"Na vida há quatro coisas que não voltam: A palavra anunciada, a água corrida, a seta atirada e... a oportunidade perdida."

Será?

Ajude-me A Te Amar

(Com Magia)

De Tammy Souza para Miss Of Darkness.


Trilha-sonora – Primeiro capítulo (Parte 2):

How Deep Is Your Love by Bee Gees.

(Audio e vídeo disponível no meu perfil.)

Legenda:

# (Jogo da velha) – Indica o Tempo em que o personagem está vivenciando.

Aspa – 'Fala do personagem.'

Aspas e Itálico – "Pensamento do personagem."

Itálico Palavras (ou falas) de duplo sentido e de maior destaque da autora (ou da personagem).

CSS

Aviso Importante: Ao longo desta parte os personagens sofrem mudanças bruscas de humor, e o teor desta leitura é mais madura e tem leves insinuações de sexo, mas nada muito além disto.

Boa leitura!


Capítulo 1 (Parte 2)

O Começo: Sombra na Alma

#Presente

Levantou-se do banco de madeira do Parque do Rei Pingüim, deixando para trás parte das lembranças do primeiro reencontro com Li. Sakura andava calmamente nas ruas de sua cidade natal, porém seu íntimo bombeava de sensações diversas. A continuação do inesperado embate dos dois enchia-a de tristeza, mas também de alegria, respectivamente, porque Syaoran Li significa tudo em sua vida, extremos opostos de orgulho a compaixão, de impaciência a compreensão, de ódio ao mais pleno e puro amor. Despertava seu senso de limite, contestando-a e revelando que o amor verdadeiro é ilimitado, em seu sentido mais nobre e generoso.

As Cartas Clow os juntaram, mas também os separaram, entretanto se isso tem esse poder, o mesmo uni-los-ia novamente.

Sorriu serenamente.

Este foi apenas o fim do começo.

#Passado (2 anos e 3 meses atrás)

O que se passava na mente do amado? Ele ainda a olhava com um brilho sagaz e provocante nos olhos, parecia que sua alma estava sendo sistematicamente diagnosticada, sendo ferozmente desvendada. Sentiu aquele velho arrepio de deleite. Ela não conseguia desviar o seu olhar do dele e ao mesmo tempo temia, queria que ele parasse de olhá-la deste modo perturbador. Muito contraditório, não?

'Seu olhar a flagra!' – Syaoran finalmente disse fazendo a ruiva pular de susto com o agudo tom de voz. 'Você pode até ter tentado e obtido com certo sucesso nesses anos todos em que ficamos separados, mascarar como somente uma ótima atriz o faz: o que seu coração ardentemente deseja.' – sorriu de lado. Li dizia cada palavra de modo pausado. Desejava que ela compreendesse claramente o seu ponto de vista e por conseqüência sofresse o que ele sofreu. Os olhos cor de âmbar adquiriam um tom escuro enquanto proferia à Sakura; viu a qual ficar tensa. Mas ela que trate de não desgastar toda a tensão e armazená-la, porque tinha mais. 'Sua alma se reflete em seus belos olhos, inevitavelmente.' – ele sorriu brevemente sincero pela primeira vez desde que se reencontraram, visualizou Sakura

Sentiu seu coração falhar por um instante. Lindo sorriso. Pena que foi tão rápido.

E que discurso interessante. Suspirou tremido, esperando-o continuar.

'A conclusão disso tudo me faz ficar imaginando como é se enganar! Negar-se! Como consegue fingir para si própria que superou ter me dado um pé na bunda há quase 4 anos atrás!... Ah! Sem ressentimentos, viu!' – anunciou Li de forma imediata e em seguida riu da cara de espanto que ela lhe fez. Ainda rindo de maneira irônica e logo após sorrindo de modo pretensioso foi aproximando-se da mulher que um dia fora confessadamente apaixonado. E se deliciou percebendo-a ficar rígida diante de si, a cada milímetro que ele eliminava de onde ela permanecia, sem mexer um músculo sequer, somente salientava seus intensos olhos verdes, chocada demais para dizer algo. Sem nenhum respingo de piedade, Syaoran continuava caminhando em direção à bela feiticeira estampando na face um semblante totalmente petulante. Decidiu parar, até porque, se não o fizesse e se aproximasse mais, possivelmente ela desfaleceria ali mesmo e não ouviria mais umas boas verdades. Com este pensamento, o coração bateu enlouquecido; o descompasso no peito o fazia respirar com dificuldade, porém conseguia disfarçar sua fisionomia excepcionalmente que chegava a assustá-lo.

Agora se encontrava a menos de meio metro dele, Sakura analisou. Como podia ser tão belo e atrevido ao mesmo tempo. Vê-lo tão de perto não estava fazendo bem para ela. Queria poder abraçá-lo e confessar sem orgulho que ela errou sim, errou covardemente e se arrependeu no fundo do coração, mas... não conseguia. Uma profunda mágoa a impedia e o jeito fútil de Syaoran só fortalecia um sentimento de repugnância que havia criado dele durante esse inesperado impacto. Um ódio fulminante desenvolvia dentro dela. Mas não queria sentir tanta raiva dele. Como? Tinha que fazê-lo parar com o pretensioso show de horror. Não queria mais confusão... Não mais.

'Syaoran, por favor, pare com–'

'Shiiii...' – o homem aproximou-se mais e ergueu o braço direito, colocando o dedo indicador nos lábios de Sakura, silenciando-a. A mulher estremeceu com o toque... Diabos, e agora? O hipotético controle estava acabando. 'Tratando-me com tanta intimidade? O que aconteceu com a sua formalidade de agora pouco?' – Syaoran disse sorrindo de lado, indagou contornando com o dedo os lábios perfeitos da atraente feiticeira. Abaixou o braço percebendo a vulnerabilidade da ruiva. Então é isso?...

Ok.

Ele tinha captado a mensagem.

'Não consigo...' – Sakura conseguiu respirar finalmente. O ar passava com dificuldade pelos pulmões estando ele tão perto de si. 'Por simplesmente... não esquecer que um dia fomos tão próximos, que fomos namorados.' – fechou os olhos assim que pronunciou a frase.

Li sorriu de lado, por dentro a satisfação por ouvir dela aquelas palavras, em particular... Uhnn... Então realmente... Interessante. Só mais um pouco. Suas dúvidas se esvaindo a cada instante. Paciência. E principalmente cuidado. Cuidado? Sorriu incrédulo, corria o risco de pôr tudo a perder se continuasse com essas insinuações perigosas. Que tal desembuchar logo o que queria? Ainda não. Calma era uma virtude que ele pretendia, necessitaria manter, principalmente ali.

Naquele esperado e calculado instante.

'Pensei que você havia decretado que nós dois iríamos nos tratar de modo bem formal... Porque deu a entender isso... Manter-nos distantes... Hum?' – ponderou Syaoran. Observou-a sorrir, fracamente, mas sorriu, diante de suas palavras, um convite claro de que ele podia continuar. 'Pois bem, Sakura, seu pedido é sempre uma ordem para mim!' – inclinou-se galanteador, tendo em seu rosto um semblante divertido e nada romântico.

'Não faça isto! Não percebe o quanto está sendo precipitado em me julgar assim deste modo estúpido?' – Sakura perguntou olhando-o sem receio, ainda com forças. Até quando?

'Pedindo clemência... Mas já, princesa? Tão depressa!' – disse Li sorrindo sarcástico.

'Chame do que você quiser, eu não me importo! ' – as lágrimas seguradas vieram à tona.

'Nossa, que autoconfiança!... Gostei! Firme!... Mas,... Sakura, não precisa mais se segurar.' – inclinou a cabeça e aproximou lentamente sua boca no ouvido da mulher. Bem lentamente. 'Vo - cê - me - a - ma!' – Syaoran disse sílaba por sílaba, afirmando com convicção. 'Me ama!... Me quer!' – sussurrou sedutor para ela. Sakura empalideceu mais se possível. Engoliu seco, já o coração, de súbito disparou no peito e temia que seus batimentos cardíacos acelerados fossem audíveis e ele se aproveitasse disto humilhando-a mais ainda. Tirou sua boca da orelha dela, olhou-a e disse com um tom sensual: 'Você me ama! Deseja-me!... Quer que eu repita mais?' – indagou cínico levantando seu braço direito novamente, segurando de modo delicado o queixo feminino, passou a acariciá-lo com o polegar. Sakura relutou diante do falso carinho e ficou a ver os olhos de Syaoran quase encostados nos seus; o feiticeiro também a encarava intensamente. De modo meio desesperado, a feiticeira virou o rosto já molhado de lágrimas repudiando o toque quente, mas considerado por ela, frio. Não esperando resposta mesmo, ele disse: 'Ou você entendeu e acredita em mim?' – gesticulou indicando-se. Deu ré afastando-se e analisando a linda, porém abatida mulher: 'Está visível!' – disse com um tom descrente. 'Por Buda! Quem diria, hein? Sakura Kinomoto, considerada por todos a gloriosa e honrada Mestra das Cartas, é apaixonada por um cara que vai se casar! Nossa, se casar!... E o mais surpreendente vem agora: não será com ela!' – gargalhou. 'Que bomba! Boom!' – sorriu de lado fitando-a intensamente.

Sakura sentiu-se o pior dos seres humanos naquele momento. Um réles indivíduo no mundo com o coração despedaçado. Elevou seu braço tocando sua bochecha a fim de limpar qualquer vestígio de fraqueza possível. Respirou fundo para controlar a vontade de chorar mais. Não daria este gostinho mais a ele. Ela não era uma simples bonequinha de bibelô dele que quando o homem tinha vontade pegava para brincar alimentando o seu bel prazer. Não! Basta! Quem ele pensava que era? O rei da China? Lá ele pode fazer o que quiser, mas a vossa majestade estava em solo japonês, devia se comportar como tal, ou seja, como um simples estrangeiro sem importância. Desenhou em sua expressão um sorriso intimidador.

'Sem palavras, suponho. ' – o som irônico masculino retornou com força total.

Calada! Syaoran sorriu de lado percebendo a mudez da bela ruiva. Quem cala, consente, não é? Novamente procurou dentro de seu terno o maço juntamente com o isqueiro prateado. Retirou o cigarro e acendeu o mesmo. Tratou de guardar o acendedor, sem desviar seu olhar do da mulher que curiosamente fitava-o de um jeito estranho. Hum.

'Não precisa ficar muda... Eu não mordo, princesa!' – sorriu de lado, tragou o cigarro e soltou logo. 'Claro, se você não quiser. ' – complementou maliciosamente.

Sakura não se controlou e arregalou os olhos, mas sem mexer em seu sorriso, de certo modo, este ficou um pouco mais evidente. Não se lembrava de ele ser tão ousado desta maneira. A timidez de Li sempre fora um empecilho quando se tratava do relacionamento deles avançar um degrau, ou dois. No caso dela também, mas era bem menos acanhado.

'Eu não quero.' – Sakura disse pausadamente. Agora o negócio muda de figura?

Bom saber.

'É uma pena! Não doeria nem um pouquinho.' – disse com certo charme. 'Muito pelo contrário! – sorriu malicioso, mordendo de leve seu lábio inferior.

A Mestra das Cartas riu com a proposta. 'Quer dizer que o rei da China quer se comportar como um sedutor barato! Pois bem, entendi seu recado, Dom Juan! Mas para a sua informação não vou ficar aqui escutando seus deboches de última hora! Tenho mais o que fazer!' – disse firmemente.

'Como sempre você entendeu errado, faltou às aulas de interpretação no colégio, imagino.' – disse insolente. 'Já as ironias, eu não tenho como evitar, desculpe-me... É mais forte do que eu.' – suspirou conformado.

'Oh, sinto muito, porém não não vou me sensibilizar com isto... Somente aconselho-o a parar por aqui e ir embora o quanto antes deste bosque, ir fazer o que veio fazer, seja lá o que for,... depois sumir desta cidade de uma vez por todas... e me deixar em paz!' – quase deixou a voz falhar. Quase. "Segure-se Sakura!" – pensou determinada.

Syaoran olhou-a de lado, sorvendo o cigarro e liberando em seguida a nociva fumaça de sua boca. Parecia tranqüilo. 'Você não quer isto.' – disse simplesmente.

Sakura observou-o, incrédula com o que ele disse. 'Esta sua soberba extrapolou todos os limites! Agora você é quem decide o que eu quero e não quero?'

'Pode-se dizer que sim...' – viu-a abrir a boca, interrompeu-a. 'Ah há! Mas espera... Vamos redefinir essa minha suposta soberba como uma simples troca de favores...' – Li sorriu e completou: 'Pelo passado.' – deu uma piscadela sugestiva."Ela não aprende mesmo! Teimosa!" – Syaoran pensou resignado. Agora chegou aquela parte em que ela finalmente se entrega... a ele.

"Será?"

'Acha que continuo sendo aquela Sakura de 4 anos atrás?' – a ruiva indagou sorrindo ironicamente. 'A encantadora garotinha... A simpática menina... A afável! A compreensiva! A legal! Que se danem todas elas! Mudei de uma forma que nunca desconfiará, Li Xiaolang!'

"Não tão fácil assim." Li mostrou-se surpreso com o rompante inesperado. Até seu nome ela disse em chinês. Raro. Depois sorriu serenamente, orgulhoso pelas palavras enérgicas da feiticeira. Humm, talvez não tão vulnerável assim. Tragou duas vezes.

É.

'Realmente acho que não tenha mudado tanto assim!'– desafiou-a.

'Não ligo!'

'Não liga... Ok.! Você não mudou nada, Sakura, continua burra e incompetente em me esconder as coisas! Não entendeu minhas palavras! Entretanto vou explicar devagar para que não haja mais divergências de raciocínio:' – Syaoran disse, sagaz.

Sempre dava um jeito de humilhá-la! Ele sempre conseguia! Sakura cerrou os dentes e os punhos.

'Não faço o tipo nostálgico. Tenho uma opinião bem formada para quem se classifica assim em determinados momentos.' – deu alguns passos a frente. 'Nostalgia é apenas uma desculpa infame para certas pessoas camuflarem as depressões quando se trata de algo dolorido. Ao invés de lutarem contra os erros, elas reprimem o passado e passam a viver em função de não terem feito nada para mudar... Se mudar. Mudar para serem melhores. Enfim, é o que eu penso. Agora eu te pergunto, princesa: Fazer algo errado é fatal?'

