-Ela tem que ir Karen – fala o dragão que estava a sua frente. Ela olha para o dragão e depois para sua filha. Sabia que ele tinha razão – Monte em mim, chegaremos mais rápido.

Karen monta no dragão, uma perna de cada lado do pescoço e segura nos chifres que havia em sua cabeça com uma das mãos e com a outra pressiona Maya contra seu corpo para evitar que caísse. O dragão alça voo, o corpo que mais lembrava uma cobra fazia movimentos levemente circulares para dar-lhe mais velocidade. Lembra-se de como o dragão aparecera.

Karen estava sentada, o tronco apoiado em Alvin que segurava sua cintura, com a filha nos braços. Os olhos de Maya brilhavam tanto quanto o sol e possuíam uma bondade e amor infinitos.

-Ela é tão linda.

-É a terceira vez que você fala isso Karen. – diz Alvin baixinho

-Mas ela é.

-Eu sei. Tai está muito feliz por vocês estarem bem, ele até disse... – ele olha na direção do arvoredo por um momento. Enara vira-se na mesma direção, rosnando ameaçadoramente, enquanto um par de olhos muito verdes aparecia no meu da escuridão do arvoredo – Apareça. – ordena Alvin

Das sombras sai um dragão, o corpo que lembrava uma cobra, era longo e possuía escamas prateadas, as pernas curtas possuíam garras venenosas, tinha a crina verde esmeralda e dois chifres que mediam em torno de 30 centímetros, a boca com os enormes dentes afiados e de um veneno mortal. (n/a: imaginem o Haku de 'A viagem de Chihiro', só que mais comprido e venenoso =D)

-Majestade. – fala ele curvando o pescoço longo, mas sem tirar os olhos de Maya.

-Quem é você? – pergunta Hya. Estava com o arco estava posto a mão, a flecha, já preparada, podia matar até mesmo um lendário Cérbero devido ao material usado para criar a ponta.

-Meu nome é Hashi, princesa. – fala o dragão, sua voz era suave e calma o que não combinava em nada com a aparência ameaçadora – É uma honra para mim estar diante de alguns dos governantes deste mundo. – fala curvando a cabeça respeitosamente para Hya, Enara, Alvin, Karen e Kagome.

-O que veio fazer aqui? – pergunta Alvin

-Fui criado para servir a rainha dos mundos. Esse foi o serviço do meu pai e do meu avô antes dele. Estou aqui para levá-la a um lugar seguro enquanto essa guerra ocorre majestade e se me permitir gostaria de servi-la enquanto houver sangue correndo em minhas veias.

Eles ficam um minuto em silêncio observando um ao outro, até que Kagome fala:

-Eu confio nele

-Tem certeza disso Kagome? – pergunta Hya – Não queremos que nada de mal aconteça a Maya, Karen ou a você por causa dele

-Eu já o vi antes – fala Kagome aproximando-se do dragão e passa a mão por sua crina, vendo o animal fechar os olhos para desfrutar mais do carinho – No livro, tinha um desenho, bom não sei se era exatamente um desenho parecia mais uma pintura apesar dos...

-Desenrola carretel.

-Enfim, o que ele fala é verdade. Hashi é um tipo de dragão muito raro, ele nasce quando a rainha vem a esse mundo e tem como dever morrer protegendo-a. Antes de morrer, o guardião deixa um ovo em um ninho seguro que só chocará quando a rainha voltar. – fala olhando para eles e depois volta seu olhar para Hashi – Ele é o oitavo de sua geração, por isso se chama Hashi. Creio que seu pai serviu a Nyile antes de você certo?

-Sim princesa. Ele protegeu sua majestade até o dia em que houve a emboscada. Ela mandou-o construir o ninho e preparar-se, pois a morte dela seria dolorosa e ela precisaria dele após a morte.

-Nyile usou o veneno do seu pai para matar os traidores que haviam-lhe tirado seu tesouro e depois escondeu parte de sua mente na minha coroa

-Que tesouro? E por que só parte?

