter entrado pra me irritar e eu tava ficando louco...

Se minha mãe descobrisse que eu perdi a chave de novo em menos de dois meses eu morreria, então fui pra casa do Yuu, mandei uma mensagem avisando, não queria ouvir de novo as mesmas broncas, minha irresponsabilidade, minha infantilidade, meu egoísmo, era sempre isso que jogava na minha cara.

"Tenho vergonha de sair com você assim na rua, cadê o meu filho que me obedecia? Por que você ficou rebelde?" ela dizia isso com tanta tristeza que até fazia parecer que eu era tão ruim assim pra ela, eu ajudava em casa como podia.

Obedecia ela sempre, mas gostava dos meus brincos e do meu cabelo ruivo, de maquiagem, do meu violão, mesmo não tocando como o Yuu, gostava de bandas de rock, gostava também de andar com roupas chamativas, sem falar que quando ela soubesse da parte que eu sentia atração por homem era capaz dela cortar o meu órgão reprodutor em fatias e dar pros cachorros comer e depois ainda me expulsar de casa, isso era um caso a parte...

Mas me doía tanto ouvir isso dela, eu envergonhava ela, só por querer ser do meu jeito, não era bom ter sua própria personalidade? Por que então ela não me deixava trabalhar a minha e ser como EU quisesse?

Estava prestes a chorar, só de pensar nisso me entristecia, quando cheguei na frente da casa do Yuu e o vi abrindo a porta e olhando para mim.

- Ru? Aconteceu alguma coisa? Brigou de novo com sua mãe? – ele veio ate mim e eu sorri com sua preocupação exagerada.

- Nada, só fiquei triste, mas passa logo se eu passar a noite aqui, tem problema?

- Claro que não, mas algum motivo especial?

- Perdi as chaves, não quero ouvir as coisas de sempre, sabe como é né?

Ele apenas resmungou alguma coisa e me puxou pra dentro da casa grande que possuía e que morava sozinho, sorte dele, os pais trabalhavam na Europa, rodando de país em país e voltavam apenas nas férias.

Não precisávamos de palavras, sorri e fui subindo as escadas, ele sabia que deixaria minha mochila, na qual nunca me separava, no quarto dele, tomaria um banho e logo depois prepararia a janta.

E logo estava no seu banheiro tirando a roupa quando eu percebi que eu não tinha o que vestir depois do banho, sai enrolado na toalha e berrei que ele separasse alguma roupa pra mim, berrei no corredor, afinal ele deveria estar no andar de baixo assistindo TV, voltei para o banheiro e terminei de me despir e entrei debaixo da água quentinha, depois de tanto tempo no frio, mesmo agasalhado não era legal, eu merecia um banho quentinho.

Um pouco depois de entrar no Box pude ouvi-lo entrar no banheiro e mexer em suas gaveta, logo saindo de seu quarto me deixando sozinho novamente.

Me deixei relaxar sob a água quente que parecia abraçar o meu pequeno corpo, fechei os olhos e me vi pensando no loiro que esbarrara mais cedo e logo a imagem dele foi substituída pelo loiro que me fez criar um novo objetivo em meio a tantos outros que eu já tinha, ele se era prioridade...

Começando a me lavar, finalmente, não parava de pensar em como seria beijar aqueles lábios, deveria ser doce, mais doce que qualquer lábio, ate mesmo que o do Yuu... A se ele me pegasse pensando isso ele ficaria muito bravo, mas como ficaria Reita ao saber que penso essas coisas dele?

Tadinho deve estar descansando inocentemente enquanto eu penso cenas, situações e formas de beijar sua boca... melhor sair do banho e comer alguma coisa, depois desses pensamentos sai desliguei o chuveiro e antes de sair do Box peguei uma toalha e me sequei, ao sair peguei outra e passei pelos cabelos, para secá-los.

Sai do banheiro e vi um pijama meu em cima de sua cama de casal, como eu não lembrava que tinha esquecido aquele pijama ali fazia alguns dias... ao me aproximar pude ver que tinha um bilhete sobre ele, eu o peguei e li, sorrindo de felicidade, me vesti e desci para preparar a janta.

Ao passar pela sala vi Yuu colocando as novas cordas em sua guitarra, sorri para mim mesmo, afinal ele estava de costa a mim, e fui para a cozinha, sabia o que ele gostava e faria exatamente isso naquela noite, afinal ele tinha cumprido a missão dele.

Fiz um espaguete ao molho quatro queijos, era rápido de ser feito e logo estava pronto para ser servido, sem fazer barulho arrumei a mesa e toquei seu ombro.

- Ru! Nossa que susto – ele tirava os fones de ouvido.

- A janta ta pronta Yuu – sorri feliz – vem que você sabe que eu não gosto de chamar várias vezes não sabe?

Ele se levantou e foi ate a mesa me acompanhando, sorrindo ao ver o que eu tinha preparado para ele daquela vez.

