"-Ela não vai suportar sustentar a vida dela e da criança. Esse bebê tem que nascer agora ou os dois morrerão"

Capitulo 42 – Maya

-Ela mal tem três meses de gravidez! – fala Hya tentando convencer as sereianas – Por Nyile! O mínimo seria cinco meses e olhe lá

-Não temos escolha – fala Kagome e senta junto a Karen colocando a cabeça dela em seu colo – Karen, acorde – fala e toca levemente o rosto dela. A hanyou franziu as sobrancelhas e abre levemente os olhos

-Kagome... – fala ela confusa, a voz levemente rouca, e depois arregala os olhos desesperada – O que...?O Tai ele... – ela para as frases puxando o ar com força e dificuldade

-Calma, está tudo bem – fala sem tirar a mão do rosto da hanyou – Seu bebê tem que nascer já Karen, ou vocês dois podem morrer. Quero que nos ajude nisso, sempre que sentir dor segure firme minha mão tudo bem – ela faz um aceno fraco com a cabeça – O que temos que fazer? – pergunta olhando para a sereia de cauda esverdeada, que mergulha

-Ai que ótimo, numa crise dessa ela resolve dar um mergulhinho pra descontrair – fala Hya. Ainda não aceitava isso e achava Kagome louca por aceitar essa idéia. Mesmo que a criança nascesse, ela provavelmente estaria morta por não ter o corpo completamente desenvolvido

Ela volta trazendo junto um vidrinho contendo um líquido avermelhado e entrega-o a Kagome, e dá algumas ordens a outras sereias. Kagome, seguindo as instruções dela, faz Karen beber aos poucos o líquido viscoso, apesar da relutância da mesma que fazia uma careta sempre que Kagome colocava o vidro perto de sua boca.

-Aliás, qual é mesmo o seu nome? – pergunta Alvin olhando para a sereiana. Já havia visto ela antes, mas não conseguia lembrar-se de seu nome

-Nerissa, meu príncipe – fala fazendo uma leve reverência com a cabeça

-Nerissa, que tenho que fazer agora? – pergunta Kagome segurando Karen que agora estava tendo convulsões e tinha o pescoço arqueado

-Segure-a. Isso vai ser um pouco doloroso para ela – a sereia senta na margem em frente a Karen e flexiona os joelhos dela, ajeitando o kimono que ela usava – Quando ela começar a sentir dores demais, vai ficar agressiva, então segura-a com toda a sua força ou ela poderá machucar

Kagome confirma com a cabeça e segura os ombros da hanyou com força contra o chão úmido da margem. Outras sereias estavam ao lado de Kagome e de Nerissa provavelmente para ajudar caso necessário. Enara olha para a cena e pensa em voltar ao normal, mas Alvin põe a mão em seu ombro

-Continue assim. Mesmo com uma audição boa, a minha não se compara a sua quando nessa forma e precisaremos de toda ajuda possível para manter esse local em segurança – ela faz um aceno de concordância e põe os ouvidos a postos, mas sua mente é levada para outro lugar – Enara? O que é isso? – pergunta ele colocando a mão sobre a cabeça dela

"Edward" chama Alvin

"Estou tentando" reclama ele tentando ler os pensamentos de Enara através do irmão. Ela estava em frente a um acampamento enorme com os ciganos e elfos cada um de um lado de uma enorme fresta de um penhasco. Pela fresta passava um rio largo e fundo, as margens deviam estar a menos de 50 metros dos grandes paredões do penhasco. Por elas iam passando enormes barcos levando o exército de Neferet.

A visão foi se alargando indo ver onde era o fim do rio, e viu que além de cortar o castelo dos lobisomens, passava por quase todos os locais em que havia vilarejos numa distância de 50 km.

-Enara – Alvin torna a chamá-la, dessa vez com a voz mais baixa – Isso é apenas uma distração não é? Estão tentando passar daqui a força. – ela confirma com a cabeça e pensa tirando todos os bloqueios da mente.

"Pedi a Arim que mandasse os mais velozes numa patrulha quando a luta começou. Eles viram que estavam vindo pelo rio, e estão juntando as forças lá" Ela imagina novamente o penhasco e mais além o oceano onde milhares de navios contendo no mínimo 100 soldados cada, estava entrando pelo rio "Por isso eles não param de aparecer. Ela está juntando o maior exército possível lá para que possam detê-los."

