Meses depois...

Inuyasha apóia a testusaiga nos restos do youkai que acabara de enfrentar. Esse levara um pouco mais de tempo que os outros, mas no final sua tática de ilusões ficou óbvia. Miroku conversava com alguns aldeões discutindo quanto ganhariam pela morte do youkai.

-Miroku – chama Inuyasha, o Houshi desvia a atenção do líder da aldeia olhando para o hanyou – Ande logo. Quero voltar para casa.

-Inuyasha, eu sei que seu filho pode nascer a qualquer momento, mas não devia ficar tão preocupado assim. Kaede está lá, Sango também e até o Chase. Se acontecer qualquer coisa vamos saber.

Ele sorri ao ver o amigo guardar a espada na bainha com o rosto relaxado. Nunca havia visto Inuyasha tão calmo durante tanto tempo.

'A gravidez de Kagome fez isso. Ele não pode perder a calma perto dela ou acaba por vê-la passar mal todo o dia' pensa Miroku recebendo o pagamento

Após uma curta viagem, eles chegam aos arredores da aldeia e veem Shippou e Rin colhendo flores bem coloridas e colocando numa cesta ao seu lado.

-Konnichi wa Inuyasha. – fala Rin acenando – Você gosta dessas flores? – o hanyou se aproxima sentindo o perfume delicado das flores.

-Tem um cheiro bom.

-Kaede disse pra pegarmos um montão. – fala abrindo os braços num gesto largo

-Para que? – pergunta Miroku – Haverá algum festival?

-É para a Kagome. – responde Shippou – E para o bebê.

-Para o bebê? – pergunta Inuyasha sorrindo

-É, ele parece com você Inuyasha.

A expressão do hanyou fica séria e ele corre a toda para a casa. Na entrada encontra Chase deitado com a cabeça apoiada nas pernas cruzadas.

-Parabéns papai. – fala ele sorrindo, mostrando os caninos afiados

-Porque ninguém me avisa?

-Acredite você não ia querer ver. – fala Chase com a expressão mais séria – Mas estão todos bem, acho que dormindo.

Inuyasha entra na casa sem fazer barulho e vai até o quarto. Kagome estava deitada ao seu lado um bebê que parecia tão frágil envolto pelos braços adormecidos da mãe. Ele senta ao lado deles, e toca no rosto do bebê, que abre os olhos com a sensação de calor provocada pelo toque. Possuía os mesmo olhos dourados de Inuyasha assim como as feições graves e as orelhinhas no topo da cabeça (n/a: kawaii! :D), mas os cabelos eram da cor dos de Kagome.

-Ele é a sua cara. – fala Kagome abrindo os olhos

-Acordei você?

-Não estava conseguindo dormir. – responde sorrindo – Não quer segurá-lo?

-Não.. Ele.. Parece tão..

-Frágil? Não se preocupe. É durão como você.

Inuyasha o segura no braço tentando encontrar uma posição que não o incomodasse. O bebê sorri olhando para o rosto do pai. Inuyasha (n/a: numa descrição fácil ficou bestinha quando viu o bebê) passou a mão pelo rosto do filho.

-Tem o seu sorriso Koi. – fala ele

-Acha que ele está com fome? Kaede disse que ele acordaria muito com fome.

-Eu que acabei acordando ele.

-Qual nome quer dar Inuyasha?

-Tsuki.

-É lindo.

5 anos depois...

Rin, agora com 14 anos, decidira voltar a acompanhar Sesshoumaru. Não havia um lugar certo para ir, faziam isso apenas para estarem em companhia um do outro.

Sango e Miroku, literalmente se resolviam 'entre tapas e beijos', mas eram muito felizes juntos. Sango tem uma filha, chamada Hikari, que tem quatro anos, um filho chamado Kohaku e está grávida do seu terceiro filho

-Já está na hora de eu ir – fala Chase. Eles estavam reunidos em frente às duas casas. Tsuki parecia com o pai a cada dia que se passava; os cabelos originalmente negros ganharam mexas prateadas, os olhos cor de pó de ouro brilhavam intensamente a beira das lágrimas

-Não vai agora não Chase. – pede Tsuki abraçando o focinho do youkai

-Sinto muito chibi, mas tenho que ir. Já passou do meu tempo.

-Você será sempre bem vindo aqui. – fala Kagome, usava um kimono de sacerdotisa e tinha um sorriso carinhoso no rosto. Havia se afeiçoado muito ao youkai nesse tempo juntos.

-Não voltarei mais Kagome. – fala encarando-a profundamente – Meu tempo aqui já acabou. – ele volta seu olhar para Inuyasha – Adeus Inuyasha.

-Adeus Chase. – diz passando a mão no topo da cabeça dele – Vou sentir sua falta.

-Claro que vai. Pena que Sango e Miroku não estão aqui.

-Eles devem chegar em 3 dias, afinal os materiais usados na fabricação de armas para exterminadores são difícil de se conseguir.

-A garota vai ter trabalho.

-Que nada! Ela é tão determinada quanto a Sango.

Chase ri. Inuyasha pega o filho nos braços enquanto o inuyoukai corria em direção à floresta.

