Kai POV

Depois de uma tarde de ensaio e depois de deixar tudo preparado para a véspera de natal cá estou eu deitado na cama ouvindo o despertador anunciando que já são 06:00 da manhã... por que tão cedo? A ceia de natal é algo que se começa a fazer o mais cedo possível, é algo que requer muito jeito, nada pode dar errado e não há cozinheiro melhor que eu para fazer uma ceia de natal.

Convencido? Só um pouco, mas podem perguntar pra minha mãe se eu não cozinho bem, ela vai falar que eu deveria largar a carreira musical e começar uma gastronômica, mas nunca eu faria isso, gosto muito da banda e da minha bateria, sem falar que eu não veria o meu Miyavi todos os dias, só de vez enquanto, e isso era inaceitável.

Pensando no Myv daqui a pouco ele vai estar aqui (daqui a pouco aonde? Ainda faltava mais de 12 hrs X.x) então eu tenho que começar a preparar as coisas, mas antes vamos acordar Yutaka!

Levantei e tomei um banho frio como todas as manhãs, fui para a cozinha e preparei o café da manhã dos integrantes da banda, afinal eles também precisavam comer, estava indo tudo como o planejado.

Estava preparando uma torta quando os quatro integrantes apareceram na cozinha com certo receio de serem expulsos de lá.

- Podem entrar, mas não toquem em nada que não esteja na mesa – disse sorrindo.

Os amigos entraram ainda receosos e viram um simples café da manhã sobre a mesa.

- Mas só isso hoje Kai-Chan? – choramingou Ruki.

- Não – disse pegando uma travessa de varias frutas.

- CEREJA! – mal coloquei as frutas na mesa e Ruki já atacava as cerejas que via.

- São pra vocês, comprei duas caixas de cerejas e também tem morango e uvas...

- Não gosto de morango – o baixinho torceu o nariz.

Eu apenas ri voltando a fazer meus pratos para a ceia, faltava o quindão, o pernil, as frutas, o molho de hortelã, mais a salada verde e a salada de frios, estava tudo perfeitamente planejado.

Eles entravam e saiam da cozinha no decorrer do dia e eu sabia que Ruki só entrava lá para roubar algumas coisas dos meus preparativos e também comer algumas (muitas) cerejas, mas eu não estava me incomodando de forma alguma...

Logo pude ouvir Uruha cantando no chuveiro e fui ver as horas, 17:00 horas, estava começando a ficar ansioso, será que o Myv demoraria? Ou ele chegaria antes? Eu tinha que me arrumar urgentemente, imagina se o Myv chega e eu to com essa roupa de lavadeira?

- DEPOIS DO URUHA EU QUE VOU PRO BANHO! – berrei da cozinha terminando de arrumar as frutas, tudo estava pronto, tudo estava maravilhoso.

- Mas assim eu vou me atrasar – reclamou Aoi.

- Eu sou o que menos demora no banho, cinco minutos a mais ou a menos não tem realmente importância, tem?

- Tanto faz... – deu-se por vencido.

Agora era só esperar Uruha sair para colocar aquela roupa que estava separada na minha cama desde a hora que acordei, qual roupa? Uma camisa social vermelha, uma calça jeans justa, um sapato e pra completar um chapeuzinho de papai Noel, fora as duas correntes de pratas e as correntes na calça, ficaria legal? Bom pelo que vesti ontem pelo menos feio não ficaria.

Demorou um tempo para que Uruha saísse do banho, logo eu entrei e dessa vez tomei um banho quentinho, afinal, a idéia era relaxar, confesso que fiquei um pouco a mais do que pretendia, saí do Box enrolado na toalha, quando ouço a campainha tocar.

- É o Miyavi-San – vi o rosto de Ruki aparecer com um sorriso sapeca e eu corri pro quarto com todo meu desespero.

- Funcionou Ru-Chan? – ouvi Reita perguntar para o baixinho.

- Perfeitamente, ele saiu em disparada pro quarto, agora nós podemos terminar de nos arrumarmos...

Então era um plano para me tirar do banheiro? Eu ia deixá-los sem comer por três dias inteiro, sem dó nem piedades desses idiotas.

Estava emburrado enquanto me trocava, fiz uma maquiagem com dons avermelhados, mas como eu fiquei parecendo uma puta eu decidi fazer uma maquiagem forte em preto, estava lindo, arrumei o cabelo de forma que ficassem naturais.