-Haviam matado a filha de Nyile, Naami. E é apenas parte, porque a mente, alma e coração de Nyile estão em Maya. Todo o conhecimento que ela precisará, estará dentro dela mesma. Parte de sua mente está comigo, porque eu tenho que ensiná-la coisas que Nyile não lhe contou

Kagome afasta-se de Hashi e segura Maya nos braços. A garotinha esticava os braços para Hashi, abrindo e fechando as mãos. Kagome leva-a para perto dele o suficiente, e Maya abraça o focinho de Hashi que fecha os olhos

-Eu senti sua falta

Todos olham para Maya impressionados. A sua voz era tão suave quanto à do dragão, mas tinha um ar mais doce e ao mesmo tempo firme

-Hashi – fala ela passando a mãozinha pela crina do dragão – Eu quero voar em você – ela sorri e olha para Karen – Mamãe, deixe-me montar

Agora sobrevoava o céu a uma velocidade fora do comum. Nunca na vida achara que alguém podia ser tão rápido, mas aquele dragão o era. Atravessavam o céu por sobre as nuvens que se encostavam delicadamente sobre seus pés, mal era possível notar o quão longe haviam andado. Maya ria gostosamente, as mãozinhas segurando a crina do dragão. Hashi diminui a velocidade quando começa a descer e elas descem no jardim de um solar.

O solar era maior do que Karen imaginava, e isso por que já havia visto o palácio onde Kagome estava. As paredes eram de um amarelo claro, quase bege. As janelas estavam abertas e podiam-se ver as cortinas balançando levemente ao sabor da brisa. O jardim, onde elas estavam, tinha um lindo caminho de pedras de mármore envolto por uma grama que parecia recém aparada. Havia árvores em todo o local, uma delas dentro da casa, outra não muito longe de onde eles aterrissaram.

Hashi anda até a casa. As portas duplas de madeira de lei abrem-se e no interior, Karen pode notar, parecia-se muito com a casa de verão onde costumava passar as férias na França com os meninos, exceto pela árvore e pelo tamanho descomunal.

O cômodo era uma sala de estar, com sofás num canto, algumas mesas de centro por perto, no lado esquerdo uma lareira e no centro, embaixo de uma clarabóia um carvalho imenso, ao seu redor flores diversas davam ao ambiente um cheiro agradável com a mesma grama que parecia recém aparada cercando a árvore cerca de 5 metros desde seu centro.

-Esse lugar é lindo – fala Karen. Maya olhava tudo curiosa, perguntando e apontando para as coisas. Hashi para no centro do cômodo em frente a árvore – Hashi porque tem essa árvore aqui dentro?

-É nela que eu vivo princesa – fala ele e deita-se na grama. Karen desmonta e senta-se escorando o corpo ao do dragão. Sentia-se mais cansada do que nunca, devia ser por causa do parto – Durma, você parece cansada. Assim que a princesa chegar, eu lhe avisarei

Karen fechou os olhos e adormeceu em seguida. Maya estava sentada ao lado de Hashi. Mesmo querendo olhar e tocar cada coisa daquele cômodo, o que mais queria era ficar com o dragão, mesmo tão pequena sentia uma ligação muito poderosa entre eles. Ela passa as mãos pelo corpo escamoso do dragão, que se inclina e apóia a cabeça em seu colo

Kagome vinha montada em Enara mais uma vez e apontava vez ou outra a direção que eles deviam tomar

-Vem cá Kagome. Que eu saiba Nyile nunca se casou como ela poderia ter um filho? – pergunta Hya que corria ao seu lado, a capa esvoaçando ao redor de seu corpo

-Bom Nyile tinha um companheiro sim, mas ninguém nunca o notou. Eles tiveram uma noite juntos e ela engravidou. Quando a criança nasceu, ela ficou mais do que feliz, porém depois que a garotinha completou um ano ela foi assassinada. Nyile conseguiu descobrir quem era e pediu que seu dragão lhe ajudasse, disse-lhe que ele iria sofrer mais do que o comum com a separação deles, mas que ela iria morrer

-Epa. Isso parece familiar

-Creio que Hashi é o último dragão rítmico que existe – fala Alvin que as acompanhava – Isso explicaria o tamanho, formato das garras e a voz semelhante à humana

