Nesta primeira postagem contém a Introdução e abaixo o Capítulo 1 (Parte1)

S&S

Fanfiction dedicado para minha amiga e revisora Miss of Drakness.

Olá! É excessão, não estou escrevendo somente por diversão, desta vez é por obrigação, sim, mas uma obrigação muito boa, ótima na verdade. Dediquei esta especial história para uma pessoa muito querida na minha vida, acho que se não fosse por ela hoje eu não estaria aqui para contar isso a vocês. Ela foi minha fortaleza, minha coragem, se ela não me incentivasse, não acreditasse no meu pontecial, não proporcionaria para vocês leitores as minhas idéias que valorizo tanto. Desde que resolvi aparecer no Orkut na comunidade de CCS eu me deparei com essa 'coisa rara' que é a Lê, sério, nunca vi menina tão centrada e sábia como ela! Valeu, mona, por me emprestar um pouco da sua sabedoria!

Dei tudo de mim nesta Fiction, espero que ela aceite isto como: MUITO OBRIGADA! Por ser minha revisora, minha amiga, minha irmã de coração, de alma. Uma amizade que irá perdurar para todo o sempre, se depender de mim.

A seguir os ilustres leitores lerão uma introdução bem básica do enrendo proveniente juntamente com a música-tema da história: Começo, Meio e Fim; a fic, já aviso de antemão, terá exatamente 3 (longos) Capítulos. Vamos lá?


INTRODUÇÃO

(...)

As ruas estavam desertas. Assim como no seu íntimo. Sua cidade refletia o vazio de sua alma no momento que ele fora embora... Isso. Sumiu. Culpa? Sim. Era toda sua. Tudo por sua maldita insistência de que seu futuro não tinha perspectivas se saísse daquele lugar ao qual pertencia desde que nascera. Tola! Teimosa! Merecia passar por isso, e a vida não fora nada generosa quando pagou o preço... O preço alto de não amar sinceramente aquele que a amou... Enquanto teve a oportunidade.

(...)

Fechou os olhos fortemente, desfazendo o terno abraço e pegando uma certa distância para observá-lo melhor. Olhou intensamente para o lindo rapaz a sua frente. Qualquer uma cairia a seus pés em questão de segundos. Era invejada por todas as garotas da cidade, quiçá da China. Tinha tanta sorte. Syaoran possuía, além da beleza, um enorme e bondoso coração, fora outras qualidades e defeitos que o tornavam humano, claro. Perfeito, esta palavra o definia. Sorriu quase imperceptivelmente enquanto o olhava. Compreensivo... Isso ele era, muito. Tinha provas mais que suficientes para afirmar isso. Mas será que era o bastante a ponto de compreendê-la que naquele momento ela não podia... Não podia. Abaixou os olhos tristes enquanto o líquido quente caia livremente sob sua delicada face. Levantou os olhos o encarando. Aproximou-se mais dele, ficando encostados. Ergueu os braços e colocou suas mãos, uma de cada lado, no rosto másculo, belo. Ele fechou os olhos sofregamente. Observou-o aguardar ansioso colocando as mãos carinhosas nas suas. O que dissera em seguida seria seu eterno arrependimento. O início de um futuro angustiante.

(...)

Começo, Meio e Fim - Roupa Nova

A vida tem sons

Que pra gente ouvir

Precisa entender

Que um amor de verdade

É feito canção,

Qualquer coisa assim,

Que tem seu começo,

Seu meio e seu fim...

A vida tem sons

Que pra gente ouvir

Precisa aprender

A começar de novo.

É como tocar

O mesmo violão

E nele compor

Uma nova canção:

Que fale de amor

Que faça chorar

Que toque mais forte

Esse meu coração...

Ah! Coração!

Se apronta pra recomeçar.

Ah! Coração!

Esquece esse medo

De amar, de novo.

A vida tem sons

Que pra gente ouvir

Precisa entender

Que um amor de verdade

É feito canção,

Qualquer coisa assim,

Que tem seu começo,

Seu meio e seu fim.

A vida tem sons

Que pra gente ouvir

Precisa aprender

A começar de novo.

É como tocar

O mesmo violão

E nele compor

Uma nova canção:

Que fale de amor

Que faça chorar

Que toque mais forte

Esse meu coração...

Ah! Coração!

Se apronta pra recomeçar.

Ah! Coração!

Esquece esse medo

De amar de novo...

Ah... Coração!

Se apronta pra recomeçar.

Ah... Coração!

Esquece esse medo

De amar de novo...


Disclaimer: Não possuo nenhum direito autoral desse anime, consequentemente desses maravilhosos e cativantes personagens. Somente escrevo para homenageá-los e aos fãs. Sou apenas uma fã maluca e inconsequente. Ok.?


"Na vida há quatro coisas que não voltam: A palavra anunciada, a água corrida, a seta atirada e... a oportunidade perdida."

Será?

S

O Começo

S

Ajude-me A Te Amar

(Com Magia)

de Tammy Souza para Miss of Darkness.


Trilha-sonora – Primeiro capítulo (Parte 1)

Nickelback – Far Away

Jota Quest - Vem Andar Comigo

(Escutem-nas! Vídeos disponíveis no meu Profile! Aproveitem.)

(IMPORTANTE, leia!)

Recomendações p/ a leitura deste capítulo:

# (Jogo da velha) – Indica o Tempo em que o personagem está vivenciando.

Aspa – 'Fala do personagem.'

Aspas e Itálico – "Pensamento do personagem."

Itálico Palavras (ou falas) de duplo sentido e de maior destaque da autora (ou do personagem).

Desejo que tenha uma ótima Leitura!


Capítulo 1 (Parte 1)

O Começo: Sombra na Alma

S

S

.

Tomoeda, Japão.

#Presente

Miserável!

Completamente.

Quão triste era esta afirmação. Mas a realidade mostrava-se assim há muito tempo... Sentia-se em um beco sem saída. Nem a luz no fim do túnel ela via mais. Esperança? O que significava essa palavra, mesmo? Ah sim, aquela última que morre... Não é isso que todos dizem? O vocabulário dela de agora em diante não existia mais qualquer tipo de palavra com este sinônimo. Só revelava amargura, sofrimento, arrependimento e desamor. Queria simplesmente voltar, usar a carta Tempo e apagar tudo o que fizera, falara... Atitudes impensadas, sentimentos confusos. Um turbilhão de pensamentos rondava sua cabeça; lembranças dos últimos seis anos lhe passavam como uma novela dramática, mas o diferencial era que no final não existiam cenas felizes.

As ruas estavam desertas. Assim como no seu íntimo. Sua cidade refletia o vazio de sua alma no momento que ele fora embora... Isso. Sumiu. Culpa? Sim. Era toda sua. Tudo por sua maldita insistência de que seu futuro não tinha perspectivas se saísse daquele lugar ao qual pertencia desde que nascera. Tola! Teimosa! Merecia passar por isso, e a vida não fora nada generosa quando pagou o preço... O preço alto de não amar sinceramente aquele que a amou... enquanto ela teve a oportunidade.

Vamos por partes.

Tudo começou a dar errado quando Syaoran dissera que precisava ir à China. Sua mãe ligara dizendo que seu regresso deveria ser imediato, mas isso seria provisório, por pouco tempo; duas semanas era o necessário para resolver o impasse. Ela ficou triste, o que é normal quando a pessoa que gosta se parte, mesmo sabendo que a mesma iria voltar. Quinze dias intermináveis.

Voltara estranho... A cena ainda estava bem viva em sua mente. Os olhos amendoados pousavam-lhe temerosos, com um certo receio, o olhar penetrante tinha a seriedade de quando era aquele menino introvertido, quieto. Seu mundo perfeito e cor-de-rosa desabou quando ele lhe disse aquelas memoráveis palavras:

#Passado

'Sakura... E-eu vou ter que viajar novamente. '– a cabeça sempre voltada para baixo. Falava pausadamente com um leve tremor na voz.

'Como assim, Syaoran? Acabou de voltar e... ' – paralisou quando este ergueu a cabeça, o olhar completamente... vazio. Estranhou. Ele sempre teve o olhar repleto de sentimentos fortes, via isso quando o chocolate encontrava com o seu oceano esverdeado.

'Minha família quer que eu volte por definitivo. Tenho obrigações com meu clã e... querem minha presença lá para tomar posse da liderança que antes pertencera a meu pai. Têm que me prepararem para a entrega da posse... Já lhe falei sobre isso.' – o timbre grosso de sua voz afinava consideravelmente, o semblante carregado, mãos tremendo... Definitivamente aquilo não combinava com ele.

'Sei...' – levou seu olhar para seus pés. Não sabia qual frase iria dizer, muito menos a atitude que tomaria. Segundos depois do que parecera uma eternidade para ambos, disse com o timbre oscilando: 'Syaoran, sinto que vamos ter que nos separar, também sente?' O que é isso? Estava entregando os pontos, assim, facilmente? Arrependera-se amargamente quando seu namorado comprimiu os olhos indiciando lágrimas futuras.

'Isso depende de você Sakura. Não tenho como permanecer mais em Tomoeda! Retornarei para Hong Kong por motivo de força maior! Tente entender! Não seja imatura!' – a voz alterou gradativamente.

'Não estou sendo imatura!' – disse firmemente. 'Ponha-se no meu lugar. Como você acha que irei ficar quando você partir sabe-se lá por quanto tempo! Hein?' – sua voz macia estava carregada com uma seriedade que não lhe combinava nada, no entanto a situação exigia tal atitude.

'Se é assim, coloca-se você no meu lugar também!' – soltou nervoso, a voz alterada. 'Como você acha que estou? Tentei de tudo! Desafiei toda a minha família! Por você! Por você!' – enfatizou apontando-a. 'Aliás,...' – riu de lado – 'tudo que eu faço é por você! Por você! Estou cansado!' – gritou exasperado. Sakura assustou-se, mas ele pareceu pouco se importar. 'Você não acha, Sakura, que agora, finalmente tenho que pensar em mim!' – apontou-se de modo furioso. 'Em mim... Que droga!' – praguejou alto. Andou um pouco, logo parando e a encarando. 'Protelei demais isto e...' – suspirou, tenso. 'É minha responsabilidade! Vou completar dezoito anos daqui a um mês! Há muito tempo prometi que assumiria o lugar que era de meu falecido pai...' – disse passando a mão na cabeleira castanha, como buscando a razão. 'Prometi a eles e a mim mesmo! Sempre cumpri minhas promessas, e não vai ser desta vez, por você novamente, que irei passar por cima da minha palavra, da minha família, da minha obrigação!' – terminou convicto, olhando-a lacrimejar.

Sakura literalmente se estremeceu pelo considerável e violento tom de voz que ele usara. Não estava acostumada com pessoas gritando na sua cara verdades tão submergidas. Graças a esta maldita viagem para China tudo que eles escondiam por debaixo dos panos, veio à tona. Abaixou a cabeça, refletindo. Sim, ele estava certo. E o pior que ela não entrava nesse esquema todo de posse e liderança e coisa e tal... É isso.

'Venha comigo! Arrumo tudo o que for necessário. E o clã terá que aceitá-la! Se você quiser–'

'Não! Chega Syaoran!' – interrompeu-o. Viu-o arregalar os olhos. Falara um não tão afirmativo, certamente isso deve ter doído nele. 'Eu compreendo sua posição. Mas pelo amor de Deus você chega assim, de repente,... já quer me levar para longe da minha família... amigos! Eu sei...!' – ele ia interrompê-la. 'Que não tem tempo, mas não posso ir. Não! Não posso!' – gesticulou com a cabeça o não que seria futuramente seu maior erro; ou pelo menos um dos maiores.

Ele virou o rosto para o lado se segurando para não chorar em sua frente. Sempre orgulhoso. Seu forte guerreiro tentava inutilmente evitar as lágrimas comprimidas. Aquela expressão de sofrimento doeu tanto que sentira uma estranha falta de ar. O peito arfava inquietantemente. Que emoção! O que disse e fez em seguida, amenizou a tensão da discussão.

'Desculpe-me! Estou com medo.'– abraçou-o carinhosamente, sentiu o calor do corpo dele lhe acalmando. Percebeu que era recíproco.

'Venha comigo, minha Flor. Não saberei viver sem você ao meu lado.'– sussurrou em seu ouvido. Apertou o laço dos braços na cintura amada. 'Por favor! Por mim!' – pediu fervorosamente.

Que pedido tentador! Quanto amor ele lhe proporcionava somente naquele momento – impulsivas palavras. O forte lobo abdicava de seu enorme orgulho para lhe suplicar amor... Amor.

Fechou os olhos fortemente, desfazendo o terno abraço e pegando uma certa distância para observá-lo melhor. Olhou intensamente para o lindo rapaz a sua frente. Qualquer uma cairia a seus pés em questão de segundos. Era invejada por todas as garotas da cidade, quiçá da China. Tinha tanta sorte. Syaoran possuía, além da beleza, um enorme e bondoso coração, fora outras qualidades e defeitos que o tornavam humano, claro. Perfeito, esta palavra o definia, apesar de tudo. Sorriu quase imperceptivelmente enquanto o olhava. Compreensivo... Isso ele era, muito. Tinha provas mais que suficientes para afirmar isso. Mas será que era o bastante a ponto de compreendê-la que naquele momento ela não podia... Não podia. Abaixou os olhos tristes enquanto o líquido quente caia livremente sob sua delicada face. Levantou os olhos o encarando decididamente. Aproximou-se mais dele, ficando encostados. Ergueu os braços e colocou suas mãos, uma de cada lado, no rosto másculo, belo. Ele fechou os olhos sofregamente. Observou-o aguardar ansioso colocando as mãos carinhosas nas suas. O que dissera em seguida seria seu eterno arrependimento. O início de um futuro angustiante.

'Sinto muito. Não posso ir com você Syaoran. Por mais que eu queira!' Que egoísta fora. 'Tenho minha família, amigos... Meus estudos... Tudo que conquistei, foi aqui.' – desvencilhou do rosto, colocando-os numa distância que seria o começo de uma insuportavelmente maior ainda.

Lágrimas...

Sentiu um arrepio na espinha.

O arrepio percorreu seu corpo fazendo-o tremer um pouco.

Observou a primeira delas cair dos belos olhos dourados. Nunca, desde que o conhecera, presenciou isto acontecer. Em seguida outra. Ela própria não conseguiu se perdoar diante daquela horrorosa visão. Ele respirou fundo, limpando rapidamente as duas partes molhadas da face. Olhou-a com tanta dureza que sentiu seu chão desabar, caindo vertiginosamente em uma imensidão infinita.

'Não vou insistir! Se for isso que quer!' – a voz rouca era como se uma lâmina estivesse lentamente transpassando seu peito. Mas com certeza ele sentira sensação pior. 'Tem certeza? Se afirmar, Sakura, nunca mais coloco os pés nesta maldita cidade!' – sussurrou ameaçadoramente e frisou: 'Nunca mais!'

Sentia-se num dilema confuso. Nunca mais o ver. Será que seria tão doloroso assim? Seria. Mas... Gostava de Syaoran, entretanto não tinha a plena certeza que seus esforços valeriam à pena, não tinha nenhuma garantia! Como ele mesmo lhe dissera, protelara demais isso, o Clã Li nunca permitiria que seu valoroso Herdeiro continuasse morando numa cidadezinha no interior do Japão! Até que eles deixaram-no muito tempo. Lugar simples demais para quem honrosamente nasceu predestinado a comandar um Império. No entanto Syaoran se expressara errado, não só ele protelara, ela também adiara muito. Um erro, um custo alto a se pagar. Os dois.

'Vamos Sakura! O que me diz? É difícil se decidir quando está sob pressão, não?' – sorriu sarcástico. 'Agora você deve estar sentindo o que eu passei nesses anos todos, sendo pressionado! Mas como sempre te queria bem, simplesmente deixei que a "Mestra das Cartas" fosse feliz em paz! Uhnn... Pelo menos eu acho que você foi feliz!' – disse de forma ressentida.

'Não duvide disso nem por um segundo!' – exclamou imediatamente fazendo um nervoso gesto. 'Sinceramente espero, no fundo do meu coração... – fechou os olhos, emocionada, logo depois os abriu fitando intensamente a figura masculina. 'Que eu tenha o feito feliz também!' – o inevitável choro recomeçou.

'Fez sim, Sakura!' – sorriu, mas não foi um sorriso carinhoso, e sim um sorriso totalmente cínico. Ele complementou lhe dizendo: 'Penso que você fez tanto que neste instante tudo que você supostamente sentia por mim evaporou instantaneamente!' – sorriu de lado, erguendo uma sobrancelha. Sakura pensou que ele não se atreveria a tanto; enganou-se. 'Mas tudo bem! Será melhor nos separarmos! A minha família me espera! Tenho responsabilidades muito importantes. E você, Sakura...' – sorriu com malícia olhando desdenhosamente para a jovem assustada. 'que fique por aqui! Pois definitivamente, aqui é o seu maldito lugar mesmo! – gritou sem cerimônias na cara dela.

O amor. Onde este sentimento se encontrava quando o poder, o dinheiro, o prestígio de aparências se manifestava ruidosamente? Cegamente era deixado em segundo plano, talvez

O choro dela diminuiu depois destas palavras. Estranhamente diminuiu. Respirou fundo tentando se acalmar, coisa que parecia literalmente impossível diante daquele fatídico momento.

