Ruki POV

- U-uruha? – perguntei sem entender nada, ele estava com uma feição triste – aconteceu alguma coisa? Quer entrar? – dei passagem para que ele entrasse.

- Ruki-Chan, eu posso dormir aqui? – perguntou corado e só então eu vi que ele estava com uma bolsa nas costas.

- claro – sorri – etto... como descobriu onde moro?

- Depois da escola, fui no mercado aqui perto, vi você e sua mãe entrando, então presumi que era aqui...

- Ah! Entendi! Entra, ta frio aqui fora, vem tomar um banho, jantar, fazer alguma coisa... – nossa, de onde eu tinha tirado tanto animo?

- Claro, vai ser divertido – apesar da frase ele não parecia nada feliz, nem divertido.

- Uruha – disse sério quando chegamos no meu quarto – aconteceu alguma coisa, você quer desabafar?

Ele olhou para baixo e ficamos assim por um tempo, eu olhando pra ele preocupado e ele olhando pro chão triste, então eu vi que lágrimas escorriam pela face do loiro.

- Gomen ne Uru-Chan, eu não queria te fazer chorar – disse da forma mais carinhosa que conseguia.

- Não foi você Ruki... hoje eu ia dormir na casa da minha namorada, ou melhor, ex-namorada, eu me mudei pra cá por causa dela, mas ai eu chego de surpresa na casa dela e eu pego ela comendo outro palmito...

- Nossa que vaca que ela é, por isso que eu não gosto de menina, é tudo oferecida... pra fazer isso com você ela não te merecia e você merece alguém bem melhor que ela Uru-chan... já sei, vamos para a casa do Yuu pra gente se distrair, o que acha?

Ele apenas acenou um sim.

- Então vai pro banho mocinho... – eu fui puxando ele até o banheiro – não é pra me gabar, mas se tem um lugar melhor pra relaxar é o meu banheiro – disse rindo.

Ao entrar no banheiro ele entendeu o que eu quis dizer com isso, deixei ele lá e fui arrumar minhas coisas pra ir dormir na casa do Aoi, avisei minha mãe e peguei um pijama quentinho, afinal estávamos no inferno e eu não queria ficar doente, peguei também o meu bichinho de pelúcia, escovas, entre outras coisas.

Não demorou muito para Uruha sair do banheiro, meia hora é muita coisa? Ele ficou mais ou menos esse tempo e eu ainda não tinha me ajeitado para dormir na casa do Yuu, depois de um tempo procurando o carregador do meu celular e maquiagem, nós finalmente saímos de casa.

No caminho Uruha parecia bem melhor que antes e eu fiz de tudo para que ele esquecesse o maldito acontecimento, até apertei a bunda dele, o que fez ele ficar muito bravo, isso me lembra nunca apertar as bundas alheias sem consentimento.

- Você avisou o Aoi-kun? – Uruha me perguntou quando toquei a campainha.

- Não, não precisa, o Yuu não tem tempo ruim... – ao disser isso pude ver um Aoi com uma calça moletom folgada e uma camiseta regata, completamente sem graça.

Aoi Pov

Eu não me importava que Ruki me visse do jeito que eu to, mas o Uruha, nossa eu fiquei realmente envergonhado, eu não tava acreditando nisso, tava com vergonha de um garoto só por que ele veio na minha casa, sem avisar, e me pegou com roupas de ficar em casa, tava sendo ridículo.

Depois da briguinha interna, sai de frente da porta permitindo a passagem deles para dentro de casa.

- Yuu! Vamos dormir aqui hoje, sem problemas neah? Eu sabia que você deixaria – ele disse parecendo uma criança.

- E eu tenho opção? – ele me olhou triste – To brincando, claro que pode bobo.

Fazia muito tempo que mais alguém alem do baixinho vinha em minha casa, e eu não sabia como agir, o que fazer, o que dizer e nem nada do gênero, e Uruha era o mais novo colega de classe, guitarrista e uma pessoa muito foda, eu adorei o fato dele passar a noite na minha casa, mas como agradá-lo?

- Etto... Uruha, você prefere dormir aonde? No quarto de hospedes, ou tentar se espremer no meu comigo e o Ruki? – perguntei meio sem jeito.