Sakura ergueu uma sobrancelha diante da questão proposta. Bela insinuação, ela admitia. Syaoran era sistemático demais, possuía uma inteligência do tipo que poucos conseguiam acompanhar; ela quase nunca seguia esta notável perspicácia dele.

'Depende.'

'Seja específica.' – Li pediu, amassando o cigarro com o sapato lustrado e soprando a fumaça.

Sakura suspirou. O que ele queria, afinal de contas? 'Depende de muitas coisas... Mas errar fatalmente é humano. Qualquer um está apto.'

'Inclusive você.' – cerrou os olhos dourados.

'Claro.' – a mulher suspirou novamente jogando parte do fios que estavam sob seu colo pra trás. 'E não seria o poderoso mega empresário e Líder do clã Li que estaria de fora! Ou você se considera um Deus?' – sorriu e disse com um tom bastante irônico.

Syaoran gargalhou lançando a cabeça para trás. 'Você é hilária, Sakura!' – soltou divertido.

Sakura respirou fundo antes de dizer: 'Eu errei muito nessa vida, Syaoran. Os erros me ensinaram muito, até mesmo o maior deles.' – olhou-o profundamente.

Depois desta fala o feiticeiro, subitamente, fechou o semblante divertido e olhou também de modo intenso para a mulher. Humm. Isto não estava em seus planos. O epicentro do terremoto vindo à tona antes do planejado. Teria que contornar a situação de uma maneira mais... mais... Droga! Não encontrava a palavra. Espera, encontrou... de modo mais romântico.

'O maior deles.' – pronunciou com suspense na voz. Balançou a cabeça sorrindo e afirmou: 'Esta foi ótima! Ah... foi bom você dizer-me isso, lembrei-me de uma frase, não sei se é bem exatamente uma frase, mas uma vez eu ouvi isso: Dê uma rasteira na vida antes que ela lhe dê uma!' – o homem riu de lado. 'Demais... Bem, não sei se isso cabe a você, ou cabe? Hum?'

'Talvez.' – respondeu vaga.

'Que resposta singela! Por Buda! Você pode fazer melhor do que isso!' – sorriu passando a mão nos cabelos na tentativa frustrada de arrumá-los.

'Talvez a rasteira quase tenha me pegado. Melhorei?' – indagou erguendo as sobrancelhas. Sakura sorriu e abanou-se com uma mão erguendo os cabelos com a outra. Que calor estava fazendo aquele dia!

'Um pouco...' – Syaoran disse num murmúrio. Pendeu a cabeça para o lado observando os movimentos da dama a sua frente. Sua nuca se arrepiou quando viu o pescoço todo descoberto implorando para ser beijado. Por ele. A pele levemente avermelhada indicava o quanto estava quente. Cadente. Ardente. Pare! Está bom por aqui. – deteve-se. Malditos instintos masculinos. Eles estavam sendo despertados numa hora que ele menos queria. Ou queria? Merda! Encontrava-se confuso; ele pensava que já havia superado isso, mas esta mulher conseguia tudo dele. Sabia que este reencontro iria ser difícil, porque por mais que ele a negue, Sakura ainda mexia profundamente com seus sentimentos do passado... Adormecidos.

Sakura disse, encarando Li: 'Não sei onde está querendo chegar... O que pretende fazer... O que está querendo me dizer... Não me importo!...' – respirou com dificuldade, mas continuou. 'Nessas alturas tudo o que um dia interessou a nós dois, não me importa mais!' – a mulher declarou seriamente.

O empresário apertou os lábios sentindo-se pela primeira vez nervoso, ali. Colocou as mãos nos bolsos da calça tentando pensar. Na verdade veio para Tomoeda com suas metas totalmente traçadas. Nunca, em qualquer ocasião, gostou de lidar com algum tipo de imprevisto. Um empresário como ele nunca se daria ao luxo de se permitir a isto. Dependendo das coisas em jogo o risco podia custar caro. Muito caro. E Li Syaoran não nasceu para ser derrotado. Nasceu para vencer. Prevalecer. Ele estava determinado o bastante. Não podia falhar.

'Não tenho idéia do que você realmente quer de mim, mas garanto que não irá conseguir.' – Sakura afirmou.

'Que convicção. Juro. Estou impressionado!' – Syaoran afirmou ironicamente. Que dissimulada. Por fora, ela parecia forte, determinada, segura... Esta era a imagem que ela queria lhe passar... de mulher segura! Destemida. Entretanto ele sabe que por dentro ela estava desesperada, angustiada por vê-lo não importar-se com ela como antes, pelo menos não tão explicitamente. Como ele sabia de tudo aquilo? Fácil, sua ex-namorada era transparente igual a água cristalina que era difícil não decifrá-la. E tinha também aqueles olhos... Malditos belos olhos verdes que tanto amava! Amou! Podia através deles, desvendar a alma daquela encantadora e adorável mulher. Balançou a cabeça pensando que o feitiço de anos atrás não ia mais atormentá-lo! Não mais.

Sakura levantou o queixo, e abaixou-o olhando de lado para Syaoran, desconfiada. Seu coração voltou a disparar percebendo o olhar carinhoso que ele lançou-lhe, por um instante! Mas ela conseguiu captar... Não! Ele deixou claro, pela suas palavras e pela suas atitudes que não sentia nada além de pena dela.

'Syaoran...' – chamou-o docemente. Quem sabe ela conseguiu amolecer o coração endurecido do empresário. 'Está arrependido?' Nem ela soube o porquê de soltar aquela indagação. No mínimo absurda. Mas era tudo que queria que acontecesse. Só tinha uma certeza dentro se si: queria abraçá-lo e pedir perdão por tê-lo deixado sair de sua vida, e nunca mais soltá-lo, obrigando-o a fazer a promessa de jamais deixar de amá-la. Ela seria capaz de abdicar de seu amor-próprio e esquecer-se das palavras rudes e rancorosas que ele teve coragem de dizê-la, ali. Agora! Por amor. Somente por amor. 'Eu quero... Eu quero te dizer – '

'Cale-se!' – Li cortou-a rudemente. E sem qualquer tato, falou com um tom agressivo: 'Arrependido? Faça-me o favor! Não sou homem de me arrepender, muito menos por uma mulher sem classe e pobre feito você!' – disse demonstrando uma arrogância sem limites. Ofegante, o rapaz a fitou indiferente, aparentemente. Estava descontando a própria raiva dele, nela. "Oh meu Deus!"

'O que...' – Sakura mal conseguiu completar a frase de tamanha incredulidade. Pressionou a mão direita no peito, sentindo-o latejar de dor. Os olhos produziram um brilho aguado, sofrido, descrente. Não queria acreditar mesmo. Li não era o tipo de pessoa que se preocupava com este tipo de coisa. Nunca! Ele não tinha este tipo de preconceito. Até porque ele se envolveu amorosamente com ela... Sorriu tristemente. "Isso foi no passado, sua idiota.". – baixou a cabeça, mas levantou-a decidida. Cerrou os punhos recriminando-se por ainda ter uma ínfima esperança de que tudo voltaria a ser como era antes! E havia acabado de usá-la, extinguindo-a de vez. Estreitou os olhos cheios de lágrimas não derramadas olhando-o e disse com uma voz entrecortada: 'A sua nobreza o faz ser uma pessoa importante, não nego. Porém a sua arrogância o faz ser um humano lamentável! Desprezível!' – vociferou enfurecida e decepcionada. Respirou profundamente e disse menos raivosa. 'Custa-me agora a acreditar que fomos namorados um dia!' – sorriu de lado. 'Eu nunca o conheci de verdade!'

'Patética! – o rapaz gritou a plenos pulmões, fazendo-a recuar um pouco já que ele aproximou-se dela consumido pela fúria, pela dor, por ouvir dela aquilo. 'Eu sou um idiota por... A Mestra das Cartas é patética!' – soltou quase perdendo o controle.

'Eu descobri tudo!' – a professora exclamou alto, não se intimidando. 'Sua família! Os anciões... Aqueles velhos hipócritas, metidos fizeram sua cabeça distorcida contra mim! E claro, ordenou para que viesse aqui tentar me humilhar, me jogar na cara tudo o que ELES querem! Mas não têm coragem pessoalmente!... Te usaram Syaoran! Não percebe isso?' – despejou de forma nervosa.

Li cerrou os olhos analisando cada palavra dita, respirando ofegante. Se ela soubesse da verdade... Respirou corretamente colocando as mãos nos bolsos. Levantou a coluna, estufando o peito forte. Compostura! Assim passaria uma imagem melhor a ela. Imagem de homem inatingível. Sorriu de lado.

'Você pensa que sou tão influenciável assim?' – perguntou pacificamente. Não gostou de ela lhe subestimar deste jeito.

'Não! Mas acho que você quer isso!' – Sakura disse firme.

'Não sabe de nada!' – sussurrou rapidamente para ela. Passou a mão pelos cabelos tentando acalmar-se. Mente fria, mente fria, repetia pra si mesmo. "Está na hora de usar a tática do 'homem sensível', temporariamente. Tática, só eu mesmo.' – achou graça da tática, mesmo sendo uma que acabou de inventar naquele momento. 'Eu próprio tomo todas e quaisquer decisões. Sou dono de mim. Ninguém me obrigou. Vim por conta própria aqui, neste bosque, te encontrar e dizer essas coisas... Entendeu, por fim agora? Ou está difícil?' – indagou calmamente.

A ruiva abaixou a cabeça, e erguendo o braço direito colocou a mão tremida em sua face. 'Eu não te amo... Não mais. Vá embora.' – Sakura disse baixo, tendo na voz um leve tremor, sem forças. Gastara tudo. O seu estado por dentro se encontrava completamente estilhaçado, machucado, sem condições nenhuma de 'lutar' contra Li... e principalmente, contra ela mesma. Restava se sustentar somente com as pernas. Para não cair por terra, literalmente.

Syaoran sorriu dando alguns passos, aproximando-se mais da feiticeira. Ela estava totalmente vulnerável agora. Que burra. Por que ela faz isso se sabe que não conseguirá persuadi-lo do contrário. Ele via. Ele sentia. Ele sabia. Ponto final.

'Não fique triste,... meu Anjo.' – disse suavemente. Subitamente a mulher levantou a cabeça tendo em seu semblante os olhos esmeraldas, arregalados, surpresos. Talvez pela mudança repentina no tom de voz dele. Syaoran chegou novamente a poucos centímetros de onde Sakura permanecia. Estática. Elevou seu braço tocando a pele aveludada da face delicada.

Se fechasse os olhos ela diria com veemência que esses quase 4 anos se separação não tinham existido. O tom de voz que ele usou há pouco era idêntico de quando os dois namoravam: doce, gentil, apaixonado. Estremeceu sentindo o toque quente da mão do feiticeiro em seu rosto. Tão carinhoso. Tão suave. Tão gostoso. Somente Deus e Buda sabem o quanto ela sentira falta deste afago, deste carinho... Estava tão carente... Tão necessitada dele. Ela sorriu amolecida ainda sentindo-o. Decidiu inesperadamente se esquecer onde estava, o que acontecia... Entregar-se-ia a Syaoran naquele instante, abraçá-lo-ia e beijá-lo-ia, se afundaria entre aqueles lábios ardentes, exigentes, macios e não os largaria tão cedo. Fechou os olhos sofregamente. Não podia evitar. Sucumbiu finalmente aos apelos do seu coração. Da sua alma...

Do seu corpo...

I know your eyes in the morning sun

(Eu conheço seus olhos na manhã ensolarada)

I feel you touch me in the pouring rain

(Eu sinto você me tocando ao cair da chuva)

Viu cada reação dela ao seu contato. Excitante. Syaoran mordeu o lábio inferior, satisfeito por ainda ter esse magnífico poder sobre ela. Continuou tocando-a, esfregando gentilmente o polegar pela bochecha rosada. Pelo queixo... Ele sentia prazer em somente tocá-la, assim, sem malícia. Sem segundas intenções. Que mulher.

'Não gosto de vê-la tristonha. Prefiro mil vezes vê-la zangada, nervosa, até com ódio de mim do que triste... Isto corta o meu coração.' – sussurrou, ele não foi irônico, muito menos sádico, foi sincero, apesar de contraditório. Realmente ver a pessoa, a garota que ama perdidamente assim era inadmissível, mesmo tentando magoá-la, sentia-se mal, ele não era um homem do mal. Tinha seus princípios. Sorriu por dentro com esses pensamentos. Sorriu orgulhoso de si, porque apesar de tudo ele não entregou a alma, muito menos o seu coração, ao diabo. A infelicidade que ele sentiu nesses longos anos de dor fora quase insuportável. Mas ele fora forte e determinado o bastante para superá-lo. Suspirou frustrado. Retornou sua consciência ao que estava fazendo. Olhava-a de pertinho sentindo ao respirar o aroma do perfume da flor da qual a mulher cheirosa levava o nome.

'Sakura...' – sussurrou rouco. Penetrou seus olhos dourados nos esverdeados da feiticeira. Abriu a boca liberando o ar. Sakura encarava-o valentemente, olhando de modo intenso. Valente sim, porque ele sabia que ela lutava interiormente contra si para não cair, de preferência, em seus braços. Podia ser somente charme dela esta hesitação, porque sabia que ela não estava resistindo a ele. Convencimento? Pode ser, mas não era. Era outra coisa. Irresistível? É, era isso. Ele era irresistível, constatou por fim*.

Sorriu por fora mostrando o quanto ele podia ser romântico, quando ele queria, lógico. 'Fui honesto quando disse não gosto de vê-la infeliz.' – Syaoran acariciou o queixo deslizando para os lábios sabor morango. 'Apesar de tudo.' – murmurou quase a beijando. Humm, a boca, que vontade de prová-la, mergulhá-la, de ir além, sentir com a língua o doce da boca inteira, inteirinha, cada milímetro para ser mais exato. 'Verdade verdadeira.' – sorriu, agora genuinamente, sem ironias por trás.