'Tic-tac! Tic-tac! Na realidade, o tempo não pára. E olha como eu sou bonzinho! Lhe darei mais uma chance: você tem certeza que não quer vir comigo? Qual é a tua reposta,... Anjo?' – ele ainda a machucava. Não percebia que ela estava aparentemente sofrendo? Que droga! Amaldiçoada arrogância! Detestava isso nele!

Sentia-se tão indecisa, completamente indefesa naquela ocasião. Quando menina se viu quase obrigada a corresponder ao sentimento dele. Com ele ao seu lado se sentia tão segura, confiante, protegida, mas... Claro que não era uma desculpa por tê-lo sempre por perto, é que... Sua alma não sabia o que decidir! Precisava de tempo! Mas isso o faria sofrer tanto... Ele não merecia seu amor incerto.

'Tenho!'

BANG!

O intenso baque da confirmação ressoou no ouvido apertando cruelmente seu âmago. O coração deu um pulo em falso que por pouco não deixou seu corpo.

'Não tenho como te acompanhar nem agora e nem depois!' – Sakura conclui com pudor.

Lembrava convictamente das últimas palavras que Li Syaoran dissera. O tom rouco, frio... A expressão dramática. Decepção estampada em seu semblante. O olhar intenso... Sua última visão do valente guerreiro. A cena na sua mente agora se passava em câmera lenta.

'Como quiser... Acabou tudo! Você...' – antes de completar o observou respirar profundamente. 'não merece o meu amor! Passe bem!' – a voz saiu raivosa,... os olhos castanhos-âmbares fechando-se dolorosamente,... o rosto querido virando lentamente... Completamente... Ele relutou antes de virar totalmente de costas, porém de maneira decidida foi caminhando para longe... Mais longe... distante.

Ficou parada.

Inerte.

Congelada...

observando seu herói andar apressadamente – tomar o alcance do qual não se poderia mais vê-lo – nunca mais. Para sempre. Com ele, iam embora lembranças diversas, inesquecíveis, experiências vividas veementemente... Dos seus lábios um soluço repreendido, forte, saiu alto.

'AHHHHHH...!' – extravasou tendo as duas mãos no coração. Em seguida a boca é a que era tampada. 'Perdoe-me!' – disse com a voz abafada.

Depois da partida dele o brilho de seu olhar nunca mais se demonstrou. O sorriso doce, sincero, espontâneo que naturalmente possuía, sequer passou perto dos seus lábios. Tentou! Muito! Tentou esquecê-lo e em vão! Como simplesmente esquecê-lo se cada pedacinho do seu ser o lembrava? Ela queria esta resposta, no entanto somente vinha perguntas e mais perguntas sem resolução definitiva. Se ela o deixou ir por que diabos sofria tanto? Por quê? Masoquismo não fazia parte de sua religião, sem dúvida. Constatou por fim que tinha cometido o ato fatal de dispensá-lo entregando-o de bandeja para o clã. O clã que a odiava.

Soube meses depois através da Internet que o herdeiro e agora oficial Líder do clã Li estava à procura de uma noiva. O arcaico clã tratava-o como um objeto de leilão, quem pagasse mais, levava-o! Revoltou-se. Logo vieram propostas, milhares! Claro, as oferecidas estavam loucas para fisgar o herdeiro chinês. Soube também que os Li já tinham se decidido. Outra influente família havia sido escolhida juntando assim duas poderosas linhagens chinesas. Tradição tola! Tudo errado! Tudo fora de órbita. Sua prima querida sempre dissera que ela iria encontrar a sua merecida felicidade. Merecia? Não merecia. Só se seu coração fosse arrancado de dentro dela, aí quem sabe!

Passaram-se dois anos. Anos cruéis.

Touya, apesar de nunca aprovar seu namoro com Li, assistiu inconsolável, sua irmã morrer aos poucos. Seu pai a aconselhara dizendo que ela tinha de se dar uma chance de ser feliz ao lado do amado guerreiro. Estava prestes a largar tudo e todos quando viera a terrível notícia: Syaoran tinha noivado, oficialmente; completara vinte anos. Era tarde demais. Especulações afirmaram a plena e suposta felicidade dos noivos. A indiscreta festa que os Li e os Wing deram era equiparável ao festejo de um reino – o que não deixava de ser verdade. Se, decidiram isso, não seria ela que atrapalharia o sucesso do intento deles.

Chorara de arrependimento como nunca. Seu mundo desabou novamente, agora caia direto num poço escuro, frio e profundo. Pelo jeito, pretendia ficar lá por um bom e incalculável tempo. Tudo isso era um pesadelo sem fim, a realidade nua e crua.

Evitava a todo custo saber de qualquer tipo de notícia que envolvia a família Li.

Passado quase três meses deste marcante fato, se formara em História. Orgulho do pai, do irmão, da prima, enfim, dos queridos amigos. Namoro sequer passava pela sua mente, até porque tinha obscurecido seu coração para qualquer tipo de relacionamento amoroso. Punia-se.

Fora numa festa, o noivado de Touya com a espevitada Nakuru, ainda lhe restava uma vaga esperança: a chance remota de ser feliz ou ao menos deixar a vida levá-la, quem sabe Deus a perdoaria. Viu sua ex-professora e amiga Misuki; Tomoyo: melhor prima/amiga e eterna companheira para o que der e vier; Eriol: o mago que a ajudou na sua empreitada com a magia que surgiu tão repentinamente em sua vida, amigo e namorado da melhor amiga, observava-os fazerem planos de matrimônio; o pai feliz e solitário, porém ele sempre amaria sua mãe. Mãe que nunca esteve presente terrenamente, mas sempre espiritualmente a guiando, protegendo-a, até de si mesma. Os amigos alegres... Amigos de verdade, não era só um sujeito simples. Seu irmão e cunhada esbanjava felicidade por entre os poros. E ela mesma, viu-se solitária, não se encaixava ali, porém...

Dentre essas pessoas tinha uma, que, no passado, amou. Amou fraternalmente. Percebia ele lhe lançar indiretas quase todo o tempo, mas ignorava-o. Yukito fora vendo ao passar dos anos a pequena e inexperiente garotinha transformar-se numa bela e madura mulher. Com certeza ela o atraia, tanto fisicamente como essencialmente. Tinha muito em comum com o melhor amigo do irmão. Resolveu atender ao pedido de Touya. Aliás, a família e amigos incentivavam-na. Então deu o braço a torcer, aceitou o pedido de namoro. Todos festejaram para a vergonha de ambos. A festa seguiu mais alegre, aparentemente. Será que estava usando-o para esquecer Syaoran? Que ironia, ele próprio a consolou depois da desilusão que sofreu, agora namoraria Yukito para tentar consolar-se do fora que deu nele. Se não fosse trágico, seria por demais cômico.

O relacionamento seguia muito bem, diga-se de passagem. Ele era gentil, romântico e atencioso, mas nunca seria um terço do que Syaoran era. Óbvio, Yukito não era ele.

Quanta falta sentia do seu pequeno lobo! Dos seus beijos longos, apaixonados, intensos... O toque carinhoso e quente de suas mãos a ludibriava totalmente. Arrepiava-se inteira somente de imaginá-lo a tocando! Até seu gostoso cheiro almiscarado chegava a sentir; estava enlouquecendo de saudades. E o olhar penetrante então? Meu Deus! Belos olhos amendoados, determinados, doces, os mais lindos de todo o universo – apostaria isso e com certeza levaria o prêmio.

E a tal noiva de encomenda? Sentia as mesmas sensações que ela diante do feiticeiro?

Os momentos em que sentia a falta da pele dele na sua curiosamente se questionava se a tal noivinha sentia semelhantes efeitos, dos quais ela certamente já experimentara. Coisa de mulher, de fato. A dúvida-mor era se a moça que seria oficialmente de Syaoran sentia a mesma coisa que ela quando olhava-o, tocava-o, beijava-o... Não sabia, mas se ela não sentisse a mesma coisa, nem perto chegaria então. A comparação aí estava fora de cogitação. O banho se tornara bem mais interessante quando pensava sobre isso. Suas mãos ganhavam vida própria e tocava seu corpo molhado, tentando 'imaginar' teu amado o acariciando; a lembrança vinha e se deliciava toda. Amaram-se antes dele partir. Parece que adivinharam o que estava por vir... O seu consolo nestas horas de solidão era pensar que pelo menos ele a fizera mulher, sua. Sofrer se tornara para ela uma angústia tão costumeira que nem ligava mais se a machucava ou não.

#Presente

Andando nas alamedas de Tomoeda, Sakura lembrava tudo que vivera após a partida de Syaoran. Caminhava sentindo a cabeça latejar por causa da força dos acontecimentos passados. Baixou as pálpebras, escondendo nelas as tristes esferas verdes na tentativa de ver se conseguia resgatar uma lembrança boa dos dois. Li fazia tanta falta. Com isso se viu em um passado em que sonhar pra ela era tão fácil. Um lapso de sua memória a fez sorrir. As cenas passavam nitidamente bem a frente de seus olhos. Umas das lembranças mais doces de toda a sua vida:

#Passado

Aquele dia tudo parecia estar mais colorido, mais alegre, mais bonito e não era só aparentemente, tudo estava maravilhoso, se fosse possível que melhorasse, com certeza estragaria. O motivo? O único e querido motivo: Syaoran! Li voltaria para seus braços em dois dias e isso significava que mataria as saudades de 3 meses separados. Fora uma eternidade e um castigo passar um pouco mais de 90 dias sem vê-lo, sem tocá-lo, sem beijá-lo e comprovar com os seus próprios olhos o lindo sorriso que a derretia inteira. Seu namorado recebera um convite dizendo para ele que seria um privilégio se Li estudasse numa conceituada escola dos EUA, era só ele comprar as passagens e pronto, estaria ingressando para uma das melhores escolas de administração da América e do mundo. O intercâmbio teria a carga diária de 93 dias. Ele não ia aceitar e ia responder à carta alegando que não poderia aceitar o convite por motivos pessoais, mas Sakura o aconselhou a não perder esta oportunidade, talvez única que ele teria na vida. E decidiu ir por pura insistência da namorada, que o fez jurar que telefonaria, mandaria e-mails todos os dias; essa era a exigência da feiticeira e assim ele estaria liberado para viajar. Syaoran achou graça da liberdade que Sakura estava lhe dando, como se ela fosse dona dele! Ela respondeu que ela era! E foi deixando uma parte dele na pequena cidade de Tomoeda, com a sua dona, dona do seu coração.

'O café da manhã está servido, monstrenga!' – uma voz masculina anunciou debochada. Ouviu os passos e sorriu de lado. Logo apareceu sua bela e graciosa irmã.

'Sinto muito, amado irmãozinho, você não vai estragar este maravilhoso e perfeito dia que certamente vou ter!' – a menina falou literalmente pulando de alegria. 'Sua monstrenga hoje está com um ótimo humor, então... desinfeta!' – dispensou-o de modo desleixado.

'Que pena! Se hoje para você será um dia maravilhoso,...' – viu-a sentada na mesa acenando e bebericando o suco natural que o moreno havia feito. 'para mim será uma porcaria! Me dá esse suco!' – tomou desleixadamente o copo da mão da irmã.

'Hei! Seu grosseiro! Este suco é meu!' – gritou nervosa esquecendo-se do seu perfeito dia

'Foi você quem fez? Não! Então ele é meu!' – Touya bebeu o suco praticamente em três goles. Tomou a jarra que a irmã ia pegar nas mãos e rapidamente a virou inteira na pia da cozinha despejando todo o suco fora.

'Arghh! Não acredito Touya Kinomoto! Que fez isso!' – esbravejou.

'Se quiser suco, faça o seu!' – o moreno gargalhou e bateu a mão no topo da cabeça da garota furiosa que chegava a soltar fumaça pelos poros.

'Você acredita numa coisa dessas, Tomoyo? Ele consegue de uma maneira ou de outra estragar o meu dia! É um baka! Isso que ele é!' – Sakura reclamava para a melhor amiga as traquinagens do irmão.

'Aí, Sakura, ele faz estas coisas pra te chatear como sempre! Velhos hábitos nunca mudam.' – a morena disse enquanto almoçavam no intervalo das aulas. 'O Touya deve saber que Syaoran chega de viagem depois de amanhã. É isso.' – riu da careta que a prima fez.

'Não tem como ele saber, só contei para meu pai e para você, Tomoyo. Meu pai deve ter contado a ele. Ultimamente meu pai não está se controlando e conta tudo para ele!'

'Seu irmão sabe ser persuasivo quando quer, Sakura.' – sorriu.

'Eu bem sei!... Aiiiii!' – soltou de repente um grito entusiasmado. 'Finalmente acabou este curso e Syaoran poderá voltar para meus braços!' – os olhos verdes cintilavam de tanta felicidade.

'Que romântico!' – apareceram nos olhos violetas duas estrelas brilhantes. 'Eu poderei filmá-los com minha câmera nova! Syaoran me prometeu que a traria dos EUA exclusivamente pra mim!' – a morena batia palmas de tanta emoção.

'É, você tem razão, Tomoyo: velhos hábitos nunca vão mudar.' – sorriu com uma gota na cabeça. Deu uma mordida generosa em seu lanche.

Sakura tinha recebido a mensagem do retorno de Syaoran através do seu e-mail. Nos últimos três meses o contato era diário como o prometido, pelo menos as mensagens, mas sempre quando podia ele telefonava contando sobre o curso, e como era a vida ocidental. Porém se Sakura não o perguntasse mais coisas, ele só falaria um "Estou bem, não se preocupe." e só. Sorriu abertamente com o jeito do namorado. Finalmente depois de meses de separação, os dois se reencontrariam.

Li, Sakura e Tomoyo estavam no segundo colegial, estudavam na antiga escola de Touya. O verão estava chegando com força total em Tomoeda, fazendo os dois clubes na cidade lotarem no fim de semana.

'Oi, Kinomoto. Recebeu mais recados do Li? Quando ele volta dos EUA?' – uma garota de cabelos curtos aproximou-se das duas e perguntou com um sorriso simpático.

'Sim, Yume, recebi sim. A volta dele está prevista para daqui dois dias.' – respondeu sem graça, olhou mais a frente, um grupo de meninas, reconheceu-as como sendo integrantes do fã clube do namorado. Ergueu uma sobrancelha.

'É mesmo? Que bom! Estamos morrendo de saudades do Li! Darei a ótima notícia para as meninas! Tchau - tchau! E obrigada!' – saiu correndo em direção ao grupo feminino. Foi recebida com expectativa e logo após gritinhos eufóricos e agudos podiam ser escutados.

Tomoyo prensou as mãos nos ouvidos, incomodada com a gritaria, riu do semblante bravo da ruiva. Ia dizer alguma coisa, porém não teve tempo, foi interrompida por outra garota.

'Kinomoto, é verdade que o Li chega na sexta?'

Sakura rodou os olhos, era a SÉTIMA vez que responderia àquela pergunta! O chinês era um sucesso entre o público feminino.

'Sim.' – foi monossilábica, cansada de falar.

A menina agradeceu e saiu saltitando até o prédio da escola.

'Syaoran me paga!' – ameaçou com os punhos cerrados.

'Quem manda ter um namorado gostoso!' – Tomoyo disse divertidamente.

'Cala a boca!' – pegou uma bala e jogou na morena que se desviou a tempo do doce.

'Só estou repetindo o que todas dizem.' – riu do ciúmes da prima. Não era só Sakura que sofria, Syaoran também não suportava os assédios dos garotos em cima da feiticeira, mas não passava disso. Fala sério, quem se meteria com a namorada de um cara que é faixa preta? Nenhum! Só se quisessem cometer suicídio! E antes da viagem Tomoyo assegurou à Li que ficaria de olho e não deixaria nenhum carinha que fosse se aproximar da sua Sakura. Nesta confusão toda quem perdia era ela; os assédios das meninas eram bem mais freqüentes, e a feiticeira às vezes mandavam-nas procurar Syaoran na esquina! E não é que algumas iam? Gargalhou olhando a ruiva praticamente beber a latinha de refrigerante inteira de uma única vez.

A colegial respirou fundo antes de falar: 'Não vou negar isso! Só confirma o quanto tenho bom gosto!' – sorriu maliciosa. Tomoyo sorriu e acenou positivamente.

Sexta-feira havia chegado para a felicidade geral da nação! Bem, menos para Touya, que foi obrigado pelo pai a levar a irmã de carro para o aeroporto internacional de Tókio buscar Li. Tomoyo não foi porque tinha um importante ensaio do coral bem naquele dia.

'Que pena papai não poder vir!' – Sakura comentou enquanto admirava a paisagem

'Eu quem digo, monstrenga!' – Touya disse carrancudo. 'O moleque é muito folgado! Vou fazer ele pagar a gasolina, que não está nada barata!'

'Não ouse dizer isso a ele, Kinomoto Touya!' – repreendeu-o. 'Papai ficará sabendo depois desse absurdo! Não me mata de vergonha! Deixa que eu pago, você fica com a minha mesada deste mês, pronto! Satisfeito?'

'Não! Não faça isso! Deixa-o pagar, Sakura! Sabia que você namora com o herdeiro de um Império? Não fará diferença alguma...'

