Capitulo 26

A Hora da Verdade

Os sons na sala eram muito altos e nada agradáveis para os ouvidos sensíveis de Caterina Toretto. Já fazia um bom tempo que ela não ouvia aquela voz melódica e divertida que a fazia sentir-se tão segura; também não tinha aquele colo aconchegante aonde ela tanto gostava de dormir depois de comer. Fome. A pequena Nina estava sempre com fome e em seus poucos meses de vida ainda não entendia por que aquela sensação não passava. Inquieta, a menina agitou os bracinhos e perninhas no ar, o rosto fechando, ficando vermelho, os lábios fazendo biquinho. Começou com "humpf".

Gisele que estava de pé logo ao lado da cadeirinha do bebê ouviu o pequeno resmungo e apiedou-se da criança.

- Ei, neném não chora...

Mas o apelo de Gisele só serviu para deixar a menina mais irritada e uma sucessão de berros estridentes iniciou-se. Braga entrou na sala e franziu o cenho ao ouvir o choro do bebê.

- Gisele, faz alguma coisa, mujer!- ele reclamou cobrindo os ouvidos. – Você sabe que eu não suporto choro de criança!

- Como se eu fosse expert em bebês.- disse Gisele pegando a menina no colo e embalando-a em seus braços dizendo palavras gentis:

- Está tudo bem...shiiiii...tudo bem, pequenina.

Nina foi se acalmando aos poucos, mas continuou resmungando em sua linguagem infantil apesar does esforços de Gisele para deixá-la mais confortável.

- Por que essa criança está aqui?- Gisele perguntou enquanto Campos se servia de uma dose de uísque do mini bar na sala.

- Esta niña é a nossa moeda de troca.- ele respondeu.

- Moeda de troca pelo quê?- ela questionou. – À quem pertence essa criança?

Campos respondeu sem titubear:

- Ela se chama Caterina Toretto.

- Toretto?- retrucou Gisele.

- Suponho que você não saiba o que aconteceu ontem horas atrás. Deveria se informar mais, chica, mesmo nas suas horas de folga.

- Eu não sabia que o Toretto tinha um bebê.

- Nem ele sabia, hija mia.- respondeu Campos com uma risada debochada. – Mira...- disse ele se aproximando dela e chegando bem perto de Nina. Os olhos escuros da menina se arregalaram para ele. – Ela não é uma gracinha esta muchachita?

- O que aconteceu horas atrás?- Gisele inquiriu.

Campos andou para o outro lado da sala e respondeu:

- O Toretto começou uma rebelião no deserto, acabou fazendo com que todo mundo levasse chumbo, inclusive ele.

O coração de Gisele se contraiu dentro do peito; por alguma razão a ideia de que Dominique Toretto pudesse estar morto a incomodou.

- Mas o coño não morreu. Alguém resgatou ele e aquele parceiro mauricinho dele. E o cabrón levou todo o nosso produto com ele. Milhões de dólares! Ninguém brinca assim com o Braga não!

- Você vai trocar a filha do Toretto pelo produto.- concluiu Gisele.

- Isso é o que eu quero que eles pensem. Mas na verdade eu tenho outros planos para a chiquita.

- Oye, Campos!- alguém chamou do outro lado da porta.

- Estou indo, cabrón!

Antes de sair, ele se virou para Gisele e disse:

- Cuida bem desta princesita, Gisele porque ela vale ouro!

Gisele olhou para Nina e pronunciou seu nome baixinho:

- Caterina...sinto muito...

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- Dom, fica calmo!- pediu Mia quando ele se levantou da cama do hospital e praticamente arrancou a agulha de soro do braço dele; uma pequena quantidade de sangue machou o lençol branco da cama.

- Cadê a Letty, Mia?

- Ela está a caminho do hospital.- respondeu ela. – Mas você tem que descansar, Dom, acabou de passar por uma cirurgia...

- A Letty precisa de mim...- ele disse colocando a irmã de lado e se encaminhando para a porta do quarto, mas antes que pudesse segurar na maçaneta, ele ficou zonzo. Mia correu para acudi-lo, mas Dom era muito pesado e ela quase caiu junto com ele.

- Bryan!- Mia gritou por ajuda e Bryan entrou no quarto imediatamente acompanhado pelo médico que operara Dom.

- Ele ainda está sob o efeito da anestesia.- disse o doutor. – Com a ajuda de Bryan e Mia, ele conseguiu colocar Dominique de volta na cama. Quando o soro foi colocado de volta na veia dele, Dom reclamou.

- Eu não preciso disso...preciso encontrar a Letty...