- Uru-chan vai dormir com a gente Yuu, isso é obvio – disse o mais novo por ele.

- Ru, deixa o Uruha responder – o retruquei carinhosamente, de onde era essa intimidade toda?

- Se não for incomodo, não gostaria de dormir sozinho – ele disse todo envergonhado.

- Okay, mas não garanto que caibam todos na cama – ri alto.

- A gente coloca os colchões aqui na sala, pode Yuu? – o baixinho perguntou fazendo olhos de cachorro abandonado.

- Ru... amanhã é terça-feira, não viaja, olha o trabalho que é...

- Mas Yuu-Chan, eu quero escorregar no colchão... – quem resistia aquele olhar dele...

Ruki era assim, desde sempre conseguia o que queria com aquele olhar e por insistência, eu já havia me acostumado com esse jeito, mas nunca em negar as suas vontades, e tem como olhando aqueles olhinhos brilhantes e aquele feição triste que desaparecia instantaneamente depois de conseguir o que queria?

Sem falar daquele jeito de criança que ele tem, nem parece que tem a idade que tem, tanto fisicamente quanto psicologicamente, ele fazia de propósito parecer uma criança?

- Aoi? Tudo bem? – Uruha me perguntou preocupado.

- Gomen Uru, eu tava pensando, vamos buscar os colchões – sorri e segui para o quarto, percebendo que ambos me seguiam com sorrisos no rosto.

Pegamos primeiro o do meu quarto que era de casal, e com certa dificuldade nós o levamos para a sala, subimos novamente, Ruki foi na frente completamente animado e quando chegamos no quarto ele já estava tirando o colchão da cama, como ele era eficiente, ri com o pensamento e a cena, o colchão bem maior que ele, ele quase caiu pra trás quando o pegou.

- Assim você quebra minha casa – fui ajudá-lo a pegar o colchão.

Quando chegamos na escada posicionamos o colchão que cabia direitinho pelo caminho estreito, Ruki foi primeiro, sentou e deslizou de forma suave.

- Eu quero de novo Yuu-Chan – disse tão animado quanto antes.

- Sobe, ai você vai de novo, mas é a ultima vez viu... – sorri e ele com certa dificuldade subiu pelo colchão.

Logo ele já havia feito isso umas cinco vezes, afinal ele sempre conseguia o que queria.

- Ru! Deixa eu e o Uruha descer também – disse quando ele pediu novamente para deslizar.

- AAA ta bom Yuu, não precisa ficar bravo – ele fez bico como se eu tivesse errado, eu só pude sorrir com a cena.

- Vai primeiro Uru...

- Não, eu to com medo...

- E se eu for com você? (¹apenas isso, somente isso, por que você não consegue me responder?).

Ele parou pra pensar, ficou vermelho como um pimentão, ou mais, e depois me olhou com cara do tipo "eu quero, mas to com vergonha".

- Senta aqui – disse o guiando pela mão, quando ele sentou eu o segurei pela cintura para que ele não escorregasse e me sentei ao lado dele, ainda segurando sua mão e descemos juntos, um do lado do outro por que não tinha intimidade para ir abraçando ele... mas se tivesse...

Quando terminamos de descer a escada a gente ria muito e alto, estava até prevendo um vizinho chato vir reclamar, mas não tinha problema, continuamos rindo sem parar.

- Quantos anos nós temos mesmo para ta brincando disso? – perguntei ainda rindo, porém mais controlado.

- Eu tenho dezessete – Ruki ergueu os braços buscando atenção, pior que criança quando quer ser escolhida pra alguma coisa.

- Mas idade mental tem uns seis anos, isso no máximo – eu ri com meu próprio comentário – não é mesmo Uru?

- É, mas ele é tão fofo – Uruha apertava as bochechas de Ruki.

Senti o celular vibrando no meu bolso, peguei o aparelho analisando quem estava me ligando.

- Ei Ruki, olha quem ta me ligando – mostrei o visor do celular que estava escrito "Reita".

Eu nem tive tempo de pensar e ele já havia tomado o celular da minha mão como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, ficou um tempo olhando o visor comovido, e me olhou um tanto bravo, talvez pelo fato de Reita ter ligado para mim e não para ele.