'Já disse, Touya, Syaoran não arcará com despesa nenhuma e ponto final! Dirija, estamos atrasados!' – virou o rosto voltando a admirar a viagem com um sereno sorriso.

O moreno bufou e calou-se. O restante da viagem foi silenciosa.

Os vôos chegavam o tempo todo. Um por um, a garota fazia questão de conferir se era dos Estados Unidos, a atendente estava ficando um pouco impaciente com a insistência da ruiva.

'Por que não aguarda este vôo, sentada, senhorita? A maioria dos vôos que têm escalas, atrasa.' – a bonita moça de uniforme disse com uma gentileza mascarada.

A colegial respirou fundo e cruzou os braços.

'Ouviu a moça, Sakura. Vamos nos sentar.' – o irmão disse puxando-a pela mão até as poucas cadeiras vazias do movimentado aeroporto.

Os dois irmãos aguardavam o desembarque, na frente deles um telão ia anunciando as chegadas e as saídas de todos os vôos. Sakura já estava frustrada com a demora do pequeno lobo. O irmão ao lado, suspirava de ansiedade, também gostaria de ver o moleque logo, pois só assim a irmã sossegaria e os belos olhos voltariam a brilhar como duas preciosas esmeraldas que eram. O telão marcou na sessão de desembarque, um vôo dos EUA. Sakura pulou da cadeira. Finalmente! Correu se esquivando das pessoas até chegar à área de espera onde um vidro separava a pista. Podia-se ver um avião chegando à pista de pouso. Colou a testa no vidro sorrindo e quase chorando de tanta emoção. Touya continuava sentado com os braços cruzados, tentando demonstrar indiferença.

This time, This place

(Esta vez, este lugar)

Misused, Mistakes

(Maltratado, Erros)

Too long, Too late

(Tempo demais, tão tarde)

Who was I to make you wait?

(Quem era eu para te fazer esperar?)

Just one chance

(Apenas uma chance)

Just one breath

(Apenas uma respiração)

Just in case there's just one left

(Caso reste apenas um)

Cause you know

(Porque você sabe)

you know, you know

(Você sabe, você sabe)

'Estou sentindo! É a presença dele! Está perto...' – com os olhos fechados sussurrava pra si mesma, quando abriu-os a imagem de um alto rapaz de cabelos castanhos rebeldes e olhos cor de mel surgiu a sua frente portando uma mochila nas costas e duas enormes malas nas mãos. Li sorriu assim que avistou a namorada, fazendo a ruiva desatar a correr na direção dele.

Syaoran caminhou um pouco, nesse meio tempo largando a mochila e as malas no chão. Os olhos castanhos não desviavam sequer por segundo da adorável figura feminina que vinha para ele. Abriu os braços para receber Sakura com todo o seu amor. A feiticeira se jogou, abraçando-o fortemente. Foi obrigado a rodopiá-la em volta de si evitando assim não cair pra trás devido à força do impacto. Sakura ria enquanto Li a rodopiava enlaçando sua cintura possessivamente.

'Que saudades, meu amor!' – disse baixinho no ouvido do namorado.

O rapaz sorriu antes de dizer: 'Essa fala é minha.' – disse suavemente, a feiticeira sorriu de pura felicidade com os olhos marejados. Apoiou confortavelmente sua cabeça no ombro masculino.

That I love you

(Que eu te amo)

That I have loved you all along

(Eu te amei o tempo todo)

And I miss you

(E eu sinto sua falta)

Been far away for far too long

(Estive longe por muito tempo)

I keep dreaming you'll be with me

(Eu fico sonhando que você estará comigo)

and you'll never go

(E você nunca irá)

Stop breathing if

(Pararei de respirar se)

I don't see you anymore

(Eu não a ver mais)

Separaram-se, mas não se desgrudaram. Olharam-se profundamente.

'Você cortou o cabelo.' – disse passando as mãos nos cabelos rebeldes.

'Sim.' – Li confirmou sorrindo levemente. 'Você... gostou?' – indagou curioso, pegou as mãos delicadas entre as suas e beijou-as carinhosamente.

'Gostei! Os ares dos Estados Unidos lhe fizeram muito bem! Eu não disse? A razão desta vez estava comigo, senhor "a razão está sempre do meu lado"!' – falou debochada.

O feiticeiro sorriu contente com a observação. Sakura olhou fascinada diante do simples gesto que a enfeitiçava. Que saudades desse sorriso. Que lindo sorriso.

'O que foi?'

'Nada.' – corou, baixou os olhos fitando seus pés.

'Lhe conheço Sakura, não desvie seu olhar do meu.' – Syaoran pediu tocando-a no queixo e trazendo os olhos verdes de volta pra si. 'Eu sei o que está querendo...' – a voz grossa saiu rouca de desejo.

'Sabe?' – o tom saiu tremido, os olhos estavam hipnotizados, o rapaz confirmou aproximando o rosto do seu lentamente. Apertou o laço na cintura fina. As respirações se mesclando, os narizes se tocando, olhos se fechando, e finalmente sentiram os lábios se enroscando um no outro. Sakura enlaçou os seus braços no forte pescoço do pequeno lobo colando seu corpo no de Syaoran, sentiu-o quente, ardente como sempre quando se beijavam. O corpo da adolescente se estremeceu sentindo os lábios macios tocarem os seus de modo apaixonado. Sentiu a boca no namorado pedir licença para tornar o beijo mais exigente, o pedido foi concedido com eficiência. As línguas pareciam não se suportarem e brigavam uma com a outra de modo intenso. Os rostos mexiam-se alucinadamente procurando sem sucesso uma melhor posição. Sakura fez carinho na nuca do rapaz enquanto descia uma de suas mãos acariciando o braço musculoso. Os pulmões pediam desesperadamente por ar, mas os dois pelo jeito tinham um fôlego e tanto. Syaoran a puxou mais para perto do seu corpo buscando enlouquecido por mais contato.

Touya assistia a cena romântica, aborrecido pelo modo como os dois se beijavam. Que irmão gostaria de ver uma coisa dessas? Ainda mais quando o sujeito era um lobo e beijava a irmã parecendo um bicho esfomeado tentando matar a fome de meses! Cerrou os punhos. Respirou fundo para controlar os nervos, apesar dos pesares os dois permaneceram muito longe um do outro e mereciam estar tendo este reencontro. É, mas o prazo já acabou, tinha que se intrometer, fazer o quê se o seu lado ciumento e fraternal falava mais alto? Já estavam chamando atenção demais, pensou percebendo as pessoas olharem curiosamente para o casal assanhado. Caminhou no saguão e quando chegou perto o suficiente para ser ouvido, pigarreou alto.

O casal percebendo companhia, encerrou o beijo e viu o moreno lhes presentearem com um sorriso forçado.

'Kinomoto?' – Syaoran falou quase sem fôlego devido ao beijo. Quase morreu de susto ao ver o cunhado bem ali.

'Olha a hora!' – bateu seu dedo no relógio que tinha no punho direito. 'Sinto muito, mas não tenho tempo a perder!'

Sakura corou e olhou para o namorado assustado, sorriu constrangida. Syaoran percebendo que era observado virou o rosto na direção da amada e sorriu sem graça também. Sua boca chegou muito próxima do ouvido dela e sussurrou: 'Estive nos céus agora pouco, porém acho prudente voltarmos para o mundo real antes que seu irmão me decapite como olhos dele revelam pra mim neste exato momento.' – beijou a testa de seu anjo e se separou dela, interpondo-os em uma distância segura. Sakura esboçou um sorriso divertido e apaixonado ao mesmo tempo. Divertido porque o irmão pegou-os numa posição, digamos assim, bem comprometedora e nada inocente e agora o moreno observava o namorado com um olhar mortal. Apaixonado é devido ao jeito que o feiticeiro lhe falou, ela também ia aos céus quando o beijava e não queria sair daquele paraíso onde cada fração de segundo era perfeito.

On my knees, I'll ask

(De joelhos, eu pedirei)

Last chance for one last dance

(Última chance para uma última dança)

Cause with you, I'd withstand

(Porque com você, eu confrontaria)

All of hell to hold your hand

(Todo o inferno para segurar sua mão)

I'd give it all

(Eu daria tudo)

I'd give for us

(Eu daria por nós)

Give anything but I won't give up

(Dou qualquer coisa, mas eu não desistirei)

'Cause you know,

(Porque você sabe)

you know, you know

(você sabe, você sabe)

O primogênito da família Kinomoto e o caçula dos Li se encaravam desafiadoramente. Notando o clima, Sakura chamou a atenção do herdeiro.

'Vamos Syaoran, quero que me conte tudo! Não aceitarei resumos, quero detalhes, detalhes!' – disse alegremente, colocou-se na ponta dos pés e alcançou os lábios de Li, beijou-os rapidamente, e sorrindo docemente pegou as duas mãos do namorado puxando-o para frente.

'As minhas malas estão...'

'Touya se encarregará de pegá-las para você!' – interrompeu-o olhando para o irmão que ainda fitava Syaoran com cara de poucos amigos. 'Certo, maninho?'

'Você só poder estar...'

'Vamos Touya! Não vê que Syaoran está exausto! Passou horas viajando! Ele quer chegar imediatamente em Tomoeda!' – disse contundente. 'Não é, amorzinho?' – indagou manhosa acariciando o rosto de Li, vendo-o visivelmente esgotado.

'Sim, meu anjo,... estou muito cansado!' – disse suspirando, e olhou de lado para o moreno que cerrava os dentes de ódio. Sorriu com escárnio.

'Nós te aguardamos na saída!' – gritou Sakura de mãos dadas com o namorado, que estava numa considerada distância do irmão.

Sem ter alternativa, o irmão da feiticeira foi até o lugar onde duas malas enormes e uma mochila se encontravam jogadas no chão do saguão do aeroporto. Pegou-as com um certo esforço. Ajeitou a mochila nas costas, e puxou as malas para cima. 'Agora virei carregador de malas de moleques.' – rodou os olhos. 'O que ele carrega aqui, pedras? Moleque maldito!' – soltou raivoso cerrando os dentes e se foi carregando com dificuldade as pesadas bagagens.

'Tomoyo, não consegui encontrar a sua filmadora, sinto muito.' – Syaoran disse, triste.

'Sério, Li?' – a voz saiu magoada. Tomoyo não escondeu o semblante decepcionado; há tempos que idealizava sua sonhada câmera/filmadora importada de última geração, até pensara em ir aos Estados Unidos somente para buscá-la. Mas quando soube que Syaoran iria pra lá não pensou duas vezes, o fez jurar que ia trazê-la à ela. 'Que pena. Tem certeza que você foi na loja que te falei?' – insistiu esperançosa.

'Fui! Informaram-me que o produto estava em falta e o vendedor que me atendeu não soube dizer quando que esta filmadora irá chegar aqui no Japão. Desculpe-me.' – o rapaz explicou reparando na fisionomia deprimida da amiga.

'Tudo bem! Você não tem culpa, Li!' – balançou as mãos. Suspirou, desanimada.

'Pare com isso Syaoran! Diga a verdade logo!' – Sakura rodou os olhos, mas havia um sorriso no belo rosto. 'Tomoyo está prestes a chorar!' – não agüentou, riu da cara de choro da prima. Syaoran não se segurou e começou a rir junto com a namorada. Que tortura!

'Vocês dois podem me esclarecer o que está acontecendo aqui?' – Tomoyo exigiu de forma intransigente.

'Mas é claro que eu trouxe sua filmadora,...' – nem terminou de falar, a morena soltou um grito e se jogou sobre ele. 'não ia descansar enquanto eu não a encontrasse! Você me fez jurar de joelhos e com promessas, eu não brinco.' – disse Li abraçando a melhor amiga.

'Você é tão mau!' – apertou o abraço. A cantora se separou do amigo e lhe disse: 'Confesso que acreditei nesta mentira deslavada, me pegou pela primeira vez na vida! Meus parabéns!' – elogiou beijando-o no rosto. Syaoran gargalhou concordando, a esperta Daidouji Tomoyo fora enganada. Ele teria que receber um troféu por essa proeza!

Sakura observou os dois e sorriu abertamente. A idolatria de Tomoyo com as filmadoras era comovente. O namorado lhe disse que tinha encontrado o pedido da morena e que brincaria um pouco com a amiga; apostou com ele que a prima choraria caso dissesse que não comprou a câmera e ele negou falando que era exagero da namorada.

Estavam na casa de Sakura, e Tomoyo fez questão de levar pizza e refrigerante para festejar o retorno de Li.

'Vai pagando aí!' – estendeu a mão cutucando-o.

'O quê?' – fez-se de desentendido.

'Não enrola, Syaoran! Aposta é dívida! Eu ganhei!'

'Isso foi trapaça, Sakura! Conhece a Tomoyo muito mais tempo do que eu!' – disse fazendo bico. 'Além do mais, ela não chorou!'

'Mas quase é indício de choro, espertinho! Quando apostamos você não especificou nada! Por isso levo a vitória!' – disse nervosa com a falta de palavra do namorado.

Tomoyo não estava acreditando que fizeram uma aposta se ela choraria ou não. Esses dois eram únicos mesmo.

'Muito bem observado! Vou te pagar, tanto pela Tomoyo ter quase chorado, quanto pela sua inteligência!' – sorriu de lado.

Sakura estendeu a mão com um sorriso convencido nos lábios. '50 yens! Vai passando!' – mexeu a mão apressando-o. Li respirou fundo e pegou sua carteira no bolso na calça jeans que vestia e tirou duas notas colocando-as nas mãos da namorada, contrariado.

'Estou pasmada! Juro!' – a morena declarou olhando o casal gargalhando na cara dela.

Syaoran levantou-se e andou até uma bonita sacola de papel, e pegou com cuidado um embrulho dourado, encaminhou-se de volta ao sofá onde as duas garotas estavam sentadas e entregou-o para a morena.

'Muito obrigada! Quanto lhe devo?' – Tomoyo disse com o embrulho nas mãos.

'Deste jeito você me ofende! Receba isto como um presente!' – o tom foi contundente, sem chance para contestar. O herdeiro Li sentou-se e abraçou a feiticeira pelo ombro, trazendo-a junto a ele. A ruiva sorriu vendo Tomoyo abrir o presente que nem uma criança curiosa.

'Isto foi muito caro, Syaoran! Tem certeza?' – indagou analisando o material, com certeza o preço daquela câmera foi exorbitante.

'Não achei!' – sorriu, depois observou a namorada que o olhava de forma estranha. 'Aconteceu algo, Sakura?'

A adolescente pensou o que seria míseros 5 mil yens para um herdeiro de uma fortuna incalculável. Deu razão ao que Touya disse mais cedo, mas não se importava com isso. Syaoran nunca entrou neste assunto, talvez não querendo incomodá-la com tal assunto delicado. No colégio as pessoas falavam pelas costas que ela estava com o futuro Líder do prestigiado clã Li por puro interesse no dinheiro dele. Doía escutar isso, no entanto nunca dialogou com o namorado achando essa fofoca maldosa demais. Forçou um sorriso respondendo: 'Nada... só estava pensando em como você é generoso!' – não era a verdade, e sim uma meia verdade, realmente achava isso. Li sorriu levemente tendo um brilho no olhar, beijou os lábios doces rapidamente.

Depois de impedir Tomoyo de estrear a câmera nova e filmá-los, os feiticeiros resolveram que fariam os dois o jantar, então a morena decidiu deixar os pombinhos a sós se curtindo. Foi embora dizendo que sua mãe a esperava para jantar.

'O senhor Kinomoto e seu irmão não vão jantar?' – Syaoran estranhou vendo apenas dois pratos na mesa. O casal se encontrava na cozinha terminando de preparar a janta.

'Não. Meu pai está em Kyoto e só volta amanhã de tarde, Touya está ocupado e vai ficar na faculdade até mais tarde.' – disse pegando os hashis no armário.

'E o bola de pêlos? Não o vi até agora, ele está em seu quarto zerando mais um game pra variar?'

Sakura sorriu com a implicância de Li com o seu Guardião glutão: 'Kero está na Inglaterra. Eriol veio visitar Tomoeda há um mês atrás e me pediu se podia levá-lo.'

'Uhnn... então somos só nos dois! Interessante!' – exclamou pegando os hashis da mão de Sakura e colocando-os junto aos pratos.

'Sim, como há muito tempo não acontecia.' – sorriu maliciosamente. Finalmente o chinês era todo dela. Li virou-se para ela enlaçando-a com seus braços fortes e beijou-a com intensidade. Adorava quando ele fazia aquilo, os beijos dele eram tão apaixonados, ardentes, enlouquecia-a de prazer.

'Ótima notícia, minha Flor!' – separou-se dela sorrindo sedutoramente, amolecendo a japonesa de vez

O casal conversava animadamente sobre a viagem de Li, enquanto degustavam a comida caseira. Sakura não parou de sorrir nem por um segundo e pensava se seria daquele jeito quando os dois se casassem. Perfeito demais se fosse assim. Casamento? Nossa, ela tinha se superado com este pensamento. Mas o coração da menina havia um receio: O dia em que todo aquele sonho lindo acabasse. Será possível? Não! Syaoran a amava mais que tudo na vida, nunca a abandonaria! Não mesmo.

