Cemitérios. Como eu adorava eles. Adorava imaginar meu irmão enterrado a sete palmos desse chão imundo, morto por mim, pelas minhas próprias mãos. Tantos anos sendo humilhado e ridicularizado por aquele imbecil. Mas agora eu consegui o que queria. Pena que não tem nenhuma lápide com o nome nojento dele. O nome que manchava toda a nossa linhagem.

Mas agora as coisas mudaram.

Agora eu detesto este lugar. Ainda mais com esse frio. Queria que ele estivesse comigo...

Que nojo. Estou parecendo aquelas garotas estúpidas que corriam atrás de mim quando eu era menor.

Me lembro como se fosse hoje. E aquela cena nunca vai sair da minha cabeça, por mais que eu queira.

"-Come logo esse rámen, dobe! Você ainda vai nos atrasar!
- Cala a boca, teme! Eu como na velocidade que eu quiser.

Revirei os olhos e fitei o rosto idiota à minha frente. O que eu podia ver nele? Como aquilo podia estar acontecendo comigo? Nojento.

Depois do almoço fomos todos treinar num campo aberto que tinha fora da vila. Depois de algumas horas, Sakura, que estava estranha aquele dia, foi embora e Kakashi a acompanhou, dizendo que o treino já havia rendido o necessário. Eu e Naruto, como sempre, ficamos para lutarmos um pouco. E tenho que admitir. Esse baka evoluiu muito desde que eu o tinha conhecido.

- Sasuke?!
- Quê?!
- Estou chamando você faz meia hora.
- Gomen.

Estávamos voltando para a vila quando Naruto escorregou e rolou barranco abaixo. Saí correndo e consegui segurá-lo antes que caísse nos galhos secos que tinha lá pra baixo.

- Tome cuidado, Naruto!

O puxei mas fiz força demais. De repente vi a cara queimada do ninja mais idiota do mundo a centímetros da minha. O ar faltou em meus pulmões e minhas mãos ficaram geladas. Que coisa ridícula era aquela? Aquela vontade de tomar aqueles lábios só pra mim e dizer a frase que eu mais odeio nesse mundo?

- Você quer falar alguma coisa, Sasuke?

Pergunta idiota. Não era óbvio que eu queria dizer alguma coisa?

- Er.. Naruto...

O QUE? QUE DROGA EU ESTAVA FAZENDO?

- NARUTO!

Do nada Sakura aparece e voa com o pé no peito de Naruto, fazendo com que ele rolasse o barranco inteiro e caísse nos malditos espinhos."

Nunca amaldiçoei tanto essa garota como nesse dia. Nunca mesmo.

Depois daquele dia, nunca mais tive chance que nem aquela. E agora Naruto não pertence mais a esse mundinho ridículo.

Mas, pensando por um lado, ele vivo ou morto não faz tanta diferença. Ele se iludia tanto com a Sakura que só lembrava de mim quando íamos lutar. Eu só ficava com a minha imaginação. Imaginação ridícula.

E foi quando eu percebi que para amar, possuir não era nada. O simples desejar dizia tudo.

E hoje, numa vontade ainda mais idiota, eu vim trazer essas flores para colocar na lápide dele.

Mas, apesar de tudo, eu quero que ele esteja feliz onde quer que esteja.

Porque eu não estou.