- Moshi moshi, Ruki desu – ele atendeu e eu fiquei pasmo, mas logo ele havia ficado rubro – sério? – ele berrou essa palavra – Amanhã? Claro, como não? ... sem problemas... a que nada, fica a vontade... okay... ja ne – e ele desligou o celular.

Tanto eu quanto Uruha estávamos boiando completamente, apenas vendo o baixinho comemorar na nossa frente.

- RUKI – berrei o nome dele para receber alguma atenção, o que funcionou – o que foi que vocês falaram?

Ele se acalmou, respirou fundo e sorriu que nem uma adolescente apaixonada.

- O Reita queria falar exatamente comigo...

- Percebi, mas por quê?

- Você me deixa continuar Aoi? – ele disse meio bravo.

- Claro Ru-Chan – disse o mais meigo possível, odiaria que ele me atacasse...

- Ele disse que a loja tava precisando de mais um vendedor, e perguntou se eu não queria trabalhar lá... – e ele voltou a comemorar...

- Nee Yuu, quem é Reita? – Uruha perguntou ainda boiando.

- É o menino pelo qual o Ruki tem uma paixonite aguda, que como ele não ta tratando dela pode se tornar algo sério.

- E você não se importa? – eu o olhei confuso – porque vocês parecem tão próximos...

- Sim, sim, somos muito próximos, mas como irmão entende?

- Claro que entendo, mas é que as vezes acaba tendo um pouco de ciúmes.

- Você achou que nós fossemos um casal? – perguntei tentando esconder o tom triste, o que, infelizmente não deu certo.

- Só no começo, mas se andar com vocês dá pra perceber que não são, apesar da proximidade de vocês.

- Ainda bem, eu odeio essas pessoas que falam o que vê, se nem mesmo pararem para reparar e saber o que realmente acontece – eu sorri – ainda bem que você não é assim.

- Mas Yuu, a gente realmente parece um casal... você não pode negar isso.

Um silencio incomodo pairou no local, deixando todos completamente sem graça, mas por pura obra do destino a campainha tocou.

- É festa agora? – sorri antes de ir atender.

Era Kai acompanhado de Reita.

- Aoi – Kai me abraçou com força pulando em cima de mim, prendendo as pernas em minha cintura, o que me deixou envergonhado.

- Nossa, que ataque foi esse Kai, o que vocês estão fazendo aqui? – disse ao ser solto por Kai.

- Aoi-Chan, aquele alto tatuado da loja tava atrás de mim... ele tava me seguindo – disse choroso.

- E você trouxe ele para minha casa? – disse incrédulo com a informação.

- Eu acho que despistei ele – disse meio sem graça – e também o Rei-Chan disse que o Ruki-Chan falou não tinha problema.

- E não tem mesmo, foi só uma surpresa... bom já que é assim, eu vou pedir pizza pra gente jantar.

- Eu quero pizza doce – berrou o baixinho.

- Eu gosto de qualquer pizza – disse Uruha tão empolgado quanto Ruki.

- Será que pode pedir uma de frango com catupiri? – Kai perguntou.

- Aoi, melhor pedir duas pizzas, não se preocupa que eu Kai ajudamos a pagar – Reita era o único com dó de mim ali naquela sala.

Achei mais fácil fazer o pedido no silencio do meu quarto, quando eu finalmente achei o telefone que Uruha havia sentado em cima, o que foi muito sugestivo, eu subi para o quarto.

Uruha POV

Aoi subiu com o telefone na mão e eu estava vermelho como nunca, o mais legal é que eu estava boiando ali no meio, um intruso, um peixinho no meio de tubarões, na verdade eu era um peixinho esperando o tubarão certo me comer, ta que pensamento ridículo esse meu.

- AAAA! Eu esqueci de apresentar vocês – Ruki berrou – Uru, esses são Reita e Kai – dizendo isso apontou cada garoto respectivamente, mas eu já tinha uma noção de quem era quem ali – minna, esse daqui é o Uruha, um amigo da nossa sala.