Os adolescentes foram para sala assistir televisão, porém o chinês não deixava a namorada apreciar o filme de jeito nenhum. Toda a hora ele fazia alguma graça chamando sua atenção, ela ria e se entregava aos beijos e carinhos irresistíveis de Li. Em um momento a jovem escapou das garras do rapaz indo parar perto da janela do cômodo.

'Pára, Syaoran! Você não me deixou assistir o filme nem por um minuto!' – sorriu o vendo levantar e se aproximar dela lentamente.

'O meu Anjo gosta mais de um filme do que de mim.' – disse manhoso. 'É isso mesmo?' – indagou charmoso. Chegou perto o suficiente para pegá-la pela cintura possessivamente e tomar os lábios da menina de modo guloso. Tirou os lábios da boca da feiticeira e sorriu dizendo, ofegante: 'Não sabe o quanto senti a sua falta...' – roçou seus lábios nos dela.

'Eu também... Morri de saudades!' – Sakura disse comovida. Abraçou o pescoço do chinês e deu um selinho. Sorriu quando sentiu o hálito quente na sua nuca. Arrepiou-se inteira. Mordeu o lábio inferior experimentando a sensação maravilhosa de ser beijada da maneira como Syaoran fazia naquele momento. O jovem distribuía beijos molhados em toda a extensão do seu pescoço; ergueu a cabeça automaticamente deixando-o continuar a carícia. Não suportando o desejo, trouxe o rosto do namorado pra si de maneira urgente e beijou-o vorazmente. 'Você me enlouquece.' – revelou ofegante.

Li sorriu de lado compreendendo perfeitamente o sentimento de Sakura, pois ele também sentia isso quando a amada estava em seus braços. Encarou-a percebendo um brilho nos olhos esmeraldas, um brilho de prazer. Sua nuca se arrepiou sentindo o carinho dos dedos femininos. Ela o provocava, e ele temia não poder conter-se. Inclinou a cabeça beijando a pele sedosa e perfumada dos ombros. Tirou uma de suas mãos da cintura e afastou a alça da blusa que ela vestia querendo senti-la mais e mais. Sabia que estava perdendo o controle, mas sentira uma ausência quase insuportável e queria matá-la trazendo Sakura para perto de si até eles não poderem mais se separar. Nunca mais.

'Eu te amo!' – a japonesa declarou num suspiro. Que sentimento louco era esse? A paixão a consumia e se Li não a soltasse naquele instante temia não conseguir fazê-lo por conta própria.

'Também te amo.' – a voz de Syaoran saiu rouca.

That I love you

(Que eu te amo)

That I have loved you all along

(Eu te amei o tempo todo)

And I miss you

(E eu sinto sua falta)

Been far away for far too long

(Estive longe por muito tempo)

I keep dreaming you'll be with me

(Eu fico sonhando que você estará comigo)

and you'll never go

(E você nunca irá)

Stop breathing if

(Pararei de respirar se)

I don't see you anymore

(Eu não a ver mais)

Sakura permitiu que o chinês a tocasse com mais intimidade. As mãos grandes e quentes percorriam o corpo cheio de curvas, transformando-o em fogo. Os beijos pareciam não ser o suficiente para as duas almas apaixonadas. A paixão os envolvia. Sakura se perdia naquele mar de êxtase e as pequenas mãos se afundavam no cabelo macio de Syaoran tentando conter a força do desejo. Quando o namorado começou a beijar o seu colo, seu prazer explodiu com um gemido. O peito arfava sem parar.

'Vamos subir...' – disse ofegante. Nem soube como sua voz conseguiu sair. Fitou o belo rosto de Li: os lábios inchados, os fios rebeldes totalmente desalinhados e um brilho no olhar dourado denunciavam o que eles exatamente queriam naquele momento.

'Tem certeza?' – indagou mal acreditando no pedido ousado. Recebeu a resposta através de um beijo ardente da ruiva.

'Isso tira sua dúvida?' – perguntou sorrindo audaciosa.

Onde se escondeu aquela menininha meiga e inocente que conhecera e se apaixonara perdidamente? Bem, meiga ainda ela era, mas de inocente ela não tinha nem vestígio. O coração batia louco de emoção; Syaoran abriu um sorriso equiparável ao da feiticeira.

'Tira.' – foi a única palavra que disse. Subiu sua mão esquerda pelas costas femininas e com a mão direita puxou as pernas da namorada pegando-a no colo. Beijou-a suavemente. Subiram rumo ao segundo andar sem pressa, ambos queriam guardar este aguardado momento no fundo do coração e na memória. A expectativa aumentava a cada passo que Syaoran dava em direção ao quarto da Flor de Cerejeira onde em breve poderá ser chamado de paraíso de 2 habitantes, que ao se fundirem de corpo e alma se transformarão em apenas 1. Antes de entrarem, o chinês desceu a jovem amolecida de deleite dos seus braços, prensando-a entre a parede e o seu corpo. Seus lábios tomaram os dela sensualmente, causando em Sakura sensações nunca antes sentidas. Li a mostrava um mundo desconhecido e ela fazia de questão de o desbravar, detalhadamente. As firmes mãos masculinas tocavam com precisão todas as regiões do corpo insinuante e belo da jovem que se preparava e desejava morrer de prazer nos braços do ser amado. Syaoran posicionou sua perna esquerda no meio das pernas da garota. Sakura sentiu a coxa do namorado entre suas pernas, sorriu por dentro saboreando a sensação de libido que aflorava nela. Sentia com o tato os músculos definidos das costas, do torso, em seguida dos ombros, dos braços, acariciava todas as partes que suas mãos encontravam pelo caminho. Syaoran largou a boca amada alcançando o lóbulo da orelha, onde mordiscou e beijou levemente, ouviu um gemido da namorada. Seria a hora certa? Ofegantes os dois se olharam profundamente sentindo o fogo subir, o corpo inflamar clamando um pelo outro. Sakura conduziu-o com as mãos cruzando o quarto que foi fechado no ato com o impulso dos corpos. O rapaz foi empurrado pela feiticeira em direção à porta batendo-a com violência e riu surpreso, foi enlaçado pela cintura e beijado com fervor pelos lábios sedentos. Ainda beijando, a ruiva tateou a fechadura da porta e trancou-a passando a chave nela. Ansiando em dar o troco, Syaoran pegou os braços que antes enlaçavam sua cintura e empurrou Sakura que caiu com tudo na cama, fazendo-a rir adoravelmente, atiçando os instintos selvagens do chinês. A adolescente chamou-o com o dedo indicador sorrindo provocante, Li não fez objeção ao chamado e deitou-se sussurrando algo incompreensível, porém era compreensível o fato de que a garota o deixara louco incitando-o a atacá-la e beijá-la com desejo. O lobo atacava sua presa. Sakura gemeu, pois Syaoran subia a mão e apertava sua perna chegando à coxa, a saia foi afastada o cometendo a senti-la com mais intimidade. Separando-se para respirarem, o casal se encarava sem sequer piscarem. O feiticeiro ergueu-se, sentando-se nas pernas da namorada, sendo que as dela se encontravam entre as dele. Procurando algo em um dos bolsos de sua calça jeans, o chinês revelou uma caixinha vermelha de veludo. Sorriu de lado percebendo o susto da face de Sakura, os intensos olhos verdes arregalados a culpava. 'Eu comprei isso para você...' – disse baixinho.

Levantando o tronco, se apoiando nos braços, a garota sorriu contente com a surpresa de Li. 'Não acredito...' – sussurrou admirada. O belo rapaz abriu a caixa mostrando uma corrente de ouro contendo pendurado um pequenino lobo segurando um coração, minúsculas pedras de esmeraldas contornavam o pingente delicado. 'Que lindo!' – disse maravilhada.

'Me permite colocá-la em você?' – indagou indicando a corrente.

'Claro que sim. Deve.' – sorriu fascinada.

Syaoran abriu o fecho da corrente e inclinou-se sobre o corpo, alcançando o pescoço colocou a bonita jóia enaltecendo a beleza do amor da sua vida. 'Queria vê-la com isso...' – sussurrou no ouvido de Sakura. Erguendo o tronco os penetrantes olhos castanhos capturaram a figura perfeita bem diante dele, os âmbares flamejavam extasiados com a visão angelical. 'Você é linda demais!' – disse deslumbrado. Sakura o puxou de volta para ela, surpreendendo-o, cabia a ele apenas corresponder ao intenso beijo. No calor da hora, Li tirou sua camiseta a jogando sabe-se lá pra onde. Os dois estavam tão envolvidos que a consciência abandonava-os. A ruiva passava voluptuosamente as mãos nas costas nuas e desenhadas instigando o namorado. Já o rapaz mergulhava suas mãos no cabelo caramelo, sentindo o cheiro inebriante dos fios cobres enquanto beijava toda a extensão do rosto feminino de forma carinhosa e desesperada ao mesmo tempo. A blusa que a menina vestia parecia que pedia desesperadamente ao chinês a arrancá-la do corpo da amada, acatou o pedido deixando-a somente de sutiã rendado. 'Você me faz perder o senso do certo e do errado...' – Li suspirou ao dizer, a garota sorriu enlevada com a revelação apaixonada. Os lábios molhados do chinês beijavam o colo totalmente nu da japonesa e quando alcançou o decote volumoso sentiu-a estremecer e a pele se arrepiar. Sorriu de lado vendo a namorada de olhos fechados e com o lábio inferior sendo mordido tentando conter a delícia de ser explorada por ele; sua mão direita saiu da coxa dela, passeou pelo quadril, pela cintura fina, indo parar no seio ainda coberto, apertou-o com malícia beijando-a deliciosamente no pescoço, ouviu um gemido alto de pura satisfação. Que combinação perfeita! - Sakura pensou com paixão. Ah, se Syaoran pensa que somente ele a daria prazer, estava muito enganado, ela faria sua parte. Transferiu suas mãos das costas para a nuca do rapaz, segurando-a firmemente mordeu de leve a carne exposta do torso forte, em seguida lambeu deixando o rastro úmido e quente chegar até a orelha, o lugar também foi alvo de um mordiscada. O namorado estremeceu olhando-a nos olhos e dando um suspiro. Sakura o encarou maliciosamente levando suas mãos na direção da calça do rapaz, mais precisamente no botão, desabotoou lentamente deslizando o zíper. Ouviu-o gemer, sorriu, marota. Pegando as laterais da calça, ia baixá-la... Como se um trovão caísse do céu, escutaram uma voz conhecida, de homem, literalmente pularam de susto ao ouvirem batidas na porta acabando assim totalmente com o clima de sedução.

'Esquecemos do meu irmão.' – disse incrédula. Touya batia sem parar e chamava o nome da irmã repetidas vezes. Syaoran começou a rir contagiando a menina.

Li saiu de cima da feiticeira abotoando sua calça, de joelhos. Levantando-se da cama foi procurar a camiseta perdida.

'Sinto muito, Syaoran!' – suspirou desanimada observando-o procurar a camiseta. 'Droga! Touya sempre atrapalha minha vida!' – cerrou os punhos e bufou brava.

'Ele nos deixará em paz... Não se preocupe!' – sorriu de lado achando engraçada a maneira que Sakura reagiu por causa do intrometido irmão.

'Quando?' – perguntou esperançosa. Será que o feiticeiro tinha poderes de adivinhação, por que ela não previa isso no seu futuro.

'Um dia!' – disse pegando a camiseta e vestindo-a

'Muito engraçadinho... Belo consolo!' – saiu da cama apanhando sua blusa, colocou-a ainda nervosa e frustrada.

'Não fique assim, meu anjo.' – pegou a cintura trazendo a garota para si. 'Teremos a vida toda pela frente, conseqüentemente teremos oportunidades melhores do que esta.' – disse com um tom suave. Beijou os lábios carinhosamente. Sakura correspondeu ainda sentindo-se extasiada com a paixão.

'Ninguém irá nos separar!' – disse emocionada e em seguida, viu Syaoran assentir.

So far away (So far away)

(Tão longe) (Tão Longe)

Been far away for far too long

(Estive longe por muito tempo)

So far away (So far away)

(Tão longe) (Tão Longe)

Been far away for far too long

(Estive longe por muito tempo)

But you know, you know, you know

(Mas você sabe, você sabe, você sabe)

Sorrindo docemente, abriu os olhos, retornando ao presente. "Ninguém irá nos separar." Que frase irônica. Desfazendo o sorriso pensou que naquela época isto lhe parecia a coisa certa. Estava decretado. Ledo engano. Ela mesma dissera isso e este ninguém que ela imaginava não existir na verdade fora ela mesma. Segurando e apertando fortemente a corrente que se encontrava em seu pescoço que desde daquela noite nunca tirara, indagava pra si: Onde foi parar tanto amor? Em que lugar estava este amor que parecia não ter fim? Alguma coisa errada acontecera pelo caminho, o trajeto supostamente correto os ludibriara e indicara aos dois o quanto não sabiam nada da vida. A ponte sólida em que pisavam rachara e quebrara derrubando-os sem dó.

I wanted

(Eu queria)

I wanted you to stay

(Eu queria que você ficasse)

Cause I needed

(Porque eu precisava)

I need to hear you say

(Eu preciso ouvir você dizer)

That I love you

(Que eu te amo)

That I have loved you all along

(Eu te amei o tempo todo)

And I forgive you

(E eu te perdôo)

For being away for far too long

(Por estar longe por tanto tempo)

So keep breathing

(Então continue respirando)

Cause I'm not leaving you anymore

(Porque eu não irei embora)

Believe it Hold on to me and, never let me go

(Segure-se em mim e nunca me solte)

Keep breathing

(Continue respirando)

Cause I'm not leaving you anymore

(Porque eu não irei embora)

Believe it Hold on to me and, never let me go

(Segure-se em mim e nunca me solte)

Keep breathing Hold on to me and, never let me go

(Continue respirando Segure-se e, nunca me solte)

Keep breathing Hold on to me and, never let me go

(Continue respirando Segure-se e, nunca me solte)

Syaoran pulara sua janela naquela noite parecendo um Dom Juan. Trouxe à face novamente um sorriso. Todas as garotas o chamavam de príncipe encantado, porque além de ser rico era lindo e muito charmoso exatamente como nas histórias infantis do ocidente. Suspirou. Um suspiro de saudades. Aquela lembrança a fez bem, pelo menos por pouco tempo, resolutiva, decidiu continuar suas amargas recordações.

#Passado

Estar com Yukito era bom para ela, fazia-a bem, mas... não era o que ela almejava verdadeiramente. Desde a festa do noivado de Touya e Nakuru passara quase um ano; conseguia viver a vida calmamente. Lecionava de dia e a noite fazia um curso de culinária. Precisava ocupar a maior parte de seu tempo para suprir a necessidade de tê-lo. O namoro com Yukito estava morno, nem avançava, nem terminava de vez. Eis um dia que estava dando aula, sentiu-se entranha, uma falta ar lhe consumira tão de repente que não conseguira disfarçar, chamando a atenção de seus alunos. Todo âmago do seu ser trazia sensação de sufoco como se a sua alma apertasse todo seu corpo de maneira cruel. Estava delirando de dor espiritual... Sentou-se numa cadeira para ver se tudo a sua volta parava de rodar. A última visão que teve foi de rostos preocupados em cima de si enquanto caia lentamente em direção ao chão, ouviu vozes, mas seu subconsciente a levou para longe do mundo real, longe de tudo e de todos e perto dos sonhos. Sua magia estava fraca, via só um flerte de luz, um pequeno flerte, nada mais.

Acordou com uma leve dor de cabeça, devia ter batido quando subitamente desmaiara. Tinha a consciência disso; depois tudo era um borrão na sua mente. Olhou ao redor reconhecendo o lugar como sendo seu quarto. Levantou o tronco, ainda confusa. Estirou as pernas para baixo erguendo o resto do corpo. Suas pernas, fracas, não a agüentaram, caiu novamente na cama sentindo uma leve vertigem. Assustou-se quando a porta foi aberta bruscamente.

'Sakura!' – observou o rosto preocupado do irmão. 'Como está, querida?' – abaixou-se até a altura da cama onde a irmã estava sentada. 'Todos estão assustados!' – disse passando carinhosamente a mão na cabeça da feiticeira.

Não tivera chance de responder. No quarto entraram mais quatro pessoas, ou melhor, três pessoas e um Guardião muito sério. Parecia abatido.

'Filha...' – desta vez foi o pai que lhe dirigira a palavra com o semblante tenso. 'Sabe o que aconteceu?' – questionou sutilmente.

'Você foi trazida da escola, desmaiou, Sakura!' – a prima manifestou-se com um timbre apreensivo.

Estava totalmente confusa...

Sua magia! Essa não! Olhou para as mãos, concentrando a energia, viu-a fraca, mas já estava recuperando-a aos poucos.

'Estou melhor papai.' – sorriu de maneira tranqüilizadora para o pai que devolveu o mesmo.

'Sua presença sumiu completamente por um instante...' – a reencarnação do mago Clow tinha perdido o tom brando característico para um bem menos sereno. 'Isto é sério Sakura... Muito. Você tem idéia disso, não é?' – indagou ajeitando o aro do óculos. Em seguida olhou para o Guardião do Sol que o lançou um olhar temeroso.

Naquele instante pensou que não iria suportar mais nada de ruim que por certo apareceria em sua vida. Temeu o que passava em sua mente. Se fosse isso, estava numa bela enrascada. Percebera que estava faltando alguém ali... Onde estaria Yukito...?