-Dragões rítmicos não existem a mais de 5 mil anos! – fala Hya – Eles eram nossos aliados, mas quando os elfos pensaram em usar seu poder para acabar com a guerra todos desapareceram. A maioria está morta, nenhum deles vive mais do que 200 anos

-Está errada. Eles põem ovos que chocam apenas no momento em que o dragão está pronto para cumprir sua missão. – fala Alvin franzindo as sobrancelhas – Ao que parece, eles devem ter pedido abrigo a alguma das rainhas que houve antes de Nyile e ela cuidou deles, e de todos, um foi escolhidos para ser seu guardião. Com o tempo, todos foram morrendo e sobrou apenas o que veio a ser o guardião. Pela contas houveram pelo menos 6 rainhas antes de Nyile e todas elas contaram com a proteção desses dragões.

-Então eles podem virar humanos – pergunta Kagome – Lembro de ter visto no desenho que na foto,Nyile estava com um dragão no lado direito e no esquerdo havia um homem

-Não exatamente. Dizem que sim, embora nada possa provar isso. Dragões são as criaturas mais leais que existem, se um deles fizer um juramento como o que fez para Maya, de que ' a protegerei até que o sangue pare de correr em minhas veias' significa que todas as suas gerações se dedicaram a proteger tanto Maya quanto seus descendentes

-Estranho...

-O que é estranho Kagome? – pergunta Hya

-Nada, apenas um pensamento que me ocorreu agora a pouco. Pare Enara, já chegamos.

-Aqui? Esse é o lugar onde fica o famoso castelo perdido de Nyile? – pergunta Hya com a voz descrente. Estavam parados em frente a um pântano, o cheiro era o pior que Hya havia sentido em muito tempo e era possível ver a carcaça de animais mortos, os ossos espalhados pelo lodo e musgo de árvores caídas com troncos envelhecidos

-Maya, quero te levar a um lugar especial. – fala Hashi levantando a cabeça e mirando diretamente nos olhos da criança – Mas é perigoso, muito perigoso

-Que lugar é?

-É um lago, lá você vai se encontrar com o primeiro nereida

-Nereida?

-Sim, ele ajudou a criar boa parte do que existe nesse mundo e o conhece melhor que ninguém. Deve falar com ele, pedir ajuda

-Ajuda pra que?

-Ajuda para acabar com tudo isso

-E eu só tenho que falar com ele?

-Eu... Eu não sei, mas sei que é isso que você tem que fazer

Maya olhava pra sua mãe adormecida deitada na cama do quarto onde estava, volta seu olhar para Hashi e confirma. Ele abaixa-se e ajuda ela a montar em suas costas, levando-a por entre os vários corredores do castelo. Maya olhava admirada para os corredores, sempre abarrotados de pinturas e flores junto de alguns artigos decorativos, por onde passavam. Pararam em frente a uma porta dupla decorada com gravuras em alto relevo.

-Porque essas figuras?

-Elas representam muitas coisas Maya. Coisas que aconteceram, coisas que vão acontecer e também coisas que estão ocorrendo agora mesmo

-É a tia – fala Maya apontando sorrindo para uma figura ajoelhada, os ombros levemente curvados, na cabeça pousava a coroa de prata e ametista, ao seu lado estavam outras duas figuras, um homem com cabelos curtos e despenteados na mesma posição e ao lado dele uma mulher com os cabelos longos caindo por sobre os ombros chegavam até o que parecia ser o chão da gravura; todos demonstrando reverência a algo que não havia sido gravado

-Eu sei. Ela era esperada assim como você

-Me esperavam?

-Claro, eu era um dos primeiros da fila assim como ele. – fala e olha longamente para a porta.

Hashi olha a porta a frente e faz um som agudo que lembrava um assovio. A porta se abre, uma brisa quente com o cheiro de água salgada invade as narinas de Maya. Ele entra no aposento, havia uma 'piscina' cheia com águas termais, mas tão escuro quanto breu. Hashi para em frente a piscina. Era possível ver a areia descendo em direção ao centro, mas só pode ver 30 centímetros após o começo.