Sai do quarto e quem eu encontro na sala? Ele mesmo! Sim leitora quem você esta imaginando, o Myv!

- O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI? – ta eu não me segurei.

- UÉ! VOCÊ QUE ME CHAMOU – sim ele foi mais escandaloso que eu.

- Eu te avisei Kai-Chan – disse um Ruki emburrado.

- Mas não tinha sido um truque para mim sair do banheiro mais rápido? – choraminguei.

- Aproveitamos a situação – disse Reita calmamente.

- E O MYV FICOU ESSE TEMPO TODO ME ESPERANDO?

- Calma Kai-Chan, eu que vim antes, tava ansioso, ai decidi aparecer... – disse sem graça.

Eu estava mais sem graça ainda e com cara de bobo tentando processar as informações, ele tava ansioso para ME ver? Isso era um sonho ou o quê?

- Kai, nós já estamos indo – disse Uruha me despertando e mandando um sorriso safado para mim que corei.

- Hai, feliz natal pra vocês – fui até eles e me despedi de todos junto com Myv.

Estávamos sozinhos e eu não sabia o que falar, o que fazer, talvez nem o que pensar, eu estava corado, sentia minhas bochechas arderem e ele estava na minha frente me olhando preocupado diante o meu silencio súbito e longo, ele devia estar se sentir mal com a situação, primeiro berro para ele depois fico dessa forma, o que eu faço? KAMI-SAMA ME SALVA, SE VOCÊ GOSTA DE MIM UM POUCO ME AJUDA!

Plliiiiiimmmm!

Sim, ele gosta de mim, era o alarme do forno, olhei para Myv e sorri, fui pra cozinha fazendo sinal que me acompanhasse.

- Só faltava isso ficar pronto – disse sorrindo.

- Kai-Chan, gomen aparecer antes...

- Que é isso Myv-Kun só fiquei chateado que você ficou sozinho na sala e também por que achei que eles queria me apressar...

Ele sorriu pra mim, um dos sorrisos mais lindos que ele já deu e o melhor de tudo era que apenas eu estava apreciando, era apenas meu, como nos meus sonhos, ele era só meu naquela noite, não importava mais nada, tanto que eu quase deixei a forma cair no chão, morrendo de vergonha.

- Tem que tomar mais cuidado Kai-Chan...

- To meio distraído hoje...

- Eu causo esse efeito nas pessoas– disse convencido passando a mão pelos cabelos retirando-os da frente do rosto.

Apenas ri com a cena concordando mentalmente e terminei de por a mesa.

- Myv-Kun, prefere esperar até a meia noite para comer, ou prefere comer agora e depois ficamos matando o tempo até a meia noite?

Ele pareceu pensar, mas antes que pudesse dizer algo nossos estômagos falaram primeiro, ambos resmungando em alto e em bom som por comida, trocamos sorrisos sem graças e nos sentamos à mesa, depois dos agradecimentos e das orações nós jantamos, tinha tanta coisa que até se os outros gazeboys estivessem aqui sobraria.

Por fim peguei o quindão, e o coloquei na mesa, seus olhos brilharam.

- Você que fez Kai-Chan? – perguntou animado e eu apenas acenei um sim – adoro o seu quindão.

Nos servimos e logo ele já havia pego outro pedaço, depois de nos empanturrarmos de doce nós finalmente levantamos da mesa e fomos para a sala, ligamos a televisão e como sempre nada de interessante, começamos a conversar sobre coisas diversas e completamente aleatórias, até que eu tive a brilhante idéia de abrir um sakê.

Tomamos do liquido enquanto conversávamos e riamos ainda mais animados, estava empolgado para dar meia noite e sempre olhava no relógio, quando já havia ido quase a garrafa inteira por nossas gargantas e eu olhei pela décima vez no relógio ele falou algo.

- Kai-Chan, quer tanto assim que dê logo meia noite? – disse choroso.

- Quero, mas só pra entregar o seu presente Myv-Kun, quero que fique ate depois da meia noite, na verdade, eu quero que você durma aqui – corei, corei de mais com minhas palavras, onde já se viu falar isso – é perigoso ir embora a esse horário, ainda mais depois de tomarmos tanta bebida... – disse apresado.

- Se você não se importar eu gostaria de ficar sim – ele disse passando a mão pela minha bochecha me fazendo corar ainda mais.