'E Yukito? Onde está?' – questionou ansiosa. Observou todos se entreolharem. Ywe! Sua magia tinha a afetado, conseqüentemente os Guardiões das cartas também estavam debilitados. Conseguia sentir, quase que imperceptivelmente a presença de Ywe na casa e a de Kero também estava muito abalada. Agora pegava as coisas no ar. Ficara desconfiada, mais séria... Amargurada...

'Ele está com Nakuru no meu quarto. Ywe chegou aqui voando com você nos braços.' – dissera Touya caminhando e parando perto do pai. 'Sentiu sua magia ficando gradativamente fraca. Kerberus...' – olhou o Guardião desconsolado, sentado na cabeceira, ainda recuperando as forças. Estreitou os olhos. O Guardião do Sol dependia muito mais do poder da Mestra das Cartas do que Ywe. O Guardião da Lua conseguiu manter-se em pé por causa da sua outra identidade. 'desmaiou possivelmente quando você perdeu quase toda sua energia. Isso acarretou...' – suspirou. 'Eriol você sabe muito melhor que eu. Não sei a melhor maneira de explicar...' – Touya disse olhando para o mago que acenou positivamente.

'Sakura...' – a cantora que estava perto da feiticeira não sabia como consolá-la diante daquele fato lamentável. Passou a mão na maçã do rosto da prima que aprovou o afago. 'Queria tanto te proteger disso tudo!' – disse lacrimejando

'Não se torture Tomoyo. Vou ficar bem, tenha fé!' – dera um sorriso fraco que não convenceu a morena. 'Antes que Eriol venha com sua teoria, embora já saiba de alguns pontos que ele irá me retratar...' – disse com uma seriedade tensa. Isso assustara a todos. 'Quero ver Yukito.' – anunciou levantando-se sendo segurada pela prima que estava mais próximo a ela. 'Já disse que estou bem! Posso ir sozinha!' – empurrou-a levemente. Ah! Também ficara orgulhosa.

'Yukito!' – correra o máximo que pudera até a cabeceira da cama em que o namorado estava deitado. Sua energia enfraquecera muito. Ele gastou suas últimas forças para trazê-la a salvo em casa. Nakuru ao seu lado, fazendo o que estava no alcance dela.

'Estou bem, Sakura.' – sussurrou. A identidade falsa do Guardião da Lua estendeu a mão esquerda para a ruiva que pegou-a carinhosamente entre as suas.

'Agora ele precisa descansar... Depois você conversa com ele à vontade.'– a agitada noiva do irmão disse baixinho.

Antes de se separar do fraco homem, o admirou de maneira fraternal. Nunca o amou de verdade. Nunca o amaria. Não na intensidade que sentia e possivelmente sempre sentiria por Syaoran. O lindo feiticeiro que roubou seu coração sem pedir permissão iria para sempre dominar seu pensamento, alma e corpo. Isso. Sentia desejos cada vez mais passionais por um homem que não mais a pertencia. Que pecadora! Mas quem disse que ela era de ferro? De certo ela tinha poderes excepcionais que nem mesmo ela saberia dizer se era limitado, controlável, somente sabia que seu corpo, coração, alma, era de uma mulher comum que tinha fantasias, ansiava sentir sensações plenas, ardentes e principalmente verdadeiras. Não quisera enganar Yukito obstante a extrema solidão e dor fizeram-na ceder. Seu caráter, sua índole, seus princípios, jamais mudarão por causa de Li – o que temia era tornar-se amarga e conseqüentemente inconseqüente. Os sinais já apareciam em suas atitudes.

A decisão de não usar mais magia foi causa de sua imprudência e egoísmo. Tinha seres que dependiam dela e que simplesmente por puro capricho arriscou deixar de lado este dom que Deus lhe dera; ignorara qualquer tipo de prenuncio anunciado. Erro grave. Eriol explicou o que já sabia: teria que recomeçar a usar seus poderes em prol de si mesma; sua aura necessitava de energia praticável para manter seus guardiões sagazes, vivos e protegidos de qualquer tipo de desgraça possível. Ela também estava à mercê, teria que estar preparada. Mas o mago reencarnado lhe ressaltara que ela tinha duas escolhas definitivas, a fatal: ela poderia abdicar de seu dom e trancar as cartas e os seus Guardiões no livro, para um possível discípulo futuro, talvez, de outra uma realidade. Doeu muito ouvir estas palavras da boca da reencarnação de Clow, mas a outra opção apagara todo o sofrimento anterior: recomeçaria a consumir energia, porque todos os seres possuidores de qualquer resquício de energia mágica teriam que, no mínimo, concentrá-la e manifestá-la (no dia-a-dia) de acordo com o nível que cada indivíduo necessite para assim equilibrar a carga energética. Caso contrário o desequilíbrio de energia que sustentava a feitiçaria poderia trazer danos irreversíveis ao mago. Isso era o básico do código ético do Conselho de Magia Natural, segundo o qual Eriol pertencia. Além do mais, suas queridas Cartas Sakura, impiedosamente se transformariam em simples cartas comuns. Recordava-se de Kero a alertando sobre essa possibilidade quando estava dando a magia da sua estrela para as Cartas Clow. Jamais deixaria aquilo acontecer... Daria tudo de si para que as Cartas nunca percam a magia que as faziam seres tão especiais. Únicas.

Uma grande responsabilidade ressurgia em sua vida, só que agora as reais circunstâncias dos fatos exigiam mais dela, muito mais. Sinceramente nunca quis aprofundar estes detalhes do mundo mágico, mas até seria bom ocupar sua vida com isso. Quem sabe o tempo passaria mais rápido, provavelmente cicatrizaria aos poucos a ferida ainda aberta de seu coração.

Sakura almoçava no intervalo das aulas. Sua manhã foi demasiada tediante, não via a hora de chegar o fim das aulas assim ela poderia ir embora e descansar. Ultimamente tudo a irritava, esta não era ela. Pediu um suco de maracujá pra ver se aliviava àquela tensão mórbida. Será que era estresse? Sim, possivelmente o trabalho e o treinamento de magia estavam sobrecarregando-a demais. Só podia ser isso. Queria... Teria que ser somente isso. Suspirou. Esses suspiros também estavam bem frequentes. Seu pedido chegou e assim que o garçom colocou o copo na mesa imediatamente pegou o suco e tomou quase 500ml em apenas três goles. O garçom arregalou os olhos pensando que ela precisava se acalmar mesmo. Sendo educado o garçom sorriu simpático perguntando se ela queria mais alguma coisa, percebendo que o prato dela jazia esquecido.

'Mais um suco de maracujá, por favor.'

'Sim. Posso tirar seu prato? A senhorita terminou?'

'Pode.' – viu o atendente pegar seu prato colocando-o na bandeja junto com o copo. 'Obrigada!' – agradeceu.

'Não tem de quê.' – e saiu.

Sakura fechou os olhos, quando abriu-os sentiu um certo alívio, pelo jeito o suco fizera efeito imediato. Levou um susto quando uma voz a tirou de seus pensamentos longínquos. Achou que era o garçom, mas se enganou quando viu um homem sorrir para ela, reconheceu-o.

'Oi, professor Yamada!' – sorriu tentando parecer simpática. Não queria que seu mau-humor fosse percebido.

'Oi, professora Kinomoto! Estava passando por aqui quando me lembrei que este restaurante serve uma ótima comida. Está acompanhada?' – indagou, sedutor.

Sakura franziu a testa logo entendo a pretensão do homem. Aquele professor de geografia a cercava o tempo todo, seja na escola ou em qualquer outro lugar, e sempre a dando uma desculpa esfarrapada. Ele teve o azar de pegá-la num dia não muito propício. Estava cansada!

'Não.' – respondeu, seca. 'E desejo continuar assim, por muito tempo!' – sorriu irônica usando um tom intimidante fazendo questão agora que seu mau-humor fosse notado pelo homem.

Sorrindo totalmente sem graça, o professor pediu desculpas e se retirou num pulo só.

'Panaca.' – murmurou. Seu suco veio e assim ela pôde continuar no seu mundo da imaginação à vontade. Depois de algum tempo olhou para o relógio em seu pulso e constatou que estava na hora de ir, daria mais três aulas, bufou contrariada. Ia levantar-se, mas antes que fizesse este movimento sentiu uma mão em seu ombro, virou o pescoço a fim de ver a pessoa, arregalou os olhos.

'Tomoyo?' – disse, surpreendida. Há tempos que fugia da prima e neste momento ela encontrava-se ali encarando-a seriamente. Droga, detestava esse olhar.

A morena sorriu de lado e falou: 'Sim, sou eu! Isso é bom ou mau pra você?'

Sakura ficou tensa no ato, se a bebida tinha amenizado seu humor, o efeito acabou bem naquele minuto, foi o tempo que se passou desde que a morena deu as caras.

'Como soube – '

'Te segui!' – interrompeu a ruiva e sentou-se de frente para ela.

Espantou-se mais ainda. Tomoyo sempre fora sincera demais, em ocasiões certas, porque foi um erro naquele momento ela dizer-lhe a verdade. Sakura ficou irada com o atrevimento. 'Você não tem o direito de fazer isto!'

'Ah, posso não ter mesmo, porém você mesma me obrigou a chegar neste ponto, Sakura. Releve este detalhe.' – Tomoyo disse séria, o semblante e o tom estavam muito determinados, sinal de que ela falaria o que queria, e devia.

'Aceito ouvir o que tem a dizer! Mas aconselho a falar rápido, porque tenho horário a ser cumprido!' – a expressão de cólera da professora era evidente.

'Nossa! Agora você estabelece o tempo para conversar com as pessoas? Assim que funciona?' – a morena indagou irônica.

'Não estabeleço nada! Somente trabalho... Perdeu um minuto já!' – Sakura disse usando o mesmo tom da prima.

Seria páreo duro! Mas veio ali disposta a encarar essa suposta autodefesa que ela mesma se determinou a usar. Tomoyo sorriu pronta para 'desarmar' Sakura.

'Por curiosidade, você usa isso com seu pai ou seu irmão? Diz assim oh: "Papai, o senhor tem 5 minutos para dizer o que quer!" É assim? Coloca o trabalho, ou sei-lá-o-quê a frente das pessoas que se preocupam com você? Onde aprendeu a ser tão fria?'

'Quantas perguntas.' – a professora levantou os braços pedindo calma.

'Vamos? Quanto mais demorar, mais você perderá seu valioso tempo.' – sorriu de lado

'O que está querendo me insinuar... E não seja debochada comigo! Nós duas somos velhas demais para utilizar estas ironias...'

'Entendeu muito bem! Porém vou facilitar onde quero exatamente chegar, resumindo: Por que se afastou de todos? O que causou essa sua mudança radical? Aconteceu algo entre você e Syaoran, ou ele não teria a largado e sumido da face da terra fazendo papel de canalha, coisa que certamente ele nunca foi ou irá ser!' - ponderou de forma enérgica.

Sakura a encarou intensamente engolindo sua saliva. Tomoyo tocou em sua ferida, acertou em cheio como sempre. Maldita inteligência essa morena possuía. Juntou as evidências e agora a acusava exigindo respostas. Seria uma competente advogada.

Tomoyo continuou esperando a ruiva se manifestar, pendendo a cabeça para o lado.

Sakura respirou fundo e disse: 'Foi há muito tempo, Tomoyo, não acho conveniente entrarmos neste assunto agora. Syaoran apenas fez a escolha dele e eu a minha, ponto final. O livre-arbítrio é direito de todos.' – sorriu, mas um sorriso fraco demais para quem pensava estar totalmente convencida disso.

'Três anos se passaram desde então... e somente hoje, por pura pressão, convenhamos, você me diz que foi por isso? Faça-me o favor de não mentir pra mim! Saiba que se você mesma ainda não se convenceu disso, não vai me convencer que tudo isso, que este separamento repentino, foi por escolha?' – riu incrédula, levou seu tronco para mais perto de Sakura. 'Diga a verdade. Vim aqui para ouvir a verdade, somente ela. E não esta desculpa mal inventada! Vamos! Diga o que aconteceu realmente!' – exigiu de forma intransigente.

'Droga, Tomoyo! Se não quer acreditar nisso problema é seu, não ficarei aqui dando uma explicação que não existe! Aliás, não devo obediência nenhuma para com vossa futura senhora Hiiragizawa!' – soltou irônica. Droga! O autocontrole se esvaindo. Estava já demonstrando inveja da situação confortável da amiga em comparação com a dela própria que não encontrava-se nada cômoda, muito pelo contrário. Estava um rebuliço tremendo.

'Hum, agora é debochada, fria, orgulhosa... Nossa, quantas qualidades você adquiriu. É surpreendente.' – soltou com um sorriso de lado, cruzou os braços sob a mesa.

'Está enganada! Você é quem está sendo debochada comigo nesse instante... E não me venha me dar lição de moral dizendo que estou me comportando mal, só porque foi minha melhor amiga um dia não quer dizer que possui estes direitos sobre mim.' – disse friamente.

Tomoyo foi pega de surpresa agora. Foi? Ela ouviu bem ou seus ouvidos simplesmente estavam querendo lhe pregar uma peça? Uma inacreditável peça. Os olhos violetas arregalados a delatava do choque inesperado.

'Uau! Sua vez de ser surpreendida! Não sou tão orgulhosa, egoísta como você insinua que sou... Mereço um parabéns! Peguei Daidouji Tomoyo de jeito.' – a professora declarou com um meio sorriso.

'Por Deus, Sakura... Desabafe! Não é possível que uma pessoa doce, amável e sincera tenha se transformado da água pro vinho em uma noite...' – Tomoyo murmurou desconsolável.

'É bem mais interessante ser o vinho do que a água... Não é, Tomoyo?' – sorriu sugestiva.

Seus olhos piscavam freneticamente diante do comportamento deliberado da amiga... Ou ex-amiga como a feiticeira mesmo classificou-a. Uma posição que nunca cogitou ter um dia. Sakura realmente parecia uma nova mulher. Uma madura mulher. Uma mulher sem Li Syaoran do lado. Sorriu tristemente. Eriol lhe alertara, porém ela recusava a acreditar... Que pena. Apostara neste casal como quem aposta que o sol nascerá no dia seguinte. Suspirou pesadamente. O que dera de errado?

'Não vou desistir de ouvir o que realmente aconteceu naquele dia em que Li desapareceu daqui sem deixar ao menos um aviso sequer...' – Tomoyo disse de repente. 'Eu conheço meu amigo! Ele é honrado e franco demais para fazer uma indelicadeza dessas, por mais que ele aparente ser anti-social.'

'Infelizmente Syaoran Li não é perfeito como sempre lhe pareceu... O seu Romeu, prima, possui defeitos como qualquer outro ser humano.' – Sakura suspirou, viu a morena arregalar os olhos novamente. Levantou as sobrancelhas antes de dizer lentamente. 'Uhnn... se realmente faz questão de ouvir o que aconteceu... lhe direi então... Digamos que ele preferiu o posto de rei da China do que viver um suposto grande amor numa cidadezinha inferior qualquer!' – disse amargurada, com os olhos a ponto de derramar lágrimas, lágrimas de desamor. Maldição! Dera com a língua nos dentes. Tagarela! Fechou os olhos inevitavelmente; a vista estava embaçada.

'Oh...' – observou nitidamente Sakura finalmente libertar as lágrimas, as quais encontravam-se presas na prisão do seu coração. Imediatamente pegou de forma delicada as mãos suadas de frio da ruiva entre as suas. 'Sinto muito, Sakura, por não poder estar do seu lado. Por não ter percebido! Fui desatenta, ausente, eu confesso! Mas...' – hesitou. 'Qualquer ação que tenha feito no passado não poderá apagar em nada o que sinto por você... o que você representa pra mim foi, é e sempre será especial. Somos primas, isto não pode ser alterado nunca... Mesmo você querendo.' – apertou os olhos sentindo-se fraca.

Comoveu-se com as palavras reconfortantes da prima. A voz doce, serena desta morena sempre acalmou seu estado de espírito. Sakura baixou a cabeça deixando cair em seu colo sua trança comprida. Encarou as mãos que estavam entrelaçadas nas suas. Elas estavam quentes... aquele velho calor conhecido que sempre a acalentava. Tomoyo... sempre Tomoyo. Sorriu tremido. Sua face molhada a condenava nesse instante. Não queria mostrar-se frágil mais. Cansou das pessoas olhando-a de forma piedosa. Touya, Tomoyo, Eriol, seu pai, Kero, até Yukito a encarava como se ela fosse uma fraca sentimental. Chega dessa coisa de sempre protegê-la de tudo e de todos. Syaoran também fora assim com ela e particularmente odiava causar este tipo de sentimento nele. Imagina, a bondosa feiticeira não era o tipo de pessoa que despertava confiança... não era digna de tal coisa! A Mestra das Cartas, a boa samaritana mereceu este cargo. A doce menina lutou e conseguiu ser reconhecida. A linda garotinha lutou bravamente por isso tem direito de ser a dona das Cartas. A maneira que a tratavam sucessivamente dependia de uma compaixão e somente disso. Cadê algo além de mera compaixão? O anjo enfadou-se e cortou as próprias asas para fincar os pés na terra, no chão firme. No solo real. Sofrimento de amor... esta fase fazia parte da vida de qualquer um, ela mesma teria que se virar com esta impiedosa penitência. Se depender dela agora nenhuma pessoa se atreveria de livrá-la desse mal. Ela não era diferente de ninguém.

