CAPÍTULO ONZE

James Potter conduzia seus negócios como se fosse um jogo de xadrez, convicto de estar fazendo a coisa certa, de estar deslocando a peça funda mental. Profissionalmente, era ousado, arriscava o que era preciso para obter o que queria.

Então, por que simplesmente não ia a Hogsmead e se con frontava com Lily, perguntando-lhe se ela o amava e de clarando que a amava?

Adiava a decisão, detinha-se, continha-se. Alice quase o agredira no parque, de tão inconformada.

— Não posso acreditar — zangara-se a ex-noiva, ao en xergar o triste quadro que era a relação dele com Lily. — Você está cego? Lily é louca por você!

— Não — negara ele.

Seria?

Ousaria ter mais esperanças? Fizera isso antes. Obser vara-a a cada momento, procurando sinais, uma palavra, um gesto, um sorriso.

Não identificara nada.

Era disso que tinha medo? Mas o que poderia ser pior do que o nada, que era o que ele tinha?

Temia que ela despedaçasse seu coração.

Talvez, e isso não contara a Alice, porque já fora rejeitado antes.

Acreditara-se apaixonado ao ficar noivo de Alice, e que ela também estava apaixonada por ele. Mas o que tinham não sobreviveu à aproximação de Frank. Embora tivesse dei xado-a partir com um sorriso e um aceno, na verdade, ficara magoado.

Sabia o quanto a rejeição doía. E a dor que conhecia não se equipararia àquela que Lily provocaria se dissesse que não o amava, que nunca poderia amá-lo.

Se não enfrentasse o problema, poderia fingir. Poderia se convencer de que ela se importava um pouquinho, que se importaria mais, algum dia, se ele lhe desse espaço, tem po, incutindo-lhe a noção do amor aos poucos, deixando esse sentimento crescer dentro dela. Poderia levar anos.

James sempre considerara-se um homem paciente.

Não desistia. Telefonava. Todas as noites.

— Como está Harry? — indagava, quando queria questio nar: "Você me ama?"

— Ele já consegue sorrir? — "Se eu dissesse que a amo, você se importaria?"

E todas as noites obtinha respostas. Mas queria mesmo era as respostas às perguntas que jamais ousara verbalizar.

Todas as noites, desligava o telefone sentindo-se mais solitário e mais desolado do que na noite anterior.

— Não sei por que Lily continua em Hogsmead — co mentou sua mãe, dias antes, preocupada. — Não entendo por que a deixa lá.

— Lily tinha uma vida antes de se casar comigo — respondeu James. Não era uma resposta. Mas não tinha co ragem de contar a verdade à mãe.

Até a secretária Elinor tomara a liberdade de criticá-lo!

— Sabe, se eu acreditasse que a clonagem de humanos é possível, juraria que tinham feito um clone de James Potter em Hogsmead e mandado o James incompetente para Nova York.

James olhou-a distante.

— O quê?

— Vamos dizer que você era mais eficiente quando tro cava o papel de parede com uma das mãos e conduzia os negócios com o telefone na outra! Volte para Hogsmead, James. Volte para seu filho e sua esposa!

Iria, pensou James, deixando a correspondência do dia no balcão da cozinha ao chegar ao apartamento de cobertura na Quinta Avenida, se acreditasse por um minuto que Lily o queria tanto quanto ele a queria.

Suspirou e espalhou a correspondência desleixadamente, levando ao lixo o que era irrelevante, como propaganda e circulares. Sobraram as contas e... um envelope endereçado à mão.

Pegou-o e abriu-o. Havia uma fotografia e um bilhete. De Alice. Havia uma única frase escrita: "Frank acha que uma foto vale milhares de palavras".

Ele largou o bilhete sobre o balcão e observou a fotografia. Devia ser uma das que Frank tirara na tarde em que ele e Lily chegaram da maternidade com Harry. Ela estava sen tada na varanda segurando o bebê, mas não olhava para ele. Ela olhava para o homem de calça jeans surradas de pé a seu lado.

Reconhecia-o. Era ele mesmo.

Lembrava-se daquele momento. Olhando para o filho, de sejava ter coragem para encarar a mãe do garoto e dizer-lhe o quanto a amava. Mas não ousou.

Agora, descobria que a mãe de Harry estava olhando para ele!

Não se lembrava de ter visto Lily olhando para ele da quele jeito antes. Nunca captara a ternura da saudade em seu olhar, nunca ousara imaginar aquela expressão em seu rosto.

Seria verdade?

Ou Frank era um excelente fotógrafo?

Lily estava com queijo cremoso, maçãs, canela e uvas passas até os cotovelos. Só desejava que Harry não acor dasse até ter acabado de misturar o recheio das panquecas do café da manhã do dia seguinte. Ele passara o dia todo agitado.

— São os dentinhos — apostou Dumbledore .

— Ele só tem seis semanas — ponderara Lily.

Mas Dumbledore fora inflexível. Ele e Hagrid eram loucos pelo "neto honorário" e, até onde entendiam, Harry estava muito à frente de qualquer outra criança de sua idade, mes mo quando se tratava de tornar a vida da mãe miserável com seu choro.

