N.A.: Quem vos fala aqui é Bruna Yamashina e meu exercito imaginário de ajudantes(!). Essa fic estava para nascer desde o ano passado, mas só depois de muitas leituras e meditação consegui deixá-la a altura de vocês, meus queridos leitores!

Espero que vocês possam "viajar" tanto quanto eu nesse universo de Card Captor Sakura que eu criei.

O que vocês devem saber de pronto é que Sakura e Shaoran, como no anime, eram Card Captors, depois como o próprio anime deu a entender, eles ficaram juntos. De resto, vocês descobrirão durante a leitura.

Sem mais delongas, apresento-lhes as revisoras: Natsumi e Kisa Yamashina.

Agora é com vocês, manas:

N.R.: Caracaaa…que estranho para mim é escrever as N.+alguma coisa(A, R, tanto faz) aqui em cima... Tudo bem que já faço isso nas fics da Kisa...mas é estranho..o.o

A revisora que vos fala agora é a Natsumi, que voltou pela décima vez para o , e postou o novo capítulo de sua fic... então, leitores da Natsumi, estão avisados o/

Eu lembro muuuuuuuuito bem desse projeto, que a Brubru me enviou há hm...tipo, séculos?! E agora finalmente vai ser postadooo
Weeeee \o\

Adorei revisar a fic, e espero que vocês gostem de lê-la... Ki-chaaaaaaaaan, minha querida, é com você o/ (passa o teclado para a Ki-chan digitar).

N.R.R.R.R.:(?) Eu sou a N alguma coisa 2, então, hallo! Aqui Kisa, ou Ki-chan, como preferirem... Como segunda revisora, tudo que posso dizer é que esta fic está MARA! Sempre um prazer revisar pras minhas manas megas blaster talentosas! Yamashinas ruleeeeeeeeees! Leiam e se divirtam! Ki's Kiss!

P.S. da autora: Façam o aniversário da Bruna ainda melhor e, please, mandem reviews!

You are the Magic in my Life

Disclaimer: Card Captors Sakura e seus personagens não me pertencem, assim como a Pink, Clamp, Vogue e Ana Wintour. Os demais nomes citados são frutos da minha imaginação. Vale lembrar que toda e qualquer semelhança e analogia com a vida real é mera coincidência.

Capítulo 1: Apresentações

Ainda me lembro da nossa última conversa. Ele me olhou nos olhos, profundamente, e disse com sua voz mais doce: "Você sabe que sempre estará nas minhas melhores lembranças."

Fiquei ali parada, esperando que ele, com seu sorriso bobo, tocasse meu nariz, como sempre fazia e continuasse: " Sakura bobinha!" Mas não. Dessa vez as despedidas eram reais.

Não sei por quanto tempo fiquei encarando a porta depois que ele saiu. As lágrimas, que não conseguia impedir de rolar por meu rosto, molharam minhas mãos e não cessaram por dias.

Me consolei pensando que poderia conviver com sua lembrança, ou morrer de amor.

Rolei, literalmente, para fora da cama. O sol que entrava timidamente pela janela, ultrapassando a fina cortina, me dava ânimo para começar o dia! Enquanto me vestia, observei a cama desarrumada, depois desses cinco anos, ainda podia ver a figura de Shaoran dormindo lá. Suspirei, balançando a cabeça, na vã tentativa de espantá-lo de minha mente. Procurei me concentrar em tomar um café-da-manhã decente, já que hoje, segunda-feira, não tinha a mínima previsão de que horas almoçaria. Panquecas de chocolate foram minha primeira e única opção.

Joguei minha bolsa no banco do passageiro do meu Corolla preto, e sintonizei meu mp3 no rádio, deixando que a contagiante voz da Pink tomasse conta do ambiente, decepcionei-me ao chegar no volume máximo. Cantarolei enquanto as conhecidas e fervilhadas ruas de Tokyo passavam por meus olhos, antes de sair do carro, estacionado na minha vaga convencional, arrumei meus cabelos cor de mel num discreto coque, pouco acima da nuca.

Caminhei para o martírio... Elevador! Odiava elevadores. Detestava as situações em que milhões de pessoas insistiam em dividir um minúsculo espaço. Se eu não estivesse de salto alto, iria de escada, mas era melhor não arriscar, só de pensar em subir oito lances de escada, com esses sapatos, arrepiava a espinha. Encarar o elevador e as constrangedoras situações que se davam lá. Para meu espanto, logo seguido de uma imensa e sincera alegria, o elevador estava vazio. Vazio! Sorri involuntariamente e não resisti em dar uma leve rebolada ao entrar. Era a primeira vez que eu entrava sozinha no elevador da empresa, mal continha minha felicidade, mas lembrei-me das câmeras de segurança e que, provavelmente, algum gorducho latino, intitulado Segurança, estava me observando. Recompus-me. Nada de exageros, repreendi-me mentalmente, eu geralmente tendia a exagerar! Ainda lembro da Tomoyo, mandando eu me controlar, quando começava a falar alto demais ou dançar em situações inapropriadas. Ri alto com as lembranças. E ri ainda mais imaginando que o pobre Segurança devia estar questionando minha sanidade mental, por rir sozinha no elevador.