Assim que se sentia... a máscara caiu.

'Tenho que trabalhar! Se isso lhe interessar, agora eu cumpro corretamente meus deveres! Atraso faz parte do meu passado.' – o tom saiu sério, grave. Sorriu e livrou suas mãos das da bela morena. Levantou-se.

'Sakura...' – murmurou.

'Obrigada, Tomoyo. Desculpa se disse que você foi minha amiga... me enganei! Usei o tempo verbal errado... Você é minha amiga!' – viu o semblante da prima suavizar-se. 'E se considera mesmo nossa amizade especial... Deixa-me em paz. Não se preocupe mais. Estou bem...' – suspirou baixando o olhar, mas levantou-o em seguida. 'Ficarei bem! Até!' – virou-se e saiu com passos determinados o estabelecimento rumo à escola.

Depois daquela conversa nunca mais se encontrou com Tomoyo. Eriol viajara para Inglaterra e ela resolvera acompanhá-lo. Fora bom assim. Apenas esperava que a amiga não se fora magoada com ela. Já o relacionamento com Yukito baseava-se apenas em uma simples troca de palavras, apenas gestos educados da parte dela. Ela via o enorme carinho e desejo que o melhor amigo do irmão sentia por ela. Não podia dar a ele mais que uma infinita amizade. Ele sabia disso, entretanto recusava-se a terminar o namoro, se é que foi um dia, tornando tudo ainda mais complicado. Insistir numa coisa que não é verdadeira é perda de tempo.

Passou uma boa temporada desde que sua magia cessara. Agora sentia uma considerável elevação na sua aura. A cada instante que manifestava seus poderes sentia uma imensa vontade de ver Syaoran e mostrar suas novas façanhas, cartas e fazê-lo voltar atrás quando a chamara de covarde e fraca. Sabia que falara isso quando os dois eram rivais, mas em seu íntimo sempre quis provar para o orgulhoso feiticeiro, que suas acusações eram todas infundadas e invejosas. É! Ele sempre sentiu inveja por ela ser a Mestra das Cartas mesmo demonstrando indiferença; a sua ingenuidade não via isso quando eram apenas crianças inocentes... Não. Esta afirmação deveria estar totalmente no singular. Ela sim, ele nunca fora inocente e sim desconfiado de tudo e de todos. Educado com a intensa rigidez da aristocracia chinesa fora criado para ser o espelho do falecido pai, mas ele não precisaria se esforçar pelo que dona Yelan a revelou (das poucas conversas íntimas que tivera com a matriarca dos Li), ele era naturalmente a cópia perfeita do ex-Líder da família. Contudo sinceramente nunca julgou o herdeiro devido a verdadeira gratidão que tinha... Por sua superação, por todas as provações que lhe vieram para se tornar o que era hoje... Apesar de tudo, um hoje amargo e...

#Presente

'Droga!' – praguejou cerrando os punhos. Seus pensamentos ultimamente eram todos exclusivamente voltados para ele. Que tortura sem fim!

Sentou-se no banco de madeira ainda com as reminiscências vagando na mente. O parque estava deserto. Melhor.

Três anos e nove meses já tinham se passado. Sorriu ironicamente. Não tinha nem idéia que ainda viveria o que estaria por vir... Tinha completado vinte e dois anos no mês em que inesperadamente ele voltara... O seu amado... Diferente, muito diferente. Suspirou intensamente fechando os olhos e abrindo-os logo em seguida.

#Passado

Fazia calor em Tomoeda, mas um calor super agradável e gostoso, com certeza esse dia seria perfeito para treinar. Era domingo e acordara sentindo-se disposta. Respirou fundo e o ar refrescante do bosque invadiu seu narinas e pulmões. O bosque tornara-se seu refúgio secreto, além dela somente seus guardiões sabiam, claro, e Eriol, este ela desistira de burlar, não havia como, mas ele que ouse contar isso para alguém, principalmente para Tomoyo. Adentrou mais em seu refúgio escolhendo um lugar ideal para manifestar seus poderes com segurança. Fechou os olhos e uma luz rósea apareceu, a aura circundou todo seu corpo fazendo-a sentir uma sensação lenitiva submergir em sua mente e em sua alma. Abriu os olhos se concentrando para chamar seus guardiões. Eriol a ensinara com aulas práticas o poder da telepatia; essa capacidade era considerada pela legião de feiticeiros uma necessidade essencial e indispensável. Não queria ficar de fora. Ela finalmente aprendeu a absorver com disciplina e principalmente com sabedoria todo o ensinamento que lhe era passado devido às artes-marciais que começara a praticar há algum tempo.

"Kero e Ywe quero os dois no bosque agora! Preparem-se, hoje estou com todo o gás!" – sua voz em sua mente ecoou. Sorriu. Um pressentimento bom a perseguia, porém ao mesmo tempo em que era bom era perigoso, muito confuso. Balançou a cabeça dissipando aquele pensamento dúbio. Tirou sua chave mágica do pescoço e segurando-a ergueu seu braço na altura do peito e disse:

'Chave que guarda o poder da minha Estrela, mostre seus verdadeiros poderes sobre a nós, e ofereça-os à valente Sakura que aceitou esta missão! Liberte-se!' – o estonteante báculo se formou em suas mãos com orgulho sem igual.

'Sakura... Sakura... Não há necessidade de perder tempo invocando este báculo! Você finalmente possui o poder de convocar as cartas sem o auxílio desse sortilégio!' – uma voz imponente se intrometeu.

Sakura soltou um risinho sapeca.

'Deixe-a fazer o que quiser, Kerberus.' – outra voz menos grossa, porém não menos branda também se fez presente. 'Somos apenas os Guardiões. Não está em nosso alcance articularmos o que nossa Mestra tem ou não tem que praticar.'

'Se você se julga muito humilde, Ywe, o problema é todo seu! Não venha me meter no meio!' – Kerberus soltou revoltado da vida.

O Guardião da Lua como sempre ficou calado e balançando a cabeça, incrédulo, ponderando que essa criatura além de convencido ao extremo, era completamente previsível. Era apenas ele dizer uma verdade para o Guardião de araque que ele ficava todo ouriçado! Sorriu discretamente.

'Este seu jeito frio me envaidece, Ywe! – o tigre disse irônico, viu o ser celeste suspirar e cruzar os braços ignorando seu deboche. Achando-se superior. Como sempre. Poucas coisas mudam mesmo. Direcionou seus olhos de tom dourado à sua Mestra e amiga. Por falar nisso... Mudar.. Sakura sofreu uma mudança muito visível nesses últimos anos, pois o seu descuido no passado parando de usar magia o fez repensar se ela queria essa responsabilidade toda novamente em sua vida. Entretanto confiava incondicionalmente nela e sentia que a Feiticeira daria conta do recado facilmente... Sentou-se, incomodado com algo. Antes espontânea e jovial agora introspectiva e frígida. Nunca imaginou presenciar Sakura assim. Não combinava com ela... Por detrás desta radical alteração de comportamento logicamente vinha um bom considerável motivo... Não era difícil deduzir o que era, ou melhor, quem era: o moleque.

O único.

'Obrigada, Ywe! Kero acha que manda em mim!' – a ruiva sorriu, mas seus olhos não brilharam como antes quando chegava a iluminar todo o planeta, até o jeito de ela falar havia sido alterado; o tom antes doce passou para um totalmente sério e às vezes tornava-se frio – Kero pensou analisando cada gesto de sua amiga. Suspirou tristemente. Sakura desviou seu olhar de Ywe para ele. 'Depois conversaremos seriamente sobre a sua insinuação desse seu "finalmente", Kerberus.' – deu uma piscadela com um sorriso maroto.

O Guardião do Sol arregalou os olhos. Ihhh... Sakura o chamando de 'Kerberus': indício de bronca. Ela podia ter mudado, mas seu nome sendo falado por ela assim era difícil. Ainda mais na última frase. Virou a cara imponente se sentindo temeroso, no entanto aparentando não temer a repreensão e suposta ameaça da sua dona.

'Obrigada por atenderem meu pedido repentino!' – anunciou polidamente. Imediatamente as criaturas mágicas lhe dirigiram total atenção. 'O pretexto de tê-los chamado aqui foi meramente causado para que eu possa descarregar um pouco de energia... Sinto-a acumulada e seria bom praticar com vocês dois minha magia hoje.'

Um estranho ânimo de dar inveja a uma criança estava presente em seu corpo aquele dia. Há muito tempo que não sentia uma disposição como essa. Ainda se lembrava... Sim, a última vez fora há muito tempo atrás: momentos em que ela acreditava que conto de fadas não era mera fantasia, ele a fazia, fazia crer que era realidade, porque... ele estava lá, para ela. Agora tudo não passa de ilusão que ela não estava a fim de ficar imaginando, tendo esperanças, sonhando que nem uma boba sentimentalista.(...) Esta fase já havia passado. Os olhos verdes cintilantes finalmente se abriram para o mundo... realmente tal como ele é.

Inclinou a cabeça fazendo os cabelos caírem tampando assim sua face tristonha.

'Muito bem, Sakura. Vamos logo com isso que quero zerar meu 45º jogo! Finalmente vou bater o recorde... do mês!' – o leão alado falou com orgulho sem tamanho.

'Mas definitivamente é um Guardião viciado. Quando Clow lhe criou ele provavelmente deveria estar tendo sérios delírios, coitado.' – Ywe alfinetou.

'Cale a boca! Clow quando criou-lhe devia estar tendo espasmos agudos!' – replicou enfurecido.

'Palmas para você, Kerberus.' – o Guardião da Lua disse sem nenhuma emoção.

'Ah... discutir com a vossa sem-graceza está ficando monótono demais. Chato!' – resmungou.

Ywe olhou-o de esguelha apenas suspirando. Não gastaria sua saliva. Depois encarou a sua mestra; esta estava calada, estranhamente não interrompeu a discussão como sempre cometia. Voltou-se para Kerberus que fez um sinal também constatando a mesma coisa que ele.

'Sakura!... Sakura...' – chamou Kero.

Nada. Estava mais que distraída.

As duas criaturas mágicas balançaram a cabeça ao mesmo tempo. Combinaram algo com o olhar. O Guardião, que mais parecia um Anjo, fez uma magia e logo apareceu uma flecha luminosa em suas mãos. Apontou-a diretamente para o tigre ameaçando disparar, o qual curiosamente não se mostrava temeroso, pelo contrário, um desafio pairava em seu olhar dourado.

Nada também. Ywe desfez sua magia e Kerberus saiu de sua suposta posição de defesa. Visivelmente frustrados, fizeram somente uma coisa que faria a mestra sair do 'mundo da lua' num piscar de olhos:

'Sabe, por incrível que possa parecer estou sentindo falta de alguém...' – a voz imponente comentou.

Ywe rodou os olhos antes de abrir a boca. 'Quem seria, Kerberus?' – indagou apático.

'Só posso estar ficando louco, mas agora bateu uma vontade de ver o... moleque!'

'O quê? De que vocês estão falando?' – a feiticeira questionou de repente.

Os dois Guardiões se entreolharam e logo após sorriram ironicamente para a mulher que os olhava de modo interrogativo.

'Nada, Sakura. Você estava distraída. Só a acordamos.' – Ywe respondeu.

'Com certeza. Uma palavra mágica resolveu isso! O moleque chinês realmente ainda te faz sonhar... ou ter pesadelos! Vai saber...' – o tigre alado disse debochado. Ywe abriu um pouco sua característica carranca esboçando um discreto sorriso.

'O descendente de Clow, Li Syaoran, mesmo estando longe ainda desperta alguma influência em você.' – a mulher desviou o olhar do dele, incomodada com a observação. 'Isto é problema. Estando nestas condições uma distração dessas pode te prejudicar quando estiver em combate. Tem que ficar mais atenta.' – ponderou Ywe. Sakura contorceu o rosto.

'Não me venha ensinar como devo agir! Kerberus é até natural está fazendo brincadeirinhas de mau gosto, mas ter você Ywe, participando delas, é surpreendente.' – Sakura disse seriamente com o rosto aborrecido. 'Já lhes ordenei que não quero ouvir o nome desta pessoa na boca de vocês, qualquer menção, e esta ordem deve mantida... obedecida!' – vociferou. A voz determinada ecoou pelo bosque. 'Não gosto de me repetir, e não pretendo fazer novamente.'

Os Guardiões ficaram temerosos com o jeito duro que a dona falou. Definitivamente a mudança de uns anos pra cá era assustadora às vezes.

'Mas como evitar se é sempre você... quer dizer, se a Mestra que nos lembra dele. Isto se chama contradição, nos deixa confusos.' – Kero insistiu.

'Está mais atrevido que o normal ultimamente, Kerberus. Acredito que um mês sem doces irá resolver isso.' – disse autoritariamente.

'UM MÊS?' – soltou incrédulo. 'É muito... não dá pra reconsiderar? Eu imploro.' – abaixou a cabeça em sinal de clemência.

'Está decidido.' foi somente o que disse. Suspirou. "Será que estou sendo muito dura? Droga, não estou conseguindo me controlar agora. O que está acontecendo?" – pensou confusa.

O imponente Guardião do Sol transformou-se em pedra e se quebrou todo em pedacinhos. Ywe, desinteressado, fechou os olhos e cruzou os braços aguardando qualquer ordem de sua Mestra.

Sakura caminhou até seu Guardião 'despedaçado': 'Okay, 15 dias é o suficiente, Kero. Por favor, sem choramingação. Quero você em plena forma hoje.' – sorriu compadecente. O tigre se juntou como mágica.

'Sakura, sabia que reconsideraria! Você é um anjo!' – disse aliviado.

"Será que meu anjo me concede sua doce companhia...?"

A feiticeira arregalou os olhos subitamente com a recordação que veio tão rápido quanto se foi. Sentiu os olhos arderem ao reconhecer a fala... e principalmente... o dono daquela carinhosa voz. Syaoran. Levou a mão direita ao peito esquerdo onde seu coração batia acelerado de forma dolorida. Parece que algo ocorreria. E não demoraria. Sentia isso há dias; vinha em sonhos, em recordações, estes sinais surgiam intempestivamente sem poder controlá-los.

'O que houve? Está se sentindo mal?' – ouviu Ywe lhe perguntar.

'Nada. Não foi nada.' – dera um sorriso não muito convincente. 'Não lhes falei que hoje estou a mil! Meu corpo está pedindo ação...' – pulou aquecendo-se. 'Vamos lá Kero e Ywe, quero os dois em ação junto comigo! Entendidos?'

'Vamos lá Sakura!' – exclamou animado o tigre.

Os três se posicionaram. Sakura imediatamente fechou os olhos concentrando seu poder, logo sua aura elevou-se de modo intenso cometendo as cartas a se revelarem e em seguida a ficarem todas em volta da dona, circundando-a. Cada uma tinha um poderoso brilho indicando que também estavam prontas para qualquer manifesto.

'Vejo que também sentem a vibração da minha magia.' – ergueu a mão sentindo-as quentes. 'Mas é claro, todas vocês fazem parte de mim.' – sorriu meigamente.

Kerberus e Ywe se entreolharam e sorriram comovidos com o grande carinho que as cartas tinham da Mestra e vice versa. Ela era mais que a dona das cartas Sakura, era uma amiga, a melhor amiga delas. Uma de cada vez, as cartas se reuniram novamente na mão da feiticeira.

'Proteja toda natureza aqui presente. Escudo!' – com o báculo mágico liberou o poder da carta que atingiu toda a área em que estavam. Escudo alcançou todas as árvores em volta deles, todo tipo de plantas e animais que ali se encontravam, formando uma barreira latente e impenetrável. Assim podiam treinar à vontade sem qualquer tipo de perigo eminente, e sem prejudicar os habitantes do bosque, preservando todo aquele espaço. 'Okay, agora sim é pra valer!' – exclamou entusiasmada, invocou a carta Luta e Poder ao mesmo tempo, podendo lutar de igual para igual com a habilidosa figura excêntrica que desafiava-a. Uma de frente para a outra as duas se cumprimentaram respeitosamente antes de partir para o confronto. As aulas que Ywe lhe deu até o momento estavam surtindo efeito, graças a Deus. Os treinos eram puxados, três vezes por semana se dedicava a aprender artes-marciais com o seu exigente Guardião da Lua.

Kerberus a observava analisando todos os movimentos de Sakura. Acompanhava todos os treinos a risca. Cada dia que passava ela melhorava espantosamente; não tinha nada da pequena Kinomoto Sakura de antigamente. Ela estava mais disciplinada, mais rígida consigo mesma, e não se perdoava uma só falha, o resultado estava bem a sua frente. Tornou-se individualista em tudo. Recusava qualquer apoio, principalmente de Tomoyo, esta sofria com a distância que a prima interpôs entre elas. Tinha somente uma coisa a menos nela: aquela descontração que ela possuía, a alegria que naturalmente era dela, se foi junto com o moleque. Maldito! Até estando bem longe dali ele se manifestava de alguma forma.

Oops! Retiro o que eu pensei antes – Kero viu a mestra cair com tudo no chão, conseqüência do poderoso chute que a pegou em cheio. É, ela ainda continuava um pouco desastrada, reformulou seu pensamento.