-Eu vou entrar – fala Maya com a voz decidida. Hashi ajuda-a a desmontar – Hashi eu quero que me ajude a entrar, mas não toque na água isso mataria você.

O dragão estica o pescoço longo afim de que a criança tenha algum apoio. Maya segura suas mãos na crina dele firmemente e arrisca alguns passos, vendo que conseguia andar ligeiramente apoiada vai em direção as águas negras. Primeiro os pés, depois a cintura, depois a cabeça e em seguida Hashi não pode mais ver nem rastro de sua protegida. Deita no canto mais afastado da água

"Por favor, fique bem" pensa olhando fixamente para o negrume a sua frente

-Sem querer duvidar de você Kagome, mas temos mesmo que continuar aqui? – pergunta Hya ao pisar mais uma vez em uma poça de lama que achou madeira envelhecida

-Estamos quase lá Hya – fala Kagome. Todos andavam em sua forma humana, ou o mais semelhante a ela possível. Enara andava com o nariz franzido devido ao cheiro de decomposição do lugar. Alvin mantinha o rosto o mais natural possível, mas não podia deixar de disfarçar o quanto aquele lugar era desagradável. – Estamos perto.

-Graças! – diz Hya e coloca a mão sobre o nariz, a outra abanando a frente numa tentativa de espantar o cheiro

-Onde é Kagome? – pergunta Enara que andava ao lado de Kagome, alerta a qualquer poça de lama que agisse de maneira suspeita

-Ali – a morena aponta para a árvore mais envelhecida que ocupava praticamente 30 metros ao redor apenas com suas raízes – Temos que entrar

-Entrar? – a elfa olha para o buraco que havia no centro da árvore, mal cabia uma coruja ali dentro quanto mais todos eles juntos

Kagome segura as mãos deles e vai até o centro da árvore, em vez de bater de cara com a madeira branca envelhecida ultrapassa-a. Quando todos chegam ao outro lado ficam boquiabertos.

-Se por trás de todo pântano tivesse isso eu viveria dentro deles – diz Enara contemplando a beleza natural, a grama verde brilhante, o castelo refulgindo logo atrás brilhando como mármore, e pelo jardim vários animais cada um com sua morada própria e vivendo em harmonia completa

-Cérberos. Veelas. Grifos. Nereidas... Nunca achei que encontraria qualquer deles vivo – diz Hya olhando ao redor, os olhos enchendo-se de lágrimas – Acho que realizei o sonho da minha vida

-Olhe o céu – fala Alvin olhando para cima, o céu tinha uma tonalidade rosada como por do sol, duas luas aparecendo sobre o castelo – Está cedo para o por do sol não acha?

-O tempo aqui corre de maneira diferente – explica Kagome e toma a frente entrando no castelo, seguida pelos olhares dos moradores do jardim. Ao entrar encontra Karen entrando na sala – Sente-se melhor?

-Bastante. Mas onde está Maya?

-Achei que ela estava com você – fala Alvin franzindo as sobrancelhas

-Estava, mas quando acordei estava sozinha.

'Eles querem achar o Hashi'

-O que é isso? – Enara corre os olhos pela sala procurando o dono do sussurro, mas não vê ninguém

'Crianças tolas não percebem que a rainha está passando pelo processo de mudança'

'Não podemos permitir que atrapalhem'

'Hashi, eles chegaram'

-Sussurrantes – chama Kagome alto – Sei quem são vocês e posso muito bem terminar sua vida amaldiçoada, mas preciso saber onde está a rainha

'Tola!'

'Acha que pode nos enganar?'

-Kagome – chama Enara postando-se ao lado dela em posição de ataque

-Fique calma

'Só a traidora pode nos transformar'

'Apenas as filhas da traição'. Esse último sussurro foi repetido diversas vezes. Hya estava achando aquilo estranho, não via ninguém mas sentia presenças no quarto e eram muitas.

-Eu sou a filha dela. Meia ninfa, meia humana. Posso salvar vocês! – fala Kagome novamente para o nada – Apareçam!