Encantada por ver o gesto que a fascinava, Sakura baixou um pouco as pálpebras, os orbes dilatando-se pela simples loucura de o que via em sua frente, era uma ilusão e uma alusão de que o amado estava sorrindo tão lindamente, verdadeiramente, para ela. Por ela. Com ela. Sorriu acreditando nele. Li retribuiu.

Depois de tantas acusações, insinuações, intimidações, o casal resolveu deixar as diferenças um pouco de lado e esquecer, pelo menos por um tempo, um passado pouco bom.

Afinal, o que eles teriam mais a perder, já que perderam um ao outro (?).

A mulher sentia o hálito do homem, acariciar sua pele quente incendiando-a de vez. Começou a respirar com certa dificuldade fazendo seu peito arfar um pouco mais que o normal. Estava ansiosa. Levantou mais sua cabeça cometendo a visualizar com precisão o belo rosto, os olhos envolventes castanho-chocolate. Nossa, olhando assim, tão de perto, ela ficava a cada segundo mais louca por chocolate. Mordeu o lábio inferior tornando-o mais vermelho e carnudo. Este gesto chamou a atenção de Syaoran:

'Que tentação. Quer me deixar louco, é?' – perguntou sedutoramente. Aproximou sua boca da dela, mas antes deu mais dois passos chegando a quase tocá-la com o seu corpo. Não desviou os olhos dos dela nenhum segundo.

Sakura não respondeu, não conseguiria, e por nada do mundo desviava seu olhar do dele. Queria visualizar a alma dentro desse olhar tão envolvente. Porém, como se seu corpo tomasse vida própria, as íris focaram os lábios masculinos entreabertos, doidos para beijá-la, não restava dúvida. Como se fosse magia, seu corpo a impulsionou para frente indo de encontro a Li, batendo levemente no homem. A reação em cadeia foi inevitável. Irremediável.

Irreprimível.

O choque do atrito dos corpos de ambos perpassou-os rapidamente dando-lhes a vontade incontrolável de tocar-se mais, mais... e mais.

Com sincronia o casal aproximou-se, definitivamente, ele arrebatando-a pela cintura e ela enlaçando-o com desejo pelo pescoço. De início o beijo parecia calmo, de nada combinava com a maneira que quais os dois se enroscaram, afoitos, impetuosos, como se a vida de cada um dependesse unicamente daquele gesto extraordinário. Syaoran apertou-a contra si tentando matar todas as saudades só naquele contato íntimo. Sakura, sem esperar pelo pedido que naturalmente viria, abriu mais a boca querendo sentir imediatamente a língua sedenta dentro de si. As línguas exploravam sem medo a boca do outro. Excitou-se quando Syaoran a puxou ainda mais cometendo que seu corpo queimasse todo. Ele não tinha pena dela? Não tinha. As mãos grandes se esfregavam freneticamente em suas costas, cintura, quadril... ele estava deixando-a louca! Acariciou a nuca, descendo uma mão pelo braço, apertando deliciosamente os músculos rijos escondidos pelo terno.

'Sempre tivemos uma química perfeita.' – Li sussurrou por um entretempo de separação de lábios. 'Coisa de pele.' – ofegante, observou a feiticeira abrir os olhos e cerrá-los como se fosse desfalecer a qualquer instante, mas ele a puxou mais, se possível, contra si, eliminando qualquer hipótese de que ela cairia. 'Adoro o sabor da tua boca...' – roçou sensualmente os lábios nos de Sakura. Beijou-a, só que desta vez, devagar, lentamente, queria avaliar pacientemente a textura da carne macia e doce. 'Tem sabor de calda de morango... Doce e quente, igual ao seu beijo. Eu amo calda de morango... Deliciosa!' – sussurrou beijando o canto dos lábios e depois passou a beijar o queixo feminino de forma tranqüila, sensual.

Estava deixando-o seduzi-la. Sakura suspirou ouvindo a voz rouca e absolutamente voluptuosa dizendo para ela tais palavras. Sua visão nublou-se por pura fascinação por ele. Syaoran continuou a sua trilha de beijos por todo o seu rosto, e quando chegou a seu maxilar, o homem levantou sua cabeça liberando assim o caminho pelo pescoço alvo, cheiroso. Ofegou mais forte sentindo os lábios ardentes molhando sua pele já incendiada. Ah, que maldade boa, que tortura gostosa. Agarrou os cabelos grossos do feiticeiro, massageando-os.

'Você é um homem mau.' – sussurrou pertinho do ouvido de Li quando ele deu por encerrado os beijos em seu colo. 'Mau.' – repetiu Sakura sorrindo de puro deleite. Mordiscou o lóbulo e beijou levemente depois.

Syaoran deu um suspiro para reprimir a vontade de gemer de prazer. Esta ruiva o enlouquecia. Estava ensandecido. Tinha que colocar a cabeça no lugar. Precisava continuar com o seu plano.

Mas...

And the moment that you wander far from me

(E no momento que você está longe de mim)

I wanna feel you in my arms again.

(Eu quero te sentir em meus braços novamente)

Abaixou novamente sua cabeça na direção de Sakura e encaixou seu nariz nos fios acobreados. Inspirou profundamente sentindo a fragrância inebriante de cerejeira invadir seu olfato. Ludibriava-o. Este perfume era sua perdição. Inspirou mais uma vez, mais duas, diversas vezes. Queria aproveitar este momento ao máximo... até porque, ele estava acabando... pelos seus cálculos.

Que se danem os cálculos. Quem diabos inventou isso não tinha o que fazer não? Indagou-se bravo, enlouquecido de desejo.

'Gosta de cheirar meu cabelo tanto assim?' – a voz doce foi ouvida, havia um tom de brincadeira nela.

O empresário finalmente tirou sua face dos fios da bela Mestra das Cartas e sorriu de lado. 'Não.'

Sakura ergueu uma sobrancelha diante da negação. Ele podia se esforçar mais. Sentiu a pressão em sua cintura se intensificar mais revelando que Syaoran não ia soltá-la tão cedo. Os dois encaravam-se desafiadoramente, sedutoramente. Apoiou suas mãos nos ombros largos e acariciou-os veementemente. Agora ela que se inclinava até ele, mas não tanto, pelo motivo de ele ser alto, não necessitava inclinar-se muito. Inalou o pescoço sentindo o perfume de almíscar invadir sua narina, entorpecendo-a. Continuou sua rota interessante pelo pescoço forte; inspirou novamente. Só não sentia mais porque a maldita gola da camisa preta do rapaz impedia-a. Abriu os olhos vendo a pele masculina se arrepiar. Sorriu com satisfação. Então ela ainda conseguia causar tais reações nele.

'Gosta de cheirar meu pescoço tanto assim?' – agora Li a indagava, divertido.

'Não.' – respondeu brindando-o com um sorriso provocante. O homem soltou um risinho e mordeu o lábio inferior. A mulher observou este gesto e nasceu dentro do seu âmago um desejo insano de estar no lugar dele e mordê-lo como ele fez neste momento. Mas com paixão. Muita. 'No entanto gosto de outra coisa.' – disse com um tom malicioso. Sabia que estava entrando no jogo dele. Mas o que fazer quando o homem que você ama profundamente está na sua frente incitando-a? Syaoran sorriu de modo charmoso, fazendo-a revelar o que ela gostava. A professora aproximou-se do empresário pendendo a cabeça para o lado chegando a tocá-lo com seus lábios, abaixou as pálpebras e 'fisgou' com os dentes o lábio macio e desejante do chinês. Puxava-o adoravelmente. Na sua mente nada mais importava ao não ser o modo de como mordiscava Li. As mãos femininas continuavam acarinhando os ombros másculos.

Syaoran, de olhos fechados, apenas deixava a japonesa provocá-lo. Nunca sentiu tanto prazer em ser mordido, mas assim desta maneira incrivelmente erótica, insinuativa, sua vontade de permitir que Sakura continuasse era incontrolavelmente prazerosa. Quando ela parou, seu olhar encontrou-se novamente com as esmeraldas, estas se deparavam com um brilho, o brilho dos apaixonados. Que olhos divinos. Ela era realmente um Anjo. Seu Anjo com asas machucadas. Subiu as mãos pelas costas do seu Anjo com asas quebradas e começou a massageá-las habilmente, maliciosamente. Percebeu a aprovação dela ao vê-la fechando os olhos, sôfrega. Não. Franziu a testa. Desaprovou esta reação. Queria continuar a contemplar os lindos olhos verdes que o encantavam. Sakura arqueou as costas pressionando mais seu corpo com o do chinês, aumentando a sensação de libido que nascia nele.

A feiticeira desceu suas mãos, sem deixar de acarinhá-lo, e tocou o peito vigoroso, começou a acariciá-lo lentamente.

Syaoran gostou do estímulo que estava recebendo, em êxtase inclinou-se, e com sua boca próxima da orelha da ruiva, sussurrou roucamente: 'Beija-me.' – ordenou.

Sakura olhou-o fascinada diante da ordem e abruptamente puxou-o, com certa violência, pela gravata verde, surpreendendo-o. O homem conseguiu sorrir antes se ser tomado pela japonesa que o abocanhou gulosa.

Os rostos mexiam-se conforme o desejo de ambos explodia elevando-os ao ápice da fogosa e inenarrável paixão. As bocas se descobriam de novo, mas pouco se importavam de repetir a dose tropical e embriagante de um beijo avassalador.

Continuavam beijando-se intensamente. Intercalavam um beijo no outro para não perderem o tal negligenciado fôlego. Percebendo a permissão de Sakura, o chinês avançou nos carinhos tornando-os mais íntimos passando a grande mão pela nádega e depois pela coxa grossa, apertando-a com fervor. A japonesa por sua vez, transferiu uma mão do peito forte para a bonita face do rapaz. Pegou a face trazendo-o para ainda mais perto de si. Tocava-o nas laterais do rosto querido: acariciou o queixo quadrado, a mandíbula, a orelha, os cabelos rebeldes, deixando-os mais desalinhados do que eram naturalmente, enquanto a outra mão passeava perdidamente pelas costas largas do chinês, instigando-o. O beijo exigente aprofundou-se ao máximo rompendo o limite do desejo insaciável do casal de feiticeiros. O desejo de um pelo outro. Sakura gemeu por entre os lábios sentindo a língua ávida acariciar a sua. Meu Deus! Ele estava a devorando! E ela, ele. Li apertava-a cometendo a senti-lo com seu corpo, este começava a querer mais e mais dele. Sorriu quando finalmente libertou sua boca.

'Nossa!' – Sakura exclamou ofegante. Precisava recuperar seu ar. Nunca sentiu tanta delícia em ser beijada. Apoiou suas mãos no peito forte. 'Esse foi o melhor, sem dúvida!' – disse charmosa, referindo-se ao longo e intenso beijo. Seus seios agitados movimentavam-se devido à respiração ofegosa chegando a tocar o peito igualmente arfante de Syaoran. Observou os lábios inchados e úmidos do homem. Os olhos dourados brilhando de cobiça. Que visão. Ela estava no céu?

Sim. Porque o inferno certamente não existia um ser tão lindo assim.

Li notou o contato dos fartos seios em seu tórax, não podia ignorar essa sensação, não havia como. Ele a queria... Estes toques... Eram sexies demais. Insuportáveis e delirantes. Estava extasiado. 'Concordo plenamente contigo.' – disse baixinho, beijando-a apaixonadamente em seguida.

Sakura correspondeu ao beijo abraçando-o pelo pescoço.

Não! Era errado! – sua consciência exclamou de repente. O que acontecia era um erro. Mas com certeza era um erro que ele cometeria sempre, confessadamente. Seu plano, Syaoran! – sua consciência alertou-o, condenou-o. Afastou-se bruscamente da ruiva antes que isso fosse impossível. Aquele jogo de sedução tinha que acabar ali. Não podia fazer isto.

'O que foi?' – a moça estranhou a separação repentina. Sua cintura foi solta pelo chinês, intrigando-a mais ainda. Não houve resposta. Cobrou-o pegando a gravata, puxando-o pra si. 'Por quê?' – sussurrou perto da boca masculina. Beijou o homem de forma irresistível sendo retribuída.

'Não!' – Li disse assim quando separou a boca da dela. Recuou seu rosto, mas a tentativa foi frustrada, a mulher puxou-o novamente, agora pela nuca. Beijou-a com desejo. Sakura sempre fora assim: insaciavelmente teimosa. E ele adorava isto. Ainda com os lábios grudados com os dela, disse: 'Chega, Sakura... ' – pegou-a pelos braços, empurrando o corpo desejável para longe de si, porém a ruiva segurou-o pela gravata. Ah, por que ela fazia aquilo? Seu ego inflamava junto com o seu corpo, o qual já estava queimando de desejo pela ruiva. 'Chega!' – Syaoran, numa atitude mais enérgica, tira bruscamente sua gravata da mão da determinada mulher. Afastou-se por definitivo. Escapou dos braços da feiticeira, indo parar a alguns metros dela.

Sentiu-se seriamente abandonada, novamente. Sakura abraçou-se tentando confortar-se do frio que apossou o seu corpo no instante em que o homem esquivou-se dela parando longe.

And you come to me on a summer breeze

(E você veio para mim em uma brisa de verão)

Keep me warm in your love then you softly leave on the you

(Que me mantém aquecido com o seu amor, então você vai embora de repente)

Ainda ofegante, ela se virou encontrando o chinês também recuperando o fôlego, e a compostura. Que engraçado.

'Eu... eu me descontrolei.' – a voz grossa ecoou pelo bosque atingindo diretamente Sakura. 'Isso não vai mais acontecer.' – disse, sério, sisudo, como provinha a sua natureza.

'E quem lhe garante?' – soltou ironicamente. Sakura dá alguns passos na direção do empresário. 'Vou refrescar a sua memória: Sou uma mulher de 22 anos. Assumo meus atos, sejam eles responsáveis ou irresponsáveis. Quais forem!... Basta de me proteger de tudo! Sempre odiei esta proteção e a partir de agora não admitirei tal comportamento de você.' – apontou-o. Desviou seu olhar para uma árvore. 'Eu também me descontrolei.' – suspirou profundamente.