Um grito agudo surge do nada e tiram-nos de seus pensamentos. Karen tinha o tronco arqueado e mexia os ombros tentando livrar-se de Kagome, que a todo custo empurrava-a para baixo, as garras pareciam maiores que o normal.

-Alvin, ajude-me. – manda Kagome ainda tentando empurrar o tronco da moça para baixo. Alvin fica ao lado de Kagome e assume seu papel em controlá-la.

-Calma Karen sou eu.

-Al, não deixa eles machucarem. – começa ela com a voz levemente baixa, mas a frase foi cortada por outro grito de dor.

-Não vou deixar, você vai ficar bem. Vocês dois. Fica olhando pra mim. – fala e vê ela tentando olhar para ele e depois outro grito – Calma, calma. Está tudo bem. – Karen morde o lábio com força e dá outro grito

"KAREN!"

"Agora deu!" pensa Edward ao ouvir os pensamentos de Tai cheios de preocupação "Calma mano, o Al tá com ela. Temos que subir o rio pra impedir os barcos."

"Claro... Você tem razão." Ele estava relutante, não queria deixá-la para trás.

"Não se preocupe Tai, não vou deixar nada acontecer a Karen." diz Alvin tentando tranqüilizar o amigo

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Inutaisho para em frente ao penhasco. Atrás de si estavam seus melhores homens e melhores combatentes que tivera em batalha em toda a vida. Olhou para o outro lado do penhasco e via centenas de pequenos pontos de cores variadas vinda do leste. Era a hora, os elfos haviam chegado.

Ao chegar à beira do penhasco, mergulha com os membros junto ao corpo ganhando uma velocidade surpreendente. Mas faltando apenas 1 segundo para que houvesse um terrível impacto com o chão, um enorme cão branco com uma lua em sua testa, e nos lados da enorme mandíbula traçosarroxeadas que chegavam abaixo dos olhos escarlate. O exército detém-se ao ver o enorme cão.

Uma centena de flechas sai de trás de Inutaisho, atingido vários dos que estavam nos navios. O exército de youkais sai do esconderijo do penhasco e cai em cima dos navios e atacam. Os soldados de Neferet atacam usando todo o seu poder.

O exército de Inutaisho era habilidoso, mas mesmo assim as perdas começaram quase imediatamente. A grande quantidade de guerreiros do exército inimigo colaborava muito com a dianteira dos navios. Inutaisho volta a forma semelhante a humana e retira da bainha a sua espada.

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-Minha senhora, os navios começaram a entrar no vale. Devemos nos juntar a eles?

-Ainda não. Precisamos esperar para dar as boas vindas a nossa convidada de honra. Mande os comandantes irem à frente.

-Como desejar senhora. – fala o soldado fazendo uma leve referência e se afasta

Neferet segura com força um colar dourado, no qual se encontrava uma inscrição antiga em verde esmeralda.

-"Não importa o que aconteça, não permitirei que você vença de novo Nyile."

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Na parte mais baixa do vale, Karen dá um último e agonizante grito, respirando aos arquejos. Um choro fraco é ouvido e a hanyou levanta levemente a cabeça para ver a sua filha. Kagome segurava-a, ainda estava coberta de sangue. A sereiana estende as mãos para a criança e Kagome entrega-a.

As sereias entoam um cântico antigo, melodioso enquanto mergulhavam a garotinha no lago deixando apenas a cabeça dela do lado de fora. A garota não se assusta, apenas encara Nerissa. Quando as sereias terminam o cântico, Nerissa entrega a criança de volta a Kagome

-Será uma criança forte e terá a benção dos sereianos com ela

-Kagome, deixe-me pegá-la. – fala Karen estendendo as mãos para a filha. Kagome entrega-a a Karen, que estava sentada apoiada por Alvin que tinha um dos braços enlaçando sua cintura – Ela parece com o Tai.

O olhar dela era embevecido. A garotinha tinha os cabelos castanhos claros de Tai, os olhos esmeraldas de Edward, a pele clara como a de Karen, o mesmo sorriso de Inuyasha. Ela sorri olhando para a mãe e estende os bracinhos tocando o queixo de Karen. Seu toque era quase tão delicado quanto uma pétala de flor, a pele macia tinha um cheiro doce que lembrava o de Alvin, porém mais feminino.

-Tão linda – fala segurando a mão dela.

-Que nome vai dar a ela? – pergunta Hya

-Maya. Minha pequena Maya.