Harry finalmente dormira um pouco após as nove horas. Lily ficara aliviada, pois assim James não o ouviria chorando quando telefonasse.

James ligava todas as noites, nem sempre às nove, mas dentro desse horário. Lily mantinha o telefone celular no bolso enquanto subia para recolher um acolchoado de plu mas ao qual um dos hóspedes era alérgico, então voltava para transferir as gatinhas de Errol da copa para o porão, para não serem pisoteadas no dia seguinte.

Deixou o telefone sobre o bufe enquanto arrumava as mesas para os quinze hóspedes que tomariam o café da manhã no dia seguinte, mas pegou-o ao subir ao terceiro andar para entregar um buque de flores, que chegara bem tarde. Sem se desgrudar do aparelho, convocou Hagrid para ir buscar um casal no cassino flutuante, pois o carro deles quebrara no estacionamento.

Quando voltou ao queijo cremoso e maçãs, estava preo cupada, pois Harry poderia ficar agitado e começar a chorar novamente. Uma rápida olhada em Harry no carrinho, que deixara na copa, revelou-lhe que ele estava, felizmente, adormecido.

Lily voltou para a copa e mergulhou na mistura de ma çãs, canela, passas e queijo cremoso, rezando para que Harry não acordasse e para que James não ligasse enquanto ela-não tivesse acabado a tarefa.

Estava com creme até quase os cotovelos quando ouviu o primeiro suspiro frágil. Depois, um soluço. A seguir, o choro desesperado de um bebê prestes a morrer de fome.

— Ai, não! — Lily mexeu mais um pouco a mistura e tentou limpar o excesso das mãos, mas boa parte perma neceu grudada na pele.

— Já estou indo, fofinho! — cantarolou, enquanto segu rava a vasilha com os antebraços e carregava-a até a pia.

Harry berrava a plenos pulmões.

— Já estou indo. Aguente firme.

Ela se voltou para pousar a vasilha e colidiu com um tórax masculino.

— O que há com ele?

Lily não acreditou no que seus ouvidos captaram, nem no que seus olhos viram. James? Ali em Hogsmead?

Ele tirou a vasilha de suas mãos e pousou-a no balcão.

— O que há com ele? — perguntou novamente, esticando o pescoço para ver o carrinho na copa.

— E-ele está com fome — gaguejou Lily. — Preciso dar de mamar.

— Então, lave as mãos.

— Eu ia lavar! O que você está fazendo aqui?

Ele não respondeu. Foi à copa e pegou o bebê.

— Nossa, como ele cresceu! Está com o dobro do tamanho!

James estendeu a criança agitada de pé a sua frente, apreciando-a.

— Não exagere — retrucou Lily, esfregando furioJamesen te as mãos. — O que está fazendo aqui? — perguntou, mais uma vez.

— Segurando meu filho. — James ergueu Harry nos braços e alojou-o junto ao ombro para esfregar-lhe as costas.

O bebê se acalmou um pouco.

Lily apalpou o bolso para verificar se o telefone celular ainda estava lá. Era como se o houvesse esquecido em algum lugar e materializado James, para compensar.

Embalando o filho, James aguardava que ela se sentasse na cadeira de balanço.

Lily sentou-se, mas ele ainda não lhe entregou Harry. Continuou esperando.

Embaraçada, ela abriu a blusa e estendeu as mãos para pegar o bebê, sem olhar para James.

Fez-se uma pausa. Lily ouvia a respiração suave de James enquanto ajeitava o bebê em seus braços.

O bebê começou a mamar, satisfeito. Lily segurava-o de forma protetora, embora estivesse, na verdade, tentando se proteger.

James ajoelhou-se perto da cadeira de balanço. Ela não o encarou. Não podia. Apenas indagou:

— O que foi?

— Eu te amo.

Ela ergueu o olhar. Uma mulher podia ficar desnorteada ouvindo algo inesperado como aquilo!(N/A: Principalmente quando quem diz é JAMES POTTER!)

Talvez não tivesse ouvido. Talvez tivesse sonhado. Fran ziu o cenho.

— Não faça isso — admoestou James, alisando-lhe a pele entre as sobrancelhas.

Se ela tivesse as mãos livres, teria se defendido. O que ele pretendia com aquela declaração? Esquivou-se.

— Não aperte o cenho e não brigue comigo — apaziguou ele, os olhos castanhos fixos nela. — Não me diga para ir embora.

Lily balançou a cabeça, confusa. Desesperada. Era como se seu sonho maior se tornasse um pesadelo.

— Do que está falando?

— De nós.

— Como assim?

— Quero que nosso casamento seja verdadeiro.

— Mas você não me ama — argumentou ela, com medo de ter esperanças.

— Amo, sim.

— Não ama!

— Agora eu amo... não sei há quanto tempo. — Ele ba lançou a cabeça. — Acho que não percebi na hora. — Deu um sorriso triste. — Sabia que você estava me deixando louco, mas não percebi que era amor até que você entrou em trabalho de parto.