'Ai, ai, ai...' – gemeu vendo várias estrelas rodando em sua cabeça.

'Não se abaixe tanto Sakura! Se não quer ser mais atingida de tal maneira, aprenda isso!' – Ywe criticou, ríspido.

A mulher levantou-se cambaleante processando a informação, automaticamente sentiu uma fisgada em suas costelas, por pouco não quebrara uma com certeza. Com a mão no lugar dolorido, fitou Ywe com um olhar nada amistoso. 'Errei somente desta vez! Não me repreenda desta maneira!' – seus olhos brilhavam de fúria.

'E de que maneira quer que eu a ensine?' – indagou também nervoso.

'Eu mando aqui, Ywe! Apenas obedeça!' – disse categoricamente. 'Compreenda que eu comecei a lutar kung fu há pouco tempo, ainda não domino completamente esta categoria marcial.'

'Tudo bem, serei mais tolerante contigo. Mas me compreenda também, se a Mestra deseja dominar as artes-marciais tem que se concentrar mais e reclamar menos.' – encarou a ruiva, a qual relutou, mas acabou concordando balançando a cabeça. 'Aconselho a terminar por aqui a luta. Machucou-se muito?'

'Não, estou ótima!' – ficou novamente de frente para Luta, abaixou o tronco despedindo-se da carta que pediu desculpas para sua dona antes de se recolher voltando para sua forma humilde. Poder teve o mesmo destino.

'Sakura!' – o tigre alado aproximou-se da feiticeira. 'Está bem mesmo? O ataque foi poderoso.' – disse preocupado.

'Já falei, Kero, se digo que estou ótima, eu estou!' – sorriu de lado. 'Não se preocupe. Estava com a magia da carta do Poder, ela me protegeu.' – fez carinho na cabeça do tigre que aprovou o afago. 'Daqui algum tempo nem irei necessitar usá-la. Estou bem forte. Sinto que meu corpo se fortaleceu bastante.'

'Isso é bom sinal. Quanto menos energia você usar, menos se sentirá cansada. Num combate isto é essencial.' – o Guardião disse.

'É isso aí, Kero. Agora chega de papo! Vamos continuar! Tente me atingir com sua bola de fogo!' – gargalhou. Adorava isso.

Kerberus concordou prontamente.

Invocando mais uma carta, pequenas asas se formaram em seus pés, possibilitando-a de dar incríveis saltos. Fugia com destreza das inúmeras labaredas que lhe eram direcionadas. Depois de algum tempo resolveu lutar com Ywe, seu báculo transformou-se em uma magnífica espada reluzente. Sakura deu algum trabalho para o guardião, há meses praticava arduamente esgrima, e não foi que descobriu ser uma ótima esgrimista? Já dominava completamente o duelo com espadas, com isso finalizou desequilibrando seu oponente e se aproveitando desse momento jogou a espada do adversário longe. Após isso determinou que era hora de usar as cartas elementares unido aos poderes dos seus Guardiões, testando-os; a primeira a ser escolhida foi Terra ao qual Ywe esquivou-se com facilidade dos pilares que literalmente saiam por baixo da terra. Sendo a segunda, Água teve a incumbência de desmanchar os pilares, derretendo-os e transformando tudo em lama; o lamaçal acabou por sujar Kero, que reclamou para Sakura que ela deveria ser mais cuidadosa, o que resultou numa ameaça de usar a Carta Bolha nele se ele não parasse de criticá-la. Aceitou o trato imediatamente. Com o Fogo a feiticeira travou uma disputa acirrada com Kero, sendo este a ser derrotado por Sakura. Ywe zombou dele dizendo que ele era mais forte que o tigre, já o tigre disse que ele além de ser metido a besta era um frutinha. Pronto, outro bate-boca. Sakura tratou de acabá-lo com eficiência calando com Silêncio os dois.

'Credo! Nunca mais treino com vocês dois juntos! Da próxima vez chamo um por vez para treinar comigo! Faço um rodízio de guardiões! O que acham?' – perguntou aos dois que mudos, apenas gesticularam reclamando. 'Ah, sim... Espera aí!' – com um gesto fez as vozes voltarem.

'É ele quem sempre começa! É injusto me culpar!'

'Kero...' – a mestra disse séria com os braços cruzados e uma cara contrariada. Não precisou dizer mais nada.

'Tudo bem, desculpa, parei!' – virou a cara, aborrecido.

'Ywe,... estou esperando.' – Sakura anunciou com o mesmo semblante.

Foi um sacrifício para o Guardião da Lua dizer tais palavras, mas por dever de obediência, falou: 'Desculpe-me, prometo tentar não discutir.'

'Não preciso passar mais sermão. Estão evoluindo. Ywe, faça um escudo! Quero ver como está minha pontaria!' – ordenou.

Com a flecha sob seu poder, Sakura tentava acertar Ywe e Kero em movimento, estando os dois protegidos com um escudo. Foi feliz em algumas tentativas, mas em outras não. Continuava lançando as flechas incansavelmente. Precisava de qualquer jeito melhorar sua mira.

Todos concentrados em suas tarefas, não perceberam alguém se aproximando rapidamente. Somente se deram conta quando ouviram um som forte, de uma música com batidas frenéticas e agudas, de rock in rool. O som emanava cada vez mais alto, provável que alguma pessoa mais e mais se aproximava de onde eles estavam. Identificaram um barulho sendo este de um carro, pois o motor podia ser ouvido, sinal de que o som vinha do veículo. De repente o som apenas de pássaros e do riacho podiam ser escutados. A paz voltou a predominar no bosque.

'O que foi isso...?' – indagou a feiticeira.

Como não aconteceu mais nada de anormal em seguida, retornaram à ação.

Batendo a porta do luxuoso carro esporte, e acionando o alarme do mesmo, um homem de terno risca de giz, alinhado, gravata verde musgo com detalhes em vermelho, camisa preta, andava pelo bosque. Sapatos de couro importado, pretos, lustrados, seguiam dando passos decididos, porém despreocupados. O sujeito assoviava girando o chaveiro com um dos dedos.

Com uma rapidez de milésimo de segundo, Sakura sentiu alguma coisa por perto. Ficou em alerta. Ywe e Kerberus imediatamente perderam a concentração também sentindo algo no ar, fazendo assim o escudo desaparecer involuntariamente. Dispersa, sem querer, a mulher disparou a flecha que de raspão atingiu Ywe. O Guardião passou a mão no braço esquerdo olhando assustado para a mulher que tinha no rosto os olhos verdes arregalados.

'Foi mal!' – sorriu sem graça.

Com a carta Flecha ainda em seu domínio, repentinamente o sentimento de antes a deixou novamente apreensiva. Tentava desesperadamente entender o que estava acontecendo ali. Respirou profundamente, seu coração queria dizer... Arregalou os olhos, boquiaberta: 'Não pode ser!' – exclamou com o tom de voz em pânico.

'Tem alguém se aproximando... Vamos nos esconder, Kerberus.' – ia alçar voo.

O Guardião concordou, ia mover-se, mas foi impedido por Sakura que se colocou à frente deles.

'Não precisam ir...' – sussurrou.

'O quê?' – Kero questionou-a.

'Por que isso?' – agora era Ywe que queria saber.

'Apenas fiquem... Vão entender.' – disse suavemente, mas firme.

Dando os ombros, os Guardiões não contestaram mais e permaneceram ali, olhando a mulher, desconfiados.

Sakura fechou os olhos, inspirou e expirou controlando os pulsos que teimavam em bater, fortes. Seu corpo sentiu um efeito lenitivo devido a respiração correta. Abriu os olhos. Cerrou o punho direito. 'Está perto... Está chegando...' – ela disse baixinho. Caminhou sorrateiramente. Os olhos faziam uma varredura no local, brilhavam na expectativa tornando-os um verde esmeralda único. 'Quase,... falta pouco...' – sussurrava calculando a chegada da tal pessoa intrometida. 'AGORA!' – com um grito lançou a flecha de forma tão rápida que as duas figuras mágicas ali nem puderem ver.

Com uma agilidade que estava longe de ser encontrada em uma pessoa normal, só se via um vulto pular escapando da arma mortal lançada pela poderosa feiticeira. Ainda com um dos joelhos no chão, com a cabeça abaixada, o misterioso homem começou dizendo: 'Cuidado! Isso pode matar alguém! Garanto que eu não quero ser esta pessoa!' – terminou levantando a cabeça com um sorriso debochado, revelando-se.

Dois pares de olhos arregalaram-se, e um par cerrou os orbes no homem vestido elegantemente, mantendo em sua face um semblante irônico e irritante. Na frente dos três, estava nada mais, nada menos do que, Syaoran Li:

'Por essa vocês não esperavam.' – sorriu de lado.

Naquele bosque os quatro se encaravam, mas de modos diferentes: os guardiões faziam uma expressão de espanto, enquanto Sakura estava séria, porém por dentro um tufão se formava em seu coração; e Li mantinha seu semblante sarcástico característico.

'Está estampado na cara de cada um o quanto minha presença aqui os deixaram surpreendidos. Não ansiava por outra coisa... Felizmente meu intento funcionou!... Surpresa!' – o homem exclamou alegremente, entretanto de longe parecendo espontâneo.

Sakura estreitou os olhos, e com habilidade disparou novamente uma flecha na direção do feiticeiro, o qual desviou a tempo pulando num galho de uma árvore próxima. Disparou mais duas vezes. Syaoran deu um salto mortal perfeito desviando com sucesso de mais uma flecha. A outra foi evitada a tempo com um mais um perfeito golpe cometendo o dardo literalmente a parar na mão do chinês. A japonesa grunhiu contorcendo o belo rosto.

'Nossa! Você está boa! Quase me pegou... De verdade! Não se chateie tanto, isso é muito difícil de acontecer! Pode confiar!' – sorriu irônico. Quebrou a flecha ao meio com as mãos.

Os expectadores que assistiam aquela inusitada cena se entreolharam assustados com os últimos acontecimentos. Paralisados, apenas ficaram vendo o casal lançando um intenso olhar um no outro. Frente a frente, como há muito tempo não se via.

'O que faz aqui?' – Sakura disse com o tom incrivelmente controlado.

'Não é da sua conta!' – Syaoran respondeu malcriado, contudo logo depois desenhou em seus lábios um sorriso colérico. 'Okay, pra você eu conto... Só pra você!' – enfatizou deixando claro que não queria aqueles Guardiões enxeridos ouvindo conversa alheia, esquecendo-se de que ele próprio se intrometeu ali.

A Mestra das Cartas sorriu de lado ante àquele rompante. Agora sim a diversão era pra valer.

'Mas está mais arrogante... Os ares da China pioraram seus defeitos seu moleque metido!' – Kerberus soltou ferozmente.

'Olha o respeito! Moleque o escambal, besta! Senhor Li Syaoran para você agora!' – devolveu o insulto sem perder a pose.

O tigre rugiu. Ia avançar sobre o homem, porém Ywe o impediu materializando uma de suas magias, fazendo-o bater fortemente no impenetrável escudo.

'Gostei de ver, Ywe.' – disse andando um pouco. 'Mesmo. Sempre soube que Guardião com G maiúsculo não perde as estribeiras facilmente. Você é um exemplo claro disso... Muito bem! Continue assim!' – o feiticeiro aconselhou.

Ywe o fitou seriamente. Problemas! Era o que o chinês anunciava estando em Tomoeda. Sakura sabia disso, mas continuava séria após aquele momento de furor durante o primeiro impacto da aparição do ex-namorado. Por enquanto. Aquela suposta autodefesa dela era temporária. Ele sabia que ela estava lutando interiormente consigo mesma. A inesperada vinda do descendente de Clow mexia com a japonesa como se um tufão a pegasse em cheio levando-a junto sem poder fazer nada para evitar tal tragédia. Tinha certeza que uma explosão ecoaria naquele bosque e ele não queria estar por perto. O assunto pertencia somente aos dois, incontestavelmente. Yukito que não iria gostar daquela pouco modesta presença em Tomoeda, e isso seria mais um problema dentre tantos envolvidos. Mas alguém teria que ter bom senso, e se coubesse a ele este papel naquela história toda, desempenhá-lo-ia sem pestanejar.

'Estão liberados do treinamento.' – a mulher anunciou quase num sussurro. Flecha retornou para sua forma de carta.

'Tem certeza?' – Ywe perguntou automaticamente, tinha a consciência de que sua mestra sabia se cuidar sozinha, mas isso era uma mania que ele pegara nos últimos tempos.

Syaoran observava curiosamente aquela interação. Colocou as mãos nos bolsos da calça aguardando a privacidade. Privacidade? Balançou a cabeça em sinal de descrença. Estava pensando muita besteira nas últimas horas. Levou a mão direita à boca, segurando-se, escondendo o sorriso, pois intimamente estava gargalhando. De onde ele tirou isso? Ao menos esperava que fosse divertido. Encarou Sakura. Por Buda! O tempo fora generoso com a feiticeira, estava mais bela se isso fosse possível. Deixara os cabelos crescerem. Ele sempre pediu isto a ela e pelo visto fora atendido. Que princesa!

'Sim.' – a ruiva encarou Syaoran de modo veemente. – 'Tenho absoluta certeza. Podem ir. Ouviu isso, Kero?'

'Ouvi! Não sou surdo... Está mais teimosa que seu irmão, Sakura!'

'Touya!' – desviou o olhar para o tigre. 'Deixa-o de fora disso! Não fale nada... Fui clara?' – seu tom de voz saiu mais ríspido do que queria. Viu o tigre acenar positivamente, contrariado. 'Você sabe exatamente o que fazer Ywe! Vão!' – ordenou.

'Uhuuhuu! Sendo sincero... Nunca imaginei isso!' – Li riu chamando atenção pra si. 'Mudei de ideia! Podem ficar, vai!' – bufou. 'Eu e Sakura não temos nada a esconder de ninguém, muito menos de seres insignificantes e inferiores e vocês se encaixam nesse patamar perfeitamente... Então, fiquem! Prestigiem o espetáculo! Faço questão!' – sorriu sarcástico.

'Que audácia!' – exaltou-se Ywe. 'Vou lhe mostrar se somos inferiores como arrogantemente afirma!' – ameaçou entre os dentes.

Syaoran ergueu uma sobrancelha desaprovando aquela intimidação e abruptamente caminhou de modo furioso parando muito próximo ao Guardião, chegando a quase tocá-lo, ficando cara a cara, disse-lhe: 'Audácia é esta proposta que está me fazendo... Porém se quiser me desafiar, marcaremos uma hora, irei adorar acabar contigo! No momento tenho assuntos mais sérios, estou ocupado demais para uma briguinha! Quando puder lhe mando uma carta,... personalizada!' – disse sorrindo ironicamente, o tom de voz o mais perigoso e baixo possível. Os olhos castanhos-âmbares saiam faíscas de tão intensa que era a irritação do feiticeiro.

Sakura interviu chamando a atenção de Ywe que se voltou para ela. Ele saiu de perto do homem pela sua própria segurança. Admitia: suou frio. Engoliu seco. Que olhar Li possuía! Kerberus, totalmente desgostoso andou saindo da vista do casal, Ywe o acompanhou lançando um último olhar a Sakura e sumiu deixando um pesado clima no ar.

Um profundo silêncio predominava no bosque. O secreto refúgio havia uma paz longe de ser permanente. Muitos sentimentos ocultos se mesclavam perante dos ex-card captors. As auras dançavam num ritmo alucinante e se intercalavam de modo perfeito como há muito tempo não acontecia, mas apesar da reciprocidade muitas diferenças existiam em cada um. Encaravam-se não acreditando que finalmente se encontravam um ao alcance do outro.

Li a olhava com uma incomum curiosidade. Os penetrantes olhos ganharam vida própria e buscava apaixonadamente o corpo da linda mulher que se tornou Sakura. O corpo bem torneado se mostrava muito gostoso e macio pra ele. Passou as mãos nos cabelos rebeldes, tentando acalmar-se. Continuou seu interessante passeio, começou, tinha que terminar. A roupa que ela vestia destacava bem as curvas da suntuosa silhueta feminina, ele podia identificar com precisão cada pedaço de pele daquela verdadeira modelo. Os lisos cabelos caramelo caiam parcialmente nas costas e colo aveludados, um pouco úmidos devido à agitação dos momentos anteriores. A suave brisa trazia até ele o doce aroma de flor de cerejeira que cabelos e pele dela exalavam. A blusa tinha um decote sensual. Que felicidade. Os fartos seios mexiam junto com a respiração arfante. Estonteante. As coxas estavam escondidas com a calça larga e que ia até os joelhos, deixando a vista parte das pernas grossas que ela possuía. Era impressão dele, ela estava mais alta? Subiu o olhar e contemplou a face de anjo da mulher que deixava-o louco, excitado. Lábios carnudos e rosados, idêntico a morangos. Droga, ele idolatrava morangos! Viu o lábio tenro sendo mordido, provocando-o ainda mais. Olhos de sua cor preferida, um verde-esmeralda arrebatador. O diagnóstico completo havia somente uma conclusão: esta mulher era definitivamente sua perdição. Seu autocontrole tinha que funcionar.