- Arigato Ru – ele disse se sentando – Vou me servir.

Me sentei também e esperei que ele tivesse se servido para me servir.

- Itadakimasu – dissemos juntos e começamos a comer.

- Esthá buito costoso Ru – ele disse com a boca cheia e eu não pude evitar rir da cena.

- Não tenta falar de boca cheia Yuu fica muito estranho – estava gargalhando alto e ele apenas sorrio sem graça, quando estava mais controlado do ataque de risos voltei a comer e realmente minha comida estava muito gostosa.

- Yuu, eu acho que perdi a chave quando esbarrei com um loiro no caminho pra casa hoje mais cedo – estava quase terminando quando disse isso.

- Ele era bonito assim pra você não ter percebido que perdera a chave? – ele já esta se servindo novamente.

- Ele É muito bonito, porque não morreu ainda, ou espero que não, mas não chega perto do Reita – que sorriso idiota era aquele que eu lancei? Por Kami-Sama eu tava virando uma bichinha louca mesmo.

- E sabe o nome dele? – Yuu que estava completamente desinteressado na conversa ficou interessado quase que instantaneamente.

- Eu não perguntei, mas nunca o vi por aqui no bairro, será que ele mudou recentemente? – fiquei pensativo na hora.

- Tomara que tenha ido parar no mesmo colégio que o nosso se tiver mudado.

Sorri para ele em resposta, coloquei uma ultima garfada de macarrão na boca fiquei pensando enquanto esperava ele terminar de comer para retirar as coisas da mesa, o que não demorou, ele me ajudou a tirar a mesa.

- Yuu... – disse completamente dengoso.

- Que foi pequeno? – ele disse afagando meus cabelos.

- To com sono... vamos dormir? Ou você vai ficar mexendo na sua preciosidade? – apontei para a guitarra.

- Só vou guardar e já subo, vai subindo que eu já vou – ele me deu um selinho, fazíamos sempre isso quando íamos dormir juntos.

Subi e preparei a cama para dormirmos, como estava frio peguei mais um cobertor e o coloquei na cama e realmente ele não demorou para aparecer no quarto, sorriu pra mim e foi para o banheiro tomar um banho.

Isso demorou, e muito, estava quase dormindo assistindo TV quando ele sai de toalha, apesar de tudo, eu não pude evitar olhar pro corpo dele, era um corpo bonito, e ele tirou a toalha e se trocou ali mesmo, eu o olhava na maior cara de pau, um pouco, muito, vermelho, ele terminou de colocar o pijama e se deitou ao meu lado, me puxando para um abraço carinhoso.

Beijei seus lábios, pedindo passagem para explorar sua boca e ela foi concedida, nos beijamos carinhosamente, eu o via como um irmão e eu não via motivos para não fazer isso, era uma forma de dizer que gostava demais dele, sabia que se namorasse teria que parar com isso, mas nem tudo é perfeito, por isso não queria namorar.

Me separei do beijo e coloquei a cabeça sobre seu peito aproveitando o carinho que ele fazia em minhas costas para relaxar e adormecer.

~ Aoi POV ~

Ele mais uma vez me beijou, eu sabia, ele sabia, que entre nós não aconteceria mais sentimentos nenhum, isso nos havia machucado uma vez e não queria repetir isso, ficávamos as vezes, apenas por ficar, mas nenhum sentimento mais surgiu em meu coração alem de carinho, amizade e amor fraterno, e esperava que para ele também não, isso seria possível.

Estava feliz que ele tenha se interessado pelo Reita, ele parece ser alguém muito legal e eu não gostaria de entregar o meu baixinho, meu irmão, meu amigo, e todas essas coisas que ele era para mim, para um qualquer.

Ele sempre tem um sorriso nos lábios, se alguém o fizesse desaparecer eu matava a pessoa, bateria na pessoa até o lado de dentro ir para fora e o lado de fora ir para dentro¹ sem a mínima dó do infeliz.

Claro que eu fiquei intrigado com o loiro que ele comentou que esbarrou mais cedo, eu não o conheço, como vou saber que é alguém bom para ele? Mesmo que apenas ele possa saber isso, eu me preocupava e muito com esse pequeno.

Não sei quanto tempo fiquei acariciando as costas dele e senti algumas vezes ele quase ronronar de felicidade, sei apenas que foi muito tempo, e o sono estava tomando conta de mim, até que me entreguei a ele e dormi tranqüilamente com o garoto que eu tanto queria proteger em meus braços, que até o momento era o lugar mais seguro que ele poderia ficar.

"Durma bem pequeno" foi o que pensei antes de adormecer.

oOoOoOoOoOo

¹ alguém já assistiu um filme chamado coração de cavaleiro?

Ou alguma coisa assim? Essa frase foi retirada do filme, eu sempre rio pacas quando ele fala isso, ai eu não pude deixar de colocar aqui né!