- Dom...

A voz dela soou no quarto de repente.

- Letty!- exclamou Mia indo ao encontro dela. – O que aconteceu?- ela perguntou ao ver que Letty tinha uma luxação no rosto e alguns arranhões nos braços.

Letty não respondeuà pergunta dela porque toda sua atenção agora estava focada em Dom.

- Como ele está?- ela perguntou.

- Ele vai ficar bem, só precisa descansar.- respondeu Mia.

- Não, eu não...- disse Dom com a voz sonolenta.

Letty caminhou até a cama dele e sentou-se na beirada. O médico terminou com a agulha do soro no braço de Dom e saiu do quarto com Mia e Bryan, deixando o casal sozinho.

- Ay papí...- ela murmurou.

- Eu estou...bem, Letty. Estava preocupado com você - ele respondeu tentando manter os olhos abertos. - Aqueles filhos da puta começaram a atirar em todo mundo...

- Exatamente como eles fizeram quando eu estava lá da primeira vez.- disse Letty. – Quantas pessoas eles mataram?

- Não sei dizer.- falou Dom. – Mas tenha certeza que nós vamos rastrear todo e qualquer sobrevivente para depor contra o Braga quando chegar a hora. Por isso que eu não posso ficar aqui deitado enquanto...- os olhos dele finalmente se fecharam.

Letty ouviu o ressonar suave dele e acariciou-lhe o rosto, sorrindo.

- Duerme mi amor, só por agora.

Nesse momento, ela sentiu algo molhado escorrendo dentro de sua blusa. Ela tocou os seios por cima do tecido e franziu o cenho ao entender o que estava acontecendo.

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- Mas o que a Letty vai dizer quando souber que...- dizia Vince na sala de espera quando Letty saiu do quarto de Dom, dizendo:

- Roman, eu imagino que a Pitty ainda esteja com a Nina na sua casa.

Roman engoliu em seco.

- Letty...- começou Mia.

- Onde está a minha filha?- Letty fez a pergunta devagar, enfatizando sílaba por sílaba nas palavras.

- O Braga está com ela.- contou Bryan com pesar.

Por alguns segundos a expressão no rosto de Letty não se alterou o que deixou o grupo intrigado, mas logo em seguida ela pulou em cima de Roman derrubando-o no chão com um baque surdo.

- Alguém me salva, por favor!- gritou Roman tentando se desvencilhar dos punhos de Letty. – Eu juro que não foi minha culpa.

- Fica calma, Letty!- pediu Mia tirando-a de cima de Roman com a ajuda de Bryan.

- Como foi que o Braga conseguiu colocar as mãos sujas na minha filha, Roman?- Letty gritou.

- Do mesmo jeito que ele vem se safando com todos os seus crimes desde o começo.- falou Mônica entrando na sala de espera e interrompendo a confusão.

Roman respirou aliviado e se levantou do chão, indo refugiar-se perto da agente do FBI.

- Letty, eu entendo seu desespero nesse momento.- disse Mônica cautelosamente.

- Entende mesmo?- retrucou Letty, agressiva. – Um dos maiores traficantes dos Estados Unidos está usando a minha filha que não tem ainda nem quatro meses como refém!

- Eu sei!- disse Mônica. – E é por isso que eu sei que ele não vai machucá-la.- ela se aproximou de Letty. – Letty, o Braga está com a coisa mais preciosa do mundo para vocês, mas nós estamos com o produto dele no valor de milhões de dólares. Ele não vai arriscar perder tudo agora.

Letty balançou a cabeça negativamente e disse:

- Pode até ser! Mas quem garante que ele vai devolver a minha filha quando conseguir o que quer? Eu sei muito bem do que o Braga é capaz! Ahora mi hijita está en sus manos...- Letty murmurou a última frase mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa na sala.

- Letty nós vamos negociar hoje mesmo com o Braga e trazer a Nina de volta.

- O Braga nos deu duas horas para ligar de volta para eles e iniciar a negociação.- revelou Monica. – Eu estava falando com o Penning ao telefone e ele quer saber o que exatamente o Braga tem para nos chantagear. Eu não contei a ele a verdade porque o Penning não sabe que a Letty está viva.

- Pois agora ele vai saber.- afirmou Letty.

- Letty, talvez esse não seja o melhor momento para...- Bryan começou.

- O filho da puta está com o meu bebê, Bryan!- Letty gritou. – Eu vou com vocês ao FBI falar com o Penning. Depois de tudo o que eu passei, ele não pode me negar ajuda pra pegar a minha filha de volta!

Continua...