Cheguei ao meu destino! Oitavo andar: redação da Clamp. A revista mais bem conceituada dos dias atuais. Onde eu, eu que sempre detestei escrever redações, trabalhava. Comecei lá graças a Nakuru, que em tempos difíceis me arrumou uma vaga de assistente. Certa vez, Joanne Jade, que na época eu não sabia que era a Dona da revista, estava aos prantos no banheiro e eu, num de meus instintos maternais, tentei reconfortá-la, o efeito foi tão positivo que eu fui "convidada" ( na verdade, intimada) a auxiliar na redação da Coluna de Conselhos. No ano seguinte, eu assumi a Coluna. Ganhei uma sala e duas estagiárias, e também a simpatia de Joanne, que tentou, incansavelmente, me levar à matriz da Clamp, em Nova York, mas eu e Shaoran tínhamos acabado de pagar todas as prestações de nosso apartamento e mudar de país estava fora dos planos de meu ex- noivo.

Entre as quatro brancas paredes de meu escritório, com a porta de vidro fechada e minhas estagiárias já instruídas de seus deveres matinais, comecei a digitar, no notebook, o esboço do primeiro conselho. O e-mail tinha sido enviado de Osaka, uma adolescente desabafava sobre a pressão que sofria dos pais para cursar Medicina, ela sofria um dilema, fazer o que os pais lhe impunham, ou cursar pedagogia, como sempre sonhara. Deixei minha fértil imaginação viajar até essa garota, a cena, nítida na minha cabeça, da garota, com seus óculos redondos e os longos cabelos caindo sobre os ombros, curvada sobre os livros de Biologia, pensando em como preferiria ensinar a praticar essa matéria. Abri os olhos, tendo minha atenção desviada para a figura de Nakuru, na minha porta de vidro, acenando. Levantei indo ao encontro dela no corredor, a minha amiga de infância ainda me trazia a mesma paz de espírito, sempre que ficava na sua presença.

Ela me sorriu entusiasmadamente, e eu recuei, pensando em que situação embaraçosa eu estaria metida. Tentei manter minha voz firme. - Nakuru, qual o motivo de tanta alegria? - O brilho de seu olhar só confirmou minhas suspeitas: evento social! Eu não media esforços para me livrar desses eventos, durante meu namoro e noivado com Shaoran fui sobrecarregada de festas, eventos, coquetéis... Ele é uma figura pública, como herdeiro do Clã Li, os chineses realmente se importavam com a imagem, e eu como acompanhante de Shaoran fui muito exposta, então evitava ser a representante pública da Clamp Japonesa.

Algo me dizia internamente, que desta vez, eu não ia me safar.

Por trás de seus óculos, os olhos caramelo de Nakuru lampejavam quando ela começou a falar.

- Vai haver uma coletiva de imprensa nesse fim-de-semana. Adivinha em quem Joanne pensou em mandar? - Eu sabia que era uma pergunta retórica, mas mesmo assim, usei minha cara de interrogação. - Você! Sakura, você vai dar uma entrevista para os meios de comunicação, falando de como a Clamp cresceu e dominou o mercado. - Bufei. Será que só na minha cabeça o sucesso repentino era algo fácil de aceitar. Tudo bem, nós éramos comparados a Vogue, mas Anna Winter nunca foi muito de falar com a imprensa, por que, afinal, Joanne tinha essa fixação?

- Eu? Sozinha...? Quero dizer, por que eu e não a Blezily? Ela adoraria ir... - Kimora Blezily, a redatora-geral, era nossa chefe. Apesar de eu nunca entender, ela mantinha sua certa antipatia por mim. E eu, apenas correspondia aos seus sentimentos. Kimora sempre fora tão... Chamativa. Parecia uma árvore de natal, com tantos desnecessários acessórios, sem comentar de sua peculiar palheta de cores: verde, amarelo, laranja e prata. Peculiar...

- Joanne quer você! - Minha amiga fez questão de enfatizar o "você", anulando assim, todas as minhas esperanças de tentar persuadi-la a inventar uma gripe para mim e mandar Kimora ao tal evento.

- Então está bem. - Não me esforcei para parecer feliz. Apenas concordei.