— Quando entrei em trabalho de parto? — espantou-se Lily. — O que aconteceu para tanto?

— Eu queria que você sorrisse.

Era tão simples, e tão ilógico, que Lily não tinha como duvidar. Riu, balançou a cabeça e piscou para afastar as lágrimas.

— Por que você não disse isso antes? — questionou, a voz alterada pela emoção.

Ele deu um sorriso sem jeito.

— Eu achava que você não me amava.

— Mas...

— Com certeza, você nunca disse que amava.

— E deveria? Quando você estava se remoendo por outra mulher?

James ficou sério.

— Alice me disse que eu era um idiota.

— Conversou com Alice sobre esse assunto?

— Eu não queria conversar com ela — admitiu James, triste. — Mas ela me obrigou.

— E você deu razão a ela? — "Tinha sido mesmo assim tão simples?"

— Tentei, mas tive medo. Então, ela me mandou uma fotografia.

Ele se levantou e tirou a carteira do bolso de trás da calça. Retirou uma fotografia e entregou-a.

Lily olhou para o instantâneo eternizado em papel bri lhante. Nunca imaginara que seus sentimentos por James fossem tão aparentes. Não fazia idéia de que seu amor e sua ansiedade por ele estivessem ali, estampados em seu rosto, para todo mundo ver.

Baixou os olhos para os cabelos macios de Harry. Acari ciou-lhe o rosto. James estendeu a mão e envolveu a dela.

— Você me ama. — Não era uma pergunta. As palavras tinham um tom de... esperança.

Lily conseguiu levantar o rosto e fitá-lo.

— Amo, há anos — confessou, serena. James pareceu ficar horrorizado.

— Há anos?!

— Desde a primeira vez em que o vi. Naquele verão, quando eu era a moça da limpeza. Você era o meu ideal de homem perfeito.

James ficou constrangido e olhou para a parede.

— Imagine — murmurou, a voz abafada.

— Eu pensava assim — afirmou Lily.

— Você ia se casar com Amos.

— Você estava noivo de Alice — rebateu ela. — Mas o compromisso com Amos foi um erro. Reconheço isso agora. Eu não era a pessoa certa para ele.

— Ele não era a pessoa certa para você — corrigiu James.

— Os dois — concordou Lily. Não ia discutir esse as sunto. — Gostaria de ter percebido isso antes... — Ajeitou o canto do cobertor de Harry com os dedos.

James quis saber:

— Arrependeu-se de ir para a cama comigo?

Lily olhou-o terna.

— Não. Eu faria tudo outra vez. — Contemplou o filho. — Por Harry.

Passaram-se alguns segundos. Então, Lily retificou:

— Não, não apenas por Harry. Por você também.

Ele se inclinou sobre ela, tomando cuidado para não fazer peso sobre o bebê, e beijou-a nos lábios. Então, afastou-se e tirou outra fotografia da carteira.

Outro instantâneo de Frank, no qual James olhava para a esposa e o filho. A expressão dele era idêntica à dela.

Lily observou a foto e então olhou para James.

Ele sorriu.

— Para você — informou. — Assim, você nunca vai se esquecer do quanto eu a amo também.

— Acha que Hattie se importaria se você vendesse a pousada? — perguntou Lily, bem mais tarde, ou melhor, quase na manhã seguinte, enquanto estavam abraçados na cama.

— Acho que era exatamente o que tia Hattie tinha em mente quando me deixou o negócio — declarou James. — Aliás, tenho certeza de que ela orquestrou todos os acontecimentos.

— E o cachorro e os gatos?

— Podemos vendê-los também.

— Não! — protestou Lily. — Não podemos, eles são da família.

— Está bem. Nós ficamos com eles — concedeu James. Bem amado e em paz com o mundo, tolerava quase tudo.

— E Dumbledore e Hagrid?

— Não vamos ficar com eles! (N/A: hahahahahahahaha Alguém quer um Hagrid e um Dumbledore?)

— Mas eles vão ficar solitários.

— Eles poderão ir nos visitar.

— Vão querer ver Harry crescer.

— Nós viremos visitá-los — prometeu James. Lily sorriu.

— Ótimo. Quero voltar sempre. Vou sentir saudade deles. Vou sentir saudade da pousada e de Hogsmead! — Fitou-o encantada. — Eu te amo, James.

Ele rolou com ela nos braços.

— Também te amo.

— Prove...

De novo?

Ela passou o dedo na orelha dele, provocando-lhe arrepios.

— Bem, se estiver enjoado...

Ele fingiu indignação.

— Na verdade, sra. Potter, não consigo pensar noutra coisa...


N/A: Meninas! Desculpa!(não faço idéia de quantas vezes eu pedi desculpas pra você durante essa fic!) É que com a mudança de casa, pc quebrado, ffnet que não colaborava foi mais difícil do que eu imaginava terminar de postar! Bom respondendo asperguntas eu passei em Ciências Sociais na UFSCar! *.* É o maximo eu estou amandoooo tudoo!

Eu gostaria de agradecer cada review mas espero que vocês me entendam! Muito obrigada por acompanharem!

Beijãoo e até as próximas ferias!