As flores que haviam no jardim abriram-se ao mesmo tempo, e delas as pétalas começaram a tomar forma de minúsculos humanóides. Kagome aproxima-se e abaixa-se segurando uma das flores entre as mãos, sussurra algo numa língua antiga e então a flor brilha fortemente. Quando o brilho some, ela vira uma borboleta que sai livre da prisão da terra

'Ela pode nos salvar'

'Devemos avisar o guardião'

'Hashi deve saber'

A multidão começou com sussurros roucos que iam sendo espalhados por todos os cantos do castelo. Todas as flores sussurrantes repassaram a mensagem que ecoava nas paredes de forma estranha

-Vamos – fala Kagome correndo numa das direções – Sigam o nome Hashi que nos mostrará onde ele está!

Eles correm pelos corredores sendo quase sempre confundidos pelos sussurros, até que param na sala com a porta dupla de madeira. Eles entram e encontram um rapaz sentado sobre areias brancas em contraste com o negrume do mar. O rapaz move os olhos na direção deles, os cabelos esverdeados estavam bagunçados, os olhos dourados eram quase felinos, ele usava um kimono branco e na cintura estava uma espada de cabo dourado com um estranho brilho esverdeado

-Onde está Maya? – pergunta Kagome

-Está falando com o soberano – responde o rapaz simplesmente e volta a fitar o mar – Não a atrapalhem ou poderão ser punidos de maneira extrema

-Escute aqui – fala Karen adiantando-se na direção do rapaz e o segura pela gola do kimono o forçando a olhá-la – Pouco me importa quem é seu soberano, saiba que se algo acontecer a minha filha você pagará muito caro

-Ela não é sua filha – responde ele fitando-a profundamente – Nunca foi e sabe disso. Seu ventre era necessário para passar a semente de Nyile e apenas para isso ela esteve com você. Agora que amadureceu não precisa mais de você. – sem se controlar Karen deu um tapa no rosto dele

-Ele tem razão – fala uma voz vindo de trás de Kagome – Fomos apenas usadas

-Neferet? Como chegou aqui?

-Do mesmo jeito que você Kagome, mas ao contrário de você esta não é a primeira vez que tenho de vir a este quarto

-Você tentou matar Nyile! Não é digna de estar aqui!

-É isso o que dizem? Não, eu não tentei matá-la. Durante a cerimônia uma de nós seria escolhida como a rainha de todas as dimensões, mas o mar escolheu Nyile em vez de mim. Tentei impedir que o fim acontecesse e consegui, Nyile não havia sido coroada rainha após Lana, ela ficou apenas temporariamente enquanto o corpo suportasse a prova inacabada. O mar estava matando-a por dentro. Achei que depois disso eu seria a eleita, mas mesmo com a morte de Nyile e da filha que ela teve em condições extremas o sangue delas ainda prevaleceu através de outro príncipe

-Outro príncipe? – pergunta Alvin

-Sim, o esposo de Nyile havia levado consigo o primeiro sangue de Nyile, o sangue da filha morta e deixou-o dentro da família que futuramente ascenderia entre todos os reinados: os lobisomens. Com a união de tantos sangues de várias raças em um corpo só, o sangue da nova rainha desenvolveu-se, mas precisava de um ventre. Por sorte o herdeiro estava casado e antes que eu pudesse impedir a semente já havia sido espalhada. Não havia mais como impedir, eles haviam ido para uma dimensão além do meu alcance. Mandei minhas ninfas para destruir o herdeiro do novo sangue mas elas falharam

-Espera aí. Você está dizendo que esse herdeiro é o Tai? – pergunta Hya apontando-lhe o arco – Que tolice, a semente só pode ser espalhada por mulheres é isso que diz a tradição

-E quem disse que eu falava daquele lobisomem idiota? – ela manteve os olhos fixos em Enara

-Impossível! Não tem como ser eu!

-Não? Você foi criada em outro plano e lá teve uma noite com um homem que você jurava amar, mas em vez de engravidar seu sangue passou para ele e ele passou para a hanyou. Mas afinal isso não importa, a cerimônia já está acabando e ela não sobreviverá

-Por que você tem tanta certeza disso?