Vi Yuu descendo com uma calça jeans e uma camiseta qualquer, pena que não era a regata colada que ele tava usando antes, tava para reparar no corpo bonito que ele tinha, nossa, que corpo era aquele, por Kami-Sama, trocaria todas as namoradas que eu já tive por ele...

Uru! Cuidado com o voluminho! Se ele aparecer eu não vou te salvar! Eu nem vou poder fazer nada se isso acontecer, você terá que brochar sozinho se você ficar feliz com a cabecinha de baixo. Que merdas de pensamentos eram esses?

- Pedi frango com caturpiri e a moda da casa – Yuu informou.

- Mas e a pizza doce? – Ruki estava com voz chorosa do meu lado.

- E pizza de morango, to brincando Ru... eu pedi de brigadeiro – ele corrigiu rápido ao ver a cara brava do mais novo.

- É bom mesmo, sabe que eu não gosto de morango... – disse cruzando os braços emburrado, eu pude reparar como o da faixa repara no pequeno, parecia capturar cada detalhe.

- O que vamos fazer nesse meio tempo? – perguntei prevendo tédio.

- Vamos jogar alguma coisa – pronunciou-se o mais baixo – podemos jogar banco imobiliário?

- Ta bom, vou massacrar todos vocês – Aoi se sentou no colchão e Ruki havia ido pegar o jogo.

Todos nós nos sentamos em roda e não demorou para Ruki aparecer com o jogo em mãos, depois de uns vinte minutos de jogo a situação era seguinte, Aoi realmente estava massacrando todo mundo, seguido por Reita, Kai, Ruki e eu, sim eu tava perdendo... depois de cair duas vezes no hotel do Aoi era obvio que ele ganharia e eu perderia.

Não demorou muito para a campainha tocar.

- Yuu, quanto que ficou a pizza? – perguntou Reita tirando a carteira do bolso.

- Ficou R$ 49,00...

- Quanto que fica se dividir por cinco? – perguntou Kai.

- Hmmm – ele pegou o celular e fez a conta – R$ 9,80 para cada um, mas não precisam se preocupar com isso, eu pago...

- De jeito nenhum, ficou muito caro... – Reita já contava as moedinhas.

- Faz assim, eu pago hoje, e da próxima vez outra pessoa paga, ou alguma coisa assim... – ele finalmente abriu a porta pro pobre entregador.

- Aqui está o seu pedido... – ele disse entregando a pizza e Aoi lhe entregou o dinheiro.

- Desculpe a demora para abrir a porta, o troco pode ficar como caixinha... – ele sorriu de forma meiga.

O entregador foi embora e nós fomos jantar, as pizzas estavam muito gostosas, comemos muito, rimos muito, falamos muitas merdas e estávamos parecendo bêbados de tanto que riamos, mas também falamos sério algumas vezes, como no momento que falamos em banda, Kai tocava bateria, Aoi guitarra, Reita baixo e eu outra guitarra, só faltava um vocal, Aoi insistia que Ruki cantava muito bem no chuveiro e esse apenas não falou nada ate pegar um pedaço da pizza doce que tanto queria.

Já era tarde quando Kai tomou uma pose mais séria.

- Melhor irmos Aoi-Chan, não é Rei-Chan... desculpe ficar até tão tarde – ele se levantou.

Reita ia fazer o mesmo, porem Aoi segurou seu braço.

- Lá fora ta nevando – e nesse momento todos olharam para a janela e realmente estava nevando, ao olhar novamente para ele eu vi ele dando um sorriso MA-RA-VI-LHO-SO, eu queria receber um sorriso desses, e como eu queria.

- Alem do mais – Ruki se levantou – eu não quero perder de novo pro Aoi, vamos continuar o jogo? – como ele estava empolgado.

Kai ficou pensativo, mas ao ver o olhar que o carinha da faixa lançou para ele simplesmente sorriu e concordou.

- Ele não vai ganhar Ruki, eu que vou, guarde as minhas palavras – disse Reita se levantando e indo para a sala acompanhado de Ruki.

Depois de mais um tempo de jogo o resultado final foi meio estranho, em primeiro lugar Uruha, seguido por Reita ia logo atrás, não conseguiu cumprir a sua palavra no final, Ruki ficou em terceiro, Aoi e Kai.