"Hum, não é que você realmente amadureu. Eriol tinha razão." – Syaoran pensou. Surpreendeu-se, erguendo uma sobrancelha. O que mais sentiu assim que botou seus pés na maldita Tomoeda foi surpresa. Mas até que aqueles loucos beijos intensos não tinham lhe atrapalhado. Pelo contrário. Havia matado um pouco das saudades, do imenso prazer de que era estar nos braços da bela flor. Tê-la para ele... era mágico.

'Eu garantouma coisa.' – Li sorriu de lado, aproveitando a deixa. Sakura voltou-se para ele, temerosa pelo tom, esperando-o continuar. 'Mais a pouco... se tivéssemos continuado...' – deu ênfase na palavra, sugestivamente. 'certamente acabaríamos numa cama... gemendo, vorazes...' – disse pausadamente, foi malicioso, mas o mais franco possível; sorriu divertidamente vendo Sakura virar-se sem graça 'Os detalhes, aqueles lá, você sabe, são proibidos para menores... Ficam a encargo da nossa imaginação... Claro, se ela for fértil, melhor ainda. Oh, muito melhor.' – sugeriu completamente ousado no tom... e nos termos.

A japonesa virou-se de volta corajosamente, fitando Li

'Aí, nós dois iríamos nos condenar por ter sido tão irresponsáveis,... insensatos. Eu me culparia, você idem. Começaríamos a nos xingar por um tempo indeterminado; você me chamaria de canalha aproveitador; eu retrucaria a altura, lógico; comportaríamos pateticamente; envergonharíamos a nós mesmos para sempre, e nos restaria somente a lembrança de como foi bom, entretanto o fato de que isso não poderia ter acontecido iria nos assombrar para o resto de nossas miseráveis vidas!' – terminou sua tese, respirando, enfim.

Incrível. Syaoran realmente se superava. Superava todas as expectativas dela. A lógica dele era irrevogavelmente sensata. Mas não menos arrogante. Não escondeu sua surpresa e Li, observador, entendeu:

'Eu sei... Sou muito racional mesmo.' – o empresário disse. Estufou o peito arrumando a gravata, colocando-a para dentro, esta havia saído do terno por causa dos acalorados movimentos de há pouco.

Sorriu audaciosa. Estava mais para excêntrico isso sim, Sakura pensou. Mas não verbalizaria essa opinião particular. Ele já era convencido o suficiente. E lá estava a passibilidade típica dele. Ele avaliava o céu, como quem se pergunta se vai chover ou fazer sol. Simplesmente assim.

'Nossa, você analisou tudo... isso... tão rápido. Foi praticamente instantâneo.' – ponderou Sakura

Syaoran fechou os olhos sorrindo de lado, pôs-se a abaixar o tronco, agradecendo o suposto elogio de Sakura. 'Obrigado, princesa.'

Sakura virou-se de costas para poder sorrir, limitando-se a isso. O sorriso foi de incredulidade. Mas dela mesma. Ela não acreditava que havia entrado no jogo dele. Droga! Syaoran manipulava ela e o pior que estava gostando. Balançou a cabeça, xingando-se. Pulou literalmente de susto ao sentir um toque em sua cintura. Um braço a rodeava delicadamente. Não percebeu a aproximação.

'Sakura...' – sussurrou, sensual, no ouvido feminino, porém antes afastou com a mão os lisos cabelos compridos, colocando-os no outro ombro, enterrando assim sua face no pescoço perfumado. 'Perdão, te assustei...' – desculpou-se. 'Mas você se encontrava tão distraída, eu sei que és assim... Me achei no direito de se aproveitar disso... Não resisti.' – explicou com a boca rente à orelha aveludada. Abraçou-a por trás levando seu outro braço a rodear inteiramente a cintura fina.

Aquele calor de novo... O peito duro apertava suas costas estimulando-a a ceder mais uma vez aos encantos do chinês. Syaoran estava louco! E ela também! A voz rouca e baixa lhe instigando a cometer um desatino. Um insano desatino. Gemeu. Não pôde evitar. Era gostoso demais tê-lo... o corpo viril, másculo grudado no seu frágil, feminino... Era loucura demais para ela. Abraçou os braços possessivos estimulando-o a continuar ali, bem perto dela. Calor com calor. Pele com pele.

Coração com coração?

'Lembra-se quando no dia dos namorados tivemos a idéia de fugirmos da festa particular de Tomoyo para que não fôssemos filmados... Ia ser muito constrangedor comemorarmos este dia a três.' – riu descontraído. 'Hum?'

A feiticeira sorriu meigamente com a doce lembrança. De olhos fechados apenas aproveitava a presença tão próxima do amado. Gostou de ouvi-lo rir despreocupadamente. 'Lembro.' – respondeu preguiçosamente. Estava a ponto de adormecer nos protetores braços.

Espera aí, despertou. O que ele pretendia ao lembrar-se disso?

Este dia... foi... os olhos arderam. Essa não.

'Escapamos de Tomoeda sem avisarmos ninguém, pegamos um trem para Tókio totalmente sem noção para onde exatamente iríamos.' – dizendo isso inalou o pescoço sentindo a pele branca se arrepiar. Sorriu. 'Este dia foi...'

Sakura prendeu a respiração vendo em suas reminiscências a...

'a nossa primeira vez. Eu disse que encontraríamos a oportunidade certa para fazermos amor.' – fungou e beijou a nuca da mulher. 'Nos amamos como nenhum outro casal amou... sim, inseguros, inexperientes, mas suficientemente apaixonados para se amar do modo mais intenso que há.'

Sentiu a água quente e salgada cair de seus olhos, desmoronando-a de vez. Syaoran a segurou, erguendo-a. Sakura derramou mais algumas lágrimas devido às lembranças da primeira noite de amor dos dois. Crueldade da parte dele.

'Você deve estar achando que estou sendo cruel ao fazê-la lembrar-se disso, nessas circunstâncias.' – sussurrou com os lábios encostados no ouvido feminino, como se lesse os pensamentos da professora. 'Mas lembre-se: foi mais cruel que eu ao ter a audácia de me chutar da sua vida sem ao menos tentar aceitar o meu destino e viajar comigo para convencermos àqueles velhos metidos, como você mesmo os chama, de que éramos fortes o bastante para enfrentarmos qualquer obstáculo que se interpusesse em nosso caminho!... Nosso!' – exclamou ríspido, separando-se bruscamente de Sakura.

"Lamento que tenha que ser desse jeito, meu Anjo." – Syaoran pensou com pesar, estreitando os olhos. "Mas não tem outro jeito. Não é?"

And it's me you need to show

(E é pra mim que você deve mostrar)

How deep is your love

(Como é profundo o seu amor)

Sakura soluçava depois de ser empurrada bruscamente pelo feiticeiro. Merda de vida! Por que ele fazia aquilo? Estava sem saber como agir. Ele conseguia este feito.

'Quando cheguei à China sozinho me segurei para não chorar que nem um bebê idiota. Tinha que me manter firme como uma rocha! Senão tudo ruiria definitivamente.' – o chinês recomeçou, a voz rouca denunciava a dificuldade dele em dizer, e o que ainda estava para dizer. 'O líder do clã Li, apesar do título não tinha escolha.' – riu ironicamente. 'Engraçado isso pra mim agora. Eu quem tenho mais autoridade nos negócios, diante da minha família sou um menino amedrontado.' – disse com certa mágoa.

'Não diga assim.' – Sakura triste, tentava consolá-lo, ao mesmo tempo que arriscava a sua consciência pela hipótese de ser culpada da dor de Syaoran.

'Você quer que eu diga como?' – o empresário gritou, nervoso, angustiado. "Por que tudo tem que ser tão difícil?" – pensou pra si, passando a mão pelos cabelos.

Sakura continuava chorando, queria ser forte, porém todo o seu ser se comovia pelo seu amado.

'Devido ao seu maior erro...' – sorriu de lado, viu Sakura se assustar. 'fui inclinado a desenhar meu destino da forma que menos ansiava! Você, Sakura, sempre foi tudo que eu desejava! No entanto quando tínhamos tudo para sermos felizes, você puxa o meu tapete e me deixa cair diante de toda a influência do clã, que tanto eu quanto você, odeia! – estorou, em seu íntimo o que estourava era o seu coração. Viu Sakura se sobressaltar mais uma vez, e derramar mais lágrimas, chegando a novamente soluçar. – 'Cometeu um erro fatal e incontornável!'

'Não!' – Sakura chegou perto dele olhando-o intensamente. 'Posso ter errado quando te deixei ir sem mim, mas isso não justificava que somente eu errei! Tudo tem dois lados, seu teimoso! Você não me deu chances, nem tempo.'

'Quem lhe disse que é preciso de tempo quando o que se sente é amor verdadeiro? Ah, e chance? Eu lhe dei chances o suficiente! Você é burra mesmo!' – Syaoran disse firmemente, porém ofegante, esta aproximação dela tirava-lhe o fôlego.

Mas por quê? Por quê? Sakura indagava e observava o rosto duro, mas o olhar estava diferente, havia um brilho suspeito. Por que ele voltara para condená-la deste jeito? Não tivesse voltado. Tudo não estava bem do jeito que estava? Não, claro que não. Ela sentia-se confusa e chateada. Queria entender o motivo de ele negá-la tanto. Levantou seu braço e acariciou a face que parecia feito de pedra, se não fosse a maciez da pele bronzeada que a enlouquecia de desejo.

...Is your love... How deep is your love?

(...É seu amor... Como é profundo o seu amor?)

I really mean to learn

(Eu realmente quero saber)

'Pare!' – Syaoran tirou bruscamente a mão dela. 'Saia de perto de mim!' – empurrou-a pelos ombros quase a fazendo cair, caso ela não se apoiasse na árvore. 'Me rebaixei demais por você! Chega!' disse raivosamente, virando de costas. Não suportava olhá-la tão abatida.

Seu coração doeu de uma forma intensa; não aguentou a carga alta de emoção que pesava sobre seu corpo. Sakura caiu sobre o solo, fraca. Soltou um lamento um tanto alto, que fez Li voltar-se imediatamente para ela.

'Cause we're living in a world of fools

(Porque nós vivemos em um mundo de enganações)

breaking us down when they all should let us be

(Nos deixando para baixo quando todos eles deviam nos deixar)

we belong to you and me

(Nós pertencemos um ao outro)

O feiticeiro cerrou os punhos, com um semblante de dor, contudo disse autoritário: 'Levante-se do chão! Não se rebaixe como eu! Olhando-a assim, desta maneira baixa, sinto meu estômago dar reviravoltas de nojo! Sinto-me enjoado!' – Li disse energicamente.

Sakura cessou os soluços, restando apenas as lágrimas amargas que teimavam em molhar a face de boneca. Tentou erguer-se, porém a simples tarefa tornou-se impraticável: seu corpo não obedecia mais suas ordens. Droga, não queria irritá-lo mais, se possível.

Sentimentos, emoções reprimidas finalmente estavam manifestando-se neles.

'Dou-lhe um conselho: coloque-se de pé, não quero terminar com você jogada aí neste chão, como se fosse um lixo imundo qualquer!' – Syaoran ponderou com a típica expressão séria. Não viu ação.

O empresário andou subitamente até a mulher, pegou-a pelo braço e, puxando-a sem qualquer delicadeza, disse com os dentes cerrados: 'Eu mandei você levantar! Está se fazendo de surda! Ou o quê?' – chacoalhou-a, incentivando-a a responder.

Se fosse outro homem ela com certeza meteria a mão na cara do miserável que a segurava tão arrogantemente cuspindo-lhe palavras tão ásperas. Mas não era um qualquer. Era simplesmente Li Syaoran. O menino, o homem que amava. Que sempre a ajudou nos momentos, seja de desespero, seja de fraqueza, seja de pura dor de cotovelo. Que abriu seus olhos quando a loucura de recuperar as cartas cegava-a. Que foi sua luz quando ela andava nas trevas da obrigação de restaurar as cartas. Que foi sua coragem quando ela não conseguia levantar seu queixo e ir à luta, devido a sua covardia de não se arriscar muito, arriscar não ela, mas de não colocar a vida dos seus familiares e amigos em perigo... Por ter sido suas pernas e ajudá-la a alcançar a vitória, em todos os sentidos possíveis... Por ser o melhor amigo de sua vida e ensiná-la que o verdadeiro amor se constrói com amizade, determinação e bravura.

Como odiá-lo?

I believe in you

(Eu acredito em você)

You know the door to my very soul

(Você conhece a porta para minha alma)

You're the light in my deepest darkest hour

(Você é minha luz em minhas horas de profunda

escuridão)

You're my saviour when I come

(Você é minha salvação quando eu caio)

Como condená-lo? Sakura perguntava. Se alguém sabe as respostas, revele-as. Ela não sabia.

Ele sempre a guiou, mesmo agora com tal brutalidade. Coisas que somente o amor era capaz.

Syaoran virou Sakura para ele pegando os braços já avermelhados pela força que as mãos masculinas e nervosas descarregavam-na. 'Não tem coragem de me encarar agora? Que coisa feia! Eu teria vergonha... ahh, não, não, me desculpe, você deve estar com vergonha de si mesma e não consegue olhar-me dentro dos olhos! Que contraditório, não! Há alguns minutos atrás estávamos nos agarrando, QUASE NUMA CAMA... Você não se importou com ISSO!' – jogou na cara dela sem respeito. Ofegante, disse, completamente fora de si: 'Acho que seria melhor se transássemos e jogássemos todo o pó em baixo do tapete... O que acha?' – sorriu maliciosamente. 'Vamos aproveitar... Ainda está em tempo.' – beijou a bochecha molhada e lambeu o próprio lábio. Ficou esperando a resposta da proposta indecente.

'Se acha que vou replicar este absurdo como deseja, ESTÁ ENGANADO!' – ela gritou finalmente deixando transparecer alguma reação que não fosse a de choro. 'Ousadia sua de me fazer esta proposta indecorosa com uma cara mais lavada do mundo! Você não tem o direito de me falar essas coisas só porque foi rejeitado por mim!' – agora chegou sua vez. Sakura sorriu, parcialmente recuperada do choque súbito. O rosto inchado e com resquícios de lágrimas, afrontava-o.