'Adeus... Pai ', pensa Inuyasha sorrindo levemente.

-Vou sentir falta dele. – fala Tsuki com uma cara chorosa – Por que ele não vai voltar tou-san?

-Ele tem que voltar para a família dele. – diz Inuyasha sorrindo levemente para o filho.

-Achei que éramos nós.

-Também, mas há outros meu amor. – fala Kagome estendendo os braços para o filho que vai para seu colo de bom grado – Assim como nós temos outros parentes muito, muito longe daqui.

-Podemos vê-los?

Kagome olha para Inuyasha pedindo apoio com o olhar. Descobrira, assim que decidira vir morar na Sengoku Jidai com Inuyasha, que a ligação entre as épocas, permitida através do poço, foi perdida e não podia mais atravessar.

-Não sei querido. Um dia talvez. – fala vagamente, mas sorri para o filho.

Ele não saberia essa história. Ninguém mais precisaria saber. A Shikon no Tama estava desaparecida e a história seria contada da maneira certa desta vez: como uma história.

Chase corria pela floresta, mas diminui o passo ao chegar perto do poço. Sentada em sua borda havia uma mulher, sua forma parecia tremeluzir com a luz do dia, uma fina camada rósea a envolvendo. Usava um kimono de várias camadas, no pescoço um colar com metade de uma lua, os pés descalços balançando de modo infantil. Ela volta seu olhar para o inuyoukai.

A sensação que ele teve foi indescritível. Seu corpo e alma foram tomados de imensa paz ao olhar para os olhos dela, que pareciam infinitos em amor, bondade, esperança e compreensão. Ela levanta-se e sorri.

-Atendi ao seu pedido meu caro.

-Não sabe o quanto lhe agradeço por isso Naohi ¹ - ela sorri novamente – Mas acho que você me deve uma explicação.

-Sobre o que gostaria que eu explicasse?

-O que houve com o Naraku? Mesmo depois de todos esses anos, sei que isso tem a ver com você.

-Ah sim – comenta vaga, olhando para o horizonte – Quando Naraku reviveu também trouxe consigo o Magatsuhi ², mas ele estava muito fraco.

-Achei que ele não podia ser destruído.

-E não foi. Ele foi apenas selado temporariamente, mas quando o Naraku reviveu, ele voltou. Creio que ele pensava que absorvendo o Naraku teria poder para me enfrentar, mas não foi o que aconteceu.

-E onde ele está agora?

-Em algum lugar tentando recuperar suas forças. Onde houver maldade ou traições ele estará. Mas no momento acho que teremos uns tempos de paz antes das verdadeiras escolhas começarem. – ela retorna ao olhar o youkai, estendendo a mão – Eu sei que você queria mais tempo, mas há coisas que não podem ser realizadas nem mesmo por mim.

Chase aproxima-se de Naohi e encosta o focinho a sua mão. A pele do cão cai e em seu lugar resta apenas um espírito, quase invisível no vento, mas incondicionalmente brilhante.

-Não se preocupe Inutaisho. Seus filhos ficarão bem.

-Eu sei Naohi. Mas é uma pena que Inuyasha não pode descobrir que era eu o tempo todo.

Ela sorri bondosamente.

-Realmente, é uma pena ele não ter dado nenhum sinal a você.

-Naohi, eu tenho mais uma pergunta.

-Pergunte.

-Onde está a Shikon no Tama?

-Em algum lugar, meu caro, em algum lugar.

-Você não sabe onde está?

-Está no coração de cada pessoa. Cabe a ela decidir como deixará a Shikon no Kakera³.

E juntos, os dois partiram daquela dimensão. Depois de muitos anos, Inuyasha morreu em batalha assim como seu filho. Shippou agora, com maturidade o suficiente para responsabilizar-se por seus atos, apesar de ainda ter a aparência de um garoto de 8 anos, treinava junto a outros kitsune youkais.

Miroku e Sango tiveram, fora Hikari, outros 4 filhos que se tornaram exterminadores, dando reinício ao clã que outrora Sango havia perdido. Depois de alguma insistência, Kagome também fora para a vila recém construída, junto com Aiko, sua filha mais nova que nasceu 3 anos após Tsuki. Assim como ela, várias outras pessoas foram à vila em busca de um lar, tornando-se novos familiares.

Notas:

¹Naohi – pra quem não leu o mangá, Naohi é a parte boa da Shikon no Tama, representa a bondade, o amor, etc, etc, etc

²Magatsuhi – pra quem não leu o mangá, Magatsuhi é a parte maligna da jóia. No mangá ele foi 'derrotado' por Sesshoumaru que usava a bakusaiga

³Shikon no kakera - numa tradução literal 'fragmento do shikon'

Notas da autora:

Bom esse é o capítulo final de Um novo começo. Minha primeira história! Y.Y

Tô emocionada, sério. Espero que tenham gostado do final, ficou curto, mas se eu o fizesse beeeeeeeeeeeeeeem longo iria demorar até o fim do ano pelo menos por que teria bem mais detalhes e diálogos e coisa e tal, mas esse mostra tudo que aconteceu no fim.