Maya sorri para a mãe e depois olha para Kagome, os olhos inteligentes demais para ser de um bebê e por um momento lembrou vagamente Sesshoumaru quando ele usava sua face fria e aristocrata de 'desista, estou dois passos a sua frente'.

"Ela é linda." pensa Tai

"Tai, por favor, se concentra. Depois você baba sua filha." fala Inuyasha

"Ela é uma graça, posso ser padrinho?" pensa Edward que acabara de afundar um navio usando a água para fazer um furacão controlado.

"Pode tirar o cavalinho da chuva, o padrinho sou eu" pensa Sesshoumaru, ele cria um chicote das pontas dos dedos e roda bem rápido, criando uma espécie de barreira que o protege das flechas.

"Você que acha o Tai já disse que era eu, não foi Tai?" diz Inuyasha.

"Gente, depois eu decido isso ok. Foco." diz Tai usando um bastão metálico que em todo seu corpo havia desenhos intricados de runas. Ao encostar a ponta do bastão num dos inimigos ele desaparece em seu lugar, um monte de areia dourada.

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Edward respira aos arquejos. Nunca precisara dominar a água por tanto tempo e isso estava acabando com sua força mental.

-Edie! – fala Inuyasha atacando um vampiro que avançava na direção do sereiano

-Eu não aguento mais Inuyasha. – fala tentando controlar a respiração

-Só mais um pouco. Pare de dominar a água, já está quase acabando. – fala pondo a mão sobre o ombro do amigo. Também estava se cansando, mas para Edward devia ser pior, afinal seu poder dependia quase completamente da dominação da água, mas se ele usasse seu poder demais o cansaço mental seria superior ao físico e isso causa a morte em qualquer campo – Anda cara, eu te dou cobertura. Mas não use a dominação.

Inuyasha vira-se ficando de costas para Edward. A pouca distância podia ver seu pai e irmão lutando, ambos cercados, mas não demonstravam sinal de cansaço enquanto liquidavam um a um cada inimigo que aparecia a sua frente.

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Neferet olhava o campo à frente. Todo o seu exército estava sendo eliminado, mas sabia que isso aconteceria. Seu alvo era outro.

-Capitão prepare-se para o ataque.

-Sim minha senhora. – fala ele fazendo uma reverencia e corre até a outra ponta do navio onde havia uma criatura deitada – Está na hora de ir Ryuu.

O dragão levanta-se e abre as asas soltando um rugido feroz. Ele sobrevoa o campo de batalha, e ataca, ora mergulhando e atacando os soldados que lhe pareciam mais habilidosos, ora cuspindo fogo. Fecha as asas num mergulho ao escolher sua próxima vítima.

-Inuyasha! Cuidado!

O hanyou vira-se, mas o dragão estava perto demais para ele tentar desviar. Um segundo que o dragão encostasse os dentes afiados em si, um vulto passa ao seu lado empurrando-o. O dragão cai no chão, mas levanta-se rápido, rosnando para o lobo em frente a ele.

-Inuyasha, não importa o que aconteça, tire a Karen daqui. – fala ele e pula no dragão, com intenção de atingi-lo no pescoço.

O animal empurra-o e uma dura batalha começa entre eles. Tai tentava de todas as maneiras atacar o dragão, mas a cada chance perdida o dragão aprendia seus movimentos e ficava mais fácil esquivar. Tai usava toda a velocidade que possuía em suas pernas, cercando o dragão procurando por um ponto fraco, mas parecia não haver. Ele impulsiona o corpo para a direita, e assim que o dragão começa a virar-se, ele volta-se a toda velocidade para a esquerda e crava os dentes no pescoço dele.

O dragão tenta tirar o lobo de si, mas a cada tentativa Tai cravava mais fundo os dentes em seu pescoço. O dragão usa a cauda para tentar atacar Tai. Assim que ele percebe que a cauda, que possuía um ferrão venenoso, indo em sua direção ele salta do pescoço no último segundo. Surpreendido, o dragão não consegue desviar de seu próprio ataque. O ferrão atravessa o seu pescoço. Ele tomba no chão morto, o sangue escorrendo livremente pelas feridas abertas.

Tai devora parte do corpo do dragão, enquanto seu sangue ainda está quente. Seu sangue ferve, e sente que o sangue do dragão misturado com o seu dava-lhe mais força, apesar da fadiga devido as lutas incessantes.