'Está cometendo mais um erro,... dos muitos que já cometeu!'– acusou mais uma vez. Respirou fundo fechando e abrindo os olhos. "Isso, Sakura. Me odeie." – pensou tristemente.

'Vou complementar minha resposta quanto à sua pergunta sobre se errar é fatal.' – Sakura disse limpando a face úmida, e levantando o rosto dignamente, continuou com uma voz embargada: 'Todos os seres humanos estão sujeito a errar, se for involuntariamente não é fatal, e se não for é compreensível. Muitas vezes é inevitável não acertar. E dentro desta fraqueza está o aprendizado, a lição; então vemos o quão imperfeitos somos diante de Deus.' – Sakura emocionou-se, mas não voltou a chorar, respirou fundo vendo Li a encarar mudo, com um semblante indecifrável. 'Não podemos julgar a pessoa que nos magoou, principalmente se nós a amamos e sim pararmos de ser orgulhosamente patéticos e reconhecer que todos erram e com isso o que temos que fazer é perdoá-la,... é a única saída para todos. São nossos semelhantes; todos merecem perdão.' – sorriu serenamente.

Syaoran continuava a encarando sem desviar por sequer um segundo seu olhar. Ele entendia tudo. Passou por isso e aprendeu muito, mas Sakura não citou uma coisa: O correto muito vezes tem que ser sacrificado por um bem maior. Não dizer a verdade podia ser um erro, mas tê-la que revelar seria doloroso demais. Poupar Sakura era para ele, o mais acertado.

'Sábias palavras.' – Li disse sinceramente. 'Temos realmente muito o que aprender nesta vida, evoluir.'

'Sim. Todos nós merecemos uma segunda chance!' – Sakura disse séria.

'Chance.' – disse Syaoran como se esta palavra não existisse para ele. 'As coisas para mim não funcionam como para os outros.'

'Você quer dizer para o seu clã.' – Sakura ponderou.

'Estou incluído no clã para sua informação!' – Syaoran riu de lado e disse mais enérgico. 'A minha família não tem certas ideologias, filosofias como as suas e a dos outros. Seguimos uma tradição porque sempre funcionou há milhares de anos! Mas apesar de tudo isso eu tenho um lado pessoal que diz respeito somente a mim! – apontou-se. – Incrível, não é? E aproveitando essas palavras, vou sanar uma dúvida sua: Não estou aqui pelos Lis por vingança pelas cartas. A resposta definitivamente é não. E mesmo que fosse não faria tanta diferença.

O homem colocou as mãos nos bolsos e caminhou até chegar muito perto da mulher . 'Estou aqui para te mostrar que superei tudo e dei a volta por cima e você pelo jeito, não. Conitnua alimentando este sentimento, esta esperança tola. É isso. Estou lhe fazendo um favor, por incrível que pareça!' – o chinês disse arrogantemente e logo após riu divertido, querendo parecer concenvido disto.

"Tudo bem." – Sakura ponderou estreitando os olhos. Este incidente todo não tinha nada haver com o clã. Tinha suas dúvidas. Antes de soltar qualquer outra palavra, a feiticeira deu um passo adiante encarando-o fixamente. 'Ok. O que você tem mais para mim?' – disse encarando os lábios tentadores pertinho dos dela. 'Ou acabou?'

Mulher teimosa! 'Tenho mais isso: Que tal um eu te odeio? Só para finalizar.' – Li abaixou os olhos e observou os lábios sabor morango contraindo-se.

'Nada mal.' – a voz falhou perceptivelmente. 'Repita se for homem.' – desafiou-o. Com suas forças renovadas, ela enfrentava-o.

Syaoran arregalou seus olhos âmbares ante a provocação; pôs-se a certa distância da ruiva. Enfiou a mão em seu terno e pegou o maço quase no fim. Puxou um cigarro e acendeu-o rapidamente com o conhecido isqueiro prateado. Tragou e disse: 'Eu te odeio!' – disse olhando-a nos olhos. 'Satisfeita?'

Sakura engoliu seco. Baixou os olhos... Então... Levou inconscientemente às mãos na corrente de ouro, escondida parcialmente antes pela blusa rosa, pegou-a e apertou-a com sofreguidão. ...tudo não passou de um engano. Não! Ele não a iludiria mais!

'Não! Mentira... É mentira!' – disse nervosa. O verde dos olhos furiosos. 'MENTIRA! MENTIROSO!' – berrou na cara de Li.

Syaoran fumava, sentindo-se apreensivo. Nem o maldito cigarro que tinha o dever de acalmá-lo estava surtindo efeito nele hoje. Deus alguns passos nervosos, massageando as sobrancelhas tendo o cigarro na mesma mão. Voltou-se para a professora: 'É verdade... Sinto muito.' – o homem sorriu tentando intimidá-la.

O coração do feiticeiro estava acelerado fazendo-o sentir agonia. Mesmo nesse estado ele mantinha-se irredutível quanto ao seu propósito.

And you may not think that I care for you

(E você não deve pensar que eu não me importo com você)

when you know down inside that I really do you

(Quando você sabe que lá dentro eu realmente me

importo)

O propósito de fazê-la odiá-lo e esquecê-lo de uma vez. Assim ela não sofreria mais por ele, sim?

'É mentira!' – Sakura disse séria, o timbre fino engrossou de tanta seriedade. 'Mentira!' – deu passos corajosos e avançou no feiticeiro tirando com tudo o cigarro da boca masculina. 'Você não cresceu! Ainda é um moleque por dentro!' – disse sem medo. 'Isso...' – mostrou o cigarro arrancado. 'é prova que mesmo tentando me mostrar que cresceu... que virou homem (!), não passa de um moleque metido a machão e frouxo!'

'Como ousa sua...' – deteve-se. Passou a mão pelos cabelos rebeldes, frustradamente na tentativa de acalmar-se.

'Continue!' – instigou-o. Jogou o cigarro longe. 'Cadê a coragem? A astúcia de Syaoran Li? Os Li não são valentes, poderosos, invencíveis? Cadê o arguto Xiaolang Li?' – sorriu de lado fazendo questão de chamá-lo novamente pelo nome de origem.

Syaoran cerrou o punho se odiando pelo próprio medo de ser mais incisivo em suas convicções. Falsas sim. Confessava. Seu traidor coração simplesmente não o deixava ser mais decisivo, objetivo como tanto gostaria. "Droga!"

Uma luz divina acima da cabeça de Li acendeu-se milagrosamente. Hum... Bela idéia. Mesmo sendo arriscado, ele teria que tentar de qualquer jeito.

'Vamos tornar esta fria discussão em algo melhor? Em algo quente, de preferência.' – indagou estufando o peito. Sorriu desabotoando o terno e logo em seguida tirando-o habilmente. Percebeu a confusão no semblante da Mestra das Cartas. 'Proponho-lhe um acerto de contas...' – gargalhou rapidamente. 'Uma luta. Aceita?' – dobrou o paletó risca de giz, caríssimo, colocando-o em um galho próximo de onde se encontrava.

'Ah...' – a feiticeira finalmente percebeu a intenção do amado. Movimentou-se o observando desabotoar as mangas da camisa preta, arregaçá-las e dobrá-las mostrando-a que queria uma luta mesmo. 'Deixe-me ver se entendi tudo: Você está me convidando para uma luta?' – disse incrédula.

'Surpreendente! Você me entendeu. Isto não acostuma acontecer.' – sorriu de lado. 'É, é exatamente isso: duelo, combate, batalha... Defina como quiser!' – Syaoran disse afrouxando sua gravata e em seguida abriu alguns botões da gola da camisa de linho nobre a fim de se sentir- mais a vontade; afrouxou mais a gravata sentindo o ar passar aliviadamente pela traquéia.

'O Líder-herdeiro, mega empresário de Hong Kong, guerreiro mais poderoso do prestigiado clã Li, está desafiando uma simples professora do interior do Japão?' – Sakura riu, irônica

'Sim, acertou parcialmente. Nota 8! Esqueceu-se de um detalhe importante: você pode até ser uma simples professorinha, mas a moradora do interior do Japão é "meramente" a feiticeira e dona das Cartas Sakura.' – sorriu de lado, posicionando-se. 'Por isso não se menospreze, princesa, porque eu não o faço mais!' – apanhou em seu bolso as distintas esferas negras, Sakura reconheceu-as e ficou em alerta. 'E eu... além de guerreiro, senhorita Kinomoto, sou, para o seu azar, um poderoso e mortal feiticeiro!' – disse com um timbre assustador, mais sério do que nunca. Materializou a sua espada com uma agilidade impressionante e soltou o feitiço: 'Deuses dos relâmpagos e das tempestades elétricas que dominam os cinco elementos, eu os ordeno que venham ao meu auxílio. Ataquem-na!' – a agressiva magia foi em direção ao alvo.

Sakura, automaticamente, invocou o Salto, safando-se, mas milimetricamente quase fora atingida pela devastadora magia de Syaoran. Escudo fez sua parte protegendo as árvores e animais do bosque, senão com a absoluta certeza tudo estaria em brasa. Mas que droga! O chinês não estava para brincadeira! Ele queria coisa séria. E teria! 'Está doido! Quer me matar?' – ela indagou furiosa e surpresa, respectivamente, em cima de um grosso galho.

'Oh, pensei que não seria de bom tom, da minha parte, subestimar a Mestra das Cartas.' – Li sorriu empunhando a espada.

Ele, ao oposto dela não mudara nada, analisou Sakura. Só estava um pouco mais hostil. Syaoran continuava sarcástico, dono de si, mas meticuloso quando lhe convinha. Estas características eram por demais irritantes... Entretanto eram o que fazia o sangue dela ferver. O empresário tornava-se muito charmoso... Só faltava ele tirar a camisa! Seria uma boa estratégia, com certeza a desconcentraria. Aí! Aquele intenso calor estava fritando seus neurônios. Droga! Chacoalhou a cabeça tentando colocar os pensamentos em ordem. Enfrentaria uma luta agora e precisaria estar 100% atenta. Não eram Ywe ou Kero quem estava a sua frente lhe testando, e sim Syaoran Li provocando-a. Estreitou os olhos. O golpe quase a atingiu, por pouco ele não a fritara. Engoliu seco. Olhou na direção onde se encontrava antes de pular para a árvore e viu o resultado do feitiço de Li: o lugar antes verde estava em cinzas; havia restado somente fumaça.

'Terra para Sakura! Acorde ou vai realmente se ferir. Não estou para brincadeiras.' – disse rigidamente. 'Mas antes que comece, vou te dá um aviso importante: Para a sua informação, isso não foi um quinto do meu verdadeiro poder! Portanto, use suas cartas mais poderosas... Vamos! Ataque-me!' – Li gritou já impaciente pela falta de ação da feiticeira. O que ela pensava? Que o moleque frouxo era fraco?

'Deu pra notar' – ela disse se referindo ao poder do feiticeiro.

Realmente seria duro confrontar ele. Logo Syaoran, que sempre se manteve ao seu lado a ajudando incondicionalmente. Ensinando-a utilizar as cartas da melhor forma possível, agora ela usaria-as contra seu companheiro. Correção, ex-companheiro. Como o mundo dá voltas. Respirou fundo na tentativa de tirar o passado da sua confusa mente e de seu atormentado espírito.

Como usar as cartas contra o dono do seu coração? Esta incógnita a consumia.

Sua briga interior foi percebida. Syaoran ergueu uma sobrancelha diante da hesitação dela quanto a lutar com ele.

'Não tem coragem de usar seu grandioso poder contra mim? Hum? De ferir-me?' – relaxou fechando os olhos. Sorriu e continuou: 'Tinha a consciência disto quando lhe desafiei.' – revelou abrindo os intensos orbes castanhos, fitou-a veementemente. 'Mas mesmo assim me expus. Conselho sábio: bote de uma vez por toda nessa sua cabeça linda que não é o seu amor que está aqui prestes a lutar para valer contra você. Não lute com o coração, e sim com a cabeça' – apontou a própria. 'e esqueça-se do detalhe de eu estar me arriscando a sair daqui ferido.' – disse com seu semblante sério. Posicionou-se outra vez empunhando a espada de prata. 'Não ligo para isso. Me garanto!'

Sakura fechou seu semblante confuso. Com a expressão extremamente séria, refletiu sobre o que Syaoran disse-lhe. Este homem possuía uma mente muito confiante e principalmente equilibrada. Sempre quis ser como ele. Equilibrada nas horas que necessitava. Inspirou e expirou preparando-se para entrar em ação. Por onde começar? Que indecisão! Esse chinês era extremamente orgulhoso,... teimoso... e ela amava. Amava até os defeitos daquele que a desmerecia naquele momento. Amava-o por inteiro. Sorriu por dentro, emocionada.

and it's me you need to show

(E é pra mim que você deve mostrar)

How deep is your love

(Como é profundo o seu amor)

'Deus do vento vinde a mim!'

Sakura trincou os dentes e desviou com o Salto do forte vento lançado subitamente, indo parar novamente ao chão.

'Merda, Syaoran!' – gritou vermelha de ódio. A rapidez do vento tinha atingido a velocidade da luz, ou o quê! Ofegante, ela encarava o homem a sorrindo desafiadoramente.

'Surpresa?' – riu de lado. 'Quase atingiu a velocidade da luz. Mas não se preocupe... Estou me empenhando ao máximo para que um dia isso aconteça.' – disse lendo o pensamento da bela flor. 'Na minha próxima magia vou utilizar novamente o vento, sugiro que a princesa use uma carta elementar para contra-atacar. Não fique somente fugindo, não é digno de seu poder!' – acusou com o seu timbre grosso.

O punho direito cerrou chegando a machucá-la. A ruiva andou sorrateiramente escolhendo a carta-chave do momento. Carta elementar o escambal. O petulante lhe revelou sua próxima magia querendo protegê-la, de certa forma, mas não acataria a suposta ordem. Ele não aprendia nunca! Era um idiota.

Fechou os olhos concentrando-se e elevou sua aura. Levantou um braço a fim de soltar as cartas do seu ocultismo, revelando-as uma por uma acima de sua mão, a qual emitia uma luz imensamente enérgica, fazendo o bosque iluminar-se todo.