Sakura não estava perdendo tempo. Seus olhos faziam questão de analisar com detalhe e com malícia o maravilhoso homem no qual Syaoran se tornara. Infelizmente o alinhado terno escondia os braços e peito musculosos, impossibilitando-a de ver algo a mais. Porém pelo porte ele praticara muita musculação e treinara arduamente como costumava fazer quando ainda namoravam. Ainda bem que Syaoran não perdera este hábito, fazia bem aos seus olhos agora. Crescera bastante. Sua altura provavelmente ultrapassou a de Touya. O bonito rosto amadurecera muito, continha traços mais definidos. A barba feita deixava o másculo rosto limpo, possivelmente macio, cometia-a ter um desejo insano de tocar e sentir em seus dedos a pele perfeita e saudável que visivelmente ele tinha. Os olhos penetrantes, determinados, naturalmente intensos deixava-o ainda mais atraente. Era desvaneio dela ou os orbes-chocolate brilhavam de desejo por ela? Por Buda! Ela amava chocolate. Cabelos castanhos, a franja brilhante e rebelde teimava em cair na testa, decretando de uma vez todas o charme do seu amado. Mãos grandes, calejadas,... sexy. Tentador. Isso que ele era. Mordeu o lábio inferior louca de vontade de sentir de perto o cheiro delicioso que emanava de Li. Queria abraçá-lo, senti-lo perto de si em contanto com sua pele quente como fogo. Ele a incendiara. Ela havia de apagar aquele incêndio que ele começara. Como? Teria que encontrar uma maneira, bem eficaz de preferência.

'Bem... – começou Li, Sakura 'despertou' do torpor que a atingiu e rapidamente deu atenção para as próximas palavras do chinês. 'as coisas não saíram como exatamente eu planejei, mas involuntariamente você me fez um favor...' – sorriu de lado.

'O que está querendo dizer? Não entendi. Explique-me devagar. Minha humilde mente não acompanha a sua, senhor Li.' – disse sendo debochada.

Ele riu. 'Desculpe-me, mas achei isso realmente engraçado.' – riu mais um pouco. Sakura franziu a testa sorrindo levemente. 'Senhor Li também foi inusitado pra mim. Isto foi uma insinuação de que devemos nos tratar pelo segundo nome ou interpretei errado?' – indagou.

'Não, não. Sua interpretação está correta. Parabéns!'

'Obrigado.' – agradeceu e balançou a cabeça ainda rindo levemente. Levantou seu braço e sua mão direita tateou o terno, pegou algo de dentro dele e abriu um maço revelando um cigarro. Guardou o maço e pegou um objeto em seu outro bolso sendo este um isqueiro prateado, levando o cigarro à boca, ascendeu-o. Tratou de guardar o isqueiro, e tragou soprando a fumaça em seguida. 'Não concordo com isso, mas analisando friamente a situação é sensato usarmos nossos segundos nomes nessa conversação. Muito bem pensado!' – tragou mais uma vez inundando novamente o ar com a fumaça nociva.

Sakura levantou uma sobrancelha para o que acabou de passar nitidamente diante de seus olhos. Syaoran fumava? Isto era a última coisa que pensava que veria na vida, sem dúvida!

'O que foi, Kinomoto?' – estranhou Li, fumando nesse entretempo.

'É... é meio estranho o que estou vendo neste instante, é isso.' – gesticulou, não escondeu sua surpresa. Seu semblante demonstrava descrédito.

'Ah, sim! Eu entendo... Minha mãe e minhas irmãs detestam quando faço isso. Elas falam: Um dia este maldito cigarro vai acabar te matando. Ou essa: Não quero vê-lo em uma cama de hospital morrendo de câncer nos pulmões... Agora vem a melhor, escuta essa: Você está se matando, não quero compactuar com essa loucura!' – riu de lado com o cigarro entre os dedos

Sakura apenas fechou a boca olhando-o fumar. Nunca se acostumaria a ver isso em Syaoran, e lógico que não admitiria também, ele não era disso, definitivamente não era.

'Isso não foi porque eu quis.' – disse como se lesse os pensamentos da ruiva. 'Bom, não foi espontâneo, se quer saber. Foi apenas uma maneira que encontrei de suprir certas necessidades... acho.' – revelou incerto. 'É chamado popularmente de abstinência! – dizendo isso tragou pela última vez antes de jogar o cigarro na terra e apagá-lo com o sapato, amassando-o enquanto soltava a fumaça da boca.

'Abstinência?' – viu-o acenando que sim. 'Uhnn... é uma bela desculpa, senhor Li! – estreitou seu olhar.

'Acredite no que quiser. E chame-me apenas de Li, este senhor não está pegando legal.'

'Tudo bem...' – encarou-o intensamente.

'Aliás, não me olhe como se eu fosse a pior pessoa do mundo! Está me incomodando! Você tem uma parcela de culpa nisto, mocinha!' – culpou-a com um tom repreendedor.

A feiticeira compreendeu e apenas gesticulou indicando um pedido de desculpas. Sorriu diante do humor negro, porém sincero, é incrível, esta franqueza sempre seria marcante nele. Ficara feliz apesar de tudo. Syaoran dissera indiretamente que ela fizera ou fazia falta pra ele. Talvez ela tivesse mesmo um pouco de culpabilidade, de certo modo contribuiu para este vício, entretanto não se martirizaria. A escolha fora unicamente dele.

Será que o vício dela seria para sempre desejá-lo e nunca tê-lo como ansiava? Ela também contribuiu com isso. O arrependimento de ter dispensado-o há anos atrás atormentava-a por dentro e não era muito melhor do que o cigarro.

'Voltando ao assunto principal: minha vinda à Tomoeda não se encontrava em meus planos. A decisão de vir para este lugarzinho maldito não foi unicamente minha!' – deu alguns passos.

'Certo. E aquela sua promessa "de não colocar mais seus pés neste lugarzinho maldito", como classifica Tomoeda, se esqueceu desse juramento?' – indagou Sakura

'Você pressupõe que eu esqueci! Ousadia da sua parte! De maneira nenhuma eu seria negligente!' – usou um tom falso de indignação franzindo a testa.

'Perdão. Mas quero entender aquela parte de que eu o fiz um favor involuntariamente...' – andou logo parando.

'Bem lembrado.' – também caminhou um pouco. 'Os planos de expandir os negócios da minha família estavam suplementados para ser aqui no Japão, porém o empreendimento não daria certo por causa de fortes influências negativas que o seu país causa no meu. No passado houve muitas divergências... Estou usando palavras muito difíceis, ou você está compreendendo tudo?' – Li questionou preocupado, tendo no semblante um sorriso debochado.

Sakura abriu um sorriso igual ao dele. 'Está me chamando de ignorante?'

'Não me leve a mal.' – levantou as mãos. 'Somente penso que devo usar termos mais simplórios...' – foi interrompido pela mulher.

'Pelo que eu me lembro, quem era péssimo em japonês no colégio não era eu! Você pode estar se confundido, e não usando as palavras adequadas!'

'Não era péssimo, digamos que eu odiava a matéria, assim não me dedicava. Minha praia sempre foi números, cálculos, muito diferente de você.' – sorriu nostálgico.

Sakura pegou-se lembrando do passado. Queria tanto voltar no tempo.

'Para sua informação sou diplomada em História, entendo de cor e salteado estas desarmonias entre nossos países. Pode continuar.'

Syaoran mostrou-se admirado diante da revelação. Então ela se formara. Pelo jeito puxara o pai no intelecto, porque a beleza era da mãe, ainda mais estando de cabelo comprido. Sakura lhe mostrou muitas fotos de Nadeshiko posando como modelo. Bons tempos. Sorriu levemente, mas logo tratou de pôr seriedade no rosto. Não podia demonstrar interesse algum na vida dela.

'Por conta destas desarmonias, as empresas Li não lucraria o necessário para manter uma sede aqui. Agora, o que você teve haver com isso tudo? Simples. Fui deixado de lado.'– sorriu com a surpresa dos olhos verdes. 'Isto foi determinante! Agradeço-lhe por isso... falo representando o clã! Ok.?'

Incrível a frieza, Sakura pensou. Deixaria aquela indagação irônica no ar... sem resposta.

'Soubemos disso quando assumi a presidência da Corporação.' – disse Li colocando as mãos nos bolsos da calça. Ergueu uma sobrancelha. Encarou a feiticeira profundamente. Será que ela mudara muito? O controle, toda aquela suposta calma estava sendo colocada a prova por ele, certamente. O limite dela estava chegando ao fim.

'Então presumo que seu maior sonho se realizou com a toda a pompa possível! Parabéns! Sempre almejou isso...' – sorriu, seu coração batia como louco, por dentro a vontade de chorar começava.

Conhecia aquela feiticeira melhor do que ninguém. Se ela consegue enganar a todos com essa pose de "mulher resolvida" problema de quem acreditava. Ele não participaria desta falsidade medíocre.

'Meu maior sonho... Você não sabe nada de sonhos! Somente sabe destruir o dos outros!' – vociferou. "Meu maior sonho era ter você pra mim! Comigo, para sempre!" – Syaoran pensou furioso. Não diria isso em voz alta, não merecia sua consideração. Ou ao menos não poderia demonstrar isso.

Sakura abaixou a cabeça fechando os olhos. Não iria chorar! Depois, em seu quarto, ela podia se debulhar em lágrimas... Na frente dele, nunca! Ergueu a cabeça e disse: 'Não jogue isso na minha cara!' – replicou com um grito.

Li levantou seu queixo sentindo-se superior, e ficou calado.

O silêncio voltou ao bosque por alguns segundos. Apenas as respirações agitadas de ambos eram ouvidas.

'Está elegante com este terno! Fica bem em você! Combina com esta sua arrogância!' – Sakura falou sem desviar seus olhos dos dele. O presidente das empresas Li riu, descontraído. Finalmente o jogo estava esquentando!

'É...' – o homem começou colocando a mão no queixo. – 'Como se sente?' – questionou subitamente.

'O quê?' – Sakura pergunta assustada. Syaoran preocupado com ela? Seu semblante confuso faz ele rir sarcasticamente.

'Porque... quando se olha no espelho deve se sentir péssima!' – comenta divertido.

Ainda sem saber exatamente o que ele estava falando, a feiticeira observava-o analisando as possibilidades do que o orgulhoso herdeiro dos Li certamente lhe insinuava. A expressão de total dúvida a qual a face dela demonstrava devia estar deixando-o extasiado! Maldito! – pensou antes de voltar a ouvir a absoluta voz de deboche do feiticeiro.

'Todos os dias diante do espelho o seu reflexo impeduosamente a denuncia. É realmente triste!' – suspirou. 'Como consegue se olhar? Hã?'

'O que está querendo com toda essa ladainha, Li? Pare com essa infantilidade! Vá direto ao ponto! Não estou com tempo pra você!' – Sakura exbravejou. Li Syaoran definitivamente possuía um dom único de deixá-la impaciente, furiosa! O sangue todo subia a cabeça pronta para fazer uma besteira.

"LI!" – a mente dele alertou-o. Isto sem equívoco iria atingi-lo, no entanto isso aconteceria se fosse há anos atrás. Veio preparado para uma eventualidade deste tipo. A 'armadura de titânio' que ele permitiu erguer sobre si mesmo durante longos anos de amargura e solidão infalivelmente o protegeria. Um escudo poderoso feito especialmente para ela; com certeza esta estratégia lhe livraria de todo o sentimento afetuoso que existia no mundo, ela ainda perceptivelmente sentia algo desse tipo por ele. Típico de Sakura mesmo. Não era espantoso.

Ele indagava se este sentimento afável tinha modificado nesse tempo todo desde que havia partido, mas agora não se importava tanto com isso, entretanto, a curiosidade o corroia. Enfim, ele sentia pena! Quanto desperdício de amor! Apenas restava lamentar...

Sakura deparava-se a cerca de 3 metros dele, também estava se perguntando algo: o que ele pretendia com todo o show que encenava diante dela em que se apresentava com toda a destreza do mundo, uma atuação digna de ator com competência extraordinária. Será que ele próprio escreveu o script? Porque, ele nitidamente dominava completamente a cena... e ela. Ela deixava. Deixava. Sendo ela a cinegrafista, ousava querer 'filmar', assistir ao vivo e a cores até onde podiam chegar com aquilo. Apesar de tudo, o interesse dela nele ultrapassava qualquer barreira de limite. O estranho poder que Syaoran exercia sobre ela sempre fora absolutamente poderoso. O olhar dourado a consumia displicentemente, e era impossível ela pensar em fugir dele. Não, não era uma espécie de magia, e sim uma habilidade natural que o homem à sua frente possuía.

Na matemática existe uma famosa regra em que diz que, a ordem dos fatores não altera o produto. Porém esta regra também estava presente em outros setores da vida, e no caso dela o produto tinha um fator fundamental: não podia alterá-lo senão o suposto controle estabelecido ali estava prestes a sumir. E, ela não conseguiria evitar!

"O que eu faço?" – esta era pergunta-chave. Sakura morde o lábio. Como se evita algo inevitável que está prestes a acontecer? Procurou em sua corrente sua provável tábua de salvação implorando que o objeto querido lhe desse uma resposta miraculosa. Apertou o pingente de lobo, sofregamente. "Eu te amo, Syaoran... Sempre te amei."

Basta olhar no fundo dos meus olhos

Pra ver que já não sou como era antes

Tudo que eu preciso é de uma chance

De alguns instantes

Sinceramente ainda acredito

Em um destino forte e implacável

Em tudo que nós temos pra viver

E muito mais do que sonhamos

Será que é difícil entender

Porque eu ainda insisto em nós

Será que é difícil entender

Vem andar comigo...

REFRÃO:

Vem, vem meu amor

As flores estão no caminho

Vem meu amor

Vem andar comigo

Vem meu amor

As flores estão no caminho

Vem meu amor

Será que é dificil entender

Porque eu ainda insisto em nós

Sera que é dificil entender

Vem andar comigo

Vem, vem meu amor

As flores estão no caminho

Vem meu amor

Vem andar comigo

Vem meu amor

As flores estão no caminho

Vem meu amor

Vem andar comigo

Vem andar

uhuu...

As flores estão no caminho

Vem meu amor

Vem andar comigo

uhuu...

nananaranana...

ღღ

(Continua na Parte 2)


N/A: Olá! Decidi antecipar em um dia esta postagem porque realmente não via a hora de colocar este capítulo on line. Também quero explicar o porque de colocar somente uma parte do capítulo 1: resolvi dividi-lo por causa do imenso número de páginas, esta parte é praticamente a metade do capítulo completo. É, ia ser muito cansativo lê-lo completo, mas a parte 2 está completamente pronta, mas ainda não revisada! Posto o capítulo 1 parte 2 assim que revisá-lo, promessa de uma maluca inconsequente. É claro que não podia de deixar de agradecer a Maki (a litlle doll) pela revisão da cena em que S&S se separam e em algumas narrações! Ela foi um anjo em aceitar me ajudar! Obrigada amiga! Te amo! E sei que não tem muito tempo!

Dedico esta estória inteiramente a uma pessoinha muito especial que Deus me deu a chance de conhecer! Ela foi fundamental para que tudo isso esteja acontecendo! Considero-a como uma irmã e ela sabe que pode contar comigo em todos os momentos da sua vida! Sei que a vida nos prega surpresas o tempo todo, outras boas, e outras más, porém sempre temos que colocar nosso pensamento e principalmente nosso coração em Deus e ver o lado positivo das coisas! Lê, tudo passa e tudo sempre passará! hehe

Quanto ao conteúdo desta parte, a cena em que o Touya pensa que o Kero depende mais da Mestra dele e Ywe consegue manter-se bem pelo motivo de ter uma outra identidade, eu sei que é ao contrário e não concordava com isso no anime, achei que podia alterar um pouco esse detalhe. Ok? A próxima parte será a continuação deste reeencontro bombástico. Sim, uma bomba irá explodir no bosque Tomoeda! (rindo maliciosamente.) Muita ação vai rolar!

Espero que os leitores tenham gostado desta primeira parte, me esforcei ao máximo para agradá-los e vocês sabem, qualquer coisa me falem! Adoro quando sei de cada opinião! O review está disponível para que possam expressar-se da maneira como acham que devem! Afinal, é para isso que ele serve! Comentem essa primeira parte e se quiserem me dêem sugestões, sou super liberal! hehe isso é essencial para uma humilde escritora amadora. *olhar inocente*

Obrigada!

Beijocas em todos.

Tammy.


Espaço de Interação aos leitores.

Uma idéia surgiu ontem assim quando me deparei com duas opiniões que me deixaram ainda mais confusa com relação ao casal Sakura&Syaoran. Não sei (ainda) o que fazer com eles e qual dos dois devo ter mais pena! hehe Por isso vou abrir tipo uma enquete para que todos possam dar e compartilhar sua opinião. Responderei e óbvio, quem obtiver mais votos, ganhará. Na verdade você e seu personagem escolhido que sairá ganhando! O páreo será duro, hein! : p Será? Participem! Preciso saber, caso contrário, será difícil! As fics estão precisando ser mais interativas! Os leitores têm o direito de escolher qual rumo os personagens (consequentemente a fic) devem seguir! Concordam?

Vamos lá!

Enquete: De que lado você fica? (hehe)

Opção a) Sakura

Opção b) Syaoran

ou

Opção c) Fico com os dois! Eles merecem o perdão um do outro! O amor é maior que tudo!

Façam suas apostas!