- Ótimo, Julian vai te esperar no closet para ver um vestido apropriado, ok? - Vestido apropriado? Julian, o nosso fiel amigo gay, o fabuloso estilista da Clamp. Ninguém era tão competente como ele, Julian era conhecido por seu trabalho não ser extravagante e sim, realista. Suas criações eram para mulheres reais usarem, não apenas modelos na passarela. Se alguém podia me deixar apresentável para esse evento era indiscutivelmente Julian, e eu ia me entregar de olhos vendados.

- Estarei lá em alguns minutos. - Foi o tempo de trancar minha sala, bipar minhas estagiárias e subir alguns andares, em mais um passeio no elevador.

Ainda me impressionava como tudo cheira tão bem, brilhava tanto e fascinava tanto... O estúdio de Julian, sua segunda casa, refletia fielmente sua personalidade e sua perspectiva do mundo. Uma das paredes, atrás de sua prancha de desenho, exibia enormes molduras, com diversas fotografias. Fotos das roupas, o rosto das modelos nunca era revelado. O corredor, ou closet, tinha diversos cabides e era organizado primeiro por situação, depois por cor e por último por tamanho, os tamanhos raramente ultrapassavam de 38. Que era o meu.

Julian, espetacular e radiante como de costume, me recebeu com um caloroso abraço. Tínhamos nos tornado muito íntimos quando eu entrara na empresa, com dezessete anos, assustada e realmente necessitada daquele emprego. Naquele ano meu pai juntara-se a minha mãe, zelando por nós, como anjos. E meu irmão, Touya, tinha entrado na Universidade de Oxford, e eu nem cogitei a idéia de fazê-lo voltar ao Japão. Já namorava com Shaoran naquela época, então ele propôs que saíssemos de Tomoeda e comprássemos - em prestações - um apartamento em Tokyo. Fiquei receosa a princípio, mas Tomoyo estava na Inglaterra e não me restara mais ninguém na cidade, por fim, aceitei oficializar minha situação com Shaoran depois que mudássemos, ele ainda não podia mexer no dinheiro da família, por não ter vinte e um anos, mas trabalhávamos e estudávamos, conseguimos estabilizar nossa situação. Touya foi contra, mas acabou aceitando que era o jeito mais viável de contornar as dificuldades.

Sempre que o encontrava batia uma nostalgia, lembrava-se claramente dos primeiros meses, quando eu era apenas uma sombra. Ele olhava-me com orgulho agora, nenhum de nós dois realmente esperava que eu chegasse, um dia, a ser uma figura importante na Clamp. Eu planejava construir meu futuro em Administração, com Shaoran. Enfim, o destino quis que eu ficasse na Clamp, por mais bizarro que parecesse aos meus olhos juvenis. Mas agora eu tinha que me focar num futuro próximo, lembranças assim deveriam voltar para a caixa lacrada do meu subconsciente.

Depois de revirarmos inúmeras araras de vestidos, finalmente encontramos um que não me deixaria parecida com uma barbie cover, ou uma sacola amarrada com um laço. Algo simples, mas formal. O tomara-que-caia preto realçara minhas poucas, mas existentes, curvas. Só não gostei da idéia de usar salto agulha, quero dizer, isso aumentava em noventa e nove por cento as chances de eu ir de encontro com o chão. Mas discutir com Julian é uma batalha já perdida, então me limitei a aceitar. Ainda passamos, pelo menos, duas horas pensando em como dominar minhas madeixas. Sue, a assistente competente de Julian, sugeriu que fizéssemos um corte novo, algo em camadas desfiadas, talvez com uma franja, mas o tempo era escasso e eu precisaria de algum tempo até me acostumar com o corte e testar penteados possíveis, então resumimos em duas opções: escova e chapinha ou cachos presos em um meio-rabo. Optamos pela segunda.

Agora faltava apenas uma bolsa e jóias. Sim, jóias! Afinal, eu estaria representando a Clamp, mas não nego que andar com dois mil dólares em meu pescoço não parecia assustador.

Conseguimos acabar antes da hora do almoço, e eu me permiti ir almoçar em um restaurante de verdade, estava ficando saturada de fast-food. Encontrei algumas pessoas do escritório, mas preferi sentar sozinha no balcão, apenas eu, meu tempuniake e meu gohan. Na caminhada de volta, senti a comida atingindo, por fim, meu estômago.

Meu notebook e a inacabada resolução para o dilema da adolescente de Osaka me esperavam. Sentei na minha cadeira, buscando internamente inspiração. Procurei me identificar, sem sucesso. Meu pai nunca cobrara decisões definitivas a curto prazo, sempre meditávamos antes. Complicado, mas não impossível...Só faltava alguma coisa para completar meu raciocínio. Sinceramente, cogitei mudar de carta, mas me senti na obrigação de ajudá-la. Li, reli e nada! Nenhuma luz iluminou minha mente, nenhuma vaga noção de como aconselhá-la a tomar essa decisão.