'Ahh, despertou finalmente! A ação vai começar enfim! Beleza!' – Syaoran vibrou parecendo um garoto, e logo depois sorriu admirado com o tamanho impressionante da magia da digníssima Mestra. 'Era isso que eu queria!' – atacou-a com sua devastadora magia do vento que mais parecia um tufão. 'Deus do vento vinde a mim e transforme-se em vendaval!' – a magia vem à tona, mas pára obedecendo ao feiticeiro, que faz gestos precisos com a mão, a ponta da espada toca o vento intenso.

Os olhos fecharam-se, incomodados com a ventania que trazia terra em si. O forte vento soprava com uma força similar a de vendaval, mas com a diferença de que parecia a de dezvendavais juntos. Os fios longos da feiticeira batiam na delicada face como se fossem vários chicotes incontroláveis e impetuosos. Ela precisou segurar os cabelos para que o próprio não a machucasse mais. Firmou seus pés no chão para não correr o risco de voar involuntariamente.

'Invoco o Supremo Deus da Tormenta!' – a gloriosa espada recebe o poder dos céus e Li dispara imediatamente contra Sakura.

'Movimento!' – invocou a carta e rapidamente muda de lugar parando atrás de Syaoran que, com seu treinado reflexo, vira e depara-se com a ruiva, a qual lhe manda a insuportável Areia resultando numa verdadeira tempestade da mesma. Que ironia. Sentiu um déjà vu. Sorriu com a lembrança. Velhos e bons tempos. Mas o esperto feiticeiro evita ser atingido materializando um escudo em uma fração de tempo. Acredite, o guerreiro foi muito rápido. Teria de passar em câmera lenta para poder ver o intento do rapaz. Sakura arregalou os olhos e cerrou os dentes.

'Muito inteligente Sakura. Mas não o bastante para me enganar.' – disse sarcástico. O escudo manteve-se intacto, com a poderosa magia da carta Areia unida à própria magia aperfeiçoada de Syaoran. 'Esta cidade é um inferno nesta época... Nem Hong Kong que é mais quente é desse jeito!' – reclamou bufando, e logo após viu a água cair em abundância no bosque. O céu 'desabou' devido à magia do empresário. O pé d'água caia diante dos feiticeiros. Desfez o escudo e gradativamente o vento diminuía sua intensidade restando apenas uma leve brisa úmida.

Sakura já sentia sua magia fraca levando em conta que anteriormente usara uma quantidade expressiva de energia. O Escudo que se mantinha ativo, desativa-se juntamente com o súbito desgaste da dona. Syaoran não pareceu notar.

Molhados, uma melhor descrição, ensopados devido à forte e mágica chuva que caia sobre seus corpos, o casal se encarava silenciosamente. A mulher, ofegante, xingava o feiticeiro enquanto o homem calculava seu próximo passo.

"Ela perdeu o Escudo. Deve estar cansada." – Li pensou. Quanto empenho. Ele estava admirado. "Mas mesmo neste estado parece ter forças além da sua magia."

Is your love... How deep is your love?

(É seu amor... Como é profundo o seu amor?)

I really mean to learn

(Eu realmente quero saber)

'Uma chuva caiu bem.' – riu Li, descontraído. Sentia-se relaxado com seu corpo finalmente refrescado. Não se importava de estar com as roupas pesadas e cabelos atraentemente encharcados. Nem a madamepelo visto. Gostou do que estava vendo. Que privilégio. A roupa colada lhe permitia ver com perfeição as curvas do corpo escultural da bela ruiva. Os olhos novamente faziam um básico tour. "Nossa,... quanta beleza numa só mulher." – simplesmente não conteve o pensamento lascivo vendo a modelo molhadinha somente para ele. De repente a chuva cessou completamente com apenas um rápido gesto do rapaz. Inspirou o agora, ar úmido.

'Realmente estava precisando... chover.' – Sakura disse sorrindo divertida, tirou os fios molhados do rosto para prendê-los com o próprio cabelo, cometendo-o a um coque improvisado. O filho da mãe acertou no fato de que ela precisava de uma carta elementar para detê-lo. Por falta de aviso não foi. Ele sabia como manipulá-la e o danado conseguiu com sucesso. Syaoran a conhecia mais que todos, mas não mais que ela mesma. Iria mostrar-lhe. Era um ousado! Seus olhos baixaram-se reparando o físico do chinês, moldurado, permitindo-lhe uma visão mais precisa do corpo bem trabalhado: o peito, o abdômen, os braços fortes a fazia quase ter um acesso de taradice, correr e se jogar literalmente sobre ele. Ousado... Os cabelos rebeldes baixaram o seu natural volume tornando-os momentaneamente lisos e absolutamente sensuais; na testa, a franja pingava libertinamente. Respirou fundo na tentativa de conter as sensações tentadoras que o sensual chinês lhe despertava. Odiou-se por pensar uma coisa dessas em uma hora totalmente imprópria, não notando que o bonito homem a analisava de modo parecido. Posicionou-se, diferente das outras vezes e sorriu discretamente.'Agora é a minha vez!' – hesitou um pouco antes de dizer: 'Proponho uma luta, mas desta vez lutaremos usando espadas, um duelo de esgrima se preferir.' – deu com os ombros. Invocou a carta Espada, a arma surgiu majestosamente nas mãos da corajosa mulher.

Syaoran Li sorriu ironicamente ao ouvir a audaciosa, porém não menos burra proposta. Se ela pretendia derrotá-lo inegavelmente não seria na esgrima! Ele era sem falsa modéstia,o melhor. 'Nota-se o quanto está sendo arrogante... Depois fala de mim!... – respirou fundo e continuou: 'Esgrima é uma das minhas especialidades! Não será fácil, Sakura! Você deve está ciente disto, não?' – disse debochado, mas temeroso por ela. 'A não ser que quer ter o privilégio de ser derrotada pela minha adorável pessoa...?' – sorriu de lado.

'Resposta da primeira pergunta: com certeza, Li querido.' – sorriu empunhando a espada, provocando-o. 'Resposta da segunda: pare com estas suas ironias e mostre pra mim o que sabe.'

Li arregalou os olhos chocolates. Mas logo em seguida disse, sério. 'Está bem, eu aceito. Até porque serei o vencedor mesmo.' – ergueu a sobrancelha sorrindo. Empunhou a sua companheira de longos anos, gesticulando que atendeu ao pedido tentador da professora.

'Não esteja tão certo da sua vitória antes de começar, Syaoran. Uma sábia sugestão!'

'Toda regra tem sua exceção, Sakura. E esta sua sábia sugestão é uma delas. – apontou sério. 'Uma aula teórica e básica pra você: Esgrima é dedicação, treino árduo, leva anos de prática. Não me venha dizer que é páreo pra mim.' – olhou-a duramente. 'Soube o que era uma espada e o que ela fazia aos 4 anos. Desde meus 5 anos de idade luto. Ou seja, há 17 anos eu treino! É muito desaforo ver esta confiança toda!'

'Desculpe-me se te ofendi... Mas se te desafiei não foi por desaforo. Confesse, está com vontade de me mostrar o quanto é bom.' – sorriu vendo-o se surpreender. 'Vamos, Syaoran, eis a sua chance!' – atacou-o dando início à disputa.

'Quanta asneira!' – defendeu-se habilmente, porém quase é tocado de raspão. 'Estou cansado de você querer me convencer que está segura de si!' – aplicou sua técnica infalível que não foi tão indefectível quanto gostaria. Li cerrou os dentes, frustrado por não ter sido capaz de acabar imediatamente com aquela luta da qual o seu adversário era uma mulher que mal sabia o que era pegar numa espada de verdade. Olhou-a não acreditando na possibilidade de ela lhe vencer.

Os poderosos e orgulhosos adversários cintilavam as espadas graciosamente fazendo um som harmonioso no bosque, contrastando assim com a hostilidade das investidas de ambos.

'Se eu não tivesse qualquer noção de segurança não estaria aqui te enfrentando... ' – defendeu-se de mais uma investida do rapaz que por pouco não atingira seu peito. 'Estou segura de mim o tanto quanto o perspicaz Li Syaoran não está tão certo do que esteja falando é o que realmente acha...' – protegeu-se horizontalmente. 'de mim!' – cansada de só se defender, atacou-o com uma determinação fora do comum. E olha, ela nem estava utilizando a carta Força.

Li bufou ainda não aceitando a força anormal daquela iniciante, sim, em comparação a ele que se dedicou quase toda a sua vida a aprender a arte da esgrima. Humilhação! Esta sina o perseguiria sempre quando Kinomoto Sakura existir. Sua técnica era extremamente eficiente, mas por que então o autoconsiderado experiente e melhor (guerreiro) não conseguia demonstrar a sua característica superioridade diante da feiticeira? Será que a magia fazia-a estar sempre um degrau acima dele? Devia ser. Pegou-a de surpresa pela lateral onde tinha detectado um ponto fraco. Seu intento funcionou, mas a mulher por sorte, sim, por sorte, evitou milagrosamente que a arma fosse jogada a metros de distância. Deu um passo pra trás com o semblante transtornado. O que estava acontecendo consigo? Ou a pergunta certa era o que acontecia com Sakura?

'Nossa, para quem dizia vencer tão facilmente está me saindo muito desorientado.' – sorriu orgulhosa de si. Li contorceu o belo rosto. O casal se encarava com suas armas brandidas caso um queria pegar o outro de surpresa. 'Aposto que está se questionando como eu consegui manter uma luta até agora com você. A resposta é simples: Não é somente o senhor que treina. Tenho me dedicado incansavelmente à arte da espada. Ah sim, neste instante, artes-marciais para mim não se limita em apenas pedir uma ajudinha à carta Luta!' – Sakura manteve o sorriso orgulhoso ao ver Syaoran ficar mais transtornado com a revelação.

Mas ao contrário de ficar intimidado, o chinês desenhou um sorriso arrogante de lado e disse sussurrando: 'Prove-me.' –empunhou a espada mais para frente cometendo que a arma letal quase tocasse a pele feminina, contornou-a conforme as curvas da japonesa permitia. 'Esgrima com toques marciais. Hum?' – sorriu sugestivo.

Engoliu seco observando a mortal arma contornar seu corpo de modo malicioso. Esgrima até que vai, mas uma luta corpo a corpo com o feiticeiro encontrava-se fora de cogitação. Não havia dominado completamente nenhuma modalidade de luta e sabia que ele era um mestre. Realidade pura. Aprendeu a ser realista e não aceitaria nem por decreto arriscar sua vitória e quem sabe, sua saúde física, porque a emocional... estava um caco.

Sua estabilidade mental ainda funcionava. Não sei como. – Sakura pensou, ofegante.

'Vejo medo em seus olhos.' – Li sussurrou, compreensivo. O homem começou o segundo round com mais determinação, atacou-a forçando a outra espada para trás. Não ia mais subestimá-la quanto a ela lutar com uma espada. Trocou de posição, locomovendo-se às costas da sua oponente.

"Falo demais." – a ruiva admitiu em segredo. Trincou os dentes bloqueando o ataque de ferro do homem. Não teve outra solução a não ser invocar urgentemente a carta Força. A carta obedece à ordem mental da dona tornando-a mais forte a ponto de evitar que o chinês force-a a se livrar da espada para não cair, mais uma vez, por terra. Li foi empurrado e quase se desequilibra. Reparou a raiva contida nos olhos dourados.

'Bela ajuda!' – Li soltou ofegante. 'Mas não conte sempre com ela.' – sorriu limpando a testa molhada. Vê Sakura lhe sorrindo de volta, porém percebe que sua oponente estava concentrada ante o próximo ataque.

"Concentração é tudo." – Sakura pensava enquanto mostrava-se ainda imóvel encarando o homem também parado com um semblante mais sério que ela já vira nele.

'Ela não é melhor do que você!' – Syaoran sussurrou para si, confiante ao fato de que sua ex-namorada não o venceria tão facilmente, se ela lhe vencer – Não poderia descartar a possibilidade por mais que isso doesse nele – que vencesse a dando muito trabalho.

Sakura resolveu atacar terminando com o "teste de paciência" que Li demonstrava a ela. Atacou-o, determinada e seguramente impetuosa. Syaoran lhe sorriu mostrando que havia gostado do reinicio do segundo round. Sua espada era mais longa e mais fina, o que dava uma certa vantagem em relação a espada de Syaoran, a qual era bem mais grossa e por isso mais pesada, o que dificultava a ele se de movimentar com mais rapidez do que ela, sem contar que o homem era mais pesado. – Sakura analisou observando sistematicamente os movimentos super rápidos dos dois, porém ela tinha uma vantagem, apenas esta, e tinha que a usar a seu favor o mais rápido possível.

Syaoran defendia os golpes incessantes da mulher com segurança, mas sua percepção o dizia que era para ele ficar mais atento que o habitual. Percebeu quando Sakura investiu com mais energia contra sua espada, querendo que aquela luta acabasse de uma vez. Então que não tenha um terceiro tempo! Parou de defender-se, preparando o ataque. Atacaria ela com inteligência, investindo num golpe nas pernas, que a obrigaria abaixar-se e ele aproveitaria para atacá-la com um golpe surpresa. E fim. Ele venceria.

Sakura estava cansada demais para continuar com aquela luta, ofegava muito e sentia suas forças diminuírem devido ao uso excessivo de magia. Viu Li lhe sorrir, aquele velho sorriso convencido. Não. Seus esforços não seriam em vão. Tiraria este sorriso irritante da bela face e colocaria no lugar uma nada satisfeita surpresa. Mais uma para a coleção dele.

'Nunca pensei em que veria e viveria tudo isto. Realmente é surpreendente!' – Syaoran disse enquanto calculava o golpe final. Segurava a bainha da espada com força.

'Você não viu nada!' – Sakura soltou convictamente. Por sua percepção apurada soube o que Li pretendia. Sorriu para ele. Daria o que o empresário queria, só que com o detalhe: o ataque final era dela!

O homem sorriu orgulhoso, mas foi somente por um instante, logo ficou sério, concentrado. Sakura estava cansada, percebia pela respiração arfante dela e também pela sua presença mágica que ficava pouco a pouco mais fraca.

'E...' – Sakura começou, mas Li a interrompeu.