O que aconteceu a seguir foi uma surpresa muito grande, ele se aproximou rápido demais, nossos rostos estavam próximos e eu sentia sua respiração bater em meu rosto e eu olhava para seus lábios que estavam sendo molhados pela língua nesse exato momento, fechei os olhos e tive vontade de empurrá-lo para bem longe quando senti uma leve mordida na minha bochecha.

- Myv o que você ta fazendo? – perguntei sentindo corar mais, nem sei se era possível, mas tava me sentindo um idiota.

- Kai-Chan você é tão mordível, que eu não resisti – dizendo isso ele beijou meus lábios, foi um rápido selo, mas havia sido um beijo.

Sorri como um idiota e olhei para minha coxa, estava feliz e morrendo de vergonha, ele tinha feito isso tão do nada que eu nem sabia o que falar.

- Gomen, não gostou?

- Não é isso, foi inesperado – por mais que eu quisesse isso, foi realmente inesperado.

Ele tocou meu ombro me fazendo olhá-lo e então apontou para o relógio na parede e na mesma hora meu semblante se iluminou com um sorriso, fui ate a cozinha e peguei o bolo que havia feito coloquei na mesa e ele veio ate mim.

- Feliz natal Myv-Kun – o abracei enlaçando seu pescoço, pude sentir aquele cheiro que sempre me desnorteava, aquele cheiro que eu era viciado, o cheiro dele, sem falar em sentir a maciez de sua pele que eu tanto amava, como eu o amo.

Após me desfazer do abraço ele abriu o embrulho e eu não tive coragem de encará-lo enquanto lia a simples frase que coloquei sobre a cobertura, qual é? "Aishiteru Myv-Kun", como disse, muito simples, porem muito significativa para mim, estava olhando para o outro lado quando senti ser envolvido por um abraço forte.

- Kai-Chan, eu também de amo.

Ele selou nossos lábios e pediu passagem com a língua, que foi concedida prontamente, nos beijamos de forma lenta e calma, mas ainda assim com todo o sentimento que eu tinha para lhe oferecer.

Por toda minha vida achava que mesmo com as namoradas e namorados que tive não conseguir achar um que eu realmente tivesse amado, mesmo que eu tivesse sofrido, pensava que estava fadado a morrer sem conhecer o verdadeiro amor, mas a um ano atrás o destino me mostrou ao contrario, por nunca em minha vida tinha sentido tanta emoção em um beijo.

Eu realmente amava Myv e agora eu tinha certeza que era correspondido, não precisava de mais nada em troca, apenas continuar ao lado dele por toda a eternidade.

Nos separamos do beijo, ele continuou me abraçando e sua testa estava colada com a minha.

- Ainda não te dei o seu presente – disse beijando a ponta do meu nariz.

- Não? Só de você estar aqui comigo já é o melhor presente que eu posso sonhar em ter.

- Mas ainda vai ganhar mais uma coisa – soltou o abraço e foi para a sala pegar o presente, olhei para o bolo, tinha marca de dedo na cobertura, ele realmente era uma criança.

Ele voltou com um pequeno embrulho nas mãos, me entregou enquanto pegava pratos e colheres pra gente, eu abri e vi um anel, uma aliança! O que isso significava?

- Myv, isso é... – eu estava emocionado, mal conseguia pensar.

- Eu queria me declarar e te pedir em namoro em uma dada especial, mas você foi mais rápido na declaração – ele disse corado, sim corado, raridade... MINHA raridade – talvez seja meio precipitado, mas é que não é de hoje que eu gosto de você...

- Calma Myv, eu amei, eu adoraria namorar com você – pulei em seu pescoço enlaçando-o e beijando sua bochecha.

Ouvimos a porta se abrir e ele corou ainda mais, mas mesmo assim sorrindo.

Os gazeboys apareceram na cozinha, Uruha estava carregando uma garrafa de sakê vazia, Aoi, Ruki e Reita estava relativamente sóbrios, me lançaram olhares pervetidos.

- Atrapalhamos alguma coisa? – perguntou Reita.

- Não, nada, chegaram na melhor parte – disse Myv pegando mais pratos.

- BOLO! – Ruki veio até a mesa com os olhos brilhantes.

Comemos bolo, bebemos mais algumas coisas e eu dormi abraçado com meu namorado a noite toda, mas não, ainda não tinha rolado lemon, quem sabe qualquer dia desses eu conte como foi a nossa primeira vez, isso depois que ela acontecer claro...