-Por que dei ao soberano do mar o que ele deveria ter da nova rainha, o sangue do companheiro de Nyile. Ela não é nada sem esse sangue, não é rainha, não é pessoa, nem mesmo pode ser considerada viva

O clima tenso que havia sido formado dispersou-se assim que algo inusitado ocorreu. O sol, invés de se por como todos estavam vendo, havia nascido e seus raios atingiram o lago tornando-o tão claro que poderia ser visto como uma continuação da areia branca.

-Impossível! Ela não pode...! – começa Neferet. Uma figura surge do meio das águas, o corpo esguio e magro estava visivelmente fraco, os cabelos castanhos caiam em cascata sobre os ombros indo até a cintura, os olhos verde esmeraldas brilhavam como duas jóias recém lapidadas. Todos ajoelham-se perante ela, exceto Neferet que continuava de pé

-Neferet, acabou – diz ela, a voz era autoritária mas doce – Desista agora ou serei forçada a transformá-la numa murmurante

-Eu nunca me renderei a você! – ela lança uma onda de poder azulada em direção a Maya, mas a onde volta acertando Neferet. O dragão estava em frente a Maya os dentes arreganhados , e avança em cima de Neferet

Ela tenta esquivar-se, mas Hashi era muito mais rápido do que o antigo guardião, o veneno que ele expelia caia sobre seu kimono e o desintegrava quase instantaneamente. Num movimento rápido de esquiva, Hashi passa metade do corpo para trás dela e consegue prendê-la, as garras roçavam o pescoço de Neferet

-Você não pode me transformar!

Maya anda até ela e encosta os polegares um em cada face da ninfa, sussurrando palavras antigas. Num súbito clarão, Neferet não estava mais ali, fora o kimono não restava mais prova de que havia existido. Maya desmaia em cima de Hashi, sentia o corpo exausto devido a mudança

-Deixe-me cobri-la – diz Kagome e tira uma das camadas do kimono e cobre o corpo nu de Maya – Ela precisa de um descanso, usou energia demais para acabar com a guerra de todos

-Então a guerra acabou? – pergunta Enara sentando na areia aliviada, a tanto tempo não sentia essa paz

-Sim acabou

"Alvin!"

-Estão todos preocupados – diz Alvin tentando ignorar o fluxo de chamados que lhe vinha a mente – Especialmente o Tai, por que não vamos lá

-Vão na frente, eu tenho que cuidar dela por enquanto – fala Kagome sorrindo para os amigos – Os sussurrantes vão mostrar o caminho a você

-Não sei se confio mais naqueles bichinhos – diz Hya fazendo uma careta

-Acredite, eles preferem mostrar a saída.

Kagome acompanha maya até o quarto enquanto os outros voltavam para o desfiladeiro. A surpresa era geral, em vez do pântano gosmento estava um lindo campo que se estendia a todos os lados imagináveis. Ao chegarem ao desfiladeiro, encontram todos ocupados fazendo curativos ou levando algo para os que não podiam mover-se

-A comoção aqui foi geral hein – comenta Hya olhando, até mesmo os que antes eram seus inimigos ajudavam absolutamente constrangidos, sequer lembravam-se o porque de terem começado a guerra

-Alvin! – a irmã de Alvin corre até ele abraçando-o – Eu fiquei com tanto medo por você e pelo Eddie!

-Está tudo bem, não haverá mais guerras – ele abraça-a entregando-se a emoção. Havia ficado preocupado com ela, com o irmão, com os amigos, com tudo o que podia acontecer que o cenário que via lhe trazia uma calma acolhedora – Fique comigo Hana, pro resto da vida

-Sempre ficarei com você – diz ela olhando-o através dos olhos marejados

Karen adianta-se indo até onde estavam Tai e seus parentes. Abraça os primos, em seguida o tio e ao chegar ao marido beija-o febrilmente

-Calma, eu não to com estômago pra aguentar isso – fala Inuyasha fazendo uma careta e então seu rosto torna-se preocupado – Onde está Kagome?