- Ainda bem que quem cuida da parte financeira da loja é Reita, isso mostra que nós não vamos a falência – riu Kai e todos nós rimos do comentário.

- Você perdeu Aoi – provocou Ruki.

- Eu não perdi Ruki – disse com falsa chateação.

- Mas também não ganhou... – disse rindo e provocando mais ao mostrar a língua.

- Baka – disse Aoi por fim.

- Uruha que ganhou – o baixinho pulou em mim e eu nem tive tempo de pensar em nada, percebi intenções assassinas e tive certeza que era do loiro sem nariz...

Reita POV

Eu que deveria ter ganhado, aquela festa seria para mim, e não para aquele coxudo, se bem que, se eles são da mesma sala tem mais intimidade, talvez, mesmo que eu tivesse ganhado eu não teria ganhado festa... que injusto, ele ganha mó festa enquanto eu ganharia um parabéns no máximo.

- Ta com ciúmes Rei-Chan – Kai tinha ido pro meu lado furtivamente e quase me matou do coração.

- Nada, nem ninguém – como ele conhecia tão bem?

- Ta, pára Ruki! – Aoi só faltou berrar.

Eu vi uma cena muito estranha, Aoi nos colchões com Ruki meio que por cima dele fazendo cócegas em todos os lugares que conseguia alcançar, até ai normal, mas eu me imaginei no lugar de Aoi, provavelmente o abraçaria para impedir de movimentar seus braços e me aproveitaria da situação roubando um beijo que seria prontamente correspondido e... ta bom, vamos acordar Reita!

Ele pode ser só um rosto bonito, ou não, mas você ainda não o conhece o suficiente para saber e julgá-lo não seria o certo, tudo bem que estou atraído pela beleza dele, e por ser só isso não quero tentar nada, não quero machucá-lo, nunca desejei machucar ninguém, pelo menos não psicológica e emocionalmente...

Eu não gosto dele, eu só sinto um desejo por aquela boca que parece me chamar, e por aquele corpo pequeno, será que se encaixaria bem contra o meu? REITA PÁRA COM ESSES PENSAMENTOS SEU PERVERTIDO!

- Reita... Reita! REITA! – Aoi berrava para mim e só então eu percebi que ele falava comigo.

- Vamos tirar dois ou um pra ver quem vai dormir no sofá – informou Aoi.

- Ah! Claro – fizemos uma roda – Por que Ruki não vai tirar? – perguntei, sim eu sou curioso.

- Por que ele é fresco, ele não quer dormir no sofá de jeito nenhum – respondeu Aoi.

Jogamos, empatou, jogamos novamente e Kai saiu, então dormiríamos no colchão, eu, Ruki, Uruha e Aoi, nossa que suruba que isso ia dar.

- Eu não vou dormir na ponta... eu não gosto – Ruki reclamava enquanto Aoi rolava o pequeno pra ponta do colchão.

- Como você é fresco Ru-Chan – Aoi retrucou voltando o pequeno pro meio.

- Fresco sim, mas você me ama – ele piscou de forma sexy para Aoi.

- Nossa que cena mais estranha – Uruha se pronunciou – vamos lá em cima nos trocar Ruki?

Ei!Eu também quero uma piscada sexy e me trocar com ele, que vida injusta, to ficando bravo com essa injustiça! Ei KAMI-SAMA! Eu vou te processar por essas injustiças com a minha pessoa!

Os três foram para o andar superior.

- Você ta balançado pelo baixinho...

- Claro que não Kai, de onde você tirou esse absurdo?

- Do seu olhar Reita, eu conheço você melhor que você mesmo, não podemos negar isso.

- Talvez sim, mas não agora, agora você errou feio, eu não to balançado por causa dele.

- Você acha que eu não sei, mas Rei, desde nossos cinco anos, desde que nos conhecemos por gente eu cuido de você, então não tente me enganar, sei que você ta desejando esse menino...

- Aho! – odiava quando ele falava essas coisas assim, como se eu fosse tão transparente, talvez eu seja, mas não é legal que ele me mostre isso...

Ficamos em silêncio por algum tempo e logo eles já desciam as escadas fazendo barulho.

- Uruha você quer dormir aonde? Na ponta ou no meio? – ouvi Yuu perguntar e logo apareceu na sala.