'Vou te fazer um favor, Sakura.' – Syaoran sorriu de lado. 'Você vai ficar triste, mas vai me agradecer depois. Ou não.' – sorriu ferino e com rapidez investiu contra ela, numa sucessão de golpes dos quais sua adversária defendia com dificuldade, dizendo a ele que as forças dela estavam sendo findadas. Quando ia dar o golpe que terminaria com aquela luta idiota, aconteceu uma coisa contrária à sua inteligência.

Sakura prevendo o intento dele, fez uma manobra arriscada com a espada pegando a de Syaoran antes de ele tocar sua perna. Impôs todo o seu peso contra o adversário, pegando-o numa situação de surpresa. Desprevenido, a arma do chinês é jogada a uma distância considerável. Li observou sua espada caída que antes de ir ao chão girou numa velocidade impressionante, parecendo um simples graveto. Impossível. Ele não acreditava! Com uma expressão incrédula estampada na face, ouviu a voz cansada de Sakura:

'não viveu nada! Pelo menos não até alguns minutinhos atrás.' – completou entre a sua respiração agitada e sorrisos. Com a arma ainda empunhada, saiu da posição de batalha, baixando a guarda e apoiando-se nos joelhos com suas mãos, de olhos fechados. Estava cansada, usou parte boa parte de sua força física e além da agilidade que precisou usar, a desgatou quase inteiramente.

'Como foi possível?' – Syaoran indagou, mas se arrependeu logo depois, parecia estar fazendo papel de bobo.

Sakura ergueu o tronco, um pouco recuperada, e disse-lhe com um sorriso triunfante: 'No fundo somos iguais, Syaoran, tendo uma única diferença: sou mais eficiente do que você.'

'O quê?' – disse arregalando os olhos. Arrependeu-se novamente. Confirmou de papel de bobo. Droga! Seu raciocínio ficou lento agora? 'Esse foi o verdadeiro golpe de sorte. Literalmente!'

A feiticeira ia falar algo, mas Espada subitamente se desativa, voltando à forma de carta ao mesmo tempo em que sua dona faz menção de cair.

'Sakura!' – Li age automaticamente conseguindo segurá-la pela cintura antes da queda. 'Sua doida!' – repreendeu, mas suavemente, levantou-a circundando seu outro braço na japonesa, sentindo o corpo molenga. Olhou-a com os olhos serenos, aproveitando que ela estava impossibilitada de ver ele naquele momento. Admirado. Pegou Sakura no colo sentindo o coração bater mais forte. Colocou cuidadosamente o corpo, aparentemente frágil, encostado na árvore onde seu terno estava pendurado. 'Está vendo? Você não mudou tanto como me fala. Continua inconsequente.' – disse sabendo que a consciência dela não havia sumido.

'Você não é tão diferente de mim.' – alegou Sakura.

Li quase riu, mas se controlou limitando-se em apenas balançar a cabeça.

'E também você me inspira.' – disse ela abrindo os olhos, vendo o homem com um joelho no solo a encarando seriamente. 'Eu te venci.' – sorriu-lhe fracamente. 'Está bravo?'

'Digamos que um pouco intrigado.' – disse erguendo a sobrancelha. Elevou seu braço direito na direção da sua espada a trazendo para a sua mão rapidamente, e do mesmo jeito a transformou num pequeno amuleto, fazendo cintilar as bolinhas. 'Mas acho que descobri tudo. Sua magia vai além da minha compreensão, este é um dos fatores que a faz ser tão forte.' – gostou de ser sincero naquilo.

'São apenas meus sentimentos.' – Sakura pondera. Syaoran sente seu peito se apertar. Ela suspira e fala. 'E se tem algo a ser descoberto, não sou eu e nem é o fato de ter lhe vencido, Syaoran. É você aqui a ser desvendado.'

Syaoran ergue-se virando de costas, passando a mãos pelos cabelos ainda um pouco molhados.

A ruiva encosta sua cabeça no tronco com os olhos verdes entreabertos. "Me ajuda meu Deus!" – implorou intimamente para que o céu lhe enviasse força para enfrentar aquilo tudo que estava vivenciando. Repetiu o pedido para que não cometesse uma loucura. Sim, tinha vontade de acabar com este teatro, desmascarando Syaoran de seu ímpeto de negá-la tanto assim. "Como devo?" – Sakura pensava fervorosamente. Sua razão tinha que trabalhar e encontrar um bom meio de sair desta sendo a vencedora da tentativa de Syaoran de fazê-la odiá-lo.

'Não ligo para o que pensa!' – Li voltou-se para ela gesticulando e sorrindo de lado. 'Não vou me repetir mesmo. Se a poderosa feiticeira não entendeu, problema!' – deus nos ombros. 'Pode até morrer se quiser, mas não me culpe dizendo que eu lhe inspirei! Não vai colar.' – riu sarcástico.

Como estava sendo difícil suportar essas hipotéticas indiferenças e ironias dele. Sentindo que parte da magia se restabeleceu para poder ficar de pé, o faz. 'Diga de uma vez... Por que o clã Li –'

'Que saco! A merda do clã não nada com isso!' – Syaoran grita impaciente. 'Me odeie, Sakura! Sou eu! EU TE ODEIO!

O grito ecoou por todo o bosque alcançando quilômetros de distância, mas não atingiu a japonesa que concentrando-se, faz seu báculo surgir; assim que Sakura o pega, o ergue o máximo; uma luz rósea a circunda como um caracol se dirigindo até a ponta do objeto mágico fazendo a estrela girar. Syaoran que estava um pouco afastado, de costas e agitado, surpreende-se vendo o sortilégio.

'Cause we're living in a world of fools

(Porque nós vivemos em um mundo de enganações)

breaking us down when they all should let us be

(Nos deixando para baixo quando todos eles deviam nos deixar)

we belong to you and me

(Nós pertencemos um ao outro)

'Retorno!'

'Não!' – Syaoran gritou e gesticulou para parar, numa tentativa frustrada. Sakura sorriu convencidamente, ele contorceu o rosto e agachou-se bufando.

A forte energia emanada da carta se direciona a quilômetros de distância, iluminando o caminho até a centenária árvore do Templo Tsukimini como um raio. A árvore absorve a energia gerando um túnel. No bosque os dois são envolvidos pelo poder da Carta e desaparecem, mas antes disto, Sakura lança a Syaoran um olhar intenso que ele sabe bem o que quer dizer.

A magia da Carta acionada os transportou do bosque para o passado ordenado mentalmente pela mestra: há exatos 4 anos atrás:

'Queria que o tempo parasse neste instante. ' – Li disse suavemente.

'Você por acaso lê pensamentos?' – Sakura indaga risonha. A garota busca o olhar do amado que está olhando para o mar de modo suave. Syaoran percebe Sakura olhando pra si procurando a resposta. Ele a olha e sorri com timidez.

'Somente o seu. Porque só seus pensamentos que me interessam neste mundo, minha Flor.' o rapaz disse encarando o olhar apaixonado da ruiva, sorriu de lado. Suspirou.

Sakura olhou de lado e viu o homem fazer o mesmo gesto como se estivesse vivendo as mesmas emoções daquele momento precioso e inesquecível. Sakura volta à sua atenção ao casal que estava confortavelmente deitado na areia apreciando o espetáculo da natureza, a lua cheia os iluminando e estrelas brilhando intensamente apenas para eles. Uma noite mágica e quente de verão. O clima e o lugar não poderia ser melhor para jovens namorados.

'Eu te amo muito, Syaoran.' – Sakura não resiste e se declara como das outras vezes que ele a surpreendeu. Sentiu o abraço se intensificar dizendo a ela que Li que também a amava. Ele não era muito de falar, mas demonstrava tudo em gestos que fazia dela a mulher mais feliz do mundo! Então naquela hora não importava palavras. 'Adivinha no que estou pensando agora.' – acaricia o peito do rapaz e o beija no pescoço delicadamente, vê a pele quente dele se arrepiar. Sorriu divertida.

Sakura sorriu, imaginando o que se passou pela cabeça dela naquele minuto. Syaoran que olhava atentamente a cena nostálgica, desvia seus olhos para ela e levanta uma sobrancelha perguntando-se qual a graça. Coloca as mãos nos bolsos da calça, suspirando novamente, relutando contra todos seus sentimentos que aquela cena o fazia relembrar e sentir intensamente o que Sakura representa para ele: tudo. Volta-se para ele mais novo.

'Que sou um pretensioso e tarado se eu falar exatamente "aquilo". E que sou um chato por sempre acertar. É isso?'

A feiticeira gargalha com a fala do chinês, e depois diz orgulhosa: 'Não, seu bobo! Errou desta vez. Pensei que nunca quero me separar de você! Porque sem você não sou completa. Sem você nada teria sentindo para mim.' – disse emocionada olhando o mar refletindo o céu estrelado e enluarado, e logo Li levanta sua cabeça pegando seu queixo, levando assim seus lábios de encontro com os dele, beijando-a de modo sensual.

'Por que me trouxe para cá?' – Syaoran assusta a mulher que observava a cena tristemente.

Sakura se recompõe passando a olhar o chinês sério, e responde com outra pergunta: 'Você nem imagina?'

'Não pense que vai me sensibilizar com essa ceninha ridícula! Não vejo sentindo em nos fazer voltar ao passado! Por quê? Não vejo razão! Pare com isso já, quero sair daqui!'

'Syaoran!' – Sakura gritou nervosa, com os olhos brilhando de angústia. Li percebeu isso e se acalmou instantaneamente, Sakura volta a dizer ainda gritando: 'Isso não tem razão mesmo! Estamos lidando com sentimentos, emoções! Não quero lhe mostrar meras razões! Quero mostrar para você o quanto nos amamos... o quanto eu o amo.' – sussurrou as últimas palavras colando a mão no coração que palpitava enlouquecido.

Syaoran arregalou os olhos e pensou em contradizê-la como tantas vezes o fez, mas não conseguiu. Ele estava desmoronando. Sakura, sua eterna flor de cerejeira estava derrubando as barreiras que ele sofrivelmente levantou em seu coração, em sua alma. Observou a mulher dos seus sonhos – pois neles, eles nunca ficaram separados – morder o lábio, suplicando-o com seus olhos verdes límpidos. Viu a cena do passado se seguir com ele ainda a beijando, mas agora estando por cima dela, acariciando-a de várias maneiras. Sentiu raiva dele mesmo! Seu olhar sofrido diante daquilo, fez transparecer finalmente tudo que ele estava realmente sentindo. Respirou ofegante.

Isso aconteceu 3 meses antes de ele sacrificar-se por ela.

And you come to me on a summer breeze

(E você veio para mim em uma brisa de verão)

keep me warm in your love then you softly leave on the you

(Que me mantém aquecido com o seu amor, então você vai embora de repente)

'Não preciso mais ver isso. Mande-nos de volta ao presente.' – Li disse baixinho, deixando na voz um tom suave, diferente dos tons que ele usara com ela desde que se reencontraram.

Sakura se encontrava debilitada demais para continuar com Retorno. Sua aura brilhou e em um piscar de olhos os dois retornaram ao bosque.

Syaoran se encontrava afastado da feiticeira, com a cabeça abaixada, passando a mão pelo queixo com um semblante pensativo. Sakura passou as mãos no rosto, cansada, de repente suas cartas aparecem ao seu redor a pedido, e com palavras mágicas fazem todas elas se reunirem em suas mãos. Suspirou pensando no que vinha pela frente. Então seu esforço todo seria em vão pelo jeito. Abraçou as cartas procurando amparo, quando Li vira-se para ela e diz seu nome de modo carinhoso e sofrido ao mesmo tempo:

'Sakura, eu...'

'O que, Syaoran?'

And it's me you need to show

(E é pra mim que você deve mostrar)

How deep is your love

(Como é profundo o seu amor)

Is your love… How deep is your love?

(É seu amor... Como é profundo o seu amor?)

I really mean to learn

(Eu realmente quero saber)

'Me desculpe...' – o chinês disse vacilante.

Sakura se encontrava confusa diante do perdão. Será que conseguiu fazer Syaoran confessar que ainda ama ela? Sua confusão sumiu diante da surpresa. Sorriu lindamente.

'Tudo foi armado.' – o empresário soltou rouco, sentiu um fisgado em seu peito ao ver o sorriso da amada desaparecer da sua frente, fazendo-o se sentir ainda pior. 'Desde o começo tudo fora planejado. Um plano. Tudo.' – respira profundamente.

'Não estou entendendo, Syaoran. O que fora um plano? Tudo?

Li continua em silêncio, hesitando e encarando a japonesa. Sakura se agita diante do mutismo de Li, e exige, impaciente:

'Tudo o quê? Anda,... responde!'

Engole seco. Finalmente ele ia tirar o peso das costas. Por muitos anos aquilo foi mantido em sigilo absoluto, pois ele mesmo prometera a todos que cumpriria o esquema, pela bem de sua família. Apertou os olhos e soltou a revelação que acabara com o seu relacionamento com Sakura.

'Tudo, desde que nos encontramos pela primeira vez. Cada passo que eu dava foi armado para te envolver e fazer você confiar em mim, tornarmos amigos e finalmente... fazê-la se apaixonar por mim.'

'O-o quê?' – Sakura disse completamente incrédula.

'Minha família me designou para essa missão quando eu fiz 10 anos de idade, não tive escolha.'

Boquiaberta, ainda confusa e com os olhos prestes a soltar diversas lágrimas, Sakura não entendia, não queria entender. Não. Impossível. 'Isso é verdade? Não brinque mais comigo!'

O empresário hesita novamente.

'RESPONDE SYAORAN!' – berrou, desesperada, impaciente.

'Sim. Essa é a verdade.' – disse triste.

Sakura começou a chorar, abraçando as cartas fortemente. Não! Não! Não! Balança a cabeça histericamente. Todos os momentos que vivera com Li Syaoran foram mentira?

Com um olhar carregado de amor, Syaoran tentou se aproximar, mas não conseguiu, pois sabe que vai ser repelido por causa do imenso golpe que agora ela estava sentindo no peito, em seu coração. Era melhor esperar antes de tentar se justificar. Sua flor precisava absorver esta informação que foi tão dura para ele contar quanto para ela receber.