-Ela ficou no castelo com Maya – responde Karen enquanto acariciava os cabelos do marido, ele tinha o rosto enterrado em seu pescoço e dava beijos leves em sua pele – Disse que depois voltaria para se encontrar com você, não se preocupe

-Não me preocupo, sei que ela está bem – ele mostra o anel de prata que havia o nome dela escrito – Ao menos tudo isso teve um fim! Não aguentava mais todas aquelas confusões, finalmente vamos voltar para casa tranqüilos e... – ele para de repente olhando para o pai, Inutaisho sorri tristemente – Você realmente não pode voltar

-Não, mas sempre estarei aqui caso queiram me procurar meus filhos – ele olha para Sesshoumaru que estava em pé ao seu lado – Aproveitem bem lá no outro lado, chamarei vocês novamente apenas se houver a necessidade disso

Inuyasha dá um abraço no pai, havia esperado anos para poder saber que ele estava naquela dimensão mas mesmo assim não haviam chegado a falar realmente sobre eles. Ele retribui o carinho mexendo nas orelhas do filho, que sorri tristemente.

-Vem cá Sesshoumaru, você é grande mas meu abraço cabe você também – diz Inutaisho estendendo um braço para o filho mais velho. Sesshoumaru abraça o pai também de maneira constrangida, nunca havia tido esse tipo de contato desde que era criança – Cuidem bem um do outro e das garotas também, elas precisam que vocês sejam pessoas dignas e amorosas

-Não fale como se fossemos crianças – diz Sesshoumaru afastando-se do pai

-É a força do hábito. E, por favor, digam a sua mãe que eu a amo muito. Não queria que nossa história houvesse acabado tão cedo, mas sempre terei ela no coração e estarei esperando-a quando chegar a hora.

Após algumas semanas, o clima nas dimensões era de pura festa. As raças estavam num tipo de contrato de paz, e na Terra os poucos que sabiam dos outros mundos davam festas enormes para pessoas, ofereciam ajuda aos necessitados, estavam todos mais alegres agora que a rainha havia finalmente surgido. Esse clima de alegria aumentou em menos de 2 meses ao saber que a rainha estava grávida apesar de ninguém saber quem era seu marido e quando o filho de Kagome e Inuyasha nasceu

-Hashi?

-Sim – ele abre os olhos dourados mirando-a com preocupação

-Eu me sinto estranha

-Você está grávida, vai se sentir estranha mesmo

-Acho que estou com desejo

-Algo que eu possa fazer?

-É sim – ela senta-se e passa a mão sobre seus cabelos esverdeados – Fique mais perto de mim, por favor – ele abraça-a com carinho, ela se acomoda em seus braços, a pele era lisa e tinha uma cheiro gostoso

-Assim está bom?

-Você tem uma força de vontade que me surpreende

-Por que? – ela deixa os corpos deles colados, ele sente o contato daquela pele quente e o cheiro envolvê-lo plenamente – Não é tanta assim, você não faz idéia do quanto estou me segurando

-Então não se segure – ela beija-lhe fervorosamente, mas ele se afasta

-Tenho uma condição

-Qual?

-Se for menina eu escolho o nome

-Então tá

Ele beija-lhe com mais calma, aproveitando o sabor daqueles lábios tão amados mas que podia provar apenas poucas vezes. A transformação em corpo humano cansava-lhe demais e sempre dormia muito quando ficava nesta forma. Ela afasta-se bruscamente

-Você disse que eu podia escolher se fosse menina

-Não lembro disso – ele começa a beijar seu pescoço ouvindo-a soltar um gemido de prazer

-Lembra sim seu sacana. Que tal assim, amanha fazemos um par ou ímpar. Se der par eu ganho, se der ímpar você perde

-De todas as maneiras eu perderia – diz levantando o rosto e olhando, o dourado e o verde encontrando-se num mar de desejo

-Exatamente – ela volta a beijá-lo, sorrindo por ter ganho essa partida. Ainda havia muito que precisava aprender como mulher, mas com certeza aquela experiência era uma das melhores

Bem, é isso. Obrigado a todos os reviews e meses de paciência enquanto eu postava.

Beijos e espero que tenham gostado