- Quero no meio do lado do Ruki – disse empolgado se deitando ao lado do baixinho que já estava deitado.

- E você Reita? Qual ponta prefere? – ainda bem que eu tive a opção de querer ponta ou não...

- Eu quero do lado do sofá – que também é do lado do Ruki...

Eu não podia deixar o coxudo do lado do meu Ruki e não ficar do outro lado para protegê-lo, afinal ele tava meio saidinho pro meu gosto, mas o que eu faria se caso eles começassem a se pegar no meio da noite? Ruki não me deve nada, é isso é verdade, não me deve nada, não tem diferença, mas vou dormir do lado do Kai.

Aoi apenas concordou e esperou que eu me deitasse, e apagou as luzes se deitando em seguida.

- Oyasumi nasai minna – disse kai se ajeitando no sofá.

- Oyasumi Ruki – disse somente para ele.

- Oyasumi Reita – ele se aproximou e me deu um beijo na bochecha, agradeci por estar de faixa e estar escuro...

- Oyasumi Ruki, Reita – Aoi disse e Ruki também se esticou para beijar-lhe a bochecha, seguindo para a bochecha de Uruha, se levantou e deu um beijo em Kai também.

Por que eu achei que eu seria o único a ganhar um beijo de boa noite? Estava me sentindo idiota por esperar isso de alguém tão carinhoso quanto ele... senti Kai colocar a mão em meus cabelos, acariciando-os e relaxei sob esse carinho típico de todas as noites e assim adormeci.

Kai POV

Reita era quase como meu filho, nossa quem vê pensa que sou muito mais velho que ele... mas nós dois sobrevivemos a um acidente de carro quando crianças, eu praticamente adotei Reita, afinal nossas famílias eram muito amigas e como ele é mais novo que eu, acabei ficando super protetor.

Nossos avós nos ajudaram até os dezesseis anos, mas mesmo assim o tratava como filho, mas quando minha avó faleceu nos expulsaram de casa, eu por ser homosexual e Reita pela aparência que possuía, cabelos descolorados, faixa, maquiagem exagerada, ele pra ajudar passava em casa, eu passava só quando saia e tirava antes de chegar, minha avó era a única que nos protegia e sem elas ficamos desamparados.

Mesmo que pareça que nós sofremos muito quando éramos crianças, não era nem um pouco verdade, nós fomos muito felizes, pelo menos eu era e fazia de tudo para que Reita também...

Reita estava dormindo tranqüilamente, pelo menos parecia, então eu parei de fazer o carinho habitual nele e me preocupei com minha noite de sono, era sempre assim, pensar sempre nele primeiro, até chegar alguém que faça isso no meu lugar e eu rezava que essa pessoa fosse menor que eu, ruivo e que estivesse dormindo nessa casa no atual momento.

Só ao prestar atenção em mim percebi como estava cansado, acordei cedo, trabalhei sem pausa, ta forcei nessa, mas estava cansado, o dia havia sido agitado, agora eu merecia dormir.

oOoOoOoOo

De manhã eu havia sido o primeiro a acordar, então fui preparar o café da manhã tradicional japonês, confesso que era um ótimo cozinheiro, mas Rei-Chan não gosta da minha comida, ele diz que é muito doce pro paladar dele, mas ele sempre come tudo que eu preparo...

Falando no Rei-chan, essa situação ta começando a me preocupar... ele gosta, mas não quer assumir, morreu de ciúmes do Uruha na maior cara de pau, será que isso vai dar algum problema entre os dois... nem quero imaginar...

Enfim, hoje, provavelmente não vai ter aula, afinal a neve está alta lá fora, mas vai ter trabalho com certeza, afinal, o tal Miyavi, o moreno alto, bonito, tatuado e furado disse que ia passar na loja hoje para me fazer uma proposta, se for de namoro só aceito se prometer de pé juntinho deixar de ser galinha, mas até parece que é uma proposta dessas...

Já havia terminado de preparar o café da manhã e vejo todos dormindo tranqüilamente, mas até eu que estava mais disperso me assusto com algum celular que começou a tocar escandalosamente.

Esse seria mais um longo dia.