'Por quê? Isso é nojento... Você não podia ter aceitado isso!' – soltou com um tom aflito. 'Meu Deus!'

'Não, Sakura. Não me arrependo de nada.'

Sakura fica ainda mais desesperada com as palavras convictas do empresário. Deixou as cartas caírem na terra, sentindo-se sem chão, definitivamente. Será que ele finjiu tão bem assim desde o começo? Será que o amor dela fora construído através de calúnias arquitetadas por interesses baixos? Ela foi manipulada por ele desde sempre...?

'Não para todas essas perguntas.' – disse Syaoran.

Sakura se surpreendeu mais, se ainda fosse possível, pondo seus cabelos molhado pelas lágrimas para trás. Os olhos inchados encaravam o homem de expressão estranhamente calma.

'Por que a surpresa, minha Flor... Eu leio todos os seus pensamentos, lembra-se?' – disse sorrindo timidamente. Balança a cabeça e fecha os olhos, tentando achar palavras certas para dizer a ela naquele momento. 'Eu aceitei este acordo, mas também nunca fingi nada.' – Li disse amorosamente e logo após aproximou-se com cautela da mulher o suficiente para sentir sua respiração ofegosa, encarava os olhos verdes, mostrando-a o que dizia não era só a verdade, mas também a sua verdade. 'Quando criança fui destinado pelo conselho do clã a lhe ajudar a recuperar as Cartas Clow e com isso passei a estudar sobre tudo que envolvia Reed Clow, e claro, sobre seu poder também. Não entendia o porquê disto tudo, mas cumpria as ordens que para mim eram obrigações indissolúveis e indiscutíveis. O objetivo inicial era fazer você juntar o maior número de cartas e ser a escolhida por Ywe no julgamento final. Você deve estar se perguntando: Como minha família sabia que você seria a nova dona das Cartas Clow? No mundo da magia tudo é possível, você sabe disto, e quando o futuro é visto pode-se saber cada passo que tem que ser dado.' – Li interrompe a história e fica feliz por Sakura estar o escutando mesmo tão fragilizada por causa dele.

O semblante magoado da japonesa se amenizou ao longo da narrativa do feiticeiro. Os orbes chocolates transmitiam a ela tantos sentimentos, mas o mais evidente ali era o amor. Parece que a sombra em seus olhos, – espelho da sua alma – havia se dissipado milagrosamente. Agora via nitidamente o homem que sempre amou do jeito que ele sempre fora. Mas isso não era o suficiente. O caso era sério demais e ela precisava de esclarecimentos. Odiava ser excluída da verdade, em qualquer circunstância.

'Clow lhe escolheu para ser a Mestra e isso atrapalhava o objetivo final dos Lis de trazer de volta as Cartas, que no ponto de vista deles nunca deveriam ter saído do poderio da família. Reed Clow sempre fora considerado um mago excêntrico e misterioso, mas nunca burro. Com isso já definido, eu fui o escolhido para vir a Tomoeda por ser o sucessor do ex-líder da família, meu pai, Shang Li.'

Sakura tentava encontrar uma linha de raciocínio para entender esta revelação tão difícil de ser aceitável, mas não de ser compreendida, até aquele instante.

'Mas exatamente o que eles queriam com tudo isto, Syaoran? Que garantiam eles tinham que tudo ia dar certo?' – Sakura se agitou novamente, ansiosa para entender as atitudes do chinês diante daquilo tudo.

Syaoran sorriu de lado antes de proceder com a sua narração: 'Eu dei a minha palavra que ia trazer você para nosso lado, e confesso: não medi esforços para que acontecesse. Porém não da forma que eu inicialmente e eles pensavam que fosse. Sentimentos não podem ser previstos, Sakura, e o amor é o sentimento mais imprevisível de todos. Ele nasce naturalmente. Essa é a lição que você me passou e a agradeço eternamente por ter me mostrado isso.' – disse colocando todo a sua ternura naquele tom de voz.

'Cause we're living in a world of fools

(Porque nós vivemos em um mundo de enganações)

breaking us down when they all should let us be

(Nos deixando para baixo quando todos eles deviam nos deixar)

we belong to you and me

(Nós pertencemos um ao outro)

Sakura arregalou os olhos com as palavras proferidas, compreendendo tudo. Colocou as mãos na boca aberta, espantada diante da descoberta. Deus, ela ainda o culpava. Estava paralisada, logo agora que o amado a confessava o seu infinito amor. Idiota! Não se movia. O que sentia naquele instante era magnífico demais. De repente o empresário abaixou-se diante de si, ficou a observá-lo pegando as cartas jogadas por ela, no solo, e assim que ele reuniu todas, entregou-a dizendo com um sorriso que para ela era considerado o mais doce e lindo do mundo: 'Essas Cartas são suas de fato, você realmente lutou por elas e as merece mais que todos. Ninguém tinha o direito de tomá-las de você.'

Sakura sorriu quando ouviu isso dito de uma forma tão sábia e melhor, sincera, e ainda na boca do homem de sua vida. Pega as Cartas e diz:

'Você sabia que eu não ia aceitar ir contigo para Hong Kong... '

'Eu a conheço o suficiente para saber que não ia largar tudo o que construiu por mim... Eu sei!' – disse antes de ela corrigi-lo. 'Eu sei que você me amava e sempre amou, mas definitivamente o nosso orgulho fala alto às vezes.' – disse sorrindo sem graça. 'Não queria abdicar da liderança do clã, mas também não queria trazê-la comigo.'

'Por que... Por que decidiu isso sozinho? Não foi somente para me proteger do clã, foi mais.'

'Está certa, Sakura.'– ergueu o braço acariciando a face querida. 'Você se casando comigo ia trazer as Cartas de volta para a família Li. Mas tinha mais. O que tinha em jogo não era só você. Minha mãe e minhas irmãs estavam desprotegidas. Eu tive que encontrar um jeito de protegê-la e ao mesmo tempo proteger a minha família. Essa era a minha verdadeira missão.'

Sakura não aguentou mais se segurar, jogou-se sobre ele, apertando o amado contra si para sentir o calor da sua pele e de seu nobre coração. Sentiu-o retribuir o gesto com a mesma intensidade que ela. 'Meu príncipe encantado! Você renunciou o seu amor, para fazer o que era certo... Mas...' – afastou-se um pouco dele para vê-lo sorrindo com timidez. 'Um príncipe não pode ficar sem a sua princesa.' – ponderou levantando as duas sobrancelhas.

Syaoran afastou-se dela delicadamente e disse: 'Eu assinei um contrato quando fui viajar antes de lhe dar a notícia sobre a minha ida definitiva a Hong Kong. Como supostamente não queria te levar comigo para a China, eu teria que triplicar a fortuna da família no prazo máximo de 2 anos, caso contrário as minhas irmãs e minha mãe seriam expulsas do clã sem nenhuma dignidade. E claro, eu também.'

'O noivado...'

'Como manda a tradição teria que ficar noivo antes se assumir o posto de Liderança do clã...'

'Com a liderança, você assumiu posse de tudo, não é?'

'Apenas os administrativos. As decisões pessoais de cada membro são avaliadas e julgadas pelos mais velhos do clã. Como manda a tradição Li: quanto mais velhos, mais sábios. Os Li são sinônimos de autoridade, Sakura, e com isso, vem o poder. Não queria você metida naquela mansão que reflete autoritarismo e submissão. Entenda-me, por favor.'

Sakura respirou fundo, absorvendo as informações que Syaoran lhe passava. Tudo isso parece até ficção, e não vida real. Com uma família assim, com certeza não precisa de nenhum inimigo. Assustou-se com a aproximação do homem. Ele conseguia fazê-la perder o ar quando a tocava.

'Minha mãe a minha vida inteira me preparou para me tornar o sucessor do meu pai, e sempre compreendi este desejo dela. Isso era mais que a minha obrigação como herdeiro, era o meu desejo também. O meu orgulho tinha que ser mantido para não acontecer coisas que eu não poderia controlar depois.' – segurou a face delicada de modo carinhoso. 'Minha mãe me dizia que eu não te merecia. E eu às vezes concordava.' – revelou com um semblante triste.

'Ela estava errada, meu amor.' – pegou as mãos dele do seu rosto, e as conduziu para a sua cintura fina e o abraçou dizendo: 'Nós dois nos merecemos, porque nos amamos.' – o homem tomou seus lábios num beijo deliciosamente envolvente e apaixonado. O beijo naturalmente se intensificou, e após a separação dos lábios, Sakura indagou ofegante.

'Por que você queria que eu lhe odiasse?'

Syaoran apenas sorriu de lado.

How deep is your love

(Como é profundo o seu amor)

How deep is your love

(Como é profundo o seu amor)

How deep is your love

(Como é profundo o seu amor)

How deep is your love

(Como é profundo o seu amor)

'Não queria que você odiasse a família Li.' – disse acariciando a face confusa da amada. 'Queria que você me odiasse pelo que eu representei aqui, assim você me esqueceria e não sofreria mais por mim. Mas acho que esse plano não surtiu efeito em ti.' – sorriu mais uma vez, de lado.

'Nunca te odiaria. E eu quero mais explicações. Mas não aqui e agora.' – Sakura sorriu pretensiosa, apertando a nuca de Syaoran. Beijou-o reacendendo o desejo vivo, que dentro e fora dela ardia com paixão e principalmente muito amor.

Li correspondeu de forma voraz o beijo, que daqui a alguns instantes não seria o suficiente. Ele queria mais.

'Eu te quero agora, você sabe disso, não é?' – Sakura disse em um tom provocantemente sensual.

'Também te quero.' – Li respondeu ofegoso, encostando-a numa árvore próxima.

Sakura sentiu o desejo queimando através do calor dos beijos molhados em seu pescoço e das mãos descontroladas a tocar todo o seu corpo. Gemeu. Naquele momento não queria saber se ia se arrepender de se entregar a Syaoran, se tinhas mais coisas a serem esclarecidas e nem se alguém além deles existia no mundo. O que queria era o seu amor plenamente para ela como em seus sonhos mais profundos. Beijou a orelha do feiticeiro e sussurrou: 'Eu te amo para sempre, Syaoran, nunca mais se esqueça disto.'

How deep is your love

(Como é profundo o seu amor)

How deep is your love

(Como é profundo o seu amor)

How Deep is Your Love by Bee Gees - The Bird and The Bee

"O coração tem razões que a própria razão desconhece." Blaise Pascal

Continua...


N/A: Oii a todos! Capítulo 1 postado completo! Demorou (bem) mais do que eu imaginava, sendo que esta parte estava quase toda pronta, mas eu lia e relia e o que escrevi não conseguia me agradar. O rumo que a história estava tomando não me satisfazia para que eu pretendo para o final ou seja para a parte Fim do fic. Então refiz várias partes deste conteúdo e saiu este resultado que me agradou e fez juz ao enredo todo!

A Sakura sofreu bastante, mas Syaoran também passou por poucas e boas! Mas a fé de Sakura e a coragem de Li salvou o amor que ambos sentem um pelo outro. Isso que é amor verdadeiro! Nossa feiticeira se fortaleceu bastante e com o sofrimento desenvolveu a cobiçada inteligência emocional. E ela precisará muito disto mesmo para o que vem pela frente! É isso aí.

Sei que meu estoque de desculpas está no limite, mas não tenho como não me desculpar! Desculpas pelo atraso, pessoal! Agradeço e espero mais compreensão de todos. Estou vivendo uma fase intensa de transição na minha vida e vários conceitos que eu tinha antes estão sendo revistos e alguns estão sendo melhorados e/ou mudados, então é complicado você ter resultados bons nesta conturbarda fase, em raras excessões, como esta agora. : ) Mas as coisas estão se endireitando, com fé em Deus!

Como esta história é dedicada para a Miss of Darkness, espero que ela continue aceitando isto e respectivamente gostando do fiction! Claro se ela ainda lembrar disso! hehe

Porém este fic é de todos! Eu escrevo é para todos! ; )

S&S

(A Enquente: O resultado ficou com a opção C. Mas não descarta as outras duas opções, Sakura e Li sem dúvida merecem ficar juntos. Agradeço quem votou!)

Resposta aos Reviews:

Nadia Li: Terrorista? Creio que não, mas espero que tenha gostado dessa "bomba" inofensiva que soltei. Prazer em conhecê-la, é uma satisfação imensa saber que tenho mais uma fã. É uma honra. Obrigada pela força! E espero que eu tenha matado sua curiosidade! Escreva mais! OBRIGADA! Beijos e abraços!

Sakura&Syaoran: Obrigada pelo entusiasmo, não vou desanimar, pode deixar, se depender de você, nunca vou! Continue acompanhado e comentando... Espero que tenha gostado! Quero ver você mais! OBRIGADA! Beijocas e abraços!

Leila: Oi Leila! Sakura e Syaoran ficaram juntos sim! Não seria louca - por mais que eu pareça ser - de deixar o casal mais fofo do mundo separados, não mais! Gostou do capítulo? Espero que sim! Continue no comments... Quero a sua opinião! OBRIGADA! Beijos e abraços!

Gabi Kinomoto Li: Olá. Pois é, minha intenção aqui foi essa: fazê-los mais maduros. Essa questão do Passado/Presente é imprecindínvel para o desenvolvimento do fic, não queria fazer assim porque achei que não ia ficar legal, mas a ideia inicial foi essa e continuará assim, no entanto acredito que ao longo do próximo capítulo isso acabe. Obrigada pelos elogios! Valeu pela força!

Selena: Olá! História maravilhosa? Ok! Acredito! XD Obrigadão pelo entusiasmo demonstrado no seu comentário! Adorei lê-lo. Isso me deu força! O Li é preferência internacional, meu Deus! E respeito muito a sua e todas as opiniões! Não vou criar divergência, muito menos injustiça. OBRIGADA pelo review e espero que o Capítulo tenha te agradado. Beijocas!

Os demais comentários respondi através do Reply para as pessoas que têm o perfil no site.

Espero que eu seja merecedora de mais comentários!

Beijoca e abraço em todos!

Reflexão: "O sucesso não é o final e o fracasso não é fatal: o que conta é a coragem para seguir em frente." (Autor desconhecido)