Já eram seis horas, as pessoas já iam embora e eu estava na mesma. Guardei minhas coisas, arrumei minha sala e saí refletindo na inutilidade do meu dia. Estava tão absorta nesses pensamentos que a viagem de elevador nem me incomodou tanto. Dirigi de volta para casa sem música, decepcionada com minha capacidade de ajudar a adolescente, que confiara a mim seu problema.

Deixei a água quente bater nas minhas costas, e o vapor ser absorvido pelos meus poros. Debaixo da água quente costumava ter idéias boas, mas ao invés de trabalhar produtivamente, minha mente vagou para o passado. Para a época em que eu tinha onze, doze anos e era uma card captor. Ainda lembrava perfeitamente de cada uma das cartas, lembrava-me de Kero, meu rechonchudo amigo e orientador, que agora morava em Londres com Eriol e Tomoyo.

Não gostava dessas lembranças. Shaoran era muito presente nelas, e passara os últimos cinco anos tentando, inutilmente, apagá-lo das minhas recordações. Infelizmente, deixara de lado Kero, Tomoyo, Eriol e as cartas. Sabia que era errado, mas quando uma mulher está à beira da psicose por conta de uma rejeição, tudo é valido.

Larguei minha cabeça, pesarosamente, no travesseiro. Não dormi bem, pelo contrário. Pesadelos fictícios, com dramas reais me atordoaram a madrugada inteira.

Neles eu via em várias capas de revistas e jornais, a foto de Shaoran e seu nome, em letras maiúsculas, faiscavam para mim. Eu queria, mas alguma força magnética impedia-me de pegar as revistas e ler seu conteúdo. Uma voz gritava, atrás de mim, gritava o nome dele. E outra voz, aquela que eu reconheceria até se estivesse debaixo da terra, chamava por mim. Não era um grito, era uma súplica. Identifiquei a dor, quando ele pronunciava meu nome.

"Sakura!" Era só o que eu podia ouvir, enquanto o voz se afastava. Eu corria, pela tela branca, atrás da voz, atrás dele. Quando parecia que eu ia me aproximando, a voz mudava de direção, fazia confusos círculos em volta do meu vazio. Eu tropeçava, caía, levantava, continuava correndo. Tentando alcançar o mero fruto da minha imaginação, minha ilusão da figura de Shaoran.

Durante todo esse transe, eu acreditava, eu sentia que ele precisava de mim, ele me queria ao lado dele. Chorei, como não chorava desde o dia em que ele me deixou, os soluços impediam que eu o chamasse, não podia mais correr, meus joelhos cederam e fique jogada no vazio branco, atordoada com a voz dele ecoando.

Finalmente consegui abrir os olhos, voltando para a segurança do meu quarto. Minhas cortinas balançavam e pude ver sinais de claridade lá fora.

Mais cedo que o normal, e necessário, sentei na cama, apoiando os cotovelos nos joelhos, segurando a cabeça com as mãos. Encarando fixamente a tela desligada da televisão, numa batalha interna onde estava em jogo reabrir meu baú de lembranças. Meu único temor era não conseguir trancar novamente as memórias, não queria que elas transbordassem e me afundassem.

Não permitiria que um sonho bobo destruísse os muros que construí para cercar meu coração. Durante o primeiro ano após a separação, eu proibira a mim mesma de falar em voz alta, ou pensar no nome dele. Todos os presentes, todas as coisas materiais que poderiam me lembrar dele estavam seguramente lacradas em caixas de madeira, trancadas no único cômodo da casa que eu nunca mais entrara, a sala que ele usava para seus treinamentos marciais.

Quando ele foi, não levou nada. Nem as roupas, muito menos mexeu na sala dele. E lá, eu tranquei todas as coisas dele. Já tinha até me acostumado em ver a porta fechada, e nem me afetava mais.

Agora, aquele sonho me tentara a reabrir tudo o que eu, com sacrifício sobre humano, tranquei e camuflei com banalidades que surgiam.

Será que devia, será que poderia reabrir? Eu teria força o suficiente para fechar novamente?

Não, isso exigia algo que estava fora de meu alcance. Uma vez eu sobrevivi, mas para que reaquecer um coração congelado?

Tentei me distrair, prendendo-me à minha lista de afazeres diários, já que acordara mais cedo adiantaria algumas coisas, como lavar roupa e arrumar a casa. Levantei num ímpeto, correndo para um bom banho.

Continua...